sábado, dezembro 03, 2016

PEGA ELA AÍ, PEGA ELA AÍ! PRA QUE? PRA MICRO-RESENHAR!

Voz de travesseiro

Voz de veludo à Barry White premiada no Grammy, Greg Porter derrete corações com seu jazz soft em lindas faixas como Consequence of Love e Insanity. Master. Gregory Porter / Take Me to the Alley / Universal / R$ 29,9








Nortista suave

O sexto álbum da cantora amapaense Patrícia Bastos se beneficia da apurada produção  de Dante Ozzetti. O resultado investiga ritmos da região Norte, aliados ao canto suave e melodioso de Patricia. Patrícia Bastos / Batom Bacaba / Natura Musical / Baixe: www.naturamusical.com.br







Duo master

Autoridades da MPB, o soprista Mauro Senise e o violonista Romero Lubambo juntam forças neste álbum instrumental. Inspiradas interpretações para a faixa- título (Bastos/Buarque), Da Cor do Pecado (Bororó) etc. Refinado. Mauro Senise & Romero Lubambo / Todo Sentimento / Fina Flor / R$ 24,90







Hard rock da hora

A banda carioca The Highjack bebe sem restrições da fonte do Led Zeppelin e similares contemporâneos como Rival Sons e Black Keys. Super bem produzido e executado. Vale ouvir Seventies, OK We Go e Aged Love. Bem alto, se puder. The Highjack / Express / Independente / Preço não informado







Thriller para os fortes

Escritor fracassado, Gonçalo vê sua vida virar de cabeça para baixo ao conhecer Lorival, serial killer conhecido como o Maníaco do Shopping. Na linha do seriado Dexter, esta HQ de Juscelino Neco não economiza na violência explícita e algo perturbadora. Mas é um thriller dos bons para os de coração forte. Matadouro de unicórnios /  Juscelino Neco / Veneta/ 160 p. / R$ 39,90






Instrumental sacudido

Ao lado do clarinetista Jussan Cluxnei e do percussionista Fernando Miranda, o violonista Bruno Vinci explora diversos estilos brasileiros em um álbum instrumental quente, e até dançante. Refinado sacudido. Bruno Vinci / Percussivo / Independente - Tratore / R$ 29,90







Mineiros animados

Segundo álbum do grupo mineiro, que é uma ótima novidade das bandas de BH. Tropical, o álbum faz um passeio por ritmos como o ska (Coco Queimado), o afrobeat (Vamo Que Vamo) etc. Anima festas. Pequena Morte / Jabuticaba / Natura Musical / Baixe: www.pequenamorte.com.br







Blue blue

Melancólico é pouco para definir este álbum da banda local Tristes Azuis, projeto paralelo  do Reverendo T. às vezes bate um tédio devido ao som monocórdico, mas há bons momentos, como Lá Fora, A Vela  e Lábios. Tristes Azuis / Tristes Azuis / Brechó - Big Bross - São Rock / Baixe: www.brechdiscos.bandcamp.com







Rock carioca de responsa

A banda carioca Medulla chega ao segundo álbum mandando bem com seu som cheio de influências diversas e bem trampado. O ponto fraco são as letras, na linha “autoajuda de mano”. Mas a banda em si é muito competente. Medulla / Deus e o átomo / Hearts Bleed Blue / R$ 29,80







Amenidades de Honoré

Antes de mergulhar n’A Comédia Humana, Balzac era um prolífico jornalista cultural, que escrevia – de forma pioneira – sobre moda, gastronomia e amenidades, como a melhor maneira de amarrar a gravata. Fino. Tratado da Vida Elegante - Ensaios sobre a moda e a mesa / Honoré de Balzac / Penguin - Companhia/ 272 p./ R$ 34,90 / E-Book: R$ 23,90







Orgia literária new weird

Premiado livro que consagrou o britânico China Miéville como o papa da FC New Weird, Estação Perdido é uma orgia literária ambientada em uma espécie de cruzamento da Terra Média com a Londres de Dickens – doidão de ácido lisérgico no século 22. Primeira parte de uma trilogia. Estação Perdido / China Miéville / Boitempo/ 608 p./ R$ 89







MPB Zona Sul

Em seu segundo álbum, o carioca Thiago Gentil apresenta trabalho consistente de compositor de MPB Zona Sul de boa estirpe. As letras conclamam uma consciência menos egoísta, como em Vida,  Rio  e Rua de Ouro. Thiago Gentil / Tempo de ser / Independente / Preço não informado







Zappa do agreste

Nesta coletânea, faixas dos quatro álbuns do músico pernambucano, uma espécie de Frank Zappa do sertão. O cara vai do be bop árido de Pensando na Vida ao folk armorial de Celebração sem esforço. E por aí vai. Monstro. Décio Rocha / Nem sei, faz tanto tempo / Saravá Discos / R$ 21,90







Mais rock carioca de responsa

Porrada e poesia, brutalidade e delicadeza: os extremos se abraçam no álbum da banda carioca Canto Cego. O som é rock pesado, sujo e muito bem tocado. A voz de Roberta Ditz paira límpida, bela e política. Boas novas. Canto Cego / Valente / Natureza Produções / Preço não informado







Filosofia de cogumelo

Cogumelos de tamanhos e formas variadas perambulam pelo pântano e filosofam sobre Deus, vida, farras, quadrinhos, Facebook e outros assuntos igualmente trepidantes nesta HQ indie do norte-americano James Kochalka. O traço é meio tosco, porém simpático – e os diálogos, mesmo que bobos as vezes, dão no que pensar. Fungos / James Kochalka / Mino/ 144 p. / R$ 42







Distopias urbanas

Com o crescimento do terrorismo, do crime, da xenofobia e do abuso de poder pelas autoridades, as cidades se tornam cada vez mais espaços militarizados, sujeitos a políticas de guerra através da demonização do (brrr) “outro”. Tudo isto é objeto de estudo do geógrafo Stephen Graham, da Universidade de Newcastle (Inglaterra). Cidades sitiadas: O novo urbanismo militar / Stephen Graham / Boitempo/ 512 p. / R$ 89






Fúria feminina

Se você é um (de cada três brasileiros)  que acha que “estupro é culpa da vítima“,  esse disco não é para você. Feminista, a paraense Aíla solta furioso manifesto contra a cadela (sempre no cio) do fascismo. Rock e ritmos regionais, produzido por Lucas Santtana. Aíla / Em Cada Verso um Contra-Ataque / Natura Musical / Baixe: www.naturamusical.com.br






Mestre bossa nova vs. clássicos ianques

Revelado no mítico Beco das Garrafas nos anos 1960, o premiado pianista Antonio Adolfo relê peças da música popular ianque como Killer Joe (Benny Golson) e All The Things You Are (Kern / Hammerstein) – além de autorais. Antonio Adolfo / Tropical Infinito / AAM Music - Rob Digital / R$ 23,50







Jovem adulto viaja

Romance de estreia do poeta Caco Ishak. Jovem adulto na crise dos 27 anos descobre ter uma filha e resolve embarcar numa viagem pela América Latina. Em longos parágrafos, o autor desnuda suas inquietações acerca da “sociedade líquida” da Era Facebook, com muitas frases de efeito. O romance de uma geração. Ou não. Eu, Cowboy / Caco Ishak / Oitoemeio / 166 p. / R$ 35







Moby Dick florestal


Apontado no Le Monde como “o equivalente de Moby Dick para a floresta”, este é o relato da caça ao implacável tigre siberiano. Após décadas de convívio com o homem, a espécie passou a atacar na região, devido ao desequilíbrio ecológico pós-Perestroika. Parte estudo social, parte thriller verídico. O tigre / John Vaillant / Intrínseca / 336 p. / R$ 49,90 / E-book: R$ 34,90






Tambores da Amazônia

Apoiado em uma pesquisa exaustiva dos ritmos amazônicos, Ozzetti cria peças eruditas para orquestra cheias de ritmo, cortesia do Trio Manari. Tem lundu, boi, marabaixo, carimbó etc. Esplêndido. Dante Ozzetti / Amazônia Órbita /  Independente - Tratore / Preço não divulgado

quarta-feira, novembro 30, 2016

A ARTE DE FAZER FESTIVAL DE ROCK SEM GRANA VIVE NA BAHIA

O Festival Bigbands chega à oitava edição – sem grana, mas com 17 bandas 

Nervochaos, death metal de SP. Foto: Divulgação
A Bahia tem muitos festivais de música. Nenhum muito grande. Alguns são relevantes, outros são nulos nesse quesito.

Mas nenhum é tão independente quanto o Bigbands, que  chega a sua oitava edição.

Idealizado e realizado pelo icônico produtor local Rogério Big Bross Brito e seus muitos parceiros, o Bigbands não conta com absolutamente nenhum apoio governamental ou privado.

“Apenas parceiros sinceros”, ri o produtor.

Este ano, Big recorreu a dois recursos clássicos para driblar a falta de dinheiro: criatividade e união.

Atento a  nova safra de produtores da cena underground, Big se aliou a eles, convidando-os para trazerem seus próprios eventos para dentro do festival.

Ronco, blues rock contemporâneo na foto de Davi Caramelo
“Propus um Bigbands colaborativo. Então, ofereci o primeiro dia para o pessoal do Instinto Coletivo, o segundo para o NHL,  Rockambo e Soterorock e o terceiro para o Metal Union”, conta.

A estratégia deu certo – e ainda atraiu produtores de outras cidades, interessados em se aliar à marca Bigbands. Resultado: o festival acontece também em Feira de Santana e Alagoinhas.

Com isso, o festival conseguiu mobilizar um total de 17 bandas em três espaços de shows.

Entre as bandas, há uma pernambucana (Kalouv), uma paraibana (Hazamat), duas paulistas (Nervochaos e MX) e até uma sul-africana (Boargazm), além das locais.

“Este ano, o festival foi 70 % feito pelos colaboradores. Eu só fui o agregador. Aglutinei, juntei a galera”, afirma.

Hazamat, da Paraíba. Foto divulgação
Haverá ainda duas palestras e uma exposição. "Teremos palestras workshop antes do show do dia 2, com Serginho da Adão Negro (O profissional de música além dos palcos) e Wendel Fernandes do coletivo de Feira de Santana (Redes sociais e o profissional de música)", conta Big.

No dia 11, do Boargazm, Nervochaos etc, haverá a abertura da exposição do artista pernambucano Guga Burkhardt, "especializado em rock 'n' roll.

"Ele desenha capas de metal e tem um fanzine clássico e roda o Brasil com essa expo, que abre dia 11 e fica em cartaz no Dubliner's até o dia 17, quando rola um show com Drearylands e Malefactor. Abre em show de metal encerra em show de metal", detalha Big.

Em Salvador, serão três dias no Dubliner’s Irish Pub. A programação está disponível no site www.bigbands.com.br.

O "aporcalipse" do Boargazm

Heine e uma performer convidada
Atração internacional do Bigbands, a banda sul-africana de heavy metal Boargazm é de longe sua atração mais curiosa. Não apenas por vir de um país tão distante, mas também por méritos próprios.

Meio banda conceitual, meio projeto multimídia, a Boargazm conta uma história bem louca de invasão alienígena à Terra por meio de seus discos (nos quais pratica um metal pesadão e groovado) e de uma revista em quadrinhos. Há planos para  vídeos em curta-metragem.

“Por enquanto, somos mais uma banda do que um projeto multimídia”, conta por email o vocalista e guitarrista Heine van der Walt.

“No momento, trabalhamos em mais duas HQs e um álbum (o terceiro), mas estamos procurando expandir para outros campos, como videogames e curtas live action e de animação. Espero que um dia possamos dizer que somos banda e projeto multi em igual proporção”, acrescenta.

"A banda toda é uma profecia daquilo que é conhecido como 'O Aporcalipse'. No futuro, um bando rebelde de 'encantadores de porcos' são escravizados pela raça alienígena das pessoas porco. Esses rebeldes escapam e dão um jeito de voltar no tempo para avisar a raça humana da invasão iminente. Como eles conseguem, quem eles são – é parte do show. Há metáforas, claro, mas não é intencional. É uma ficção mesmo", detalha Heine.

Apesar de ser a primeira vez da banda no Brasil, não é a primeira visita deles na América do Sul. Há alguns anos, eles se apresentaram em algumas cidades do Equador.

"Conhecemos o pessoal da banda brasileira de death metal Nervochaos quando fizemos alguns shows com eles no leste europeu e na Rússia. Grande banda, galera muito gente fina. Nós os convidamos para tocar conosco na África do Sul pouco tempo depois e foi uma das melhores turnês que já fizemos no país. Agora eles nos convidaram para viajar pelo Brasil e nós não poderíamos estar mais animados para subir no palco com eles e conhecer esta parte do mundo. Esperamos voltar ao Equador novamente ano que vem, além de tocar em outros países da América do Sul", conta.

Representante da desconhecida por aqui cena metálica sul-africana, Heine também conta que as coisas anda bem agitadas por lá hoje em dia.

"(A cena) Está bem vibrante e viva hoje. 25 anos atrás não havia tantas bandas de metal. Hoje há centenas, de todos os estilos que você imaginar e múltiplos shows em diferentes locais e cidades, todos os fins de semana. Agora recebemos muito mais bandas internacionais e nossas próprias bandas estão fazendo barulho por aí, como Vulvodynia, Wildernessking, Zombies Ate My Girlfriend (primeiro lugar no Wacken Metal Battle) e muitas outras. A brodagem também é bem forte quase sempre. É uma ótima comunidade, que encontrou seu lugar ao sol", detalha.

Com dois bons álbuns lançados (The Baconing, de 2014 e The Aporkalypse, de 2011), a Boargazm fez seu nome na cena sul-africana, com um som bem influenciado pelo Sepultura e bandas nu-metal.

“Sim, nós crescemos ouvindo Sepultura. Mas também curtimos elementos nu-metal e thrash, além de rock progressivo e música muito doida (‘out there’, no original). Mas acima de tudo, amamos tudo com um groove da pesada. Tudo isso, aliado ao nosso amor por ficção científica e fantasia, cultura popular, contracultura, videogames e lances pós-apocalípticos”, conclui Heine.

Festival Bigbands / Dias 2 (Salvador e Feira de Santana), 3, 4 (Alagoinhas) e 11 / Dubliner’s Irish Pub, Let's Go Pub (Alagoinhas)  e Offsina Music Lounge (Feira) / www.bigbands.com.br

terça-feira, novembro 29, 2016

ELOGIADA CANTORA MARANHENSE, FLÁVIA BITTENCOURT FAZ SEU PRIMEIRO SHOW EM SALVADOR

Flávia Bittencourt, foto Marcos Moreno
A gloriosa tradição de grandes cantoras intérpretes no Brasil não parece arrefecer tão cedo. Nesse sentido, a maranhense Flávia Bitencourt, dez anos de carreira, surge como combustível para o fogo.

O caro leitor duvida? Vale então conferir o primeiro show da moça em Salvador, segunda-feira que vem (dia 5), no Teatro Sesi Rio Vermelho.

Flávia vem lançar seu primeiro DVD, Leve, gravado em São Luís, no Teatro Arthur Azevedo, um bem produzido show que contou com participações de Alcione e Bloco Tradicional Os Feras (O Surdo), Luiz Melodia (Congênito), as coreiras Josélia Santos e Ivone Barros (Franqueza) e a bailarina Ana Botafogo (Rèconfort)​.

Em Salvador, ela recebe o xodó local Marcela Bellas no palco do Sesi. “O repertório é composto por músicas autorais e releituras como Pavão Misterioso (Ednardo), Praieira (Chico Science) e Hoje Eu Quero Sair Só (Lenine). Além de dois singles que farão parte do próximo trabalho: Táxi Lunar (Azevedo, Ramalho e  Valença) e Na Asa do Vento (João do Vale)”, conta Flávia.

Sem busca de modismo

Com quatro álbuns no currículo, incluindo um tributo a Dominguinhos (Todo Domingos, 2009), música em trilha de novela da Globo (Terra de Noel, em América, 2005) e indicações ao Grammy Latino, ela já poderia ser mais conhecida dos baianos.

Mas não é isso que a tira de tempo.

“Faço meu trabalho com muito respeito ao meu público e a mim mesma como artista, no sentido de fazer um trabalho sem busca de modismo e sim, com intuito de expressar canções e arranjos que me emocionem e consequentemente às pessoas que saíram de suas casas pra dividir aquele momento comigo”, afirma.

Flávia Bittencourt, foto Marcos Moreno
“Acredito que, desta forma, faço meu papel como artista da forma que eu acredito que tem que ser. E quem quiser e sentir vontade, está mais do que convidado a dividir com a gente esse som”, acrescenta.

Em seu trabalho, a cantora promove um diálogo entre as tradições da MPB e da música regional nordestina com a música pop.

"Na verdade, dos quatro trabalhos que fizemos (Sentido, Todo Domingos, No Movimento e Leve), os dois últimos possuem essa pegada mais pop, com mais push na sonoridade, mas essa mistura de elementos nordestinos, ritmos maranhenses mesclados às guitarras e sons eletrônicos fazem mesmo parte dos arranjos desde sempre, mesmo que de forma mais tímida, como na faixa Vazio, do primeiro trabalho (Sentido, Som Livre 2005). Isso acontece porque essa influência da música brasileira, principalmente maranhense, é muito forte e essa percussão mais 'pesada', dialoga de forma natural com efeitos eletrônicos e guitarras", analisa Flávia.

Apesar de ser seu primeiro show solo em Salvador, Flávia já cantou no Pelourinho, como convidada de seu ídolo.

"É o primeiro show em Salvador, mas já participei de um show do Dominguinhos que aconteceu no São João em 2012, lá no Pelourinho. Foi lindo! Sim, a Bahia é uma terra muito fértil e respirar a energia desta terra é bom demais. Estou muito feliz em poder apresentar meu trabalho na terra de artistas que tanto me influenciaram. Quem quiser saber mais e conhecer mais meu trabalho, pode acessar a página do Facebook flaviabittencourtoficial, no Deezer, Spotify e Youtube: Flávia Bittencourt”, conclui a artista.

Flávia Bittencourt - Com Marcela Bellas / segunda-feira (5), 20 horas / Teatro Sesi Rio Vermelho / R$ 30, R$ 15



NUETAS

Órgão, Macabéa

Organoclorados e Projeto Macabea são as atrações do Quanto Vale o Show? de hoje. Dubliner’s, 19 horas. E esta semana começa o Festival Big Bands, com boas bandas no mesmo local.

Indominous sexta

Boa novidade do metal baiano, a Indominous faz show de estreia do novo guitarrista, Álvaro Moinhos, com a banda Vernal. Sexta, 20 horas, The Other Place, R$ 5.

Carlini sábado, B-23

Um dos maiores guitarristas do rock brasileiro, Luiz Carlini (Rita Lee & Tutti Frutti) faz show único em Salvador neste sábado. O monstro sagrado se apresenta acompanhado da banda Água Suja e da cantora Sol Ribeiro. 22 horas, no B-23 Lounge Music Bar, R$ 30.

Punks véios no Pelô

O Buk Porão abriga o 11º  Reencontro dos Punks Véios. Sexta tem Vende-$e e Alvo do Sistema (19 horas). Sábado tem Gas Fire, Pesadelo e Rancor (18 horas). E domingo, Modus Operandi, Pandemônio, Gredlocklocore e Carburados Rock Motor (15 horas). Vá pogar!

segunda-feira, novembro 28, 2016

UMA NOITE INFERNAL

Van Gogh, Toulouse-Lautrec, Gauguin, Klimt e Goya são as estrelas da excelente Uma Noite em L’Enfer, de Davi Calil

Em Uma Noite na Taverna, o escritor paulista Álvares de Azevedo (1831-1852) imagina uma reunião de cinco amigos, na qual cada um deles tem de contar uma história.

Em Uma Noite em L’Enfer (Mino), o quadrinista Davi Calil parte dessa premissa e coloca cinco gênios das artes visuais na mesa, fazendo a mesma coisa.

Tudo começa quando Vincent van Gogh (1853 - 1890), após sobreviver a uma tentativa de suicídio (a que o levou à morte na vida real), vai a Paris em busca de Sien, prostituta pela qual tinha paixão.

Após aporrinhar a tal moça, ele se bate com Paul Gauguin (1848 - 1903), que o convida para se encontrar com “um baixinho que desenha muito bem e vive bêbado”, chamado Toulouse-Lautrec (1864 - 1901).

Lautrec aguardava Gauguin em um cabaré que  de fato existiu no bairro de Montmartre, L’Enfer (O Inferno), cuja fachada era adornada pela cara de um demônio de bocarra aberta, por onde as pessoas entravam.

Seu interior era todo decorado como se fosse o reduto de Satã, com esculturas de demônios e corpos se contorcendo em agonia.

Um exótico parque temático para adultos na Paris da Belle Epoque, muito frequentado por artistas e intelectuais. Demolido em 1950, o local é hoje ocupado por um supermercado.

Voltando à HQ, Van Gogh e Gauguin encontram Toulouse -Lautrec (retratado por Calil praticamente como um gnomo alucinado) já na companhia do austríaco Gustav Klimt (1862 -1918) e de um sujeito bem idoso: o espanhol Francisco Goya (1746 - 1828).

Ainda chegam a se bater com Paul Cézanne (1839 - 1906), mas este logo se retira, o olhar perdido e murmurando coisas sem sentido, sob o protesto de Lautrec: “Que foi, bateu uma bad?”, pergunta.

Reunidos em uma mesa redonda , eles iniciam uma competição para ver quem conta a melhor história envolvendo os temas morte, amor e sexo, valendo um crânio oferecido por Goya, que garante ter sido do poeta italiano Dante  Alighieri (1265 - 1321).

Licença poética

Apaixonado pela obra do quinteto, Calil, que já tinha homenageado o inesquecível Adoniran Barbosa (1910-1982) na premiada Quaisqualigundum (2014, em parceria com Roger Cruz), faz de Uma Noite em L’Enfer um dos melhores lançamentos de HQ do ano.

De narrativa ágil e arte dinâmica e detalhada, a obra ainda se dá ao luxo de dialogar com a estética de cada artista em seu respectivo conto, reproduzindo suas paletas de cores e deixando muitas referências às suas obras pelo caminho, um atrativo a mais para leitores de olhar ávido.

Sinistros, cruéis, sexual e criminalmente explícitos, os contos oferecidos por cada artista refletem um pouco da personalidade de cada um deles, com suas personalidades sombrias e desvios de caráter.

No material de divulgação, Calil explica que, apesar de admirá-los como artistas (e quem não?), percebeu que, como pessoas, eram “irresponsáveis, sempre fizeram escolhas erradas”.

Na HQ, o autor eleva essa irresponsabilidade ao nível do fantástico, levando-os a confessar adultérios, sequestros, assassinatos, canibalismo – cada conto é mais chocante e moralmente questionável do que o outro.

Não indicada para crianças, Uma Noite em L’Enfer é uma deliciosa licença poética e uma divertida homenagem aos gênios que lançaram as bases da moderna arte visual.

Uma Noite em L’Enfer / Davi Calil / Mino/ 192 páginas / R$ 59,90 / www.facebook.com/editoramino

sexta-feira, novembro 25, 2016

A NOBREZA DO SAMBA EM PROL DE UMA CAUSA NOBRE

Paulinho da Viola faz show hoje na Concha, com renda revertida para o Muncab – Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira

Paulinho, foto Carol Beiriz
Show de Paulinho da Viola é um negócio que por si só já justifica o esforço de pagar ingresso e se dirigir ao local. Sendo na Concha Acústica e mais, em benefício de uma causa nobre, é até covardia.

Hoje, o Príncipe do Samba se apresenta neste show, que terá toda a renda revertida em prol do Muncab – Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, instituição localizada no  Centro Histórico e dirigida por José Carlos Capinam.

Criado em 2002, o Museu não teve suas obras civis concluídas até hoje, assim como seu projeto museológico e sua criação como entidade jurídica. Com o show de Paulinho, espera-se que sejam levantados recursos que ajudem o Museu.

“Esse é um trabalho que deveria ter a concordância e a adesão de outros artistas. E não só para o Muncab, tem várias instituições precisando de uma força”, afirma Paulinho, por telefone.

Feliz pela adesão do parceiro e amigo, Capinam lembra que, “nesse ano de muita dificuldade, é importante terminar o ano demonstrando capacidade expansiva”.

“Para nós, é muito importante a presença dele. Nesse momento, o que o museu quer é demonstrar vitalidade, demonstrar que faz parte dos interesses da cultura baiana”, afirma o poeta.

Clássicos e surpresas

Paulinho, foto Carol Beiriz
Antes (ou depois) de conhecer o Muncab, contudo, o que liga é apreciar o show, a voz, a presença,  a nobreza de Paulinho da Viola no palco da Concha. Como não poderia deixar de ser, é um show com tudo o que os baianos tem direito.

Banda completa, repertório cheio de clássicos, homenagens. “Tem alguns sambas bem conhecidos, como Sei Lá Mangueira, Onde A Dor Não Tem Razão, Para um Amor no Recife, Um Rio que Passou em Minha Vida, Coração Leviano, Sinal Fechado”, enumera Paulinho.

“Mas também estou pensando em cantar um samba que ainda não é conhecido, foi feito para homenagear um compositor muito conhecido aqui no Rio, o Walter Alfaiate (1930-2010), e que fala do Botafogo, que é o  meu bairro”, diz.

Intitulada Botafogo Chão de Estrelas, a música de Paulinho tem letra de Aldir Blanc. “A música fala das pessoas do bairro, compositores famosos. Era um bairro muito popular no Rio, no carnaval ficava assim de  bloco”, conta Paulinho.

“Aí, quando o Walter, que conhecia toda a história dos blocos do bairro, gravou seu primeiro álbum (Olha Aí, 1998) fizemos essa homenagem e ele gravou. Foi feita para ele. Quero canta-la por que gosto muito, é diferente, tem letra do Aldir, é uma pequena crônica”, relata.

No palco, outras surpresas podem acontecer, além desta já anunciada. “As vezes puxo um samba que não estava no roteiro. Às vezes acontece”, avisa, com um riso discreto.

Possível fim de hiato

Sem lançar um álbum de inéditas há exatos 20 anos (desde Bebadosamba, 1996), o músico sinaliza que este longo hiato pode terminar em breve.

“Estive conversando com o pessoal da Sony Music para resolver uma questão relativa ao Acústico MTV (2007), que já está resolvida. Então, provavelmente, farei um disco de músicas novas, mas meu trabalho é muito do momento”, afirma Paulinho.

“Sempre foi assim. Era um momento em que eu sentia necessidade de gravar, aí eu gravava. Até 1983, eu gravava disco todo ano. Cheguei a gravar dois em um ano, como em 1976 (Memórias Chorando e Memórias Cantando). Isso foi se espaçando a partir de 1983, quando as coisas foram mudando no país e na indústria do disco”, conta.

 A redemocratização, o estouro do rock Brasil e até a transição do analógico para o digital (com a chegada do CD) levaram Paulinho a um período de silêncio, que ele só quebrou em 1989.

“Não senti necessidade de gravar mais tanto. Foi uma mudança muito grande, até na forma de divulgação”, nota.

Discreto também nas preferências eleitorais, Paulinho apoiou abertamente Marcelo Freixo para a prefeitura do Rio de Janeiro este ano.

“Olha, eu nem gosto de falar disso, acho que o fato de um artista votar em alguém não muda o voto das pessoas”, diz.

“Mas vejo muitos criticando os artistas, como se todos tivessem a mesma opinião. Temos que voltar a discutir é questões objetivas, avançar na reforma agrária e distribuição de renda”, conclui.

Paulinho da Viola / Hoje, 19 horas / Concha Acústica do TCA / R$ 90,  R$ 45 / Camarote: R$ 180, R$ 90

terça-feira, novembro 22, 2016

DE RECIFE, A KALOUV TRAZ SEU POST ROCK DE PRIMEIRA PARA O FESTIVAL BIG BANDS

Kalouv, foto de Hannah Carvalho
O caro leitor conhece a  banda escocesa Mogwai? E Explosions in The Sky? Tortoise, talvez?

Essas e muitas outras bandas, mais conhecidas pelos iniciados em indie rock, são associadas ao estilo denominado post rock (pós-rock), que é quase sempre instrumental e mais ligado às texturas e timbres.

No Brasil, ainda há poucas bandas abertamente post rock. No dia 3, uma das principais, a pernambucana Kalouv, se apresenta na programação do Festival Big Bands, ao lado da paraibana Hazamat e das locais Game Over Riverside, Soft Porn e  Ronco.

Uma boa oportunidade para conferir ao vivo o som que o quinteto apresenta em seus álbuns (baixe no site deles), uma linda trilha sonora de sonhos e delírios em technicolor, cheia de climas viajandões.

"Acho que, desde o começo da banda, o que nos move de forma inicial é a busca por melodias. As texturas acabam sendo um complemento natural ao longo do processo de composição, um resultado das ideias que vão surgindo e se somando. Nas músicas mais recentes, tanto as do EP Planar Sobre o Invisível (2016), como as novas que temos apresentado nos últimos shows e que estarão no terceiro álbum, estamos muito atentos às questões de dinâmica. Percebemos que isso ajuda muito na comunicação com o público, especialmente ao vivo. É nesses momentos de subida e descida de intensidade que quem está assistindo normalmente se conecta mais com a gente. E julgamos isso fundamental, pois nossa intenção nunca é fazer algo só pra nós. Acreditamos que a música instrumental pode dizer muito e queremos cada vez mais dividir isso com quem nos ouve", diz Túlio Albuquerque (guitarra).

“É um nicho pequeno ainda, mas acredito que, nos últimos anos, a música instrumental e o post-rock têm tido mais atenção de público e mídia e participado mais de line-ups dos festivais independentes. E, de certa forma, penso que não estamos mais divididos numa “prateleira” alternativa. Quem curte música instrumental escuta várias outras coisas, não há porque existir uma divisão”, observa.

"Não saberia especificar o que define post-rock, mas bandas estrangeiras como Mogwai, Explosions in the Sky, Tortoise e brasileiras como ruído/mm, Constantina e Labirinto serão sempre referências. Nossas influências são diversas. Nós cinco escutamos literalmente de tudo. De Tom Zé a Snarky Puppy, de Bee Gees a Alcest. Atualmente temos ouvido muito Badbadnotgood, M83, Bon Iver, Radiohead, Jaga Jazzist, além do último trabalho de Rodrigo Amarante, Cavalo, e Levaguiã Terê, o disco recém-lançado do conterrâneo Vitor Araújo. Temos também muita influência de trilhas de jogos de videogame. Tanto os mais recentes, conceituais e independentes (Journey, To The Moon, Braid), como os clássicos (Chrono Trigger, Final Fantasy, Shenmue, etc.). Basicamente toda música que emociona a gente de alguma forma serve como referência", enumera Túlio.

Túlio, Basílio Queiroz (baixo), Bruno Saraiva (teclado), Rennar Pires (bateria) e Saulo Mesquita (guitarra) formam um grupo heterogêneo, de influências diversas.

“No começo foi difícil alinhar as ideias, pois os meninos tinham uma formação mais ligada ao metal e a bandas de rock progressivo, enquanto eu e Basílio tínhamos raízes mais ligadas à música brasileira”, conta.

“Ao longo do processo de criação do  primeiro álbum, Sky Swimmer (2011) , começamos a entender e respeitar cada vez mais essas formas de raciocinar a música, tentando extrair o máximo dessas diferenças”, relata Túlio.

Ah, agora sim, olha eles aí. Kalouv, foto de Hannah Carvalho
Eruditos e autodidatas

Complexa porém encantadora, a música do Kalouv se insinua lentamente, ganhando o ouvinte camada por camada, como peças eruditas costumam fazer.

A impressão que dá é que as músicas são escritas em partitura e só depois, executadas. Ledo engano.

“Dos cinco, os que estudaram de maneira mais formal foram Bruno e Basílio. O primeiro teve formação erudita por cinco anos no conservatório. O segundo passou por várias escolas de música na adolescência. Eu, Saulo e Rennar somos autodidatas, mas procuramos exercitar diariamente a criatividade”, conta.

"As músicas normalmente surgem das guitarras e do teclado. Na maioria das vezes compomos em casa, gravamos uma guia com as ideias que tivemos e levamos para trabalhar em grupo. A partir daí tudo pode acontecer. Já tivemos músicas que ficaram exatamente iguais às ideias propostas inicialmente, como outras que sofreram mudanças completas. Mas nunca escrevemos nada em partitura", acrescenta.

Apesar de ser a primeira vez da banda aqui, os meninos já rodaram bastante pelo Brasil. “O fato de ser no Bigbands nos deixa ainda mais ansiosos. Que seja o primeiro contato de uma relação duradoura”, diz.

Festival Big Bands / kalouv, Game Over Riverside, Hazamat (PB), Soft Porn e  Ronco / Dia 3, 22 horas / Dubliner’s Irish Pub / R$ 20

Ouça / baixe: www.kalouv.com.br



NUETAS

Pajeh com Plano

Pajeh e Segundo Plano são as bandas do Quanto Vale o Show? de hoje. Dubliner’s, 19 horas, pague quanto quiser.

Theatro, Pancreas, suRRmenage
A Theatro de Seraphin faz show com Pancreas e suRRmenage para lançar seu álbum Décadas. 22 horas, no 30 Segundos Bar, R$ 35 (rapazes), R$ 30 (moças).

Skanibais na baile

Skanibais celebram o Baile do Ska na Commons. Sexta, 22 horas, R$ 15 (lista), R$ 20.

VdV, Limbo, Indigo, Bagum

Limbo, Índigo, Van der Vous e Bagum fazem o Festival Mantra Sounds. Este será o segundo show da Van der Vous com seu novo integrante, Rod Reis, no saxofone e sintetizadores.  Sábado, Casa Antuak (2 de Julho), 15 horas.

sábado, novembro 19, 2016

MICRO-RESENHAS PARA QUEM PRECISA PARA QUEM PRECISA DE MICRO-RESENHAS

A Bahia já teve ferrovias

Professor de História do Brasil na Uneb, Robério Souza relata a construção da primeira estrada de ferro baiana, a Bahia and San Francisco Railway, no século 19. O autor analisa as relações dos trabalhadores (escravos, brasileiros e estrangeiros) e como estas  forjaram identidades sociais e políticas. Trabalhadores dos trilhos / Robério S. Souza / Editora Unicamp / 272 p. / R$ 46






Crônica dos excluídos

Lançada  em 2013, esta HQ revelou o talento de Marcelo D'Salete, que no seguinte lançou Cumbe, obra internacionalmente premiada. Relançada pela Veneta, esta nova edição traz uma HQ curta de bônus e é uma nova oportunidade para os leitores conferirem sua narrativa realista sobre os excluídos das ruas de São Paulo. Encruzilhada / Marcelo D'Salete / Veneta / 160 p. / R$ 44,90






Uma garota versátil

Versátil, a sorocabana Paula Cavalciuk demonstra personalidade –além de uma bela voz – em sua estreia, trafegando pelo carimbó (Pará), rock (Jezebel), tango (O Poderoso Café) etc. Arranjos delicados. Paula Cavalciuk / Morte & Vida / Independente - Tratore / Baixe: paulacavalciuk.com.br






Emulando mestres

Líder da banda gaúcha Ultramen, Tonho Crocco emula diversos artistas em seu segundo CD solo: Tim Maia (Zerado o Placar), Moreira da Silva (Bonde da História) e Zeca Pagodinho (É com Jabá). Legal, só falta originalidade. Tonho Crocco / Das Galáxias / Natura Musical/ Baixe: naturamusical.com.br







Boa de violão

Violonista e cantora, Crikka Amorim vai do samba jazzy (Intimidade, de Zélia Duncan) ao samba rock (Barato Total, de Gil) com naturalidade. Boa performance de Norton Daiello (baixo) em Ou Bola ou Búlica (Bosco / Blanc). Crikka Amorim / Corações Plugados / Independente / Preço não divulgado







Alma sulista

Em dez canções inéditas de diversos compositores, a curitibana Juliana Cortes, de voz delicada, abre sua alma sulista em milongas, tangos e toadas. Tem Paulo Leminski, Carlos Careqa, Dante Ozzetti  e outros. Bonito. Juliana Cortes / Gris / Independente - Tratore / R$ 29,90







Tributo para um gênio

Lindo registro ao vivo para as obras-primas de Pixinguinha pela cantora Vania Bastos e o Marcos Paiva Quarteto. Há espaço para os cavalos de batalha (Carinhoso, Rosa) e para números instrumentais (Seu Lourenço no Vinho). Bravo. Vânia Bastos e Marcos Paiva / Concerto para Pixinguinha / conexão Musical / R$ 25






DD de 2ª

Elogiado pela crítica no exterior, o segundo álbum da banda inglesa The 1975 é até agradávelzinho, em seu simulacro pop oitentista linha Duran Duran / INXS. Mas diante disso, sempre fica a pergunta: por que não ir logo aos originais? The 1975 / I like it when you sleep... / Universal / R$ 29,90







A sacerdotisa da Paraíba

Meio blueswoman, meio sacerdotisa pagã, já gravada por grandes da MPB, a paraibana Cátia de França se inspirou na bíblia hippie A Vida nos Bosques (1847), de Thoreau, para seu novo álbum. Mágico. Cátia de França / Hóspede da natureza / Natura Musical / Baixe, ouça: naturamusical.com.br






Repertório erudito, execução idem

Belo álbum de composições dos brasileiros Millan e Zwarg, executadas com brilhantismo por Michel Freidenson (piano) e Teco Cardoso (sopros). Anna Setton bota sua voz afinada em Janeiro de 76. Erudito bonito. Luiz Millan, Moacyr Zwarg / Dois por Dois / Independente - Tratore / R$ 29,90







Quero ser muçulmana

A jornalista Karla Lima investigou a religião islâmica no País, entrevistando muçulmanos estrangeiros residentes e brasileiros convertidos, sacerdortes e estudiosos do tema. Também usou véu e frequentou mesquitas, para contar como é ser uma mulher muçulmana em São Paulo. Descobrindo o Islã no Brasil / Karla Lima / Hedra/ 190 p./ R$ 34,90







Parece, mas não é o James Bond

Ex-jornalista de guerra, o norte-americano Daniel Silva tornou-se um autor best-seller com sua série de livros protagonizados pelo espião inglês Gabriel Allon. Aqui, ele investiga o suspeito acidente que vitimou uma princesa, muito querida pela população. No caminho, um traficante de armas. O Espião Inglês / Daniel Silva / Harper Collins/ 368 p./ R$ 36,90







O baixista e os cantores

Contrabaixista do primeiro time da música instrumental brasileira, Zéli Silva fez um álbum “cantado” por vários intérpretes  e músicos de igual gabarito. MPB jazz  de entortar o cangote em Sabe Lá e Receita de Samba (Jacob do Bandolim). Zéli Silva / Agora É Sempre / Independente - Tratore /  R$ 24







AOR do Recife

O pernambucano Tito Marcelo namora com a estética AOR carioca de Lincoln Olivetti em um álbum de produção límpida e composições próprias, porém desiguais. Participações de Jessé Sadoc e Marcos Suzano. Tito Marcelo / O futuro ligeiro da demora / Independente / R$ 15







Boa de repertório

Filha do compositor  Jean Garfunkel, Joana estreia botando sua bela voz a serviço de composições de Milton & Brant (Fruta Boa), Edu Lobo & Chico (Cantiga de Acordar) e outros, na produção sofisticada de Swami Jr. Joana Garfunkel / Curruíra / Independente - Tratore / R$ 25






Franco paulista

Radicado em São Paulo, o francês Nicola Són lança seu terceiro álbum gravado em solo paulista – daí o título. Meio MPB, meio chansón, tem seu destaque em Os corações ternos, versão para Les coeurs tendres (Jacques Brel), com participações de Edgard Scandurra e Zeca Baleiro. Nicola Són / Sampathique / Independente / Preço não informado





Vem pro pau

Hardcore baiano old school: rápido (mas com variações de tempo), puto da vida e chamando pro pau. Pelos títulos, já se sabe o que vem por aí: Batalha de Classes, Intolerância Burguesa, Reação. Vem, neném. Choque Frontal / Ser Humano Falido / Brechó Discos / Preço não informado







Olhar pra frente é preciso

A reciclagem de embalagens plásticas e material orgânico é de grande importância para o futuro do planeta. Já sobre a reciclagem da MPB dos anos 1970 e 80, não se pode dizer o mesmo. Este álbum é prova disto. Graveola / Camaleão Borboleta / Natura Musical / Preço não informado






Trolls trollados

Primeiro volume de HQ europeia de fantasia e aventura. Tudo acontece em Troy, um mundo onde todos possuem algum  poder e a magia é parte do cotidiano. Na trama, acompanhamos o troll Tetram e sua filha adotiva humana, Waha, em fuga dos homens que querem exterminar a raça de Tetram. Trolls de Troy Volume 1 / Christophe Arleston e Jean-Louis Mourier / Jupati / 96 p. / R$ 42






Clássico da chapação

Um dos livros mais emblemáticos da geração beatnik, Almoço Nu (1959) sai em “edição definitiva”, incluindo nota dos editores norte-americanos, cartas do autor e sobras que não entraram na versão final. Delírios de um junky em technicolor.  Almoço Nu / William S. Burroughs / Companhia das Letras/ 368 p./ R$ 49,90 / E-Book: R$ 34,90







Filha de peixe

Afinadinha que só, Carol Saboya desfia repertório MPB / pop em sofisticada chave jazzística, cortesia do pai da moça, o pianista autoridade da bossa nova Antonio Adolfo. 1 X 0 (Pixinguinha), Passarim e A Felicidade (Tom Jobim) são os destaques. Já Fragile (Sting) é bem dispensável. Carol Saboya / Carolina / AAM Music / R$ 23,50





Blues rock do Baixo Sul

Ex-guitarrista da banda itabunense Mendigos Blues, IsmeraRock se lança solo neste belo álbum produzido em parceria com Ayam Ubráis. Destaque para a pegada roots de No Limo Das Pedras, o alerta político de Manifesto e o lirismo de Pinheirinho. Lindo. IsmeraRock & O Calibre Dobrado / O Calibre / Independente / Disponível nas plataformas de streaming 


O nascimento do hip hop

A história real da pacificação das gangues de rua de Nova York é contada nesta bela HQ. Após o assassinato de um membro de sua gangue, o líder dos Ghetto Brothers, Benjy Melendez, propõe um acordo de paz. Em vez de brigas, as disputas passaram a ser decididas em torneios de dança. Os resultados foram o rap e o movimento hip hop. Ghetto Brother: Uma lenda do Bronx / Julian Voloj e Claudia Ahlering / Veneta / 128  p. / R$ 44,90






Nova malcriação de Irvine

Em novo romance, o cáustico autor de Trainspotting sapateia sobre a obsessão com autoimagem. Personal trainer impede assalto com socos e voadoras. Mulher gordinha filma e o vídeo estoura no You Tube. A gordinha fica obcecada com a “heroína”. Sexo, sangue e perversão. A vida sexual das gêmeas siamesas / Irvine Welsh / Rocco / 416 p. / R$ 48 / E-book: R$ 29,50







Não cheira nem fede

Revelada pelo Superstar em 2015, a banda Scalene chega ao inevitável DVD ao vivo. Produto para fãs, não deve seduzir  quem já não engole seu pastiche de rock contemporâneo mezzo Coldplay mezzo QOTSA. Picolé de chuchu. Scalene / Ao Vivo em Brasília / Som livre / DVD: R$ 34,90







Pastel de fita

Vinte anos após seu lançamento, a primeira fita demo da banda punk baiana pastel de Miolos ganha relançamento (em cassete!) via selo peruano Baratija. Um clássico sul-americano, devidamente reconhecido. Pastel de Miolos / Pastel de Miolos / Baratija Records / Preço não informado







O rock de Brasília não morreu

Quarto álbum do brasiliense Dillo, que consegue soar contemporâneo e honrar a tradição do contestador rock do DF – sem perder a pegada autoral. Jesus Krishna e Só que Não dão caneladas na babaquice ostentatória. Dillo / Dillo / Rock ‘n’ Hood / Preço não informado