quarta-feira, outubro 06, 2004

VMB 2004: O ANO DE PITTY

Foda querer fazer comentários sobre o VMB, quando os mestres Paulo Bonfá e Marco Bianchi já mataram a pau, com toda a verve que lhes é característica. Mas ainda assim, ousei tomar algumas anotações e fazer algumas considerações durante o desenrolar da transmissão da festa, os quais reproduzo, mais ou menos mexidos, a seguir.

Ø Hilária a cara de limão do Wander Wildner ao ouvir o mala Tico Santa Cruz (Detonautas) se mordendo todo ao falar sobre Tom Capone, durante as entrevistas preliminares, que, aliás, primam pela falta de assunto: ?é isso aí?, ?com certeza?, ?é uma loucura?, ?demais isso aqui?... Que saco.
Ø Marcos Mion (até então em uma merecida geladeira televisiva), parecia q tinha acabado de sair do forno dado o seu bronzeado artificial, alardeando sua volta (alguém sentiu falta?) à MTV.
Ø Ainda nas entrevistas preliminares, foi possível estabelecer três graus de chapação visível. Vamos a elas: Kiko Zambianchi > Interplanetário: chapadinho light, não chega a incomodar. Dinho Ouro Preto > Intergaláctico: Chapado mala, à vontade demais, se mete no meio das entrevistas, fala barbaridades, ri que nem uma hiena. Otto > Interdimensional: o que era aquela roupa dele? Arthur Bispo do Rosário perde. O cara desafia definições.
Ø O Massacration saiu consagrado de sua apresentação na porta da festa. Performance matadora. O detalhe engraçado é q a gente não tem a menor idéia de quantos daqueles garotos se acabando de banguear na beira do palco tem a noção real de que aquela banda à sua frente não passa de uma piada. Uma piada mais longa q a maioria delas, mas uma piada. Vamos ver até quando dura. O auge foi o final, com o Auê (aquele rasta doidão) dançando James Brown durante a execução do hit Metal massacre attack: exú encontra o demo. Pelo menos, musicalmente falando (?!?).
Ø Abertura da festa: Sepultura, Nação Zumbi, Lan Lan e João Barone executam Kaiowas. Legal, ?algo solene?, como disse o Arnaldo Antunes. Mas quem era aquele gordinho de cabelo curto ?regendo? o grupo todo? Qual era a dele? Papagaio de pirata?
Ø Selton Melo certamente passou pela Ringling Brothers Capilar Consultants, ainda q seu diretor-presidente, Paulo Bonfá, o tenha negado veementemente durante a transmissão. E a citação ao filósofo Tyler Durden veio em boa hora: ?Você não é o conteúdo de sua carteira?. Então falou.
Ø Agora é sério: qual era a daqueles muppets que apareciam nos horários comerciais? Em dado momento, dois deles apareciam no banheiro. Enquanto um perdia o nariz sobre a pia (!!!), o outro recebia umas descargas elétricas de uns raios lá. Psicotrópico.
Ø A vitória do Dead Fish em ?Revelação do ano? é o triunfo dos adolescentes chorões pentelhos. Na época em que dividi um apartamento com Zezão ele reclamava da choradeira dos meus ?rocks tristes?. Pelo menos, nessas bandas, o pessoal chorava baixinho, incomodava menos. Agora essa molecada CPM 22, Dead Fish e que tais choram berrando. Não há quem agüente. Pelo menos aqueles com idade mental superior a 15 anos de idade. Que porre.
Ø Wander e os Replicantes simplesmente ROUBARAM A CENA. Lindo.
Ø CPM 22 tocando Epitáfio. Dizer que ninguém merece é baixo, soa até ridículo, dado o desgaste da expressão. Difícil definir. Eu devia ter feito musicoterapia, contábeis. Algo mais fácil.
Ø Melhor momento da noite: Caetano cortado (com David Byrne e tudo) logo depois de começar a cantar e depois dando chilique no ar quando a segunda tentativa falhou de novo. Com certeza, ele e dona Paula vão querer a cabeça de alguém numa bandeja de prata por isso. E depois, fala sério, tanta briga para eles apresentarem aquela musiquinha fraca (nothing but flowers) de um disquinho esquecido dos Talking Heads (o último, de 1989), que ainda por cima tem o riff introdutório da gravação original chupado de Alagados (aquela mesma, quem leu Dias de luta do Ricardo Alexandre tá ligado. Valeu, Bramaz!)? Faça-me uma garapa...
Ø A melhor performance de rock vai para Zeca Pagodinho, a despeito de todos os esforços de um obstinado time de divas e rappers firmemente dispostos a aparecer mais do que ele, e pior: cantar mais alto do que ele. Detalhe interessante também foi o corte de cabelo estilo Karen O (ou seria PJ Harvey?) ostentado por uma D. Mercury desesperada para parecer moderna e descolada.
Ø Joe Tromondo é O CARA: ?Rock!? E nada mais a declarar.
Ø E finalmente, Pitty, a grande vencedora da noite ao lado de Marcelo D2, visivelmente emocionada: ficam aqui os parabéns da galera Rock Loco à musa dos adolescentes (e não tão adolescentes assim) e sua extraordinária banda. Hoje, acho que podemos dizer que Pitty e sua banda é, depois do Camisa de Vênus (Raul Seixas é hour concour), a representação rock baiana que chegou mais alto no showbiz brasileiro. Tomara que iniciando nova fase em sua carreira, ela chame também a atenção das selos e gravadoras (se é que isso ainda existe) para a cena rock daqui, e outras bandas sigam o rastro de seu sucesso. Som para isso, a gente tem, e disso não restam dúvidas.
Ø Essa é a real (do Rock Loco).

10 comentários:

Luciano disse...

Melhor ainda que o Rock Loco deu um show de bola, com cobertura direto da festa. Nem sei como saiu no arm, pq Braminha ligou de repente e botou Joe e Peupra entrar no ar e falar de lá da festa. Foda. hehehe

Franchico disse...

putz, perdi essa. mas tb, com TV e rádio ligado ao mesmo tempo, ia ficar maluco (mais). só Bramz, mesmo.

Anônimo disse...

Chicão desta vez você conseguiu! Tá muito massa este seu resumo de vmb! Detonou mesmo carinha! Parabéns!
Não vi o inicio do programa, estava ouvindo meu vicio, o Rock Loco! Mas pegeui o dito "chilique de atitude" (segundo o João Gordo) do Caetano e achei muito legal, foi até melhor que a apresentação dele. [Talvez tenha sido este o motivo do 'problema' com o som'! Os diretores do vmb, viram que o 'show' deles iria ficar muito ruim e resolveram colocar pimenta no dos caras!]
Fiquei muito emocionada com os Replicantes! Foi demais! RAMONES sempre é demais!
Parabéns pra Pitty!
E Parabéns pra nós também!

Sandra Bahia

Anônimo disse...

VMB realmente é uma farsa! Pelo menos é engraçado!

osvaldo disse...

Porra Chicão, que é vc anda tomando?Tambem quero!Eu saio por tres dias e quando volto o homem disparou nas resenhas.Vc captou muito bem o espirito do VMB.Nada para se levar muito a serio, mas é o que temos.Alguns momentos legais e muitos momentos banais.Depois posto alguns bastidores da premiação e da festa.

Anônimo disse...

Eu acho que a Daniela tava disfarçada de Lenny Kravitz.


sora

Franchico disse...

notem q nem perdi meu tempo falando de celebridades decadentes e seus truquezinhos pobres para se manter na mídia. quer coisa mais patética q aquele beijo entre Syang e Preta Gil (quem? quem?)? tenha dó...

Anônimo disse...

Na moral, o som pifou por causa daquela solenidade toda dada a uma simples cançãozinha pop, muito bem descrita por Chicão. Eu, num cargo alto na delegacia da música, mandava prender jacques morelebaum e os trêmolos de cae na boa.
Agora transformar este fato, "no" tom do vmb, é má-fé da bola de neve preguiçosa da imprensa oficial, do mal-amém.
A estréia da F.u.r.t.o de Yuka é uma especie de o rappa sou eu, não importa a banda e o cantor. Eu sei que a maiortia dos rocklocos não vai entender a expressão uma boa nova música do rappa, mas foi essa a sensação. Que essa etapa seja logo superada, porque parece que a banda é boa.
E aquela piada do dedo do diretor é maravilhosa.

sora2

Anônimo disse...

ROB (champvinyl.blogger.com.br): Eu não vi o VMB, aliás parei de ver esses Hip Hop Music Awards faz tempo, mas na manhã seguinte me falaram desse incidente. E tudo isso pra tocar uma música do Naked????

Franchico disse...

grande Rob Fleming! nós aqui do Rock Loco (eu pelo menos) somos fãs do seu livro e tb do blog / loja q vc adminstra com Dick e Barry. apareçam sempre, malandragem!