quarta-feira, agosto 12, 2009

CINEMA EM ALTA, MÚSICA EM BAIXA

Realizado ontem, o Seminário Exportação de Serviços: Internacionalização da Música e Audiovisual reuniu em Salvador especialistas em levar ao exterior os sons e as imagens do Brasil

“O negócio da música está definitivamente em baixa. Não há dinheiro”. Quem garante é o inglês David Peter McLoughlin, do Brasil Música & Artes, um dos presentes ao primeiro Seminário Exportação de Serviços: Internacionalização da Música e Audiovisual, realizado ontem na Federação das Indústrias da Bahia (Fieb).

Um termômetro desse momento ruim, segundo David, é a decadência das feiras de música ao redor do mundo, onde as gravadoras costumavam fechar grandes negócios. O grande potencial de exportação da música e do audiovisual baianos – bem como os caminhos para levar esses produtos ao público externo – foram os assuntos dominantes durante o evento.

O seminário é um acontecimento de certa forma importante, pois marca a primeira vez em que a Secult se articula em parceria com outro órgão do governo estadual de suma importância quando se trata de comércio exterior: o PromoBahia – Centro Internacional de Negócios, da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Estado.

“O fruto principal (deste evento) é uma coisa muito simbólica: a parceria Secult-Promo. Essa aproximação com quem sempre exportou, e agora vê que a cultura também é um produto passível de exportação, é um grande avanço”, define Gilberto Monte, diretor de música da Fundação Cultural do Estado, órgão ligado à Secult.

Remake para Estômago – Entre os palestrantes estavam nomes como Claudia da Natividade (produtora de Estômago, coprodução Brasil-Itália e filme brasileiro mais premiado de 2008), David Peter McLoughlin (Brasil Música & Artes – BM&A, associação privada de difusão internacional de música), Gabriel Valois (do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição – ECAD) e Fabiano Gullane (Gullane Entretenimento, produtora dos filmes Carandiru e Bicho de Sete Cabeças).

A primeira a falar foi Claudia, que contou em detalhes a jornada de parceria com o produtor italiano Alesandro Mascheroni, de Milão, que resultou no filme Estômago, um grande sucesso de crítica – e bastante razoável de público. Graças ao bom desempenho nos festivais internacionais, a produtora já vendeu os direitos de refilmagem de Estômago para Hollywood em 2010.

“Estamos na fase de fechamento do cast internacional agora, que não posso abrir por questões de contrato. Mas posso garantir que são estrelas de grande porte”, declarou.

MÚSICA – “Hoje não se compra mais música, mas conteúdo. Hoje, se eu chegar no Midem (mais famosa feira da indústria fonográfica mundial) e disser que tenho dez faixas inéditas de Roberto Carlos, isso com certeza não atrairia tantos compradores quanto se eu dissesse que tenho 50 mil faixas de artistas independentes”, compara McLoughlin em sua palestra sobre música.

“A indústria fonográfica talvez morra mesmo, ainda não se sabe. Mas o negócio do mercado de CDs deve acabar com certeza, tornando-se um nicho muito especializado, como a Biscoito Fino, que produz CDs belíssimos em digipack, mas tendo em vista um público reduzido”, acrescenta David.

“Se você tem uma banda de pop rock, esqueça. Ninguém vai comprar seu disco. É você quem tem que pensar em formas de comercializar sua música”, garante David.

Seria a venda de downloads um caminho viável, então? “O mercado digital também não compensa ainda. Melhorou bastante, mas ainda não é grande indústria. Até por que a molecada baixa tudo sem pagar um centavo”, constata.

Sites como MySpace e similares também estão longe de serem solução. Pelo contrário: “Os donos desses sites ganham milhões e o artista só fica com o gosto de estar sendo ‘democrático’. Esses sites estão roubando os artistas“, denuncia.

No século XIX os operários aprenderam a se organizar e lutar pelos seus direitos. Está na hora de os artistas fazerem o mesmo”, exorta.

5 comentários:

Franchico disse...

Ainda John Hughes:

Documentário sobre John Hughes consegue distribuição - assista ao trailer

Alliance Films já fechava contrato no dia seguinte à morte do diretor

http://www.omelete.com.br/cine/100021402/Documentario_sobre_John_Hughes_consegue_distribuicao___assista_ao_trailer.aspx

Vejam tb essa homenagem, uma montagem com cenas de seus vários filmes, ao som de Baba O'Riley, do The Who. Impossível não se emocionar - pelo menos aqueles que gostam dos seus filmes.

http://www.youtube.com/watch?v=ZOkNIUw0c2s&feature=player_embedded

É tanta coisa, que só depois de ver esse vídeo é que minha ficha caiu. Como diria HF, fiquei "plúmbeo".

Franchico disse...

O desgraçado confessou.

http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1206950

A família agradece ao juiz que mandou soltar esse verme pro dia dos pais. Como se uma desgraça dessas tivesse família. Espero que o matem logo lá na cadeia. Mas bem devagarzinho. Sem pressa.

teclas pretas disse...

chicão, olha isso:

"Há algumas semanas foi anunciada a formação do trio Them Crooked Vultures, um supergrupo formado por Dave Ghrol, ex-Nirvana e atual Foo Fighters, na bateria, Josh Homme, do Queens of The Stone Age, na guitarra e vocal, e John Paul Jones, o ex-Led Zeppelin, assumiu o baixo e os teclados." - kid vinil

GLAUBER

teclas pretas disse...

josh [quenns of the stone age], john paul jones [zeppelin] e dave grohl [nirvana, foo fighters] formaram um trio. 3 músicos excelentes, to curioso...
GLAUBER

cebola disse...

man, obrigado por esse tube de Hughes aí. salvou minha semana inteira. puta madre!!