Nem terminei ainda (faltam umas 60 páginas), mas eu não resisto. Enterrada viva (8ª edição em 1991, 334 páginas, Ed. Civilização Brasileira, tradução de Vera Neves Pedroso), a clássica biografia de Janis Joplin escrita por Myra Friedman, amiga pessoal da cantora e assessora de imprensa e RP do escritório de Albert Grossman (judeuzão esperto como a porra que também era empresário de Bob Dylan e Peter, Paul & Mary entre outros - veja mais sobre Grossman em No direction home, o recente documentário de Martin Scorsese que já nasceu clássico) é, se ninguém aí perdeu o fio da meada com tantos nomes citados de uma vez só, simplesmente, um dos melhores livros sobre rock, sobre uma época e finalmente, sobre uma verdadeira estrela da música, que eu já li em toda a minha caspenta existência, se me permitem um toque amargo de baixa auto estima aqui. É que não dá para se sentir diferente, não depois de ler o relato preciso e a análise fria e acurada de Friedman, uma repórter de mão cheia, sobre aquela época e aquela pessoa em particular. Quando se fala em anos 60, os sobreviventes daqueles anos loucos costumam dizer que não se lembram direito de nada, por que estavam tão inapelavelmente pirados na batatinha, que foi tudo pro ralo do esquecimento mesmo. Myra Friedman, contudo, deve ter sido uma das pessoas mais chatas do mundo naquele tempo, pois ela devia ser o único ser humano "de cara" a freqüentar shows e festivais de rock. Só isso explica como ela se lembra de detalhes como a roupa que Janis estava usando dia tal, quando elas tomaram um café na esquina tal em NY. Suas descrições são extremamente precisas e suas análises do comportamento e da personalidade de Janis são como as que você faria de seu melhor amigo: você conhece os defeitos, as qualidades, os traumas e vitórias. É foda: a mulher tava lá no concerto que Janis deu, à pulso, digamos assim, para uns 2 mil motoqueiros Hell's Angels numa espelunca em São Francisco, à pedido dos motoqueiros. (Naquela época não era muito aconselhável declinar de um convite da temida gang.) O resultado foi Janis arrebentando sua garrafa de Southern Comfort em pleno palco na cabeça de um deles. O infeliz não parava de puxar uma de suas echarpes. Sorte que o líder deles viu que o bebum tava abusando Janis e deixou por isso mesmo. Friedman começa sua história do início, da infância de Janis. Como diz Ruy Castro, biógrafo tem que gastar sapato para escrever. Foi o que Friedman fez, indo à cidade natal de Janis, Port Arthur, Texas, entrevistar os pais, parentes e amigos da cantora. Ficamos sabendo que, no ano em que entrou na faculdade - que nunca terminou, claro - Janis ganhou o título de "Homem mais feio do campus". Isso aí, entre outros episódios deprimentes, mais uma tendência natural ao alcoolismo (seu maior vício), transformaram a menina texana de boa família numa pilha ambulante gigantesca, uma bomba relógio com hora certa para detonar. Muitos personagens típicos e engraçadíssimos da época, que passam rapidamente pelo livro, ganham um perfil detalhado e sardônico, para dizer o mínimo. Coisa digna de um Tom Wolfe. Vejam só esse trechinho pescado à esmo numa página qualquer:
"Emmet Grogan: autor de uma autobiografia, Ringolevio, editada em 1972. Quando o conheci, em 1968, ele ainda estava à procura de si mesmo. Ex-viciado em entorpecentes, ator, ladrão e naturalmente, digger (nota: Boiei. Alguém? Ferris?), Emmet alcançara alguma fama como um Robin Hood do Haight-Ashbury. Na verdade, alcançara mais do que fama. No "underground" (aspas da autora) americano, Emmet é tão lendário quanto o Pimpinela Escarlate. É procurado aqui, ali e há sempre dúvida quanto ao lugar onde ele possa ser achado: no céu ou no inferno. Na realidade, ele se parece com o Pimpinela tanto quanto com Sonny Corleone, com a diferença de que é um bonito descendente de irlandeses, com feições corretas e uma ira conquistada nas ruas do Brooklyn. Também já foi um menino de coro, tudo isso resultando numa combinação explosiva e numa tendência alarmante para julgar, de vez em quando, que todo o país está preocupado - negativamente - com Emmet Grogan".
E continua, mas isso aqui é só um parágrafo. Não é possível. Essa moça Friedman deve ter dado pra esse cara. Ou pelo menos, quis dar. Mas isso aí é só para vocês terem uma idéia do nível de refinamento do texto dessa mulher. Na página 196, encontramos o brevíssimo relato - pro tanto de história que até hoje nego (Serguei, principalmente) conta - sobre a passagem dela pelo Brasil no verão de 1969. Infelizmente, a autora não acompanhou Janis nessa viagem. Portanto, nada sobre Arembepe, nada sobre Serguei. Mas Salvador é citada: "Janis e David (Niehaus, que ela conhecera na praia em Copacabana) acabaram não se embrenhando na selva. Preferiram viajar pela costa nordeste do Brasil, até a cidade de Salvador". E só. É isso aí, amiguinhos. Enterrada viva é A Biografia quando se trata de Janis Joplin, se é que alguém aí ainda se interessa por ela. Eu mesmo achava que não me interessava mais. Janis Joplin é aquela coisa: você descobre ainda em algum ponto da adolescência, ouve loucamente durante uns dois ou três anos, e depois larga de mão. Pelo menos comigo foi assim. Já tive minha cota de Me and Bobby McGee, sabe? Bom, ainda não tenho nenhum disco dela, nem tive vontade de procurar um. Só comprei o livro por que achei por um preço razoável na banca de revista do shopping: R$ 19,90 (quem costuma ler isso aqui deve achar que eu sou o maior fominha: "porra, esse cara só compra coisas em promoção!". Nem sempre, galera). Ah: mais uma coisa: não sei se existem edições mais novas desse livro. Se não, é uma tremenda marcação de bobeira da editora nacional. Uma nova edição, acrescida de uma nova introdução da autora, entre outros extras, foi lançada pela editora americana. A Civilização Brasileira (ou outra editora) bem que podia relançar o livro com esse upgrade. Essa edição que eu tenho, de 1991, parece que foi feita antes do advento do Windows, pois a capa, ainda que austera, é bem tosquinha - em econômicas duas cores. Pesquisei no Submarino e a edição que eles oferecem - mas está esgotada - é igual à minha. Uma nova edição, devidamente revisada, com uma nova tradução, encadernada, acrescida do conteúdo atualizado da autora, repaginada (literalmente) e com uma nova e moderna direção de arte, certamente seria um sucesso de vendas. Enterrada Viva, A Biografia de Janis Joplin, por Myra Friendman, é um puta trabalho de fôlego. Se puderem, leiam.
SCOTT SOTO SOLTA A VOZ (E O REPÓRTER DO RL VÊ TUDO PELA GRETINHA DO LADO DE FORA) - Perguntei prum broher das antigas como foi o show do Jeff Scott Soto no Rock in Rio Café sexta passada e o cara de pau me envia o relato a seguir.
Cara, o show do JSS foi legal mas foi uma viagem porque eu cheguei lá por volta das 23h com Bubu. A porra da banda que tava tocando era mais ou menos merda e dei uma volta com Bubu pra queimar um... quando voltei fiquei ouvindo o som do lado de fora, não estava cheio... perguntei com toda educação (após um tradicional "boa noite") ao maluco da portaria se podia ver como estava lá dentro pela porta, sem entrar, e o cara disse que não dava... eu não acreditei e perguntei de novo: "Rapaz, eu não posso chegar na porta e ver como está lá dentro???" e não é que o FDP reiterou o não! Fiquei indignado e dei as costas pra ele com um sorriso escroto, e continuei do lado de fora falando com Bubu... de repente lá se vai uma seqüência de músicas do Marching Out... Percebi que era o JSS e o bonde já estava andando... Fui pelos fundos ver pela greta o movimento e só tinha cueca... Acendi outro dedo de hulk com Bubu e fiquei vendo o show pela greta... O som tava redondíssimo... Os caras tocaram cover do Queen, Scorpions, dance dos anos 70, Malmsteen, Whitesnake... Foi muito legal man, e o cara ainda canta pacas...
Por Ricardo Estupô, repórter especial para o Rock Loco.
Eu guento?
Blog (que, nos seus primórdios, entre 2004-05, foi de um programa de rádio) sobre rock e cultura pop. Hoje é o blog de Chico Castro Jr., jornalista formado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Atualmente, é repórter do Caderno 2+ do jornal A Tarde, no qual algumas das matérias vistas aqui foram anteriormente publicadas. Assina a coluna Coletânea, dedicada à música independente baiana. Nossa base é Salvador, Bahia, a cidade do axé, a cidade do terror.
quarta-feira, novembro 23, 2005
quarta-feira, novembro 16, 2005
"I AM THE LORD OF WASTELANDS /
A MODERN DAY MAN OF STEEL /
I GATHER DARKNESS TO PLEASE ME /
AND I COMMAND THEE TO KNEEL /
BEFORE THE GOD OF THUNDER /
AND ROCK N' ROLL OOOOUOO /
THE SPELL YOU'RE UNDER /
WILL SLOWLY ROB YOU /
OF YOUR VIRGIN SOUL"
KISS, God of Thunder.
Lá vou eu falando do Kiss de novo.
(...)
Ainda tem alguém aí? Bom aos que sobraram, não custa avisar que tá nas bancas um desses DVDs que vêm encartados em revista, trazendo, simplesmente, um show do Kiss no auge da juventude e criatividade (sim, eles já foram criativos), em 1976. Kiss: The Lost 1976 Concert, o DVD, é material para fazer calar os detratores, ou então o contrário: de fazer clamarem os incréus pelo próprio Deus do Trovão, ou melhor, por God of Thunder, um dos petardos - com o perdão da má palavra - que constam deste lançamento. É bom lembrar que 1976 é o ano em que o Kiss lançou Destroyer, que vem a ser - incontestavelmente - o melhor disco da carreira da banda beijo. Por isso mesmo, traz em seu repertório performances ao vivo raríssimas das músicas daquele disco, como Flaming youth (esta é inédita mesmo, só tem aqui), Do you love me e a já citada God of Thunder. Tem ainda as ultra-clássicas Cold gin (com direito à momento-solo-de-guitarra de Ace Frehley), Watchin' you (com direito à momento-solo-de-bateria de Peter Criss), Firehouse e Black diamond. Pena que acabe aí, só com sete músicas, mas dá para babar na gravata só com isso, garanto. Apesar de ser em p&b, o show é razoavelmente bem iluminado, ainda que a imagem esteja meio esmaecida, o que na verdade, só reforça a aura de vídeo raro, perdido por muitos anos. Tem uma oitava faixa meio esquisita, uma homenagem ao Kiss, não explicada, por um tal de Kieselhorst Experience tocando uma música chamada Flamethrower, que vem a ser um instrumentalzinho emulando o Kiss áureo do show, enquanto rola um clipe com uma colagem de cenas dos mascarados originais em ação. Uma picaretagem. Já o material extra, esse sim, é caprichado e raríssimo. Trata-se de uma entrevista (em 29 de abril de 1974, dois anos antes do show) do baixista Gene Simmons (o linguarudo, para quem não está familiarizado) no Mike Douglas Show, talk show vespertino caretérrimo de uma emissora da Filadélfia. Vou te contar: o negócio é hilário demais. O tal Mike Douglas diz para as câmeras que vai apresentar um novo grupo de rock. Mostra a capa do primeiro disco, recém lançado, e chama: "Do Kiss, Gene Simmons!". O cenário (brega, tosco) se abre e adentra ao estúdio (e lares americanos) o Anti-Cristo em pessoa: botas decoradas com caveiras e salto de 30 centímetros, asas de morcego sob os braços, a máscara, ah meu deus, a máscara! E o cara vem mostrando a língua e tudo. Depois faz uma mesura para o público, aperta a mão do apresentador (estupefato, como todo mundo no estúdio, com uma platéia de cem pessoas) e então se dirige aos outros convidados, sentados em poltronas: um véio, uma véia e um cara. Risadinhas nervosas no auditório. Ele respeitosamente aperta as mãos da véia, do véio e a do cara, que sei lá por que, se inclina em direção à Gene, como se fosse para ouvir (ou falar algo no ouvido). Este, subitamente, lhe dá uma risadona escabrosa maligna: "Ah! Ah! Ah! Ah! Aaaahh!!!" Lembre da risada maligna do Didi Mocó, não é muito diferente. O cara se assusta e tem um sobressalto. A platéia vai abaixo. Mais adiante, depois de se intitular "um morcego, a encarnação do mal", o israelense Gene perde o rebolado quando a véia (que, aliás, enverga um moderníssimo penteado à Marge Simpson) o chama de "um bom filho judeu. Sua mãe está assistindo, não está?", pergunta. "Como você sabe (que eu sou judeu)?", espanta-se Gene. "A máscara não esconde seu nariz", responde a véia ousada. Na seqüência, performance ao vivo da banda inteira tocando Firehouse, com direito à show pirotécnico e o'scambau. Kiss: The Lost 1976 Concert está (talvez, ainda) nas bancas por R$ 13,90. Para mim foi (pouco) dinheiro bem investido. E olha que nem sou de ficar fazendo coleção de DVD (já bastam os quadrinhos, cds, vinis, livros e canhotos de ingresso de show).
AGENDÃO ROCK (LOCO)
I GATHER DARKNESS TO PLEASE ME /
AND I COMMAND THEE TO KNEEL /
BEFORE THE GOD OF THUNDER /
AND ROCK N' ROLL OOOOUOO /
THE SPELL YOU'RE UNDER /
WILL SLOWLY ROB YOU /
OF YOUR VIRGIN SOUL"
KISS, God of Thunder.
Lá vou eu falando do Kiss de novo.
(...)
Ainda tem alguém aí? Bom aos que sobraram, não custa avisar que tá nas bancas um desses DVDs que vêm encartados em revista, trazendo, simplesmente, um show do Kiss no auge da juventude e criatividade (sim, eles já foram criativos), em 1976. Kiss: The Lost 1976 Concert, o DVD, é material para fazer calar os detratores, ou então o contrário: de fazer clamarem os incréus pelo próprio Deus do Trovão, ou melhor, por God of Thunder, um dos petardos - com o perdão da má palavra - que constam deste lançamento. É bom lembrar que 1976 é o ano em que o Kiss lançou Destroyer, que vem a ser - incontestavelmente - o melhor disco da carreira da banda beijo. Por isso mesmo, traz em seu repertório performances ao vivo raríssimas das músicas daquele disco, como Flaming youth (esta é inédita mesmo, só tem aqui), Do you love me e a já citada God of Thunder. Tem ainda as ultra-clássicas Cold gin (com direito à momento-solo-de-guitarra de Ace Frehley), Watchin' you (com direito à momento-solo-de-bateria de Peter Criss), Firehouse e Black diamond. Pena que acabe aí, só com sete músicas, mas dá para babar na gravata só com isso, garanto. Apesar de ser em p&b, o show é razoavelmente bem iluminado, ainda que a imagem esteja meio esmaecida, o que na verdade, só reforça a aura de vídeo raro, perdido por muitos anos. Tem uma oitava faixa meio esquisita, uma homenagem ao Kiss, não explicada, por um tal de Kieselhorst Experience tocando uma música chamada Flamethrower, que vem a ser um instrumentalzinho emulando o Kiss áureo do show, enquanto rola um clipe com uma colagem de cenas dos mascarados originais em ação. Uma picaretagem. Já o material extra, esse sim, é caprichado e raríssimo. Trata-se de uma entrevista (em 29 de abril de 1974, dois anos antes do show) do baixista Gene Simmons (o linguarudo, para quem não está familiarizado) no Mike Douglas Show, talk show vespertino caretérrimo de uma emissora da Filadélfia. Vou te contar: o negócio é hilário demais. O tal Mike Douglas diz para as câmeras que vai apresentar um novo grupo de rock. Mostra a capa do primeiro disco, recém lançado, e chama: "Do Kiss, Gene Simmons!". O cenário (brega, tosco) se abre e adentra ao estúdio (e lares americanos) o Anti-Cristo em pessoa: botas decoradas com caveiras e salto de 30 centímetros, asas de morcego sob os braços, a máscara, ah meu deus, a máscara! E o cara vem mostrando a língua e tudo. Depois faz uma mesura para o público, aperta a mão do apresentador (estupefato, como todo mundo no estúdio, com uma platéia de cem pessoas) e então se dirige aos outros convidados, sentados em poltronas: um véio, uma véia e um cara. Risadinhas nervosas no auditório. Ele respeitosamente aperta as mãos da véia, do véio e a do cara, que sei lá por que, se inclina em direção à Gene, como se fosse para ouvir (ou falar algo no ouvido). Este, subitamente, lhe dá uma risadona escabrosa maligna: "Ah! Ah! Ah! Ah! Aaaahh!!!" Lembre da risada maligna do Didi Mocó, não é muito diferente. O cara se assusta e tem um sobressalto. A platéia vai abaixo. Mais adiante, depois de se intitular "um morcego, a encarnação do mal", o israelense Gene perde o rebolado quando a véia (que, aliás, enverga um moderníssimo penteado à Marge Simpson) o chama de "um bom filho judeu. Sua mãe está assistindo, não está?", pergunta. "Como você sabe (que eu sou judeu)?", espanta-se Gene. "A máscara não esconde seu nariz", responde a véia ousada. Na seqüência, performance ao vivo da banda inteira tocando Firehouse, com direito à show pirotécnico e o'scambau. Kiss: The Lost 1976 Concert está (talvez, ainda) nas bancas por R$ 13,90. Para mim foi (pouco) dinheiro bem investido. E olha que nem sou de ficar fazendo coleção de DVD (já bastam os quadrinhos, cds, vinis, livros e canhotos de ingresso de show).
AGENDÃO ROCK (LOCO)
- OS MAICOLS - Muito divertida a estréia dos Maicols na quinta feira passada no Miss Modular, a presença do astro/xerox junto à banda (e que banda), deu um caráter alucinógeno ao evento que promete quebrar todos os protocolos da diversão na soturna noite soteropolitana. Nesta quinta às 22h tudo o que vc queria saber sobre a verdadeira estória "dele", nesta saga chamada : "Os Maicols" Imperdível! Nancyta voz Enio guitarra CH baixo Rex bateria DJS Sartorello e Maira (16 toneladas), Roger n' Roll, Bigbross e Mauro Telefunksoul Miss ModularQuinta 17/11 Horário:22:00h Ingresso:10,00
- VANDEX, LOU, ALEX POCHAT E OS CINCO ELEMENTOS - animam a noite da Zauber nesta sexta. DJs: Batata e rogério Big Brother. Zauber Ladeira da Misericódia - Centro ( atrás da Prefeitura) Horário: 23hsIngressos:R$ 10,00
- BOOGIE NIGHTS x É 8 E 80 - DJS 80 pista 1 batata, don jorge, gabí, chicão DJS BOOGIE pista 2 bigbross / rogernroll / marcos rodrigues Miss Modular Horário:22h Ingresso :R$10 info: 81165322 bigbross@terra.com.br
- Soul Sundays :: Groovy Summer Nights - E nesta semana, enfim, o início das Soul Sundays. O fino do Groove dos 60's & 70's. DJs André Urso, Marcos Rodrigues e Roger'n'Roll (residentes), além de Mário Sartorello e Maira (16 Toneladas) + Convidados. Apoio MTV Salvador, Programa 16 Toneladas(Educadora FM) e Informativo Se Ligue. Miss Modular. Open house: 17h. Ingressos R$15 e R$10 (antecipados na São Rock Discos - Shop. Rio Vermelho). http://soulsundays.blogspot.com
sexta-feira, novembro 11, 2005
AFROUXA ESSA GRAVATA, SENÃO VOCÊ SE MATA
SÓ PÁ-PUM, PRA FAZER SEU FERIADÃO BOOM!
(...da onde eu tirei essa merda?...)
BETTER LATE - Finalmente nas bancas de Salvador (maldita distribuição setorizada) dois dos melhores lançamentos dos quadrinhos de super-heróis do ano: Quarteto Fantástico de John Byrne e Batman: Ano Um - Edição Definitiva, de Frank Miller. (Nos links você encontra mais informações, no site Universo HQ). O primeiro compila as primeiras histórias do velho Byrne, escritor-desenhista-artefinalista famoso pela sua fase com os X-Men em parceria com Chris Claremont. Hoje, ambos estão completamente incapazes de criar uma historinha que preste, mas nos anos 80, Byrne maravilhou os fãs da primeira família Marvel com histórias cheias de ficção científica e muita interação bacana entre os integrantes do grupo. Fora que naquele tempo, ele ainda sabia desenhar. Para os fãs do Quarteto, é uma pedidaça. Só perde para a fase clássica de Stan Lee & Jack Kirby, claro. Já Batman: Ano Um - Edição Definitiva é a famosa reinvenção da origem do Homem Morcego criada por Frank Miller, também nos anos 80. Cheio de moral após o arrasa-quarteirão Cavaleiro das Trevas, Miller encarou, em parceria com o fantástico e sumido desenhista David Mazzuchelli (que antes tinha feito a fodástica Demolidor - A Queda de Murdock com Miller), recriar os primeiros tempos de Bruce Wayne no combate ao crime e corrupção em Gotham City. Quase todo mundo que gosta de quadrinhos já deve ter lido essa obra-prima, mas essa nova edição (definitiva, dizem eles) da Panini vem cheia de extras (ué? É dvd?) e um pôster lindaço. Uhú!
DEU NA DYNAMITE - QUEM SE HABILITA? PALCO DO ROCK: INCRIÇÕES ATÉ 02 DE DEZEMBRO. As incrições para o Palco do Rock 2006, festival que acontece durante o carnaval de Salvador, estão abertas e podem ser feitas até o dia 02 de dezembro. Saiba como se inscrever: A inscrição é gratuita. Poderão participar do festival bandas locais, nacionais e internacionais, do estilo rock. Pegar no site a ficha de inscrição do Festival. Imprimir somente uma e preencher. Entregar tudo via correio ou pessoalmente no endereço, juntamente com o seu material. Material: histórico (release); material de áudio com qualidade sonora audível, sendo CD devidamente identificado; duas fotos (podem ser xerox colorida). A organização não receberá material por e-mail. Endereço:Ruas Dias Gomes, n.02, Sala 04, Piatã, Salvador, Bahia. Cep 41650-310 Bandas que já enviaram/têm material na ACCRBA: Caso não tenha um material de áudio novo, basta mandar a ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada, juntamente com uma carta dizendo que já possui o material na ACCRBA e que quer que o mesmo participe do processo seletivo do Palco do Rock 2006. Bandas Covers: O festival prioriza bandas com trabalho autoral. A possibilidade da participação de uma banda que tem o trabalho totalmente baseado em covers é muito remota. Quantidade de músicas para demonstração A banda tem livre arbítrio pra mandar no CD a quantidade que quiser, desde que esteja satisfeita em achar que o trabalho poderá ser analisado nas mesmas. Maiores informações: http://www.accrba.com.br
O ROCK LOCO AVISA: PARTICIPE POR SUA PRÓPRIA CONTA E RISCO. DEPOIS NÃO DIGAM QUE EU NÃO AVISEI, HEIN?!?
+ DEU NA DYNAMITE - PHIL COLLINS QUER RESSUCITAR O GENESIS - Alô Maurício Pedrão (o único fã que restou, que eu saiba)! ...E ainda diz que é com Peter Gabriel no vocal. Minha única dúvida é: como Phil Collins ainda toca? Diz que o veio tá surdo, surdo. Uh... Deve ser por vibração, né?
Bom, a próxima:
EX-MARILYN MANSON COM VOCALISTA DO KISS - Alô, Nei e Nancyta! Essa é pra gente. Paul Stanley vai lançar seu primeiro disco solo desde 1978, quando cada integrante do Kiss lançou um LP só com a carona maquiada estampada na capa. Não preciso nem dizer que o melhor dos quatro era o Ace Frehley, meu guitarrista de cabeceira. Pois bem: dessa vez, Paul terá as participações de John 5 (que tocou guitarra no Marilyn Manson) e Bruce Kullick (que, embora tenha tocado guitarra no Kiss, aparece tocando baixo). Quem aí acha que vai ser bom?
...
(som de grilos cricrilando)
AGENDA DO ROCK (LOCO)
SANGRIA E RONEI JORGE E OS LADRÕES DE BICICLETA
com a participação dos DJs Batata (residente), Ramon Prates (Bahia Rock) e Lucas Albarn (Nave) 12 de novembro (sábado), 22h Miss Modular R$10,00. Por falar em Sangria, não custa lembrar (fala, Maurão): "A Sangria agora tem site > www.sangria.com.br , apareçam."
JEFF SCOTT SOTTO pela primeira vez em Salvador. A Maniac Records, Mezzannino e a Rock Freeday se uniram para fazer um grande show INTERNACIONAL com grande estrutura de som, iluminação e segurança, no ROCK IN RIO CAFÉ em 18/11/2005 ás 21:00h, serão três atrações, JEFF SCOTT SOTO, um dos maiores vocalistas do Heavy Metal, que fechará o evento, NOMIN, como banda de abertura e a veterana SLOW, como segunda banda da noite. Jeff Scott Soto nasceu na Costa Rica, foi apresentado ao mundo da música pelo consagrado guitarrista sueco Yngwie Malmsteen. Com ele gravou os álbuns Rising Force (primeiro de Malmsteen) e Marching Out, considerado melhor album do Malmsteen e ele omelhor vocalista que já passou por sua banda. Participou ainda de vários tributos, a Ozzy Osbourne, Van Halen e Aerosmith, entre outros. E da Trilha sonoroa do filme Rock Star. Aguardem um grande show no melhor estilo JEFF SCOTT SOTTO 18/11 ? ÀS 21:OOHS CENSURA: 16 ANOS INGRESSOS - 1° lote com ingresso do Angra R$ 10,00 2° lote - R$ 20,00 Camarote R$ 30,00
Boogie Nights x É 8 e 80 - Edição conjunta de duas festas tradicionais: Boogie Nights e É 8 e 80. A primeira é a pátria do melhor do rock/ cumbias/ disco/ samba rock/ rocksamba/ jovem guarda, com os djs Bigbross, roger n roll, marcos rodrigues. A segunda resgata o imaginário de uma época. Circo Voador, Blitz, Brasília, Camisa de Vênus, Póspunk inglês... Parece que foi ontem, mas é também aqui e agora, É 8 e 80! DJs 80, pista 1: Batata, Don Jorge, Gabi, Chicão. DJs Boogie, pista 2: Bigbross, Roger'n'Roll, Marcos R. 19/11, Sábado, R$10 22h. Info: 81165322, bigbross@terra.com.br
Aham!.. IMPERDÍVER!
(...da onde eu tirei essa merda?...)
BETTER LATE - Finalmente nas bancas de Salvador (maldita distribuição setorizada) dois dos melhores lançamentos dos quadrinhos de super-heróis do ano: Quarteto Fantástico de John Byrne e Batman: Ano Um - Edição Definitiva, de Frank Miller. (Nos links você encontra mais informações, no site Universo HQ). O primeiro compila as primeiras histórias do velho Byrne, escritor-desenhista-artefinalista famoso pela sua fase com os X-Men em parceria com Chris Claremont. Hoje, ambos estão completamente incapazes de criar uma historinha que preste, mas nos anos 80, Byrne maravilhou os fãs da primeira família Marvel com histórias cheias de ficção científica e muita interação bacana entre os integrantes do grupo. Fora que naquele tempo, ele ainda sabia desenhar. Para os fãs do Quarteto, é uma pedidaça. Só perde para a fase clássica de Stan Lee & Jack Kirby, claro. Já Batman: Ano Um - Edição Definitiva é a famosa reinvenção da origem do Homem Morcego criada por Frank Miller, também nos anos 80. Cheio de moral após o arrasa-quarteirão Cavaleiro das Trevas, Miller encarou, em parceria com o fantástico e sumido desenhista David Mazzuchelli (que antes tinha feito a fodástica Demolidor - A Queda de Murdock com Miller), recriar os primeiros tempos de Bruce Wayne no combate ao crime e corrupção em Gotham City. Quase todo mundo que gosta de quadrinhos já deve ter lido essa obra-prima, mas essa nova edição (definitiva, dizem eles) da Panini vem cheia de extras (ué? É dvd?) e um pôster lindaço. Uhú!
DEU NA DYNAMITE - QUEM SE HABILITA? PALCO DO ROCK: INCRIÇÕES ATÉ 02 DE DEZEMBRO. As incrições para o Palco do Rock 2006, festival que acontece durante o carnaval de Salvador, estão abertas e podem ser feitas até o dia 02 de dezembro. Saiba como se inscrever: A inscrição é gratuita. Poderão participar do festival bandas locais, nacionais e internacionais, do estilo rock. Pegar no site a ficha de inscrição do Festival. Imprimir somente uma e preencher. Entregar tudo via correio ou pessoalmente no endereço, juntamente com o seu material. Material: histórico (release); material de áudio com qualidade sonora audível, sendo CD devidamente identificado; duas fotos (podem ser xerox colorida). A organização não receberá material por e-mail. Endereço:Ruas Dias Gomes, n.02, Sala 04, Piatã, Salvador, Bahia. Cep 41650-310 Bandas que já enviaram/têm material na ACCRBA: Caso não tenha um material de áudio novo, basta mandar a ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada, juntamente com uma carta dizendo que já possui o material na ACCRBA e que quer que o mesmo participe do processo seletivo do Palco do Rock 2006. Bandas Covers: O festival prioriza bandas com trabalho autoral. A possibilidade da participação de uma banda que tem o trabalho totalmente baseado em covers é muito remota. Quantidade de músicas para demonstração A banda tem livre arbítrio pra mandar no CD a quantidade que quiser, desde que esteja satisfeita em achar que o trabalho poderá ser analisado nas mesmas. Maiores informações: http://www.accrba.com.br
O ROCK LOCO AVISA: PARTICIPE POR SUA PRÓPRIA CONTA E RISCO. DEPOIS NÃO DIGAM QUE EU NÃO AVISEI, HEIN?!?
+ DEU NA DYNAMITE - PHIL COLLINS QUER RESSUCITAR O GENESIS - Alô Maurício Pedrão (o único fã que restou, que eu saiba)! ...E ainda diz que é com Peter Gabriel no vocal. Minha única dúvida é: como Phil Collins ainda toca? Diz que o veio tá surdo, surdo. Uh... Deve ser por vibração, né?
Bom, a próxima:
EX-MARILYN MANSON COM VOCALISTA DO KISS - Alô, Nei e Nancyta! Essa é pra gente. Paul Stanley vai lançar seu primeiro disco solo desde 1978, quando cada integrante do Kiss lançou um LP só com a carona maquiada estampada na capa. Não preciso nem dizer que o melhor dos quatro era o Ace Frehley, meu guitarrista de cabeceira. Pois bem: dessa vez, Paul terá as participações de John 5 (que tocou guitarra no Marilyn Manson) e Bruce Kullick (que, embora tenha tocado guitarra no Kiss, aparece tocando baixo). Quem aí acha que vai ser bom?
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(som de grilos cricrilando)
AGENDA DO ROCK (LOCO)
SANGRIA E RONEI JORGE E OS LADRÕES DE BICICLETA
com a participação dos DJs Batata (residente), Ramon Prates (Bahia Rock) e Lucas Albarn (Nave) 12 de novembro (sábado), 22h Miss Modular R$10,00. Por falar em Sangria, não custa lembrar (fala, Maurão): "A Sangria agora tem site > www.sangria.com.br , apareçam."
JEFF SCOTT SOTTO pela primeira vez em Salvador. A Maniac Records, Mezzannino e a Rock Freeday se uniram para fazer um grande show INTERNACIONAL com grande estrutura de som, iluminação e segurança, no ROCK IN RIO CAFÉ em 18/11/2005 ás 21:00h, serão três atrações, JEFF SCOTT SOTO, um dos maiores vocalistas do Heavy Metal, que fechará o evento, NOMIN, como banda de abertura e a veterana SLOW, como segunda banda da noite. Jeff Scott Soto nasceu na Costa Rica, foi apresentado ao mundo da música pelo consagrado guitarrista sueco Yngwie Malmsteen. Com ele gravou os álbuns Rising Force (primeiro de Malmsteen) e Marching Out, considerado melhor album do Malmsteen e ele omelhor vocalista que já passou por sua banda. Participou ainda de vários tributos, a Ozzy Osbourne, Van Halen e Aerosmith, entre outros. E da Trilha sonoroa do filme Rock Star. Aguardem um grande show no melhor estilo JEFF SCOTT SOTTO 18/11 ? ÀS 21:OOHS CENSURA: 16 ANOS INGRESSOS - 1° lote com ingresso do Angra R$ 10,00 2° lote - R$ 20,00 Camarote R$ 30,00
Boogie Nights x É 8 e 80 - Edição conjunta de duas festas tradicionais: Boogie Nights e É 8 e 80. A primeira é a pátria do melhor do rock/ cumbias/ disco/ samba rock/ rocksamba/ jovem guarda, com os djs Bigbross, roger n roll, marcos rodrigues. A segunda resgata o imaginário de uma época. Circo Voador, Blitz, Brasília, Camisa de Vênus, Póspunk inglês... Parece que foi ontem, mas é também aqui e agora, É 8 e 80! DJs 80, pista 1: Batata, Don Jorge, Gabi, Chicão. DJs Boogie, pista 2: Bigbross, Roger'n'Roll, Marcos R. 19/11, Sábado, R$10 22h. Info: 81165322, bigbross@terra.com.br
Aham!.. IMPERDÍVER!
terça-feira, novembro 08, 2005
NA CARA DURA VOU TE DIZER QUE ESSA GAROTA PODE SER VOCÊ
É como eu vinha frisando, destacando, diria até mesmo reiterando: o Cachorro Grande quebrou tudo no show de sexta passada no Rock in Rio Cafe. Mas quebrou com gosto de sangue, ousaria até dizer, com gosto de querosene, à moda Beto Bahia. Foi um pau só, do início ao fim. Não interessa se você não conhecia todas as músicas, como a grande maioria das pessoas presentes (casa cheia, sim senhor), a pressão da mordida dos canídeos sulinos, era tal ponto impossível de ser ignorada que, quem não tava no gargalo se esgoelando (caso de muita gente conhecida do rock local), jazia de queixo caído mais atrás, embasbacado com tudo: a energia dos músicos, a potência do som, o entrosamento perfeito, as quebradas de ritmo totalmente descaralhantes... Na boa: foi um dos maiores esporros sonoros que já tive o prazer e a honra de testemunhar. O que era aquele pianinho boogie woogie deliciosamente onipresente o show inteiro? O carisma de Beto Bruno, o total domínio do palco e envolvimento do público que se estabeleceu ao longo de toda a apresentação? Ali pelo fim - totalmente bombástico - do show (não lembro de muitos detalhes - sim, eu tava bem louco), eu achei que eles iam quebrar todas as guitarras, o baixo, o piano do cara, eu achei que eles iam quebrar tudo, tamanha a fúria com que encerraram o massacre. Tava a maior galera ali no gargalão, Sexperienced comendo no centro, se não me engano, e parecia que Chuck Berry, Elvis Presley, Jerry Lee e Carl Perkins (Marcelo Gross é um monstro) tavam todos ali sobre o mesmo palco, uma barreira louca se espremendo de encontro ao "altar", com a as mãos pra cima - extáticos, era como estávamos todos. Foi uma experiência quase religiosa. Nossa. Saiu todo mundo de alma lavada, ouvido zunindo, meio surdo, arrasado. E a banda gaúcha, em seu primeiro show, digamos, pra valer aqui na Bahia (aquele no Wet n' Wild pra playboyzada não conta) saiu consagrada do palco. Mas consagrada mesmo, como poucas vezes vi um público reagir tão bem à uma banda de fora. A última vez que vi o público baiano (o do rock, bem entendido) tão receptivo assim foi no show do Placebo, em abril último. Antes dos Cachorros, teve a Sangria e os Retrofoguetes, que também fizeram grandes shows, como sempre. No palco, Rex apresentou seu filho (que via o show do camarote) à turba: "é a primeira night dele", entregou, para delírio da galera. Depois, o sumido e sempre bem-vindo Alex Porchat subiu para tocar seu trumpete em "Misirlou", do Dick Dale, com a banda, em mais uma daquelas performances matadoras. A Sangria, em semana agitada (teve show terça, no mesmo Rock in Rio e na quinta, em Aracaju com o Big Dog), visivelmente aumenta seu público a cada ritual satânico, digo, a cada show. Endiabrados no palco, os "sequelados" vão aperfeiçoando seu repertório, fazendo um show cada vez mais equilibrado e redondo. Não é todo mundo que guenta com o esporro sombrio e pesadão da banda, mas as rodas de pogo vêm surgindo constantemente, o que é muito bom. Outra nota positiva da night é que, pela primeira vez, eu não tenho o que reclamar de um show no Rock In Rio. Parabéns para a organização do evento, que teve a felicíssima idéia de chamar seu vigário Batata para discotecar na night, o que nos poupou de ouvir Usher, Eminem e Jennifer Lopez antes e nos intervalos dos shows. Um detalhe tão simples, e fez uma diferença de astral brutal no lugar. E não, também não tivemos aquela detestável lâmpada estroboscópica nos cegando a noite toda, Jah seja louvado... Agradeço à Apú, Maurão, Bola, Pedro e Emanuel pelas cortesias e... não esqueçam de me chamar para o próximo, hein?!?
PRÊMIO LONDON BURNING DE MÚSICA INDEPENDENTE 2005
Recebi um material gigante sobre o Prêmio do site - produtora do gerrilheiro indie Luciano Viana, reproduzo um pedaço aqui. Recomendo quem estiver interessado, escrever para o email showslb@uol.com.br para pedir o regulamento inteiro. Então, segura aí e se agilize, que o prazo final para mandar seu material é 1º de dezembro.
London Burning anuncia nova edição de um dos mais importantes prêmios para a música independente do Brasil. Contabilizando mais de 100.000 votos nas duas primeiras edições e quase mil discos/vídeos enviados de todos os estados e contando com a colaboração de alguns dos principais jornalistas, produtores e ativistas culturais como jurados, o prêmio chega em sua terceira edição cada vez mais forte em termos de mídia e produção.PRÉ-SELEÇÃO > Concorrerão ao PRÊMIO LONDON BURNING apenas discos e vídeos lançados entre 1 de setembro de 2004 a 1 de outubro de 2005, de forma independente ou emgravadoras independentes brasileiras*. Para concorrer a uma das indicações das TREZE categorias do PRÊMIO LONDONBURNING, a banda/artista terá que enviar 2 (duas) copias de seu material (CD e/ou Vídeo) para o seguinte endereço: London BurningRua Jardim Botanico 236/ apt. 604 Rio de Janeiro ? RJ CEP 22461-000. Não esqueça de indicar no material em qual categoria você pretende concorrer. O prazo para envio do material vai até 01 de dezembro (quinta-feira). O anúncio dos indicados acontecerá no dia 10 de dezembro (sábado), com prazo de 2 (dois) dias para dúvidas e/ou reclamações. Por sua vez, os produtores do evento também terão 2 (dois) dias para analisar as dúvidas e/ou reclamações, podendo ou não, fazer alguma modificação na lista dos indicados. Depois de tudo isso, o anúncio oficial dos indicados acontece no dia 15 de dezembro, quando também serão revelados o nome dos jurados desse ano. Do dia 16 ao dia 31 de dezembro será o prazo para a votação pela internet nas categorias abertas ao público e para o voto dos jurados escolhidos pela produção do Prêmio London Burning. Sexta-feira, dia 7 de janeiro, os vencedores serão revelados em uma grande festa no Rio de Janeiro!! Confira abaixo as categorias do PRÊMIO LONDON BURNING DE MUSICA INDEPENDENTE 2005.
PRÊMIO LONDON BURNING DE MÚSICA INDEPENDENTE 2005
Recebi um material gigante sobre o Prêmio do site - produtora do gerrilheiro indie Luciano Viana, reproduzo um pedaço aqui. Recomendo quem estiver interessado, escrever para o email showslb@uol.com.br para pedir o regulamento inteiro. Então, segura aí e se agilize, que o prazo final para mandar seu material é 1º de dezembro.
London Burning anuncia nova edição de um dos mais importantes prêmios para a música independente do Brasil. Contabilizando mais de 100.000 votos nas duas primeiras edições e quase mil discos/vídeos enviados de todos os estados e contando com a colaboração de alguns dos principais jornalistas, produtores e ativistas culturais como jurados, o prêmio chega em sua terceira edição cada vez mais forte em termos de mídia e produção.PRÉ-SELEÇÃO > Concorrerão ao PRÊMIO LONDON BURNING apenas discos e vídeos lançados entre 1 de setembro de 2004 a 1 de outubro de 2005, de forma independente ou emgravadoras independentes brasileiras*. Para concorrer a uma das indicações das TREZE categorias do PRÊMIO LONDONBURNING, a banda/artista terá que enviar 2 (duas) copias de seu material (CD e/ou Vídeo) para o seguinte endereço: London BurningRua Jardim Botanico 236/ apt. 604 Rio de Janeiro ? RJ CEP 22461-000. Não esqueça de indicar no material em qual categoria você pretende concorrer. O prazo para envio do material vai até 01 de dezembro (quinta-feira). O anúncio dos indicados acontecerá no dia 10 de dezembro (sábado), com prazo de 2 (dois) dias para dúvidas e/ou reclamações. Por sua vez, os produtores do evento também terão 2 (dois) dias para analisar as dúvidas e/ou reclamações, podendo ou não, fazer alguma modificação na lista dos indicados. Depois de tudo isso, o anúncio oficial dos indicados acontece no dia 15 de dezembro, quando também serão revelados o nome dos jurados desse ano. Do dia 16 ao dia 31 de dezembro será o prazo para a votação pela internet nas categorias abertas ao público e para o voto dos jurados escolhidos pela produção do Prêmio London Burning. Sexta-feira, dia 7 de janeiro, os vencedores serão revelados em uma grande festa no Rio de Janeiro!! Confira abaixo as categorias do PRÊMIO LONDON BURNING DE MUSICA INDEPENDENTE 2005.
domingo, novembro 06, 2005
FEED THE WORLD
Em meados de 1984 uma reportagem da BBC sobre uma seca gigantesca na Etiópia mandou ondas de choque por toda a sociedade britânica. A reportagem, com cenas chocantes de miseria e fome de proporções bíblicas(palavras do repórter da BBC) provocou reações de todo tipo na Inglaterra, e despertou uma verdadeira febre de doações de dinheiro, comida, ect. . Com a repercussão do caso nos paises do primeiro mundo, organismos internacionais ampliaram o alcance de suas ações e o caso despertou atenção e simpatias recordes nos paises ricos, tomados entre a compaixão genuína e culpa.
Entre os que viram a reportagem estava Bob Geldof, líder do já decadente Boomtown Rats. Chocado com o que vira entrou em contato com outros músicos, tendo conseguido apoio de Midge Ure do Ultravox desde o inicio, para fazer algo em prol dos famintos Africanos. Juntos organizaram a gravação do single " Do They Know it's Christmas?" com as participações de rock stars da época como Boy George, Duran Duran, Wham!, Sting, Bono, Phil Collins e outros e formaram a Band Aid com toda a renda destinada a Etiópia. Outros paises seguiram a receita, notadamente os Estados Unidos com o seu U.S.A. for África, com as participações de Michael Jackson, Bruce Springsteen, Bob Dylan, Stevie Wonder, Ray Charles e outros, um cast assombroso.Tudo para mostrar que o rock se importava, afinal desde o fim do sonho dos anos 60, o rock tinha se afundado no niilismo e cinismo do punk, afogando muitas das bandeiras empunhadas no auge da contra-cultura. No entanto para o idealista Geldof isto não era suficiente.
Enfronhado pesadamente no assunto, e escolado pelo punk e pelas inúmeras iniciativas fracassadas dos 60 de se construir um mundo melhor apenas com boas intenções , Geldof partiu para organizar umas das mais ambiciosas empreitadas da historia, e ainda por cima de tudo por uma boa causa. Unindo militância, idealismo, e a nascente noção de globalizaçao, promovido principalmente pelos meios de comunicação, Geldof reuniu uma equipe que concebeu o maior broadcast da historia até então, eventos esportivos a parte, com transmissão simultânea ao vivo de dois paises, com uma participação recorde de quase todos superstars do rock,para uma audiência estimada de 2 bilhoes de pessoas. Acordos foram fechados com as mega-redes BBC e ABC, e com a nanica, mas já influentissima MTV, que garantiram a participação e atração de grandes anunciantes e alto teor de credibilidade rock garantido pelo envolvimento da então ultra-hip MTV.
Há mais de 20 anos, mais exatamente no dia 13 de Julho de 1985, boa parte do mundo pode acompanhar o rock por algumas horas determinar o rumo das coisas no mundo real. O Brasil , com seu mundo rock ainda sob impacto do Rock in Rio 1, ficou de fora da transmissão, fora alguns flashes de televisão, e o noticiário da imprensa ligada ao rock em jornais de grande circulação( JB, Folha, Globo, Estadao ). Vários paises, o mundo segundo os anglo-saxões, participaram da transmissão, como a Austrália, Rússia, Noruega, Iugoslávia, Áustria e Japão.
Vendo os 4 DVD?s do evento( lançado ano passado), com o distanciamento de 20 anos, arrisco concordar com o comentário da dinosaura Joan Baez.Presente ao evento a veterana de Woodstock arremata "Este é o Woodstock de vocês". A primeira vista nada a ver com o hippie-fest que foi Woodstock, com um festival com dois palcos transatlânticos, um em Londres no Wembley Stadium e outro no JFK Stadium na Filadefia transmitidos via satélite para uma platéia mais para yuppies que para flower children.Mas existem semelheanças , se em Woodstock se reuniu 300.000,00 pessoas para 3 dias de paz e musica, o Live Aid tinha a intenção nada modesta de alimentar o mundo( feed the world) sempre embalado por musica( no dois casos o rock), a forma de arte mais associada a revoluçao social dos nossos tempos. Claro que em Woodstock o rock vivia seu auge criativo, e comparar artistas como Hendrix, Alvin Lee, Who ( em 1969), Santana e CSN & Y com Ultravox, Simple Minds, Who ( em 1985) e Boomtown Rats é covardia. Mas o espírito ( da-lhe Kris Kristoferson) tava ali, e mesmo assim são vários os highlights e curiosidades dos shows:
- A visível diferença de participação e empolgaçao entre as platéias inglesas e americanas, a inglesa animada e participativa , a americana algo apática.
-O príncipe Charles e Lady Di abrindo junto com Saint Bob( Geldof) o evento em Wembley. Lady Di estava no auge da beleza, e nos na época não desconfiávamos que aquele conto de fadas era fake.
-O Queen no auge dos seus poderes, provavelmente a maior banda de rock do planeta na época.O set deles é devastador e o super-afetado Mercury sabia reger grandes multidoes.
- O U-2 em ascensão vertiginosa. E Bono já se credenciando como sucessor de Geldof como consciência do rock.
-Madonna novinha, iniciando seu reinado.
- A classe fuderosa de Bowie ( Wembley) e Clapton( JFK)
-Tina e Jagger botando pra fuder
-Nos extras uma apresentação do Run-DMC, para a visível estupefação e repudio de parte da platéia. Aquilo ali é premonitório. O rap se tornaria a força dominante na musica americana a partir dos anos 90.
- O final apoteótico e emocionante da apresentação em Wembley, com artistas e platéia em uníssono cantando " Do They Know It's Christmas?". Um dos grandes momentos da historia do rock.
-O final frouxo e caótico no JFK.
-Paula Yates ainda casada com Geldof. Ela, uma reporter consagrada na Inglaterra, era a epítome do gata cool, linda, loura e politizada. Ela protagonizaria uma historia trágica ao largar Geldof por Michael Hutchence do INXS( que se apresenta na Austrália pro Live Aid via satélite). Hutchence aparentemente se suicidou anos depois, já casado com Paula, após uma discussão com Geldof, que nunca se recuperou da separação. Paula Yates morreu após uma overdose pouco tempo depois. Os cínicos dizeram na época que Geldof gastava tempo demais na África e Yates na Austrália.
-O dueto George Michael e Elton John. Também premonitório.
- Por fim, quantos mullets!!! A era New Wave apresentou os piores cortes de cabelo da historia do rock.Destaques( negativos) para Bono, Daryl Hall, Ric Ocasek, e dezenas de outros.
O ultimo DVD, mostra como Geldof gastou os 144 milhoes de dólares levantados pela fundação Band Aid, e um documentário pungente sobre a ação da fundação Band Aid na África, os entraves burocráticos enfrentados por Geldof e Cia.Até uma pequena discusao de Geldof com Margaret Thatcher, onde ele tenta argumentar sem sucesso sobre a situação na África. Ela friamente e brevemente diz que se manda muito dinheiro pra África. Este argumento conservador acabou prevalecendo mais adiante, e a população do primeiro mundo cansou de brincar de filantropa, alem dos questionamentos de porque o dinheiro nunca resolvia a situaòao de pobreza do 3-° Mundo. A eles falta a compreensão que só caridade não resolve, os problemas são estruturais. Bono Vox advoga o cancelamento da divida de paises do 3-° Mundo, mas como bem sabemos nosotros aca , neguinho não ta afim de abrir mãos de seus privilégios, e depois de 11 de setembro de 2001 os Estados unidos ficou mais conservador do que já era. No entanto a mensagem é bonita, não obstante da reedição do Live Aid este ano ter sido embotado pelos atentados terroristas em Londres, 2 dias depois do Live 8. Geldof lançou seu melhor disco há 2 anos , o amargo Sex, Age & Death. Mais info no http://www.liveaiddvd.net/. É uma historia extraordinária. Feed The World!
Entre os que viram a reportagem estava Bob Geldof, líder do já decadente Boomtown Rats. Chocado com o que vira entrou em contato com outros músicos, tendo conseguido apoio de Midge Ure do Ultravox desde o inicio, para fazer algo em prol dos famintos Africanos. Juntos organizaram a gravação do single " Do They Know it's Christmas?" com as participações de rock stars da época como Boy George, Duran Duran, Wham!, Sting, Bono, Phil Collins e outros e formaram a Band Aid com toda a renda destinada a Etiópia. Outros paises seguiram a receita, notadamente os Estados Unidos com o seu U.S.A. for África, com as participações de Michael Jackson, Bruce Springsteen, Bob Dylan, Stevie Wonder, Ray Charles e outros, um cast assombroso.Tudo para mostrar que o rock se importava, afinal desde o fim do sonho dos anos 60, o rock tinha se afundado no niilismo e cinismo do punk, afogando muitas das bandeiras empunhadas no auge da contra-cultura. No entanto para o idealista Geldof isto não era suficiente.
Enfronhado pesadamente no assunto, e escolado pelo punk e pelas inúmeras iniciativas fracassadas dos 60 de se construir um mundo melhor apenas com boas intenções , Geldof partiu para organizar umas das mais ambiciosas empreitadas da historia, e ainda por cima de tudo por uma boa causa. Unindo militância, idealismo, e a nascente noção de globalizaçao, promovido principalmente pelos meios de comunicação, Geldof reuniu uma equipe que concebeu o maior broadcast da historia até então, eventos esportivos a parte, com transmissão simultânea ao vivo de dois paises, com uma participação recorde de quase todos superstars do rock,para uma audiência estimada de 2 bilhoes de pessoas. Acordos foram fechados com as mega-redes BBC e ABC, e com a nanica, mas já influentissima MTV, que garantiram a participação e atração de grandes anunciantes e alto teor de credibilidade rock garantido pelo envolvimento da então ultra-hip MTV.
Há mais de 20 anos, mais exatamente no dia 13 de Julho de 1985, boa parte do mundo pode acompanhar o rock por algumas horas determinar o rumo das coisas no mundo real. O Brasil , com seu mundo rock ainda sob impacto do Rock in Rio 1, ficou de fora da transmissão, fora alguns flashes de televisão, e o noticiário da imprensa ligada ao rock em jornais de grande circulação( JB, Folha, Globo, Estadao ). Vários paises, o mundo segundo os anglo-saxões, participaram da transmissão, como a Austrália, Rússia, Noruega, Iugoslávia, Áustria e Japão.
Vendo os 4 DVD?s do evento( lançado ano passado), com o distanciamento de 20 anos, arrisco concordar com o comentário da dinosaura Joan Baez.Presente ao evento a veterana de Woodstock arremata "Este é o Woodstock de vocês". A primeira vista nada a ver com o hippie-fest que foi Woodstock, com um festival com dois palcos transatlânticos, um em Londres no Wembley Stadium e outro no JFK Stadium na Filadefia transmitidos via satélite para uma platéia mais para yuppies que para flower children.Mas existem semelheanças , se em Woodstock se reuniu 300.000,00 pessoas para 3 dias de paz e musica, o Live Aid tinha a intenção nada modesta de alimentar o mundo( feed the world) sempre embalado por musica( no dois casos o rock), a forma de arte mais associada a revoluçao social dos nossos tempos. Claro que em Woodstock o rock vivia seu auge criativo, e comparar artistas como Hendrix, Alvin Lee, Who ( em 1969), Santana e CSN & Y com Ultravox, Simple Minds, Who ( em 1985) e Boomtown Rats é covardia. Mas o espírito ( da-lhe Kris Kristoferson) tava ali, e mesmo assim são vários os highlights e curiosidades dos shows:
- A visível diferença de participação e empolgaçao entre as platéias inglesas e americanas, a inglesa animada e participativa , a americana algo apática.
-O príncipe Charles e Lady Di abrindo junto com Saint Bob( Geldof) o evento em Wembley. Lady Di estava no auge da beleza, e nos na época não desconfiávamos que aquele conto de fadas era fake.
-O Queen no auge dos seus poderes, provavelmente a maior banda de rock do planeta na época.O set deles é devastador e o super-afetado Mercury sabia reger grandes multidoes.
- O U-2 em ascensão vertiginosa. E Bono já se credenciando como sucessor de Geldof como consciência do rock.
-Madonna novinha, iniciando seu reinado.
- A classe fuderosa de Bowie ( Wembley) e Clapton( JFK)
-Tina e Jagger botando pra fuder
-Nos extras uma apresentação do Run-DMC, para a visível estupefação e repudio de parte da platéia. Aquilo ali é premonitório. O rap se tornaria a força dominante na musica americana a partir dos anos 90.
- O final apoteótico e emocionante da apresentação em Wembley, com artistas e platéia em uníssono cantando " Do They Know It's Christmas?". Um dos grandes momentos da historia do rock.
-O final frouxo e caótico no JFK.
-Paula Yates ainda casada com Geldof. Ela, uma reporter consagrada na Inglaterra, era a epítome do gata cool, linda, loura e politizada. Ela protagonizaria uma historia trágica ao largar Geldof por Michael Hutchence do INXS( que se apresenta na Austrália pro Live Aid via satélite). Hutchence aparentemente se suicidou anos depois, já casado com Paula, após uma discussão com Geldof, que nunca se recuperou da separação. Paula Yates morreu após uma overdose pouco tempo depois. Os cínicos dizeram na época que Geldof gastava tempo demais na África e Yates na Austrália.
-O dueto George Michael e Elton John. Também premonitório.
- Por fim, quantos mullets!!! A era New Wave apresentou os piores cortes de cabelo da historia do rock.Destaques( negativos) para Bono, Daryl Hall, Ric Ocasek, e dezenas de outros.
O ultimo DVD, mostra como Geldof gastou os 144 milhoes de dólares levantados pela fundação Band Aid, e um documentário pungente sobre a ação da fundação Band Aid na África, os entraves burocráticos enfrentados por Geldof e Cia.Até uma pequena discusao de Geldof com Margaret Thatcher, onde ele tenta argumentar sem sucesso sobre a situação na África. Ela friamente e brevemente diz que se manda muito dinheiro pra África. Este argumento conservador acabou prevalecendo mais adiante, e a população do primeiro mundo cansou de brincar de filantropa, alem dos questionamentos de porque o dinheiro nunca resolvia a situaòao de pobreza do 3-° Mundo. A eles falta a compreensão que só caridade não resolve, os problemas são estruturais. Bono Vox advoga o cancelamento da divida de paises do 3-° Mundo, mas como bem sabemos nosotros aca , neguinho não ta afim de abrir mãos de seus privilégios, e depois de 11 de setembro de 2001 os Estados unidos ficou mais conservador do que já era. No entanto a mensagem é bonita, não obstante da reedição do Live Aid este ano ter sido embotado pelos atentados terroristas em Londres, 2 dias depois do Live 8. Geldof lançou seu melhor disco há 2 anos , o amargo Sex, Age & Death. Mais info no http://www.liveaiddvd.net/. É uma historia extraordinária. Feed The World!
quinta-feira, novembro 03, 2005
EU SEI QUE NÃO TÁ MOLE, ENTÃO TOME MAIS UM GOLE
Resenhas de discos nem tão novos, porém bacanas, guardadas há algum tempo para serem publicadas simultaneamente com o Clash City Rockers. Como diria Alexandre Matias, "pelo bem da atualização do blog", me vejo obrigado a desová-las antes do blog brother, devido a diversas razões, alheias ao Rock Loco (cabeça cheia, falta de tempo, falta de assunto melhor). Foi mal aê, velhinhos. Enjoy. Ou não...
LIFEBLOOD
MANIC STREET PREACHERS
EPIC / SONY
A primeira impressão que tive, logo à primeira audição deste último CD da banda galesa Manic Street Preachers, foi que a produção de Greg Haver meio que deixou em segundo plano o elemento que costumava ser o mais essencial no som de seus álbuns anteriores: a guitarra. Não que ela tenha sumido e eles tenham virado tecno, nada disso. A guitarra está lá, mas em segundo plano mesmo, em privilégio de acordes de pianos, levadas de baixo e claro, das lindas melodias vocais de James Dean Bradfield. Em suma, neste disco, o Manic Street Preachers está soando mais como um certo pop dos anos 80, aquele de melodias grudentas, mais suave mesmo. Nomes que freqüentavam os dials das FMs daquela época, como Talk Talk, Icehouse e sei lá mais o quê me ocorrem no momento, mas temo que sejam uma associação não muito feliz para uma banda do porte do MSP. Até por que, logo na faixa de abertura, a emblemática 1985, eles pagam seu tributo à (imagino) quem de direito: "In 1985 / my words, they came alive / friends were made for life / Morrissey and Marr gave me choice / in 1985". Essa primeira faixa, mais as duas seguintes, The love of Richard Nixon (a que mais me lembrou Talk Talk, especialmente em sua introdução) e Empty souls causam uma ótima impressão: melodias bacanas, arranjos instigantes, timing perfeito. A partir da quarta faixa (A song for the departure) porém, essa impressão se desvanece um pouquinho. Lifeblood não é um disco regular. Faixas como citada A song for the departure e I live to fall asleep parecem carregadas de uma beleza - ouso até dizer - meio bregas, como se pudessem ser executadas nas globo-fm-para-quem-gosta-de-música à qualquer momento, se os programadores das rádios ainda cultivassem o hábito de ouvir música, claro. Em To repel ghosts o guitarrista até emula uns riffs à la The Edge (fase Unforgettable fire), mas logo sucumbe sob uma parede de teclados meio antiquados. Emily, que assim como as faixas Solitude sometimes is e Cardiff afterlife, foi produzida pelo lendário Toni Visconti (Bowie e Marc Bolan nos anos de ouro do glam rock) começa com uma levada de bossa, mas não convence. Depois parece Coldplay, banda que detesto. Glasnost é chatinha. Always/never já anima um pouco mais, mas não decola. A última faixa, Cardiff afterlife fecha o disco com chave de gelatina, pois a música é frouxa, sem a pegada demonstrada até mesmo em faixas do mesmo disco. A verdade, como o leitor mais atento já deve ter notado, é que eu não sei ainda direito se gostei desse disco. Minha única certeza é que se trata do disco mais ambíguo que eles já fizeram. É para dar nota? Bom... 6,5. Não, 7. Não, 8. Pô, sei lá. Melhor ouvir a coletânea de hits Forever delayed (2002) ou Know your enemy (2001) ou mesmo o primeiro, Generation terrorists (1992).
PRETTY IN BLACK
THE RAVEONETTES
COLUMBIA
O terceiro disco da dupla dinamarquesa Raveonettes talvez seja o melhor que eles produziram, e olha que os dois primeiros, Whip it on (EP de 2002) e Chain gang of love (2003) já batiam um bolão com sua atmosfera retrô, microfonia à la Jesus n' Mary Chain e melodias estilo pop anos 50 e blues primitivo. Neste disco, Sune Rose Wagner e Sharin Foo aliviaram na microfonia e enfatizaram ainda mais as melodias que parecem saídas diretamente de uma jukebox de diner americano dos anos dourados de James Dean e do seriado Happy Days (putz, quem lembra?). Saem os apitos das guitarras dos irmãos Reid e entram melodias doces levadas ao violão e guitarras (quase) limpas, lembrando grupos vocais femininos produzidos por Phil Spector, Elvis e seus clones. Poderia ter dado errado, mas não deu. O resultado é maravilhoso, e tudo exala aquela inocência típica da década dos anos dourados. Filmes como A Primeira transa de Jonathan, Clube dos cafajestes, Porky's e mesmo clássicos como Juventude transviada (James Dean) e O Selvagem (Marlon Brando), me ocorrem. Lambretas, sorveterias, brilhantina no cabelo, brigas no drive in, casais se beijando desajeitadamente no cinema. Caso ouça, Morotó Slim (Retrofoguetes) realmente vai se amarrar neste disco. O riff da faixa Twilight chega até a lembrar Attack of the body snatchers, do primeiro disco dos Dead Billies. Outro dado interessante é que, apesar de fortemente retrô, os Raveonettes sempre introduzem algum elemento mais moderno nas músicas. A citada Twilight tem batida disco. Sleepwalking tem bateria eletrônica. Mas são apenas detalhes de produção. No geral, Pretty in black é um disco bem tradicional, americano até a medula em sua sonoridade, seus timbres de guitarra e temática essencialmente dor de corno romântico. Não por acaso, Ronnie Spector (ex-mulher de Phil? Alguém?) canta na linda Ode to L.A. e Moe Tucker (Velvet Underground) toca bateria em quatro faixas. O disco é uma delícia, é curto, suas faixas são concisas e formam um conjunto muito bem amarrado. Um dos discos mais bacanas que ouvi recentemente. Nota 10.
LIFEBLOOD
MANIC STREET PREACHERS
EPIC / SONY
A primeira impressão que tive, logo à primeira audição deste último CD da banda galesa Manic Street Preachers, foi que a produção de Greg Haver meio que deixou em segundo plano o elemento que costumava ser o mais essencial no som de seus álbuns anteriores: a guitarra. Não que ela tenha sumido e eles tenham virado tecno, nada disso. A guitarra está lá, mas em segundo plano mesmo, em privilégio de acordes de pianos, levadas de baixo e claro, das lindas melodias vocais de James Dean Bradfield. Em suma, neste disco, o Manic Street Preachers está soando mais como um certo pop dos anos 80, aquele de melodias grudentas, mais suave mesmo. Nomes que freqüentavam os dials das FMs daquela época, como Talk Talk, Icehouse e sei lá mais o quê me ocorrem no momento, mas temo que sejam uma associação não muito feliz para uma banda do porte do MSP. Até por que, logo na faixa de abertura, a emblemática 1985, eles pagam seu tributo à (imagino) quem de direito: "In 1985 / my words, they came alive / friends were made for life / Morrissey and Marr gave me choice / in 1985". Essa primeira faixa, mais as duas seguintes, The love of Richard Nixon (a que mais me lembrou Talk Talk, especialmente em sua introdução) e Empty souls causam uma ótima impressão: melodias bacanas, arranjos instigantes, timing perfeito. A partir da quarta faixa (A song for the departure) porém, essa impressão se desvanece um pouquinho. Lifeblood não é um disco regular. Faixas como citada A song for the departure e I live to fall asleep parecem carregadas de uma beleza - ouso até dizer - meio bregas, como se pudessem ser executadas nas globo-fm-para-quem-gosta-de-música à qualquer momento, se os programadores das rádios ainda cultivassem o hábito de ouvir música, claro. Em To repel ghosts o guitarrista até emula uns riffs à la The Edge (fase Unforgettable fire), mas logo sucumbe sob uma parede de teclados meio antiquados. Emily, que assim como as faixas Solitude sometimes is e Cardiff afterlife, foi produzida pelo lendário Toni Visconti (Bowie e Marc Bolan nos anos de ouro do glam rock) começa com uma levada de bossa, mas não convence. Depois parece Coldplay, banda que detesto. Glasnost é chatinha. Always/never já anima um pouco mais, mas não decola. A última faixa, Cardiff afterlife fecha o disco com chave de gelatina, pois a música é frouxa, sem a pegada demonstrada até mesmo em faixas do mesmo disco. A verdade, como o leitor mais atento já deve ter notado, é que eu não sei ainda direito se gostei desse disco. Minha única certeza é que se trata do disco mais ambíguo que eles já fizeram. É para dar nota? Bom... 6,5. Não, 7. Não, 8. Pô, sei lá. Melhor ouvir a coletânea de hits Forever delayed (2002) ou Know your enemy (2001) ou mesmo o primeiro, Generation terrorists (1992).
PRETTY IN BLACK
THE RAVEONETTES
COLUMBIA
O terceiro disco da dupla dinamarquesa Raveonettes talvez seja o melhor que eles produziram, e olha que os dois primeiros, Whip it on (EP de 2002) e Chain gang of love (2003) já batiam um bolão com sua atmosfera retrô, microfonia à la Jesus n' Mary Chain e melodias estilo pop anos 50 e blues primitivo. Neste disco, Sune Rose Wagner e Sharin Foo aliviaram na microfonia e enfatizaram ainda mais as melodias que parecem saídas diretamente de uma jukebox de diner americano dos anos dourados de James Dean e do seriado Happy Days (putz, quem lembra?). Saem os apitos das guitarras dos irmãos Reid e entram melodias doces levadas ao violão e guitarras (quase) limpas, lembrando grupos vocais femininos produzidos por Phil Spector, Elvis e seus clones. Poderia ter dado errado, mas não deu. O resultado é maravilhoso, e tudo exala aquela inocência típica da década dos anos dourados. Filmes como A Primeira transa de Jonathan, Clube dos cafajestes, Porky's e mesmo clássicos como Juventude transviada (James Dean) e O Selvagem (Marlon Brando), me ocorrem. Lambretas, sorveterias, brilhantina no cabelo, brigas no drive in, casais se beijando desajeitadamente no cinema. Caso ouça, Morotó Slim (Retrofoguetes) realmente vai se amarrar neste disco. O riff da faixa Twilight chega até a lembrar Attack of the body snatchers, do primeiro disco dos Dead Billies. Outro dado interessante é que, apesar de fortemente retrô, os Raveonettes sempre introduzem algum elemento mais moderno nas músicas. A citada Twilight tem batida disco. Sleepwalking tem bateria eletrônica. Mas são apenas detalhes de produção. No geral, Pretty in black é um disco bem tradicional, americano até a medula em sua sonoridade, seus timbres de guitarra e temática essencialmente dor de corno romântico. Não por acaso, Ronnie Spector (ex-mulher de Phil? Alguém?) canta na linda Ode to L.A. e Moe Tucker (Velvet Underground) toca bateria em quatro faixas. O disco é uma delícia, é curto, suas faixas são concisas e formam um conjunto muito bem amarrado. Um dos discos mais bacanas que ouvi recentemente. Nota 10.
quarta-feira, outubro 26, 2005
6 BANDAS QUE PEGA MAL DIZER QUE GOSTA, MAS FODA-SE.
Relacionamentos já terminaram por causa de bandas - ou artistas solo - que uma das partes envolvidas não bate muito os cornos. A coisa pode ficar feia lá em casa se eu insistir muito que "sou fã do Kiss desde os 13 anos" (é verdade, porra!) e tal. Apesar de um grande amigo meu, que toca em uma das bandas mais legais da cidade, ter sido um fã ardoroso do Bon Jovi ao longo de toda a sua adolescência, eu relevo na boa. Eu adorava e ele odiava o The Cure e o The Smiths ou qualquer banda que começasse com "The". Acho que foi só depois disso que ele ouviu os The Beatles, ah, pobre diabo! Bom, mas como eu ia dizendo, todo mundo tem aquele grupo que você tem certeza absoluta que é (ou foi) legal, mas é melhor se fingir de morto numa mesa de bar - caso o nome do tal grupo surja na conversa - sob o risco de ser motivo de riso não apenas dos seus amigos, mas também do garçom, do barman, do casal da mesa do lado... Ah, e do guardador de carros lá fora também. O porteiro vai ter contado pra ele. Bom, sem mais delongas, aqui estão seis bandas que eu gosto, mas que nem sempre eu tô disposto a defender, até por que todas elas têm muitos pecados. O bastante para saciar um inferno inteiro. Mas eu gosto assim mesmo e ouço de vez em quando.
STEREOLAB - Eles são cabeça. Eles são internacionais (o guitarrista é inglês, a cantora francesa, tal). Eles são chegados em jazz, música brasileira, experimentações. Eles eram o máximo para a ala mais alternativa do rock. Eles são insuportáveis para a maior parcela da população da Terra (digamos 99,999999999%). Mas aí você vai ouvir e descobre que muitas de suas canções apresentam sons tão estranhos, mas cheios de surpresas, como se você estivesse explorando uma região totalmente alienígena. Uma experiência intrigante, foi o que me pareceu logo que ouvi (menino Spencer que me mostrou, e como fiquei fã, ele até trouxe um autógrafo da cantora Laetitia Sadier pra mim, de quando eles vieram ao Brasil, acho que em 2001). Não puxa pela emoção, apesar de ser capaz de causa-la, mas por uma via mais cerebral, talvez. Mas são grandes músicos, seus timbres são sempre incomuns, os primeiros discos são mais crus, mais noise, mesmo. Depois o som foi ficando mais sofisticado e incorporando um pouco de jazz, um pouco de experimentalismo, um pouco de música brasileira. Tem umas músicas que hoje realmente me soam muito chatas, muito longas (o Strokes fudeu tudo na minha cabeça, pqp), irrita um pouco. Para usar com parcimônia, mas sem medo, eis os indicados: Mars Audiac Quintet (1992), Emperor Tomato Ketchup (1995), Dots and loops (1998).
JAMIROQUAI - Opa, esse aqui doeu. De antemão, vou avisando: só gosto do primeiro disco, que realmente me causou ótima impressão logo que saiu, em 1993. Depois perdi o interesse, não acompanhei mais. Tem uma coisa que me incomoda terrivelmente aqui, além da banda do Jay Gay, ops, Kay, ser a preferida dos publicitários e designers de interiores (entre outros maletas): no início, o cara era todo ativista ecológico. No primeiro disco tinha um manifesto enorme dele no encarte, protestando contra a emissão de gases tóxicos (quem peidou?), a destruição da floresta e a matança das baleias, entre outras naturebices. Aí então, o filho de uma égua faz sucesso, ganha mijones de doletas e vira colecionador de Ferraris. E só aparece nos clips ostentando os tais carrões, correntes de ouros mais grossas que meu pulso, mansões espetaculares e mulheres voluptuosas. Tipo clip de hip hop vagabundo. O que é isso, companheiro? Mas, apesar de tuuuuuudo isso, eu admito que gosto do primeiro disco dele, Emergency on planet Earth (1993) (que canalha), uma sucessão de grooves "de rachar o assoalho", como se dizia nos anos 80. Tem também umas músicas que ele toca aquele instrumento australiano, didgeridoo (se não errei a grafia), que fica muito legal. E só.
VAN HALEN - O problema aqui é um só: Dave Lee Roth (o vocalista, se tem alguma alma aí que não sabe) saiu em 1984 e aí acabou. Não ouça mais nada depois do disco 1984 (lançado naquele mesmo ano), o último com Dave. Melhor deixar pra lá. Bom, o Van Halen é óbvio: o guitarrista é um monstro, virtuose, coisa e tal; o vocalista é até hoje um dos melhores showmen do showbizz americano; o baterista Alex (irmão de Eddie Van Halen), é outro cavalo com as baquetas nos cascos: o cara bate pesado; o baixista é aquele gordinho bonachão que segura a onda. Juntos, eles cometeram vários discos cheios de peso, músicas descaralhantes, diversão e folia genuinamente adolescente. Tem gente que diz que não gosta, mas nunca se dispôs a ouvir os discos que importam, só conhecem a baba horrorosa da fase Sammy Hagar, quase toda inútil para consumo humano. Sem o acrobático Lee Roth, o Van Halen perdeu toda a criatividade, espontaneidade e relevância. Pena. Indicados: Van Halen I (1978), V. H. II (1979), Diver down (1982), 1984 (1984).
TEARS FOR FEARS - Tremendamente injustiçados, esses caras precisam ser revistos e reavaliados. Seus dois primeiros discos são muito legais e têm uma pegada pop radiofônica - no melhor sentido possível da expressão - que até hoje, poucas bandas conseguiram igualar. Dia desses mesmo eu tava ouvindo o vinil do mega ultra vendido e manjado Songs from the big chair (1985) e mais uma vez me surpreendi com a perfeição pop oitentista daquele disco. O Franz Ferdinand ou o The Killers dariam um braço para compor uma faixa ainda hoje moderna, vibrante e redonda como Mother's talk ou até mesmo Head over heels (minha preferida). Letras tocantes, solos de guitarra esmerilhantes, melodias perfeitas. Sim, os caras eram meio viadinhos, meio malas, mas paciência. Eu não preciso conviver com eles, só com a música. Depois de muitos anos separados, a dupla Curt Smith / Roland Orzabal retornou com um disco novo, Everybody loves a happy ending, do qual não ouvi nada, não tenho a menor idéia se presta ou não. Indicados: The hurting (1983), Sons from the big chair (1985) e Tears roll down (Greatest hits, 1992).
TOM PETTY - Ah, qualé! O cara é amigão do Bob Dylan, fez parte da primeira geração da new wave americana, foi integrante do Travelling Wilburys (super banda / projeto que reuniu em dois - ótimos - álbuns Dylan, George Harrison, Roy Orbison, Petty e o mala Jeff Lynne, ex E.L.O.), é avesso a estrelismos, sempre foi fiel ao seu som meio sulista, meio americanófilo e tem gente que ainda faz cara feia quando ouve falar no nome do rapaz. Fala sério. Gosto muito do menino Petty, o cara tem ótimos discos que dá para ouvir sem pular uma faixa. Mas ainda assim, mesmo nos círculos mais intelectualizados do rock, Petty é mal visto. Por que será, hein?!? Alguém explica? Indicados: Damn the torpedoes (1979), Full moon fever (1989), Greatest hits (1993), Wild flowers (1994), She's the one (1996).
INXS - Os australianos do INXS vieram dos respingos do movimento new wave que foram dar na grande ilha do Pacífico e tiveram momentos muito bacanas até seu carismático vocalista Michael Hutchence - um Mick Jagger wannabe que ganhava pela simpatia e voz bacana - entrar em depressão e se enforcar em 1997. Pop até a medula, mas sempre com uma pegadazinha rock n roll, era diversão certa nas festinhas. Os primeiros discos na Autrália, ainda antes do estouro mundial com o disco Kick (1988) são certamente melhores, mas muito difíceis de encontrar. Recentemente, os membros remanescentes fizeram um reality show para botar um novo vocalista na banda. Que estupidez. Deixem o pobre Michael descansar em paz, seus usurários! Indicados: Listen like thieves (1985), Kick (1988), X (1990), Full moon, dirty hearts (1993), Best of (2002).
CRISE & QUEDA - Não, não é uma nova dupla sertaneja nem uma nova armação do rock infantil (é, isso existe), como aqueles horrendos Quéops & Raoni (o que é aquilo, meu deus?). Trata-se dos dois novos mega eventos que estão bagunçando os universos Marvel e DC no mundo dos quadrinhos comerciais. Em Crise de identidade, o assassinato brutal de Sue Dibny, mulher do Homem Elástico, traz a tona segredos e traições escondidos no passado da Liga da Justiça. O número um vendeu tão bem que a Panini botou nas bancas uma reimpressão, com capa alternativa (claaaro). Os números 1 e 2 tão nas bancas e até agora, tá valendo. O clima da história é tenso, os diálogos também as surpresas vão se sucedendo. Essa série em sete edições conduzirá à uma série de outras minisséries (OMAC Project, Day of Vengeance, Villains united), que por sua vez, nos levarão à uma outra megassérie bombástica intitulada Crise Infinita, similar à Crise nas Infinitas Terras, evento que redefiniu o Universo DC vinte anos atrás. Até já chamaram os autores originais, Marv Wolfman e George Perez para dar uns pitacos no novíssimo Universo DC que vem por aí. Já Vingadores - A Queda, pela Marvel, nos mostra o fim dos Vingadores (o maior grupo de heróis da editora, que reúne o Caputão América (copyright Melhores do Mundo), a Peiticeira Escarlate, Thor, Homem de Ferro etc) como o conhecemos. Muitos heróis vão morrer (pfuah!)e um novíssimo grupo ressurgirá das cinzas do antigo, reunindo - pasmem ? Homem Aranha, Wolverine, Luke Cage e Mulher Aranha, entre outros menos cotados. Essa série conduzirá ao mega evento House of M, que promete redefinir o Universo Marvel. Diz por aí que a população mutante da editora cairá para os níveis de 1978, quando os chamados filhos do átomo ainda não eram tããããõ populares. Você pode acompanhar essa bagaçeira a partir da revista Poderosos Vingadores 21, já nas bancas. Ufa. Agora, minha opinião sobre essa zorra toda: antigamente, quando se queria uma história bombástica, fazia-se uma série fechada em 12 edições e fim de papo (Guerras Secretas, Crise nas Infinitas Terras, Camelot 3.000). Agora vc tem uma série enorme que desembocará em várias minisséries paralelas, que conduzirão à mais uma megassérie bombástica, que finalmente mudará todo o status daquele universo narrativo para todo o sempre. Ou no mínimo, até a próxima reunião do departamento de marketing. E o pior é que eu reclamo, reclamo, mas não consigo deixar de ler. Isso tem cura?
AGENDA PÁ PUM
Outubro ou Nada! Todas as sextas de Outubro, no Calypso, 22h, R$8 28/10 Theatro de Séraphin, Koyotes e Demoiselle.
Ronei Jorge e Theatro de Séraphin29/10 (sábado) no Miss Modular, Rio Vermelho. R$10.
Tomada Rock Festival com as bandas: Malcom, A Sangue Frio, Sangria, Tharsis, Drearylands e ConfrontoDia: 01/11 (Terça-feira - véspera de feriado)Horário: 20:00 Local: Rock In Rio Café (Aeroclube Plaza Show - Boca do Rio)Censura: 16 anos Ingressos: 1º LOTE - R$10,00 2º LOTE - R$15,00 CAMAROTE - R$25,00 Informações: 3354-1735 / 3461-0300
Show com Álvaro Assmar e banda Dia: 09/11 (Quarta-feira) Horário: 20:00 Local: Teatro ACBEU (Corredor da Vitória) Ingresso: R$ 20,00 (normal) e R$ 10,00 (meia entrada)Informações: contato@compimenta.com.br / (71) 9161-4956 / 9129-1237 Site oficial: www.alvaroassmar.com.br
STEREOLAB - Eles são cabeça. Eles são internacionais (o guitarrista é inglês, a cantora francesa, tal). Eles são chegados em jazz, música brasileira, experimentações. Eles eram o máximo para a ala mais alternativa do rock. Eles são insuportáveis para a maior parcela da população da Terra (digamos 99,999999999%). Mas aí você vai ouvir e descobre que muitas de suas canções apresentam sons tão estranhos, mas cheios de surpresas, como se você estivesse explorando uma região totalmente alienígena. Uma experiência intrigante, foi o que me pareceu logo que ouvi (menino Spencer que me mostrou, e como fiquei fã, ele até trouxe um autógrafo da cantora Laetitia Sadier pra mim, de quando eles vieram ao Brasil, acho que em 2001). Não puxa pela emoção, apesar de ser capaz de causa-la, mas por uma via mais cerebral, talvez. Mas são grandes músicos, seus timbres são sempre incomuns, os primeiros discos são mais crus, mais noise, mesmo. Depois o som foi ficando mais sofisticado e incorporando um pouco de jazz, um pouco de experimentalismo, um pouco de música brasileira. Tem umas músicas que hoje realmente me soam muito chatas, muito longas (o Strokes fudeu tudo na minha cabeça, pqp), irrita um pouco. Para usar com parcimônia, mas sem medo, eis os indicados: Mars Audiac Quintet (1992), Emperor Tomato Ketchup (1995), Dots and loops (1998).
JAMIROQUAI - Opa, esse aqui doeu. De antemão, vou avisando: só gosto do primeiro disco, que realmente me causou ótima impressão logo que saiu, em 1993. Depois perdi o interesse, não acompanhei mais. Tem uma coisa que me incomoda terrivelmente aqui, além da banda do Jay Gay, ops, Kay, ser a preferida dos publicitários e designers de interiores (entre outros maletas): no início, o cara era todo ativista ecológico. No primeiro disco tinha um manifesto enorme dele no encarte, protestando contra a emissão de gases tóxicos (quem peidou?), a destruição da floresta e a matança das baleias, entre outras naturebices. Aí então, o filho de uma égua faz sucesso, ganha mijones de doletas e vira colecionador de Ferraris. E só aparece nos clips ostentando os tais carrões, correntes de ouros mais grossas que meu pulso, mansões espetaculares e mulheres voluptuosas. Tipo clip de hip hop vagabundo. O que é isso, companheiro? Mas, apesar de tuuuuuudo isso, eu admito que gosto do primeiro disco dele, Emergency on planet Earth (1993) (que canalha), uma sucessão de grooves "de rachar o assoalho", como se dizia nos anos 80. Tem também umas músicas que ele toca aquele instrumento australiano, didgeridoo (se não errei a grafia), que fica muito legal. E só.
VAN HALEN - O problema aqui é um só: Dave Lee Roth (o vocalista, se tem alguma alma aí que não sabe) saiu em 1984 e aí acabou. Não ouça mais nada depois do disco 1984 (lançado naquele mesmo ano), o último com Dave. Melhor deixar pra lá. Bom, o Van Halen é óbvio: o guitarrista é um monstro, virtuose, coisa e tal; o vocalista é até hoje um dos melhores showmen do showbizz americano; o baterista Alex (irmão de Eddie Van Halen), é outro cavalo com as baquetas nos cascos: o cara bate pesado; o baixista é aquele gordinho bonachão que segura a onda. Juntos, eles cometeram vários discos cheios de peso, músicas descaralhantes, diversão e folia genuinamente adolescente. Tem gente que diz que não gosta, mas nunca se dispôs a ouvir os discos que importam, só conhecem a baba horrorosa da fase Sammy Hagar, quase toda inútil para consumo humano. Sem o acrobático Lee Roth, o Van Halen perdeu toda a criatividade, espontaneidade e relevância. Pena. Indicados: Van Halen I (1978), V. H. II (1979), Diver down (1982), 1984 (1984).
TEARS FOR FEARS - Tremendamente injustiçados, esses caras precisam ser revistos e reavaliados. Seus dois primeiros discos são muito legais e têm uma pegada pop radiofônica - no melhor sentido possível da expressão - que até hoje, poucas bandas conseguiram igualar. Dia desses mesmo eu tava ouvindo o vinil do mega ultra vendido e manjado Songs from the big chair (1985) e mais uma vez me surpreendi com a perfeição pop oitentista daquele disco. O Franz Ferdinand ou o The Killers dariam um braço para compor uma faixa ainda hoje moderna, vibrante e redonda como Mother's talk ou até mesmo Head over heels (minha preferida). Letras tocantes, solos de guitarra esmerilhantes, melodias perfeitas. Sim, os caras eram meio viadinhos, meio malas, mas paciência. Eu não preciso conviver com eles, só com a música. Depois de muitos anos separados, a dupla Curt Smith / Roland Orzabal retornou com um disco novo, Everybody loves a happy ending, do qual não ouvi nada, não tenho a menor idéia se presta ou não. Indicados: The hurting (1983), Sons from the big chair (1985) e Tears roll down (Greatest hits, 1992).
TOM PETTY - Ah, qualé! O cara é amigão do Bob Dylan, fez parte da primeira geração da new wave americana, foi integrante do Travelling Wilburys (super banda / projeto que reuniu em dois - ótimos - álbuns Dylan, George Harrison, Roy Orbison, Petty e o mala Jeff Lynne, ex E.L.O.), é avesso a estrelismos, sempre foi fiel ao seu som meio sulista, meio americanófilo e tem gente que ainda faz cara feia quando ouve falar no nome do rapaz. Fala sério. Gosto muito do menino Petty, o cara tem ótimos discos que dá para ouvir sem pular uma faixa. Mas ainda assim, mesmo nos círculos mais intelectualizados do rock, Petty é mal visto. Por que será, hein?!? Alguém explica? Indicados: Damn the torpedoes (1979), Full moon fever (1989), Greatest hits (1993), Wild flowers (1994), She's the one (1996).
INXS - Os australianos do INXS vieram dos respingos do movimento new wave que foram dar na grande ilha do Pacífico e tiveram momentos muito bacanas até seu carismático vocalista Michael Hutchence - um Mick Jagger wannabe que ganhava pela simpatia e voz bacana - entrar em depressão e se enforcar em 1997. Pop até a medula, mas sempre com uma pegadazinha rock n roll, era diversão certa nas festinhas. Os primeiros discos na Autrália, ainda antes do estouro mundial com o disco Kick (1988) são certamente melhores, mas muito difíceis de encontrar. Recentemente, os membros remanescentes fizeram um reality show para botar um novo vocalista na banda. Que estupidez. Deixem o pobre Michael descansar em paz, seus usurários! Indicados: Listen like thieves (1985), Kick (1988), X (1990), Full moon, dirty hearts (1993), Best of (2002).
CRISE & QUEDA - Não, não é uma nova dupla sertaneja nem uma nova armação do rock infantil (é, isso existe), como aqueles horrendos Quéops & Raoni (o que é aquilo, meu deus?). Trata-se dos dois novos mega eventos que estão bagunçando os universos Marvel e DC no mundo dos quadrinhos comerciais. Em Crise de identidade, o assassinato brutal de Sue Dibny, mulher do Homem Elástico, traz a tona segredos e traições escondidos no passado da Liga da Justiça. O número um vendeu tão bem que a Panini botou nas bancas uma reimpressão, com capa alternativa (claaaro). Os números 1 e 2 tão nas bancas e até agora, tá valendo. O clima da história é tenso, os diálogos também as surpresas vão se sucedendo. Essa série em sete edições conduzirá à uma série de outras minisséries (OMAC Project, Day of Vengeance, Villains united), que por sua vez, nos levarão à uma outra megassérie bombástica intitulada Crise Infinita, similar à Crise nas Infinitas Terras, evento que redefiniu o Universo DC vinte anos atrás. Até já chamaram os autores originais, Marv Wolfman e George Perez para dar uns pitacos no novíssimo Universo DC que vem por aí. Já Vingadores - A Queda, pela Marvel, nos mostra o fim dos Vingadores (o maior grupo de heróis da editora, que reúne o Caputão América (copyright Melhores do Mundo), a Peiticeira Escarlate, Thor, Homem de Ferro etc) como o conhecemos. Muitos heróis vão morrer (pfuah!)e um novíssimo grupo ressurgirá das cinzas do antigo, reunindo - pasmem ? Homem Aranha, Wolverine, Luke Cage e Mulher Aranha, entre outros menos cotados. Essa série conduzirá ao mega evento House of M, que promete redefinir o Universo Marvel. Diz por aí que a população mutante da editora cairá para os níveis de 1978, quando os chamados filhos do átomo ainda não eram tããããõ populares. Você pode acompanhar essa bagaçeira a partir da revista Poderosos Vingadores 21, já nas bancas. Ufa. Agora, minha opinião sobre essa zorra toda: antigamente, quando se queria uma história bombástica, fazia-se uma série fechada em 12 edições e fim de papo (Guerras Secretas, Crise nas Infinitas Terras, Camelot 3.000). Agora vc tem uma série enorme que desembocará em várias minisséries paralelas, que conduzirão à mais uma megassérie bombástica, que finalmente mudará todo o status daquele universo narrativo para todo o sempre. Ou no mínimo, até a próxima reunião do departamento de marketing. E o pior é que eu reclamo, reclamo, mas não consigo deixar de ler. Isso tem cura?
AGENDA PÁ PUM
Outubro ou Nada! Todas as sextas de Outubro, no Calypso, 22h, R$8 28/10 Theatro de Séraphin, Koyotes e Demoiselle.
Ronei Jorge e Theatro de Séraphin29/10 (sábado) no Miss Modular, Rio Vermelho. R$10.
Tomada Rock Festival com as bandas: Malcom, A Sangue Frio, Sangria, Tharsis, Drearylands e ConfrontoDia: 01/11 (Terça-feira - véspera de feriado)Horário: 20:00 Local: Rock In Rio Café (Aeroclube Plaza Show - Boca do Rio)Censura: 16 anos Ingressos: 1º LOTE - R$10,00 2º LOTE - R$15,00 CAMAROTE - R$25,00 Informações: 3354-1735 / 3461-0300
Show com Álvaro Assmar e banda Dia: 09/11 (Quarta-feira) Horário: 20:00 Local: Teatro ACBEU (Corredor da Vitória) Ingresso: R$ 20,00 (normal) e R$ 10,00 (meia entrada)Informações: contato@compimenta.com.br / (71) 9161-4956 / 9129-1237 Site oficial: www.alvaroassmar.com.br
quarta-feira, outubro 19, 2005
EU VOU FAZER UM ROCK TRISTE
Evandro Botti é um curtidor. Até aí, nada demais, tem gente que curte com a cara dos outros (como eu), tem gente que curte tocar o terror, tem gente que curte se empapuçar de cerveja a noite toda e cuspir no ouvido dos outros balbuciando coisas sem sentido, tem gente que curte filme iraniano, tem gente que curte fumar um e assistir o Raul Gilberto Barros na TV - se acabando de dar risada (isso eu num guento fazer, aí eu choro mesmo). Evandro é um caso diferente. O cara curte fazer música. Qualquer tipo de música, desde que ele se divirta com isso. Enfim, o cara curte fazer música, e o faz bem. Desde seus verdes anos como fundador da Úteros em Fúria, isso ficava meio evidente nele. No documentário em vídeo da Úteros em Fúria, tem um depoimento de Émerson Borel, guitarrista da banda que ilustra bem isso. Nas férias escolares entre Villas do Atlântico / Ipitanga, era Vandinho que ia bater na porta de Émerson de manhã cedo e acorda-lo com idéias para as novas canções que se tornariam depois os clássicos uterinos. Um riffzinho aqui, umas frases rabiscadas ali e os dois iam - ao sabor da brisa fresca daquelas manhãs de janeiro - desenvolvendo parcerias como Dear Misery, Be bigger, Birds, Sister Moonlight, entre outras. Boooons - e ingênuos - tempos. Depois de uns três anos e muita loucura, contudo, Vandinho se sentiu meio sufocado e pulou fora da banda - que, como se sabe, acabou menos de um ano depois disso - para entrar no curso de Composição & Regência da UFBA. Em paralelo, ele começa a estagiar/trabalhar em estúdios profissionais, criando jingles, spots, trilhas para vídeos etc. Após uns três anos de reciclagem, meio retirado do rock, Vandinho faz uma nova parceria com o velho companheiro uterino e amigo pessoal Apú, formando a Guizzzmo, projeto que em cerca de 6 anos de existência (1998-2004), teve uma cacetada de formações diferentes, lançou um CD cheio bem legal (Macaca!) e mais uns dois demos (os quais, confesso, eu gosto mais que o CD), fez show pra caralho (inclusive em Recife - no Abril Pro Rock - e São Paulo) e criou muita música bacana, divertida e - por que não - cabeça, mas nunca sem perder o seu peculiar bom humor e o poder de comunicação com quem se dispõe à ouvi-la.
Finda a Guizzmo, Vandinho vira Vandex e se lança em carreira solo, mantendo o mesmo bom humor que é sua marca registrada. Atualmente em fase de gravação de seu primeiro CD demo, Vandex lapida seu repertório no laboratório que é também seu ganha-pão, o Estúdio Em Transe. Após uma audição (ainda em versão demo) de algumas dessas novas canções, sábado passado, posso afirmar que o doidão vem aí com um material que faz jus ao seu passado e é bastante coerente com sua trajetória musical.
Rock triste, uma delas, faz graça ao simular o estilo adorado/detestado no cenário rocker soteropolitano de forma inteligente e bem articulada. "Eu vou fazer um rock triste / daqueles pra curtir deprê", ele canta baixinho, sobre um instrumental que emula um cruzamento de Coldplay com Radiohead (pré OK Computer). Guitarras sujas e acordes repetitivos em crescendo. Tem mais uma que achei bem interessante, acho que o nome é Prejuízo, com Vandex demonstrando uma insuspeitada raiva no vocal discursivo quase gritado. "Agora eu nem quero ganhar mais nada / agora eu só quero é prejudicar", confessa, revelando suas intenções com o novo trabalho. Essas foram apenas duas das novas músicas do novo trabalho, mas em se tratando de Vandex, pode-se esperar qualquer coisa: rocks, tangos, caboclinhos, polcas e sei lá mais o quê. (Seria Vandex a identidade secreta do tal do Beto Bahia?)
Quem for nesse sábado na festa Boogie Nights no Miss Modular vai poder conferir algumas dessas novas canções na performance exótica e destrambelhada que é característica do músico.
Então se liga no serviço aí, mô pai:
Boogie Nights - Mais uma vez a Boogie Nights vai fazer você dançar com o melhor da black music/ disco/ rock/ cumbias/ samba rock/ rocksamba/ jovem guarda e o melhor dos anos 50/60/70. Essa é a nona edição da Boogie Nights que além dos djs Bigbross e Zezão já manjados da Boogie, nessa edição vamos contar com o dj Roger´n Roll emprestado da Borracharia. Na pista 2 shows com as bandas VANDEX e ZAMBOTRONIC para ninguém ficar parado nem em cima nem embaixo com som mecânico ou ao vivo o importante é dançar. Horário: 22:00 Ingresso: R$ 10,00 , até meia noite casais pagam 15,00 Miss Modular Sábado 22/10.
AVE, CALYPSO - Nosso CBGB's continua firme e forte e é ótimo que assim seja. Esse mês tem o festival Outubro ou nada! (o Bidê ou Balde vai cobrar royalties, hein?!), com algumas das melhores bandas do nosso cenário agitando o inferninho mais charmoso de Salvador. Quem não vai para o TIM Festival pode curtir nessa sexta os incomparáveis Retrofoguetes, os incansáveis Los Canos e os impossíveis Tequilers em noite sem hora pra acabar. O rock continua na outra sexta com Theatro de Séraphin, Demoiselle e Koyotes. A Demoiselle eu ainda não conheço, se não me engano é a banda de Toni, excelente guitarrista e figura boa praça que marcou época nos áureos tempos da Cascadura fase Lynyrd Skynyrd baiano (com três guitarristas). Deve ser bem bacana (alô, Toni, me manda uma demo aí pr'eu falar da tua banda aqui, pô!).
Festival Outubro ou Nada! Programação Dia 21 - Retrofoguetes, Los Canos e Tequilers. Dia 28 - Theatro de Séraphin, Demoiselle e Koyotes. Calypso - Travessa Prudente de Moraes, Rio Vermelho - Tel: 3334-6030.
A TARDINHA CAI, O BARQUINHO VAI - Com o sol a cada dia mais inclemente torrando o que me resta de juízo na caixa craniana, o negócio é se refrescar tomando umas na praia no fim de semana. Coisa que aliás, não faço tem muitos meses, que saco. Não sei vocês, mas eu gosto de praia. Sou capaz de passar um dia inteiro enchendo a cara de cerveja à beira-mar, rodeado de amigos e um bom papo, entre um mergulho bêbado e outro pra pegar uns jacarés. Se for sem pagode, então, melhor ainda. E parece que é essa a proposta da Barraca Chamberlau, na Praia de Ipitanga. Quem não é muito chegado no sol a pino pode chegar depois das 15 horas pra curtir um som, uma birita e a brisa preguiçosa do entardecer.
Chamberlau's and Funk Grooves com dj OpretoHare, dj xcamas e convidados a partir das 15hs apareçam: todos os domingos:out/nov/dez 2005 - grátis. Barraca Chamberlau - Praia de Ipitanga.
TURN IT ON - Só relembrando: o TIM Festival é nesse fim de semana e quem não vai estar lá (como moi) vai ter de se contentar com a transmissão ao vivo do palco TIM Stage na sexta (Strokes, Kings of Leon), sábado (M.I.A., Dizzee Rascal) e domingo (Elvis Costello, Television). É chamar os amigos que ficaram por aqui, comprar umas cervejinhas e salgadinhos, aumentar o som da TV e relaxar, por que agora CHÁ ERA, malandro!
Finda a Guizzmo, Vandinho vira Vandex e se lança em carreira solo, mantendo o mesmo bom humor que é sua marca registrada. Atualmente em fase de gravação de seu primeiro CD demo, Vandex lapida seu repertório no laboratório que é também seu ganha-pão, o Estúdio Em Transe. Após uma audição (ainda em versão demo) de algumas dessas novas canções, sábado passado, posso afirmar que o doidão vem aí com um material que faz jus ao seu passado e é bastante coerente com sua trajetória musical.
Rock triste, uma delas, faz graça ao simular o estilo adorado/detestado no cenário rocker soteropolitano de forma inteligente e bem articulada. "Eu vou fazer um rock triste / daqueles pra curtir deprê", ele canta baixinho, sobre um instrumental que emula um cruzamento de Coldplay com Radiohead (pré OK Computer). Guitarras sujas e acordes repetitivos em crescendo. Tem mais uma que achei bem interessante, acho que o nome é Prejuízo, com Vandex demonstrando uma insuspeitada raiva no vocal discursivo quase gritado. "Agora eu nem quero ganhar mais nada / agora eu só quero é prejudicar", confessa, revelando suas intenções com o novo trabalho. Essas foram apenas duas das novas músicas do novo trabalho, mas em se tratando de Vandex, pode-se esperar qualquer coisa: rocks, tangos, caboclinhos, polcas e sei lá mais o quê. (Seria Vandex a identidade secreta do tal do Beto Bahia?)
Quem for nesse sábado na festa Boogie Nights no Miss Modular vai poder conferir algumas dessas novas canções na performance exótica e destrambelhada que é característica do músico.
Então se liga no serviço aí, mô pai:
Boogie Nights - Mais uma vez a Boogie Nights vai fazer você dançar com o melhor da black music/ disco/ rock/ cumbias/ samba rock/ rocksamba/ jovem guarda e o melhor dos anos 50/60/70. Essa é a nona edição da Boogie Nights que além dos djs Bigbross e Zezão já manjados da Boogie, nessa edição vamos contar com o dj Roger´n Roll emprestado da Borracharia. Na pista 2 shows com as bandas VANDEX e ZAMBOTRONIC para ninguém ficar parado nem em cima nem embaixo com som mecânico ou ao vivo o importante é dançar. Horário: 22:00 Ingresso: R$ 10,00 , até meia noite casais pagam 15,00 Miss Modular Sábado 22/10.
AVE, CALYPSO - Nosso CBGB's continua firme e forte e é ótimo que assim seja. Esse mês tem o festival Outubro ou nada! (o Bidê ou Balde vai cobrar royalties, hein?!), com algumas das melhores bandas do nosso cenário agitando o inferninho mais charmoso de Salvador. Quem não vai para o TIM Festival pode curtir nessa sexta os incomparáveis Retrofoguetes, os incansáveis Los Canos e os impossíveis Tequilers em noite sem hora pra acabar. O rock continua na outra sexta com Theatro de Séraphin, Demoiselle e Koyotes. A Demoiselle eu ainda não conheço, se não me engano é a banda de Toni, excelente guitarrista e figura boa praça que marcou época nos áureos tempos da Cascadura fase Lynyrd Skynyrd baiano (com três guitarristas). Deve ser bem bacana (alô, Toni, me manda uma demo aí pr'eu falar da tua banda aqui, pô!).
Festival Outubro ou Nada! Programação Dia 21 - Retrofoguetes, Los Canos e Tequilers. Dia 28 - Theatro de Séraphin, Demoiselle e Koyotes. Calypso - Travessa Prudente de Moraes, Rio Vermelho - Tel: 3334-6030.
A TARDINHA CAI, O BARQUINHO VAI - Com o sol a cada dia mais inclemente torrando o que me resta de juízo na caixa craniana, o negócio é se refrescar tomando umas na praia no fim de semana. Coisa que aliás, não faço tem muitos meses, que saco. Não sei vocês, mas eu gosto de praia. Sou capaz de passar um dia inteiro enchendo a cara de cerveja à beira-mar, rodeado de amigos e um bom papo, entre um mergulho bêbado e outro pra pegar uns jacarés. Se for sem pagode, então, melhor ainda. E parece que é essa a proposta da Barraca Chamberlau, na Praia de Ipitanga. Quem não é muito chegado no sol a pino pode chegar depois das 15 horas pra curtir um som, uma birita e a brisa preguiçosa do entardecer.
Chamberlau's and Funk Grooves com dj OpretoHare, dj xcamas e convidados a partir das 15hs apareçam: todos os domingos:out/nov/dez 2005 - grátis. Barraca Chamberlau - Praia de Ipitanga.
TURN IT ON - Só relembrando: o TIM Festival é nesse fim de semana e quem não vai estar lá (como moi) vai ter de se contentar com a transmissão ao vivo do palco TIM Stage na sexta (Strokes, Kings of Leon), sábado (M.I.A., Dizzee Rascal) e domingo (Elvis Costello, Television). É chamar os amigos que ficaram por aqui, comprar umas cervejinhas e salgadinhos, aumentar o som da TV e relaxar, por que agora CHÁ ERA, malandro!
sexta-feira, outubro 14, 2005
A ULTIMA CENA DO CBGB'S
"This ain't no Mudd Club or CBGB'S
I ain't got time for that now"
Life During Wartime, Talking Heads
Duas decisões judiciais recentes sobre a situação do lendário clube nova-iorquino CBGB'S( o Calypso deles) deixam pouca chance de futuro para que o clube continue no local. Berço e precussor do que viria a ser o punk(sorry, na minha opinião o movimento só se cristalizou na Inglaterra), o clube ganhou uma ação referente a alugueis atrasados, mas perdeu a questão quanto a renovação do aluguel, que venceu em 01/09, e agora espera apenas a notificação de despejo. Apesar da enorme mobilização da cidade e de seus protagonistas( de Patti Smith ao prefeito Bloomberg) para que, a proprietaria Associação de Residentes do Bowery( de apoio aos sem-teto), revisse sua posição ,e nada foi revertido. Hilly Kristal, veterano do Vietnam e dono do CBGB'S não pretende abrir o clube em outro local, "se fechar, fechou." O RockLoco presta sua homenagem ao clubinho de bêbados e junkies que povoou nosso imaginário nas décadas de 70 e 80 e ajudou de forma decisiva a mudar a face da cultura pop tal como a conhecemos hoje.
Uma breve historia do CBGB'S
Aberto na pessimamente frequentada Bowery em 1973 pelo ex-marine HillyKristal( então com 42 anos) para ser um clube de musica Country,Blue-Grass e Blues(CBGB'S) e provavelmente permanceria como tal se não fosse visitado por mero acaso por dois rapazes recém-chegados do Delaware, Tom(Miller)Verlaine e Richard(Meyers)Hell. Eles que faziam parte da embrionaria cena alternativa nova-iorquina, extremamente inspirada na boêmia romântica de poetas como Rimbaud e Verlaine, e ao olharem o local, totalmente decadente com sua vizinhança de bêbados, veteranos de guerra, ex-internos de asilos,junkies e vagabundos em geral, pensaram juntos, "é aqui mesmo". Considerada a primeira banda do que viria a ser o punk, o Television(ex-Neon Boys) tocou noCBGB'S pela primeira vez em 31 de Março de 1974, e quase foi a ultima. HillyKristal, apavorado pelo o que ele chamou da pior apresentação musical que ele presenciou na vida quase cancela toda a temporada acertada para os próximos meses. Mas a aquela altura a pequena cena, da qual faziam parte as nativas de New Jersey Patti Smith e DebbyHarry, começava a atrair os órfãos dos New York Dolls e do Max´s Kansas City, como um suburbano de Queens, Douglas Colvin.E foi justamente a banda de Douglas(aka Dee Dee), os Ramones, que foi escolhida por Tom Verlaine para ser a banda de apoio na segunda apresentação do nascente movimento do Lower East Side, ( o wild side ao qual se referia Lou Reed no antológico Transformer). A apresentação dos únicos nativos de Nova Iorque desta nova cena foi um desastre do ponto de vista profisional, os Ramones ficavam discutindo agresivamente entre si em pleno palco(?) para depois entrarem em musicas de duração media de 2 minutos. 2 minutos que resumiam Stooges, Phil Spector, "60´sBritish Invasion", 50´s bubblegum e agressão sonora. Hilly Kristal odiou, mas o "scenester" Legs McNeill(Mate-me Por Favor) estava na platéia, e o impacto o inspirou a fazer a seminal revista Punk. Apenas 10 pessoas estavam nesta primeira apresentação, mas o boca a boca foi tão intenso no underground que eles tocariam mais 22 vezes naquele ano , e junto com o Television deram partida no que viria a ser o punk rock.No inicio de 1975 a emergente artista Patti Smith foi covencida por Tom Verlaine(então seu namorado) a fazer um showcase para a Arista Records no CBGB'S. Já reconhecida em Londres e em outros círculos intelectuais boêmios por suas leituras de poesia acompanhada por guitarra elétrica(Rock'n'Rimbaud),Smith catapultou o imundo e barra pesada CBGB's para a badalada velha-guarda underground nova-iorquina. Lou Reed, John Cale, Allen Ginsberg e o povo de Andy Warhol. Mesmo para estes caras, afinal de contas artistas cultos e sofisticados, ver bandas toscas como os Ramones fugiam a compreensão deles, e fora a já celebrada Smith, a elite underground nova-iorquina não levava muito a serio aqueles moleques. A essa altura Kristal percebeu que aqueles malucos conseguiram atrair alguma atenção para aquele pardieiro e mandou em julho de 1975 o festival"Top 40" das novas bandas de nova cena de N.Y. Este festival revelou para os olheiros das gravadoras e vários jornalistas da imprensa alternativa o Talking Heads, Blondie e Ramones. O Village Voice encantado com o rock esperto e minimalista dos Talking Heads estampou os caras na capa, a Rolling Stone começou a dar notas sobre os Ramones, e mais importante de tudo, o inglês NME, mandou o jornalista Charles Shaar Murray investigar o que diabos estava acontecendo no outro lado do Atlântico. Apesar de Murray não ter entendido exatamente o estava acontecendo( na verdade ninguem sabia direito), estes artigos seriam fundamentais para o futuro movimento punk, uma vez que nos Estados Unidos o movimento punk era restrito ao Lower East Side e no maximo com algum alcance no circuito universitário de Boston. Só que na Inglaterra o papo era outro, a crise econômica inglesa seria solo fértil para o estabelecimento do punk enquanto movimento musical e fenômeno comportamental e os ingleses dariam o reconhecimento aos precussores do punk , que era negado a todos eles(exceção de Patti Smith) nos U.S.of A. Mas esta é uma outra discussão(procurem nos arquivos do Rock Loco).
Em dezembro de 1975 Horses de Patti Smith é lançado para aclamação geral, em Maio de 1976 o do Ramones é lançado pela Sire sendo totalmente ignorado pelo publico americano e 99% da imprensa musical americana. Quando os Ramones tocaram em Londres em julho de 1976 tiveram uma acolhida de ídolos, para a total estupefação deles. Afinal de contas, em casa eles eram ilustres desconhecidos fora da cena CBGB'S. Ao menos serviram para reavivar a cena underground nova-iorquina forçando a reabertura do Max's Kansas City e a abertura de dezenas de clubes com propostas semelhante ao CBGB's. A partir de 1977 o CBGB's deixa de ser progressivamente a sala de estar das bandas(nas palavras de Richard Hell) e as bandas como Blondie,Voidoids,e Dead Boys conseguem seus contratos com gravadoras, e passam a fazer tours pelos U.S.of A., e especialmente pelo Reino unido, onde o tal do Punk Rock tinha finalmente explodido e posto o rock e seu establishment de cabeça pra baixo. Ao longo dos anos o CBGB'S firmou-se como o lugar com total credibilidade no mundo alternativo e o numero de bandas que la tocaram depois da cena inicial( Sonic Youth, Minutemen, ect.) até os dias de hoje é um who's who do rock atual, apesar do local continuar com pouca estrutura.Em 1989 pude dar uma rapida olhada no local de dia, enquanto funcionarios do bar limpavam e abasteciam o bar, e nao tinha nada de especial, com capacidade para umas 300 pessoas. Obviamente o lugar jà era um bar mais normal e jà tinha virado atraçao turistica para roqueiros de passagem.
O impacto e a influencia desta cena isolada e auto-referente é imensuravel.Eles anteciparam o cinismo, tédio e individualismo que definem melhor o compotamento moderno, principalmente da juventude, oposto da idealista( e hipocrìta) juventude dos 60's. Sim é um retrato mais sombrio, mais muito mais realista dos dias que vivemos.
I ain't got time for that now"
Life During Wartime, Talking Heads
Duas decisões judiciais recentes sobre a situação do lendário clube nova-iorquino CBGB'S( o Calypso deles) deixam pouca chance de futuro para que o clube continue no local. Berço e precussor do que viria a ser o punk(sorry, na minha opinião o movimento só se cristalizou na Inglaterra), o clube ganhou uma ação referente a alugueis atrasados, mas perdeu a questão quanto a renovação do aluguel, que venceu em 01/09, e agora espera apenas a notificação de despejo. Apesar da enorme mobilização da cidade e de seus protagonistas( de Patti Smith ao prefeito Bloomberg) para que, a proprietaria Associação de Residentes do Bowery( de apoio aos sem-teto), revisse sua posição ,e nada foi revertido. Hilly Kristal, veterano do Vietnam e dono do CBGB'S não pretende abrir o clube em outro local, "se fechar, fechou." O RockLoco presta sua homenagem ao clubinho de bêbados e junkies que povoou nosso imaginário nas décadas de 70 e 80 e ajudou de forma decisiva a mudar a face da cultura pop tal como a conhecemos hoje.
Uma breve historia do CBGB'S
Aberto na pessimamente frequentada Bowery em 1973 pelo ex-marine HillyKristal( então com 42 anos) para ser um clube de musica Country,Blue-Grass e Blues(CBGB'S) e provavelmente permanceria como tal se não fosse visitado por mero acaso por dois rapazes recém-chegados do Delaware, Tom(Miller)Verlaine e Richard(Meyers)Hell. Eles que faziam parte da embrionaria cena alternativa nova-iorquina, extremamente inspirada na boêmia romântica de poetas como Rimbaud e Verlaine, e ao olharem o local, totalmente decadente com sua vizinhança de bêbados, veteranos de guerra, ex-internos de asilos,junkies e vagabundos em geral, pensaram juntos, "é aqui mesmo". Considerada a primeira banda do que viria a ser o punk, o Television(ex-Neon Boys) tocou noCBGB'S pela primeira vez em 31 de Março de 1974, e quase foi a ultima. HillyKristal, apavorado pelo o que ele chamou da pior apresentação musical que ele presenciou na vida quase cancela toda a temporada acertada para os próximos meses. Mas a aquela altura a pequena cena, da qual faziam parte as nativas de New Jersey Patti Smith e DebbyHarry, começava a atrair os órfãos dos New York Dolls e do Max´s Kansas City, como um suburbano de Queens, Douglas Colvin.E foi justamente a banda de Douglas(aka Dee Dee), os Ramones, que foi escolhida por Tom Verlaine para ser a banda de apoio na segunda apresentação do nascente movimento do Lower East Side, ( o wild side ao qual se referia Lou Reed no antológico Transformer). A apresentação dos únicos nativos de Nova Iorque desta nova cena foi um desastre do ponto de vista profisional, os Ramones ficavam discutindo agresivamente entre si em pleno palco(?) para depois entrarem em musicas de duração media de 2 minutos. 2 minutos que resumiam Stooges, Phil Spector, "60´sBritish Invasion", 50´s bubblegum e agressão sonora. Hilly Kristal odiou, mas o "scenester" Legs McNeill(Mate-me Por Favor) estava na platéia, e o impacto o inspirou a fazer a seminal revista Punk. Apenas 10 pessoas estavam nesta primeira apresentação, mas o boca a boca foi tão intenso no underground que eles tocariam mais 22 vezes naquele ano , e junto com o Television deram partida no que viria a ser o punk rock.No inicio de 1975 a emergente artista Patti Smith foi covencida por Tom Verlaine(então seu namorado) a fazer um showcase para a Arista Records no CBGB'S. Já reconhecida em Londres e em outros círculos intelectuais boêmios por suas leituras de poesia acompanhada por guitarra elétrica(Rock'n'Rimbaud),Smith catapultou o imundo e barra pesada CBGB's para a badalada velha-guarda underground nova-iorquina. Lou Reed, John Cale, Allen Ginsberg e o povo de Andy Warhol. Mesmo para estes caras, afinal de contas artistas cultos e sofisticados, ver bandas toscas como os Ramones fugiam a compreensão deles, e fora a já celebrada Smith, a elite underground nova-iorquina não levava muito a serio aqueles moleques. A essa altura Kristal percebeu que aqueles malucos conseguiram atrair alguma atenção para aquele pardieiro e mandou em julho de 1975 o festival"Top 40" das novas bandas de nova cena de N.Y. Este festival revelou para os olheiros das gravadoras e vários jornalistas da imprensa alternativa o Talking Heads, Blondie e Ramones. O Village Voice encantado com o rock esperto e minimalista dos Talking Heads estampou os caras na capa, a Rolling Stone começou a dar notas sobre os Ramones, e mais importante de tudo, o inglês NME, mandou o jornalista Charles Shaar Murray investigar o que diabos estava acontecendo no outro lado do Atlântico. Apesar de Murray não ter entendido exatamente o estava acontecendo( na verdade ninguem sabia direito), estes artigos seriam fundamentais para o futuro movimento punk, uma vez que nos Estados Unidos o movimento punk era restrito ao Lower East Side e no maximo com algum alcance no circuito universitário de Boston. Só que na Inglaterra o papo era outro, a crise econômica inglesa seria solo fértil para o estabelecimento do punk enquanto movimento musical e fenômeno comportamental e os ingleses dariam o reconhecimento aos precussores do punk , que era negado a todos eles(exceção de Patti Smith) nos U.S.of A. Mas esta é uma outra discussão(procurem nos arquivos do Rock Loco).
Em dezembro de 1975 Horses de Patti Smith é lançado para aclamação geral, em Maio de 1976 o do Ramones é lançado pela Sire sendo totalmente ignorado pelo publico americano e 99% da imprensa musical americana. Quando os Ramones tocaram em Londres em julho de 1976 tiveram uma acolhida de ídolos, para a total estupefação deles. Afinal de contas, em casa eles eram ilustres desconhecidos fora da cena CBGB'S. Ao menos serviram para reavivar a cena underground nova-iorquina forçando a reabertura do Max's Kansas City e a abertura de dezenas de clubes com propostas semelhante ao CBGB's. A partir de 1977 o CBGB's deixa de ser progressivamente a sala de estar das bandas(nas palavras de Richard Hell) e as bandas como Blondie,Voidoids,e Dead Boys conseguem seus contratos com gravadoras, e passam a fazer tours pelos U.S.of A., e especialmente pelo Reino unido, onde o tal do Punk Rock tinha finalmente explodido e posto o rock e seu establishment de cabeça pra baixo. Ao longo dos anos o CBGB'S firmou-se como o lugar com total credibilidade no mundo alternativo e o numero de bandas que la tocaram depois da cena inicial( Sonic Youth, Minutemen, ect.) até os dias de hoje é um who's who do rock atual, apesar do local continuar com pouca estrutura.Em 1989 pude dar uma rapida olhada no local de dia, enquanto funcionarios do bar limpavam e abasteciam o bar, e nao tinha nada de especial, com capacidade para umas 300 pessoas. Obviamente o lugar jà era um bar mais normal e jà tinha virado atraçao turistica para roqueiros de passagem.
O impacto e a influencia desta cena isolada e auto-referente é imensuravel.Eles anteciparam o cinismo, tédio e individualismo que definem melhor o compotamento moderno, principalmente da juventude, oposto da idealista( e hipocrìta) juventude dos 60's. Sim é um retrato mais sombrio, mais muito mais realista dos dias que vivemos.
quinta-feira, outubro 13, 2005
MEU DÉCIMO NONO COLAPSO NERVOSO
Pô, foi uma grata surpresa o show do Nervoso no Miss Modular (apesar d'eu num ter ficado até o fim). O cara foi muito simpático com o público, Os Calmantes se revelaram uma banda super competente e o som é bem legal, redondo, sem exageros adolescentes (num guento moleque berrando no meu ouvido - só Maurão da Sangria, mesmo - que não é mais moleque faz tempo). As influências de jovem guarda, Frank Jorge e música brasileira são óbvias no som de Nervoso, mas ele não se limita a reeditar sua fontes, viajando legal nos arranjos e letras. Fiquei com muita vontade de conferir o CD do rapaz. Um bom (e animado) público compareceu ao Miss Modular, fazendo mais uma daqueles famosas festinhas sem hora para acabar - não pra mim, infelizmente. Fora isso, foi engraçado um ou dois lances que aconteceram quando eu tava discotecando no andar de baixo. Comecei um pouquinho antes de iniciar o show de Ronei Jorge - que abriu a night - enquanto ainda tinha algumas pessoas no recinto. Quando Ronei começou a tocar, o povo foi subindo para ver o show e eu fui ficando cada vez mais sozinho. Até ficar completamente só. Até minha mulher me largou na solitária um tempo (tudo bem, não dava para exigir isso dela). Às vezes chegava alguém, contemplava minha figura deprimida no som e subia rapidinho. Teve uma garota que passou resmungando alguma coisa de cara feia, algo tipo "ah esse DJ horroroso aí", sei lá o quê. Imagino que ela deva discotecar melhor que eu. Afinal, hoje em dia, todo mundo é DJ. Mais ou menos do mesmo jeito que todo mundo é jornalista e publicitário desde criancinha. Imerso em solidão, som e elocubrações inúteis, permaneci bravamente no meu posto. Não me perguntem por quê, por quê eu realmente não sei. Deu dois minutos e um outro carinha de passagem (não me lembro agora se o conheço - se sim, foi mal, brother) acenou pra mim e falou algo do tipo "tá treinando, né maluco?". Sorri pra ele, gesticulei qualquer coisa e ele subiu com uma garota pro andar de cima. Pronto. Virei motivo de piada pra molecada. Old fart. É tudo o que a gente precisa à beira dos 34 anos. Daqui a pouco Batata desceu e pediu para assumir o posto, o que fiz de bom grado, depois de tocar mais algumas músicas que EU (quem mais?) estava querendo ouvir. Daqui a pouco ele vira pra mim e me passa o seu cartão. "DJ Batata. Rock - Pop - Indie - Dance - Techno". OOOOK... Aproveitei e vi um pedaço do show de Ronei. O homem tava possesso no microfone. Legal. Parte do público parecia em êxtase, pulando de um jeito meio desconjuntado - quase epilético - e cantando as letras. Confesso que fiquei impressionado com a vibe rock ali daquele momento. Mais tarde, quando deu uma certa altura da night - ali pela metade do show de Nervoso -, resolvi ir embora. Quando desço as escadas, me deparo com os únicos habitantes do lugar: Batata e mais um brother (PUTZ! Esqueci o nome, é aquele cabeludo gente boa do metal que - se não me engano - tocava teclado na King Kobra e na Slow), se esbaldando com o Apettite for destruction do Guns 'n Roses, faixa por faixa. Welcome to the jungle, baby...
terça-feira, outubro 11, 2005
DON'T BELIEVE A WORD
"Não acredite numa palavra do que eu digo". Não, não sou eu o mentiroso, mas sim o grande irlandês-brazuca Phil Lynnot, autor da maravilhosa faixa cujo título dá nome à esse post. Mas como assim, Franchico, de que porra cê ta falando? Tô falando que queria ter quinze anos para ouvir pela primeira vez, como fiz domingo passado, o sensacional Live and Dangerous, disco ao vivo do Thin Lizy (alô, Cláudio Esc!) de 1978, originalmente um vinil duplo. O All Music, site ao qual recorro quando não sei absolutamente nada sobre algum disco, o coloca ombro a ombro com petardos como o Alive! do Kiss (ah, meus 13 anos), Live at Leeds do The Who e Get yer ya-yas out, dos Stones, como um dos melhores duplo ao vivo do rock de todos os tempos. Nossa. E na casa do meu amigo Seco, onde o ouvi domingo passado, eu não tinha nem idéia da grandiosidade do mesmo. Segundo o mesmo site, o produtor puta véia Toni Visconti ainda adicionou alguns overdubs (gravações posteriores em estúdio) para corrigir um errinho aqui outro ali, mas nada que comprometa a pujança da performance ThinLizzyana. E na moral, qual é o disco ao vivo de som foderoso que não tem um overdubzinho, né? Mas mesmo sem saber do nível de Live and Dangerous, é impossível não se impressionar com a explosão energética de hits como Jailbreak (que abre o disco), Emerald, The boys are back in town, Dancing in the moonlight e The Rocker. Mas na verdade, ao longo das 17 faixas do disco, Phil Lynnot & cia não deixam a peteca cair um minuto sequer, dando uma verdadeira aula de rock n' roll de macho e sem frescura, direto na veia (não na véia, presta atenção). Coisa fina. Mais do que recomendado.
POR FALAR EM ROCK DE MACHO - No Omelete tem um interessante artigo de Rodrigo Piolho Monteiro sobre garotas que fazem do rock pesado sua profissão de fé (alou, Lou!), como as bandas Girlschool, Crucified Barbara e a alemã Doro Pesch. O Girlschool é uma das bandas femininas mais antigas do metal e foi (é) apadrinhada pelo genial Lemmy Kilminster (Motorhead), mas eu nunca tive a oportunidade de ouvir. Já a alemãzona Doro Pesch cantava numa banda chamada Warlock nos anos 80, que cheguei a ouvir bastante nos meus verdes metal years. E a mulher era (é) um negócio: além de cantar pra caralho (dentro dos limites e parâmetros estritamente heavy metal, claro), sua figura de guerreira valquíria loura gostosona dos infernos já deve ter feito muito moleque acordar com o cirquinho armado de manhã cedo. Aos 41 anos, La Doro continua bonitona e fiel ao estilo que a consagrou. Ponto pra ela. Já a Crucified Bárbara é uma banda novinha. Vão lá se informar, caso interesse.
LOUCURA VAI PERDER - Dias agitados no Miss Modular essa semana. Amanhã (12.10) tem o show do carioca Nervoso (veja post logo abaixo) e na noite seguinte tem uma puta festona pós Pitty show reunindo a galera de várias bandas da cidade numa jam monstro. Estarão lá para dizer presente o pessoal da Sangria, Theatro de Seraphin, Ronei Jorge (esse aí acho melhor levar logo um sleeping bag pra lá, por que já vai tocar um dia antes com o Nervoso tb), Vinil 69, Radiola e os convidados piauienses Lado 2 Stereo. Quer dizer: não vai prestar. No bom sentido, claro. Olha o serviço:
Jam Session Rock
com os componentes das bandas : Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta, Sangria, Theatro de Serafin, Vinil 69 e Radiola + a banda: Lado 2 Stereo (PI) djs: Batata (indie), Miguel Cordeiro (rock clássico), DJ Thales e dj Chinasky (rock baiano) Dia: 13/10 (Quinta-feira) Horário: 22:00Local: Miss Modular (Morro da Paciência - Rio Vermelho tel. 71-3235-4950)Ingresso: R$ 10,00 Informações: bigbross@terra.com.br / (71) 8116-5322 a/c Rogério.
Ah, você tá pensando que acabou? Na-na-na-ni-na. Receba na caixa dos peitos mais uma festança dos infernos nesse sábado mesmo:
Nave de Brinquedo
Discotecagem até amanhecer em 2 pistas simultâneas, com os Djs:
Pista 1: Sora Maia / Batata/ el Cabong
Pista 2: Ramon Prates/ Janocide X Boris/ Big Bross
Indie - Pop - Glam - Punk - Garage - Lo-Fi - Rock Brasil - Shoegaze - Black - Electro
50´s - 60's - 70's - 80's - 90's - 00's
Serviço: 15.10.2005 23h R$10 (R$8 até meia-noite) Miss Modular Morro da Paciência, 3810, Rio Vermelho Salvador-BA Contato: http://br.f546.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=festanave@gmail.com
Fotolog: http://www.fotolog.net/nave_
Uh, alguém tem uma aspirina aí?
POR FALAR EM ROCK DE MACHO - No Omelete tem um interessante artigo de Rodrigo Piolho Monteiro sobre garotas que fazem do rock pesado sua profissão de fé (alou, Lou!), como as bandas Girlschool, Crucified Barbara e a alemã Doro Pesch. O Girlschool é uma das bandas femininas mais antigas do metal e foi (é) apadrinhada pelo genial Lemmy Kilminster (Motorhead), mas eu nunca tive a oportunidade de ouvir. Já a alemãzona Doro Pesch cantava numa banda chamada Warlock nos anos 80, que cheguei a ouvir bastante nos meus verdes metal years. E a mulher era (é) um negócio: além de cantar pra caralho (dentro dos limites e parâmetros estritamente heavy metal, claro), sua figura de guerreira valquíria loura gostosona dos infernos já deve ter feito muito moleque acordar com o cirquinho armado de manhã cedo. Aos 41 anos, La Doro continua bonitona e fiel ao estilo que a consagrou. Ponto pra ela. Já a Crucified Bárbara é uma banda novinha. Vão lá se informar, caso interesse.
LOUCURA VAI PERDER - Dias agitados no Miss Modular essa semana. Amanhã (12.10) tem o show do carioca Nervoso (veja post logo abaixo) e na noite seguinte tem uma puta festona pós Pitty show reunindo a galera de várias bandas da cidade numa jam monstro. Estarão lá para dizer presente o pessoal da Sangria, Theatro de Seraphin, Ronei Jorge (esse aí acho melhor levar logo um sleeping bag pra lá, por que já vai tocar um dia antes com o Nervoso tb), Vinil 69, Radiola e os convidados piauienses Lado 2 Stereo. Quer dizer: não vai prestar. No bom sentido, claro. Olha o serviço:
Jam Session Rock
com os componentes das bandas : Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta, Sangria, Theatro de Serafin, Vinil 69 e Radiola + a banda: Lado 2 Stereo (PI) djs: Batata (indie), Miguel Cordeiro (rock clássico), DJ Thales e dj Chinasky (rock baiano) Dia: 13/10 (Quinta-feira) Horário: 22:00Local: Miss Modular (Morro da Paciência - Rio Vermelho tel. 71-3235-4950)Ingresso: R$ 10,00 Informações: bigbross@terra.com.br / (71) 8116-5322 a/c Rogério.
Ah, você tá pensando que acabou? Na-na-na-ni-na. Receba na caixa dos peitos mais uma festança dos infernos nesse sábado mesmo:
Nave de Brinquedo
Discotecagem até amanhecer em 2 pistas simultâneas, com os Djs:
Pista 1: Sora Maia / Batata/ el Cabong
Pista 2: Ramon Prates/ Janocide X Boris/ Big Bross
Indie - Pop - Glam - Punk - Garage - Lo-Fi - Rock Brasil - Shoegaze - Black - Electro
50´s - 60's - 70's - 80's - 90's - 00's
Serviço: 15.10.2005 23h R$10 (R$8 até meia-noite) Miss Modular Morro da Paciência, 3810, Rio Vermelho Salvador-BA Contato: http://br.f546.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=festanave@gmail.com
Fotolog: http://www.fotolog.net/nave_
Uh, alguém tem uma aspirina aí?
quarta-feira, outubro 05, 2005
MODS, ROCKERS E SANGUE NAS RUAS
The Originals - Sangue nas ruas é um belo conto de rito de passagem escrito e desenhado em deslumbrantes preto, branco e tons de cinza por Dave Gibbons, fantástico co-autor da obra prima Watchmen, de Alan Moore. O enredo (que não é samba) não tem nada de muito original assim (ops), contando a história da amizade de dois jovens londrinos que sonhavam em entrar para a gangue dos Originals, dândis uniformizados que circulam por uma Londres retrô-futurista montados em hovers, lambretas sem rodas, movidas por um colchão de ar alguns centímetros acima do chão. Os Originals estão sempre entrando em brigas com os Dirts, gang de motoqueiros sujos e cabeludos. As referências são óbvias: os Originals são mods e os Dirts, rockers, gangs que realmente existiram e, não raro, entravam em conflito na Londres dos anos 50 e 60. (Para mais informações, vide filmes como Absolute beginners e Quadrophenia e de preferência, avise ao papai aqui onde encontra-los, pois só vi o primeiro uns quinze anos atrás e depois nunca mais. Você também pode clicar aqui para se informar com quem entende do assunto). Em The Originals, Dave Gibbons se mostra no auge da forma, seus desenhos estão mais belos do que nunca, ainda que não sejam muito diferentes daqueles mostrados em Watchmen. Você fica tão maravilhado com as expressões faciais perfeitas, os movimentos precisos e o detalhamento inexcedível, que fica achando que Rorschach, Doutor Manhattan ou Ozymandias vão aparecer a qualquer momento na história. Mas não. Aqui, os jovens das gangs rivais mandam no pedaço. Drogas, lutas, motocas e lambretas envenenadas, ritos de passagem, amores perfeitos, noites insanas regadas à uísque e bolinhas e por fim, morte e renascimento dão a tônica desta bela graphic novel editada de forma primorosa pela Conrad, como aliás, é de costume desta editora. The Originals foi editada nos EUA pela Vertigo / DC e ganhou alguns prêmios Eisner, fato contestado pelo conceituado site brasileiro Universo HQ, que não gostou muito do material. Eu me amarrei e recomendo. Não é nada genial, mas é muito bacana e fala nossa língua: sexo, drogas, rock n' roll, máquinas envenenadas, amizade. Beleuza.
The Originals - Sangue nas ruas, de Dave Gibbons. Conrad Editora. R$ 34,00.
LADRÕES, VAGABUNDOS, PSICOPATAS E PROSTITUTAS - Sangue ruim, do artista underground Joe Coleman, auto-proclamado Visionário do Apocalipse, é um soco no estômago do leitor. Alguém cujos fãs declarados reúne nomes tão loucos e insanos como Robert Crumb, Jim Jarmusch e Charles Manson, só pode ter um trabalho, no mínimo, interessante. Nunca tinha ouvido falar desse sujeito, mas dei de cara com seu livrinho numa banca dessas por aí e, após ler as referências entusiasmadas dos três fãs acima citados, nem vacilei. Comprei no escuro e me dei bem. O livro é curto e os textos são diretos. É assim: a cada página, tem um parágrafo (10, 15 linhas no máximo) e uma ilustração em p&b. E que ilustrações, companheiro. Como não sou crítico de artes plásticas, me limito a dizer que o mestre Robert Crumb o tem na mais alta consideração. Quer mais o quê? Jim Jarmusch escreve no prefácio do livro que mesmo a crítica especializada tem dificuldades em colar um rótulo no trabalho do rapaz. Ele chega a citar o perverso e pervertido Robert Williams, mestre do sadomasoquismo e máquinas hot rods, mas logo o descarta. Para vocês terem uma idéia, a referência mais próxima que Coleman se permite dizer influenciado é o pré-renascentista Hieronymus Bosch, conhecido por suas geniais e aterradoras visões do inferno. Sangue ruim é composto de quatro histórias reais de criminosos americanos. No primeiro deles, "É Inútil Insistir", Coleman adapta a história de Jack Black, fora-da-lei lendário no séc. XIX e cuja autobiografia inspirou Junkie, o primeiro livro de William Burroughs. "Bertha Vagão de Trem" é a segunda história, que narra os dias sinistros de uma mulher sem rumo no período da Grande Depressão. Já "Carl Panzram # 31614" aborda o submundo misterioso de um dos mais famosos serial killers de todos os tempos. Em "Os Últimos Dias de Paul John Knowles", a quarta história, o leitor acompanha um desfecho incomum na vida de um outro serial killer dos anos 70. E assim vai. Bem vindo ao universo infernal, doentio e perigoso de Joe Coleman.. Sangue ruim no Submarino.
Sangue ruim, de Joe Coleman. Conrad Editora. R$ 25,00.
CLASH CITY PARTY - O blog brother Clash City Rockers comemora mais de 17 mil acessos em seis meses de atividades com festinha bala amanhã (quinta-feira, 5 de outubro) no Miss Modular. (Poxa, como faz pra colocar um contador de acessos no Rock Loco? Uma vez eu tentei e me mordi todo.) Discotecagem da galera toda, muito riso e muita alegria para todos, que eles merecem. Só R$5 e a cerveja tá mais barata nessa quinta.
APROVEITA QUE EU TÔ CALMO - Já na outra semana tem show do Nervoso, que toca pela primeira vez em Salvador aonde, aonde? No Miss Modular, claro. Nunca ouvi, só vi que o rapaz foi indicado no VMB como melhor clipe independente. As referências são boas (pra mim): Frank Jorge e o rock gaúcho, jovem guarda etc. A banda que acompanha o músico, Os Calmantes, é formada por Kiko Ramos no baixo, Benjão na guitarra, Alberto nos teclados e Robério na bateria. Segundo Luciano Matos, o próximo trabalho do músico, uma versão remixada do CD "Lembranças das minhas saudades", deve encartar a revista OutraCoisa de janeiro de 2006.Completando a night que, prestem atenção, começa cedo (20h), tem Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta esquentando os tamborins para a grande final do concurso Claro que é rock e para lançar em breve seu primeiro CD cheio. Força, galera. Nossa torcida tá com vocês. De quebra, ainda tem eu mess, el Cabong, Big Bross e Batata (tá namorando! tá namorando!, desculpem, eu não resisto.) tocando nossas músicas prediletas no sistema de som da casa. Lembrem-se: começa cedo, então dá para ir, se divertir à grande e ainda voltar pra casa em tempo de não acordar totalmente inutilizado na quinta feira, que é dia de branco. Snif. Mais info sobre Nervoso: www.nervoso.art.br Serviço: Nervoso e Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta. 12.10.2005 20h R$10 Miss Modular Morro da Paciência, 3810, Rio Vermelho Salvador-BA.
The Originals - Sangue nas ruas, de Dave Gibbons. Conrad Editora. R$ 34,00.
LADRÕES, VAGABUNDOS, PSICOPATAS E PROSTITUTAS - Sangue ruim, do artista underground Joe Coleman, auto-proclamado Visionário do Apocalipse, é um soco no estômago do leitor. Alguém cujos fãs declarados reúne nomes tão loucos e insanos como Robert Crumb, Jim Jarmusch e Charles Manson, só pode ter um trabalho, no mínimo, interessante. Nunca tinha ouvido falar desse sujeito, mas dei de cara com seu livrinho numa banca dessas por aí e, após ler as referências entusiasmadas dos três fãs acima citados, nem vacilei. Comprei no escuro e me dei bem. O livro é curto e os textos são diretos. É assim: a cada página, tem um parágrafo (10, 15 linhas no máximo) e uma ilustração em p&b. E que ilustrações, companheiro. Como não sou crítico de artes plásticas, me limito a dizer que o mestre Robert Crumb o tem na mais alta consideração. Quer mais o quê? Jim Jarmusch escreve no prefácio do livro que mesmo a crítica especializada tem dificuldades em colar um rótulo no trabalho do rapaz. Ele chega a citar o perverso e pervertido Robert Williams, mestre do sadomasoquismo e máquinas hot rods, mas logo o descarta. Para vocês terem uma idéia, a referência mais próxima que Coleman se permite dizer influenciado é o pré-renascentista Hieronymus Bosch, conhecido por suas geniais e aterradoras visões do inferno. Sangue ruim é composto de quatro histórias reais de criminosos americanos. No primeiro deles, "É Inútil Insistir", Coleman adapta a história de Jack Black, fora-da-lei lendário no séc. XIX e cuja autobiografia inspirou Junkie, o primeiro livro de William Burroughs. "Bertha Vagão de Trem" é a segunda história, que narra os dias sinistros de uma mulher sem rumo no período da Grande Depressão. Já "Carl Panzram # 31614" aborda o submundo misterioso de um dos mais famosos serial killers de todos os tempos. Em "Os Últimos Dias de Paul John Knowles", a quarta história, o leitor acompanha um desfecho incomum na vida de um outro serial killer dos anos 70. E assim vai. Bem vindo ao universo infernal, doentio e perigoso de Joe Coleman.. Sangue ruim no Submarino.
Sangue ruim, de Joe Coleman. Conrad Editora. R$ 25,00.
CLASH CITY PARTY - O blog brother Clash City Rockers comemora mais de 17 mil acessos em seis meses de atividades com festinha bala amanhã (quinta-feira, 5 de outubro) no Miss Modular. (Poxa, como faz pra colocar um contador de acessos no Rock Loco? Uma vez eu tentei e me mordi todo.) Discotecagem da galera toda, muito riso e muita alegria para todos, que eles merecem. Só R$5 e a cerveja tá mais barata nessa quinta.
APROVEITA QUE EU TÔ CALMO - Já na outra semana tem show do Nervoso, que toca pela primeira vez em Salvador aonde, aonde? No Miss Modular, claro. Nunca ouvi, só vi que o rapaz foi indicado no VMB como melhor clipe independente. As referências são boas (pra mim): Frank Jorge e o rock gaúcho, jovem guarda etc. A banda que acompanha o músico, Os Calmantes, é formada por Kiko Ramos no baixo, Benjão na guitarra, Alberto nos teclados e Robério na bateria. Segundo Luciano Matos, o próximo trabalho do músico, uma versão remixada do CD "Lembranças das minhas saudades", deve encartar a revista OutraCoisa de janeiro de 2006.Completando a night que, prestem atenção, começa cedo (20h), tem Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta esquentando os tamborins para a grande final do concurso Claro que é rock e para lançar em breve seu primeiro CD cheio. Força, galera. Nossa torcida tá com vocês. De quebra, ainda tem eu mess, el Cabong, Big Bross e Batata (tá namorando! tá namorando!, desculpem, eu não resisto.) tocando nossas músicas prediletas no sistema de som da casa. Lembrem-se: começa cedo, então dá para ir, se divertir à grande e ainda voltar pra casa em tempo de não acordar totalmente inutilizado na quinta feira, que é dia de branco. Snif. Mais info sobre Nervoso: www.nervoso.art.br Serviço: Nervoso e Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta. 12.10.2005 20h R$10 Miss Modular Morro da Paciência, 3810, Rio Vermelho Salvador-BA.
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