segunda-feira, maio 26, 2008

QUADRINHOS NACIONAIS PARA LER E COLECIONAR

Onda de lançamentos luxuosos de autores nacionais ressalta a alta qualidade da produção pátria, além do respeito das editoras com a HQ brasileira


Nem só de super-heróis gringos vive o leitor brasileiro quadrinhos, Maurício de Sousa que o diga. Mas, além do célebre criador de Mônica e Cebolinha, as livrarias e bancas têm recebido uma animadora oferta de HQs brazucas – tanto em termos de quantidade, quanto de qualidade.

Só no último mês, cinco álbuns de luxo – e até de alto luxo – aportaram nas lojas: Piratas do Tietê - A Saga completa Vol. 3, Níquel Náusea - Minha mulher é uma galinha (ambas da Devir Livraria), Quadrinhofilia, Leão Negro - Pepah (ambas da HQM Editora) e O alienista (Companhia Editora Nacional. Impossível deixar de citar também a revista Antologia Chiclete com banana, que está republicando o material da clássica revista homônima dos anos 80 e chega agora ao seu quinto número.

O leitor que tiver a oportunidade de conhecer todos estes materiais vai perceber, pelo menos, duas características marcantes da HQ brasileira. Uma é a variedade de estilos e temáticas. O quadrinista brasileiro que desenvolve um trabalho autoral não se limita a mostrar pessoas comas cuecas para fora das calças voando por aí, parecendo mais preocupado em desenvolver estilos e universos estéticos próprios e intransferíveis.

A outra característica que marca essa leva de lançamentos é a alta qualidade do quadrinho nacional, seja numa produção mais recente (como Quadrinhofilia e Níquel Náusea) ou mais antiga, como Piratas do Tietê e Chiclete com banana, ambos produzidos nos anos 80.

EDITORAS INVESTEM – Além da qualidade do material em si, é notável o cuidado editorial tomado com as edições em questão. Casas como a Devir e a HQM, numa atitude nobre e corajosa, investem em lançamentos mais do que dignos para HQs nacionais, numa clara tendência de (merecida) valorização desses trabalhos.

Nesse sentido, o carro-chefe é sem dúvida a coleção Piratas do Tietê - A Saga Completa, que apresenta as hilárias aventuras dos bucaneiros paulistanos criados pelo cartunista Laerte Coutinho. Piratas ganhou uma luxuriante coleção de três álbuns em capa dura e papel off-set de 120 gramas. No último e recém-lançado terceiro volume, um enorme poster colorido acompanha o livrão.


Mas os outros lançamentos, se não têm capa dura, também têm qualidade para conquistar qualquer leitor, como álbum Níquel Náusea - Minha mulher é uma galinha, sétima coletânea de tiras do cartunista e veterinário Fernando Gonsales.

Estrelada por uma constelação de animais engraçadíssimos, Níquel Náusea ganha a simpatia do leitor pelo humor simples e direto que muitas vezes reflete o inesgotável repertório da estupidez humana. De forma cômica, Gonsales toca em assuntos sérios com um toque leve, deixando espaço para quem lê tirar suas próprias conclusões. Risadas garantidas.

Demasiado humano também são os felinos de Leão Negro - Pepah. Criada na década de 80 por Cynthia Carvalho e Ofeliano de Almeida na década de 80, essa série de fantasia, aventura e um toque de erotismo retorna agora com um novo álbum, escrito pela mesma Cynthia e desenhada por André Mendes e Danusko Campos.

Estrelada por Othan, um anti-herói egoísta e dono de uma grande juba branca, Leão Negro se passa num mundo medieval habitado por leões antropomorfizados e – como não poderia deixar de ser – com o pavio bem curto e desejos irrefreáveis. O senão desta edição é a colorização em tons de cinza um tanto exagerada e que interfere um pouco na visualização dos belos desenhos. A HQM promete novos álbuns da série para breve.

Quem não curte muito o gênero da fantasia deve curtir bastante a crônica urbana sensível do curitibano José Aguiar, autor do álbum Quadrinhofilia. No caso de Aguiar, o termo "álbum" se adeqüa muito bem à sua obra, que apresenta uma coletânea de histórias avulsas, produzidas ao longo de uma década.

Versátil, premiado e com HQs publicadas na Europa, Aguiar é um dos maiores talentos dos quadrinhos nacionais na atualidade fora da seara do humor, merecendo pleno reconhecimento do público. Seu domínio da linguagem e a narrativa precisa são simplesmente impressionantes, dignos de muitos aplausos.


Outro lançamento que merece atenção é a adaptação do pernambucano Laílson de Holanda Cavalcanti para O alienista, a genial e irônica fábula de Machado de Assis sobre a hipocrisa que rege a sociedade.

Dono de um traço clássico, firme e com estilo próprio, Cavalcanti produziu a terceira adaptação recente da obra para os quadrinhos. As outras são de Francisco S. Vilachã (para a editora Escala Educacional) e dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá (para a AGIR). Ainda assim, é (mais) uma válida e bela re-interpretação do clássico.

terça-feira, maio 20, 2008

UNIVERSO ONÍRICO É O TEMA DA FRONT 19

Coletânea de HQ nacional destaca novo autor baiano



A cada três meses, fãs de quadrinhos têm uma boa oportunidade de conhecer os melhores novos autores nacionais que vêm surgindo entre a internet e os cursos de HQ e design na revista Front.

No número mais recente, o 19, o destaque - para os baianos - é o autor local André Leal e sua musa e parceira, a jovem Fernanda Breta, que protagoniza sua própria HQ, O cheque de 7 dígitos.

A cada edição, a publicação elege um tema para os quadrinistas trabalharem da forma que melhor lhes convir. Neste número, o tema é "Sonho", um prato cheio para qualquer cartunista.

Dono de um traço que oscila graciosamente entre o caricatural e o realista-detalhista, Leal cria uma divertida aventura esportiva para a doutora Fernanda, veterinária que é a principal jogadora da equipe de vôlei da clínica onde trabalha.

Acontece que, sabendo da grande habilidade da veterinária na quadra, o dono da clínica adversária faz um trabalho de feitiçaria para amarrar a moça na competição. Em jogo, um cheque de sete dígitos apostado entre dois magnatas.

Leal recheia seus desenhos de referências, como um dos personagens que surge num sonho para Fernanda, inspirado no Morpheus (interpretado por Laurence Fishburne) no filme Matrix. Ele ainda se dá ao luxo de incluir em quadros nas paredes e nas camisas dos personagens, ilustrações de amigos, como o emergente designer Túlio Carapiá.

No geral, a Front conta com um time bastante homogêneo de autores, quase todos de nível profissional muito bom, como André Leal. É notável, por exemplo, a narrativa madura e bem resolvida da HQ que abre a revista, Doces Sonhos, de Daniel Esteves e Júlio Brilha, uma crônica urbana de sonhos abandonados em desenhos de encher os olhos.

Folheando a revista, é impossível não se deixar impressionar pelas diversas experimentações gráficas de quadrinistas como Will e Leonardo Santana (em Sonhos 2.0), Sidnei Akiyoshi (em Amarraapá) e Leandro Moraes (em Rosto em descanso), todos aproveitando muito bem o formato horizontal deste número.

Há ainda as técnicas múltiplas (aquarela, colagem, fotografia) de Fernando Real em Erè Mela, igualmente preciosas.

Front 19
Vários artistas
Via Lettera
112 p. |R$ 27
http://front.vialettera.com.br

CONHEÇAM O TRABALHO BACANA DE ANDRÉ LEAL AQUI: http://bibifonfon.blogspot.com/
E TAMBÉM SUA MUSA, A BELA E MISTERIOSA FERNANDA BRETA AQUI: www.fernandabreta.com.br/

segunda-feira, maio 19, 2008

MELANCOLIA LO-FI BAIANA PARA EXPORTAÇÃO

Contratados por um selo de Nova Jersey, o duo local Dois Em Um lança seu primeiro CD em agosto, direto nos EUA

Que a Bahia não vive só de dancinhas de verão e outras manifestações tão passageiras quanto as quatro estações não é novidade pra ninguém. A real diversidade baiana, que guarda tesouros inestimáveis e não sobe em trio elétrico, ainda está por ser descoberta. Um desses tesouros ocultos, porém, está pouco a pouco despontando na superfície: é o Dois Em Um, projeto do casal Luisão Pereira (ex-Penélope e Cravo Negro) e Fernanda Monteiro, violoncelista da Osba (vistos ao lado e abaixo em fotos de Marina Novelli).

Os dois se conheceram quando Luisão, baiano de Juazeiro, morava no Rio com sua antiga banda (extinta em 2004) e Fernanda, carioca, tocava violoncelo como convidada nos shows acústicos de bandas como Kid Abelha e Roupa Nova. Em 2005, se mudaram para Salvador.

Para não deixar enferrujar as habilidades de músico e compositor, Luisão volta e meia compunha suas músicas em casa, as quais grava no seu estúdio caseiro. "Um dia eu tava aqui me batendo com uma música, tentando cantar, só que minha voz é um horror. Aí a Fernanda veio, sentou do meu lado e começou a cantarolar a tal da música. Não é que encaixou perfeito?", admira-se o marido orgulhoso.

"Gravamos quatro faixas e, como todo mundo faz, colocamos no MySpace para mostrar aos amigos", conta. A resposta foi imediata e apaixonada. No MySpace (www.myspace.com/doisemum) desde dezembro último, as cinco faixas já contam juntas com mais de 13 mil plays, um feito impressionante para um projeto caseiro que sequer faz shows.

"Isso fez com que a gente começasse a pensar que, de fato, nós existimos, digamos assim", observa o músico. "No site tem um mapinha-múndi que indica os locais onde tem gente acessando nossa música, e tem lugares que a gente nem imaginava, tipo umas ilhas lá na Ásia", ri Luisão.

SOUVENIR RECORDS - Além das tais ilhas na Ásia, as cinco faixas também causaram uma ótima impressão no pessoal do selo Souvenir Records, de Orange, Nova Jersey (EUA). "Eles deixaram um recado lá no MySpace, a gente foi se comunicando, e quando eu vi, o contrato já tava aqui em casa", diz.

O acerto com a Souvenir prevê o lançamento do primeiro álbum - já gravado - do Dois Em Um somente na América do Norte, entre julho e agosto próximos. "Não incluí a América do Sul no contrato por que acho que posso conseguir coisa melhor por aqui", confia Luisão.

Mas os convites não pararam por aí. "Rolou um monte de convite muito rápido, sendo que a gente nunca fez um show. Na verdade, nem pensamos nisso ainda. Teve o Rodrigo Lariú (do emblemático selo indie Midsummer Madness) e o pessoal do selo Si No Puedo Bailar, que nos convidou para uma coletânea de bandas latinas", revela.

Tanto entusiasmo chega mesmo a assustar o casal, especialmente Luisão, músico militante no rock local desde os anos 80, quando fundou a banda Cravo Negro. "Estamos sendo empurrados pelos outros, o que é o processo inverso do que eu vivi até hoje. Sempre fui o maior cabo eleitoral de mim mesmo, tipo 'ouça minha banda, por favor'", relembra.

Mas afinal, qual é o segredo do Dois Em Um, por que sua música encanta tanta gente de tantos lugares diferentes? A resposta pode estar na simplicidade com que o casal cruza as linguagens do pop eletrônico sutil, da bossa nova e do erudito, criando melodias doces, melancólicas e de uma beleza simplesmente arrebatadora.

A voz da violoncelista - instrumento responsável por intervenções igualmente certeiras - é outro trunfo até então insuspeito, com um timbre lindo, frio e distante que evoca a mítica Nico (cantora do Velvet Underground) e Laetitia Sadier, do grupo anglo-francês Stereolab.

"Luís já chega com a canção e o arranjo mais ou menos prontos na cabeça, aí a gente vai gravando e criando ao mesmo tempo", revela Fernanda. "Quando o CD sair, as pessoas vão poder comprar pela internet. Mas até o fim do ano, espero lançá-lo no Brasil também", adianta Luisão.

OUÇA:
www.myspace.com/doisemum

sexta-feira, maio 16, 2008

THE GLADIATORS MOSTRAM SUAS ARMAS NA BAHIA

The Gladiators, banda clássica do ritmo jamaicano, toca neste domingo com as locais Mosiah e Rastabrothers Duo Dub

Domingo, 18 de maio, será um dia especial para todos os fãs do reggae em Salvador. A lendária banda jamaicana The Gladiators, considerada uma das melhores de todos os tempos, além de ser também uma das responsáveis pela disseminação do ritmo pelo mundo, se apresenta hoje, na casa Espetáculo, na Boca do Rio, com abertura das locais Mosiah Roots e Rastabrothers Duo Dub.

Fundada como um trio vocal por Albert Giffiths, David Webber e Errol Grandison há 40 anos, em 1968, a Gladiators ganhou esse nome por causa do filme Ben-Hur (1959). A idéia de escravos lutando pela liberdade contra a Babilônia impressionou Griffiths.

O núcleo que deixaria a banda famosa no decorrer dos anos 70, contudo, contaria apenas com Griffiths de membro original, além de Clinton Fearon – hoje em carreira solo – e Gallimore Sutherland.

Juntos, os três cometeriam um punhado de álbuns clássicos, como a trilogia Trenchtown Mix Up (1977), Proverbial Reggae (1978) e Naturality (1979), entre outros. O grupo trabalhou ainda em parceria com outras lendas do estilo, como o rei do dub Lee Scratch Perry – com quem gravaram Jah Vengeance (1974) – e Eddy Grant.

Em 2005, já destituído de Fearon, Griffiths resolveu que era hora de passar o bastão à nova geração, e, com o álbum Father and Sons, se despediu da banda e apresentou seus filhos Al (vocais) e Anthony Griffiths (bateria), que hoje a lideram, junto com o remanescente Sutherland.

"A reggae music jamais morrerá. Nós lutamos por isso, pois ela é a música que traz os ensinamentos de Jah, é o que alimenta nosso corpo e alma", garante o vocalista. em entrevista por telefone, de um hotel em Goiânia. "É uma grande honra e um prazer continuar o legado que meu pai iniciou há 40 anos", afirmou.

No momento, o grupo está trabalhando – entre um show e outro – no CD sucessor de Father and Sons, o primeiro sem o Griffiths pai. "Assim que voltarmos para a Jamaica, após essa turnê brasileira, concluiremos as gravações. Logo depois, viajaremos para alguns shows na França", disse.

O show de hoje, segundo Griffiths, será uma mistura de números clássicos com outros do álbum de 2005, como Jah Works, Hearsay e God Bless.

LOCAIS – Antes dos gladiadores do reggae, porém, os espectadores assistirão às apresentações da estreante Rastabrothers Duo Dub e da experiente Mosiah Roots.

Com dez anos de atividades no cenário local, a Mosiah já conta com um bom público cativo na cidade. "Esse é um ano comemorativo para a Mosiah. Já fizemos um show em tributo à Bob Marley e agora tocamos com uma das bandas que mais nos influenciaram", conta Luciano Correia, vocalista.

Em processo de gravação do segundo CD de estúdio, o grupo ainda planeja o lançamento de um DVD ao vivo comemorando a década de fundação, cuja registro está previsto para "agosto ou setembro, em local ainda ser definido", adianta o músico.

The Gladiators, Mosiah Roots e Rastabrothers Duo Dub | 18 de maio, 17 horas | Espetáculo | Av. Octavio Mangabeira, s/n, Boca do Rio, na sede de praia do Esporte Clube Bahia (3232-0239) | R$ 25,00 (preço promocional para todos) | À venda nos balcões Pida e no local

quinta-feira, maio 15, 2008

DJ DOLORES PINTA O SET NO REMIX-SE

Um dos DJs mais conceituados do Brasil volta à Bahia para fazer o que sabe melhor: comandar as pick-ups e botar o povo pra dançar. É o DJ Dolores, que encabeça mais uma edição especial do Remix-se, evento semanal que agita o Pátio do Instituto Cultural Brasil-Alemanha (Icba) todos os sábados.

Sergipano radicado em Pernambuco, Hélder Aragão (nome de batismo) acompanhou os primórdios do movimento mangue beat in loco, começando a discotecar nas festas do grupo, e daí não parou mais.

Diferente da grande maioria dos DJs, contudo, Dolores não trafega apenas na área da música eletrônica, circulando com bastante habilidade no cruzamento eletro-acústico que caracteriza o movimento recifense em si, recheando seu som tanto com sambas rurais quanto com batidas sintéticas.

"Desde o começo da década de 90 que a gente queria discutir a identidade musical brasileira, nordestina e nossa própria origem, talvez tentando formatar um pop genuinamente brasileiro, mas sem nacionalismos bobos", relembra o músico.

"Quando eu falo de tradição, eu me refiro a algo que está vivo. Um exemplo simples é o maracatu e a ciranda após a chegada da TV e da internet nas zonas rurais, o que acaba modificando, de uma forma ou de outra, essas manifestações. E veja bem, se eles não mudassem, não renovariam o público", aposta. "A cultura não é uma coisa estática".

O último álbum de Dolores, 1 Real, já foi lançado na Europa, Japão e Estados Unidos, mas, infelizmente, não tem previsão de lançamento no Brasil. O próprio DJ recomenda aos interessados que o baixem de graça no site sombarato.blogspot.com.

"Muita gente já baixou de lá que eu sei, mas ainda quero lança-lo em formato físico no Brasil, por que é importante para a divulgação em jornais, revistas e rádios".

Em 2003, Dolores ganhou os prêmios BBC Awards e o Prêmio Multicultural Estadão pelo álbum Contraditório, o que lhe rendeu 40 shows em dois meses de turnê pela Europa.

DJ Dolores, DJ's Angelis Sanctus (Pragatecno), BigBross, Chicão e Bhramz (Clube do Vinil) | Sábado, 16 horas | Pátio do ICBA | Av. Sete de Setembro, 1.809, Corredor da Vitória (3337- 0120) | R$ 10

terça-feira, maio 13, 2008

TODAS AS MICRO-RESENHAS DO MUNDO

Apenas rock ‘n‘ roll, mas...

Show dos Rolling Stones é aquela coisa: quem já viu um, já viu todos. Ainda assim, trata-se do melhor show de rock de todos os tempos, ponto. O CD duplo traz a trilha sonora do bombado filme de Martin Scorsese, registrado em dois shows no Beacon Theatre, de Nova Iorque. Estão aqui, mais uma vez, as razões do seu reinado de quase 50 anos como a maior banda de rock ‘n‘ roll de todos os tempos. As execuções são limpas, redondas, perfeitas. A curiosidade é que repertório de sucessos dos Stones é tão vasto que aqui eles se deram ao luxo de incluir alguns preciosos hits obscuros que só fãs mais ardorosos lembram, como She Was Hot (do álbum Undercover, 1983), Some Girls (do LP homônimo, de 1978), Little T&A (do Tatoo You, 1981), além da própria faixa título, um dos melhores momentos de Exile on Main Street (1972), considerado o melhor disco da banda. Participações de Jack White (White Stripes), Buddy Guy e Christina Aguillera, único senão do álbum. Por que não chamaram logo a Amy Winehouse?
Shine a Light
Rolling Stones
Universal
R$ 34,90
www.rollingstones.com


Confronto devastador no deserto

A incrível saga de Jesse Custer, o padre texano desbocado que recebe uma entidade meio divina-meio demoníaca e resolve acertar contas com Deus, que abandonou o Paraíso, chega à um de seus momentos mais emocionantes no 5º volume da série, Guerra ao Sol. Tudo converge para uma encarniçada batalha no Vale Monumental – cenário clássico dos inesquecíveis faroestes de John Ford –, quando Jesse encara o terrível Santo dos Assassinos, o ridículo Herr Starr e seu exército, tudo ao mesmo tempo, com direito à tanques, fugas alucinadas e uma bomba atômica. As coisas, claro, não terminam muito bem para o personagem principal e seus amigos Tulipa e Cassidy, que além, de vampiro, irlandês e beberrão, se revela um tremendo mau-caráter. Enquanto isso, Arseface, personagem de nome impublicável em português, se torna um astro do rock. Preacher, uma das melhores HQs adultas dos anos 90, é também o trabalho mais elogiado do escritor irlandês Garth Ennis.
Preacher - Guerra ao Sol
Garth Ennis / Steve Dillon
Pixel Media / Vertigo
180 p. | R$ 35,90
www.pixelquadrinhos.com.br


A escalada do poeta ao topo das Américas

"Não há passaportes que levem ao incognoscível, não há razões que nos façam acessar a imensidão e depois voltar à nossa humanidade". Com essas palavras, o sociólogo e poeta gaúcho Assis Aymone sintetizou o efeito que uma experiência de vida realmente radical pode causar no íntimo de uma pessoa. No caso, uma escalada ao Aconcágua, a montanha mais alta das Américas - e pelo caminho mais árduo, a escarpada face Sul. Integrante da expedição que ficou marcada pela perda do alpinista brasileiro Eduardo Silva, Aymone decobriu ali, entre a rocha áspera e o gelo causticante, que os limites de cada um podem ser mais elásticos do que se imagina, mas não devem jamais ser ignorados.
Aconcágua - O cume e depois morrer
Assis Aymone
Record
182 p. | R$ 35,00
www.record.com.br


Sanguinários e hilários

Eles são sujos, rudes, sanguinários. E mais do que tudo isso junto, eles são hilários. Os Piratas do Tietê, imortal criação do cartunista Laerte Coutinho, finalmente ganharam o tratamento que merecem: uma coleção em três volumes com capa dura e miolo em papel off-set 150 gramas reunindo todas as suas histórias, mais alguns extras, como o roteiro e fotos da peça de teatro dos Piratas, montada em 2003 em São Paulo, incluídos no volume 2. Criados ainda nos anos 80, os Piratas estrearam para o grande público nas páginas do clássico gibi Chiclete com Banana, do cartunista Angeli. Os volumes 1 e 2 já foram lançados nas livrarias e lojas on line. O terceiro e último deve chegar em breve. No livro 2, contos inesquecíveis com convidados especialíssimos, como em O poeta, com participação de Fernando (em) Pessoa, Vozes da selva, com aparições do casal Fantasma e Diana Palmer, A terceira margem, com o Batman e A revelação, com a Virgem da Conceição. Só clássicos.
Piratas do Tietê - Livro 2
Laerte
Devir
112 p. | R$ 52
www.devir.com.br


Primórdios de uma saga

Spawn, o Soldado do Inferno, continua tendo seus primeiros números, originalmente lançados na década de 90, encadernados no Brasil. Neste segundo volume, englobando as edições 6 a 8 e 11, o criador e desenhista Todd McFarlane recebeu o auxílio luxuoso dos mestres Alan Moore (Watchmen) e Frank Miller (Sin City) - nas edições 8 e 11, respectivamente. As edições 9 e 10, com roteiros assinados por Neil Gaiman (Sandman) e Dave Sim (Cerebus), não puderam constar da compilação por questões judiciais envolvendo seus autores - o que as tornou objetos instantâneos de colecionadores. Para quem não conhece a história, Spawn era o soldado americano Al Simmons, que, após ser traído pelos seus superiores, morreu e foi parar no inferno. Após um acordo com o rabudo, ele volta à Terra na forma do sinistro Spawn. Belos desenhos.
Spawn - Origem Vol.2
Todd McFarlane / Vários
Pixel Media
116 p | R$ 32,90
pixelquadrinhos.com.br


E-feijão com arroz orgânico

Um veterano da música eletrônica anti-comercial e outro da música regional nordestina se juntam, numa improvável parceria, para produzir um dos CDs mais originais dos últimos anos. O paulistano Loop B, conhecido pela mistura dos beats eletrônicos com percussão de sucata, e o paraibano Pedro Osmar, um dos mais conceituados violeiros nordestinos, estão juntos em Farinha Digital, projeto viabilizado pela Petrobras, através da Lei de Incentivo Cultural. A bem da verdade, misturanças de música regional com eletrônica já não são novidade desde os anos 90. Isso, porém, não tira a originalidade do esforço criativo da dupla, ambos reconhecidamente competentes nas suas respectivas searas. Quase inteiramente instrumental e longe de uma acessibilidade mais pop, contudo, o álbum poderá soar um tanto arrastado para quem só costuma associar música eletrônica com pista de dança. O mérito da obra é promover um suave encontro - não uma colisão - de dois mundos que, apesar de distantes, parecem cada vez mais próximos. Bem-resolvido, instigante e ousado.
Farinha Digital
Pedro Osmar e Loop B
Cooperativa de Música / Tratore
R$ 25
www.myspace.com/pedroosmareloopb

quarta-feira, abril 30, 2008

MICRO-RESENHAS, PORRA!

Gordinho em ótima forma

Black Francis era a identidade de Frank Black, ou melhor, Charles Kitteridge Thompson IV (seu nome de batismo), durante o tempo em que esteve a frente da lendária e super-influente banda Pixies, na virada da década de 80 para a de 90. Quando a banda acabou, o gordinho de voz esganiçada - que cantava como se estivesse sempre à beira de um ataque de nervos - adotou o nome de Frank Black, com o qual tocou uma prolífica carreira-solo. Em 2004, os Pixies voltaram, fizeram uma turnê (que passou até por Curitiba), lançaram um punhado de CDs e DVDs ao vivo e sumiram de novo. Qual não foi a surpresa dos fãs, portanto, ao se depararem com o novo álbum do ex-band-leader, utilizando o antigo cognome pixiano. A brincadeira das múltiplas identidades, contudo, não ofusca o velho talento para compor algumas pérolas do rock alternativo. Provavelmente, Blue Finger se parece mais com um disco dos Pixies do que se estes resolvessem gravar um CD novo. Está tudo aqui: o clima me-segura-que-eu-vou-dar-um- troço-agora mesmo (em Threshold Apprehension), os riffs surf music (Captain Pasty), o pop perfeito (Lolita), os vocais femininos em contraposição ao dele próprio (Discotheque 36, com a cantora Violet Clark). O interessante é que o disco inteiro é uma homenagem ao cantor, pianista e artista plástico holandês Herman Brood - morto em 2001, após pular da janela de um hotel -, de quem ele regravou o rockão You Can‘t Break a Heart and Have It. Bala.
Blue Finger
Black Francis
Deckdisc
R$ 24,90
www.blackfrancis.net


Suspense pronto para virar filme

Uma pousada esquecida em uma estrada poeirenta é o cenário da trama macabra de loucura e assassinatos que se desenrola em Fim do jogo (House, no original), dos escritores Frank Peretti e Ted Dekker. Dois casais, desconhecidos entre si, são os protagonistas desta história que, se não é lá muito original, pelo menos, prende o leitor pelo ritmo frenético, cinematográfico da narrativa. Após chegaram na casa, os personagens são surpreendidos com a proposta de um jogo, cujas regras só fazem sentido para mentes insanas. Fãs de filmes como Jogos Mortais e O Albergue têm diversão garantida aqui.
Fim do jogo
Frank Peretti e Ted Dekker
Ed. Thomas Nelson Brasil
297 p. | R$ 44,90
www.thomasnelson.com.br


Terrorismo musical só para iniciados

A banda mais radical, barulhenta e indefinível da atualidade, a The Mars Volta é formada por Cedric Bixler-Zavalla e Omar Rodriguez-Lopez e convidados. Sua proposta é tão avançada que os críticos nunca lograram em criar um rótulo que cole na dita. O som é uma colagem esquizofrênica de thrash metal, free jazz, hardcore, funk metal, progressivo etc. O engenheiro de som teve um colapso nervoso durante as gravações do CD, uma peça sobre o poder do oculto - o Goliath do título é o nome de um espírito conjurado por Rodriguez-Lopez através de uma tábua Ouija comprada em Jerusalém, brinquedo preferido da banda durante as turnês. Tenha medo.
The Bedlam in Goliath
The Mars Volta
Universal
R$ 29,90
www.themarsvolta.com


Coelhinho peludo, armado e perigoso

Usagi Yojimbo (coelho guarda-costas), é uma HQ de grande sucesso, criada pelo japonês naturalizado americano Stan Sakai. Com animais antropomórficos, ele conta, a partir do personagem principal, o coelho Usagi, a história de Miyamoto Musashi (1584-1645), o mais lendário guerreiro samurai de todos os tempos. Os grande méritos de Sakai, além de passar ao largo do cansado estilo do mangá clássico - sem contar que ler no sentido oriental, de trás para a frente, é muito chato - são o seu traço virtuoso, detalhista, e a narrativa clássica: linear, mas extremamente bem-resolvida. Nada de bichinhos fofinhos aqui, grandes caracterizações.
Usagi Yojimbo: Daisho
Stan Sakai
Devir /Dark Horse
208 p. | R$ 28
www.devir.com.br


Jarre regrava o próprio clássico


Pioneiro da música eletrônica, o multi-instrumentista francês Jean Michel Jarre costuma ser mais conhecido pelos shows pirotécnicos do que pela qualidade da sua obra. Eis que, talvez para lembrar ao mundo de que ainda está vivo, ele resolveu regravar o álbum que lhe concedeu fama mundial - além de ser o seu maior clássico: Oxygene, de 1977. O disco em si, apesar de já ter servido muito como trilha sonora de comercial de cursinho pré-vestibular, é uma longa viagem de rock progressivo / erudito, portanto, não é para qualquer ouvido. Sua qualidade, contudo, é inegável, graças à inocência com que o jovem Jarre manipulava o maravilhoso arsenal de instrumentos eletrônicos de que dispunha: um desfile de Minimoogs, Farfisas, ARP 2600, Mellotrons. Belo. Acompanha DVD.
Oxygene
Jean Michel Jarre
EMI
R$ 58,90
www.jeanmicheljarre.com


O mestre inglês da sátira na 2ª Guerra


Apesar de pouco conhecido no Brasil, Evelyn Waugh (1903-1966) foi um dos mais geniais e hilariantes escritores ingleses do século XX. Esnobe, católico e filho de aristocratas decadentes, era dono de uma pena afiada como navalha, como demonstrou nos romances Um punhado de pó e Furo!, nos quais ridicularizava sem dó a fleugma e os costumes dos nobres britânicos. Rendição incondicional, contudo, mostra uma outra face de Waugh, como um crítico da guerra e das políticas por trás delas. O livro é baseado nas suas próprias experiências - e as muitas desilusões que teve - durante a 2ª Guerra Mundial, quando serviu na Grécia e Iugoslávia.
Rendição incondicional
Evelyn Waugh
Nova Fronteira
288 p. | R$ 39,90
www.novafronteira.com.br

sexta-feira, abril 25, 2008

ANDRÉ MATOS ESTRÉIA SOLO NA CONCHA


Um dos maiores nomes do heavy metal brasileiro, o cantor e tecladista André Matos, apesar de contar apenas 36 primaveras, tem uma longa história de carreira para contar. História essa que deverá ser descortinada no show que ele faz amanhã, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.

Em turnê de divulgação do seu primeiro álbum solo, Time to be Free, Matos iniciou a carreira na tenra idade de 13 anos, quando fundou a banda Viper, a qual, ao lado da mineira Sepultura e da carioca Dorsal Atlântica, se tornou um dos maiores expoentes do metal nacional. Depois de lançar dois LPs - aclamados inclusive no exterior - com a Viper, Soldiers of Sunrise (1987) e Theatre of Fate (1989), André saiu da Viper para se dedicar aos estudos de Composição e Regência.

Em 1991, montou a banda Angra, que fez bastante sucesso nos três álbuns de estúdio e mais um punhado de CDs ao vivo e EPs que lançou ao longo da década.

Em 2000, deixou a Angra após desentendimentos com o empresário e partiu para montar a banda Shaaman, com a qual lançou mais dois álbuns, Ritual (2002) e Reason (2005).

Em 2006, mais uma vez o inquieto músico resolveu partir para um novo projeto, desta vez, solo. "Essa idéia da banda solo começou há dois anos. É uma banda mesmo. O pessoal que toca comigo é o mesmo que gravou o CD Time to be Free e tem a ver com minha história. É gente que tocou comigo na Angra e na Shaaman, como Fábio Ribeiro (teclados), Luiz Mariutti (baixo), Hugo Mariutti e André Hernandez (guitarras)".

A novidade é o jovem baterista Eloy Casagrande, de apenas 16 anos. "Testamos alguns músicos e ele foi uma revelação, até já ganhou um prêmio da revista Modern Drummer, como o Baterista Nº 1 das Américas", conta André.

Time to be Free, segundo o cantor, é ”uma resposta à esse mundo tão massificado, uniformizado. A música pode resgatar alguns valores que estão se perdendo”, acredita.

MAIS ALGUNS TRECHOS DA ENTREVISTA COM ANDRÉ MATOS
(Que por questão de espaço, ficaram de fora da matéria)


TIME TO BE FREE - "A primeira impressão que esse título causa é essa mesmo, de busca da liberdade, agora estou livre para revisitar todos os momentos da minha carreira."

MERCADO METAL - "Esse estilo musical, cantando em inglês, evidentemente visa o mercado externo também. E o Brasil ainda não tem um mercado sólido para isso, coisa que já existe lá fora. Mas acho que, aos poucos, vamos criando um. Existe um lado transgressor no metal, mas também tem um lado muito técnico, apurado em nível musical e profundo no nível nas idéias. Pô, vamos tocar num palco maravilhoso, que é a Concha Acústica de Salvador. Isso já é um (bom) sinal".

JAPÃO e OROPA - Já trabalho no Japão há uns 20 anos, desde o primeiro disco da Viper. Lá o metal é pop. Time to be Free foi super bem recebido por lá, quando o lançamos em agosto de 2007. Foi o segundo CD mais vendido durante um mês inteiro e tocamos no maior festival de rock de lá, o Loud Park. Isso abre as portas para o mercado europeu, onde lançamos o CD em fevereiro pelo selo SPV com uma resposta muito boa de público e crítica. E vamos fazer a Ásia e a Europa de novo no segundo semestre".

BRAZIL - "Aqui a coisa vai caminhando. Conseguimos lançar o CD por uma major, a Universal, o que nos garante uma boa distribuição. Se o cara quiser comprar nosso CD no Acre, ele encontra. E desde que saiu, ele tem se mantido entre os 5 CDs mais vendidos do segmento rock".

LONGA ESTRADA - "Comecei com o Viper aos 13 anos, lancei o primeiro LP com 15. Foi tudo muito precoce. Nunca pensei que o rock fosse um estilo que permitisse ao músico envelhecer nele, e desde os anos 80, não é o que vemos. Isso me anima bastante a continuar. Os caras do Maiden já tão 55 anos, eu ainda tenho 36, então tem muita estrada ainda pela frente".

AVANTASIA - "Também no segundo semestre, estarei acompanhando o espetáculo Avantasia, que é uma ópera rock criada pelo Tobias Sammet, da banda Edguy. Ele criou esse negócio tem uns 10 anos. Vou percorrer os festivais de verão da Europa e também pelas Américas. Faço mais de um papel. Começa em junho e vai até agosto. Serão uns nove festivais só na Europa, tem até na Transilvânia. Então esse segundo semestre vai ser bem movimentado pra mim, mas assim que é bom, né?"

Time To Be Free World Tour
Show de André Mattos e banda
Abertura das bandas Nomin e Face on Fact
Domingo, 17 horas
Concha Acústica do Teatro Castro Alves
Praça 2 de Julho, s/n, Campo Grande (3339-8000)
R$ 20 e R$ 10

quinta-feira, abril 24, 2008

DOSE DUPLA

Berlinda e Cascadura fazem festa rock na Boomerangue

Duas das melhores bandas do rock baiano fazem uma grande festa amanhã na Boomerangue: a Cascadura, que dispensa apresentações e comemora 16 anos de atividades, e a Berlinda, banda que, apesar de ter pouco mais de um ano de formada, vem ganhando notoriedade na internet graças a divulgação do seu EP Mar de Calma, o qual será lançado nesta noite.

Formada por duas cobras criadas do rock local, Adriano Batata Amado (guitarra, ex-Arsene Lupin) e Sérgio Cebola Martinez (baixo, ex-Tequillers), mais dois novatos, André Blhoem (vocais) e Juliano Queiróz (bateria), a Berlinda reza por uma cartilha estritamente indie rock.

Apesar de muita gente torcer o nariz e associar o estilo a meninos catarrentos e (supostamente) tristonhos de tênis All Star, vale dizer que a Berlinda transcende esse estereótipo por vários motivos. O primeiro é o conhecimento de causa e a maturidade dos dois integrantes mais velhos, já próximos dos 40 anos.

O segundo motivo é que, diferente da geração mais nova de indie rockers, nenhum dos dois ouve Los Hermanos - nem faz misturas com MPB -, e sim, Teenage Fanclub, My Bloody Valentine, Ride, Smiths e Velvet Underground, ou seja, os fundadores do estilo. O que equivale a dizer que suas influências não vieram diluídas, de segunda mão.

Apesar disso, a banda demonstra personalidade própria nas quatro canções de Mar de Calma, ajudando a revitalizar um estilo que corre sério risco de virar paródia de si mesmo.

O crédito para os bons resultados conseguidos em estúdio deve ir também para o produtor Luís Fernando Apú Tude (ex-Sangria), que, conhecendo bem as referências da banda, soube adaptá-las com exatidão às limitações técnicas dos integrantes.

Junte-se a isso a mixagem realizada por Tomás Magno no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, e tem-se em mãos um CD de estréia com um som pesado e profissional, que nada deixa a dever a um CD bancado por uma gravadora major.

16 - Depois de um 2007 consagrador, ano em que fez nada menos que 47 shows (número impressionante para o marginalizado rock baiano), a Cascadura dá continuidade à divulgação do álbum Bogary (2006) com show na Boomerangue que comemora os 16 anos da banda, fundada no feriado de Tiradentes (21 de abril) de 1992.

Outro número impressionante e que deve ser comemorado é a marca de das 10 mil cópias vendidas do citado CD, que veio encartado na revista Outracoisa, do cantor Lobão, fã declarado da banda. Nada mal para uma banda que não toca em rádio e não aparece na TV.

O show desta sexta já é o 14º de 2008, precedendo uma mini-turnê de cinco datas pelo Nordeste que passará por João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Recife (PE) e Aracaju (SE). Na volta, nova temporada de três domingos em maio para preparar o show de gravação do primeiro DVD ao vivo da Cascadura, o que deverá ocorrer em junho, em local e data a serem definidos.

Berlinda e Cascadura
Lançamento do EP Mar de Calma e comemoração dos 16 anos da Cascadura
Amanhã, 22 horas
Boomerangue | Rua da Paciência, 307 - Rio Vermelho (3334-6640)
R$ 15 | CD: R$ 5
OUÇA:
www.myspace.com/berlindamardecalma
www.myspace.com/cascadurarock

quinta-feira, abril 17, 2008

VERTIGEM PARA TODOS

Álbuns e revistas do selo Vertigo, há muito esperadas pelos leitores, chegam às bancas e livrarias, para alegria dos fãs

Sinônimo de excelentes quadrinhos adultos com temáticas fortes, diálogos cortantes e roteiros delirantes, o selo Vertigo, uma subsidiária da DC Comics (casa do Batman e do Superman), finalmente está tendo o tratamento que merece no Brasil, após vários anos sendo maltratado das mais diversas formas em outras editoras – com as honrosas exceções da Abril nos anos 90 e da Devir no início da década.

A façanha é da pequena editora Pixel Media – na verdade, um braço da tradicional casa editorial carioca Ediouro – que adquiriu os direitos de publicação dos títulos Vertigo no final de 2006. Aos poucos, a Pixel vem publicando – ou dando continuidade à publicação em alguns casos, como o de Preacher – todos aqueles títulos que os leitores brasileiros vinham requisitando há tempos, como Os Invisíveis, 100 Balas, Fábulas e Y: O Último Homem, entre outros.

"Tem muita coisa saindo no mercado brasileiro de HQ, mas a base de leitores ainda é pequena e se expande muito lentamente. Então o ritmo dos lançamentos é cuidadoso, não adianta inundar o mercado de títulos se ele não tem condição de absorver todos", observa Cassius Medauar, editor da Pixel. "Agora, quem compra, ama mesmo, os caras são fanáticos", garante.

Com duas revistas mix mensais nas bancas, Pixel Media Magazine e Fábulas Pixel (o primeiro número desta última sai ainda agora em abril), a editora vem saciando a fome de Vertigo dos fãs com mais alguns álbuns e edições especiais, de acordo com o perfil de cada título.

Os Invisíveis, por exemplo, ousado título do escocês Grant Morrison que mistura ficção científica, movimentos revolucionários, teorias de conspiração, sexo e drogas, ganhará seu primeiro álbum em maio.

Logo na primeira história, Beatles Mortos, King Mob (Rei Turba), o líder do grupo, usa LSD para travar contato com o espírito de John Lennon, com quem bate um papinho. Mas isso é só a ponta do iceberg deste título realmente revolucionário.

Já Preacher, dos irlandeses Garth Ennis e Steve Dillon, terá seu segundo álbum pela Pixel, Guerra ao sol, à venda nos próximos dias. Preacher conta a história de Jesse Custer, um padre texano que é possuído por uma entidade resultante da união carnal entre um demônio e um anjo, dotando-o do poder chamado de Palavra de Deus. Ou seja, ele fala e todo mundo obedece, quer queira ou não.

Ultraviolento, divertidíssimo e extremamente profano, Preacher teve seus três primeiros álbuns publicados pela Devir, ainda disponíveis nas livrarias. No caso deste, a Pixel continuou de onde a Devir parou, publicando os álbuns no mesmo padrão gráfico e, melhor ainda, com preços mais em conta.


Caso diferente é o de 100 Balas, série do americano Brian Azzarello e do argentino Eduardo Risso, que era publicado em álbuns caríssimos de capa dura – e pior: mal editados – pela editora anterior.

Neste caso, a Pixel vem publicando especiais periódicos nas bancas. No mês que vem sai a compilação Atire primeiro, reunindo os dois primeiros números. 100 Balas conta, em 100 números mensais – nos EUA – uma complexa e misteriosa história policial.

A cada número, uma pessoa, vítima de um crime, recebe a visita do enigmático Agente Graves (túmulos, em inglês), que oferece a elas a chance de se vingar, entregando-lhe uma maleta com os documentos que provam a culpa do malfeitor em questão, mais um revólver com 100 balas irrastreáveis. A trama cresce incrivelmente, formando um apaixonante quebra-cabeças que levará, por fim, ao chamado "Crime do Século".

Há muitos outros títulos Vertigo badalados, como Fábulas, Y: O Último Homem e DMZ, sem contar os clássicos que deram origem ao selo: Monstro do Pântano, John Constantine: Hellblazer e Sandman, do incensado Neil Gaiman (Stardust).

O CULPADO – Para variar, a culpa de tudo isso é do homem que salvou os quadrinhos mainstream da mediocridade: Alan Moore (autor das obras-primas Watchmen e V de Vingança).

Ao assumir a revista Monstro do Pântano, então prestes a ser cancelada pelas baixas vendas na primeira metade da década de 80, o escritor inglês foi tão bem sucedido na sua abordagem sofisticada do terror em quadrinhos, que abriu a porteira para escritores e artistas britânicos invadirem o mercado americano de HQ.

Ao mesmo tempo, os donos da DC percebiam que a base de leitores envelhecia, procurando HQs mais adultas. Foi juntar a fome com a vontade de comer.

SAIBA MAIS NO SITE DA PIXEL:
http://pixelquadrinhos.com.br/

segunda-feira, abril 14, 2008

WANDER WILDNER AO VIVO E REPAGINADO

Show no Pátio do ICBA nesta terça (15 de abril) mostra as novas músicas do álbum La Canción Inesperada

Da última vez que ele esteve em Salvador, em dezembro de 2007, a Praça Teresa Batista do Pelourinho quase foi abaixo com a energia e a vibração de um legítimo show de punk rock. Desta vez, porém o bardo gaúcho Wander Wildner virá à cidade mostrar uma outra face do seu trabalho em show que marca o lançamento do seu novo disco, La Canción Inesperada.

Se no show do Pelourinho Wander veio acompanhado de baixo e bateria, esta nova apresentação, no Pátio do Icba (Corredor da Vitória), o verá apenas com o violão e o músico Arthur de Faria no teclado e na gaita - que é como os gaúchos chamam o instrumento conhecido no resto do País como sanfona.

A formação reduzida foi a alternativa encontrada para não deixar de trazer o músico à cidade - onde ele conta com uma razoável base de fãs - aproveitando sua passagem pelo Nordeste, onde se apresentou no festival Abril Pro Rock, neste último fim de semana. No APR, porém, Wander tocou com força total, contando com a banda completa, mais rabequeiros e percussionistas locais convidados.

"Será um show intimista em um local que é bem propício. Infelizmente, Salvador não ofereceu condições de trazer todo mundo, até por que no Pátio do Icba também não daria. Como Messias (Guimarães Bandeira, produtor do evento) é meu amigo, resolvi vir só com o Arthur", conta Wander por telefone, ainda de Recife.

"O show terá, basicamente, dez músicas novas, mais algumas antigas, claro. Será o mesmo repertório que eu vou começar a rodar nas apresentações pelo Brasil a partir de agora", avisa.

Produzido pelos badalados Kassin e Berna Ceppas, La Canción Inesperada mostra o punk de primeira hora assumindo um novo rumo na carreira, em busca de novos caminhos e outros palcos para se apresentar.

"É mais um disco de canções do que de rock. É um trabalho mais elaborado, mesmo. Não é rock. Essa é sua característica principal", declarou.

"Rock eu já fiz um monte. Eu evoluí, quero fazer música. O rock é muito linear, guitarra-baixo-bateria, uma coisa muito reta. Eu queria uma coisa mais dinâmica para esse disco. Tem gente que consegue fazer rock com uma certa dinâmica, mas eu não consegui, então tive que diminuir a velocidade para dar alguma dinâmica no som", explica Wander.

Ele espera, com o novo trabalho, conquistar espaço em um certo circuito alternativo médio, tocando mais em pequenos teatros - e em horários decentes - e menos nos inferninhos rockers da vida, onde é normal subir no palco as 3 horas da manhã.

"Vou ver o que acontece agora com esse novo álbum, por enquanto é uma incógnita. Quero tocar nos teatros, nos Sescs, Projeto Pixinguinha. Onde eu possa tocar mais cedo, até uma 22 horas, e as pessoas possam assistir ao show sossegadas", espera.

Quem quiser conferir o novo som de Wander Wildner poderá adquirir o CD La Canción Inesperada, recém-saído do forno, com o próprio cantor, após o show no Icba.

Wander Wildner
Show de lançamento do CD La Canción Inesperada
Terça (15), 19h30
Pátio do ICBA | Av. Sete de Setembro, 1.809, Corredor da Vitória (3337-0120)
R$ 10

sexta-feira, abril 11, 2008

ALTERNATIVOS PARA TODOS OS GOSTOS

Na rabeira do Abril Pro Rock, as bandas alternativas Eddie e Mukeka di Rato fazem escala em Salvador

Agenda cheia neste fim de semana para quem curte os bons sons alternativos . Fãs de samba rock e das fusões características dos mangues recifenses têm encontro marcado hoje no show da banda Eddie, que traz seu Original Olinda Style para Salvador.

Já quem comparecer na Zauber amanhã sairá com os ouvidos zunindo - e a alma lavada - após os shows das furiosas bandas Mukeka di Rato, do Espírito Santo, Estrada Perdida, Mortícia e Pastel de Miolos, todas locais.

A Eddie já é velha conhecida dos freqüentadores do circuito alternativo de Salvador, tendo se apresentado há alguns meses na já citada Zauber. Desta vez, o show é no Projeto Remix-se, que acontece todos os sábados no aprazível Pátio do Icba e era anteriormente conhecido como Feira Hype.

Com cerca de 15 anos de estrada e três álbuns lançados na bagagem, a Eddie é liderada por Fábio Trummer, autor do hit Quando a Maré Encher, tornada famosa pela Nação Zumbi (que a resgistrou no álbum Rádio S.Amb.A.) e Cássia Eller (no Acústico MTV).

Conceituada, a banda já fez apresentações na Europa e em todo o Brasil. No mês passado mesmo, fizeram temporada de três datas na casa Studio SP, na capital paulista. Em junho, embarcam novamente para o Velho Continente, para uma segunda turnê.

Dona de sonoridade leve e descontraída, já tem público cativo em Salvador por conta de suas apresentações festivas e muito animadas.

Antes da Eddie, quem se apresenta no pátio do Icba é a local Theatro de Seraphin, que segue divulgando o CD EP. De sonoridade pós-punk e circunspecta, segue na contramão da Eddie, mas vem formando um público cativo na cidade, com músicas como Doralice e Cólera.

GÁS TOTAL - Quem quer passar um domingo sossegado é melhor passar bem longe da Zauber. A zoeira vai comandar geral com o hardcore furioso da banda capixaba Mukeka di rato, uma das melhores bandas brasileiras do estilo, sem favor nenhum.

Assim como a Eddie, a Mukeka passa por Salvador aproveitando o festival Abril Pro Rock, que acontece hoje e amanhã em Recife. O grupo lançou no fim do ano passado seu quinto disco, o CD Carne. Este marcou a estréia da Mukeka no selo Deckdisc, o mesmo de Pitty e Matanza.

Não a toa, Carne, um petardo sônico gritado contra tudo e contra todos, foi conduzido no estúdio pelo mesmo produtor da cantora baiana e da banda carioca, Rafael Ramos.

Além da Mukeka, se apresentam ainda as bandas locais Estrada Perdida, Mortícia e Pastel de Miolos.

A primeira lançou no ano passado um bem-resolvido DVD ao vivo gravado na própria Zauber, numa iniciativa pioneira no rock baiano, apresentando seu estilo mezzo hard rock-mezzo punk '77. A banda tem a frente o carismático vocalista Cebola Elétrica, um poeta das ruas e performer de primeira linha.

A Mortícia é a nova banda de hard rock do vocalista Leonardo Leão (Os Miseravão, Drearylands), que conta com Álvaro Tatoo e o produtor andré t nas guitarras, além de Vítor Brasileiro (bateria) e Larriri (baixo), numa formação bastante promissora.

Com 14 anos de atividades, a Pastel de Miolos já é uma lenda do underground baiano. Natural de Lauro de Freitas, pratica hardcore radical, e é a banda cuja proposta mais se aproxima da dona da festa, a Mukeka. Recentemente lançaram mais um registro em CD, o EP Ruas.

Eddie e Theatro de Seraphin | Sábado (12), 17 horas | Pátio do ICBA | Av. Sete de Setembro, 1.809, Corredor da Vitória (3337-0120) | R$ 10

Mukeka di rato, Estrada Perdida, Mortícia e Pastel de Miolos | Domingo (13), 17 horas | Zauber | Ladeira da Misericórdia, Edf. Taveira, 11 , Comércio (9983-0313 / 3326-2964) | R$ 10