sexta-feira, junho 28, 2019

VIDAS (E MORTES) PARALELAS

Primeiro romance do baiano Ricardo Cury, Tchau trata com leveza o mais pesado dos temas, sem torna-lo superficial

Ricardo Cury, foto Will Vieira
As verdades mais óbvias são geralmente as mais difíceis de aceitar. A começar pelo fim: vamos todos morrer um dia. A consciência do fim definitivo, que nos distingue dos animais, também faz por nós aquilo que muitos passam a vida inteira evitando: iguala a todos, sem distinção. Grande tema – possivelmente, o maior –,  a morte já rendeu obras-primas em todas as formas de arte.

Destemido, o baiano Ricardo Cury fez do último adeus o tema do seu segundo livro (e primeiro romance): Tchau.

Lançado em maio, após uma campanha de crowdfunding, Tchau tem de cara um enorme mérito: concede inequívoca leveza a um tema que, de outra forma, poderia tornar a leitura de suas páginas tarefa penosa, quase insuportável – ainda mais em dias tão deprimentes quanto estes tem sido.

Outra característica que Cury conseguiu imprimir em sua prosa é a agilidade: escrito em linguagem (baiana) coloquial e com muitos diálogos, suas páginas voam rapidamente pelos olhos e mãos do leitor.

Em suma, Tchau é daqueles livros que muitos são capazes de ler de uma sentada em uma cadeira de aeroporto.

Se a leitura é ligeira, a impressão que ela deixa, porém, é justamente o inverso: seus personagens e seus apuros permanecem na mente do leitor por dias, levando-o a, novamente, encarar o “Jaime”, como dizia aquele velho comercial de TV sobre seguro de vida.

Mas sem traumas: ao longo do livro, são tantas as despedidas sofridas, que duas coisas se transformam na mente do leitor atento.

A primeira é a desmistificação da morte – ops, do Jaime –, a quebra do tabu. “Se nascer é natural, morrer também é”, reflete em dado momento Luiza, a personagem principal. Ponto.

A segunda coisa é a valorização da vida, do momento, do agora. Como muitos bons livros, filmes, músicas, telas etc., a arte serve (também) para isto: nos lembrar de que estamos vivos e que tudo o que temos garantido é o hoje. Amanhã, quem sabe?

E agora é a hora de pedir aquele perdão ao leitor, mas o clichê é absolutamente inevitável: ao falar da morte, Tchau se constitui em uma sincera celebração da vida.

Talvez seja melhor deixar um escritor de verdade, o imortal Ariano Suassuna, resumir este pensamento:  “A arte é uma espécie de protesto contra a morte”.

Encontro fortuito

Tchau segue as vida paralelas de duas pessoas: Luiza, uma jovem psicóloga que trabalha no setor de cuidados paliativos aos doentes terminais de um grande hospital de Salvador, e Zinho, um pescador da mesma idade de Luiza.

Zinho e Luiza tiveram um encontro muito rápido e fortuito  ainda crianças – encontro que, eles nem imaginavam, definiria suas vidas para o resto de suas existências.

Foi em 1985, durante uma viagem de carro pelo sul da Bahia  com a família, que Luiza encontrou Zinho, que também estava acompanhado da mãe e dos irmãos.

Uma parada rápida na cidade de Ituberá  para esticar as pernas, um encontro de crianças, uma foto para guardar o momento.

Luiza e  família entram no carro e vão embora, tchau. A mãe e os irmãos de Zinho entram em uma Kombi e também pegam a estrada.

Zinho, por um motivo qualquer, fica em casa. Minutos depois, no meio do caminho, Luiza e família se deparam com um acidente na estrada. O pai de Luiza, por um impulso qualquer, bate uma foto do acidente.

Enquanto isso, em Ituberá, Zinho recebe a pior notícia de sua vida: sua mãe e irmãos morreram em um acidente na estrada.

A ele agora só resta esperar que Luiza, a menina que lhe havia prometido enviar aquela foto pelo correio, cumpra a promessa.

Afinal, é a única imagem da família viva – e tirada minutos antes do acidente fatal. Conseguirão Zinho e Luiza se reencontrar? Tchan nan nan nan!

Tchau / Ricardo Cury / Edição do autor / 244 páginas /R$ 40 / www.instagram.com/livrotchau

quarta-feira, junho 26, 2019

DA FEITIÇARIA À SEDUÇÃO DA WICCA MODERNA

Estudo clássico do fenômeno, História da Bruxaria, de Jeffrey B. Russell e Brooks Alexander, sai em nova e ampliada edição

Le Sabbat des sorcières (1508), de Hans Baldung Grien
Já dizia aquele outro lá que não acreditava em bruxas, mas que sim, elas existem. De fato, elas existem mesmo. Embora quase nunca sejam tão feias e malignas  como a ficção e a religião oficial as pintou (e também as massacrou) ao longo de séculos.

Isso é o mínimo que se pode aprender lendo a nova e revisada edição do livro  História da Bruxaria, de Jeffrey B. Russell e Brooks Alexander.

Publicado no Brasil pela primeira vez em 1993, pela editora Campus, A History of Witchcraft, de Russell, é considerado um dos mais sérios e completos estudos historiograficos e antropológicos do fenômeno da bruxaria em diferentes povos e cantos do mundo  ao longo da história.

Esta edição, recém-lançada pelo selo Goya, da editora Aleph, é o mesmo livro de 1993, mas amplamente atualizado e vitaminado por Brooks Alexander, colaborador de Russell, com um novo prefácio, uma nova introdução e dois capítulos completamente novos, “que atualizam a história da bruxaria moderna”, escreve Russell na apresentação.

Antes de mais nada, é bom avisar os incautos, se é que já não ficou claro: este livro não ensina ninguém a ser bruxo, não há qualquer receita de feitiço, sortilégio ou “trabalho” aqui.

Trata-se, muito antes disso, de um livro que conta o surgimento e o desenvolvimento da bruxaria – e mais do que isso: mostra como o mito da bruxa má, estabelecido nos primórdios do cristianismo, serviu como uma belíssima desculpa para os poderosos perseguirem e eliminarem  indesejáveis de seus pedaços.

Muito didático, Russell inicia o livro com um capítulo intitulado “O que é uma bruxa?”, no qual demonstra, entre outras coisas, que a figura arquetípica da bruxa de nariz pontudo, gargalhada histérica e montada em uma vassoura (arquétipo de fundo misógino, diga-se de passagem), foi estabelecido ao longo de séculos, abarcando obras que vão desde as pinturas de Francisco Goya (1746- 1828) até os filmes de princesa da Disney.

“Provavelmente, nenhuma bruxa, em tempo algum, jamais teve as características desse estereótipo”, escreve Russell. “Todavia, bruxas existem realmente. De fato, a bruxaria é considerada como uma religião de pleno direito por numerosas instituições, inclusive as forças armadas e os sistema legal dos Estados Unidos”, afirma.

Magic Circle (1886), de John William Waterhouse 
Daí em diante, Russell faz um passeio pelo mundo antigo, tratando dos primeiros registros arqueológicos de atividades de bruxaria em diversas partes do mundo, da Europa à Ásia, passando pela África e Américas pré-colombianas.

Ficção que vira  realidade

Mas o bicho, como se sabe, realmente começou a pegar na idade média, quando a igreja católica começou a associar tudo o que a desagradava à bruxaria. Desta forma, judeus, hereges e dissidentes cristãos, como os cátaros, foram todos jogados no mesmo balaio.

Os que não conseguiram fugir da Europa tiveram um de dois destinos: ou se converteram (os “cristãos novos”) ou foram  perseguidos, torturados e queimados vivos.

Em fins do século 19, a bruxaria foi “reabilitada” após alguns estudiosos afirmarem que bruxaria era, na verdade, uma ancestral religião  europeia pré-cristã, que sobreviveu ao longo dos séculos, a hoje popular wicca ou dianismo.

Russell e Brooks refutam completamente essa hipótese do paganismo pré-cristão dedicado à deusa Diana apontando diversas fontes (historiadores, antropólogos), mas admitem que, de fato, essa narrativa acabou se estabelecendo como “oficial”, influenciando de forma definitiva as diversas correntes e grupos neopagãos dedicados ao culto da Deusa, da Mãe Terra e outras denominações.

Então, quando hoje vemos – aqui mesmo em Salvador eles existem – grupos de homens e mulheres em roupas rituais saudando o sol, a lua cheia, etc, pode acreditar que, de fato, há de tudo ali: um pouco de ficção, um outro tanto de tradição pagã primitiva e sim, também muita fé.

Didático e acessível, História da Bruxaria é leitura altamente recomendável, tanto para quem acredita, quanto para os céticos, pero no mucho.

História da Bruxaria /  Jeffrey B. Russell e Brooks Alexander / Goya - Aleph / 280 páginas / R$ 66,60

terça-feira, junho 25, 2019

EXPERIMENTANDO EM RECIFE E JOÃO PESSOA

Laia Gaiatta se apresenta em duas capitais do Nordeste entre as gravações do primeiro álbum

Laia: Uru, Antenor, o Homem-Alvo (convidado) e Heitor Foto Germano Estácio
Ah, essa Bahia cheia de segredos e surpresas. Até hoje há quem se surpreenda com a tradição de música experimental aqui presente, desde os áureos tempos de Walter Smetak na Escola de Música da Ufba.

Diga-se de passagem, é deste templo do ensino e pesquisa de música que vem este trio baiano, que desde 2013 aparece volta e meia na coluna.

Desta feita, o Laia Gaiatta (art rock experimental, como gostam de se definir) volta à esta página com boas novidades.

Enquanto você lê isto, Heitor Dantas (voz, guitarra e trompete), Antenor Cardoso (bateria, synth e programações) e Uru Pereira (fagote processado) embarcam rumo a Recife e João Pessoa, onde se apresentam na quinta (JP) e na sexta-feira (Recife).

Na Paraíba, o trio se apresenta com participação da  performer Isaura Tupiniquim.

Completam a night  Vermelho Marte, septeto que cria músicas espontâneas a partir do improviso, e a banda Berra Boi.

Já em Recife, os baianos estarão ao lado do experiente DJ Dolores e da performer pirofágica Marina Mahmood.

Além de se apresentar ao vivo, a Laia também vai gravar uma faixa em um estúdio  de João Pessoa.

“Juci Reis, do programa Flotar, criou e escreveu o projeto de irmos até a Paraíba gravar uma faixa e tocar. E esse ano fomos aprovados no edital de mobilidade da SecultBA. Quem vai receber a gente lá é Daniel Jesi, da banda Burro Morto e um dos sócios do estúdio BBS. Recife veio na cola”, conta Heitor.

Palavra-som-imagem

Sonzeira despirocada ao vivo no Teatro Gamboa, foto Germano Estácio
Fora esses shows, o trio trabalha marcando datas aqui em Salvador e nas gravações do seu primeiro álbum cheio. No estúdio, clima de laboratório, ou seja: experimentação rolando sem freio.

“(A previsão de lançar o álbum é para) Começo de 2020. Mas tudo é possível. Fora a gravação em João Pessoa (Estúdio Peixe-Boi) a gente quer gravar três  faixas quando voltarmos”, conta.

“A experimentação parte do improviso: às vezes eu levo o acorde e sugestões de escala, às vezes um plano improvisativo, ou uma partitura gráfica, ou apenas uma ideia que conduza a performance”, diz.

Perguntamos ao Heitor: a música dita experimental é, por definição, algo para poucos, já que costuma, justamente, experimentar linguagens (e técnicas e estilos etc) estranhas ao ouvido do público médio. Se uma banda experimental, por um acaso qualquer, consegue formar um grande público, será que ela deixa de ser experimental?

"Talvez o músico experimental mais conhecido da história seja Frank Zappa. Aqui no Brasil, Hermeto, talvez. Mas perceba que eles são conhecidos por serem músicos 'estranhos'. A questão de emergir é muito mais profunda: a música 'certa' está entranhada em todos nós há séculos. A imensa maioria das pessoas querem (re)ouvir essa música, e a indústria trabalha pra vender pra o maior número de pessoas possível. Então seria muito improvável se um cara como Zappa ou Hermeto atingisse as massas", explica o músico.

Um lance legal que sempre rola nos shows da Laia são as intervenções performáticas. Quem frequenta seus shows já conhece o Homem-Alvo (foto) que costuma aparecer.

“Pensar a cena é uma viagem pessoal minha e não é à toa que, cada vez mais, eu venho trabalhando com teatro. Minha onda agora tem sido pensar na tríade palavra - som - imagem, e o recurso cênico expande esse pensamento”, observa Heitor.

“A gente vai gravar e lançar muita coisa. Queremos tocar mais ao vivo. Mesmo estando no processo. Mas é isso: esse processo é eterno. A gente tem questionado muito essa máxima que a obra é algo intocável. Podemos lançar um disco só com as conversas que acontecem no estúdio, por exemplo”, conclui.

www.laialaia.net

NUETAS

Gigito, Ian, A Flauta

No tradicional  happy hour rocker da sexta-feira quinta-feira tem sessão acústica dupla no Bardos Bardos Casa da Trinca, com Gigito e o cantor folk Ian Kelmer. Já no sábado na sexta é a vez da banda A Flauta Vértebra, com participação da baterista coreana (?!?) Mimi Bak.  Sempre às 19 horas, pague quanto quiser.

Pink Floyd no Rubi

A banda Astoria Pink Floyd Cover faz show com os grandes sucessos da clássica banda inglesa sexta-feira e sábado, no Café-Teatro Rubi do Wish Hotel da Bahia. 20h30, R$ 50.

Júlio no Toca Raul

O guitar hero Júlio Caldas e a banda Rock Night Club se apresentam no Projeto Rock na Rua neste sábado, a partir das 17 horas. É no Palco Toca Raul, no Rio Vermelho. Gratuito.

terça-feira, junho 18, 2019

SEPTETO DE SOPROS AO MOLHO DO ILLINOIS

Hoje no Commons: Hypnotic Brass Ensemble, nobres filhos da black music de Chicago 


HBE: ternos, instrumentos, muito som e muito estilo. Foto Ray Yau
Atenção fãs de jazz, soul, hip hop e black music em geral: exatamente hoje à noite Salvador recebe o que deve ser um dos melhores shows a passar pela capital baiana este ano: é o septeto de Chicago Hypnotic Brass Ensemble, que faz apresentação única às 21 horas (pontualmente, OK?) no Commons Studio Bar.

Trata-se de uma banda de sete irmãos, todos filhos de um tradicional músico de jazz da capital do Illinois, Phil Cohran.

O som, muito à base dos seus trumpetes e trombones, é essencialmente instrumental e extremamente suingado, mas na receita também entram batidas de hip hop e as melodias sofridas do soul.

Em suma: imperdível. Restam poucos ingressos à venda, então se interessou, se adiante.

O desinformado colunista supôs que era primeira vez do grupo na cidade e que eles nem tinham conhecimento da herança afro na cultura local. Ledo ivo engano: “Na verdade esta será nossa segunda vez na Bahia. O primeiro show da HBE no Brasil foi justamente em Salvador, no PercPan de 2010”, corrige KiddCid, (ou Saiph Graves, trombone).

“O HBE sempre esteve a par da rica cultura afrobrasileira, ela nos foi ensinada desde crianças por nosso pai, em suas aulas de cultura musical. Então significa muito pra nós nos apresentarmos aí e também absorver um pouco disso em nossa própria performance. Estamos animados em voltar e queremos continuar voltando”, acrescenta o músico.

Na vanguarda da inovação

Experiente, o grupo já gravou ou se apresentou ao vivo com gente do nível de Prince, Snoop Dogg, Gorillaz e The B-52's, entre outros. Carregam em si a riquíssima herança da black music de sua cidade: “HBE é um mix de todos os estilos e isso é 90% da black music de Chicago e 10% dos lugares para onde viajamos pelo mundo. A música negra de Chicago sempre foi contemporânea. Sempre esteve na vanguarda da inovação, desde Louis Armstrong, passando por Earth Wind & Fire, Curtis Mayfield, até o Lou Rawls”, afirma.

"A dor e a profundidade da soul music foi muito evidenciada pelos músicos negros de Chicago, assim como a alegria e a celebração de atmosfera festiva. Esta vibração que sobrevive nas ruas de Chicago é o que nos auxilia a traduzi-la em sons e ritmos", acrescenta KiddCid.

Foto Ray Yau
Na ativa desde o final do século passado / início deste, o grupo evoluiu seu som e atitude ao longo dos anos, algo que pode ser experimentado ouvindo sua discografia.

"Sim, a evolução do Hypnotic Brass Ensemble pode ser vista em nossa discografia. Como este gênero que revivemos tem se transformado e desenvolvido, nossa audiência também se expandiu, assim como nossas gravações e shows ao vivo. Nos primeiro LPS não havia vocais de jeito nenhum, depois começamos a envolver MCs, cantores, guitarras, baixo elétrico e até saxofone mais recentemente. Éramos garotos quando gravamos The Flipside, agora quando você ouve Hypnotic Joints, você percebe que que são os mesmos garotos, agora homens feitos. Mas não importa quão maduros, os sopros ainda estão ali no topo, detonando geral, impulsionando o movimento do qual sempre fomos embaixadores: Instrumentistas no Poder. Trabalhamos muito duro para fazer os trumpetes e trombones parerecem legais (cool) novamente, como nos tempos do Miles (Davis)", considera o trombonista.

Toda essa bagagem e experiência de tocar com gigantes da música, além da consistente discografia, já credencia o septeto a alçar voos mais altos em termos de reconhecimento, acredita KiddCid.

"Para nós, tocar em todos os continentes e com a maioria de nossos ídolos musicais (Prince!) ao longo dos anos (é a maior das recompensas). Sabemos que temos um legado neste mercado agora estabelecido, mas o que está faltando são os títulos: o Grammy, para ser mais exato. Temos sido rebeldes desde o início, então nunca abordamos premiações ou títulos ou contratos de gravações para os quais já éramos aptos. Agora é apenas adequado que comecemos a coroar nosso sucesso independente com algum reconhecimento de nossas contrapartes no negócio da música os quais temos influenciado, apoiado e contribuído. HBE para o Grammy e também trabalhar com com alguns ícones ainda na área: Quincy Jones, Stevie Wonder e Carlos Santana", enumera.

Safos, sabem que viver na América de Trump, na verdade, não mudou muita coisa: “Fica todo mundo agindo como se as coisas tivessem piorado de uma hora para a outra. Fatos: 1) Todos os presidentes americanos foram racistas, agora apenas temos um que não esconde isso. 2) A polícia mata negros desde sempre. 3) Sempre houve uma clara discriminação contra mulheres e pessoas de qualquer aparência ou estilo de vida que não fosse de extrema direita, contra pobres e pessoas de cor”.

“A diferença é que agora estamos na era da informação, as pessoas no Brasil podem ver essas mesmas coisas acontecendo aos desfavorecidos em Chicago e vice-versa. Isto torna muito mais difícil manter as pessoas separadas e sem voz ativa, além de trazer á luz toda e qualquer hipocrisia da parte deles. Acho que Trump será reeleito em 2020, mas também acho que veremos o maior movimento rumo a mudanças sociais que a humanidade já testemunhou. Os tempos parecem ruins agora, mas uma chama queimará ainda mais brilhante no final. O HBE é otimista”, conclui. Right on!

Hypnotic Brass Ensemble / Hoje, 21 horas / Commons Studio Bar / R$ 55,56 (Sympla)



NUETAS

Solove no Menas

O Estúdio Menasnota, do bravo Heitor Dantas (Laia Gaiatta) está transmitindo shows ao vivo todas as quartas-feiras direto do estabelecimento. Já teve a banda Aurata e o duo May HD e + Junix 11. Amanhã é a vez do baileno (baiano + chileno) Jorge Solovera. Amanhã, 20 horas, no www.instagram.com/menasnota.

NHL sexta no BB

Sexta-feira tem mais uma edição da NHL Sessions (alô, Kairo Melo) no Bardos Bardos Casa da Trinca, com Vítor Brauer, Soft Porn e MAPA. 19 horas, pague quanto quiser.

Rasta-pé, é, moçada

A partir de quinta-feira tem São João no Pelourinho com shows de mestres consagrados como Alceu Valença, Cicinho de Assis e muitos outros. Programe-se e seja feliz.

terça-feira, junho 11, 2019

PEGA ESSA ONDA, SEUS HAOLE

2ª Etapa Baiana do Campeonato Mineiro de Surf é sábado no Mercadão.CC com Retros, Ivan Motosserra e Gigito na fita

Gigito faz prévia do show que leva ao PCMS em BH. Foto Paula Holanda
Estilo que ferve no underground mundial desde os anos 1960, a surf music é também muito apreciada nas diversas cenas alternativas do Brasil. Que o diga o público mineiro (baita ironia), que há 18 anos prestigia o festival  (baita ironia 2) Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe (PCMS).

Convidado para participar da curadoria deste ano, o produtor e especialista baiano Rogério BigBross Brito faz  prévia do festival mineiro na  city neste sábado, com as representantes locais Retrofoguetes, Ivan Motosserra e... Gigito?

O fabuloso duo baiano, conhecido por (baita ironia 3) fazer  música típica das montanhas ianques, o bluegrass, na litorânea Salvador, não apenas se apresenta sábado aqui, como também emplacou apresentação no PCMS, lá em Belo Horizonte.

“Quem conhece o Campeonato,   sabe que ele sempre abriu espaço para o rock instrumental em geral e outras vertentes musicais”, esclarece Big.

“Nas 17 edições anteriores já tocaram bandas como Macaco Bong, La Pupuña, Vendo 147, Eddie etc. Mas a maioria da grade são bandas de surf”, mesmo”, acrescenta.

Os fabulosos Retrofoguetes, senhoras e senhoras! 
Mesmo os Retrofoguetes, para um apreciador mais ranheta, poderia causar estranheza na escalação, já que se distanciaram da surf music com a qual iniciaram a carreira, lá em 2002 / 2003.

"A surf music é tão sem mercado que isso te dá a liberdade de fazer exatamente o que quer com sua banda surf. Uma breve análise na carreira dos Ventures, por exemplo, te mostrará que eles foram de trilha de seriado dos anos 70 a comercial de tv, gravaram bolero, rumba, o que estavam afim. E os Retrofoguetes também tem todo esse direito. Eu particularmente acho o último álbum, influenciado por trilhas de filmes de ficção cientifica sensacional e totalmente dentro do contexto surf", observa Big.

Rock australiano não é surf

Como o título  2ª Etapa Baiana do PCMS evidencia, o show de sábado é a segunda vez dessa prévia do festival mineiro em Salvador.

Resultado das afinidades e amizade entre Big e o produtor Claudão Pilha. A 1ª Etapa Baiana foi em 2004, no saudoso Calypso, com a banda mineira Estrum’ental.

“Frequento o Campeonato desde 2003. Fui em varias edições e sou fã de surf, rockabilly, bluegrass, psychobilly etc. Aí um belo dia o Claudão, sócio d’A Obra Bar Dançante (reduto underground de BH) e um dos criadores do campeonato, ligou e fez o convite para fazer junto com A Obra e o site Reverb Brasil a curadoria desse ano”, lembra Big.

Ivan Motosserra em nova formação. Foto divulgação
"O mercado de surf music é bem limitado e acho que eles queriam fugir do eixo MG / SP / RJ e funcionou. Entre as selecionadas por mim estão As Aventuras (RS) que vi em um congresso de musica em 2017 em Porto alegre, o M.A.T.E., e o nosso Gigito, com seu bluegrass que não é surf mas tá no contexto geral do festival. Além deles tinha Retrofoguetes e Ivan Motosserra, mas ambas já tocaram algumas vezes no festival. Já a primeira etapa baiana rolou depois do primeiro PCMS, que fui em 2003. No ano seguinte convidei a Estru’mental, banda de surf mineira pra tocar em Salvador. Pra valer a pena essa vinda sugeri uma etapa do PCMS aqui e eles toparam. Foram dois dias no Calypso com The Honkers, Rewinders, Retrofoguetes. Então, só juntei o útil ao muito útil e reeditamos a etapa 14 anos depois", relata Big.

Além de prévia do PCMS, a festa também lança a coletânea Brazilian Tsunami, lançada pelo Reverb Brasil e Orleone Records, e que traz três bandas baianas: Retrofoguetes, Ivan Motosserra  e a sumida Capitão Parafina & Os Haoles.

"A coletânea é toda responsa da Reverb Brasil e Orleone Records. Tinha muitas outras bandas (baianas) que poderiam ter entrado, acho que elas estão esperando um produtor que cuide disso. Como ele não apareceu, os curadores não ficaram sabendo da existência delas. Bem simples: quem não é visto não é lembrado", afirma.

Agora vale aquela aula do mestre: favor não misturar surf music com aquelas bandas australianas dos anos 80, OK?

“A surf music começou ali no meio dos anos 60 e até hoje rola festivais, gravadoras, rádios no mundo todo. Acredito que alguns surfistas ainda hoje ouçam, embora o reggae impere entre eles”, afirma.

“E nunca, jamais confunda surf music com aquelas bandas australianas dos 80/90 tipo  Spy vs. Spy, Mindnight Oil ou mesmo Jack Jonhson. Surf é Dick Dale e The  Ventures”, define Rogério BigBross.

2ª Etapa Baiana do Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe e Festa de lançamento do Brazilian Tsunami / Com Gigito, Ivan Motosserra, Retrofoguetes, DJ Ivan Motosserra / Sábado, 17 horas / Mercadão.CC / R$ 20




NUETAS


Miguel dá um upgrade na parede do BB. Foto Facebook BB
Marconi no som, Miguel na parede

O menestrel folk punk Marconi Lins faz nova apresentação acústica nesta quarta-feira, no Bardos Bardos. 19 horas, pague quanto quiser. Aproveite e confira a nova obra que o artista plástico / grafiteiro histórico Miguel Cordeiro fez na parede da casa. Vale aquela selfie!

Lo Han na quinta

A sacolejante Lo Han faz show no Rhoncus Pub quinta-feira, lançando seu novo single, Hard Life. Aguardamos disco novo dessa grande banda. 21 horas, preço não divulgado.

Ritual aos domingos

Formada por grandes nomes do instrumental, a orquestra Sonora Amaralina leva o show El Ritual de la Cumbia todos os domingos de junho ao Mercadão.cc. 20 horas, R$ 10.

quarta-feira, junho 05, 2019

NA ESTRADA, TRUPE DE KOMBI CHEGA À SALVADOR, FEIRA E CONQUISTA

A banda franco-brasileira  Čao Laru traz suas chansons ao Commons Studio sábado. Irmão Carlos, Astralplane e Ofá fazem as honras da casa

Čao Laru, foto Thais Andressa
Incansável novidadeiro, o produtor baiano Cairo Melo e sua série de eventos NHL Festival chega à 16ª(!) edição neste sábado, com uma bela banda gringa: Čao Laru, um septeto formado na França, e que conta com quatro brasileiros, duas francesas e uma italiana.

Além deles, a night ainda conta com o psicofunk do Irmão Carlos, a psicodelia da Astralplane e a riqueza rítmica da banda Ofá (não confundir com a célebre IFÁ, OK?).

Educados que somos, vamos oferecer uma cadeira e um cafezinho aos visitantes.

Formada  em 2015 por estudantes de um mestrado em Pedagogia Musical, em Rennes, na França, a Čao Laru (pronuncia-se Tchau Larrú) é também uma trupe viajante: está rodando o Brasil em uma Kombi desde fevereiro, passando por dezenas de cidades em todas as regiões brasileiras.

Na Bahia, eles se apresentam em Salvador, Feira de Santana (dia 11, na Cúpula do Som) e Vitória da Conquista (dia 12).

“É a segunda vez (que a banda passa por Salvador), mas a primeira foi rápida! A gente decidiu, pela primeira vez, ficar seis meses em um país, no Brasil. Um dos principais motivos era poder percorrer em turnê  parte do Norte e do Nordeste”, conta o brasileiro Noubar Sarkissan (cavaquinho, violão, pandeiro e voz).

Além de Noubar, o conta com Marie Tissier (violoncelo e voz), Nicolle Bello (voz), Felipe Trez (bateria), Ana Brandão (dança), Fábio Pádua (flauta, clarinete, violão e bandolim) e Pedro Destro (baixo elétrico).

Chegadas  e partidas

Čao Laru, foto Thais Andressa
Com dois álbuns na discografia, o grupo divulga nesta turnê o mais recente, Fronteiras. No som, uma bem azeitada mistura acústica de música brasileira, francesa (o acordeom é pura chanson), com toques africanos, latinos e do leste europeu dando um tempero.

A temática está explícita no título: “As diversas fronteiras que encontramos pelo caminho nos inspiraram, por bem ou por mal”, conta Noubar.

“Quando paramos pra pensar, vimos que estávamos falando sobre fronteiras: entre o mundo real da criança que brinca no parque e o mundo virtual do celular; os imigrantes que buscam uma vida um pouco melhor em outro país mas morrem na travessia, a privatização do acesso às praias. Vimos que tudo isso tinha a ver com barreiras”, acrescenta o músico.

Sobre o incomum nome da banda, Noubar explica que “Čao é uma saudação que em vários países da Europa serve tanto para a chegada quanto para a partida.  O ‘Č’ vem do leste europeu e tem som de ‘tch’. Laru é uma contração de ‘la rue’, ‘a rua’ em francês. Então o nome da banda é uma saudação de chegada e partida que fazemos em todos os lugares”, conclui.
 
NHL Festival 16 / Com Čao Laru, Irmão Carlos, Astralplane e OFÁ / Sábado, 20 horas / Commons Studio Bar / R$ 15 (sympla)



NUETAS

Informais e Jeitinho

A banda Os Informais faz pocket-show acústico para lançar o clipe Jeitinho Brasileiro, faixa do seu álbum de estreia, Inspiração (2018). Quinta-feira, 19 horas, na Tabacaria Sr. Haxi (Galeria 139, à Rua Prof. Cassilandro Barbuda, 139, Costa Azul). Gratuito.

Free jazz, free show

O saxofonista norte-americano Ken Vandermark(EUA) e o baterista norueguês  Paal Nilssen-Love fazem show único de free jazz no Espaço Coaty (Ladeira da Misericórdia). Sábado, 20 horas, gratuito.

Rubatosis decola

Em ascensão no cenário alternativo, a banda Rubatosis lança o EP Carta ao Meu Ego sábado, no Portela Café. Convidados de peso darão um alô. 22 horas, R$ 15 (Sympla).

terça-feira, junho 04, 2019

CONEXÃO MÁXIMA

O Enigma Lexeu, álbum de estreia do Letieres Leite Quinteto, é uma charada e uma ponte. Descubra HOJE, em show na Sala do Coro do Teatro Castro Alves

Lexeu 1, Lexeu 2, Lexeu 3, Lexeu 4 e Lexeu 5. Foto João Atala
O vasto universo da percussão afrobaiana traduzido em linguagem de jazz ortodoxo. Ou o jazz ortodoxo traduzido para o universo da percussão baiana. Seja qual for a ordem, essa parece ser a missão artística da vida de  Letieres Leite.

Em O Enigma Lexeu, estreia do Letieres Leite Quinteto (show de lançamento hoje, na Sala do Coro do TCA), ele parece dar continuidade – por outras vias – ao que já vem fazendo na Orkestra Rumpilezz.

Com sete faixas, O Enigma Lexeu chega bonito: gravado de forma  analógica, ao invés do onipresente registro digital (via Pro Tools), ou seja, como antigamente, na fita de rolo.

Não à toa, sairá prioritariamente em LP de vinil. A versão digitalizada já pode ser ouvida nas plataformas digitais e o maestro Letieres assegura que uma versão em CD também logo chegará às lojas.

“Uma questão clara (e científica) é a captação na fita de toda gama de harmônicos ofertadas em todas as suas dinâmicas”, afirma Letieres.

“E como o nosso planejamento era para contemplar uma gravação prioritariamente  para vinil (haverá também em outros formatos, CD e  plataformas digitais) a gravação sendo analógica nos confere esta fidelidade que o áudio nestas condições nos oferece”, acrescenta o maestro, compositor, arranjador e soprista.

Liderado por Letieres no sax e flauta, o Quinteto conta com os experientes Luizinho do Jêje (percussões), Ldson Galter (contrabaixo), Marcelo Galter (teclados) e Tito Oliveira (bateria).

No fone de ouvido, a conexão Bahia / África / EUA se evidencia na percussão onipresente, em dinâmica com as frases tipicamente jazzísticas de sax, flauta e piano.

São sete faixas – nenhuma com menos de sete minutos e meio: Casa do Pai, Três Yabás, Patinete Rami Rami, Catalunya Vuelve a Casa (em memória do baterista espanhol Roger Blàvia), Tramandaí, Honra ao Rei e Mestre Moa do Katendê (composta por Letieres em 2005, para homenagear seu primeiro mestre de música, quando aluno secundarista, no projeto da etnomusicóloga Emília Biancardi).
 
Ressignificando lexeu 

Psiu, não conta pra ninguém que eles são os lexeus. Foto João Atala
Além de construir a ponte entre o que Letieres chama de UPB (Universo Percussivo Baiano) e o jazz, o álbum também é um mapa para músicos e ouvintes desvendarem juntos o tal Enigma Lexeu do título.

Informa o Dicionário de Baianês que “lexeu” é “Carro em mau estado; algo fudido, esculhambado”.

Certamente, não tem conexão com o elegantérrimo som que se extrai dos sulcos deste vinil. Quem sabe Letieres tem a resposta?

“Ainda não sabemos exatamente quem é Lexeu, mas posso dizer que é uma das outras pessoas que os músicos acessam em si quando estão com as máscaras, em busca de uma conexão mais profunda no momento em que estão fazendo música. Daí ser um enigma”, despista.

Talvez, então, seja uma  narrativa. “Seria exatamente a busca desta conexão máxima, não racional, de entrega incondicional ao que a música está nos propondo no momento que a estamos vivenciando”, afirma Letieres.

Mais intuitivo do que técnico, portanto. Mais ligado às tradições africanas do que eurocêntricas, por dedução.

“É mais uma questão de consciência. Em geral, quando se estuda ritmo, você tem menos oferta de aprofundamento nas estruturas do que nas outras áreas de estudo musical, como harmonia e melodia”, diz.

“O fato de quase a totalidade dos gêneros da música popular ocidental (blues, samba, jazz, rock etc) terem suas origens fundamentadas nas músicas de matriz africana, mereceriam uma abordagem nos estudos e  academias de música, por exemplo, a partir da ótica destas culturas e não somente pela forma eurocêntrica”, exorta o maestro.

Seja lá o que for – ocidental ou africano, Enigma Lexeu é certamente um deleite aos apreciadores do jazz – ortodoxo ou de vanguarda.

Lançado o álbum hoje à noite, Letieres e o selo Rocinante (especializado em LPs de vinil) buscarão faze-lo circular Brasil e mundo afora.

Certamente, shows na Europa, Ameriocado Norte e Ásia não estão fora de cogitação. “A nossa gravadora Rocinante busca parcerias no exterior para distribuição, e as turnês e show são a consequência natural destes processos, quando começamos a tocar o formato do disco em algumas apresentações que fizemos no Rio (Blue Note) e em São Paulo (Casa de Francisca)”, conclui Letieres.


Letieres Leite Quinteto: O Enigma Lexeu / Show de lançamento / Hoje,  20 horas / Sala do Coro do Teatro Castro Alves / R$ 40 e R$ 20 / Vendas: Bilheteria TCA e Ingresso Rápido (www.ingressorapido.com.br)

O Enigma Lexeu / Letieres Leite Quinteto / Rocinante / produção: Sylvio Fraga e Letieres Leite /  Nas plataformas digitais / Breve em LP e CD



terça-feira, maio 28, 2019

TESÃO QUE NÃO SE ESGOTA

Rapeize rodada cansou de descansar: Meus Amigos Estão Velhos estreia no sábado, no Lebowski

Dudare! Bruno! Thiago! Glauco! Crédito! Glauco!
Tem gente que não se manca, mesmo. Olha só esses caras: três veteranos e um quase, bons de se casar, botar um terno e gravata, criar uns pimpolho e comprar uma arma, como bons cidadãos de bem, mas o que fazem? Empunham guitarras e inventam mais uma banda de rock – entre as várias em que já tocaram – pra ficar fazendo zoada no fim de semana no Rio Vermelho.

E quer saber? Graças a Jah!

Pois então, é com o coração latejante de emoção que esta coluna dá as boas-vindas à Meus Amigos Estão Velhos (MAEV), nova banda de quatro respeitabilíssimos profissionais do rock local: Bruno Carvalho (guitarra), Glauco Neves (bateria), Dudare (baixo) e Thiago Guimarães (voz, guitarra).

Ex-membros de bandas diversas, como The Honkers (Bruno) e Vinil 69 (Dudare, Glauco), Vendo 147 (Bruno, Glauco) e Ronco (Thiago), esses quatro enfants terribles estreiam ao vivo neste sábado, em night de rock ‘n’ roll de alta performance, junto com a Trixx Bomb (outra banda de Thiago) e Búfalos Vermelhos & A Orquestra de Elefantes, duo dos irmãos Thiago e Jamil Jende.

"Eu, Glauco e Dudare já tocamos juntos em diversas bandas diferentes, como Vendo 147, Orquestra Elegante, Vinil 69, Pessoas Invisíveis, Falsos Modernos. Nós três fizemos um show em 2017 com a Vinil 69, e foi tão legal que decidimos que seguiríamos fazendo um som nosso. Passamos um tempo tocando em trio, até que resolvemos chamar Thiago, que é dono do estúdio em que ensaiamos até hoje, e que acompanhava tudo a distância, para se juntar a nós. Depois que ele entrou passamos a organizar as ideias e virar uma banda de verdade", conta Bruno.

"O nome é uma provocação aos amigos que ficaram velhos e não saem mais de casa pra curtir um show sem compromisso. A gente também já não é mais garoto, mas ainda estamos na ativa, acompanhando tudo do jeito que dá", garante.

Nas plataformas digitais já dá pra curtir as três primeiras faixas gravadas pelo trio: Coragem, Mentira e Autoestima – todas com o certificado “joinha” deste colunista aqui.

“Vamos lançar um EP com 4 músicas em julho. Três dessas  já estão online. Tem muita música ainda para ser gravada, e como temos um estúdio a disposição (de Thiago), vamos fazendo tudo com calma. O nosso plano é compor, gravar, lançar e tocar, o máximo que der e da melhor forma possível”, detalha Bruno.

"A gente se encontra religiosamente no mínimo uma vez por semana para compor músicas novas e trabalhar arranjos das composições. Fora o grupo do whatsapp, que toda hora pinta um áudio com a demo de uma música nova enviada por um de nós pra ser afiada em conjunto nos ensaios. E tem sido tudo muito fluido e bacana, a gente tem uma afinidade legal, por isso acredito que até o fim do ano sai muita coisa ainda. Tem um segundo EP no forno já, mas mesmo assim a produção não para", acrescenta Thiago.

Clássico porém cosmopolita

Tá falando com alguém aqui, fera? Foto Glauco
No show de estreia no Lebowski, poderemos ouvir essas e outras: “Vamos tocar oito músicas próprias e covers do Creedence e Bowie”, diz Bruno.

“Além da MAEV, o evento ainda vai contar com show da minha outra banda, Tryxx Bomb, que também tá estreando na cena (nosso segundo show), então pra mim vai ter esse gostinho mais que especial! Isso pra não falar da Búfalos Vermelhos & A Orquestra de Elefantes, que sempre detona”, reforça Thiago.

Uma coisa que tem impressionado o colunista em casos como o da MAEV é a força (ou o tesão) que move esses músicos, depois de tantos anos, em seguir fazendo rock em uma cidade que caga e anda para essa resiliente cena.

"Claro que dá (tesão pra fazer rock em Salvador). É obvio que o rock não parece estar muito em alta atualmente, ainda mais em Salvador, mas a gente faz a música que gosta, do jeito que quer, sem interferências ou restrições", afirma Bruno.

" Oxe, claro que dá tesão! O retorno financeiro é difícil? É! Mas a gente ama isso, cara", ecoa Thiago.

Quem já conhece essas figuras já sabe o que esperar do som: rock clássico, porém cosmopolita,  com cheirinho de novo, do básico (Led, Sabbath) ao atual (Black Keys, QOTSA).

“A gente adora rock de garagem dos anos 60, psicodélico, pesado, leve. Se for bom, inspira a gente, é o que importa”, afirma Bruno.

“Rock é bom demais”, conclui. Ah, me conta uma novidade!

Meus Amigos Estão Velhos, Tryxx Bomb e Búfalos Vermelhos & A Orquestra de Elefantes / Sábado, 21 horas / Lebowski Pub / R$ 10 ou gratuito, com nome em: www.facebook.com/meusamigosestaovelhos



NUETAS

Quarteto fantástico

Entre suas muitas atividades, o hub de cultura Mercadão CC inicia mais uma amanhã: é o projeto Nobreza Vinyl Sessions, com o quarteto de DJs Leandro Vitrola, Pureza, Raiz e Telefunksoul mandando ver altos sons analógicos das 19 horas até as 23:59. Cola lá.

Restgate Blues no Pub

Na quinta-feira, aproveite os eflúvios bluesísticos da Restgate Blues no Lebowski Pub, 20 horas, R$ 10 e R$ 15.

Niver do magnânimo 

Finalmente, no sábado, destampe os ouvidos no Niver do Chefe, no caso, de Wilson PDM, com shows de sua banda Pastel de Miolos e Ramoníacos.  A partir das 17h30, no Bardos Bardos Casa da Trinca. Pague quanto quiser e prestigie a cerveja da casa.

quarta-feira, maio 22, 2019

ASCENSÃO E QUEDA DE STEVE DITKO, O COCRIADOR DO HOMEM-ARANHA

Biografia de Roberto Guedes mostra o perigo que é o apego à ideologias baratas

Cena ícone de Ditko  com o Aranha, em Spider-Man 33 
Todo mundo conhece Stan Lee, o sorridente criador do Homem-Aranha, Homem de Ferro, X-Men e da maioria dos  super-heróis Marvel.

Obviamente, ele não criou tudo sozinho. Ao seu lado, uma equipe de artistas geniais foi responsável por criar o visual e a narrativa que os tornou icônicos. Os principais foram Jack Kirby e Steve Ditko.

Este último, o mais discreto de todos eles, acaba de ganhar uma bela biografia do pesquisador brasileiro Roberto Guedes.

Intitulada O Incrível Steve Ditko, a obra ganha contornos de cautionary tale (conto de alerta) ao narrar, de forma leve e objetiva, a triste história de um grande artista que sabotou a própria carreira por puro apego – quase fanatismo – a uma ideologia pra lá de duvidosa.

Nascido em 1927, descendente de imigrantes tchecoeslovacos, Stephen John Ditko começou a desenhar quadrinhos profissionalmente em 1953, após tomar aulas com Jerry Robinson, desenhista do Batman nos anos 1940.

Desenhou muitas HQs de terror e crime para a editora Charlton, até que foi atropelado duas vezes: primeiro, pelo psiquiatra Fredric Wertham, autor do livro Seduction of the Innocent (1954), no qual defendia que quadrinhos estavam transformando crianças em criminosos, homossexuais, comunistas e adoradores do demônio.

Em pleno mccarthismo, isso levou o governo americano a perseguir as editoras. O resultado foi a devastação do mercado, com editoras fechando e um monte de artista, escritor e editor desempregado.

Depois, passou por uma tuberculose. Voltou a trabalhar no final de 1955, desenhando para várias editoras, incluindo a Atlas, futura Marvel Comics, depois de ter conhecido Stan Lee ainda em seus tempos de estudante. Até que, em 1962, veio o furacão que mudaria toda a sua vida.

Objetivismo e queda

Ditko ficou #xatiado com hippies que fumavam umzinho pra curtir Dr. Estranho
Lee, que já havia criado o Quarteto Fantástico ao lado de Jack Kirby,  passou para Ditko a incumbência de ilustrar uma HQ de cinco páginas para o número 15 da revista Amazing Fantasy. Nascia o Homem-Aranha.

O sucesso foi estrondoso e transformou Ditko em uma das estrelas da Marvel, a  editora que mais se beneficiou da onda da contracultura dos anos 1960.

Não a toa, sua cocriação seguinte na Marvel foi o Doutor Estranho, prato cheio para o visual psicodélico em que ele era especialista.

E aí é que entra a grande contradição do artista: Ditko era profundamente conservador. Ficou horrorizado quando soube que hippies fumavam maconha para “viajar” na  leitura do Doutor Estranho.

Era também recluso. Ninguém sabia de sua vida fora do bullpen, o escritório da Marvel em Nova York. Logo começou a se desentender com o solar e bem-humorado Stan Lee, seu completo oposto em tudo.

As coisas pioraram quando se tornou adepto do Objetivismo, doutrina criada pela escritora russa naturalizada americana Ayn Rand, autora de  A Revolta de Atlas, entre outros livros.

Muito em voga ainda hoje, apesar de já ter sido refutada e desmascarada inúmeras  vezes, Rand é, na superfície, a defensora definitiva da individualidade e da “meritocracia”.

Mas, na realidade, Rand não passava mesmo de uma defensora do 1% mais rico , enquanto considerava todo o resto parasita. O mundo em preto e branco, sem tons de cinza.

Na época, Ditko acreditou em cada palavra da escritora. E passou a querer defender sua doutrina em seus trabalhos. Resultado: sua carreira só decaiu dali em diante.

Em vez de boas HQs, passou a criar panfletos – às vezes até amadores – nos quais expunha e defendia os “nobres” ideais do Objetivismo.

Ainda teve bons momentos e criou personagens interessantes, como o Rastejador, o Questão e a dupla de heróis Rapina e Columba (e mesmo eles, uma óbvia alegoria da forma dualista como via o mundo).

Morreu solitário em 2018, aos 90 anos. Seu corpo só foi encontrado dois dias depois, o que denota sua reclusão.

O livro de Guedes é uma preciosa contribuição à historiografia dessa ala da cultura pop, com muitos detalhes de bastidores da indústria de HQs americana em seu auge.

Não se espera menos do autor de  livros  como A Era de Bronze dos Super-heróis (2008, HQM) e Jack Kirby: O Criador de Deuses (2017, Noir).

O Incrível Steve Ditko / Roberto Guedes / Editora Noir / 264 p. / R$ 54,90 / www.editoranoir.com.br

Gênio recluso

Solitário por natureza,  Ditko não gostava de aparecer em fotografias. Acima, o retrato do artista quando  jovem, uma das suas raras imagens. Misterioso, recusava qualquer contato para entrevistas ou convenções

Rapina e Columba

Em seu período na DC, criou  Rapina e Columba, alegoria de sua ideologia. Enquanto Rapina é conservador, reacionário e violento, Columba é mostrado como um palerma pacifista

Mister A

Ditko radicalizou na ideologização com Mister A, um justiceiro filosófico sem meios termos: “Apenas tolos afirmam que o dinheiro é a raiz do todo o mal”, alertava ele em suas lições de moral

terça-feira, maio 21, 2019

DO METALCORE AO RAP

Rebaianizar o rap é a busca de Eldo Boss. Confira ao vivo sábado no Mercadão CC

Eldo Boss em seu cantinho. Foto Daniele Cézar
Em 2012, esta coluna apresentou ao seus leitores uma banda de metalcore cristão (?!?) chamada Dynamus. À frente do power trio estava um jovem eloquente chamado Eldo Luiz.

Qual não foi a surpresa do colunista ao receber um novo contato de Eldo, desta vez rebatizado Eldo Boss e com um novo trabalho, como rapper.

Rebaianizar é o título do seu EP de seis faixas, que já chega todo conceituado, como “um disco para resgatar e ressignificar a música rap baiana”, promete o artista.

Se cumpre o que promete, o colunista prefere deixar para os reais entendidos em hip hop (confesso minha ignorância), mas o fato é que Rebaianizar tem mesmo bons momentos, como Avião, Cidade Groove Caos e É Proibido Aqui.

"Desde o antigo grupo eu mesclava elementos do rap com rock, cresci ouvindo bandas que faziam isso, como Planet Hemp, Pavilhão 9, Rodox e Rage Against the Machine. O rap brasileiro mudou bastante, a 'nova safra' consegue caminhar por outros caminhos, como samba, MPB, rock e jazz, o que potencializou a vertente nacionalmente e atraiu músicos de outros estilos. Em relação ao nascimento da figura Eldo Boss, eu fiz um trabalho a convite de uma produtora local que foi meu passo inicial em maio de 2018, lancei duas musicas com eles, depois a Aquahertz Beats me abraçou e produzimos esse EP além de singles", relata Eldo.

“A ideia e a concepção de disco como  objeto de cultura esta se perdendo por que, para fazer um, é necessário conteúdo, experimentalismo e, acima de tudo, coragem. Possivelmente muito disso falta a cena local. Se nos reportarmos aos anos 90, uma parte (do rap)  era feito com bandas, em bases orgânicas. Os grandes artistas de rap hoje como Rincon, Rael, Emicida e até o Racionais MCs nessa ultima tour, todos se apresentam com banda. Quero reaver essa importância dos elementos orgânicos  e não simplesmente reproduzir / “copiar” o que vem do Sul, somos riquíssimos, podemos reconstruir”, exorta o rapper.

"Isso é rebaianizar, resgatar o que temos de melhor musicalmente sem regras ou grilhões. Temos artistas que já entenderam esse caminho, como Opanijé, Xarope MC, Baco Exu do Blues (inclusive ele é o primeiro produto rentável vindo da Bahia na roupagem do rap), entre outros, trazendo elementos tipicamente da nossa raiz oriunda das matrizes africanas. A cena ainda é primária, necessita de um grande investimento como acontece no eixo RJ/SP, entretanto talentos não faltam, pois desde os anos 90 existe um movimento acontecendo, principalmente nas periferias. Hoje com a abertura das plataformas de streaming, a possibilidade de levar seu som para diversos lugares com um clique deixou tudo mais dinâmico, porém criou uma montanha de repetidores, deixando o ouvinte mais passivo do que seletivo. A cena baiana carece de produções artísticas focadas na formação de público e trabalhos mais profissionais. Existem sites especializados no gênero como o RAP071 e canais como o BASE071, mas ainda é pouco, faltam festivais relevantes no estilo, cursos de formação, oficinas periódicas, enfim um apoio mais forte", detalha.

Rock conservador não dá

Eldo, o pensador. Foto Daniele Cézar
De fato, as faixas mais fortes de Rebaianizar são também as que soam mais orgânicas, ou seja, gravadas com guitarra, bateria etc.

“Sou instrumentista e, junto com o produtor do disco, Marcelo Santana, construímos todas as linhas de forma orgânica. Toquei todos os instrumentos menos guitarra baiana, que ficou a cargo de Marcelo”, conta.

“Buscamos resgatar essa essência e trabalhar com o que acreditávamos ser real. No EP tem muita guitarra e refrãos pesados, que lembram ate punk além de versos mais melancólicos. Sampleamaos diretamente do vinil vários trechos de nomes baianos, desde Dorival Caymmi a Camisa de Vênus, passando por Caetano Veloso. Extraí o máximo dentro de uma roupagem que engloba o pós-hip hop, desde os elementos estéticos da nossa música como sonoros. Priorizei na produção geral apenas a participação de mulheres, desde as canções que contam com Elana Laela (Coletivo Vira Lata) e Mari Buente (A Cama de Manuela) e produção de todo material gráfico de Isadora Furlan, artista plástica que assinou a capa. A cultura brasileira deve demais ao Nordeste, não existe nada comparável na música brasileira a João Gilberto ou à Nação Zumbi. Nacionalmente, na guitarra, Missinho do Chiclete e Pepeu dos Novos Baianos são monstros sem o merecido reconhecimento”, descreve.

A transição do metalcore para o rap, afirma Eldo Boss, foi natural. De fato, desde a Dynamus ele já namorava com o gênero.

E agora, o providencial e necessário dedo na ferida. “O rap é um elemento de rua, do ao vivo, das vivências urbanas, algo muito próximo do  hardcore e do thrash metal, que foram minhas escolas.  O rock está ficando cada vez mais conservador e enfadonho no Brasil. Esse disco foi um grito  nesse quadro caótico, uma forma de reinvenção”, afirma, certíssimo.

Sábado tem som no Mercadão CC. "Sim, dia 25 no Mercadão CC, com Underismo e Faustino Beats. Tem uma produção da Bonke Music, junto com o DJ Nei MHC, que traz muitos convidados, uma festa muito legal. Além disso, tenho algumas datas fechando no interior e certas no segundo semestre para Belo horizonte e São Paulo, vou passar uma temporada lá. Com isso, ainda farei algumas apresentações em Salvador e região metropolitana ainda esse semestre", conclui.

Cola lá.

Festa Sem Ideia – Com Underismo, Eldo Boss, Faustino Beats, Yan Cloud, A cama de Manuela, Rajada de Conciencia e convidados / Sábado, 16 horas /  Mercadão.cc / R$ 10

https://www.bossdiscos.com/




NUETAS

Death metal fest


Behavior, God Funeral e a paulista Podridão fazem o Bahnhof Death Fest nesta sexta-feira, as 20 horas. Extermine seus canais auditivos no Club Bahnhof SSA, R$ 25.

Invena, GOR, E4P

Invena, Game Over Riverside e Entre 4 Paredes trazem as Soterorock Sessions de volta. O esquema é neste sábado, no Buk Porão, às 19 horas e com entrada a R$ 10. Prossigam, Soterorock Sessions!

Sanitário Sexy sábado

A grande banda juazeirense Sanitário Sexy volta à Salvador sábado, na já tradicional session dos sábados no Bardos Bardos. Desfrute o espaço público na Travessa Basílio da Gama (Rio Vermelho) às 19 horas, prestigie a cerveja da casa e pague quanto quiser.

sexta-feira, maio 17, 2019

SHOW-WOMAN À LA DUSSEK

Silvia Machete volta à cidade para duas sessões do espetáculo Dussek Veste Machete. Sábado e domingo, no Sesc Casa do Comércio

Silvia e os balões, foto Nathalie Mellot
Tradição meio esquecida entre os cantantes brasileiros, a figura do artista entertainer – aquele que canta, dança, conta piadas, dá pirueta etc – tem em Silvia Machete um de seus últimos representantes. Amanhã e domingo, a carioca estará em Salvador apresentando um de seus espetáculos (ela faz quatro no momento): Dussek Veste Machete, no Teatro Sesc Casa do Comércio.

Como o nome explicita, trata-se de um show com a base do repertório formada por canções do inimitável Eduardo Dussek. Um dos artistas mais irreverentes da MPB, Dussek é praticamente a alma gêmea artística de Silvia Machete: debochado, bem humorado, romântico, extravagante.

No palco, Silvia se apresenta acompanhada apenas do pianista / tecladista Danilo Andrade, desfiando um repertório com muitas canções de Dussek, como Aventura, Cabelos Negros, Chocante, Saga, A Índia e o Traficante e Totalmente Tchá Tchá Tchá – a última feita por Dussek para Silvia.

Além dessas, reforçam o show outras canções que se encaixam no espírito dussekiano / machetiano: Back to Black (Amy Winehouse), Great Balls of Fire (Jerry Lee Lewis) e Tango da Bronquite (Angela Rô Rô).

“Tem as músicas do Dussek que tem esse universo de personagens apaixonantes e decadentes. Dussek faz parte de um cabaré que também é a minha praça”, conta Silvia.
“E escolhi Angela Rô Rô, Jerry Lee e Amy. A Amy é a Angela Rô Rô da Inglaterra, então acho que eles conversam como artistas e dentro da poesia. E coloquei uma música minha, Dois Cachorros”, acrescenta.

Além de cantar, Silvia, ex-artista de rua, com muito orgulho, se esmera no aspecto cênico, a começar pelo glorioso longo preto de Guto Carvalho: “Sim, venho com vestido, salto alto, bambolês e muita sensualidade”, promete.

O nome dela é trabalho

Silvia e Dussek, ft Renato Mangolin
Apaixonada pelo homem do Rock da  Cachorra, Silvia gravou um DVD desse espetáculo, lançado no final de 2017: “O público adora o Dussek. Tem público que não conhece e tem também os fãs do Eduardo e os meus. Esse projeto foi gravado em DVD junto com o Canal Brasil e fizemos ele pelo Rio e São Paulo. Adoraria rodar pelo Brasil com ele. Vou fazer esse show pra sempre... eu amo”, derrete-se a artista.

Sem se apresentar em Salvador há seis anos, ela comemora a volta à capital baiana: “Sim. Faz tempo. Meus projetos ficaram pelo Rio nos últimos anos. Escrevi um musical, Mondo Machete, o primeiro sobre uma cantora viva, estrelado por ela mesma”.

“Fizemos temporada em teatro e foi uma experiência ótima! Antes disso, teve esse projeto, Dussek Veste Machete. Não tive a oportunidade de vir antes. Mas cheguei”, diz.

Além do Dussek Veste... e do Mondo Machete, ela ainda toca outros dois espetáculos: “Tenho feito um show chamado High Times, com Simone Mazzer. Um cabaré muito divertido, cheio de jazz e músicas internacionais. Arrumei uma super parceira de cena”.

“E tem um projeto com Junio Barreto, cantando  músicas de Dolores Duran e Antônio Maria. É emocionante”, conta.

Sem parar, ainda grava um novo trabalho: “Chama-se Rhonda. Composições em inglês de minha autoria com produção de Emerson Vilani e parcerias com Alberto Continentino. Estou apaixonada por esse projeto. Diferente de tudo que já fiz em termos de sonoridade”, conclui.

Silvia Machete: Dussek veste Machete / Amanhã e domingo, 20h30 / Teatro SESC Casa do Comércio (Av. Tancredo Neves, 1.109) / R$ 50 (plateia) e R$ 30 (balcão) / Vendas: bilheteria TSCC Ou no www.ingressorapido.com.br

sábado, maio 11, 2019

DE FOTOGRAFIAS E DESPEDIDAS

Ricardo Cury lança o romance Tchau, seu segundo livro. Hoje, no Mercadão CC

Ricardo Cury, foto Will Vieira
Ex-baterista muito atuante no cenário rock local entre os anos 90/2000, o empresário e publicitário Ricardo Cury lança seu segundo livro hoje, no Mercadão CC.

Tchau, o livro em questão, foi viabilizado após bem-sucedida campanha de crowdfunding junto a amigos e leitores de seu livro anterior, o volume de crônicas Para Colorir (2008), “que não é livro de colorir”, apressa-se Cury.

Se, em Para Colorir, as crônicas abrangiam sua vivência como baterista de diversas bandas do rock baiano (brincando de deus, Dinky-Dau), Tchau é um passo além: trata-se de um romance.

“(A ideia do romance surgiu) A partir de uma imagem e de um diálogo presenciado por mim, e que em seguida se desencadeou em uma série de cenas e situações. Aí juntei esse roteiro com um tema que sempre me interessou: a despedida. Mas não a despedida do ‘até logo’ e sim, a do ‘adeus’, conta Ricardo.

Destemido, Cury explora em Tchau um tema doloroso: a despedida de pacientes terminais. Para tratar do assunto com a seriedade que ele exige, conversou com diversos profissionais da área de saúde.

“As histórias que conto, mesmo que romanceadas, são reais. As experiências da personagem principal, nesse universo de despedidas, existiram e foram fruto de uma pesquisa que fiz com psicólogos e médicos que trabalham com cuidados paliativos e pacientes terminais”, detalha.

“Criei uma história com base em minhas questões pessoais (dúvidas) sobre esse momento de se despedir. Do filho que sabe que aquela ida ao hospital pra ver o pai é a última. Ou da neta com a avó. Da mãe com a filha”, acrescenta.

Experiência boa e ruim

Percorrer terreno tão delicado trouxe muitas dificuldades à escrita, o que acabou levando ao atraso na entrega do livro aos financiadores do projeto: “(A experiência de crowdfunding) Foi ótima e péssima. Ótima porque viabilizei o projeto com dinheiro privado, com 215 leitores que bancaram a ideia a partir de um primeiro capítulo que disponibilizei”.

“Péssimo porque acreditei que a história estava pronta quando divulguei o crowdfunding. Mas, no decorrer da coisa, percebi que não estava e não foi fácil terminar. Até marcar uma consulta com um hematologista pra tirar dúvidas sobre o tratamento de certa leucemia eu tive que fazer. Porém, mantive os colaboradores informados sobre o andamento da produção e nesses dois anos de atraso apenas duas pessoas pediram o dinheiro de volta. Hoje tenho 213 leitores”, detalha.

Felizmente, a espera terminou. No pique, ele já planeja os próximos: “Tenho vários (projetos de livros). Um que se chama A biografia de meu avô, que vai ser a biografia de meu avô", conta.

"E outro que é uma espécie de Para Colorir 2 (mas que não terá esse nome). No Para Colorir, eu conto histórias minhas, sobretudo sobre bandas que fiz parte. Nesse, a ideia é contar a história dos outros, das outras bandas, imortalizando-as, a partir de um certo recorte que começa com Flores do Mal e Rabo de Saia, passando pela Úteros em Fúria, brincando de deus, Cascadura, as bandas da coletânea UmdaBahia e outras daquele recorte, que é pessoal, terminando nos anos 2000, com o fim dos Dead Billies”. Promete!

Tchau, de Ricardo Cury / Lançamento hoje, 17 horas / Mercadão CC / Gratuito

Tchau / Ricardo Cury / Independente (edição do autor) / 240 páginas/ R$ 40


quarta-feira, maio 08, 2019

JULHO DETONANTE: ROCK CONCHA DETALHA CAST E FESTIVAL

Rock Concha apaga 30 velinhas com Planet, Camisa, RDP e grandes bandas locais

Planet Hempa fazendo sua cabeeeeça! Foto Divulgação
Alvíssaras roqueiras. Se não faltam shows de bandas pequenas / médias em bares e casas de show pela cidade, o publico adepto tem ficado meio que a ver navios quando se trata de grandes shows de grandes bandas.

Tradicional, o festival Rock Concha, que rola em julho (dias 13 e 14), surge no horizonte trazendo um respiro pra quem sente falta de guitarras pesadas no solo sagrado da Concha Acústica.

Como sempre, serão dois dias. No sábado tem Camisa de Vênus, Ratos de Porão, Malefactor e Drearylands. E no domingo, Planet Hemp, Pedro Pondé e Alquímea. Uma bela edição comemorativa de trinta anos do festival.

Um dia  metal / punk e outro mais diverso. A produção (desde 1989) é de Irá Carvalho (Íris Produções) e a curadoria, do Alexandre Afonso (leia-se Rock Freeday, rádio on line).

“Quando a Íris Produções fez o convite para a Rock Freeday atuar na produção e curadoria do RC 30 Anos, veio a ideia de criar um line up inédito, sobretudo, pela importância do evento e pelos artistas que atuaram nas últimas edições”, conta Alexandre.

Os inimitáveis Drearylands: metal pra frente. Foto Rafael Almeida
“Não é fácil negociar agenda, condições para um festival importante como o RC. Mas conseguimos! Apesar das dificuldades, montamos um cast onde a maioria dos artistas são inéditos no festival”, afirma.

Nesta edição, as dificuldades inerentes aos eventos voltados ao rock continuam, assim como a busca de soluções.

Disseminado nas inúmeras feiras realizadas pela cidade, o esquema hambúrguer & cerveja artesanais vai invadir a Concha: “A falta de apoio e patrocínio para o projeto também é um problema, mas, para 2019, estamos criando um formato em que vamos ter uma feira com os produtos das bandas, gastronomia e cerveja artesanal”, conta Irá.

“(Para o RC seguir acontecendo) Precisamos que o público que gosta de rock em Salvador volte a prestigiar. Em outros estados são realizados projetos do mesmo segmento com sucesso de público e receita”, lembra a produtora.

Sábado e domingo

Ratos de Porão: antifa até o osso. Foto Wander William
Responsável por montar a grade do festival, Alexandre conta que buscou diversidade, mas também garantir um dia para bandas mais pesadas.

“Tirando a última edição (2016) o RC tinha pouca atuação com bandas  de hardcore e metal. No primeiro dia teremos três grandes representantes, duas da Bahia: Malefactor e Drearylands – mostrando a importância delas num festival desse porte”, conta.

“Aí temos a honra de contar com o RDP, uma das principais bandas de hardcore do país. Eles completam 30 anos  do álbum Brasil e estão a muitos anos sem vir aqui“, conta.

Fechando a night, a banda baiana mais importante de todos os tempos: “O Camisa de Vênus  é respeitado até hoje por todos no rock. E dialoga bem com todos os artistas da primeira noite. O Camisa faz um show especial, de clássicos de Raul Seixas”, detalha.

O domingão não deixa por menos: “Planet Hemp, Pedro Pondé e Alquímea trazem na letra das músicas muita personalidade e integração com seus públicos. E os shows do Planet na Concha são historicamente memoráveis para o público baiano. Muita gente ainda lembra da época do extinto Garage Rock, shows que entupiram a Concha”, diz.

Camisinha: show com repertório de Raulzito. Foto Carina Zaratin
“Já o incrível Pedro Pondé traz toda energia  que passou pela banda Scambo, agora com um trabalho solo muito legal. E tem a banda Alquímea, liderada pelo músico Geo Benjamin, que faz um rockão estilo anos 70”, detalha Alexandre.

Curiosamente, praticamente todas as bandas do festival  tem um histórico progressista, quase ativista, como o Ratos, ferozmente antifa, ou o Drearylands, que acaba de lançar um novo single bem nessa linha também, além do Planet Hemp (e Marcelo D2), que dispensam comentários. Mas não foi algo pensado, garante Alexandre.

"Não houve intenção política ou ideológica para montar o cast (apesar de EU, Alexandre, ser um ativista progressista) houve foi uma necessidade de montar um cast que dialogasse bem com o público, por isso, temos o primeiro dia mais 'pesado' e o segundo dia mais dançante, digamos assim. Sendo todos os grupos do segmento que batiza o nome do festival, ou seja, Rock", conclui.

Às bilheterias, meus bravos!

Festival Rock Concha 2019 / Com Camisa de Vênus, Ratos de Porão, Planet Hemp, Drearylands, Malefactor, Pedro Pondé e Alquímea / 13 e 14 de julho / Concha Acústica do TCA / Ingressos entre R$ 50 e R$ 200 / Vendas: www.ingressorapido.com.br

NUETAS

Popoff ao quadrado

Contrabaixista de renome, Yuri Popoff faz jornada dupla em Salvador nesta quarta-feira. Às 15 horas, palestra na FoxTrot do Shopping Bela Vista (gratuito). Às 20 horas, show de lançamento do álbum De Paris a Minas no Jazz na Avenida. R$ 60 e R$ 30.

Skanibais & Okwei

Não tem como dar ruim: Skanibais convida Okwei Odili e Viny Brasil. Quinta-feira, 23 horas,  Borracharia. R$ 20.

Oi! Cury lança Tchau

Baterista de bandas importantes como Dinky-Dau e brincando de deus, Ricardo Cury lança seu segundo livro, Tchau, sábado, no Mercadão CC. Se o primeiro, Para Colorir (2008), era uma divertida coleção de crônicas, este é um romance. Promete. 17 horas.