sexta-feira, janeiro 06, 2006

FEED ME WITH YOUR KISS

Como definir um filme chavão de uma forma totalmente chavão (e muito recorrente no jornalismo brasileiro)? "O filme é um amontoado de clichês". Difícil encontrar forma mais adequada - e merecida - de enquadrar um filme como Retorno dos mortos vivos: Necropolis (Return Of The Living Dead 4: Necropolis). Suposta quarta parte de uma série iniciada de forma extraordinária em 1985 com o ótimo cult O Retorno dos Mortos Vivos, de Dan O'Bannon, clássico trash, esse Necropolis abusa dos personagens estereotipados, diálogos pífios e produção pobre. Produção, aliás, que não sabe direito se o filme se passa nos EUA ou no leste europeu, de onde parece que saiu a grana para viabilizar essa bomba. Todo o charme sujo, diversão e clima apocalíptico rock n' roll do filme original é esquecido aqui. Seguindo à risca a cartilha do filme de terror estúpido americano, os péssimos atores não conseguem transcender os rascunhos de personagens que lhes foram destinados: temos o rapaz bonzinho e valente, a loura burra, a morena esperta, o afroamericano hacker, a tímida de óculos bonitinha, o cientista malvado e até o garoto corajoso e aventureiro. Um desfile de marionetes. Peter Coyote, que deve ser o único ator profissional do filme, e até hoje só é lembrado pelo seu papel de terceiro escalão em E.T., parece que tomou uma injeção de botox errada no maxilar, pois está deformado, o filme inteiro com a boca tensionada numa expressão bizarra, mais feia que as caras dos zumbis. Estes estão descaracterizados: alguns deles até falam e mantém a mesma personalidade de quando eram vivos, um verdadeiro sacrilégio para os fãs de George Romero. A série O Retorno dos Mortos Vivos começou muito bem com o primeiro filme, mas a partir do segundo, foi progressivamente perdendo a qualidade, até desembocar nesse filme horroroso, produzido por (creio eu) mafiosos romenos. E a quinta parte parece que já está pronta. Haja grana pra lavar. Fuja.

NEVER MIND MARK LINDQUIST - ...Acabando de ler Nirvana nunca mais, do autor americano Mark Lindquist, natural de Seattle. O livro fez algum barulho quando foi lançado aqui no Brasil, com muitos se apressando em taxar o rapaz como a versão estadunidense de Nick Hornby. Calma, galera. O Lindquist é legal, mas ainda vai ter que comer muito feijão para ficar ombro a ombro com o autor de Alta fidelidade. Muitos elementos que estavam tão bem postos na obra máxima de Hornby, também estão aqui em Nirvana nunca mais: a obsessão pelo rock e cultura pop, a relutância em crescer e definitivamente se inserir no tal "mundo adulto", o carrossel de namoradas e ficantes, conflitos internos, algum romantismo. Está tudo aqui, só que, sem a leveza, sutileza e espontaneidade do autor inglês. Simplesmente. Contudo, se fugirmos da tentação em comparar as duas obras, Nirvana nunca mais revela-se um livro de leitura muito agradável, ágil e que raramente deixa cair o interesse do leitor. É só lê-lo isoladamente, pois é até injusto ler um autor comparando-o com outros o tempo todo. No livro, acompanhamos o dia a dia de Pete Tyler, ex-vocalista de uma banda grunge, hoje promotor público, envolvido com um caso de estupro cometido por um doidão conhecido dos velhos tempos e de caso com uma funcionária da Sub Pop. Os diálogos são muito bem escritos, e durante quase todo o livro, Lindquist nos leva em tour pela Seattle dos bares e inferninhos da era grunge, o que é muito legal. Nirvana nunca mais não vai mudar sua vida, mas pode render algumas horas de leitura leve, divertida e algo inteligente. Uma hora dessas deve virar filme.

RONEI J E OLDB LANÇAM DISCO NO TEATRO ACBEU - Depois de um ano repleto de shows, viagens e participações em festivais, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta festejam o lançamento de seu primeiro disco no próximo dia 10 de janeiro, no Teatro ACBEU. O show traz as canções já conhecidas do repertório do CD, além de algumas novidades e conta com as participações especialíssimas de Luiz Brasil (que produziu o disco) e Jussara Silveira. O evento tem início às 21 horas. Ingressos a R$14,00 (inteira) e R$7,00 (meia). http://www.roneijorgeeosladroes.com.br/hotsite Fonte: release.

VERSOS LENDÁRIOS DA MÚSICA BAIANA, PARTE 1 - "No zé finí da grana / o bolso anda quase nu / a onda agora / é andar de buzú". Se alguém lembrar o autor desses versos tão inspiradores, ponto alto da poesia nativa, por favor, compartilhe essa informação conosco nos comments. Grato.

12 comentários:

Anônimo disse...

porra franchico tu tá muito do chato

Franchico disse...

Vc não sabe o que é chato. Tente esse aqui:
http://orbita.starmedia.com/~muitochato/principal.htm

Anônimo disse...

num sei mas q tu tá chato demais tá sim senhor

Franchico disse...

... (suspiro)

Gabriela R. Almeida disse...

Outro dia eu tava lembrando de Rala o Pinto. Tem que entrar algum dia na sua seleção de pérolas.

Vou dar um saque neste livro, mas adorando Nick Hornby eu provavelmente não vou gostar taaaaaaanto. Já leu 31 Songs? É sensacional. Lançaram no Brasil ano passado.

Ô Chico, eu sou muuuuuuuuuito devagar, ou o My Bloody Valentine não tem nada a ver com O Retorno dos Mortos Vivos e com Mark Lindquist?

Franchico disse...

My Bloody Valentine, a banda? Que eu saiba, nada, nem com com nem com o outro.

Tem um filme tipo Sexta-feira 13, produzido na década de 80, chamado My bloody valentine (Dia dos namorados macabro, aqui no Brasil), mas que tb, não tem nada a ver nem com Retorno dos mortos vivos, nem com Mark Lindquist.

Rala o pinto terá sua vez. Pérolas do cancioneiro popular baiano não faltam, dava para encher um blog inteiro só com isso.

miwky disse...

gentes, quem pode me passar o mark lanegan com a isabel campbell?? eu quero muito, muito ouvir. façam essa caridade pra tia.

Gabriela R. Almeida disse...

Ahhhhhhhhhhh é pq Feed Me With Your Kiss é uma música do MBV, e eu achei que o título do post tinha alguma coisa a ver e eu não tinha captado.

Franchico disse...

Tem nada a ver, não, Gabriela. Qdo eu não encontro um adequado, os títulos dos posts costumam não ter nada a ver com o conteúdo... Loucura minha, mesmo... Escolhi Feed me with your kiss, por que além de ser genial como título de música, é uma das que mais gosto deles...

Nei Bahia disse...

"...buzu pra quem não tem besteira.
buzu é uma grande opção"
(repete 2x)


Banda transito livre, se eu não em engano.
A galera da Ribeira conhece, inclusive alguns grandes nomes da cena baiana de rock

Franchico disse...

Porra, Nei, só vc e a galera da Cidade Baixa mesmo pra lembrar, vcs são muito vermes...! E isso é um elogio, na boa! ;-)

Priscila disse...

iai galera...to precisando desta musica buzu da banda trânsito livre p compor uma trilha...alguem me sugere onde encontrar?
obrigada!