quinta-feira, fevereiro 28, 2013

BAILE ESQUEMA NOVO NA ESTRADA LEVA KNOW HOW FESTEIRO PARA CIDADES DO INTERIOR

Uma boa festa é um exercício importante: o exercício da fina arte perdida do encontro.

É no encontro que amizades são firmadas, amores florescem, ideias incríveis surgem, losers tem sua eventual noite de glória e os tímidos se enturmam, entre outros fenômenos sociais.

Cientes disso, Luciano Matos (o DJ El Cabong) e Camilo Fróes (foto ao lado de João Milet Meirelles), os organizadores da concorrida festa mensal de música brasileira Baile Esquema Novo, resolveram estender este know-how tão especializado para outras cidades no estado.

É o Baile Esquema Novo na Estrada, uma ação em três etapas que passou, semana passada, por Vitória da Conquista e segue esta semana para Cachoeira. E na outra, Juazeiro.

Na oficina (que tem patrocínio da VIVO, via Fazcultura), Luciano e Camilo passam aos interessados alguns rudimentos de discotecagem e produção.

Da marchinha ao metal
“Não somos os melhores DJs de Salvador. Não somos nem profissionais de discotecagem. Mas,  como já temos vários anos de experiência organizando festas, tentamos passar um conhecimento mínimo de tudo: como tocar, como negociar, promover, fazer contratos”, conta Luciano Matos.

Depois dessa fase de oficinas, a dupla e seus contatos locais vão promover uma festa nos moldes do BEN. “Não vai ser o Baile Esquema Novo. Será uma festa deles, com título que eles mesmos vão criar”, explica.

Por “moldes do BEN”, entenda-se: “A ideia é que não seja só mais uma festa que toque os hits do momento, mas que traga novidades e resgate clássicos. E que vire a noite”, recomenda.

“E também não é uma festa de música brasileira pra dançar que só toca samba e samba rock. O conceito é  bem abrangente: a gente toca rock, funk, marchinha, forró,  tudo. De Paulinho da Viola ao Sepultura”, enumera.

“Conquista (acima, na foto de Carol Morena Vila) foi massa, deu mais gente do que esperávamos. Veio até pessoas de outras cidades. Tinha um cara de Poções, outro de Itapetinga e outro de Bom Jesus da Lapa, todos querendo fazer festas similares  nas próprias cidades”, conta.

“Acaba que todo mundo conhece algo novo”, conclui.

Baile Esquema Novo na Estrada / Próximas oficinas: Sexta e sábado, em Cachoeira / Dias 8 e 9 de março, em Juazeiro / Inscrições gratuitas: inscricoesnaestrada@gmail.com / Enviar nome completo, cidade e o motivo pelo qual a oficina interessa

NUETAS

Diego Orrico toda sexta no Ciranda

O gaitista Diego Orrico e sua banda The Blues Bullets fazem o som do Ciranda Café todas as sextas-feiras de março. Versátil, o rapaz passeia por diversos vertentes da gaita bluesy, indo do estilo mais urbano ao mais rural. Responsa total, a banda de Diego conta com Jorge Solovera (guitarra), CH Straatman (baixo) e Brian Knave (bateria), mais os convidados Diego Andrade (guitarra, nesta primeira sexta) e Dave Yowell (baixo, dia 15). Serão cinco noites de sexta: dias 1º, 8, 15, 22 e 29, sempre às 22 horas, por R$ 15. Recomenda-se uma (ou algumas) doses Jack Daniel's para acompanhar. Abaixo, ouça Crazy Mambo Blues, gravado no próprio Ciranda Café. E aqui tem mais.



Radiola free: CD e show

A banda Radiola faz mais um show do seu último álbum, ArRede - Tempo Sem Nome, na Praça Quincas Berro D`Água (Pelourinho), nesta sexta-feira (dia 1º). Lançado no ano passado, ArRede foi, acredita o colunista (que aproveita e declara sua mea culpa), injustamente pouco comentado. Ambicioso, o disco é um caleidoscópio multicultural encharcado em uma suingada psicodelia tropical. Bateu curiosidade? Baixe: www.bandaradiola.com.br/arrede. E não perca o  show: sexta-feira  21 horas, gratuito. Abaixo, se ligue no sensacional (e molhado) clipe para uma das melhores faixas do disco, Oportal.


OSBA: CARLOS PRAZERES ADIANTA DESTAQUES DA TEMPORADA 2013

Maestro conversou com repórter logo após ensaio para o Cine Concerto do domingo passado. Concerto de abertura, que seria hoje, foi adiado por conta da greve nacional de seguranças

Fotos: Adenor Gondim / Divulgação

Enquanto o sol inclemente do meio-dia torturava os passantes do lado de fora, no interior refrigerado do Teatro Castro Alves, os acordes vibrantes de John Williams para o tema de E.T. ribombavam pela acústica perfeita da Sala Principal.

A música termina e o maestro Carlos Prazeres diz algo aos músicos, que logo retomam o último trecho da peça.

Satisfeito com o resultado, maestro e orquestra entram pelo tema do Superman. E depois, pelo de Rocky, Um Lutador.

Alguém sugere que Prazeres faça a regência de calção de boxe e depois suba correndo as escadarias do TCA – em referência à famosa cena de Sylvester Stallone saltando os degraus do Museu de Arte da Filadélfia –, para risos gerais.

Foi nesse clima leve e bem-humorado que a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) realizou seu ensaio na sexta-feira passada, para o Cine Concerto do último domingo – que aliás, não deu para todos que quiseram. A fila, segundo relatos de testemunhas, bateu na altura da agência do Bradesco (Garcia).

“Não imaginamos o tamanho do sucesso do Cine Concerto”, confessa Prazeres, durante entrevista, logo após o ensaio de sexta-feira.

“Deu tão certo que vamos desdobrá-lo com o Cine Concerto Kids, para outubro, com temas de desenhos animados como Tom & Jerry, Pernalonga, Pica-Pau e outros”, adianta.

Mas a Osba 2013 ainda reserva muitas surpresas ao longo do ano. “2013 promete ser absolutamente especial para a Osba. A Orquestra está de fôlego renovado graças ao programa de residências, que diminuiu bastante as baixas de músicos”, garante Prazeres, referindo-se aos músicos  contratados em regime de residência e que sanaram, ao menos temporariamente, um sério problema de esvaziamento da Orquestra.

“A Osba passou por um momento grave em 2012. Mas agora está bem melhor”, diz.

O jovial maestro, aliás, acaba de fixar residência em definitivo na cidade, a fim de se dedicar exclusivamente à gerência da Orquestra.

“O clima está ótimo e a Osba está em ascenção. Fizemos progressos nos últimos dois anos. Por isso mesmo, precisamos, mais do que nunca, do apoio das autoridades”, diz.

Ano pianístico

“E esse apoio tem sido dado. Mas é importante ressaltar que, apenas dois meses após a chegada dos músicos residentes, a Osba já estava lotando a Sala Principal do TCA. A verdade é que, neste momento, ela nunca esteve tão unida e empenhada em representar nossa riqueza cultural”, afirma.

Visivelmente entusiasmado, Prazeres adianta diversos destaques da programação da Orquestra ao longo de 2013.

“O concerto de abertura da temporada é emblemático para este ano, que chamamos de ‘pianístico’. Começamos com a participação do solista convidado, o pianista carioca José Feghali, que executará uma sinfonia fortíssima, a Quinta de Dimitri Shostakovich”, conta.

Os outros pianistas convidados ao longo de 2013 serão os brasileiros Jean Louis Steverman e Ricardo Castro, além da francesa Helene Grimaud.

“Será o ápice. Ela é uma das maiores do mundo. Vem em maio para fazer o Concerto Nº 5 Para Piano e Orquestra, de Beethoven”, avisa Carlos Prazeres.

Outros convidados são o baixo lírico Denis Sedov (russo), os maestros Enrique Diemecke (mexicano, das Sinfônicas de Buenos Aires e Bogotá) e Francesco La Vecchia (italiano, da Sinfônica de Roma).

“Há ainda as possibilidades de uma parceria com o Balé do TCA para  A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, e de uma turnê da Osba, para 2014. Mas já este ano vamos viajar com Gilberto Gil para algumas capitais”, comemora Prazeres.


OSBA 2013: DESTAQUES DA TEMPORADA
  • Drummond em “Conserto”: Gratuito, em março, no Teatro Eva Herz, com peças de Guerra-Peixe e Ernani Aguiar, entre poemas do homenageado
  • 100 Anos de Walter Smetak: Com participação do grupo mineiro Uakti
  • 200 Anos de Richard Wagner: Concerto de gala em homenagem ao compositor
  • 200 Anos de Giuseppe Verdi: Concerto de gala em homenagem  ao compositor
  • Cine concerto Kids: Temas de desenhos animados famosos
  • Metrópolis: Exibição do clássico filme (1927) de Fritz Lang, com trilha ao vivo
  • Noite Americana: Concerto com peças de Leonard Bernstein, George Gershwin e Aaron Copland, com participação de Wagner Tiso
  • Gravação de disco: Antiga reivindicação. Será em homenagem a Jorge Amado, com a participação do Olodum (em negociação)
  • Pedro & O Lobo: Clássico infantil de Sergei Prokofiev, para outubro
  • Circulação: Turnê com Gilberto Gil, concerto no Festival Villa-Lobos (RJ), concertos no interior
Fonte: Carlos Prazeres / Osba

Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) – Concerto de Abertura da Temporada 2013 / Solista: José Feghali (piano) / Amanhã, 20 horas / Teatro Castro Alves / R$ 20 e R$ 10

Concerto adiado por conta da greve nacional de seguranças. Uma nova data será divulgada pelo Teatro Castro Alves em breve.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

O SEGREDO DAS ÁGUAS

Influenciados pelo elemento líquido, o duo Dois Em Um lança, HOJE, com show na Sala do Coro do TCA, seu segundo álbum, Agora

Quando Luisão Pereira e Fernanda Monteiro entraram, roupas e tudo, nas águas calmas de uma lagoa da Reserva da  Sapiranga (a 82 quilômetros de Salvador) para uma sessão com a fotógrafa Mayra Lins, não faziam ideia de que estavam, ali mesmo, resumindo o conceito que iria permear todo o seu segundo (e aguardado) álbum, Agora.

“Quando a gente marcou essa sessão com Mayra,  nem tinha intenção de virar a capa. Mas as fotos acabaram  dominando tudo. Se espalharam pelo encarte, se tornaram o conceito do disco”, conta Luisão.

“Foi uma coincidência louca, por que, quando o disco tava quase pronto, percebemos que, em quase todo o  repertório, o elemento água estava lá. Até na música do meu tio (a faixa Compadre, do aclamado sambista Ederaldo Gentil, morto em 2012), em que ele diz: ‘Repare a maré’’, acrescenta o músico.

Referências poéticas similares  constam ainda nas faixas  Mar Nos Olhos, Eu Aqui, Um Porto (parcerias de Luisão com o letrista Mateus Borba), Você Tem o Que Eu Preciso (Luisão e Ronaldo Bastos) e Às Vezes (do irmão dele, Tatau Pereira e Expedito Almeida).

“Quando vi tudo isso interligado, sem nenhuma intenção prévia, eu falei: ‘velho...!’”, admira-se Luisão.

Também conhecidos como o duo Dois Em Um, Fernanda e Luisão já tinham estrada na música quando se lançaram em 2008.

Ele é veterano da cena rock local, com passagens pelas bandas Cravo Negro (anos 1980) e Penélope (anos 90).

Ela, carioca, é violoncelista requisitada: já passou pela Osba, Orquestra do Conservatório Brasileiro de Música (RJ) e Orquestra Jovem Petrobras Sinfônica (RJ), além de ter gravado para nomes como Ivete Sangalo, Kid Abelha, Tulipa e Maria Bethania.

Seu primeiro álbum, lançado pelo selo indie carioca Midsummer Madness em 2009, foi aclamado pela crítica brasileira como uma das melhores novidades daquele ano, graças à  sonoridade climática, plena de nuances de bossa nova, eletrônica ambient, indie  e erudito.

Rodaram, fizeram shows pelo Brasil – e, com a moral angariada, faturaram edital do Conexão Vivo - Funceb, que viabilizou a gravação de Agora, que tem show de lançamento hoje, na Sala do Coro do TCA.

Aprendizado na toral

Só que o Dois Em Um que os fãs vão encontrar é um Dois Em Um um tanto diferente do que surgiu – de forma bem tímida – em 2008.

Menos eletrônico e com mais músicos no palco, além de uma Fernanda mais desenvolta e segura em sua dupla função de cantora e violoncelista.

“Não notei isso durante a gravação do disco. Na verdade, só depois que ouvi tudo pronto foi que eu percebi: mudei”, confessa a musicista.

“Uma coisa que eu acho gritante é  o lance da voz, que tá mais pra fora. Antes eu era muito contida, não sabia direito o que estava fazendo. Aprendi (a cantar) gravando”, confessa.

Ao vivo, depois de muitos shows em diversas cidades e para as mais diferentes plateias, Fernanda também se sente mais segura: “Com esse segundo disco, deu uma soltada no lance de  cantar e tocar ao mesmo tempo ao vivo. Os shows  fazem você perder  certos medos. A gente vai aprendendo na tora mesmo”, diverte-se.

No disco,  participações dos irmãos Tulipa e (o guitarrista) Gustavo Ruiz (em Saturno), Letieres Leite (arranjos de sopro em Matinê), Rebeca Matta (Festim), o pianista Humberto Barros, o letrista hitmaker Ronaldo Bastos (ambos em Você Tem o Que Eu Preciso) e o baixista (do Cidadão Instigado) Regis Damasceno (Uma Valsa).

Presentes ainda os não menos ilustres João Meirelles e Gilberto Monte (programações), Emanuel Venâncio  (bateria), Nancy Viegas (voz) e os músicos da Osba André Becker (flauta), Pedro Robatto (clarineta), Abner Silva (fagote), Josely Saldanha (trompa). Alexandre Casado (violino), Laura Jordão (viola) e Adrian Shaw (vários instrumentos).

Hoje, nenhum desses sobe no palco com a dupla, mas agora eles contam com uma ótima banda: CH Straatmann (baixo), Felipe Dieder (bateria)  e nana  (teclados).

“Depois vamos fazer Rio e São Paulo com certeza. Só estamos fechando as datas”, conclui Luisão.

Dois em Um / Lançamento: “Agora” / Hoje, 20 horas / Sala do Coro do Teatro Castro alves / Ingressos: R$ 10 e R$ 5

Agora / Dois Em Um / Conexão Vivo / CD: R$ 15 (preço promocional, só no show) / R$ 25 (preço na loja) / Download grátis: www.doisemum.com


domingo, fevereiro 24, 2013

UMO: A MELHOR BANDA DO MUNDO, HOJE (ao menos para o blogueiro...)

Comentei sobre essa banda, a Unknown Mortal Orchestra, nos comments (DUH!) há algum tempo e, desde que a descobri, por puro acaso, não consigo parar de ouvir.

Só isso já é motivo o bastante para este post estritamente pessoal e extraodinário aqui no blog.

Por que? Por que acho que a última vez que isso aconteceu comigo foi em 2009 (ou 2010?), quando topei com o Brothers, do Black Keys.

São duas bandas de perfis TOTALMENTE diferentes, mas as duas me pegaram pelo pescoço, coisa cada vez mais rara hoje em dia - especialmente para alguém como eu, que tem como parte de suas funções profissionais diárias ouvir música e descobrir coisas novas.

O que me impressionou foi o total acaso com que topei com a UMO. Tava fazendo minha ronda diária por aqui, checando a seção Indie, a fim de arriscar. Fui atraído pura e simplesmente por esta imagem:



Uma moça em um campo com uma espada em um traje diáfano esvoaçante (que viadagem), sem nada por baixo (uhú!).

Sem nome na capa, sem título, porra nenhuma. Movido pela curiosidade pura e simples, cliquei no vídeo do You Tube logo abaixo, com o áudio da segunda faixa do álbum, Swim And Sleep (Like A Shark).

Foi paixão fulminante à primeira audição. Despojada, a música começa com uma simples virada de caixa na bateria, tão elegante quanto exata. O riff de guitarra que segue a reboque é outro primor melódico de simplicidade desconcertante.

Aí vem o vocal, uma voz suave, ainda que ligeiramente rouca, cantando a delícia que deve ser "nadar e dormir como um tubarão".

Psicodélica, mas sem excessos, Swim And Sleep (Like A Shark) parece algo vindo de outra dimensão, alguma banda psicodélica dos anos 60 que nunca existiu nesta realidade e sim, em um mundo paralelo, e que caiu aqui por alguma fenda dimensional entre este mundo e algum outro (é, ando assistindo muito Fringe).

Entusiasmado, baixei o disco imediatamente e, que grata surpresa, o nível do resto do álbum é o mesmo - não é mais uma banda de um hit só.

Olha aqui o clipe sensacional para a terceira faixa, outra obra-prima intitulada So Good At Being in Trouble:



O clipe é ótimo, tem o ator norte-americano Christopher Mintz-Plasse (os inesquecíveis McLovin', de Superbad e Red Mist, de Kick-Ass), como um sujeito que tenta livrar sua namorada de um culto hippie fanático estilo Charles Manson. E a música é melhor ainda.

II, o álbum em questão, é o segundo desta banda, que vem a ser um trio, formado por Ruban Nielson (voz e guitarra), Jake Portrait (baixo)e Riley Geare (bateria).


Nielson, segundo o Wikipedia, postou uma música em seu perfil no Bandcamp, chamada Ffunny Ffrends.

Não tinha nenhuma informação no post. Mas a música era tão interessante que blogueiros começaram o burburinho em seu torno, até que o rapaz intitulou sua banda como Unknown Mortal Orchestra.

O primeiro disco, autointitulado, saiu em 2011 foi de imediato elogiado pelo Pitchfork e demais sites e blogs de música independente.

O segundo disco, o II, que me chamou atenção, saiu em setembro de 2012. De lá para cá, excursionaram com darlings indies como Grizzly Bear e Foxygen.

É uma banda em ascenção, que acredito (ser uma das poucas a) valer a pena acompanhar, para ver no que vai dar.

Espero que vocês também curtam. Abaixo, o II completo, no You Tube.


quinta-feira, fevereiro 21, 2013

MICRO-RESENHAS COM AÇÚCAR E COM AFETO (MAS SEM VIADAGEM!)


Quatro lugares diferentes

Referência mundial do rock hispânico, a banda mexicana Café Tacvba gravou este novo álbum em quatro cidades diferentes: Santiago, Los Angeles, Buenos Aires e Cidade do México, sempre com fãs convidados, assistindo tudo, dentro do  estúdio. O resultado é um álbum com pegada eminentemente eletrônica, mas de caráter bem intimista. Com belas composições, o destaque é, como sempre a voz muito particular (e bela) do cantor Ruben Anónimo Albarrán, que dá um show em faixas como Pájaros, Aprovéchate e Yo Busco. Ótima banda, em grande forma. Café Tacvba / El Objeto Aantes Llamado Disco / Universal / R$ 29,90





The Blues Bob

Bluesman de sucesso popular nos anos 1980, Robert Cray mantém uma carreira estável, lançando bons CDs aqui e ali. Neste mais recente, ele segue em alto nível, com blues viscerais e sofisticados, como I’ll Always Remember You e Side Dish. Grande Bob. Robert Cray / Nothin But Love / Som Livre / R$ 27,90









Stoner do agreste

Se os ianques se inspiraram no deserto do Mojave para o stoner rock de Queens of The Stone Age e similares, os cearenses da Full Time Rockers tem  o sertão nordestino. Resultado: dez pancadas sujas e malvadas do legítimo stoner rock do agreste. Full Time Rockers / 24.7 / Panela  - Brechó / R$ 10

 








"A melhor série Vertigo não publicada pela Vertigo"

O inglês Jamie Delano, um dos escritores fundadores do selo Vertigo, tem lançada no Brasil sua HQ mais elogiada. Nação Fora da Lei é a saga de uma família de foras-da-lei que atravessa um século inteiro de história dos Estados Unidos. Sangrenta, frenética, pé na estrada, não poupa ninguém. Nação Fora da Lei: Sangue Entre Irmãos / Jamie Delano, Goran Sudzuka e Goran Parlov / Gal / 256 p. / R$ 49,90 / galeditora.com.br








Fake movie

Com a premiada adaptação ainda em cartaz nos cinemas, chega às livrarias o livro Argo, no qual o agente da CIA Tony Mendez conta como, a partir de um plano absolutamente esdrúxulo, conseguiu libertar diplomatas americanos sitiados na embaixada americana de Teerã pós-revolução islâmica. Eletrizante. Argo / Antonio Mendez e Matt Baglio / Intrínseca / 256 p. / R$ 29,90 / intrinseca.com.br

 





Oz Mágico e Poderoso original

Assim como Monteiro Lobato, o escritor norte-americano L. Frank Baum (1856-1919) escrevia para crianças, mas sem jamais subestimar a inteligência infantil. Não a toa, sua obra-prima, O Mágico de Oz, é até hoje considerado um clássico. Nesta linda edição em capa dura, as ilustrações originais de W. W. Denslow. O Mágico de Oz / L. Frank Baum / Zahar / 224 p. / R$ 19,90 / E-book: R$ 13,90 / zahar.com.br

 





Causos do samba

Quando Ubá, cidade-natal de Ary Barroso, o homenageou com a inauguração de um busto e três dias de festa, o celebre compositor de Aquarela do Brasil acordou cedo no dia seguinte: queria ser o primeiro a inaugurar a estátua com uma mijada antes que algum gaiato o fizesse. Este e muitos outros causos saborosos do samba, compilados por Marcos Alvito, estão neste divertido livro. Histórias do Samba / Marcos Alvito / Matrix/ 136 p./ R$ 29,90/ matrixeditora.com.br

 





Monstro sagrado

Patrimônio musical do Brasil, Dominguinhos segue internado em São Paulo, em quadro estável. Mande boas vibrações a este gênio do forró ouvindo este LP de 1987, recuperado agora em CD. Gostoso que só, são doze faixas plenas da musicalidade e do romantismo nordestino. Dominguinhos / Seu Domingos / Discobertas - Warner / R$ 24,90

 






Macy Wonder

O clássico LP Talking Book (1972), de Stevie Wonder, ganhou releitura de cabo a rabo da fantástica Macy Gray. Sem (re)inventar a roda, ela empresta sua rouquidão sexy aos hits  You Are the Sunshine of My Life, Superstition etc. Simples, eficiente, belo. Macy Gray / Talking Book / Lab 344 / R$ 34,90









Prog-rock contemporâneo do bão

Formada por ex-membros do Mogway (post rock) e Iron Monkey (alt.metal), a banda Crippled Black Phoenix se saiu com um épico álbum duplo conceitual de prog rock como há muito tempo não se ouvia. Denso, dramático, pra lá de Pink Floyd. Ótimo. Crippled Black Phoenix / (Mankind) The Crafty Ape / Som Livre / R$ 34,90

 









Versos que falam

Professor do Instituto de Letras da Ufba, o brasiliense Sandro Ornellas (assina como So), soltou um punhado de belos versos sobre Salvador em um contexto bem atual, entre outros temas. Tipo: “cidade de cala-boca/(...)/ é a tradição de sobrenomes e heranças que manda”. Formas de Cair e outros poemas / Sandro SO / Letra Capital / 90 p. / R$ 20 / letracapital.com.br







O velho oeste do Brasil

Entre os séculos 17 e 20, a cidade goiana de Catalão, centro distribuidor de ouro e pedras preciosas da região, foi cenário de tiroteios, assassinatos, linchamentos e outras delicadezas. Aqui, Santana, catalano nativo, dá uma geral na sangrenta história da cidade. Herança de Sangue: Um Faroeste Brasileiro / Ivan Sant'Anna / Companhia das Letras / 200 p. / R$ 34,50 / companhiadasletras.com.br

 





Tiras de Oslo

Estrela maior do emergente cenário nórdico de literatura policial, o norueguês Jo Nesbo traz de volta seu anti-herói, o detetive alcoólatra Harry Hole, para atuar em mais um cabeludo caso no impiedoso inverno de Oslo. Quem ainda não conhece deveria assistir ao filme Headhunters, baseado no seu livro homônimo, para ver do que ele é capaz. O Redentor / Jo Nesbo / Record / 420 p. / R$ 39,90 / record.com.br

 







The beat letters

Depois da avalanche de lançamentos em torno de Na Estrada, o filme, surge agora este precioso volume contendo a extensa correspondência trocada entre os dois maiores nomes da geração Beat. Cobre o período crucial do movimento, de 1944 até 1963. Inclui fac-símiles das cartas originais. Jack Kerouac e Allen Ginsberg: As Cartas /  B. Morgan e D. Stanford /  L&PM / 528 p. /  R$ 59 / lpm.com.br

terça-feira, fevereiro 19, 2013

BREAKOUT BRASIL: FINALMENTE, UM REALITY MUSICAL INTERESSANTE

Reality shows de música costumam ser espetáculos constrangedores para quem, de fato, aprecia música. O padrão imposto passa longe  de ser interessante, já que parece fechado no esquema Whitney Houston: gritaria demais, criatividade de menos.

Já o Breakout Brasil, que estreia em março no canal Sony Spin, segue outro caminho, com uma diversidade bastante evidente entre os concorrentes.

Parceria da Sony com o Google, o programa oferece ao vencedor um contrato de gravação com a major. Para selecionar os cinco finalistas que vão estrelar os episódios semanais do reality, foram recebidas mais de duas mil inscrições.

Após uma fase de votação pela internet, um painel de jurados chegou à lista final, composta pelas bandas Cartoon, Dias de Truta, Hewie, Paranoika e o rapper baiano Mr. Armeng.

Além do apresentador Edu K (da clássica banda gaúcha De Falla), os artistas estarão cercados por feras do mercado: Dudu Marote (Skank, J. Quest) é o produtor fonográfico.

E o jurado conta com Anna Butler (ex-diretora da MTV), Marcello Lobato (empresário de Marcelo D2 e Pitty) e André Pacheco (executivo da Sony Music).

Uma surpresa a cada dia

No papel de “expert”, como é definido no programa, o premiadíssimo produtor Dudu Marote coloca sua vasta experiência a serviço dos concorrentes: “Vou fazer o que sempre fiz, que é o trabalho de produtor: orientar os artistas  a chegar em um resultado que eles nunca nem imaginaram que  fossem capazes”, diz ele, por telefone.

“Além disso, também conto com o artista me surpreendendo”, espera. Ele vê como positiva a  diversidade entre os concorrentes, mas também reflete que a velocidade de desenvolvimento muda muito de um artista para o outro.

“Como é uma competição com uma tarefa a cada programa, o  artista tem que reagir rápido. É um tiro curto, digamos assim”, observa.

Em uma produção fonográfica “normal”, costuma haver tempo para trabalhar. “Se o disco tem dez músicas e só sete estão OK, trabalhamos as outras três. No programa, esse tempo se reduz a poucas horas. É uma experiência muito louca até para mim”, diverte-se.

Já Ana Butler conta que essa diversidade não estava programada: “A gente não pensou: ‘vamos pegar um artista do estilo x, outro do  estilo y’”, diz.

“Como todo mundo (da equipe do programa) trabalha com música há muito tempo, já tem essa ideia do que é bom mesmo. Então, a intenção nunca foi que (as músicas) sejam apenas radiofônicas, mas que tenham qualidade”, garante Ana.

Para sua felicidade, Ana se diz surpreendida pela qualidade geral dos artistas: “Eu sou super controladora, achava que já sabia de tudo. Que nada! Cada dia tinha uma surpresa que mudava tudo, justamente por que é um  grupo muito heterogêneo. Para mim, esse foi o grande achado programa”, acredita.

Concorrente baiano, Mr. Armeng elogia a produção: “Com certeza, ninguém chegou lá por acaso. Todas as bandas são de alto nivel”, garante.

Breakout Brasil / estreia: 21 de março, às 21 horas / Sony Spin / SKY:  Canal 83 /  Vivo:  Canal 542 / Claro:  Canal 80 / Oi: Canal 74 / GVT: Canal 97 / Vivo: Canal 37 /  NET:  Canal 90

Saiba mais: http://br.sonyspin.com/shows/breakout-brasil/breakout-brasil


Concorrente baiano, Mr. Armeng faz rap sem cara feia

Mr. Armeng, que no Breakout Brasil praticipa acompnhado do  DJ Gug e do percussionista e compositor Tiago da Lua, não é exatamente um rosto desconhecido. No ar em um anúncio da TV Bahia em que, ao lado de uma modelo, incentiva práticas de cidadania e  hospitalidade aos turistas, Maurício Souza circula no meio artístico  não é de hoje.

Filho de Guiguio, cantor do Ilê Aiyê, ele convive com músicos dentro de casa desde que se conhece por gente.

“Comecei tocando reggae, mas depois descobri como produzir no computador. Aí as coisas fluíram”, conta.

Logo se identificou com o hip hop. Passou pelo  grupo Cabeça Ativa e fundou com DJ Leandro o estúdio Freedom Soul Records.

“O pessoal só cantava em cima de bases de rap americano. Nós mudamos isso, partindo para música brasileira e inserindo guitarra e baixo”, diz.

"Eu tenho historia dentro do rap local. Produzi quase todo mundo que tá aí. Minha história não é vazia. Eu busquei isso", demarca.


Em 2009, para agradar uma namorada, fez um rap chamado Vem Cá. Com o clipe da faixa A Noite é Nossa (dirigido por Max Gaggino), assumiu de vez o  tom sedutor.



“Vou atrás do meu objetivo. Eu não fico me escondendo, essa coisa de que o rap não pode sorrir. A gente tem é que ser feliz, subir no palco bonito, ter orgulho de onde vem. Não acredito nessa coisa do rap  só falar de  violência”, reivindica.

"O hip hp surgiu para diminuir as guerras de gangues. Afrika Bambaataa trouxe essa mensagem para que as pessoas cultuassem a musica, a dança, o grafite. E não a violência. Precisamos é de ideias positivas. Quero levar arte, cultura e informação para as pessoas", exorta.

"Até curto gangsta rap por que curto mesmo todo tipo de rap. 50 Cent é um dos caras que eu mais admiro. Mano Brown é o maior poeta do hip hop brasileiro em todos os tempos. Marcelo D2, Emicida, RZO, Criolo, o pessoal de Salvador... Eu escuto todos os estilos. Mas minha música eu procuro fazer do meu próprio jeito", garante Armeng.

Plenamente seguro de si, não se abala com possíveis críticas de rappers mais duros: "Quando um trabalho surge, a critica vem, é natural. A crítica existe por que o trabalho existe. E depois, recebo muito mais elogios do que crítica (desfavoável)", raciocina.

Armeng se inscreveu no programa sem grandes pretensões, por sugestão da namorada. "Tava na casa do meu pai, aí passou na TV o comercial com a chamada para as inscrições. Minha mamorada falou 'por que você não se inscreve'? Vou mesmo, pensei. Me inscrevi meio sem pretensão, mas comecei a pedir para o pessoal votar pela internet. A gente não costuma acreditar muito nessas coisas de TV, mas quando vi, eu tava entre os 40 mais votados. Depois tava selecionado entre os cinco para participar do programa. Cara, foi uma felicidade imensa. Larguei tudo, tava trabalhando de assistente de câmera, tive que largar. Por que é isso que eu amo fazer. Cancelei shows e tudo. Fui lá, felizão por representar a Bahia e o bairro do Nordeste de Amaralina, poder mostrar para as pessoas daqui que somos capazes, que somos inteligentes, que temos cultura e o mundo precisa nos ver, nos conhecer, nos ouvir", discursa.

Ciente de que ainda tem uma longa estrada a percorrer, Armeng se define como "um embrião. Ainda tô buscando os nutrientes para poder crescer, amadurecer e dar frutos que as pessoas possam consumir",
conclui Armeng.

CONHEÇA AS OUTRAS BANDAS CONCORRENTES:

CARTOON
De Belo Horizonte (MG), é a “veterana” da competição: desde 1995 na ativa, a banda faz um som calcado no rock progressivo e no folk, com todas aquelas mudanças no andamento das canções. Influências: Yes, Queen, CSNY




PARANOIKA
Banda curitibana de certo hype, trafega com desenvoltura pelo terreno electro rock desbravado por bandas como CSS e Copacabana Club. Até gatinha no vocal eles têm. Influências: Garbage, Goldfrapp, The XX





DIAS DE TRUTA
Original de Divinópolis (MG), o quarteto faz rock‘n’roll sem firulas e em bom português. Contam com um álbum gravado, disponível para download no www.diasdetruta.com.br. Influências: Raul Seixas, Barão Vermelho




HEWIE
Paulistana, a Hewie se caracteriza pela abordagem acústica para o seu pop contemporâneo, incluindo violino e bandolim. Na linha de frente, a vocalista Paula Landucci. Influências: Mallu Magalhães, Owl City

Todas as fotos: Thiago Bernardes – FramePhotos

sábado, fevereiro 16, 2013

MÁRIO MEMÓRIA PARTE 2

Diário do rock 2 – O natal rock’n´roll

Por Mário Jorge Heine, ex-baterista das bandas Úteros em Fúria e Penélope

Sempre fiquei na dúvida se fazer um show no natal foi genialidade ou maluquice.

Mentira, nunca tive dúvidas, para mim sempre foi genial.

Nos idos de 1992 quando chegava as 10h30 da noite de natal já não tinha mais o que fazer, então, um show era tudo que se podia esperar de mais legal.

Ainda mais que não tinha bafômetro, podia tomar “os goró de natal” e se mandar na tranqüilidade... Alguém já viu guarda na rua na noite de Natal?
Edson foi o idealizador desse “negócio”. Ele era dono da “Sound + Vision”, loja alternativa mais legal da cidade.

Tinha um grande acervo de vídeos raros, discos obscuros e camisetas “pretas”. Muitos vídeos VHS copiamos lá... Lembro muito bem do Jane´s Addiction ao vivo em Milão! Piratão maravilhoso de qualidade horrorosa.

O mais impressionante é que Edson conhecia cada vídeo e cada disco com detalhes, era um profundo conhecedor do rock e dono de uma memória implacável. Mas não era um produtor de shows.
Os shows rolaram na Krypton, boate no Jarim dos Namorados (hoje a Madrre, salvo engano). O Dr. Cascadura em noite “Gangrena Gasosa” iniciou a festa. Rockão clássico do bom, vestimenta de capoeira e no final do show Fabio pelado e uma galinha preta pulando em cima do palco. Não preciso comentar mais nada.

O Mercy Killing veio na seqüencia com seu metal competente e inabalável. Os shows deles eram sempre muito bem ensaiados e profissionais (Inclusive ganharam o “Troféu Sound+Vision” de melhor show de 1993).
A platéia era heterogênea: bangers, playboys, punks, rockabillys, surfistas, meninas belas... 

Não tinhamos um público segmentado, agregávamos tribos em harmonia: as pessoas iam para a diversão e pronto.
Enquanto rolava o show do “meu siquilho”, no backstage a situação era a seguinte: Apú e Evandro completamente transtornados... Fora de órbita.

Borel nervoso gritava com Apú - que nem ouvia. Evandro ouvia e dizia coisas como: “sim... é...calma, rei...” e Borel começava a ser mais agressivo, quase que estapeando Evandro.

Eu não estava bom, mas pelo menos, me lembro de algumas coisas...
Tinha que subir no palco e tocar. E assim foi. O show começou e até o seu final, Evandro ficou um compasso atrasado.

Quando ele conseguia mudar a nota, já estava na próxima... Isso quando ele não estava “viajando” no reflexo da iluminação do palco na placa do contra-baixo.

Apú colocou um chapéu de cowboy, abaixou a cabeça e tocou todo o show em mi. Eu não lembro de ter “prejudicado” a bagaça, mas, com certeza, não ajudei.
Mauro e Borel tiveram que segurar a onda do show e foi o que Deus quis...

Reforçando a máxima de que um show de rock’n’roll é feito por um vocalista carismático e um guitarrista talentoso.
Mais ou menos assim foi o “Natal Rock ’n’ Roll”.
A visão da plateia, por Franchico:
Lembro que virei umas doses do uísque (Johnny Walker Red Label? Black & White? Dimple? Não lembro.) da minha avó (era Natal, então ela liberou), botei uma camiseta preta sem mangas (eu mesmo que tesourei, natoralmente) e fui pra Krypton já meio doidão, de buzú mesmo.

Morava perto, na Pituba. Na porta da Krypton, a galera ficava dando um tempo bebendo cerveja e jogando conversa fora antes de entrar - como em qualquer show. Encontrei a galera, entrei.

Não vi Fábio pelado - garaças a Deus! Ele mandou apagar as luzes antes de tirar a roupa. Mas lembro que aconteceu isso, além de uma galinha preta pulando e farofa pra todo lado jogadas pelo palco. (Acredito que Joe Tromondo, que ainda tocava baixo na banda nessa época, deva ter ficado nu também. Joe nunca precisou de convite pra tirar a roupa no meio do povo).

Era Natal, por Jah! O que tínhamos na cabeça? Enfim.

No caótico show da Úteros, lembro que dei um mosh meio mal-sucedido - não teve um filha da puta pra me segurar.

Minto. Teve Rivelino, brother da galera de Ipitanga, que na verdade, não me segurou. Eu que despenquei em cima do pobre coitado. Caímos juntos no meio da plateia. Acho que machuquei o ombro.

(Depois disso, nunca mais brinquei de dar mosh. Eu gostava mesmo era de curtir os shows da beira do palco, batendo cabeça).

Não tenho muita lembrança do show ter sido tão ruim da parte dos músicos. Não só eu ainda não tinha muita noção de porra nenhuma, como meu estado também não ajudava a manter o foco de atenção em nada.

Mas percebi que as execuções não estavam tão afiadas como nos shows do Mata Hari, por exemplo. Acho que o som tava meio pastoso. Minha boca também, assim como meu cérebro.

Na saída, percebi que tinha perdido meu relógio (depois disso, evitei usar relógios em shows de rock). Foi muita cachaça, então não lembro mais de muita coisa - nem de como voltei pra casa.

Só se tem 20 anos uma vez na vida.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

MICRO-RESENHAS INAUGURAIS DE 2013....

Discoteca básica remasterizada

Um dos grandes clássicos dos anos 1970, Machine Head (1972) estabeleceu de vez o nome do Deep Purple no panteão dos deuses do rock. Nesta simples edição comemorativa de 40 anos, remasterizada, os hits Smoke on The Water, Highway Star, Never Before etc. Básico e genial. Deep Purple / Machine Head / EMI / R$ 34,90










Grande banda, disco mediano

Uma das melhores bandas do rock atual, a norte-americana Band Of Horses chega ao quarto disco arriscando diluir sua proposta original de indie rock denso e enraizado no country rock. Ainda assim, tem bons momentos, como Knock Knock, Dumpster World e Feud. Band Of Horses / Miarge Rock / Som Livre / R$ 34,90










Lá vem o sol

O verão sem fim dos Beach Boys seguiu em alta no ano que passou com o primeiro LP inédito em décadas, That’s Why God Made The Radio – cuja  faixa título já consta neste Greatest Hits. Complete com os hits de sempre, acrescente um pôr do sol  e seja feliz. The Beach Boys / Greatest Hits / EMI / R$ 34,90









Lá vai o Sol

No rescaldo da agressão punk inglesa, muitas bandas trocaram a pura violência pelo desespero, o niilismo típico da era atômica. O Bauhaus levou a receita ao paroxismo e marcou época com hits góticos clássicos como Bela Lugosi’s Dead, The Passion of Lovers, Double Dare, In The Flat Field e muitos outros. Ótima coletânea para neófitos ou velhos fãs. Bauhaus / Crackle: The Best Of Bauhaus / LAb 344 / R$ 29,90









Peso, loucura, sensualidade

A banda californiana Deftones foi a única coisa respeitável surgida na onda nü metal dos anos 1990. No novo CD, ela segue com sua competente fórmula de rock pesado (paredões de distorção) com toques de sensualidade e tormenta psicológica. Deftones / Koi No Yokan /  Warner / R$ 34,90











Delícia acústica

A cantora paulista Blubell se juntou ao trio acústico Black Tie e o resultado é um adorável conjunto de releituras quase eruditas, mas sempre muito alegres de clássicos como My Generation (Who), Love For Sale (Porter), Ben (M. Jackson)e outras. Blubell & Black Tie / Blubell & Black Tie / Borandá / R$ 27,90










Tudo o que você sempre quis saber sobre filosofia, mas tinha medo de perguntar

Se há quem ache que “só é possível filosofar em alemão”, também há quem tente traduzir a filosofia em linguagem compreensível para os demais terráqueos. E se utilizando até – imaginem – do  humor! Recomendado para leitores a partir dos 15 anos, tamanha a acessibilidade. Uma breve história da filosofia / Nigel Warburton / L&PM / 264 p. / R$ 42 / www.lpm.com.br







Brutalidade biografada

Uma das mais radicais e adoradas bandas de heavy metal do mundo, o Slayer ganha esta biografia em português – de leitura obrigatória para os fãs, já que a bibliografia brasileira do gênero ainda é bem parca. Razoavelmente atualizada, cobre a trajetória dos californianos até 2008. O Reino Sangrento do Slayer / Joel McIver / Ideal / 272 p. / R$ 39,90 / www.edicoesideal.com









Nunca bata em um sujeito de óculos

Lançado em 1945, Foco foi um dos primeiros romances norte-americanos a meter o dedo na ferida do preconceito contra os judeus dentro dos Estados Unidos. O toque de mestre de Arthur Miller foi fazer de um declarado antissemita o objeto do preconceito alheio. Atual como nunca. Foco / Arthur Miller / Companhia das Letras / 264 p. / R$ 39,50 / www.companhiadasletras.com.br







Gangster clássico

Belíssima adaptação do clássico romance noir Scarface, de Armitage Trail (1902-1930), pelo quadrinista francês Christian De Metter. Inspirado na vida de Al Capone (1899-1947), conta a ascensão e queda de um mafioso ítalo-americano que toca o terror na Chicago dos anos 1920. Scarface  / Armitage Trail e Christian de Metter / Globo / 110 p. / R$ 34,90 / www.globolivros.globo.com







Festão brasuca

O DJ Marcelinho da Lua garimpou o acervo da EMI e se saiu com este espetacular bailão samba-bossa-soul-rock  pronto para varar madrugadas de verão. Tem Elza Soares, Orquestra Tabajara, Marcos Valle, Simonal, Noriel Vilela, Moreira da Silva, João Donato, Marku Ribas. Festão para rachar o assoalho, como se dizia antigamente DJ Marcelinho da Lua e vários artistas / Ya'Ya High-Fi, Volume 1 / EMI / R$ 24,90






Ponte Brasil-Portugal

Filha de portugueses, Ciça Marinho ergue ponte transatlântica com canções daqui e de lá. Seu vozeirão emoldura   Tanto Mar (Chico Buarque),  Barco Fantasma (Ivan Lins), Terras de Mim (P. Saraiva) e Manipulação (J. Fernando). Belo CD. Ciça Marinho / Além Mar, Além de Mim / Multi Laser / R$ 20






Me incluam fora disso

Espécie de Vanguart britânico, Mumford & Sons é a típica banda neofolk que causa tremeliques em hipsters deslumbrados. São doze faixas a base de banjos, letras repletas de clichês de “celebração à vida” e pose calculada. Não a toa, viraram piada na sitcom Two Broke Girls. Mumford & Sons / Babel / Universal / R$ 29,90







Alquimia pop-erudita

Virtuose do acordeom, Ferragutti mistura popular e erudito em um álbum de sonoridade encantadora e sofisticada, mas não complicada. Gravado ao vivo, traz a fera acompanhada de violinos, cello, clarineta, viola, piano etc. Lindo. Toninho Ferragutti / O Sorriso da Manu / Borandá / R$ 29,90









Ninguém chamou, mas eles voltaram assim mesmo

Primeiro álbum de estúdio do quarteto irlandês (não é o U2) em 11 anos, Roses traz uma Dolores O’Riordan menos histérica do que de costume, em faixas de acento suave como a faixa-título e Waiting in Walthamstow. Quem é fã vai curtir. A versão de luxe vem com um segundo CD ao vivo, gravado na Espanha.. The Cranberries / Roses (De luxe Edition)  / Lab 344 / R$ 44,90







Vergonha nacional

Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo à época do “suicídio” de Wladimir Herzog, Audálio Dantas faz aqui a biografia do jornalista iugoslavo naturalizado brasileiro, jogando mais luz sobre um dos episódios mais vergonhosos da ditadura militar – e que ainda aguarda uma solução e nem apontou os culpados. As duas guerras de Vlado Herzog / Audálio Dantas / Civilização Brasileira / 406 p. / R$ 39,90 / www.record.com.br






Zen de resultados

Entre as muitas biografias e estudos da vida e do pensamento de Steve Jobs, este livro se destaca por duas razões: é uma HQ e centra sua narrativa na relação do homem da maçã com seu guru, o sacerdote Zen Budista Kobun Chino Otogawa. Uma história rica, belamente ilustrada e colorida. O  Zen de Steve Jobs  / Caleb Melby (roteiro)  e JESS3 (desenhos) / Devir / 80 p. / R$ 29,90 / www.devir.com.br






Zen no xadrês

Premiado com o Nobel da Paz 2010, Xiabobo é um dos mais ferrenhos dissidentes políticos chineses. Aqui, ensaios e poemas (escritos na prisão) que cobrem uma vasta gama de assuntos, indo da crítica ao regime à cultura, passando por sociedade e movimento democrático. Não Tenho Inimigos, Desconheço o Ódio / Liu Xiaobo / L&PM / 360 p. / R$ 59,00 / www.lpm.com.br

 




Mestre imortal

Mestre da concisão, Drummond era tão bom cronista quanto poeta. Nesta coletânea original de 1962, textos curtos, leves, bem-humorados e reveladores de sua imensa inteligência, humanidade e generosidade. Drummond é eterno. Leia hoje e sempre. A Bolsa e a Vida / Carlos Drummond de Andrade / Companhia das Letras /  176 p. / R$ 37,50 / www.companhiadasletras.com.br