segunda-feira, maio 22, 2017

O PODEROSO NEIL

Neil Gaiman investe na Mitologia Nórdica. Desta feita, sem modernizar nada

Odin, O Andarilho. Obra de Georg von Rosen, 1886
Tornado amplamente conhecido pelo grande público desde os anos 1960 ao ser incluído pela Marvel Comics em seu elenco de super-heróis, Thor, o Deus do Trovão, é parte de um panteão de deuses muito antigos, adorados por séculos nos países escandinavos.

Em Mitologia Nórdica, o aclamado escritor inglês Neil Gaiman (Sandman, Deuses Americanos) vai na raiz desse imaginário para recontar suas principais histórias.

Fabulista convicto e narrador de sensibilidade poética ímpar, Gaiman é certamente o melhor nome atual para esta tarefa.

Até pela seu antigo fascínio pelo tema. Nas suas duas obras anteriores citadas, personagens como Odin (o Pai de Todos, deus supremo), Thor e Loki (o príncipe das mentiras) já haviam aparecido, seja como um dos protagonistas (Odin, em Deuses Americanos,  atualmente uma série de TV exibida pelo serviço Amazon Prime), seja como coadjuvantes (Sandman).

Na apresentação do livro, Gaiman chama atenção para o fato de que essa mitologia panteísta quase desapareceu após a disseminação do Cristianismo pela Europa (e vale lembrar que o mesmo aconteceu na África).

Mal comparando, “É como se as únicas histórias conhecidas de deuses e semideuses da Grécia e da Roma Antiga fossem os feitos de Teseu e Hércules. Perdemos muita coisa”, percebe o autor.

Elementos fundadores

Odin ampara Brunhilda. Konrad Dielitz, 1892
Narrador de imenso apreço pela fábula, não é de hoje que Gaiman cria versões próprias e modernizadas de personagens clássicos como A Bela Adormecida e Branca de Neve (que se beijam, em A Bela & A Adormecida), João Pestana (entidade mítica do sono, recriado  em Sandman) etc.

Em Mitologia Nórdica, o inglês resiste à tentação da revisão modernizadora, atendo-se às narrativas consagradas há milênios.

Desta forma, Gaiman consegue enfeixar 15 contos (mais texto de  apresentação e glossário) em ágeis 288 páginas.

A leitura é um deleite, não apenas pelo sabor de fantasia clássica, mas também pelo texto apurado de Gaiman.

É como se ele estivesse tentando resgatar a arte há muito perdida da fábula, investindo em narrativas curtas, diretas e sem firulas, mas carregadas de significados.

Ele não tentou, como é tendência em muitos narradores modernos, “descomprimir” a narrativa, uma estratégia para esmiuçar nos mínimos detalhes contos clássicos (ou mesmo contemporâneos, como Star Wars), adicionando-lhes cada vez mais capítulos, sequências, prequels, spin offs e outros recursos atuais.

Em Mitologia Nórdica Gaiman faz um giro completo na saga dos deuses dos vikings, começando na criação da vida e terminando no fim do mundo, o chamado  Ragnarok.

No miolo, muitas aventuras estreladas, claro, por Odin, Thor e Loki, mas também por Balder (o mais belo e gentil dos deuses), Tyr (deus da guerra), Freya (deusa do amor), valquírias (que recolhiam as almas dos mortos em batalha), gigantes de gelo e fogo, gigantes de múltiplas cabeças, anões, elfos e todos os outros elementos fundadores que influenciaram a fantasia moderna, desde Tolkien (Senhor dos Aneis) até George R. R. Martin (Game of Thrones) e além.

Mas entre todos os (magníficos) contos, um merece destaque pelo esplêndido bom humor: O Hidromel da Poesia, no qual descobrimos de onde vem a poesia: a boa e a ruim – e por que esta costuma cheirar mal.

Mitologia Nórdica / Neil Gaiman / Tradução: Edmundo Barreiros / Intrínseca / 288 páginas / R$ 44, 90 / E-book: R$ 29,90

terça-feira, maio 16, 2017

O "PEACE PUNK MELÓDICO" DA suRRmenage

Power trio liderado por Arthur Caria (ex-Dead Easy) lança novo EP com show gratuito sexta

Arthur Caria, Mark Mesquita e Maynard Passos, foto Fernando Udo
Baixista veterano do hard rock em Salvador e no Rio de Janeiro, Arthur Caria (ex-Dead Easy e X-Rated) volta à cena com um novo trabalho de sua banda atual, a suRRmenage.

Headphoning Life é o título do EP de quatro faixas que a banda lança em pocket show gratuito nesta sexta-feira, inaugurando o evento Casarão Pocket, do novo e reformado Estúdio Casarão, de Candido Soto Jr. (ex-Cascadura).

Mais coeso e maduro do que the suRRmenage sessions (2009), o trabalho anterior, o EP é rápido e nada rasteiro, trazendo três composições inéditas e um resgate dos tempos do X-Rated, Moonshine.

“O novo trabalho é produto de uma banda tocando junto por mais de dois anos com a mesma formação”, conta Arthur.

“Além disso, o disco de agora é bem diferente do anterior em termos de letras, traz mais positividade (Ubuntu, Transition), esperança (Someday) e amor (Moonshine). O anterior trazia uma certa frieza poética e desesperança”, observa.

"À maneira do anterior, foi mixado e masterizado por Jera Cravo, hoje radicado no Canadá. E terá a distribuição da Trinca de Selos (#AquiTemRockBaiano). Tanto as músicas inéditas quanto a regravação que fizemos, buscam revisitar algo de um terreno sonoro que prezo muito, da minha adolescência aos 16 anos tocando punk-metal em bares da Pituba, na Residência Universitária da UFBA, ou nos recreios do Colégio Social, em 1987 com a banda Saci Monstro (com o hoje bluesman Celso Dutra e o vocalista Jorge Calvo)", detalha Arthur.

"O disco anterior (2009) vinha de um projeto amplo que envolvia outras áreas do conhecimento como literatura e ciência, mas que no final migrou para uma experiência poética pessoal minha, combinada musicalmente com alguns parceiros na gravação (Jera Cravo e Flávio Maranhão) e outros nas diversas jam sessions (como Jorge King Cobra, Maynard Passos e Igor Tavares para citar alguns à época)", observa.

Ladeado por Maynard Passos (guitarra) e Mark Mesquita (bateria), Arthur lança hoje mesmo, no You Tube, o clipe da faixa Ubuntu (dirigido e filmado por Fernando Udo), com letra sobre o conceito sul-africano de harmonia entre o indivíduo e o universo, rejeitando o narcisismo e o individualismo exacerbado.

“Juntando música e letra, o disco novo é uma espécie de peace punk (punk da paz) melódico”, ri o músico.

Uma curiosidade é a faixa Moonshine, do repertório da banda carioca de hard rock X-Rated, que ele integrou após a extinção da Dead Easy, de Salvador, e com a qual tinha ido ao Rio tentar a sorte no circuito rock do eixo Rio-SP.

Capa do EP, com pintura de Antonio, filho de Arthur, de 5 anos
"A música Moonshine é do disco Untold Story do X-Rated, que gravamos em 1994 no Rio de Janeiro, e que foi lançado via Tratore em 2010. Eu (baixo e backing vocals), Rodrigo Van Stoli Eymael (vocalista), o guitarrista Mark D.B. (ex-Azul Limão) e o baterista André Chamon (ex-Stress). Eu pincei Moonshine como um tributo ao X-Rated, mas também por ela se encaixar, com o novo arranjo, na proposta que pensamos para o EP Headphoning Life", conta.

Apesar do grande número de bandas do estilo, o hard rock no Brasil nunca foi muito popular, muitas vezes subestimado por público e crítica.

"Exatamente. Concordo. Tomando minha experiência pessoal com as bandas Dead Easy e o X-Rated, penso que os grupos de feição Hard Rock no Brasil sempre foram subestimados porque elas traziam (mais do que os outros estilos), elementos estranhos para um público que não estava - na época - pronto para consumi-los, características estéticas e musicais muito específicas. Sempre éramos muito elogiados pela crítica (que decifravam aquilo que fazíamos), e recebidos mornamente pelo público daqui", conta Arthur

Show intimista

Nesta sexta, vale dar um pulo no Casarão para conferir a performance deste afiado power trio. Mas se ligue: é bom chegar cedo.

“Vamos inaugurar o Casarão Pocket, um formato para a realização específica de pocket shows intimistas, concentrando-se na estética do micro-evento, do show íntimo com mini-plateia (máximo de 20 pessoas), idealizado também para o registro em vídeo e para a banda sentir de perto a reação do público”, conta.

"Em 2016 fizemos alguns pilotos desse formato com seis bandas baianas no Home Pocket da Clipoems Rock (com Fernando Udo, Cândido Martínez e Mark Mesquita) e foi algo bastante gratificante. A banda recepcionará os convidados com comes e bebes, exibição de vídeos da banda, músicas inéditas e antigas, e ao final, o pocket show na sala grande do Casarão. As pessoas presentes receberão o disco da banda gratuitamente", acrescenta.

"Eu criei o Clipoems como uma reunião de iniciativas audiovisuais experimentais sem fins lucrativos, estritamente de cunho artístico e científico. Já o Clipoems Rock é uma seção dessas mesmas iniciativas (Clipoems) que é dedicada à captação e à divulgação de trabalhos autorais, principalmente em rock and roll. Sempre realizadas de maneira colaborativa e compartilhada", acrescenta.

Lançado o novo trabalho, agora é fazer planos para prosseguir produzindo e tocando.


“Depois de meses concentrados na produção do EP, os planos são divulgar o  novo trabalho, tocar com mais frequência e produzir mais material. Temos inclusive novos singles que tocaremos em breve, antes mesmo de os gravarmos”, conta Arthur.

suRRmenage / Sexta-feira, 20 horas / Casarão Pocket (Av. Mario Leal Ferreira, 310, Bonocô Center, próximo à Estação Brotas do Metrô) / Gratuito / www.surrmenage.com

NUETAS

Jigsaw e Louder

Álvaro Assmar, foto Mauricio Requião
As bandas Jigsaw e Louder estão no Quanto Vale o Show? de hoje.  19 horas, Dubliner’s, pague quanto puder.

Álvaro aos sábados 

No sábado, o bluesman master Álvaro Assmar cumpre a terceira data de uma temporada de quatro noites na Varanda do  Sesi. É a segunda edição do Projeto Blues na Varanda, que já tinha rolado com sucesso em março último. 22 horas, R$ 30.

Led e Rush sábado

O sábado também tem uma night de classic rock de respeito com as bandas Celebration Day (fazendo o Led Zeppelin) e Fountainhead (fazendo o Rush). Músicos experientes de competência comprovada em ambas garantem o bom nível. Dubliner’s, 23 horas, R$ 20.

sábado, maio 13, 2017

DIVA DE VOLTA

Gal Costa traz de volta à Salvador o show Estratosférica – desta vez, na Concha Acústica e com participações de Márcia Castro e Nara Gil. Ao Caderno 2+, a cantora fala do show, da vontade de fazer sua  biografia e de como ela vê o papel do político

Gal Costa, foto Bob Wolfenson
Quando é bom, o povo pede bis, ensina a sabedoria popular. Mais do que bem-vindo então, o bis do show Estratosférica, de Gal Costa, que volta à cidade hoje, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.

Marcado para o último dia 28, o show foi adiado devido a greve geral ocorrida naquele dia. Com isso, ganhou duas convidadas: Márcia Castro e Nara Gil (primogênita de Gilberto Gil).

Apresentado em 2015 na Sala Principal do TCA, o show do álbum Estratosférica agora ganha em descontração – e volume de público – na Concha Acústica.

“Eu estreei o show do Estratosférica aí no TCA”, lembra Gal, por telefone, de São Paulo. “Dessa vez é na Concha, devo atingir um outro público, o que é muito bom. E também ainda não conheço a Concha depois de reformada, me disseram que está linda”, acrescenta.

De bom humor e bem disposta ao telefone, Gal ainda lembrou que também fez no mesmo local o show do álbum anterior, Recanto (2011).

“Nossa, foi lindo aquele show do Recanto na Concha! O público da Concha é muito especial, adoro cantar lá”, disse.

Neste segundo show do Estratosférica, o repertório não muda em relação ao show de 2015 – e por uma boa razão.

“Sim, será exatamente o mesmo repertório. É que só agora é que eu vou gravar o DVD do Estratoférica. Então estamos fazendo shows em alguns lugares, antes de grava-lo aqui em São Paulo”, conta.

“Não tenho a data da gravação ainda, mas com certeza até junho gravamos isso. Vai ser no Teatro Casa Natura, que será inaugurado agora em maio”, revela.

Repertórios

Produzido por Alexandre Kassin e Moreno Veloso na esteira de Recanto (produzido pelo pai de Moreno), Estratosférica mostrou que Gal segue renovada, investindo em novos compositores e estilos de arranjo, mas sem esquecer dos parceiros de sua geração.

Desta forma, há tanto canções de Mallu Magalhães (Quando Você Olha pra Ela) e Céu (Estratosférica, com Pupillo), quanto  Antonio Cícero (Sem Medo Nem Esperança, com Arthur Nogueira) e Tom Zé (Por Baixo), entre outros.

No show, o repertório do Estratosférica ainda ganha o reforço de grandes sucessos da carreira de Gal, como Cabelo (de Arnaldo Antunes), Brasil (Cazuza), Pérola Negra (Luis Melodia), além de outros clássicos, como Vingança, de Lupicínio Rodrigues e Os Alquimistas Estão Chegando, de Jorge Ben Jor.

Márcia Castro, foto Pedro Bonacina
“(No show e no disco) São muitos compositores novos, mas também tem música de Caetano com o filho Zeca (Você Me Deu), tem Roberto Carlos, músicas que gravei mais no passado, como Namorinho de Portão de Tom Zé e Como Dois e Dois, do Caetano”, conta Gal.

Biografia e política

Sobre os 50 anos do Tropicalismo, comemorados este ano a partir do álbum Panis Et Circensis (1967), Gal diz que não tem planos para a ocasião, mas se sai bem na réplica.

“Acho que o Estratosférica tem tudo a ver com o Tropicalismo. Não só sobre minha história passada, mas a presente também. Eu o considero uma celebração do movimento, porque tem tudo do ver com as coisas que eu fazia nos anos 1960, ligada ao rock, à música eletrônica, ao experimentalismo, tem tudo a ver. Então, não deixa de ser uma homenagem”, afirma.

“E não me chame de senhora não, rapaz! Eu sou jovem, pode me chamar de você, assim me sinto velha”, pede ao repórter, quebrando de vez o gelo da entrevista.

Deixa perfeita para perguntar sobre a delicada questão das biografias – afinal, ainda não existe uma dedicada à ela, uma das cantoras mais importantes do Brasil.

“Olha, tenho planos (para uma autobiografia) sim, mas não tenho me preocupado muito com isso, não. Ainda quero fazer muitas coisas, e se eu escrever uma biografia agora fica incompleta”, ri Gal.

“Mas que eu faça, então espero que ninguém se antecipe. É que agora eles (O Superior Tribunal Federal) liberou, qualquer pessoa pode fazer. Acho que tinha que ter o consentimento do biografado, por que pode ter erros e tal”, afirma.

“Me preocupa muito o Brasil, mas está havendo uma limpeza, por que sempre houve esse tipo de coisa, então acho positivo  que essas coisas se deflagrem, que venham à tona”, afirma.

“Eu vejo o papel do politico como um pontificado, uma coisa mais espiritualizada no sentido de ser generoso, de cuidar das pessoas, e não o contrário disso. É um trabalho altruísta, não devia nem receber salário. Deveriam estar felizes de poder cuidar de um povo sofrido, que precisa de ajuda. Se eu fosse político, agiria dessa maneira”, afirma.

Gal Costa: Estratosférica / Hoje, 19 horas / Concha Acústica do Teatro Castro Alves / Plateia: R$ 40 e R$ 20

sexta-feira, maio 12, 2017

HORROR ESPACIAL

Após participação tímida em Prometheus, a criatura xenomorfa volta barbarizando em Alien: Covenant 

Oi, gato! Sentiu minha falta? Vem cá me dar um beijo!
Finalmente, um dos monstros mais amados do cinema nas últimas décadas volta às telas em um filme bastante razoável pelas mãos do seu idealizador, o diretor inglês Ridley Scott.

E apesar de ser continuação direta de Prometheus (2012), Alien: Covenant pode ser assistido sem muita preocupação com detalhes de cronologia por quem  procura apenas uma sessão com muita pipoca e velhas emoções baratas.

Sim, porque, apesar de divertido, de conseguir engajar o espectador no terror espacial por duas horas a fio, o terceiro filme da franquia dirigido por Scott (inaugurada por ele com Alien: O 8º Passageiro, de 1979) não é assim nenhuma obra-prima do cinema.

Se, em Prometheus, Scott enveredou por uma trilha mais “cabeça” na tentativa de explicar a gênese da criatura xenomorfa que dá nome à franquia (com resultados discutíveis), em Covenant, o diretor abraçou mais o entretenimento do filme de horror com múltiplas vítimas, ainda que cubra algumas lacunas deixadas pelo filme anterior, mas sem se ater demais nelas.

Katherine Waterston: no espaço, ninguém vai ouvir você peidar
O resultado é ambíguo no sentido de que, apesar de divertido, Covenant não gera no espectador muita empatia pelos personagens, que vão sendo abatidos um a um sem deixar saudades, como nos antigos Sexta-Feira 13.

Exploradores displicentes

Desta feita, acompanhamos os tripulantes da nave Covenant em uma missão colonizadora.

Em suas dependências, a nave carrega mais de dois mil seres humanos adormecidos em criogenia e mais alguns milhares de óvulos fecundados, igualmente congelados.

Acordados pela inteligência artificial da nave depois desta ser atingida por uma tempestade de raios cósmicos, os tripulantes captam uma estranha transmissão, vinda de um planeta mais ou menos próximo e, tudo indica, com condições de ser ocupado por seres humanos.

Phasers, confere. Bonés, confere. Máscaras? No. Capacetes? No. Oi?
Depois de muita discussão, a nave faz um desvio e segue para o tal planeta, onde se deverão se deparar com vocês sabem quem, mas esses detalhes ficam para aqueles que forem conferir na telona.

Finda a sessão, o que fica é a sensação de um espetáculo bem conduzido, mas com algumas falhas de roteiro, como por exemplo, a inexplicável displicência de astronautas que, apesar de tão bem treinados, se dispõem a explorar um planeta desconhecido sem sequer usar máscaras ou capacetes que os protejam de eventuais microorganismos na atmosfera.

Dito isto, Alien: Covenant vale pelo entretenimento que oferece, mas passa longe do clima intrigante de Prometheus e claro, do terror claustrofóbico do filme de 1979.

Alguém tem um sonrisal aí pro rapaz? É refluxo...
No elenco, quem mais se destaca é o alemão Michael Fassbender, que cumpre dupla jornada como os androides Walter e David.

O ótimo Danny McBride, pena, é subaproveitado, assim como a Sigorney Weaver da vez, a protagonista Katherine Waterston.

Alien: Covenant / Dir.: Ridley Scott / Com  Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir / Cinemark, Cinépolis Bela Vista, Cinépolis Shopping Salvador Norte, Cinesercla Shopping Cajazeiras, Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha, Orient Shopping Center Lapa, UCI Orient Shopping Barra, UCI Orient Shopping da Bahia, UCI Orient Shopping Paralela / Classificação: 16 anos

IRMÃOS DE ARMAS

Sold out, banda tributo Dire Straits Legacy, que reúne alguns ex-membros originais, faz repertório consagrado hoje, na Arena Fonte Nova

O DSL ao vivo na Itália, foto Maria Grazia Proietto
Oficialmente extinta desde 1995, a banda inglesa Dire Straits ganha uma sobrevida nos palcos graças a alguns ex-membros, reunidos sob o nome Dire Straits Legacy (ou apenas DSL), que se apresenta na Itaipava Arena Fonte Nova hoje à noite.

Alan Clark, tecladista da banda original (1980-95), conta que ele e outros membros foram convidados por um fã italiano, Marco Caviglia, para um show na Itália.

“Phil Palmer (que tocou nas turnês entre 1991 e 95) se juntou a nós no show seguinte e, um por um, outros ex-membros do Dire Straits vieram. Nos divertimos tanto que decidimos formar o Dire Straits Legacy”, conta, por email.

Além de Alan e Phil, os outros ex-Dire Straits no grupo são Mel Collings (sax) e Danny Cummings (voz e percussão). Completam a formação Andy Treacy (bateria), Mickey Feat (baixo), Primiano Dibiase (teclado) e o já citado Marco Caviglia (voz e guitarra).

“Não conversei com Mark (Knopfler, fundador e  compositor da banda) sobre o DSL, mas ele sabe que suas canções estão em excelentes mãos: as minhas”, afirma Alan, deixando a modéstia de lado.

“Ele deixou o Dire Straits para trás quando a banda se dissolveu no início dos anos 1990 e, desde então, se concentrou em sua própria carreira. Sempre estive convencido de que o grupo jamais se reuniria novamente”, diz.

Sushi bar e pista de kart

O núcleo do DSL. Foto Matteo Ziliani
Sucesso estrondoso nos anos 1980, o Dire Straits vendeu mais de 100 milhões de discos graças a sucessos como Sultans of Swing, Money For Nothing, Walk of Life e muitas outras que até hoje tocam nas rádios e, claro, estão no repertório do show.

“São canções clássicas por que são boas canções e boas canções são eternas. Muitas das canções de Mark são observações relativamente triviais, coisas do cotidiano, vistas sob uma luz própria. Por exemplo, ele escreveu Money For Nothing depois de ouvir a conversa de dois sujeitos sobre um clipe que passava na MTV enquanto comprava artigos de cozinha com sua esposa em uma loja”, diz Alan, que aproveita e desfaz um pouco a aura de reservado que Mark Knopfler cultivava.

“Acho que Mark adorou a atenção que a fama lhe trouxe, mas ele sempre tinha um guarda-costas para manter  pessoas à distância quando queria privacidade”, conta.

"Os talentos de Mark tiveram um grande papel (no enorme sucesso da banda), mas uma banda consiste de muitos membros e cada um desempenhou seu próprio papel no sucesso do grupo. Quanto às influências, Mark era um grande fã do JJ Cale, além de Bruce Springsteen e Bob Dylan", afirma.

O auge da fama veio em 1985, com o álbum Brothers in Arms. “Quando tocamos no Live Aid (1985) no Estádio de Wembley em Londres, com transmissão para milhões de pessoas mundo afora, também tínhamos um show, naquela mesma noite, na Wembley Arena bem ali do lado. Então, quando terminamos nosso show no Live Aid, andamos pelo estacionamento até a Arena, jantamos e em seguida tocamos para mais de dez mil pessoas”, lembra.

“Fizemos, se bem me lembro, 12 shows direto na Arena, e, para impedir que ficássemos entediados, tínhamos várias coisas para nos entreter, como um sushi bar no backstage e uma pista de kart completa no prédio ao lado”, lembra.

Hoje, Alan só espera se divertir: “Não sei por que o Dire Straits  nunca veio ao Brasil – fomos para todo canto! Minhas expectativas são as mesmas de sempre: me divertir”, conclui o músico.

Dire Straits Legacy / Amanhã, 23 horas / Itaipava Arena fonte nova / R$ 180 + taxa conveniência (Pista, 2º lote), R$ 400 + taxa (Lounge ao lado do palco) / Venda: balcões dos shoppings SOLD OUT / Censura 16 anos

quinta-feira, maio 11, 2017

DA SÉRIE ANTES TARDE: FILHOS DE ZILDA

Fruto de sete anos de jams no Som de Zilda e uma bem sucedida campanha de crowdfunding, banda Pirombeira lançou seu primeiro álbum com um bem produzido show no Vila Velha. Quem perdeu pode conferir a banda ao vivo domingo, no Festival Caymmi de Música

Pirombeira, foto Matheus Pirajá
Louvar a riqueza da música baiana – em todas as suas vertentes – é chover no molhado, mas o fato é que esta década em especial está vendo o florescimento de uma geração muito especial, totalmente desapegada à rótulos e regras de mercado.

Com show de lançamento do seu aguardado primeiro álbum amanhã no Teatro Vila Velha, a banda Pirombeira é meio que um símbolo desta geração.

Surgida em 2010 e nutrida durante anos no Som de Zilda, evento  muito frequentado por alunos da Ufba no Espaço Cultural Tenda da Deusa, em São Lázaro, a Pirombeira estreia bonito, com um álbum de sonoridade muito rica, no qual se pode captar múltiplas referências que vão do jazz baiano do Sexteto do Beco (e a tradição da Escola de Música da Ufba) aos ritmos regionais baianos, Clube da Esquina, Tom Jobim, Lincoln Olivetti  e por aí vai.

No show de lançamento, o grupo ainda contou com a participação de convidados especiais, como o Bando Cumatê (maracatu de São Lázaro), Cassio Nobre, Luciano Almeida e Roberto Mendes.

A produção foi caprichada, com cenário de Lia Cunha (Tropical Selvagem), mais a iluminação desta e de Thiago Ribeiro, que também assina os figurinos da banda.

Com sete integrantes, a Pirombeira é Aline Falcão (teclas e voz), Gabriel Arruti (baixo), Ian Cardoso (guitarra, viola e voz), João Mendes (violões e voz), João Paim (percussão), Rubão Nazario (bateria) e Yves Tanuri (teclas e flauta).

No palco, essa galera ainda recebe o apoio do naipe de sopros formado por Bruno Nery (trombone), Everaldo Pequeno (trompete) e Levy Maia (sax tenor), mais o percussionista Luan Costa. Baita produção.

E tinha que ser mesmo. Depois de sete anos batendo ponto no Som de Zilda, o grupo formou um público fiel e apaixonado que bancou a gravação do álbum após uma bem sucedida campanha de crowdfunding, arrecadando quase R$ 1 mil além da meta estabelecida de R$ 22 mil.

“Foi uma saga, uma grande jornada para chegar até aqui. Começamos em 2014, depois tivemos que parar, retornamos em 2015, seguimos em 2016 e reunimos uma galera bem massa”, conta Ian.

“Profissionais como Israel Lima, que nos gravou no Estúdio do Ilê Ayiê, Otávio Carvalho do Estúdio Submarino (SP) na mixagem e Felipe Tichauer lá em Los Angeles, que fez a masterização”, enumera.
 
A banda recebe os aplausos do público no TVV. Foto Duane Carvalho
Saudades do Brasil

Com um som ora bucólico, ora praieiro, Pirombeira, o álbum, parece resgatar um ideal de Brasil que talvez não exista mais, talvez sequer tenha tido chance de existir, a civilização morena preconizada por Jorge Amado, Caetano, Glauber e outros, uma característica que parece comum aos artistas da geração destes músicos.

“Opinião minha, mas acho que esse olhar bucólico, nostálgico, é meio predominante nessa geração, esse olhar para os anos 1960, o instrumental brasuca (o chamado sambalanço), e trazer isso para o trabalho se inclui numa perspectiva geracional”, opina Ian.

“A gente olha para nossos heróis, aqueles que escreveram sobre a vida, sobre o Brasil, e deram significado às nossas existências. E aí nos vemos nessa realidade lenhada, então a gente busca a beleza nesse contexto”, acrescenta Gabriel Arruti.

Impressões etéreas à parte, a verdade é que a banda nunca planejou soar assim ou assado, afirmam seus integrantes.

“A gente não tem líder, não tem frontman. A gente tenta fazer o panorama mais elástico possível. Então não deliberamos muito sobre que sensações (o som) vai remeter a quem escuta”, diz Ian.

“A própria  banda não surgiu de uma deliberação. Nos juntamos nas jams do Som de Zilda, entre outras  bandas que eram assíduas ali. E cada membro tinha suas próprias referências. Nunca planejamos nada”, afirma Gabriel.

Animados, os jovens músicos da Piroimbeira prometeram uma grande celebração naquele domingo, no histórico palco do Teatro Vila Velha, fechando todo o processo iniciado sete anos atrás – e quem sabe, iniciando outro.

“Depois de todo o processo de crowdfunding, gravações etc, o disco veio como uma síntese de tudo que vivemos juntos. Espero que as pessoas venham curtir e compartilhar esse momento que é uma grande celebração pra gente”, convida Gabriel.

Ouça

www.facebook.com/pirombeira

terça-feira, maio 09, 2017

MACCA EM SSA: PRIMEIRO DIA DE VENDAS NA FONTE NOVA FOI TRANQUILO

A fila na Fonte. Por que esse blogueiro não desiste de fotografar, meudeus?!?
Quem foi comprar ingressos para o show de Paul McCartney durante o dia de ontem encarou um  movimento tranquilo, porém constante, na bilheteria da Itaipava Arena Fonte Nova.

Com cinco caixas no atendimento ao público, a fila que se formou não chegou a assustar as pessoas que se dirigiram ao estádio para comprar a famigerada taxa de 20% nas vendas on line.

Executivo de bilheterias da Tickets For Fun (empresa responsável pelas vendas), Wesley Campos confirmou que “O movimento está tranquilo. O público está sendo o esperado. Na parte da manhã tinha até mais gente. Agora, o Lounge Premium já esgotou”, disse.

Na fila, pessoas de várias idades  aguardavam pacificamente sua vez de comprar o ingresso. Entre eles estava um guitarrista veterano do heavy metal local, Bruno Leal, ex-Mercy Killing, atualmente na Pandora.

“Nunca esperei ver esse show aqui. Um ex-Beatle em Salvador chega a ser surreal. Tomara que, depois dessa, a gente entre na rota dos shows internacionais de vez”, disse.

Bruno disse ter achado “justos” os preços dos ingressos, que variam de R$ 95 (meia, cadeira superior) até R$ 750 (inteira, Pista Premium Elo).

“Geralmente, para ver um show desta categoria, você tem que pagar passagem de avião, estadia em hotel etc. Desta vez, não. Então, acho que saiu barato”, afirmou.

Mais atrás na fila, Cláudia Cobas sabe o que é isso. Ela já viajou para ver show dos Rolling Stones em São Paulo, mas ainda assim, considerou caro o ingresso.

“Quero um lugar onde possa assistir ao show sentada, por que é um evento que você tem que chegar cedo, fica muitas horas. E o preço do melhor lugar para ver sentada (R$ 440) eu achei um absurdo”, diz.

“Apesar disso, estou muito feliz em poder ver um ex-Beatle ao vivo em Salvador”, considerou Cláudia.

Beatlemaníacos

Já Matheus Lima Lenz estava na fila não por ele, mas pelos pais. “Vim comprar para eles. Eu até gostaria de ver também, mas minha vida tá muito corrida”, afirmou.

Certo mesmo está Cristiano Hora, 49 anos. “Se eu sou beatlemaníaco? Todo mundo que ouve (os Beatles) é. É natural. Não tem como não gostar”, concluiu.

HABILIDADE, BOM HUMOR E DIVERSÃO: CONHEÇA O BLUEGRASS DESAPEGADO DE GIGITO

Daniel Iannini e Gigito no Dougie's, foto Mardou Monzel
Eu não sei, deve ter algo no ar ou na água dessa cidade para aparecer tanta gente doida legal nesse underground lindo de meu deus.

Olha só para esse cara, Gigito. O sujeito toca um banjo endiabrado, de deixar caipira americano de queixo caído, e ainda o faz de um jeito todo próprio, um jeito que ele mesmo batizou de Bluegrass Desapegado, não por acaso, título do seu primeiro EP.

Cheio de bom humor, suas músicas tem letras carregadas de uma sinceridade desconcertante. Pelos títulos já dá para ter uma ideia: Jesus Me Ama Mas Não Me Suporta,  É Dureza Não Ter o Que Fazer Mas Não Fazer Nada Também é Bom.

"Meu próprio dia a dia. Eu acho que o humor é uma máscara para falar a verdade, neste caso a minha. Posso tratar de momentos de baixa autoestima, mas usar isso com humor, como em 'Estou me sentindo feio'. Ou falar de uma maneira até meio grosseira e provocativa da religião cristã como em 'Jesus me ama, mas não me suporta', ou falar do meu dilema com o sono em 'Viver Sonâmbulo' (“Eu queria dormir para sempre/ mas sem ter que morrer/ só pra não ter que acordar/ e sem entrar em coma”) O bom do humor é que ele pode deixar a coisa um pouquinho mais leve e divertida. Ultimamente venho escrevendo umas coisas mais sérias também", conta Gigito.

Além dessas pérolas, ele ainda faz versões de clássicos do bluegrass americano (Foggy Mountain Breakdown, Night Train To Memphis) e de punk rock (Conversa Pra Boy Dormir, da banda brasiliense DFC).

“Eu sempre gostei de pesquisar muito sobre música. Posso gastar um bom tempo em garimpagens cibernéticas atrás de coisas boas para se ouvir. Em algum momento eu conheci o Bluegrass – esse estilo acústico e raiz americano que, resumindo, é uma mistura de influência do blues, da música das montanhas, da música irlandesa e escocesa. É um sub-gênero do country. Lembro que o ponto mais marcante para mim foi quando conheci uma banda chamada Bad Livers (muito rotulada como Punkgrass, mas na verdade tem de tudo ali). A criatividade dos caras me chamou muito a atenção e quando ouvi o banjo de Danny Barnes estava totalmente decidido a arranjar um para mim. O banjo para mim sempre pareceu um instrumento mágico e causador de ilusões, pois você o ouve, o vê, mas não consegue juntar o que ouve com o que vê, já que tem uma técnica única”, diz.

“E pra resumir um pouco a história: tempo passa e já com o banjo em mãos, chamei Daniel para montarmos esse projeto. Bluegrass Desapegado é uma espécie de rótulo brincalhão, mas que é sério, pois temos sempre em vista o Bluegrass e suas possibilidades sonoras como ponto de partida, porém estamos desvinculados da tradição, afinal não somos americanos e temos diversas influências, muito do rock em geral. E mesmo que pudéssemos tocar uma música mais tradicional, não é o que desejamos. Até as músicas de lá que incluímos no nosso repertório procuramos fazer da nossa maneira. Um americano uma vez comentou para mim, numa rede social, 'Mas isso não é bluegrass' e eu disse 'Eu não disse que era, eu disse que era Bluegrass Desapegado'. Eu nem sei se ele entendeu”, acrescenta.

Mil moedas no case

Foto Tiago Quirino Trocoli
Aluno do curso de Composição da Escola de Música da Ufba, Vítor Rios (seu nome) pode ser encontrado a qualquer momento tocando nas ruas, o famoso busking, prática ainda pouco comum em Salvador.

"Eu estudo Composição. Boa parte do meu entendimento de música começou lá e eu gosto da forma que entendo música, por isso sou extremamente grato aos meus professores e colegas. Lá eu passei a ter contato com música de concerto contemporânea, compondo e tocando (em grupos como o Camará Ensemble). É uma música que é escrita, mas que dá abertura a muitas possibilidades de interpretação e exploração no seu instrumento, além do que para tocar isso, você tem que dar o sangue tanto quanto no rock, por exemplo. Longe dessa concepção clássica que criaram para tal, a música de concerto é tão resistência quanto os movimentos que chamamos de underground por aí. Acho que isso só me acrescenta, por mais que minha linguagem enquanto banda caminhe por modelos diferentes, estar lá só tem me ampliado constantemente os horizontes. Eu tenho uma história longa até demais com minha graduação, mas devo dizer que é porque gosto demais daquela escola. Me formar pode ser uma separação traumática para mim. Hehehehe", ri Gigito.

“Pelo que bem me lembro, a primeira vez que me apresentei com o banjo foi na rua, sozinho. Queria me desafiar e sabia que a rua proporcionaria coisas inesperadas. Já teve de uma figura parar e do nada começar a cantar por vários minutos uma letra improvisada comigo, ou guris de uma excursão de escola me jogarem mil moedas de cinco centavos (aquilo pesou o case!), coisinhas engraçadas assim que servem pra fazer a gente dar umas risadas ali na hora”, conta.

"As pessoas geralmente gostam. Acho que esse 'fora do normal' pode ser bem aproveitado como um ponto de captar interesse das pessoas. Não existe cena aqui para esse tipo de música, no entanto não estamos preocupados com isso. Nós já tocamos em eventos com bandas de rock, de jazz, nas ruas, em bazares, onde chamar e a gente achar que vale a pena, tamo junto. Eu gosto muito disso", observa.

Agora, ele e Daniel gravam o primeiro álbum cheio do duo, a sair em breve. “Estamos gravando esse álbum no meu home studio, batizado carinhosamente por Daniel de 'Estúdio Foda-se'. Apesar de ter começado como um projeto solo, considero que somos mesmo um duo, Daniel agregou muito ao som, participando de muitas formas no desenvolvimento da 'banda'. Nós estamos tentando fazer um processo todo misturado para este álbum. Reciclamos e organizamos várias ideias antigas, criando coisas novas ou as implementando em coisas já feitas há um tempo. Nesse meio vamos gravando e bolando os arranjos, então não temos ainda todas as músicas compostas (apesar de já termos cinco prontas e gravadas). Estamos fazendo com calma e de um jeito que está divertido para nós. Se a música é boa e sincera, ela vai convencer e é dessa forma que estamos buscando os resultados. Tem algumas participações de amigos especiais, que volta e meia estão tocando conosco. Apesar de só sermos dois, este álbum, diferente dos shows, tá cheio de instrumentos como violão, bandolim, bouzouki, gaita, guitarra slide e claro banjo, baixo e nossas vozes. Ainda não sabemos quando sai e nem exatamente como vai ser o lançamento, mas vai sair”, conclui.

Se liga na agenda do rapaz e confere, que vale a pena.

www.facebook.com/Gigito.banjo



NUETAS

Mapa, Freegobar

As bandas Mapa e Freegobar fazem a Noite Instinto Coletivo no Quanto Vale o Show? de hoje. Dubliner’s 19 horas, pague quanto quiser.

KL Jay e o rap da BA

KL Jay (Racionais MCs) grava o  episódio Rap Baiano para o programa Estamos Vivos. Com DaGanja, Nova Era e Don L. Sexta-feira, 20 horas, Largo Tereza Batista, R$ 15, R$ 30.

Dórea faz o Belchior

Dórea presta tributo a Belchior, Neil Young e Bob Dylan. Sábado,  17 horas, no Hot Dougie’s, Porto da Barra.

Via Sacra retorna

Dos anos 1980, a  banda punk baiana Via Sacra retorna com um show neste sábado, 20 horas no Buk Porão. Abertura da Levanta Veio. R$ 5.

sexta-feira, maio 05, 2017

"'NÃO AUTORIZADA' NÃO É 'DESAUTORIZADA'"

ENTREVISTA: Carlos Eduardo Drummond e Márcio Nolasco, biógrafos de Caetano Veloso

Dupla exposição 1972, foto Theresa Eugênia
Demorou, mas aconteceu: às 19 horas do dia 10, na Saraiva do Salvador Shopping, Salvador recebe o lançamento do livro Caetano, uma biografia: a vida de Caetano Veloso, o mais Doce Bárbaro dos Trópicos (Seoman), de Carlos Eduardo Drummond e Márcio Nolasco.

Trata-se da primeiro biografia não autorizada publicada após alterações na Lei de Direitos Autorais. Nesta entrevista, os autores falam do livro, de Caetano e mais.

Como nasceu o projeto? Vocês já começaram juntos? Quanto tempo levou para produzir o livro, pesquisa e redação?

A pesquisa começou em 1997. Eu e Marcio trabalhávamos na mesma empresa. Eu, Drummond, já havia escrito meu primeiro livro de poesias (1996). E o Marcio também já escrevia e fazia cursos de roteiro de cinema e televisão. Inicialmente, propus ao Marcio escrevermos outros trabalhos juntos (peças, textos etc). Realizamos essa primeira experiência (positiva, por sinal) e logo surgiu a ideia ousada e genial de escrever a biografia de um ídolo da música popular, sobretudo de um personagem que ainda não possuísse um livro dessa natureza, completo e detalhado. Descartamos alguns nomes e depois decidimos por Caetano Veloso. O projeto inteiro durou 20 anos (de 1997 a 2017). Nesse intervalo, foram 7 anos de pesquisa, 1 de redação da primeira versão, e mais 1 de redação, revisão e atualização da segunda versão. (Total de 8 anos de trabalho).

Como foi o procedimento de vocês e da editora em relação a todo aquele imbróglio do grupo Procure Saber, encabeçado por Paula Lavigne? Vocês preveem alguma polêmica no horizonte?

A editora acreditou no trabalho desde as primeiras conversas, que só começaram após a decisão do STF. Eles perceberam a seriedade do projeto, a consistência da pesquisa, a qualidade do material apresentado, a força do texto, e, sobretudo, a importância documental do livro. Acreditamos que tudo isso tenha encorajado a Editora a ir em frente. Não acreditamos em polêmica no horizonte, porque temos consciência da seriedade com que o trabalho foi conduzido. É um livro necessário. Precisava ser publicado.

A biografia é não autorizada, mas vocês chegaram a ter algum contato com Caetano, ele falou alguma coisa ou deu alguma recomendação à vocês dois?

Tivemos contato com ele na primeira fase do projeto. Ele sempre se mostrou bastante coerente em relação ao livro. Ele nos concedeu uma entrevista e escreveu uma carta reconhecendo a existência da pesquisa e encorajando sua continuidade. A biografia é “não autorizada” pelo fato de não termos uma autorização formal (ainda que o conteúdo da carta indique uma autorização tácita, além de termos sido bem recebidos por todos os contatos que eventualmente falavam com ele antes de nos conceder entrevista). Também é “não autorizada” por não se tratar de um livro de encomenda, com participação e aprovação prévia do biografado no texto. Por outro lado, “não autorizada” não é sinônimo de “desautorizada”. Vale ressaltar que, especialmente as fotos do Caetano (capa e miolo), foram aprovadas por ele e pela Paula Lavigne, que não cobraram nada por isso. Ficamos muito agradecidos por esse gesto.

1979, Caetano em casa, foto Theresa Eugênia
E quanto a Gil, Gal e Bethânia? Eles aceitaram dar depoimentos? Como vocês foram recebidos por eles? E em Santo Amaro, como a família e amigos os recebeu?

Os outros Doces Bárbaros (Gil, Gal e Bethânia) foram muito generosos e nos concederam detalhadas entrevistas. O clima foi tão bom, tão pessoal e ao mesmo tempo profissional, que em determinados momentos eles nos diziam algo como “eu nunca falei isso para ninguém, mas estou me sentindo à vontade com vocês e vou dizer”. A percepção desse sentimento nos deu a força que necessitávamos para realizar um trabalho único e pujante. À exceção de Gal Costa (que foi por telefone), todas as outras foram ao vivo. Do mesmo modo, amigos e parentes nos receberam muito bem e nos apoiaram desde o início. Estivemos em Santo Amaro pelo menos três vezes, e em Salvador, outras tantas. A família nos abraçou desde a primeira hora, tanto que tivemos acesso ao acervo pessoal de Caetano, inclusive tendo ajuda fundamental da fotógrafa Maria Sampaio, responsável pela guarda de vasto material e a quem merecidamente dedicamos o livro (ela faleceu em 2010). Lamentamos que o livro tenha demorado tanto para ficar pronto. Alguns entrevistados não viveram para assistir a esse momento, como Dona Canô, Nicinha, Guiherme Araújo, Rogério Duarte.

O grande medo dos artistas em relação às biografias não autorizadas seria o sensacionalismo - muito comum nos Estados Unidos e Europa - em relação à questões como drogas e sexo. Como vocês lidam com essas questões?

É uma preocupação legítima, quando sabemos da existência de trabalhos com esse enfoque puramente sensacionalista. No nosso caso, essas questões mais íntimas também foram abordadas, estão lá, no decorrer do livro, nos momentos em que elas aconteceram. Mas não estão lá de forma gratuita, especulativa ou mesmo ofensiva. O critério de contar ou não foi bem claro. Perguntávamos: essa informação privada é essencial para o entendimento do personagem e sua obra? Sempre que a resposta foi sim, incluímos no livro. Assim pautamos nossas decisões de abordar ou não abordar temas mais delicados. Lógico que o artista pode ter receio em ter intimidades reveladas, mas como pessoa pública, deve entender também que isso é algo a que ele está sujeito o tempo todo. Se o temor em relação às biografias não autorizadas for mesmo o tom sensacionalista ou falacioso, esse não se aplica no nosso caso.

Um artista tão popular e importante para o Brasil como Caetano tem poucas biografias no mercado. A que fatores acham que se deve isto?

É uma pergunta que já fizemos muitas vezes a nós mesmos. Um artista da importância do Caetano (com toda sua complexidade) já deveria ter umas 5 biografias lançadas, no Brasil e no exterior. Se personagens como Lance Armstrong tem mais de trinta livros publicados a seu respeito lá fora, por que não podemos conhecer um pouco mais sobre esse espetacular filho da Bahia? Será que só ele mesmo ou alguém que seja de sua inteira confiança está apto a se debruçar nesse caldeirão? Acreditamos que a quase inexistência de obras nesse estilo seja por uma soma de fatores: a falta de tradição no Brasil de biografar personagens vivos, as leis que estavam em vigor até recentemente, e até mesmo a dificuldade de construir especialmente a “biografia do Caetano”, que é um artista ímpar, multifacetado, e que se mantém em plena atividade (com muitos projetos simultâneos) desde os anos 1960. A construção da biografia dele foi um quebra-cabeças enlouquecedor.

Caetano já escreveu um livro semibiográfico, o Verdade Tropical (1997). Ele também serviu de fonte? Há versões conflitantes para algum episódio entre o livro dele e o seu?

Mosaico com todas as fotos publicadas no livro
Sim, o Verdade Tropical serviu de fonte. É um livro de grande importância, na medida em que apresenta a perspectiva dele acerca dos acontecimentos ligados ao Tropicalismo. Não há versões conflitantes. Por outro lado, nosso livro apresenta informações complementares sobre o período abordado no Verdade Tropical. Na fase da prisão, por exemplo, Caetano apresenta a versão dos fatos da perspectiva dele, uma visão interna, de dentro da prisão, por assim dizer. Nosso livro apresenta fatos que ocorreram do lado de fora. Entrevistamos um militar da época e parentes que tiveram ação direta na movimentação externa. Ainda que a movimentação interna tenha sido contada por Caetano, também foi narrada por nós no nosso livro, de modo que essa passagem ganhou uma abordagem mais completa. E, claro, todos os outros períodos, anteriores e posteriores ao Tropicalismo, também estão lá registrados ao longo da obra, de forma igualmente detalhada. Em resumo, Verdade Tropical é um trabalho fundamental, é a visão do Caetano por ele mesmo e, naturalmente, traz seu tom particularmente peculiar. O nosso traz a visão de quem testemunhou tudo.

A admiração e o amor de vocês pelo artista e sua obra é evidente no texto do livro, mas nada que os descredenciem como biógrafos respeitáveis. Assim como Paulo César de Araújo fez no livro do Roberto Carlos, expondo o artista em sua integralidade humana, portanto passível de acertos e erros. Como foi caminhar no fio dessa navalha, entre a admiração pelo artista e o dever de contar sua vida sem censuras?

Quando iniciamos a pesquisa, não éramos tietes ou fãs declarados do Caetano. Nesse sentido, podemos apontar uma diferença entre nós e o biógrafo do Roberto, que revela ser fã assumido do Rei desde muito jovem. Gostávamos do Caetano, sabíamos da importância dele para a música e para a cultura do nosso país, e da inexistência de um livro abrangente sobre sua vida e carreira. Então nos lançamos nessa longa aventura que durou 20 anos. Naturalmente depois de mergulhar na obra e na vida do artista, a admiração por ele aumentou. Hoje, podemos nos dizer fãs (e até Tropicalizados rs), mas jamais escorregamos para um endeusamento do artista. O cara já tocou no Oscar, cantou com Pavarotti, abriu uma Olimpíada. Ele é um ícone internacional independentemente do que pudéssemos vir a minimizar. Assim, por esse histórico, é importante ressaltar que o trabalho foi conduzido com isenção, de forma distanciada, exatamente para mostrar o lado humano do artista, com seus acertos e erros. Portanto, o caminho no fio de navalha foi como a filosofia de fluidez de Bruce Lee. Nos adaptamos a isso e escolhemos o caminho do meio. O que pautou a questão de avançar na privacidade e nos erros e acertos do Caetano foi o quanto a informação seria importante e necessária para o entendimento da pessoa, do artista e sua obra. Nada pessoal contado no livro está ali de forma gratuita, ou com viés sensacionalista. Teve e tem sua importância para o entendimento do artista e sua obra. Faz parte do seu ser e não faz mal nenhum em se procurar saber.

Os artistas populares no Brasil parecem ter uma tendência a querer controlar, de certa forma, suas biografias, evitando versões conflitantes com as suas próprias e estabelecendo suas verdades como absolutas – está aí o caso do Roberto Carlos versus Paulo César e o grupo Procure Saber, que não me deixam mentir. A que vocês acham que se deve isto, este medo todo?

Essa é uma pergunta difícil de responder. São muitos fatores e só eles poderiam falar por si. O que podemos dizer é que a ideia de haver uma única versão da vida de alguém é simplificar (empobrecer) demais a história dessa pessoa. Uma vida tem várias versões, que se completam (às vezes até se chocam), mas que permitem ao leitor entender de modo mais amplo o todo complexo que é a vida de um personagem importante e rico, como é o caso do Caetano ou mesmo Roberto Carlos. Além disso, o modo como nos enxergamos a nós próprios, em boa parte das vezes não condiz com o que o outro pensa. Invariavelmente, o espelho, assim como o universo, tem uma série de outras dimensões com as quais não temos controle algum.

Aos 4 anos, em 1946, cedida por Mabel Velloso
Percebo que vocês optaram por uma narrativa sem aspas, não se atribui esta ou aquela informação a fulano ou beltrano. Por que, ainda mais quando vocês fizeram dezenas de entrevistas e consultaram vasta bibliografia?

Essa decisão se deve ao estilo adotado por nós. Uma história bem contada é como um sonho. Se, enquanto sonhamos, alguém nos interrompe, somos retirados daquela “fantasia” vivenciada inconscientemente. O mesmo se aplica à literatura, especialmente na forma adotada para escrever essa biografia. A narrativa não é interrompida com “aspas” (com raras exceções), “falas” ou notas de rodapé extensas para não quebrar a magia do leitor. O leitor precisa embarcar na história, como num filme, como num sonho, sem que seja interrompido. E, se você ler esse livro com olhos bem atentos, verá que essa história é um filme, ou até mesmo um seriado, uma novela.

Na pesquisa, que detalhe desconhecido (ou não revelado) mais os surpreendeu?

Não conhecíamos o Caetano tão profundamente. Esses detalhes desconhecidos surgiam a todo momento, à medida que avançávamos nas pesquisas e nas entrevistas. São inúmeros. Mergulhar no período anterior ao nascimento do artista (a história de seus antepassados), em sua infância e juventude, foi uma experiência bastante agradável. Conhecer e contar a respeito de personagens não tão falados, mas que ajudaram a formar a pessoa Caetano foi um privilégio que dividimos com o leitor. Uma das missões do livro é essa:  poder contar também a história daqueles que de alguma forma compuseram o caráter do artista, mas que também foi ou é estudante, amigo, pai, filho, baiano, brasileiro, companheiro, pessoa comum, enfim, todas essas facetas possíveis. Também a origem de muitas de suas canções nos encantou. Terminado o livro, muitas músicas do Caetano passaram a ter uma nova dimensão. Depois de conhecer a origem de tantas delas, passamos a ouví-las de outra forma, e a entendê-las melhor. Vale lembrar que o livro apresenta os grandes marcos iniciais da vida e da carreira do artista (1ª professora, 1º colégio, 1º emprego, 1ª namorada, 1º beijo,  etc). Muitos detalhes surpreendentes vem daí. O artista não nasce pronto. Tem toda a bagagem de vida que vem com o passar do tempo e que pudemos contar de uma forma que ainda não tinha sido.

Em um país que dizem ser de memória curta,  biografias de vultos históricos é um negócio ainda pouco explorado. Que personalidades vocês apontariam como urgentes?

Sim, há personagens que merecem uma biografia. Somos um país riquíssimo culturalmente e muito pouco explorado. Existe uma gama enorme de nomes que merecem ter suas vidas mais detalhadas e com certeza não apenas com “a biografia definitiva”, mas com quantas forem necessárias para abranger diversos aspectos de suas personalidades. Assim é que se faz lá fora. Esperamos que possamos ter panorama parecido aqui também. Mas não queremos correr o risco de chamar a atenção de outros biógrafos. (risos) Descontada a brincadeira, o Brasil precisa avançar nesse terreno. Tomara que saiamos da era da ditadura cultural para viver novos ares de fato. Claro, o outro lado também precisa de atenção. É preciso intensificar as políticas de incentivo à leitura, e de educação de um modo geral. Para termos livros, temos que ter leitores. Desde que escutamos falar de Paulo Freire que vemos pouca coisa de mudança efetiva em termos de educação. Mas até  que ponto nossos líderes desejam uma sociedade pensante no Brasil? Nesse mar de desilusão político-social que vivemos hoje, até que ponto aqueles que gerem a nação desejam que seus cidadãos tenham condição de ter acesso à educação e ao saber?


Vocês tem planos de escrever a bio de mais algum artista?

Ainda não. Terminamos um trabalho de 20 anos. Precisamos de um tempo para descanso e outro para aproveitar o momento e fazer a divulgação do livro. No entanto, vale dizer que, até pelo resultado que apresentamos, já recebemos sondagens de personagens importantes da cultura nacional e que participaram dessa bonita história que ousamos contar. Isso só reforça a qualidade e profissionalismo que imprimimos com nosso trabalho.

Caetano, uma biografia: a vida de Caetano Veloso, o mais Doce Bárbaro dos Trópicos / Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco / Seoman / 544 páginas / R$ 59,90

quinta-feira, maio 04, 2017

UM BEATLE ENTRE NÓS

Coletiva: Produtores e autoridades locais convocaram a imprensa para fazer o anúncio oficial do show de Sir Paul Mccartney em Salvador, na Fonte Nova, em 20 de outubro 

Sir Paul, foto Mary McCartney
O sonho de ver um Beatle ao vivo em Salvador finalmente vai se realizar – e este aguardado encontro já tem hora e local marcados: dia 20 de outubro, na Itaipava Arena Fonte Nova, Sir Paul McCartney e sua fabulosa banda trarão à cidade o show One On One.

O anúncio oficial foi feito ontem, durante entrevista coletiva para a imprensa na Fonte Nova, com a presença dos produtores do show e autoridades de órgãos municipais e estaduais que darão apoio ao evento.

No centro das atenções estava Luiz Oscar Niemeyer, o papa dos grandes shows internacionais no Brasil, e que, à frente da Time For Fun / Planmusic, organiza sua oitava turnê de Paul McCartney pelo país.

“É uma satisfação enorme. Já fiz muitos eventos em Salvador, mas nunca nada dessa magnitude”, disse o promotor.

“Isso só está sendo possível graças a acolhida espetacular da Arena Fonte Nova, do governo do Estado, da Prefeitura, da Itaipava, do Shopping da Bahia”, agradeceu Luiz Oscar.

Em seguida, ele descreveu o show da turnê One on One: “É uma apresentação de quase três horas, com 70% do repertório de músicas dos Beatles e 30% dos Wings (banda de Paul pós-Beatles). Certamente, teremos músicas do Sargeant Pepper’s (disco de 1967, que comemora 50 anos este ano). Está tudo dentro desse roteiro. É um show dos Beatles, basicamente”, definiu Luiz Oscar.

Expectativas, estrutura

A coletiva de ontem. Luiz Oscar é o de camisa azul. Foto (ruim) do blogueiro
O deficitário histórico baiano de shows internacionais de grande porte foi lembrado por Alexandre Gonzaga, presidente da Fonte Nova: “Com essa parceria, queremos tornar Salvador parte da rota internacional de shows. E estamos preparados para isso, a Fonte Nova já é um equipamento testado e pronto para receber este e outros grandes eventos”, afirmou.

Já Roberto Duran, presidente do Conselho Baiano de Turismo (CBTur), ressaltou o potencial que um show desse porte oferece, movimentando a  economia local. “Salvador tem que ser rota internacional desses grandes eventos, isso movimenta a economia, e, nesse sentido, o turismo é a mola-mestra, pois gera renda para todos. É muito importante movimentar este setor”, disse.

Outra autoridade presente foi o Secretário Municipal de Cultura e Turismo, Claudio Tinoco, que lembrou que a estrutura de transporte público e gerência de trânsito para eventos desse porte na Fonte Nova já foi testada: “Eventos como jogos Ba-Vi e o Festival de Verão já deram certo, com a criação de bolsões de estacionamento nos shopping centers, integrados ao metrô”, disse.

“Inclusive, no domingo do Festival de Verão, tivemos 45 mil pessoas aqui. Shows são eventos mais tranquilos do que um jogo de futebol, por exemplo. Enfim, está tudo alinhado para que  ocorra da melhor maneira possível”, acrescentou Gonzaga.

Perguntado sobre a possibilidade da abertura de uma segunda data, Luiz Oscar Niemeyer não descartou, mas também não prometeu: “Acho difícil, mas vamos ver o que acontece”, disse, referindo-se ao desempenho na venda de ingressos.

Astros internacionais são conhecidos por fazerem exigências meio esdrúxulas, como 600 toalhas de linho egípcio, mas Luiz Oscar garante que este não é o caso de Paul: “A única exigência dele é que o povo baiano dê um show”, brincou.

“Ele tem um espírito muito afável, sempre tenta conhecer a cultura local, as gírias, etc. Nesse sentido, Salvador é todo um novo universo (para Paul), então a expectativa é muito positiva e com muito axé”, afirmou.

Em tempo: Luiz Oscar confirmou que Salvador terá o Hot Sound, no qual os fãs podem assistir a passagem de som e ganham brindes exclusivos. Ingressos só no site do cantor.

Paul McCartney: One on One / 20 de outubro / Itaipava Arena Fonte Nova / Ingressos de R$ 190 a  R$ 750 / Vendas a partir de amanhã (dia 5) para clientes do cartão ELO e a partir de segunda-feira (dia 8) para o público em geral / Vendas: www.ticketsforfun.combr / ou na bilheteria da Fonte Nova

III FESTIVAL DE ILUSTRAÇÃO E LITERATURA EXPANDIDO: NEGLIGENCIAR FRONTEIRAS ENTRE LINGUAGENS

A artista mexicana Gimena Romero: oficina domingo. Foto Pedro Aragon
Em tempos de erguer muros e incentivar divisões, a terceira edição do Festival de Ilustração & Literatura propõe o oposto, ignorando fronteiras entre linguagens e incorporando-as em sua programação.

Desta forma, haverá música e poesia, além das tradicionais exposições, oficinas e atividades infantis.

“O festival esse ano incorpora o ‘Expandido’ como uma disposição em negligenciar as fronteiras. Transcender essa ideia de linguagens e culturas herméticas”, afirma Flávia Bonfim, idealizadora e organizadora.

"Queremos poder construir um espaço-tempo em que possamos questionar esse modelo que nos foi ensinado e incorporado. A Leitura Expandida, nesse caso, seria então uma leitura que deve ir além da obviedade que o nosso sistema simbólico (palavras, imagens, sons, odores) já codificou e reitera constantemente. Essa expansão só se dá, ou só seria possível a partir dessa revisão, ou seja, é preciso questionar as premissas e transver o que nos é colocado. Aprender a ler refere-se a elaborar novas conexões, novas sintaxes. Por isso defendemos uma educação pela arte. A arte nos ensina muito sobre o estabelecimento de novas sintaxes", acrescenta.

Mateus Aleluia: show de abertura, hoje, com Arto Lindsay. Ft Vinicius Xavier
Entre os destaques da edição deste ano, estão o show de abertura com Mateus Aleluia e Arto Lindsay, artistas como a mexicana Gimena Romero e o espanhol Isidro Ferrer, a Feira Ladeira (de publicações artesanais e pequenas editoras), a exposição Kirimurê: A baía dos Tupinambás (que vai espalhar lambe-lambes de dezenas de artistas pelo centro da cidade) e o Ateliê Vala (que reúne quatro editoras e produzirá uma revista a ser apresentada no domingo), entre várias outras atividades e atrações na programação, que pode ser conferida no site do festival.

“A curadoria do festival é feita por mim e costumo dizer que é também afetiva. Colocar pessoas juntas durante uma semana para pensar e estabelecer conexões exige uma atenção mais complexa. Não é só o que produzem, mas o que são, que nos importa. Busco trazer artistas criadores / questionadores, que estejam dispostos não só a apontar direções, mas também  a repensar os próprios trabalhos e criar conexões com os acontecimentos cotidianos e políticos”, diz.

“Isidro Ferrer é um artista que define um pouco esse propósito de criação constante de novas sintaxes. Gimena Romero reafirma o poder artístico e narrativo da arte têxtil. Maria José Ferrada nos desconcerta com seu texto lúcido e de sintaxes invertidas. André Letria, com uma ilustração aparentemente simples, nos resgata das metáforas óbvias. E por aí vai”, descreve Flávia.

Ladeira, Vala e Kirimurê

Raíça Bonfim, foto Victor Gargiulo
Para quem já cansou da mesmice das grandes megastores e seus best-sellers de gosto duvidoso, a Feira Ladeira é uma boa opção para quem procura novas ideias e publicações.

“O tema das feiras de publicação independente está ganhando muita força no Brasil nos últimos 10 anos. O grande ganho temos com esse fenômeno, além de fortalecer um contra-discurso ao do grande e cada vez mais difícil ‘mercado editorial’, é o da criação de novas maneiras, tecnologias de produzir livros e impressos. Essa criação esta relacionada não só aos métodos de impressão, onde muitas vezes há o retorno para uma ideia de gráfica lenta - aquela em que levamos em consideração a escala humana no que tange à velocidade e ritmo -  mas também às relações de produção”,  afirma Flávia.

“O que está por traz desses impressos é a beleza de um sistema cooperativo. A base desse modelo econômico e político é a solidariedade. Nessa edição, os expositores de outros estados e países se hospedarão  na casa de pessoas da cidade articuladas pelo festival, por exemplo”, conta.

E quanto à revista Vala, que será produzida e rodada em uma impressora Risograph durante o festival? Seria uma paródia da famigerada Veja? "Tudo por ser tudo... e tudo por ser nada, depende da leitura", ri Flávia.

"O Ateliê Vala é um encontro de 4 editoras: a Pipoca Press, a Pallas, a Conspire Edições e a Movimento Contínuo, que desenvolverão algumas ações no período do Festival e da Feira Ladeira. A revista é uma delas. Distribuiremos cadernos para alguns convidados de nossa programação para que registrem os acontecimentos do evento durante 3 dias. No quarto dia, escanearemos esse material e imprimiremos a revista que, de certa forma, terá um caráter documental das experiências de cada um.
Mais que uma paródia de algum outro veículo duvidoso, ela é uma afirmação criativa de uma maneira de produzir conteúdos", explica.

Tenille Bezerra lança hoje o livro de poemas Rumor. 
Já a exposição Kirimurê vai invadir os muros do centro. “Kirimurê é como os Tupinambás chamavam a Baía de Todos os Santos. O que vamos encontrar nos muros entre o Campo Grande e a Praça Castro Alves são as ilustrações selecionadas de uma convocatória internacional, para artistas e ilustradores, que fizemos para que criassem imagens sobre o mito do pássaro Kirimurê, aquele que gera geograficamente a Baía a partir de sua morte”, conclui.

III Festival de Ilustração e Literatura Expandido /  De hoje até domingo / Palácio da Aclamação / Gratuito / www.ilustrafestival.com.br

terça-feira, maio 02, 2017

INTERESSADOS EM OUVIR AS NOVAS DA MARIA BACANA, FAVOR COMPARECER AO CATARSE

Macello, André e Lelê. Foto Cíntia M.
Destacada representante da gloriosa geração anos 90 do rock baiano, a banda Maria Bacana anunciou sua volta há alguns meses.

Agora, o power trio formado por André Mendes (voz, guitarra), Lelê Marins (vocal, baixo) e Macello Medeiros (bateria) segue em plena campanha de crowdfunding para gravar seu segundo álbum de  inéditas – o sucessor do histórico Maria Bacana (1997), produzido por Tom Capone e Dado Villa-Lobos e lançado pelo selo deste último, o Rock It!.

Em carreira solo há alguns anos, André garante que as novas canções não vão decepcionar os velhos fãs: “O disco só tem músicas 100% inéditas. Compus especificamente pra Maria Bacana, pensando na nossa fórmula: energia, tons altos e refrões. Música pra cantar junto”, afirma o autor de clássicos power pop como Caroline e Repeat Please!.

A ideia de retornar surgiu após um reencontro despretensioso há dois anos.

“A reunião tem origem num som que fizemos no feriado da páscoa de 2015. Só nós três no estúdio e foi aquela coisa: 1, 2, 3, 4 e a química tava ali intacta. Não esquecemos nossas músicas, os covers que fazíamos”, diz.

“Decidimos fazer um show comemorativo no ano que nosso disco faz aniversário. Chegamos ao ano do aniversário com planos maiores: gravar um disco de inéditas, um álbum novo 20 anos depois”, acrescenta André.



Não deixe para depois

Para chegar no estúdio tinindo, o trio estabeleceu uma rotina de ensaios semanais. “Exatamente como fizemos pra o disco de 97. Assim chegamos no estúdio com o disco pronto, com o estúdio servindo como registro do trabalho desenvolvido ao longo de meses de arranjos e experimentações dos ensaios. As gravações serão em agosto no Estúdios WR, produzido por Apu Tude, que abriu as portas do WR pra gente na maior amizade e boa vontade”, conta André.

"Acho que permanecemos com a mesma energia como banda, inclusive negar a Maria Bacana dos anos 90 seria uma imensa burrice com a gente mesmo. Mas as músicas novas são um passo à frente, mais amplas e mais modernas, as letras estão há anos luz... Também, né... aquele disco eu compus com 16 anos, esse tô compondo com 40! O crescimento é natural e esperado! Mas sem deixar de ser música de um power trio de rock/power pop", afirma André.

Lançada em fevereiro, a campanha de financiamento anda meio lenta, mas quem ainda quiser colaborar a hora é essa. “Como sempre, brasileiro vai deixando pra ultima hora! A galera chega pra mim e pergunta se ainda falta muito tempo.  Queria pedir pra quem gosta da gente participar logo”, convida o vocalista.

Em breve, a banda anuncia um show para ajudar a financiar as gravações. “Parece que vamos fazer um único show nesse período. Ainda vamos confirmar data e local”, diz.

E depois desse disco, o que será da Maria Bacana? "Não existem planos! Mas a Maria Bacana não vai parar depois desse disco. Descobrimos que essa banda faz muito bem pra nós três. Uma catarse, uma terapia, uma válvula pra nossa energia criativa. E hoje, com um bom diálogo que a maturidade traz. Essa volta nos trouxe a clareza do quanto amamos tocar juntos", declara.

Em tempo: e Dado, já colaborou? "Hahahaha! Não colaborou ainda! Mas ele já nos ajudou muito por uma encarnação!". conclui André.

www.catarse.me/mariabacana2017



NUETAS

Motricia e Jack

Motricia e Jack Doido são as atrações do Quanto Vale o Show? de hoje. Dubliner’s, 19 horas, colaborativo.

Bia, Os Informais...

A cantora Bia Táui e as bandas  Os Informais e Rocket se apresentam no III Festival Pop Rock do Beach Stop, na Praia de Ipitanga. Sábado, a partir das 15 horas, R$ 20.

Mystifier cá e lá

As bandas Mystifier, The Cross e Martyrdom tocam no Soteropolis Beasts of Damnation domingo, 17 horas, no Dubliner’s. A Mystifier, aliás, está podendo: a veterana banda local de black metal foi selecionada para participar do Red Bull Music Academy Festival em São Paulo, acompanhada pelo artista experimental norte-americano Prurient. Legal!