terça-feira, outubro 08, 2019

TRISTE, MAS QUEM NÃO ESTÁ?

André Dias, da Exoesqueleto, apresenta belo – e melancólico  trabalho solo. Confira dia 24 no Bardos Bardos

André Dias e seu amigo de seis cordas. Foto Eduardo César
Guitarrista e vocalista do power-trio Exoesqueleto, uma das poucas bandas de rock negras de Salvador (na formação e na proposta musical) – o que não deixa de ser irônico –, André Dias aproveita um momento de hiato do grupo para gravar e tocar projeto solo, produzido por André T.

Músico de mão cheia, evidencia o reconhecimento de seu talento com parcerias de primeiro time nas gravações: Antenor Cardoso (vibrafonista da banda Retrovisor), Morotó Slim (guitarrista, ex-Retrofoguetes), Joatan Nascimento (trompetista, Orkestra Rumpilezz) e Cadinho Almeida (o baixista xodó da Bahia).

No dia 24 André se apresenta no Bardos Bardos, em  noite dedicada à alguns dos “caras solo” do rock local – além dele tocam o grande Artur Ribeiro (ex-Theatro de Seraphin) e o ótimo Duda Spínola (ex-Adão Negro).

“A proposta é apresentar algumas das músicas do disco, mais algumas da ExoEsqueleto nesse formato voz e guitarra com a participação de Heverton Didoné na ‘percuteria’”, conta André.

“Inicialmente ele é o único dos participantes do disco a me acompanhar nesses pocket shows, mas a ideia é contar com todos no lançamento do disco”, acrescenta.

Antes ainda, no dia 18 ele leva seu som a Santo Amaro, durante o I Festival de Cultura e Arte Cecult da UFRB.

Chet Baker à baiana

André, foto Eduardo César
Ele ainda não soltou nenhum single do trabalho solo, mas adiantou para este colunista duas faixas: Be My Jazz e Mar de Desejos, ambas muito bonitas, sofridas e intimistas, especialmente a primeira, onde encarna uma espécie de Chet Baker baiano, com aquele auxílio luxuoso do trompete mágico de Joatan.

“Sim, o tom do disco é este. É um álbum sobre a tristeza, basicamente. A forma como ela permeia as relações, seja antes, durante ou depois e isso não quer dizer – essencialmente – que a sua presença anule a beleza das coisas”, diz.

“As letras são autobiográficas, aí alguém há de perguntar: ‘você é um cara triste’? Eu respondo com outra pergunta: ‘e quem não é hoje em dia’? Claro que o espectro é enorme, mas ela (a tristeza) sempre está por aí, ainda mais em dias tão sombrios”, acrescenta.

Tristezas à parte, André está felizão com o trabalho no estúdio: “Posso dizer que esse disco é um sonho que eu nunca tive até que comecei a gravá-lo. André T tem grande responsabilidade aí por ajudar a extrair o melhor de cada canção e me dar a oportunidade de trabalhar (e aprender) com Morotó (sou fã desde os Dead Billies) e  Joatan, que sempre vi na Jam do Mam e nunca imaginei  trabalhar com ele”, conta.

"Porque o rock e o jazz tem cenas que pouco dialogam aqui na cidade. Então, com eles dois as sessões foram assim: aperta o rec e deixa acontecer. Cada take era melhor que o anterior. Cadinho e Heverton Didoné, além de grandes músicos, são meus parceiros de ExoEsqueleto, o que torna tudo mais fácil. Antenor Cardoso e Felipe Guedes são dois queridos amigos que a música me deu e que não hesitaram em embarcar comigo nessa aventura", acrescenta.

Sobre o hiato da banda original, ele conta que "Acho que toda banda passa por um processo parecido com esse no qual a ExoEsqueleto está: Depois de um tempo na trincheira que é a música independente, a gente fica com vontade de tentar outros caminhos pra ver se obtemos resultados diferentes ou, até mesmo, ter acesso à novos públicos e praças. Na Exo, em particular, todo mundo está engajado em algum projeto particular nesse momento. Seja disco solo, seja família ou a correria por grana. Então, inicialmente, temos uma obrigação moral com a obra da banda que é regravar e relançar nosso primeiro disco – em 2023, quando ele completa 10 anos – com essa formação atual. Até lá, tudo pode acontecer. Até gravar um novo disco… Deixa rolar".

"É importante falar que esse disco solo está sendo feito sem ajuda de editais, vaquinhas virtuais etc. Então, a falta de grana é um fator que, muitas vezes, emperra o andamento das coisas. Dito isso, 2020 será um ano no qual quero extrair o máximo que o álbum puder me dar (clipes, apresentações aqui e em outras cidades). Pretendo começar lançar singles já a partir de janeiro e o disco deve vir em meados de março, no mais tardar, início de abril do ano que vem", conclui.

Solo Sessions com André Dias, Artur Ribeiro e Duda Spínola / Dia 24 (quinta-feira), 19 horas / Bardos Bardos / Pague quanto quiser

NUETAS

Sabadão heavy

Sábado tem o Impacta Music Festival com as bandas Nervosa (SP), Project 46, Torture Squad (SP), Headhunter D.C. e Arcantis.  16 horas, no Alto do Andu. R$ 100, últimos ingressos. No dia 30 de novembro o mesmo evento chega a Vitória da Conquista, com Ratos de Porão, Eminence (MG), Matanza Inc. (RJ), Suffocation of Soul e Arcantis.

Domingo no Centro

Chocolate com Blues, Anemia, Fridha, Jimmy Six e Lote 7 invadem a  Budega Pub (Carlos Gomes, Centro). Domingo, 15 horas, R$ 10.

Domingo na Pituba

O show Cidade Alternativa  bota as bandas Eustass, Rubatosis, Andar De Cima e Fernão Gaivota no palco do B23 Lounge Music Bar. Domingo, 16 horas, R$ 15 (lista).

sexta-feira, outubro 04, 2019

EDI ROCK: “TUDO EM FAVOR DO POVO É MARGINALIZADO, É CERCADO DE HIPOCRISIA E PRECONCEITO”

Quarteto master do rap nacional traz à Salvador, hoje à noite, o super-show em que celebra suas três décadas de luta e arte que transcende rótulos e nichos

Mano Brown, KL Jay, Ice Blue e Edi Rock, foto Klaus M.
Engana-se quem pensa que a música dos Racionais MCs é apenas para a (já imensa) plateia fã de rap e hip hop.

A razão é simples: o grupo de Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay há muito já transcendeu o nicho do gênero para imprimir uma marca indelével não apenas na (nata da) MPB, mas na cultura brasileira em si.

Para neófitos, uma única audição atenta da obra-prima Sobrevivendo no Inferno (1997) já constitui prova suficiente para esta afirmação.

Para estes e também para os manos e minas raiz, outra prova pode ser testemunhada hoje na Arena Fonte Nova, no show 3 Décadas, uma celebração dos 30 anos de estrada com tudo o que uma ocasião tão nobre pede: banda completa, cenário, projeções em led.

Donos de uma discografia enxuta – apenas quatro álbuns – porém essencial,  os Racionais são os maiores cronistas do povo preto, pobre e marginalizado deste país.

Suas rimas precisas e preciosas se beneficiam ainda de uma abordagem musical luxuosa, coisa de quem conhece  black music – brasileira e estrangeira – de ponta a ponta.

Enfim, uma turma difícil de ser superada, mesmo com a imensa qualidade da cena de rap brasileiro desde os anos 1980.

Nesta entrevista, o Racional Edi Rock saúda a Bahia – terra de seu pai –, fala dessa caminhada de 30 anos, da obra do grupo e do Brasil, entre outros tópicos.

Como é o show? Vem com banda completa, cenário, projeções etc?

Edi Rock: O show é aquele que ganhamos o APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) em 2018. Com banda completa ao vivo e um led com projeções e tal. É chegar e conferir, esperamos todos na Arena Fonte Nova.

O repertório faz uma geral na carreira do grupo, correto?

ER: É um retrospecto da nossa discografia, uma linha do tempo passando por todos os discos.

Sobrevivendo no Inferno  é um álbum tão marcante e importante para a cultura brasileira que virou livro (Companhia das Letras, 2018) – e este se tornou leitura obrigatória no vestibular da Unicamp. Te surpreendeu essa sequência de acontecimentos ou hoje em dia isso nem  abala mais?

A rapeize cabulosa na foto de Klaus Mitteldorf
ER: Com certeza é muito importante. Não só importante, como também emocionante, aconteceu o que nós mesmos falávamos, isso faz parte da revolução que o grupo sempre cantou desde o começo, como por exemplo na música Voz Ativa. O rap salvou as nossas vidas e pelo que eu entendi, o livro tá representando essa missão. O melhor de tudo isso pra mim é tá vivo pra ver acontecimentos históricos como esse.

Ainda sobre o Sobrevivendo..., como vocês mesmos veem essa obra hoje, dada a forma como tempo muda a perspectiva das coisas? Certamente vocês tem orgulho, mas ele também pesa, tamanha sua importância, inclusive na obra dos Racionais? Ele ofusca, faz "sombra" sobre os outros discos, digamos assim?

ER: Cada integrante responderia de uma forma, na minha opinião o Sobrevivendo é um dos trabalhos mais importantes da banda. Existe o rap antes dele e depois, foi um divisor na história da música, do rap, dos negros, da periferia. Destaco também (o álbum) Raio X do Brasil (1993). Mas não vejo sombra, nem acho que ofusque, vejo a importância pra história. Foi necessário, porém, vida que segue, não podemos ficar no passado, mas sim usar esse disco como referência, olhando pra frente.

As letras dos Racionais são muito sofisticadas do ponto de vista literário. Alguns relatos são tão palpáveis que se pode "sentir" o cheiro, a tensão dos ambientes que vocês descrevem. São relatos incrivelmente ricos. Para escrever desta forma, é preciso ser bem educado, gostar de ler. Vocês eram bons alunos na escola, então? Ou são autodidatas? Como se prepararam para escrever tão bem, mesmo em condições tão adversas?

ER: Em média no grupo temos o ensino fundamental. O complemento foi por esforço próprio. Foi necessário o conhecimento, a leitura é fundamental para o poeta, somos poetas e o combustível disso são palavras. Gosto muito de filmes também. Todos os dias passo a madrugada vendo filme, desde quando ainda existiam locadoras. Gosto do cinema, das tramas, das histórias, dos romances, dos heróis, dos vilões, dos efeitos, da trilha, e tento passar isso nas músicas. Fazemos meio que cinematográfico mesmo, é intencional. Faço na música o que gostaria de ouvir, da forma que eu ficaria feliz ouvindo. Quando escrevo é como se estivesse escrevendo um roteiro. Nossa intenção é despertar e provocar a imaginação. Na escola eu era bom aluno. Do fundão, mas com boas notas em redação, estudos sociais, artes, sempre fui bem criativo. O (Mano) Brown, pelo que fala, sempre foi bom também em geografia, história, esse naipe.



Marighella, para nossa geração, sempre foi um símbolo de luta e resistência à ditadura militar, mas parte da juventude millenial comprou a versão de que ele era só um terrorista que queria instaurar uma "ditadura comunista" no Brasil. Como veem esse gap entre gerações? Falhamos em ensinar a História aos mais jovens? A música Mil Faces de um Homem Leal (Marighella) (2012) é tipo um esforço da parte de vocês?

ER: Acho que tudo que é em favor do povo é marginalizado, sempre cercado de preceitos mentirosos, hipocrisias e preconceitos. A hierarquia do poder na história do Brasil tem medo do que não pode entre aspas controlar, haja vista a prisão do ex-presidente Lula. No Brasil de hoje vemos o passado voltar à tona: coronelismo, repressão, extermínio, intolerância religiosa e de gêneros. Os gestores desse país nos dias de hoje enaltecem a ditadura com uma Bíblia em baixo do braço. Acho isso no mínimo engraçado, parece que voltamos ao século 16. Marighella nos dias hoje seria morto da mesma forma, ou talvez pior, exposto como fizeram com o Che, Escobar, ou até da forma como expuseram e mataram “Jesus” (aspas do entrevistado), longe de comparações, é lógico. Mas governos como o nosso não aceitam heróis do povo, heróis populares representam ameaça à ordem entre aspas. E falando sobre a música, ela foi feita para o filme (de Wagner Moura), se eu não me engano. Lembro quando fizeram o convite para o Brown, a música acabou saindo bem antes, inclusive o Brown ia interpretar o Marighella no filme, mas por conta da agenda de shows e compromissos, não foi possível. Brown tinha acabado de lançar seu álbum solo Boogie Naipe (2016), e para o filme era necessário dedicação de laboratório integral. No fim, quem fez o Marighella no filme foi ninguém mais nem menos que Seu Jorge, e adivinha o que aconteceu? Ele teve a data de estreia cancelada. Século 21, de volta ao Século 16.

Como vocês avaliam a evolução da sonoridade dos Racionais ao longo do tempo? As referências de som ainda são as mesmas? Tenho impressão que, com o tempo, os arranjos ficaram mais secos e diretos, sem os samplers de arranjos de cordas, por exemplo.

Edi Rock olha para trás: "Envelhecendo igual vinho". Ft Klaus Mitteldorf
ER: Na minha visão, e repito, cada um de nós tem uma opinião, na minha visão de produtor, eu dirijo minhas músicas a vida inteira, parei de produzir apenas para escrever agora, mas na minha opinião, fazemos experiências em cada álbum, além de tentar fazer o que não fizemos, tentamos fazer principalmente o que estamos ouvindo naquele momento de criação. No meu caso, sempre tento passar qual a brisa do meu momento na época de composição e criação. Hoje tá bem mais diferente do que antes, e te falo que está melhor, muitos produtores bons, jovens e criativos, não precisamos mais nos preocupar com essa parte. Eu gosto da forma que eu venho fazendo, estou feliz e vem dando bons resultados, me preocupo apenas com a parte autoral de letra, a parte de produção musical apenas direciono. Tem muita coisa boa e surpresas pela frente, digo para os fãs de Racionais que é aguardar e ver. Muito sample, participações de músicos monstros da nossa MPB e lógico, muito peso, que sempre foi a nossa característica. A banda tá passando por um momento muito bom na vida e na carreira, profissional e pessoal. Não gosto de pegar carona em clichê, mas estamos envelhecendo igual vinho e isso é inspirador, é fundamental estar bem.

Como é a relação dos Racionais com Salvador? Vocês tocam aqui há bastante tempo. Tem alguma história da banda em Salvador que vocês possam nos contar?

ER: Minhas origens são nordestinas, minha e do Brown, ele por parte de mãe e eu por parte de pai, então só por aí já existe uma sintonia natural, sem contar que a todo momento tem alguma citação na nossa rima envolvendo a região. A Bahia tá no sangue né, então imagina, é como se voltasse no tempo, é como ir à “África” (aspas do entrevistado). Tem o lado ancestral pra mim, lembro de visitar o bairro onde a mãe do Brown cresceu, parou (a rua), multidão, emocionante. Recentemente, gravei um videoclipe aqui também, chama-se De Onde Eu Venho, justamente com essa finalidade de resgatar a ancestralidade. Bahia pra mim é isso, cultura, política, vida, luta, referência, música, arte, estética, raiz, pura inspiração. Tenho alguns amigos muito queridos em Salvador, do (grupo) Rap Nova Era, por exemplo, do reggae, do samba, todos meus irmãos. Bahia é mil trutas e mil tretas.

RACIONAIS MCs: 3 Décadas Tour 2019 / Abertura: Afrocidade / Hoje, 22 horas (abertura portões) / Arena Fonte Nova /R$ 120 / Vendas: eventim. com.br, lojas South e balcões Pida!

quarta-feira, outubro 02, 2019

ARMORIAL REVISITADO

Música nordestina de veia europeia medieval é resgatada pelo Duo Armorial

Julio, Daniel e amigos. Foto Flavia Maciel
Separados, Júlio Caldas e Daniel Neto já contam com boa estrada e reconhecimento da comunidade de músicos local, além dos fãs dos projetos em que atuam.

Juntos, Júlio e Daniel tocam um novo projeto que traz para Salvador uma antiga estética da cultura nordestina: a música armorial.

Acústica e de origem europeia medieval, a música armorial é a face sonora da estética arquitetada pelo genial Ariano Suassuna (e outros) para o Movimento Armorial, surgido em Pernambuco nos anos 70. Foi uma tentativa de se estabelecer uma cultura erudita essencialmente nordestina, a partir da cultura popular.

“(O Movimento Armorial) É um movimento cultural que visou mostrar a cultura popular nordestina, a música, a literatura, as artes plásticas, as tradições populares, a arquitetura e toda cultura em geral”, resume Julio.

No show / recital, Julio assume variados formatos de violas brasileiras, enquanto Daniel se acomoda na cadeira com seu acordeom.

“(No repertório) Revisitamos temas do Quinteto Armorial, tocamos folias de reis, fazemos adaptações de músicas de pífanos”, conta Julio.

“Tocamos compositores que pensam o nordeste, como o maestro pernambucano Duda. Tocamos Luiz Gonzaga, Dominguinhos e músicas autorais, tudo isso usando a sanfona e a viola”,  acrescenta.

Por enquanto, só ao vivo

Julio e Daniel na labuta. Foto Flavia Maciel
Relativamente recente, o Duo  tem se apresentado com certa regularidade no do Solar Gastronomia, mas tem potencial para invadir palcos de teatros, feiras e casas outras, graças à boa receptividade do som.

“A receptividade tem sido ótima. Esse trabalho tem o potencial de ser executado na rua, em praça pública, em teatro, ou em qualquer festival de música instrumental ou de jazz”, afirma Daniel.

“É um trabalho que, desde que fizemos a primeira apresentação, as coisas começaram a fluir espontaneamente”, acrescenta o acordeonista.

Por enquanto, só é possível ouvir o Duo Armorial ao vivo – e nem há uma data prevista de show por agora. Mas os músicos já pensam em alguma forma de registrar o trabalho: “(Gravar um álbum) Seria bacana, mas o disco tornou-se um conceito diferente hoje. A apreciação de música mudou. Não sei se um disco seria o ideal”, afirma Julio.

“Eu acho legal, no nosso caso, produzir uma série de vídeos. Mas, se pintasse uma gravadora, um selo que incentivasse... Booooom!”, diverte-se o músico.

Enquanto não pinta um registro ou show, ambos vão tocando outros projetos. “Estou finalizando um disco novo. Se chama Canções Amigas e trará composições de pessoas queridas da minha caminhada musical. Além disso, estarei em breve lançando o show BB King Sessions, relendo a obra do mestre e fazendo meus shows de blues, gênero do qual sou oriundo”, conta Julio.

“E eu estou me apresentando em parceria com alguns artistas do circuito soteropolitano e concluindo o terceiro EP da (banda) Toco y me Voy, além de preparar trabalho autoral para lançar ano que vem”, conclui Daniel.

NUETAS

Helsinque é aqui

E a turma da Finlândia não quer saber de ir embora da Bahia, não. Essa semana eles se apresentam duas vezes na city. Amanhã Hoje (02.10) tem Blizzard of Ozzmond e a local Gérbera no Bardos Bardos. 19 horas, pague quanto quiser. E domingo tem Blizzard, Blueintheface e Irmão Carlos no evento Faustão Falando Sozinho. 16 horas, no Espaço Cultural Dona Neuza, pague quanto quiser.

POWA às quintas

A banda POWA faz jazz/  black music instrumental  toda quinta no Mercadão.CC. 22 horas, pague quanto quiser.

Tremendão é amor

Sem ele, talvez não estivéssemos aqui. Erasmo Carlos apresenta o show Amor é Isso na Área Verde do Othon. Sábado, 18 horas, R$ 120.

quarta-feira, setembro 25, 2019

HARD FOLK ROCK À BAIANA

E a nova safra do rock local segue em alta com a Bruma. Confira sexta no Lebowski

Rapeize da  Bruma na foto de Daniel Figliuolo
Parte 4 da série Sangue Novo no Rock Baiano (ah, inventei). Depois da Dona Iracema (coluna do dia 3), Ander Leds (dia 10) e Rubatosis (dia 17), chegamos à uma quarta banda baiana nova e promissora: Bruma.

Sexta-feira, esse quarteto de “hard folk rock” se apresenta com duas outras ótimas locais: Meus Amigos Estão Velhos e Os Informais. Night de rock das boas, portanto.

Voltando à Bruma: a definição de estilo hard folk rock, que eles ostentam em suas redes sociais, deixou o colunista coçando a cabeça. Hard folk?

“O hard folk rock foi uma denominação que a gente criou. Temos muita inspiração na parte da composição do Oasis, Neil Young, etc. Muita pegada de rock distorcido, pesado, com influência do hard rock. Por isso pensamos, na mistura do hard rock e o folk rock”, explica o guitarrista Enrique Araújo.

Neil Young. Como pude esquecer? Mea culpa.

No escuro esfumaçado

Recentemente, a Bruma soltou nas redes seu primeiro trabalho, o EP de cinco faixas Um Pouco Tarde Para Chegar Cedo.

Sacudido, o som do quarteto – que está mais pro hard do que pro folk, diga-se – é trilha sonora mais do que adequada para encher a cara de cerveja em uma sala escura, esfumaçada e cheia de gente suada. Rock tipo rock, bebê.

Não a toa, eles criaram o próprio evento, o já citado Rock ‘n’ Booze (rock e birita), que chega agora à quarta edição.

“Criamos o Rock ‘n’ Booze pra promover a cena underground. A gente sentiu muito a falta de produtoras e eventos pro rock local, realmente não tava acontecendo muita coisa na cidade e, ao mesmo tempo, estávamos vendo uma das melhores safras de bandas na cena. Por isso decidimos tomar a frente e criar o nosso próprio selo/evento”, conta Enrique.

“Hoje, o maior desafio é a criação do hype. Não tem tido espaço, até mesmo o Facebook, que há uns dois anos era o maior meio de divulgação, não está mais surtindo efeito. Óbvio que queríamos um resultado mais expressivo, mas também não dá pra esperar sem ir atrás. Por isso nosso foco é ir atrás”, afirma.

E isso eles tem feito, inclusive com incursões em cidades do interior com cenas em ascenção, como Feira de Santana e Jequié.

“O rock aos poucos tem voltado a mostrar as caras. Vejo sim um movimento sendo recriado, mas claro que precisamos de mais, além de público, que  tem faltado. Acredito que só com uma cena fervendo que o público vem, mas vai dar certo”, acredita.

Festival Rock n´Booze / com Meus Amigos Estão Velhos, Os Informais e Bruma / sexta-feira, 20 horas / Lebowski Pub (Rua da Paciência, 127, Rio Vermelho) /  R$ 15 (nome na lista) e R$ 20 (na portaria)



NUETAS

Abbey Road no Rubi

Curte Something? E Here Comes The Sun? Come Together? Oh Darling! Não perca o show Abbey Road 50 Anos, da banda Beatles in Senna  sexta-feira, no Café-Teatro Rubi do Wish Hotel. 20h30, R$ 50.

A Lou na época do lançamento do CD Devir (2008). Foto Igor Bittencourt
Lou em show único

Falando em bandas que não existem mais, mas fazem falta, a Lou, banda de garotas muito atuante no cenário local da década passada, faz apresentação única, aproveitando a presença das integrantes na cidade. Amanhã, 21 horas, no Zungu Iyagbá (colado no Bardos Bardos). R$ 15.

Scott & Invena

Eduardo Scott e a banda Invena se apresentam sábado, no Biriteria Blues (Rua da Boa Viagem,  Cidade Baixa). 20 horas, R$ 15.

quarta-feira, setembro 18, 2019

EGO MUSICADO, GRAVADO E FILMADO

Rubatosis, outra boa banda nova, fez um filme para seu disco e toca sábado, de graça 

Rubatosis por Breno Maia
Pela a terceira semana seguida, a Coletânea / o Rock Loco segue apostando na renovação da cena baiana de rock.

Depois da conquistense Dona Iracema (coluna do dia 3) e Ander Leds (terça-feira passada), agora é a vez da Rubatosis, outra banda da capital que chega cheia de fôlego e energia, com um trabalho muito interessante e pleno de personalidade.

Em maio, o quarteto lançou seu primeiro álbum, Carta ao Meu Ego, um compêndio de dores da alma em 45 minutos entre o rock brasileiro  pós-Los Hermanos e alguma MPB – tudo com muita poesia e intensidade.

Para completar, o quarteto produziu um filme para o YouTube acompanhando as músicas. Um disco filmado, portanto. Ou um filme musicado? Talvez um pouco dos dois.

“O filme fez parte do lançamento como acompanhamento visual, com intuito de reforçar a homogeneidade trazida como conceito pela banda através do Carta ao Meu Ego. A ideia do filme surgiu no processo de composição do álbum, sendo desenvolvida ao longo do processo de gravação”, conta Luenner Setúbal, vocalista.

“Contamos com ajuda de dois grandes parceiros: (as produtoras) Casa de Barro e Segunda Gaveta. Nós buscamos trazer elementos que definissem o projeto como algo conceitual”, acrescenta.

Início no Festival

Rapaziada no festival Rock Concha, foto Breno Maia
A Rubatosis surgiu da união de Luenner e Moacir Passos (baixo) a fim de participarem do tradicional Festival Educadora FM.

“Para participar, o grupo precisava ter um conteúdo gravado. Aí entramos em contato com um antigo colega de escola de Moacir, João Paulo (guitarra), que se dispôs a gravar duas músicas por um preço simbólico”, conta.

“Algum tempo se passou e cada vez mais a Rubatosis começou a tomar vida. João Paulo, por gostar do projeto, acabou se tornando um membro fixo. Pouco tempo depois Nicolas Kolbe (bateria) entrou, após a saída do primeiro baterista. Desde então, permanecemos com a mesma formação”, relata.

De difícil classificação, o som da banda é claramente baseado no indie rock contemporâneo, mas ao mesmo tempo parece ter algo mais ali.

“Desde o ínicio mantemos como base o rock alternativo, mas não nos limitamos às fronteiras de um estilo específico”, resume Luenner.

Neste sábado, a rapaziada se apresenta gratuitamente no Clube Bahnoff, no evento FacomSom. “E também no dia 19 de outubro com Tangolo Mangos e Underismo no Pelourinho. Mais informações em nossa página do Instagram @bandarubatosis”, conclui.

Rubatosis / Sábado, 19h30 / Club Bahnhof / Gratuito / https://pt-br.facebook.com/bandarubatosis/



NUETAS

Astral Tango Cidade

Astralplane, Tangolo Mangos e Cidade Dormitório (SE) se apresentam sexta-feira no Portela Café. 21 horas, R$ 15 (lista), R$ 20 na porta.

Punks da Finlândia

Os punks finlandeses Blizzard of Ozzmond e Blueintheface estão de volta para a Sauna Punk Rock Tour 2019 com a local  Pastel de Miolos fazendo as honras da casa. Sábado, 18 horas, no Mercadão.cc, R$ 10 (até 19h) e R$ 15 depois.

segunda-feira, setembro 16, 2019

AGENTE SOMMOS E A PREMIAÇÃO ATÔMICA

Estreia do personagem criado pelo baiano Flavio Luiz fatura Troféu HQMix

Sommos comemora com Nhô Quim, o Trofeu HQMix em pessoa
Hoje (ontem, domingo 15 de setembro), o experiente cartunista e quadrinista baiano Flavio Luiz bota mais um Troféu HQMix, o “Oscar” dos quadrinhos nacionais, na estante.

Ele faturou o prêmio da categoria Publicação de Humor com seu último álbum em quadrinhos, Agente Sommos e o Beliscão Atômico (Papel A2, 44 pgs., R$ 30).

Quando o apresentador Serginho Groisman chamar Flavio para subir ao palco da Comedoria do Sesc Pompeia receber seu prêmio, será a quarta vez.

Sim, desde 1999 que o HQMix é freguês do baiano, com premiações para suas HQs Jayne Mastodonte (categoria Publicação Independente 1999), O Cabra (Publicação Independente de Autor 2010) e Aú & O Fantasma do Farol (Pub. Infanto Juvenil 2014).

“O Agente Sommos é meu trabalho mais autoral e eu fico muito feliz em ganhar na categoria Humor”, comemora Flavio por email de São Paulo, onde mora há alguns anos.

“Este é meu 41º prêmio na carreira, incluindo menções honrosas, prêmios por cartuns, charges, caricaturas e HQs, dois Piracicaba (Salão Internacional de Humor de Piracicaba, a mais tradicional premiação do humor gráfico brasileiro) e palestra em Angouleme (Festival international de La Bande Dessinée d'Angoulême, um dos mais importantes festivais de quadrinhos do mundo)”, enumera.

MENAS vs. MERMO

Preview exclusivo de Agente Sommos 2
Araponga (apelido para espiões brasileiros) da MENAS (Movimento Espionário Nacional Altamente Secreto), o Agente Sommos teve sua primeira HQ lançada no final do ano passado.

Em sua estreia, o vemos entrar em ação contra a terrível organização MERMO (Maracutaias Espionistas Revoltantes Mortalmente Orquestradas).

Repleta de gags – visuais e verbais –, a HQ se beneficia da consagrada esculhambação verde-amarela combinada ao imaginário de James Bond, tanto para construir sua trama quanto para alavancar sua comicidade.

Uma espécie de Austin Powers brasuca com tudo o que tem direito, incluindo um carango cheio de truques – um pitoresco Volkswagen SP2, esportivo dos anos 70 que, pelo menos, está no seguro – e uma chefe que é a cara da Fernanda Montenegro.

“O Agente Sommos 2 (intitulado Hora Hora Hora, Sommos) está na reta final de finalização e já deve ser lançada na CCXP (dezembro)”, conta.

Infelizmente, o artista ainda recebe pouco reconhecimento na própria terra. “Em Salvador, aguardo interessados para um lançamento. Entrei em contato com a Flipelô, com a Flica e nada, nem responderam, email nem retornaram telefonema. Mas OK, axé!”, ri.

Interessados em adquirir a premiada Agente Sommos e o Beliscão Atômico podem entrar em contato via www.flavioluiz.net ou www.umlivro.com.br.

quarta-feira, setembro 11, 2019

CABELUDOS, GAIATOS E SEM VERGONHA DE SER DO ROCK

Ander Leds, nova geração do rock local, faz show sábado, no Lebowski. Vale conferir

Ander Leds, foto Arthur Leal
Sim, o rock perdeu muito espaço na preferência popular entre os jovens na última década – especialmente em Salvador. Mas não, nem por isso bandas de garotos cheios de energia deixam de surgir por aí.

Parte desta cena mais recente, a Ander Leds vem, aos poucos, construindo um público e uma carreira a partir de shows despojados e canções que, apesar de ainda soarem meio cruas, apontam para um caminho de fácil comunicação com o público, com letras em português e certo apelo pop.

Contribui muito para pavimentar este caminho a boa fluência dos meninos em seus instrumentos,
como se pode notar pelos vídeos de shows no You Tube.

Neste sábado, o cabeludo (yeah!) quarteto se apresenta no Lebowski Pub, uma boa oportunidade para quem quiser conferir.

Curiosamente, a banda já está meio que em sua “segunda geração”: já trocaram de guitarrista e vocalista /  violinista – sim, você leu direito, o rapaz tocava violino.

Mas sem traumas. “Em 2015, Sid (baixo) e Rodrigo (vocal e violino) começaram com a primeira formação da banda. Eram amigos de escola, logo chamaram Luiz (Müllen, filho do ex-Camisa de Vênus Gustavo, bateria) para a banda. Ludo (guitarra) entrou na banda algum tempo depois de conhecer Sid no finado Irish Pub em 2016, mas entrou de fato para a banda em 2017”, relata Davi Quadros, vocal.

“Rodrigo saiu da banda no começo de 2018. Ele não quis mais estar na banda por questões pessoais, não há nenhum problema. Nós respeitamos isso e continuamos todos amigos”, acrescenta.

Suíte de cinco minutos

Os meninos são bons de palco, foto Arthur Leal
Ainda com Rodrigo na voz e violino, o quarteto gravou um EP de cinco faixas, Primeiramente (2018), produzido por André T.

Agora, a rapeize prepara o repertório do próximo trabalho, já com Davi à frente. “Nós já estamos preparando o próximo álbum, a todo tempo estamos compondo e tocando material novo. É uma questão de tempo até que nosso próximo álbum de fato seja lançado”, afirma Davi.

No You Tube já é possível conferir o primeiro clipe da nova fase da banda, a canção Saudade, uma suíte de cinco minutos com um aceno ao rock progressivo e  postura mais séria, em oposição ao gaiatíssimo clipe anterior, Drive My Car (não a dos Beatles).

“Acho que conseguimos equilibrar as coisas (a diversão e a mensagem). Falamos sobre o que pensamos e achamos necessário falar, porém não deixamos de curtir e nos divertir no palco”, garante.

Neste sábado, o Lebowski será testemunha disso.

Ander Leds / Sábado, 21 horas / Lebowski Pub (Rio Vermelho) R$ 10 / www.facebook.com/anderleds



NUETAS

Janis & Bob no Sesi

As bandas Jokermen e Mercedes Band fazem o show Tributo a Bob Dylan e Janis Joplin quinta-feira, na Varanda do SESI.  21h30, R$ 20.

Além do Carmo fest

Skanibais (com Okwei Odili), Ativos Resistentes e Banda Terráquea fazem a Primavera Além do Carmo. Sábado, Pátio da Igreja do Santo Antônio, 17h, R$ 15.

Só dá elas no palco

Arcantis, Ragnarocker, Madame Rivera e Covel fazem mais uma edição do evento Rock de Batom, só com bandas de mulheres ou com mulheres na formação. Homenagem à pioneira cantora negra norte-americana de blues Sister Rosetta Tharpe. Sábado, 18 horas, na   Garagem Batrákia (Av. Dorival Caymmi, Itapuã). Gratuito.

Duo + Dois em SSa

Música instrumental de altíssima qualidade: o duo de violões Duofel se juntou ao soprista Carlos Malta e ao percussionista Robertinho Silva no grupo Duo + Dois. Entre quinta-feira e sábado, o quarteto se apresenta na Caixa Cultural com repertório de clássicos da MPB. Quinta e sexta-feira,  20h. Sábado, 17h e 20h. R$ 30 e R$ 15. Perde não, que é um absurdo de bom.

terça-feira, setembro 03, 2019

ABRAM ALAS PARA DONA IRACEMA!

Pare tudo e ouça já o melhor disco do rock baiano em muito tempo: Balbúrdia, da Dona Iracema

Dona Iracema e seus pimpolhos, foto Rafael Flores
De vez em quando aparece no cenário uma daquelas bandas que nos dão vontade de acreditar que é possível fazer o rock voltar a ser, digamos, cool: bacana, descolado, popular.

Pena que aqui na Bahia isso não costuma durar muito. Mas eis que surge mais uma e pronto: olha o colunista acreditando de novo. A banda da vez vem lá de Vitória da Conquista.

É a Dona Iracema, que acaba de lançar o disco de rock cantado em português mais legal dos últimos sei lá quantos anos: Balbúrdia.

Produzido pelo mestre andré t., o disco resgata o espírito do rock bagaceiro, pesado e suingado dos anos 1990 com um pé no agora mesmo, a começar pelo título, pelas temáticas das letras e também pela vocalista Balaio, transexual macho pra cacete e com uma presença de palco absolutamente incendiária.

Ou seja: tudo que está faltando no rock hoje em dia: peso, diversão, aquele senso de perigo a là Iggy Pop.

Coco, hardcore, quebradeira

"Peraí, que prendeu aqui a bata indiana", foto Rafael Flores
Então misture Raimundos, Red Hot Chili Peppers, Catapulta (alguém aí lembra?), Faith No More, acrescente letras detonando todo esse lixo fascista que ora nos aperreia, salpique participações de Luiz Caldas (cantando e esmerilhando na guitarra baiana), Pedro Pondé e a deusa Nancyta, leve ao estúdio e receba um baita álbum de rock baiano.

“É por aí mesmo, e não só influências musicais – tudo nos influencia, de filmes a livros e histórias pessoais”, conta Oscar, baterista.

“A mistura de gêneros passa pela intenção de dialogar com a maior quantidade de ritmos, sem amarras. Não é a toa que o disco tem duas músicas completamente fora da curva, Grilo e Queimando no Altar”, diz.

E esse é o tempero da Dona Iracema: Grilo é à base de viola caipira e Queimando... é um coco. Já Apocalipse Iracemático, um quase thrash metal, tem ali no meio uma quebradeira baiana de deixar muito pagodeiro assustado.

O disco ficou tão bom que essa semana eles já embarcam para São Paulo, onde se apresentam no Feeling (Vila Madalena) e no site Show Livre.

“Mostramos nosso último trabalho ao selo Oranjeiras, logo a parceria foi firmada e de quebra, fechamos com o Show Livre. Ao longo desses sete anos, passamos por um processo de amadurecimento,  fruto inclusive de 4 EPs, um DVD, e participamos de alguns concursos. Nesta caminhada, o desejo de gravar um disco foi tomando corpo e, a medida que fomos interagindo com a cena e figuras importantes como Andre T, pensamos grande no sentido do lançamento de e distribuição da obra”, relata Oscar.

"Trabalhar com André, até hoje, foi a melhor experiência em estúdio. Já havíamos feito um trabalho mais curto, single, quando vencemos o Bolsa Estudio Skol, e foi quando nos apaixonamos pelo seu trabalho. Na gravação do disco, nos sentimos muito a vontade e tudo fluiu perfeitamente bem. Não fosse André T, não teríamos extraído o melhor de nós, bem como aproveitado da experiência de alguém que está no mercado musical há tantos anos e com um currículo extraordinário", afirma.

Os Iracemáticos com André T e Luiz Caldas, foto Rafael Flores
Sobre as participações especiais, Oscar conta que "Quando compusemos Volta Pra Casa João, percebemos nela uma sintonia muito forte com a música baiana. Ninguém menos que Luiz Caldas como o melhor nome para representar esta fatia da história. Sugerimos a ideia a André T, que tem uma longeva relação com Luiz e o mesmo prontamente abraçou a ideia. Nancy Viégas e Pedro Pondé foram relações criadas a partir dos concursos que vencemos, onde criamos forte ligação musical e uma vontade visceral de criarmos algo juntos. Daí surgiu os convites para Eu Tô no CID e Rola Pote. Enzo Fernandes é um ex-membro que continua ativo e torcendo por nós e as crianças que participam da faixa Napalm são filhos de pessoas próximas a gente".

Nas letras, sopapos e ironias pesadas para todo lado. Mas será que eles estão muito indignados com toda essa merda?

"Não. Nosso nível de insatisfação ainda não tem nome. Pelo título do álbum há de se perceber como a influência política é referenciada no disco. No fim das contas, estamos nos divertindo em meio a todo esse caos", observa Oscar.

Eles ainda não tem data para trazer esse show à Salvador, mas deverão vir em breve.

“Mas já temos datas confirmadas para Feira de Santana (dia 21) e Jequié (14/11), além de São Paulo. Queremos rodar o Brasil todo. Estamos em diálogo com os produtores”, conclui.

Oh, grória!

www.facebook.com/BandaDonaIracema



NUETAS

Sexta kaótica

Keter, Zeitgeist(SE), Antiporcos e DJ Bawdy fazem um Kaos Festival nesta sexta-feira no Bardos Bardos. A partir das 17 horas, entrada colaborativa.

Dependentes de metal

As bandas Indominous, Electric Poison, Inner Call, Metal War e Killing Machine quebram tudo em mais uma edição do evento mensal Independence Metal. Sábado, 17 horas, no Cine Teatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas). R$ 10 e R$ 20.

Game Over no BB

E sábado tem mais um esquenta do XI Festival Bigbands. É a noite Sotero Rock Sessions 5, com Game Over Riverside, Malgrada, Kharbon, DJ Bia Biscardi e Atakama Project – Bardos Bardos, 17 horas, colaborativo.

sexta-feira, agosto 30, 2019

O BOB DO BAIA É BOSSA, BABY

Em Nova York, o baiano Maurício Baia verte oito clássicos de Bob Dylan para a bossa nova. O resultado surpreende

Baia em Nueva York, fotos Christian Pollock
Notório raulsexista, o cantor e compositor baiano / carioca Maurício Baia também seria, por tabela, um sério apreciador de Bob Dylan. A aposta se mostra certeira em seu novo álbum, um tributo ao bardo de Duluth, Minnesota.

Mas não um tributo qualquer e sim, uma aposta ousada, digna do homem que eletrificou a música folk, ousadia máxima no ano da graça de 1966.

Em Baia Bossa Dylan, o talentoso brazuca pega o mestre de 78 anos pela mão e o leva para um passeio pelo calçadão de Copacabana, gravando oito de suas mais geniais canções no estilo que consagrou João, Tom e tantos outros.

“Foi uma descoberta natural. Eu estava dedilhando o violão e comecei a cantar You’re a Big Girl Now em samba canção. Depois da terceira estrofe, vi que havia achado algo ali. As baladas do Dylan, com numerosas estrofes, melodicamente iguais e com letras dignas do Prêmio Nobel de Literatura geraram um clima de relax music e narrativas imagéticas”, relata Baia por email desde Nova York, onde reside desde 2017 e onde gravou o álbum.

Depois de se certificar que a mistura Dylan & bossa dava samba, Baia chegou, via recomendações de amigos, ao produtor Sandro Albert, que produziu o trabalho.

"Chamei o meu amigo Igor Eça, filho do Luiz Eça (Tamba Trio) para tocar comigo, em meu estudio, e nos certificamos de que a alquimia era válida de ser experimentada e posta pra frente. Foi aí que o projeto e a minha vida começou a se direcionar para cá, comecei a procurar alguém aqui e uma amiga em comum me apresentou ao Sandro, a ponte estava feita", detalha.

Com ele e uma leva de experientes músicos brasileiros e norte-americanos, Baia registrou oito clássicos dylanescos: You're a Big Girl Now, Mama You Been on My Mind, Blowin’ in the Wind, Jokerman, Simple Twist of Fate, Knocking on Heaven's Door, Lay Lady Lay e You're Gonna Make Me Lonesome When You Go.

“Eu comecei (a selecionar repertório) com músicas não tão conhecidas, revelando um  Dylan que nem todos conheciam. Aí mandei as músicas ao  Sandro, em Nova Iorque, e ele afirmou que a ideia estava muito boa e fora de qualquer relação com um disco cover”, conta.

“Na visão dele, alguns clássicos tinham que entrar pra levar aos fãs uma um novo olhar sobre canções já regravadas, como Knocking On Heavens Door, por exemplo.  Foi um processo gostoso não teve dificuldade ou indecisão”, diz.

Bossa nada ortodoxa

Engana-se, porém, quem acreditou que bastaria ao baiano simplesmente sentar num banquinho e emular João Gilberto – caso este algum dia tivesse gravado Dylan.

Nada ortodoxa, a bossa de Baia Bossa Dylan é bossa moderna, século 21. “Uma abordagem mais moderna foi o que me trouxe até aqui. Os arranjos foram feitos pelo Sandro e depois pensamos nos músicos e nos técnicos para a finalização em NY. Como guitarrista e produtor que já mora aqui há vinte anos e trabalhou com inúmeros nomes como James Taylor, Rod Stewart, Milton Nascimento, Toninho Horta, Lenine e muitos outros, ele não se restringiu à bossa tradicional, como estava no meu violão. Partiu para arranjos em camadas, realçando com cores diferentes cada novo verso, cada refrão, sendo o melhor exemplo a faixa Jokerman que começa com a voz quase solitária e termina lá no alto do arranha céu, com todos atuando intensamente”, detalha.

“A bossa, no caso, também pode virar verbo: bossar o Dylan. Trazer a poesia dele ao conhecimento dos amantes da música brasileira e aos seus fãs levar um novo olhar sobre a obra do roqueiro folk americano”, acrescenta.

"Eu sou dessa família dos que cantam rápido e com letras quilométricas, O Comedor de Calango e O Gerente da Multinacional é um bom exemplo. Mas fiz um trabalho em cima da forma de cantar essas canções sem deturpar as melodias, porem trazendo elas para uma métrica mais requebrada e tropical", conta.

Residente em Nova York, Baia lançou o álbum por lá no dia 1º último, em um show na casa The Cutting Room.

"Foi um conjunto de coisas que se deram naturalmente e eu segui os sinais que me indicavam por onde ir. Levou mais de dois anos desde a ideia até o lançamento e eu tratei o projeto desde o começo como uma escalada: teremos momentos mais fáceis, outros mais difíceis, teremos paradas na encosta para descansar, mas no final lançaremos da forma como planejamos, em NY, com uma banda americana, como se deu recentemente, em 1 de agosto no The Cutting Room. Além do album e do show, dois video clipes também foram lançados: Knocking On Heavens Door e Jokerman, produzidos em NY por Christian Pollock", relata.

“Estou começando a tocar com banda aqui, fiz muitos shows de voz e violão. O Dylan tem um apelo especifico, mas sempre há quem peça para ouvir minhas músicas, que acabam fazendo o show ficar bilingue, que acho que marcará meu trabalho daqui pra frente”, conta.

No dia 24 de novembro, Baia  traz o novo trabalho em Salvador, em  show acústico na Varanda do SESI: “Aproveito para convidar o publico baiano para se fazer presente nessa apresentação que mostrará um pouco do disco novo, um tanto de mata saudades e uma pequena homenagem aos 30 anos sem Raul Seixas, completado agora em agosto”, conclui. Save the date!

Baia Bossa Dylan / Baia / Produção: Sandro Albert / Disponível nas plataformas digitais

terça-feira, agosto 27, 2019

COMBAT RAP

Quer saber da realidade da periferia? Ouça Renovação, novo disco do Rap Nova Era

Ravi, Moreno e DJ Kbeça, foto Ícaro Luan
Expressão mais  legítima da juventude preta e periférica que não abaixa a cabeça e come pilha de patriotas de araque, o rap é a crônica do duro dia a dia de quem banca o lucro dos bacanas trabalhando nas piores condições, ganhando miséria e vendo seus direitos sendo retirados na cara dura por engravatados sem caráter.

Dito isto, a audição de discos como Renovação, o terceiro do grupo local Rap Nova Era, pode ser tão (ou até mais) instrutiva sobre a vida nas periferias quanto a leitura das notícias neste ou em qualquer outro jornal deste país. A razão é óbvia: é a favela falando pra favela, sem intermediários.

Duro e sem concessão no discurso, mas também cheio de suíngue, com bases cremosas e beats crocantes, Renovação pavimenta o caminho de Ravi, Moreno e DJ Kbeça rumo ao reconhecimento que mais importa: o das periferias da Bahia e do Brasil afora.

Coligados da nata do rap nacional (leia-se Racionais), já se apresentaram tanto no centro quanto na perifa da capital de São Paulo, ganhando proeminência e mostrando que o rap baiano vai muito além do hype (merecido, diga-se) em torno de Baco Exu do Blues.

“Através do trabalho do Baco, as classes média e alta começaram a consumir mais o rap (local), mas ainda é mais essa fita de Baco mesmo, de internet. Se for na favela, nas ruas, você vai ouvir falar de outros como a gente. Se você ver um baleiro no ônibus, a maioria dos presos das cadeias aonde a gente faz shows, você vai ter certeza que eles curtem Nova Era, Vandal, Afrogueto, Daganja”, afirma Ravi.

“A música do Nova Era é feita pro povo periférico. Falamos de união, renovação e superação pelo fato de termos passado por essa vivência do crime. O rap é como uma válvula de escape.  Conseguimos dar a ideia no rap, tocar no coração. A música é libertadora, Nova Era é um rap libertador”, diz.

O problema é de todos

O Rap Nova Era com Vandal no clipe de Mundo Moderno, foto Ícaro Luan
Com muitas participações – Vandal, Yzalú, DBS e outros –, Renovação fecha uma trilogia do RNE, junto com os álbuns anteriores, Nem Tente Contar com a Sorte (2009) e Brutality (2015).

“A gente avalia o Renovação como um álbum ouro, ta ligado? Vivemos mais intensamente esse disco, ficamos alguns anos preparando. O Nova Era vai fazer 10 anos, ele veio como uma celebração a essa caminhada de muita luta e resistência“, afirma.

Os shows de lançamento do Renovação (aqui e em São Paulo) serão apenas em novembro, mas ainda antes, em setembro e outubro, eles se apresentam na cidade: “A gente tem show em setembro aqui em Salvador com 509E (duo paulista de rap formado por Dexter e Afro-X). É a turnê Vivos, de 20 anos do grupo, uma apresentação histórica”.

“Em setembro vai ter show em São Paulo, que é no 100% Favela (festa de Mano Brown, dos Racionais), no Capão Redondo. Em outubro, a gente faz o dia das crianças na favela aqui em Salvador, e também estamos fechando apresentações nas penitenciárias da Bahia. Novembro tem o show de lançamento  do disco em Salvador e São Paulo”, conta.

Essa relação do RNE com a cena paulistana não é de agora, garante Ravi: “Ah, vem de muito tempo, uma relação de amizade com Nocivo Shomon, o povo do Capão, Cúpula Negredo, DBS, DJ Cia, que participou do nosso disco, o pessoal do RZO, com o próprio Mano Brown, que inclusive sempre chama a gente pra participar da festa dele no Capão Redondo, a 100% Favela, com os maiores artistas do rap nacional”, relata.

“Então, a nossa sintonia com SP já vem de muito tempo, sempre fomos bem tratados pelo povo de São Paulo, é uma sintonia especial”, diz.

Com membros vindos de vários cantos da cidade – “Ravi é da Liberdade,  Moreno é da Suburbana, Peri Peri e  DJ Kbça é Cidade Baixa, Massaraduba” – o RNE sabe que agora, mais do que nunca, discursos como o deles é necessário.

“Infelizmente o Brasil está passando por um momento delicado, então o rap volta a ser evidência, militante, como uma coisa que bate de frente contra o sistema”, afirma Ravi.

“(A violência na favela) É um problema de todos. (Tem que) Procurar conversar com o povo que vivencia essa guerra todos os dias, se aproximar na humildade pra saber o que acontece nas periferias de todo o Brasil. A guerra nas favelas de Salvador é cotidiana, polícia atirando em morador, como acontece no Rio de Janeiro. Ignorar nossa vivência é querer que tudo continue igual. A faixa Mundo Moderno fala um pouco sobre isso: o alvo é sempre o gueto”, conclui.




NUETAS

Matita Perê hoje

A  Matita Perê realiza ensaio aberto para celebrar seus 20 anos de formação com participação de músicos que já passaram pela banda. É hoje, às 21 horas, na Varanda do Teatro Sesi, R$ 20.

Lon Bové & Saulo

O guitar hero Lon Bové & Banda Terráquea fazem o show Água Vida Pura Vida, com participações de Saulo, da cantora mirim Cacá Magalhães e alunos do Colégio Estadual Pinto de Aguiar e Olodum Juvenil. Quinta-feira, 20h, no Teatro da Cidade, R$ 40 e R$ 20. Quem doar uma camiseta velha paga meia. As camisetas são recicladas como ecobags  (sacolas de compras).

Antifas no Bardos

Coletivo formado por membros de bandas da cena hardcore local, o Saco de Vacilo realiza um encontro com o grupo Ação Antifacista de Salvador (AFA) para trocar ideias no Bardos Bardos. Sob o lema “hardcore é política”, os dois grupos vão contar um pouco de sua história e militância. Quinta-feira, 19 horas, entrada gratuita.

quarta-feira, agosto 21, 2019

ROCK, FOLK, PUNK, METAL: É O BIGBANDS CHEGANDO, SEM PATROCÍNIO NEM EDITAL

O músico folk Ian Kelmer (e as Kelmeretes?). Foto Karen Silva
Algum dia, Rogério BigBross Brito deverá ser objeto de estudo científico.

Há 11 anos, o veterano produtor do rock baiano bota pra frente seu festival anual BigBands sem auxílio de edital, sem patrocínio, “sem um puto”.

Na cara e na coragem. Este ano, a 11ª edição do BigBands movimentará seis bandas da capital, nove bandas do interior, três de outros estados brasileiros e mais duas estrangeiras, com shows acontecendo em quatro cidades: Salvador, Alagoinhas, Itabuna e Vale do Capão.

Tudo na base da colaboração, trabalho voluntário e contribuições dos amigos e frequentadores.
“O BigBands é feito de maneira diferente todo ano e vai acontecendo por si só. Esse foi um dos que deu menos trabalho e tô bem satisfeito com ele”, afirma Big.

Blizzard of Ozzmond (Finlândia): punk rock acústico e bem humorado
“(Mas sempre) Me inscrevo em editais para trabalhar em condições melhores, remunerando todo mundo. Porém, nunca sou aprovado, principalmente em editais de empresas. Muitas vezes não me encaixo na regras do edital. E tem duas coisas que bato pé firme: o festival acontece todo ano, seja grande, seja pequeno, do tamanho que a perna alcança. E nenhuma empresa vai pautar a programação em troca de patrocínio”, demarca.

Descentralizado, o BB tem cinco noites de warm-up (esquenta), começando com três neste fim de semana no Mercadão CC. As outras duas rolam nos dias 6 e 7 de setembro, no Bardos Bardos.

Nos dias 21 e 28 de setembro, o BB começa com duas noites no Mercadão CC, mais os shows no interior. Dia 20 de setembro em Alagoinhas (com as bandas finlandesas Blizzard Of OZZMOND e Blueintheface  e as baianas Pastel De Miolos e Aborígines), dia 3 de outubro no Vale do Capão com Blizzard, Blueintheface, Pastel e Candombá Blues e dia 5 de outubro em Itabuna, de novo com as três primeiras mais Jacau, Locomotiva e Ruarez. Ufa!

Eskröta (SP): thrash metal feminista em português. Foto Rodrigo Farias
"Esse foi o BigBands em que eu menos me envolvi em curadoria, graças à parceria das (produtoras / coletivos / casas de show) Tropical Death, Crust or die Colletive Distro & Label, Bardos Bardos, Mercadão CC, Banana Mecânica (FSa), Plugado / Cabeça Motora (Alagoinhas) e as outras cidades que colaram na produção: Itabuna e Vale do capão. Sem todas essas parcerias, o BB não aconteceria. Basta ver o número de artistas envolvidos para entender. Quanto à disposição e paciência (para seguir produzindo nessas condições), isso é parte do trabalho. Man, eu vivo de rock na Bahia", reivindica.

Diversidade de sons

Essas duas bandas finlandesas são parceiras dos punks da Pastel de Miolos e voltam à Bahia depois de se apresentarem por aqui em 2015, quando fizeram uma grande turnê pelo Nordeste.

“Isso mostra a seriedade das bandas. Muitas fazem uma primeira tour estrangeira e nunca mais voltam, fica com cara de turismo para conhecer pais exótico”, afirma Big.

“Se não me engano, essa nova tour são 19 shows, por isso fizeram de Salvador sua base”, conta.

Juli, 18 anos, revelação feirense. Foto Duane Carvalho
Além dos gringos, Big diz ter dificuldade em recomendar algum show, já que é fã de todas as bandas / artistas: “Vixe, destacar tanto talento fica difícil, ainda mais numa programação tão variada, que vai  folk ao metal extremo. Mais por exemplo, Ian Kelmer, Gigito, de quem  sou fã declarado. Já as cantoras feirenses (Juli e Isa Roth) só escutei na internet, mas estou bem curioso com o show delas”, detalha.

“Tem a Eskröta,  thrash metal de SP que vi no Abril Pro Rock esse ano, banda de garotas que fazem um show incrível. PDM e Aphorism dispensam apresentações. Rabujos estou curiosíssimo com o show, a Keter voltando depois de um bom tempo parada também me desperta curiosidade. O show do Blueintheface é dos melhores. ..semana que vem começa, a ansiedade tá a mil”, confessa.

Big conclui fazendo um chamamento para todos aqueles que frequentam e amam a cena a se envolver e ajudar de alguma forma, como voluntário.

Blueintheface (Finlândia): back in Bahia com o Blizzard of Ozzmond
"Eu sempre falo que o festival acontece sem verba publica ou privada, o que de certa forma é mentira, pois muita gente se oferece pra ajudar e isso é dinheiro. Basicamente, precisamos de todo tipo de voluntário: roadies, fotógrafos, carregadores, bilheteiros, permutas de todo tipo: camisas, adesivos, alimentação, hospedagem solidária. E quem quiser ajudar com dinheiro mesmo, é só pedir a conta. Esse ano um amigo que está a 2638 km de Salvador depositou uma grana. O cara não vai em nenhum dia do festival, não pediu logomarca no cartaz, não pediu pra incluir uma banda. Veja o diálogo de quando agradeci: 'Em 11 anos de festival, essa foi a primeira contribuição direta em dinheiro sem esperar nada em troca, sem recompensa de crowdfunding, sem pedir marca no flyer, sem ter que prestar conta. Isso me faz ter fé no mundo', eu disse pra ele. 'Que nada, sua luta é inspiradora , fazer rock no Brasil hoje, na cara e na coragem, como você faz , merece respeito. Grande abraço, Big'”.

Infos, programação: www.facebook.com/bigbross.bigs

NUETAS

Wild Side Friday

Formada por veneráveis veteranos do rock baiano como Miguel Cordeiro e Jerry Marlon, a Wild Band faz o show Tributo Lou Reed sexta-feira, no Lebowski Pub. 22 horas, R$ 30 (R$ 20 na lista amiga).

The Baggios na BA

A incrível The Baggios abre as sessions Intercenas Musicais no Commons Studio Bar neste sábado, 20 horas.  R$ 15 (lista) ou R$ 20. Antes, na sexta, o poderoso power trio sergipano toca em Feira, com a Meus Amigos Estão Velhos.

Blues no Recôncavo

Alô, Cachoeira e entorno! Sábado e domingo, não percam a 4ª edição do  Cachoeira Agosto do Blues. O único festival de blues da Bahia é gratuito, rola na Praça da Aclamação (Centro Histórico) e começa às  21h do sábado com Jokermen, Restgate Blues e Chocolate com Blues. Domingo, o som é às 17h, com Banda Terráquea de Lon Bové e Celso Dutra Blues Band. Prestigiem!

sexta-feira, agosto 16, 2019

OH, NÃO! O PODCAST ROCKS OFF VOLTOU!

Gabriela e Rodrigo, do duo Rodrigo Y Gabriela (duh!)
Ninguém pediu, mas vortemos assim mess!

Nei Bahia, Osvaldo Braminha Silveira Jr. e este blogueiro voltaram a se reunir para mais uma rodada de novidades mais ou menos recentes.

Tem Rodrigo Y Gabriela, Black Mountain, Left Lane Cruiser, Chris Robinson Brotherhood, ZZ Top, Eagles of Death Metal, Filthy Friends, The Waterboys e outros que neste momento escapam à memória sequelada deste que vos escreve.

Enjoy, se puder.