terça-feira, março 17, 2009

MICRO-RESENHAS PARA IR ENROLANDO O LEITOR EM PROL DA ATUALIZAÇÃO DO BLOG

Mestre black volta à pista

Contemporâneo da época áurea dos bailes blacks que fizeram a fama de Tim Maia, Cassiano, Toni Tornado e Lady Zu, entre outros, Tony Bizarro atravessou as últimas décadas como um artista cult, conhecido apenas por pesquisadores e outros músicos interessados nesse nicho específico da música popular brasileira. Agora ele volta, com o CD Estou Livre, reeditando velhos sucessos e lançando novas faixas. O vozeirão negro continua poderoso, assim como o suíngue de suas composições continua irresistível. A única ressalva fica para certos timbres utilizados de bateria eletrônica e metais sintetizados, o que compromete o caráter essencialmente orgânico de uma música tão pé-no-chão como o samba soul. Mas o CD está longe de ser descartável por conta desse detalhe. Na faixa-título, Estou Livre, basta fechar os olhos para visualizar o globo espelhado girando no teto do salão, de tão convidativa que ela é. Resgatada de um compacto lançado em 1983, a música foi composta no improviso por Bizarro, Lincoln Olivetti e Robson Jorge logo depois de escapulirem de uma blitz policial no Rio de Janeiro. Esta nova versão ainda conta com a participação do rapper B Negão garantindo o diálogo com a molecada de hoje em dia, assim como na faixa Já Tentei de Tudo, que conta com as rimas improvisadas de Thayde. Dono de um passado glorioso, Bizarro mira na juventude para construir o futuro com um som vigoroso, pra frente. O negócio agora é botar pra rodar nas pistas.
Estou Livre
Tony Bizarro
Amplitude Records
Preço não divulgado
www.tonybizarro.com.br

Mais Mestre dos Mares a bordo

O capitão Jack Aubrey e o médico de bordo Stephen Maturin, os heróis da série de aventura Mestre dos Mares, estão de volta no quinto livro (de vinte), A ilha da desolação. Considerada umas das melhores séries de literatura aventuresca surgida no século vinte, MdM foi criada pelo escritor inglês Patrick O‘Brian (1914-2000) e já rendeu um filmaço: Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo, (2003), com onze indicações ao Oscar. Neste episódio, que inclusive tem passagens no Brasil (em Recife), Aubrey e Maturin se vêem as voltas com uma epidemia de febre tifóide a bordo, um porão abarrotado de presos condenados, uma espiã americana e o resgate de um capitão. Diversão classuda.
A ilha da desolação
Patrick O‘Brian
Record
416 p. R$ 45
www.record.com.br

Aguarraz ainda pode render mais

O trio baiano de pop rock Aguarraz, formado por Roberta Simões (voz), René Pedro (voz, violões) e Rodrigo Fróes (baixo) estreou em CD cheio com O Mundo Gira Ao Seu Redor. Muito bem assessorados no estúdio por andré t. e o padrinho Fábio Cascadura, o CD soa redondo, bem executado e bem gravado. Não por acaso, o grupo as vezes soa como uma espécie de Cascadura Júnior – descontado o peso da banda matriz, aqui bem suavizado. Bastante acessível a ouvintes de qualquer idade, o grupo não faz feio, mas também não chega a surpreender quem espera algo mais arrojado. Contudo, o talento do trio está confirmado – só falta desenvolver e crescer.
O Mundo Gira ao Seu Redor
Aguarraz
Independente
R$ 12
www.aguarraz.com

Sai o reggae ska, entra o tecnopop

A boquinha suja da jovem cantora / encrenqueira Lily Allen pode ter ficado menos bem-humorada neste seu segundo disco em comparação com a estreia, em Alright Still (2005), mas nem por isso, ela deixa de soar bem aos ouvidos dos apreciadores da boa música pop. Se no primeiro álbum seu som namorava com reggae e ska – de forma bastante suave –, It‘s Not Me, It‘s You flerta com tecnopop e girl groups dos anos 60, como se pode ouvir em faixas como Chinese e Fuck You, respectivamente. A melancolia tipicamente britânica que parece ter tomado conta do coraçãozinho da moça pode ter eliminado o diferencial que chamou a atenção quando do seu surgimento, mas até que fez bem à sua música.
It‘s Not Me, It‘s You
Lily Allen
EMI
R$ 29,90
www.lilyallenmusic.com

Entertainer faz boa estreia

A melhor maneira de se apreciar a arte de Silvia Machete é vendo-a em ação no palco. Por que ela não é apenas uma boa cantora, dona de uma voz bastante decente – a qual ela parece saber usar muito bem. Mas sim, por que, essa carioca de 32 anos, experimentada artista de rua, é, antes de tudo, uma entertainer, categoria cada vez mais rara no showbiz brasileiro. Ela canta, dança, faz graça com o público, fecha e acende um cigarro (de tabaco, claro) enquanto gira um bambolê, faz a dança do ventre e ainda dá um CD de graça a voluntários que aceitem chupar seu dedão no palco. O show tem clima de cabaré total, com direito a troca de figurinos, muitas performances e boa música, entre canções de autoria própria, covers (Sweet Child O‘Mine e Girls Just Wanna Have Fun) e bons convidados, como Nina Becker, Rubinho Jacobina e o cantor e guitarrista Momo. Para quem ainda não conhece, esse DVD com vários extras é a porta de entrada.
Eu Não Sou Nenhuma Santa
Silvia Machete
EMI
R$ 39,90
www.silviamachete.com

Remixes de Kylie num pacote só

Ídolo do povo GLS nas pistas do mundo inteiro, Kylie Minogue vem apresentando nesta década um trabalho bem mais consistente do que Madonna, que, convenhamos, segue no piloto automático criativo há tempos. Neste CD, ela reúne alguns dos melhores remixes feitos para suas músicas por DJs badalados, The Chemical Brothers, Mylo, Fischerspooner e outros – razão mais do que suficiente para fechar o Off Club uma noite inteira só com o repertório aqui apresentado. O CD abre com o ótimo mash up Can‘t Get Blue Monday Out of My Head, amalgamando o hit da sexy australiana com o clássico do New Order. Outro destaque é Slow, com o remix dos Irmãos Químicos.
Boombox - The Remix Album 2000-2008
Kylie Minogue / Vários DJs
EMI
R$ 34,90
www.kylie.com

The Rakes mantém pique

Parte da cena indie britânica mais recente, a banda The Rakes cometeu há alguns anos uma das músicas mais icônicas desta década que está quase no fim: The World Was a Mess (But His Hair Was Perfect). Neste seu terceiro disco, o grupo mantém a receita que o consagrou, bem como a seus contemporâneos The Futureheads, Art Brut e Maximo Park: pós-pós punk com levadas dançantes de baixo, riffs econômicos, vocais quase falados e letras cínicas de temas essencialmente urbanos. Apesar de bem competente no que se propõe, ainda falta ousadia (a esta geração como um todo, na verdade) para ir além da receita da moda. Mas quem curte a banda vai gostar, pois o CD no geral é bom.
Klang
The Rakes
V2 (Importado)
Preço não divulgado
www.therakes.co.uk

Mago das cordas de volta

Como o título já explicita, este não é o disco de um músico comum. É um disco que resume a história de um músico virtuoso no seu instrumento: no caso, de Luciano Souza e a guitarra. Experiente, Souza tem história no rock e no jazz brasileiros. Aos 10 anos, já solava com a guitarra nas costas com sua banda Os Minos, da qual fazia parte Pepeu Gomes (no baixo!). Aos 17, partiu para o jazz rock no grupo Creme, obviamente inspirado no Cream, de Eric Clapton. Fez parte ainda do lendário Som Nosso de Cada Dia e das bandas de Baby e Pepeu nos anos 80. Após mais de uma década de ostracismo, foi resgatado pelo jornalista e pesquisador Zezão Castro, que o juntou ao feríssimo baterista Dom Lula Nascimento no Jazz Rock Quartet, em tempos mais recentes. Dom Lula, aliás, é quem acompanha Luciano em todas as faixas, entre outros músicos. No encarte, Zezão conta em texto bilíngue toda a interessante trajetória deste mago das cordas.
Virtuose
Luciano Souza
Independente
Preço não divulgado
zezaocastro@yahoo.com.br


Os Infames são boa surpresa rock

É mesmo impressionante a vitalidade da cena rock local. Além das bandas mais visíveis e hypadas, como Cascadura e Retrofoguetes, existe toda uma infinidade de bons grupos nadando um pouco abaixo desta superfície e fazendo um barulho de responsa. Uma boa surpresa é esta Os Infames, que na contramão das tendências de mercado, aposta no bom e velho rock ‘n‘ roll para dançar, beber cerveja e se divertir adoidado, mais ou menos como faz a ótima Capitão Parafina & Os Haoles. Entre rocks, blues e boogie woogies, a banda do vocalista Dan Borges e do guitarrista Pedro Duarte faz bonito e instiga a vontade de vê-los tocar ao vivo.
Os Infames
Os Infames
Independente
Preço não-divulgado
www.myspace.com/osinfames

Dead Fish mostra resistência do HC


Parte da rica cena de hardcore capixaba, a banda Dead Fish se destaca por conseguir estabelecer uma ponte entre o radicalismo dos seus conterrâneos da Mukeka de Rato e o HC de FM de um CPM 22. Militando nesse saudável equilíbrio, o grupo chega agora ao seu sexto álbum em dezoito anos de carreira, com mais uma boa coleção de rocks quase sempre bem acelerados, mas que não dão a impressão de se estar ouvindo a mesma música o tempo todo. Aqui e ali há ecos de stoner rock (Descartáveis) e até heavy metal (Autonomia), dando uma refrescada boa no andamento do CD. Nas letras, muita raiva e ironia contra a sociedade de consumo.
Contra Todos
Dead Fish
Deck Disc
R$ 24,90
www.deadfish.com.br/


Mestre das misturas ao vivo

Quem verdadeiramente conhece de música brasileira, sabe que Marku Ribas é uma espécie de ídolo oculto de muitos dos nomes mais importantes dos cenários da MPB e música pop dos últimos 30 anos. Um dos nomes fundamentais desde que se começou a misturar samba com rock, soul e reggae no Brasil, ainda nos anos 70, este mineiro de Pirapora e seu vozeirão marcaram época com clássicos que andaram esquecidos durante décadas, mas que aos poucos, vão voltando a baila, como Zamba Ben (uma obra-prima), Alerta Geral (censurada pela ditadura e posteriormente gravada por Alcione) e Meu Samba Regué (primeira vez que se misturou música brasileira com o ritmo jamaicano), entre outras. Neste DVD ao vivo lançado pelo Instituto Itaú Cultural, Ribas, agora aos 60 anos de idade, demonstra estar bem inquieto e cheio de idéias. Das 14 músicas, 10 são inéditas e só quatro são do seu repertório clássico. Descontraído e totalmente a vontade no palco, Ribas justifica o show com predominância de material inédito dizendo que não é "bombeiro pra resgatar ninguém". Entre as novas músicas, destaque para o sambalanço de Altas Horas, a homenagem a Carlos Marighella em Pas Pour Ça (em bom francês) e Ato Tridimensional nº 5. Aliás, quem se admira com os vocalizes percussivos de Ed Motta (fã declarado de Ribas) em tempos mais recentes nem imagina do que é capaz este senhor, ainda no auge da forma e cheio de ginga.
Toca Brasil
Marku Ribas
Brasil Musical / Itaú Cultural
R$ 22
www.myspace.com/markuribas

5 comentários:

M.R. disse...

Mod que é mod também pensa em...moda! Liam Gallagher, do Oasis, acaba de lançar sua propria grife...http://clashcityrockers.blogspot.com/

Franchico disse...

Iaaaaarrrrrrgh! Alien Vs Predador!

No xadrez, bilhar e... swingball?

http://www.omelete.com.br/teve/100018664/Canal_neozelandes_tira_sarro_de_Alien_Vs__Predador_em_divulgacao.aspx

Franchico disse...

Notícias frescas que acabam de chegar por email, através das assessorias de imprensa da Deckdisc e da Pixel Media.

Primeira: Vencedora do GAS Sound, Vivendo do Ócio lança álbum pela Deckdisc em maio

Ano passado, a banda baiana Vivendo do Ócio concorreu com outros 2 mil grupos e venceu o Gas Sound, reality show musical criado pelo Guaraná Antarctica, em parceria com as agências B/Ferraz e DM9DDB, e exibido pela RedeTV aos domingos.
Parte do prêmio foi a gravação de um álbum pela Deckdisc. Assim sendo, o quarteto passou 3 semanas no Estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, e o produtor Rafael Ramos ficou surpreso com o que ouviu. “Uma banda que leva a sério o que faz e não copia ninguem. Tem influências do rock dançante britânico mas sempre procura fazer um som original”-.
Jajá (voz e guitarra), Lucas (baixo e vocal), Davide (guitarra) e Dieguito (bateria) registraram 14 músicas novas em 3 semanas. O album sera lançado em maio.
Entre outras apresentações, Vivendo do Ócio tocou no Festival de Verão e está escalado para o próximo Abril Pro Rock. Em 2008 foi eleita a Banda do Ano pelo jornal A Tarde, de Salvador.

Segunda:

Gostaríamos de informar que a Pixel Media continuará publicando a revista Spawn, no Brasil.
Pedimos desculpas aos fãs pelo atraso na publicação, mas o processo de renovação contratual já esta em sua fase final e em breve a revista estará novamente nas bancas.
Atenciosamente
Ofício das Letras – Assessoria de Imprensa Pixel Media

Franchico disse...

Abril é o Wolverine Art Appreciation Month. Confira a galeria onde desenhistas emulam o estilo de artistas plásticos famosos tendo o Wolverine como estrela da hora - já que o filme vem aí...

http://www.omelete.com.br/quad/100018675/Marvel_publicara_capas_com_representacoes_artisticas_de_Wolverine.aspx

Franchico disse...

Agora, foda mesmo, sobre o comunicado da Pixel Media reproduzido acima, é o insistente silêncio da Ediouro (dona da Pixel) sobre o destino dos publicações Vertigo / Wildstorm. Cadê a Pixel Magazine? Cadê a Fábulas Pixel? Os encadernados de Preacher, Os Invisíveis, 100 Balas, Hellblazer, Promethea, Planetary, Astro City etc? Por que essa falta de respeito com o leitor? Ninguém merece uma satisfação? Isso realmente desestimula muito os fãs brasileiros. Tremenda desconsideração.