quinta-feira, fevereiro 18, 2016

BRITPOP À BAIANA, SEM MEDO DE SER FELIZ

Ex-Starla, o baiano Ted Simões lança primeiro disco solo em inglês

Na falta da Abbey Road, Ted Simões vai à Estrada do Coco. Foto: Saulo Brandão
Década marcante para o rock, os anos 1990 permanecem, para muitos, como o último grande momento criativo do septuagenário gênero musical. O baiano Ted Simões certamente é um dos que pensam desta forma.

Revelado para a cena roqueira local no início do século liderando banda  indie Starla, Ted acaba de lançar seu primeiro álbum solo, o anglófilo Old Memories, Recent Damages, Future Nightmares.

Disponível nas plataformas de streaming (iTunes e Spotify) até o fim desta semana, o álbum é fruto da peregrinação de Ted por Londres e adjacências em 2013, onde foi respirar os últimos eflúvios do britpop gerado no movimento Cool Britannia, que agitou a grande ilha do norte nos anos 1990.

Quando voltou, começou a compor em inglês, algo que não era do seu costume, já que, mesmo em sua ex-banda, cantava letras em português.

“Eu nunca achei que fosse gravar um disco em inglês em minha vida. Sempre compus em português”, conta Ted.

“Três músicas desse disco foram escritas originalmente em português: Am I So Wrong?, CWB Blues e Running in Circles. Elas foram a semente do disco. Só que em 2013 eu fui à Inglaterra pela primeira vez, e voltei compondo em inglês, não sei porque. Simplesmente aconteceu”, relata.

Starla, circa 2005. Ted está sentado à esquerda. Foto Tom Burgos
Sobre a Starla, que nunca anunciou seu fim Ted conta que "Cara, a Starla não teve um porquê de acabar. Coincidiu com muita coisa, trabalhos, projetos de vida... Cada um acabou indo pra um caminho 'adulto' mas a amizade sempre ficou forte. Até hoje, todos nós nos adoramos. Tanto que (Rafael) Zuma e Dan (Rebouças) participaram do meu disco, como convidados, e eventualmente fazíamos o Cover do Foo Fighters no Groove. Acho que a Starla cumpriu seu papel, mesmo com um disco só. Sobraram algumas musicas que eu adoraria gravar um dia com eles. Até conversamos sobre, mas não tivemos tempo. E agora Rick (Ricardo Longo) tá morando em Sampa. Mas não tenho dúvidas que se tivermos a oportunidade, um dia ainda vai acontecer".

Produzido por  Cândido Amarelo Neto e masterizado por Jera Cravo, o álbum mostra a evolução de Ted como compositor (mesmo que suas influências de Beatles e Oasis estejam escancaradas) e instrumentista, tocando guitarras, violões e teclados, além de cantar bem – aliás, difícil não notar a similaridade de sua voz com a de Mac McCaughan, da clássica banda indie norte-americana Superchunk.

“Particularmente, acho interessante se arriscar. (Inglês) Não é minha língua, e eu jamais quis soar como um inglês ou americano. É um brasileiro, baiano, cantando em inglês. As minhas maiores influências cantam em inglês, então porque não?”, pergunta-se.

Ted vs. os estereótipos

Ted e seu jeito peculiar de atravessar a rua. Foto: Saulo Brandão
Membro na horas vagas da Cavern Beatles, banda cover dos Fab Four, Ted assume que não está muito interessado em coisas novas: “Eu cresci ouvindo essas bandas, então minha concepção do que fazer se baseia muito nisso. Quando penso em estrutura, em temática, e até mesmo no conceito de álbum, vou nesse caminho. Não sou do tipo curioso, de fazer o novo. Eu continuo ouvindo o Revolver (1966), dos Beatles, como se tivesse sido lançado ontem”, afirma.

Cercado de bons músicos – a começar pelo produtor –, Ted conseguiu fazer um álbum que soa profissa em concepção e execução, um fôlego a mais para a facção do rock local que não faz questão de ser “baiano“, no sentido estereotipado da coisa.

"O mais importante é falar a mesma língua. Amarelo é um cara muito bem informado. Apesar dele não gostar da grande maioria das minhas principais influências, ele sabia de cada detalhe de cada uma delas, o que facilitava no entendimento do que eu buscava. Somando a isso, ele me mostrava muita coisa que eu não conhecia, mas que poderia caber no meu som. Isso facilitou demais o trabalho. E o mesmo com os músicos. E eu tive a sorte de contar com os principais nomes da cena de salvador. Modéstia à parte, você ter nomes como Victor Brasil, Eric Assmar, Alex Pochat, Jorge Solovera, Vitinho Magalhães, Rafael Zumaeta, Estevam Dantas, Maurício Pedrão, Alexandre Processo, Daniel Rebouças, João Ribeiro, Jorge Chichorro e o próprio Amarelo no seu trabalho te dão uma confiança absurda de estar fazendo algo muito especial. Te desafia a fazer o melhor até pra não ser brutalmente ofuscado por esses caras. E todos foram extremamente brilhantes. Então, dá pra ver o quanto é importante estar rodeado por esses caras fantásticos", elogia Ted.

Meio afastado da cena, Ted ainda não conhecia a nova  geração do rock local, de bandas como Teenage Buzz e Van Der Vous, já rompidas com a tendência MPBística que ditou as regras por mais de uma década.

"A verdade é que eu me afastei muito da cena desde o fim da Starla. Ando meio por fora do que está acontecendo. As duas bandas que você citou, eu nunca tinha ouvido falar. E te agradeço desde já. Ouvi a Teenage Buzz e achei sensacional. Se eles tiverem me lendo, adoraria ganhar um CD deles. Muito bonito, de verdade. Já a Van Der Vous me pareceu mais experimental, e necessito ouvir com mais cuidado. Também adoraria ganhar um CD deles", queixa o músico.

"Dos artistas daqui, eu admiro muito Eric Assmar. Não é exagero dizer que ele é um dos melhores guitarristas da sua geração, senão o melhor. Ele sabe exatamente o que quer, e liga o foda-se pra quem não o entende. Exatamente como eu acho que um artista tem que ser. Não dá pra ficar querendo agradar a todos. Ele tem o som dele e pronto. Gostar ou não é consequência. Ao vivo, é ainda melhor. Há quanto tempo não tínhamos um artista como ele na cidade? E acredite, não teremos outro tão cedo. E por ser 'diferente' da nova cena pop-bossanova-novosbaianos-euamoabahia ele é um pouco deixado de lado, o que é extremamente ruim se você quiser olhar o famoso 'big picture'", analisa.

”Sobre a aproximação do rock com a MPB, eu particularmente não vi com bons olhos”, afirma.

“Não por ser MPB, que eu cresci ouvindo. Mas porque o fenômeno Los Hermanos levou todo mundo pra esse lado. Eles foram a última grande banda do rock nacional e é normal ter influenciado tanta gente. O problema é que todo mundo foi pra esse lado! Acabou virando caricatura. E isso acaba se tornando perigoso. Se você pegar a cena dos anos 90, a Bahia era um caldeirão: você tinha Dead Billies de um lado, Penélope do outro, Cascadura em outra ponta, Saci Tric em outra atmosfera, Hares em outra extremidade, Dois Sapos e Meio do lado completamente oposto... Consegue entender? Cada um buscava sua verdade. Porque nacionalmente, existiam muitas verdades. O Los Hermanos tornou-se verdade única, intocável. De repente o rock ficou chato? Se não for isso, não é original, não presta? Se não falar de Salvador não tem identidade cultural? Citei Eric como exemplo justamente por isso. Não dá estabelecer algo como verdade absoluta. O rock baiano não vai melhorar ou piorar porque se aproximou do tropicalismo. Muito menos do heavy metal. Mas acho que estereotipar a cena é ruim pra própria cena. Se é que alguém me entende”, reflete o músico.


Em março, Ted e sua banda, formada por Victor Brasil (bateria), Vitinho Magalhães (baixo), João Ribeiro (teclados) e Amarelo (guitarra) farão um show de lançamento, em local a ser divulgado em breve.

"Haverá um show de lançamento, que ainda estou negociando. Provavelmente em março, num teatro. A verdade é que eu ainda não sei o que vai ocorrer. O disco é uma grande realização pessoal, mas não sei até que ponto eu estou disponível a passar tudo que já passei com a Starla. Minha intenção é fazer um show por vez, sem planejar tocar aqui ou ali", conclui.

Old Memories, Recent Damages, Future Nightmares / Ted Simões / Independente / Ouça, baixe: www.soundcloud.com/tedsimoes

10 comentários:

Franchico disse...

Iggy Pop tá igual eguinha pocotó:

http://newalbumreleases.net/83927/iggy-pop-tarwater-alva-noto-leaves-of-grass-2016/

NÃO PARA! NÃO PARA! NÃO PARA! NÃO PARA! NÃO PARA!

Franchico disse...

Daqui a pouco bate as botas, que nem o mentor dele...

Toc, toc, toc.

Rodrigo Sputter disse...

Quem é o mentor de Iggy, Chico?
Lou?
Pq Bowie veio depois...na verdade...Mr Morrison foi outra grande influência dele...

Ouvi o disco do Ted...gostei...achei umas faixas meio "parecidas"...gostei mais, muito mais, das "diferentes", mas aí é o gosto de cada um...tem umas canções belíssimas...gostei... Ted vai gostar da Teenage, pq os caras foram pra esse lado mais brit pop...que eu acho um saco... Prefiro Smiths e Paul Weller (e os caras do britpop TB) que foram as duas coisas que toda a cena quis ser e nunca conseguirá... Nem ao chulé... Acho bem chato o rock dos anos 90...com raras exceções... TB hj em dia é tanto lixo, q o lixo daquela época é " genial" hj em dia...

Ted poderia trocar CDs com os caras das duas bandas não?

E rock + MPB já tá tão véio quanto o original..da década de 60 pra cá pelo menos.

Chico...OBRIGAÇÃO viu:


http://www.dimas.ba.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=20

Eu vou!!! Quem num for toma cascudo!!!

Franchico disse...

Love & Mercy? Já vi, Sputter! E recomendo enfaticamente. Amanhã publico resenha aqui.

Sobre o "mentor", me referi ao Bowie mesmo. Tô lendo a bio do Iggy publicada pela Aleph (Open Up & Bleed) e, pelo menos por ali, fica meio claro que Iggy tinha em Bowie praticamente um conselheiro.

Curiosamente, sobre a relação dele com Lou, não há quase nada.

Mas o livro é espetacular, tô atracado com ele há alguns dias.

Breve, resenha por aqui.

Bom, eu sou suspeito pra falar dos anos 90, mas entendo o que vc diz.

Franchico disse...

Enquanto isso, em Sucupira...

http://www.brasilpost.com.br/2016/02/17/claudia-leitte-biografia-_n_9253088.html?utm_hp_ref=brazil

Franchico disse...

Humanidade, um projeto fracassado.

http://www.brasilpost.com.br/2016/02/18/golfinho-morre-selfie-banhistas_n_9262434.html?utm_hp_ref=brazil

Franchico disse...

Humanidade, um projeto fracassado 2.

http://www.spin.com/2016/02/paul-mccartney-taylor-hawkins-beck-grammys-party-tyga-denied-video-watch/

rodrigo sputter disse...

entendi o mentor que vc quis dizer Chico...tipo, não de quem veio antes...vc viu no pré estreia ou baixou? putz...a starla é verbete na wiki...massa...lembro q brust quis fazer umlá por 2005 e o cara da wiki falou pra ele q tava detalhada demais...é mole???
Falo da Relação dos Stooges com o Velvet...que na verdade foi mais com john cale...mas me referi a caras que morreram...essa bio é em portuga??
tipo, anos 90 tiveram bandas fodas, como headcoats...headcoatees (emobra acho que headcoats é de 89), teve supergrass que faz parte dessa leva pop, que tem um foástico 1o cd...gosto do cardigans tb...os 3 primeiros...grande banda pop...

quase 178 pilas cada exemplar da bio de leitinha...e eu aqui querendo qq quantia pra lançar um disco...

Franchico disse...

Aqui, Sputter:

http://www.editoraaleph.com.br/site/nao-ficcao/musica/a-vida-e-musica-de-iggy-pop.html

Foi lançada no Brasil pela Aleph.

Pelo livro, John Cale só teve relação com os Stooges na produção do primeiro álbum, depois ele viu o esparro que era se meter com aqueles psicopatas, recebeu seu pagamento e deu tchauzinho.

Há alguns anos, fiz o verbete da Úteros Em Fúria na Wikipedia, mas deixei meio... pelo meio.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Usu%C3%A1rio(a):Chico_Castro_Jr./%C3%9Ateros_em_F%C3%BAria

É MUITO COMPLICADO escrever pra Wikipedia. A administradora que tratava comigo por email até tentou ajudar mas é tanta regra, convenção etc e tal que eu chutei o balde, agradeci a ajuda e disse que estava me retirando, que ela que completasse o trabalho da melhor forma de acordo com as regras do site lá.

Resultado: tá desse jeito, com meu nome no verbete até hoje. Até já tentei tirar meu nome do título do verbete, mas não consegui. É tudo muito complicado e enigmático. Enfim, fiz o que pude, foda-se. Não recebo para me desgastar com esse negócio. Eu não me desgasto mais por quem me paga, que dirá!

Rodrigo Sputter disse...

Porra...eu já queria um livro que trata da fase de Caymmi no rádio...a bio de orlando silva...agora essa de iggy...e eu tou solteiro, a ex e a sobra dariam esses de níver, 30/03, mas tou na esbórnia-ehhehehehe
quiser fazer um troca-troca emprestado...te empresto o de jerry lee lewis...se bem q tu ler pra trampar, mas de repente...escreve sobre esse...comprei outra do dylan, a no diretion home, bem barata por sinal...o correio foi quase o preço do livro...li aquela do sounes...e o crônicas que ele escreveu...

queria ver o cale produzindo o disco...fala algo mais sobre? reza a lenda que eles só chegaram com 3 faixas pro 1o disco...eu sempre imagino q foi i wanna, no fun e 1969...e o resto foi "emboramação", das boas-ehheehhe
e num sei se no 2o tb...

fosse da Xuxa, se vc botasse que ela tem 3 peitu iam adorar...contasse da infância, da escolinha, dos exames pré-natal...

banda "pequena" tem q ter verbete pequeno??

aí vira hipe e todo mundo quer que esteja lá...nas bandas influenciadas pode colocar Honkers, sem medo de ser feliz, Mauro foi o 1o vocalista que me fez ficar boqueaberto num show...influência de palco pra mim...inclusive de colocar o micro na parte traseira das calças, eu vi ele fazer isso, bêbo, em 2000 eu acho, num som do retro...devia ser 2002, e roubei, ele nem se lembra, pq já falei com ele...fora que Apu, Mauro e Vandex q gravaram o nosso 1o EP em 2001...que creio ser nossa melhor gravação...e logo a 1a.