segunda-feira, março 27, 2006

"OLD MAN, TAKE A LOOK AT MY LIFE / I'M A LOT LIKE YOU /

I NEED SOMEONE TO LOVE ME / THE WHOLE DAY THROUGH"
Neil Young, em Old man.

Achtung, doidões! Já chegou nas locadoras o filme Os Reis de Dogtown (The Lords of Dogtown), versão dramatizada do fantástico documentário Dogtown and The Z-Boys, dirigido por Stacy Peralta e já apreciado pelo Rock Loco aqui, neste textinho. Para quem não tá ligado no lance, Os Reis de Dogtown mostra a invenção do skate radical e sua cultura, negócio que começou na ensolarada Califórnia dos anos 70 de forma despretensiosa e clandestina, e hoje, movimenta milhões de dólares no mundo todo, com milhões de jovens fãs e praticantes do esporte que também é estilo de vida e gerou sua própria trilha sonora com o skate punk e o hardcore melódico de bandas como Offspring, Pennywise, NOFX, Millencolin e sei lá mais o que, só para ficar nas mais clássicas. Claro que na Dogtown (região que compreende parte de Venice Beach e Santa Mônica) dos anos 70, ainda não tinha nada disso. Com uma seca miserável, as ondas do píer do Pacific Ocean Park (P.O.P.), reduto dos surfistas locais, sumiram, deixando o mar totalmente flat, ou seja, sem onda. Nego não teve nem dúvida. Pegaram os skates velhos e se jogaram nas piscinas secas das casas dos barões, invadindo na tora mesmo, às vezes com bomba para esvaziar o resto da piscina e tudo, antes que a polícia chegasse, tudo numa correria dos infernos e divertido demais pra quem tá assistindo. Nascia ali o skate radical. O esperto Skip Engbloom, shaper e dono da Zephyr Surf Shop (Can your shaper surf?, era o slogan da loja), viu ali o futuro da prancha com rodinhas, até então considerada brinquedo de criança, e investiu na molecada, criando o Zephyr Skate Team. De estilo totalmente diverso ao que se praticava até então nos campeonatos de skate, a equipe Zephyr só chegava causando e arrepiando, aplicando as manobras do surf nas pistas e deixando todo mundo de boca aberta, gerando tanto admiração, quanto raiva por parte dos skatistas tradicionais e de estilo estagnado desde os anos 50, quando o brinquedo surgiu. Daí em diante, só deu eles, especialmente o trio Stacy Peralta, Jay Adams e Tony Alva, cada um com um estilo diferente, mas igualmente ousados na pista. Foi Tony Alva quem deu o primeiro aéreo da história do skate, praticamente fechando um campeonato com sua manobra até então inédita. Enfim: sem Tony Alva, jamais haveria um Tony Hawk (ou Bob Burnquist aqui no Brasil). Isso é a história que o filme, baseado no premiado documentário dirigido pelo próprio Peralta, conta de forma dinâmica, com atores que não eram skatistas, mas que tiveram que aprender a manobrar como campeões para desempenhar seus papéis. O trio de skatistas principais manda bem, até por que o filme não é centrado apenas nas pistas de skate, investindo nos personagens e suas histórias, mostrando de onde cada um vinha, seus problemas familiares, dificuldades financeiras, problemas com garotas etc. O cowboy gay Heath Ledger até que se esforça como o Jimmorrissoniano Skip Engbloom, mas sua caracterização ficou um pouco exagerada, já que seu personagem só aparece na tela em dois estados: muito louco ou completamente chapado, deixando-o bidimensional, se é que vocês me entendem. Mas mesmo assim, ele tem seus momentos. Já a diretora Catherine Hardwicke (de Aos treze, que não vi, nem quero) acertou a mão ao colocar cameramen skatistas para acompanhar os atores nas piscinas (ou dogbowl, como eles chamavam) e ruas de Dogtown, gerando cenas simplesmente espetaculares e dando ao espectador a impressão de estar ali, em plena Califórnia setentista, percorrendo as ruas sujas de Venice Beach e Santa Mônica sobre um skate a mil, na cola daqueles surfistas muito loucos. A recriação que o filme faz daquela época é outro ponto forte da fita, você realmente acredita que estamos (lá eles) nos anos 70. A trilha sonora é aquela coisa: David Bowie, T.Rex, Ted Nugent (Cat scratch fever!!!), Alice Cooper, Black Sabbath (Iron man, numa cena simplesmente descaralhante) e coisa e tal. Até um Neil Young rola, com a linda Old man (do Harvest, de '71, refrão no título deste post), numa outra cena muito legal. Não, o filme não é assim uma Brastemp, tipo nota 10, e se você quiser conhecer a história mesmo mais a fundo, ainda sugiro que você assista primeiro ao documentário (esse sim, uma Brastemp), mas descontadas uma ou outra falhazinha de roteiro e atuação, posso afirmar que, no todo, o filme é bem bacana e divertido, valendo muito a locação, além de ser uma história que, independente de você gostar ou não de skate (eu mesmo só o fiz garoto, entre os 10 e 13 anos, depois nunca mais), todo mundo devia conhecer. Especialmente se você gosta de rock e tem um certo fascínio pela juventude muito louca, arrojada e largadona da mítica Califórnia dos anos 1970.

INVENCÍVEL NA ÁREA - Invincible, hq assinada pela nova sensação dos quadrinhos americanos Robert Kirman, e que anda fazendo muito sucesso na gringa, chega ao Brasil em edição encadernada pela Editora HQ Maniacs, dos mesmos caras que fazem o ótimo site HQ Maniacs. Até aí, tudo bem, mas temos uma boa e uma má notícia: a boa é que, inicialmente, a revista custaria R$ 36,00, mas como os caras não são loucos como os donos da Ópera Graphica, Devir e Conrad (que só lançam álbuns custando exorbitâncias entre R$ 45 e R$ 70!!!), baixaram (ainda mais) o preço do primeiro álbum do Invencível no Brasil ao preço de R$ 25,00, o que é beeem razoável para sua categoria e qualidade. A má notícia é que, como Salvador (do alto de sua tão alardeada efervescência cultural) não dispõe de uma única comic shop filiada à rede HQ Club, nosotros aqui só podemos compra-la pelo correio. As referências à hq em si são muito boas, a crítica se amarrou na história do super herói adolescente que sofre com os problemas normais de qualquer jovem, além dos super heroísticos (na verdade, parece uma atualização do conceito do Homem Aranha). Como eles dizem no release de abertura do site, "para se ter uma idéia do potencial da série, Invencível já está com os direitos vendidos para a Paramount Pictures para a produção de uma adaptação para o cinema". Ainda não o li, mas pretendo faze-lo. Se você também pretende, clique aqui para entrar no hot site da editora e fazer sua encomenda. Em tempo: os maníacos por hq da nova editora ainda lançarão em breve The walking dead, também assinada por Kirkman e igualmente saudada pelos críticos como a melhor hq de zumbis do século. Aaaah, zumbi morto vivo comedor de cérebro é comigo mermo, papai! Venha logo! Uhú!

HORA DO ROCK 30.03 - ... vai rolar música nova do Flaming Lips e do Yeah Yeah Yeahs, além do Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine, House of Love, TV On The Radio, Elastica, Suede, Placebo, Interpol, Mercury Rev e Dandy Warhols. Para ouvir: 21h na Globo Fm (90,1, ou www.gfm.com.br para quem não mora em Salvador). O Hora do Rock concorre a melhor programa de rádio/tv no Prêmio Rock Independente Bahia. O prazo para votar acaba na sexta-feira (dia 31). O site do prêmo é http://premiorockba.v0.com.br.

EDDIE (PE) EM SALVADOR - Lançamento do CD "Metropolitano" + DJs Zackarias (Paraíba), Big Bross e Messiah ONDE: Miss Modular, QUANDO: sábado, 08 de abril, a partir de 22 horas, QUANTO: R$ 15,00 (R$ 20,00 - depois de meia-noite), Vendas a partir de 30 de março: São Rock, Andarilho Urbano e Berinjela.

(Daqui para baixo, foi tudo - descaradamente - pescado do site Bahia Rock.com.br, com agradecimentos.)

As Máquinas não mentem! - com as bandas: A Fábrica e O Vestido Preto de ValentinaDia: 01/04 (Sábado)Horário: 20:00 Local: Café Ateliê - JC Barreto (Lad.do Bambui - São Caetano) Ingresso: R$ 2,00.

Turnê 666 - Etapa Calypso - do release: com as bandas: Gláuco Neves (Voz e Violão), Rewris Blues Band, Kings of Rock n Roll e Johnny Marceleza e os Costeletas Dia: 31/03 (Sexta-feira)Horário: 22:00Local: Calypso (Rio Vermelho) Ingresso: R$ 5,00 A Turnê 666 chega a sua segunda etapa, dessa vez no bom e velho Calypso. Saiba mais sobre as atrações do evento:Kings of Rock n Roll: O verdadeiro rock, espremido em calças de couro pretas, bem ao estilo from hell. A banda comemora o seu 6° ensaio. Rewris Blues Band: A enganação do Rock n Roll, cuspida ou cagada a 6 anos, totalmente podre e sem criatividade, mas eles são os donos da festas então têm que tocar a não ser que embebedem bastante o seu vocalista. Johnny Marceleza e os Costeletas: Agitação de um rock adolescente totalmente dançante, prematuros no sucesso com apenas 6 meses. Freak toca nessa banda e será o responsável pelas meninas semi-nuas nas gaiolas. Gláuco Neves: Ele é a carta coringa da festa. Atração principal que salvará o dia com músicas bucólicas. Você vai se sentir no paraíso!

Rock de Mentira - com as bandas: Automata, The Honkers e Mambanegra. Dia: 01/04 (Sábado). Horário: 21:00. Local: Calypso (Rio Vermelho). Ingresso: R$ 6,00. CDs, camisas e adesivos à venda no show. www.automata.art.br www.thehonkers.com

Show Hasta la Vista - com a banda: Soma Dia: 01/04 (Sábado)Horário: 20:00 *Local: Teatro Gamboa (Largo dos Aflitos) Ingresso: R$ 6,00 (venda antecipada na são rock, tel 3335.2974)*programação completa do evento: 18h: abertura do teatro com serviço de bar 18h50: som mecânico 19h45: fechamento da bilheteria para início do show.

PUBLIc! Rock e Drum n´Bass no Pub! - com Mirabolix, Armitage e dj Bassick. Dia: 01/04 (Sábado). Horário: 22:00. Local: The Dubliners Irish Pub (Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra - Próximo à Praia do Porto). Ingresso: R$ 10,00 (com direito a 2 bebidas) Refrigerante, cerveja ou água. Não aceita cartões de crédito/débito, nem cheque.

Matinê Calypso - com as bandas: INtra, Minerva e Throw Up. Dia: 02/04 (Domingo)Horário: 17:00Local: Calypso (Rio Vermelho)Ingresso: R$ 5,00.

Show Mundo Rock - Viagem sem volta - com as bandas: Vinil 69 e Retrofoguetes. Dia: 07/04 (Sexta). Horário: 23:00. Local: Zauber (Ladeira da Misericódia - atrás da prefeitura - Centro). Ingresso: R$ 10,00.

Festa Darktronic VII - com os Dj's: Vertigo, Deniac, Devilla, Magharin, Letargico e MonacoEstilos: Industrial, Dark Eletro, Synth/Future Pop, Darkwave, EBM, Gothic Rock e 80'sDia: 08/04 (Sábado)Horário: 20:00Local: Blue House (Rio Vermelho)Ingresso: R$ 8,00Vendas antecipadas:+ Smile Stamps - Centro (Tel.: 3322-1907)+ Andarilho Urbano - Shopping Iguatemi (Tel.: 3450-4533)+ Crosty - Espaço Artesanato do Shop. Barra (Tel.: 3235-4505)+ São Rock Discos - Shopping Rio Vermelho (Tel.: 3248-1199)Realização: Raven Produções. http://www.ravenproducoes.cjb.net/ www.fotolog.com/darktronic
www.fanzinemorbidsoul.blogspot.com

A Sangue Frio, The losers, Lumpen, Anemia e Expurgados - Dia: 09/04 (Domingo)Horário: 15:00 Local: Espaço Insurgente (Rua do Carro, Campo Da Pólvora, Centro - Ao Lado do Fórum Ruy Barbosa)Ingresso: R$ 3,00Informações: www.estopimrecords.com.br

Insanus - Lançamento do 1º EP - com as bandas: Insanus, Automata e Malcom Dia: 09/03 (Quinta-feira)Horário: 22:00Local: The Best Hall (Patamares - Próximo ao colégio Diplomata)Ingresso: R$ 5,00 (+ R$10,00 Consumação obrigatória).

quinta-feira, março 23, 2006

BE QUICK OR BE DEAD

Como diria Mário Jorge, essa semana eu tô fazendo xixi nas calças por falta de tempo, negada. E a tendência é piorar a partir da semana que vem. Mas vamo nessa o que o Rock Loco não pode parar e fica a promessa desse fim de semana eu pagar duas dívidas de texto: o da Úteros em Fúria pro CCR que Cebola me cobrou e mais um surpresa baaaala sobre rock & hq, trabalho de pesquisa de responsa, que espero estar postando por aqui próxima segunda, terça no máximo. (É até bom eu dizer isso aqui pra me forçar a sair da prega no fim de semana...). Vocês não perdem por esperar. Por enquanto, vamos para umas curtas rapidas e o agendão do week end.

BE KICKED OR BE DEAD - Ah, Essa eu tinha que incluir aqui. Pete Doherty, ex-Libertines, ex-Kate Moss (?) e atual Babyshambles acabou de chutar o braço de uma repórter na saída de um tribunal em Londres. O microfone da moça voou longe após o chute do rapaz, que aliás, vestiu-se muito elegantemente para a ocasião, parecendo ter saído de algum episódio do seriado do Super Homem dos anos 50. A notícia completa está aqui, na Folha on line. Confiram o flagrante e reparem na catiguria de goleador do rapaz. A acusação? TÓXICO, oras, o que mais poderia ser?

NEIL YOUNG NA VERTIGO / DC? - Essa é boa demais para ser verdade. Deu no safadésimo (no bom sentido) site Melhores do Mundo, especializado em hq, que está correndo um boato nos States dando conta de que Neil Deus Young estaria em negociações com a DC Comics para escrever uma graphic novel para o Vertigo, famoso selo de quadrinhos adultos / alternativos da editora do Super Homem. Essa informação é atribuída ao colunista Blair Marnell, do site Silver Bullet Comics, que por sua vez, a atribui à "uma fonte ligada à DC". "E, ainda segundo a fonte, o pessoal da Vertigo está correndo atrás de um artista rapidamente antes que o cantor comece a gravar algo ou perca o interesse", dizem os Melhores do Mundo. Trata-se de boataria da grossa, claro. O pior é que eu fui lá no tal site e procurei, procurei e nada, nem da notícia, nem do colunista, nem porra nenhuma de Neil Young. Será que me tiraram de tempo? Pode ser que o mané aqui não tenha procurado direito, então, se vossa senhoria estiver a fim e com tempo livre, boa sorte.

RÁDIO OI BA - Essa é quase velha, mas acho que muita gente não sabe ainda, então, lá vai. Lembram que eu mencionei aqui, se não me engano em um comment, que a Rádio Cidade FM do Rio de Janeiro foi arrendada pela Oi e agora é Rádio Oi? Pois é, a empresa de telefonia vai ampliar a rede. Deu na coluna Propaganda & Marketing, do Nélson Cadena da última sexta (17), que uma rádio de Salvador será locada pela Oi, da mesma forma. Diz que não vai ter jabá, que a programação terá música, notícias e programas regionais. O nome da rádio ele não deu. É ficar de olho nesse processo, pois o rock local (e outros estilos marginalizados pela indústria do jabá) pode se beneficiar disso...

THE RETURN OF THE SON OF CIRCO RELÂMPAGO - Eduardo Bastos divulgou n'A Tarde também na sexta passada que o lendário Circo Relâmpago, que agitou as noites da Pituba nos anos 80 com muito shows de rock históricos, pode voltar. Diz que o empresário Sílvio Palmeira já tem a lona, com capacidade para 8 mil pessoas e palco de vinte metros de boca. As negociações estão rolando.

CC MUSIC FACTORY - Ouvi um bom pedaço do Curto Circuito da semana passada e achei bacana a dinâmica descontraída de Don Jorge e Tiago, rolou um papo legal com Luciano Matos no estúdio e outro com Mauro Pithon (Sangria) por telefone, direto do Miss Modular. Depois eles falaram que ele era "um cara era muito importante por que foi da lendária Úteros em Fúria", que "todo mundo devia ver o documentário do Franchico sobre a banda", etc e tal. Também acho! ;-) Mas falando sério, umas vinhetas mais criativas não seria nada mal, mas tá valendo. Para o alto e avante. Só para esclarecer, não falo da Hora do Rock (o programa em si) por que ainda não tive a oportunidade de ouvir, o horário é meio ruim pra mim, mas a seleção, que ajudo a divulgar toda semana aqui, é de primeira. Pelo menos pra mim... Na seqüência, a programação do Curto Circuito de hoje. Fala, Don: "Segue ai algumas das bandas e quadros q vai rolar amanha no programa, ok? Radiola, Nancyta, Vinil 69, Cobalto, Zambotronic, Canal Zero, Planet Hemp, System of a down, Bnegão, Black Label Society, Forgotten Boys etc. Temos tb nossos quadros: Distorção: Mv Bill; Choque: Nação Zumbi x Pitty (Disputa difícil essa..); Circuito Alternativo: Mais Rock baiano no CC! Curto Circuito Transamérica, toda Quinta das 23 à 1h. Telefone: 3534-0100 msn: curtocircuitotransamerica@hotmail.com fotolog: Fotolog.com/cccircuitorock E também faça parte da nossa comunidade no Orkut. O CC também poderá ser ouvido pela net através do site: www.transamericabahia.com.br".

HORA DO ROCK 23.03 - hoje vai rolar Beatles, Beach Boys, Nancy Sinatra, Roy Orbison, Weezer, mclusky, The Coral, Gentle Waves, Ben Kweller, Stephen Malkmus, Guided By Voices, The Delgados e Mogwai. Para ouvir: 90,1 (Globo FM), ou www.gfm.com.br - 21h. Lembrando que o Hora do Rock concorre a melhor programa de rádio/tv no Prêmio Rock Independente Bahia. Para votar, acesse http://premiorockba.v10.com.br.

PARA A MOÇADA JOVEM E DESCONTRAÍDA - Do release: Se você quer dançar, Já ouviu falar da festa BOOGIE NIGHTS...não? Então é assim a festa capitaneada pelos djs Bigbross e Zezão castro, lá se toca de tudo entre os anos de 59 e 79..mais volta e meia liberamos algo dos anos 80, mas a cara da boogie são batidas blacks brasileiras e internacionais, o melhor da musica latina, cumbias, merengues e tcha tcha tchas, os maravilhosos grooves da era disco, o bom e velho rock n roll e uma jovem guarda aqui e ali, e pra fechar, temas instrumentais pra fazer você requebrar tudo.... Sábado 25/03 Horário:22h Ingresso: R$10, Miss Modular, Ladeira da Paciência 3810- Rio Vermelho.

PUBLIC! Rock e Drum n´Bass no Pub! - com MIRABOLIX, ARMITAGE e DJ BASSICK. LOCAL: The Dubliners Irish Pub - Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra (Próximo à Praia do Porto). DATA: 01 de abril (não; NÃO É MENTIRA!!!) HORÁRIO: 22 horas INGRESSO: R$ 10,00 (com direito a 2 bebidas*) Não aceita cartões de crédito/débito, nem cheque. Maiores informações com Rafael Goiaba Nunez (9167-0759). * Refrigerante, cerveja ou água.

FINAL MANIAC METAL FIGHT - Com NOMIN, MORBIDREAMS E TEMPLARIUS. Sábado 25/03, no IDEARIUM BAR - Rio Vermelho ÁS 20H INGRESSOS: R$8,00 Á venda: Maniac Records (3354-1735), Andarilho Urbano (3450-4533) Smile (3322-1907), Cyber Noise e Alpha Vídeo (3494-5728).

segunda-feira, março 20, 2006

DYLAN POR SCORCESE (PARTE 1)

Bob Dylan foi o traidor original do movimento. A esta altura do campeonato muito já foi dito a respeito deste documentário, mas muita água ainda vai passar debaixo desta ponte devido a quantidade inesgotável de Historia e estórias contidas neste documentário. O documentário mostra o que é provavelmente o momento mais crucial da cultura pop , quando o golden boy da esquerdista musica folk americana torna-se elétrico e volta-se para o rock.Horror e choque. Escolha seu momento : causos folclóricos, revelações e confirmações de situações históricas, corações partidos e declaraçoes acidas de ex-amantes, alem de muita musica e poesia, contado por algumas das maiores figuras da historia contemporânea e pelo próprio Dylan, tudo filtrado e dirigido pelo maior cineasta americano da atualidade ( sorry Altman), Martin Scorcese.
Fazer um documentário sobre um artista reconhecidamente difícil de se lidar, alem das contradições contidas nas suas declaraçoes carregadas de ironia e sarcasmo não é uma tarefa fácil.Dylan é um artista que se tornou, aparentemente contra sua própria vontade, num semi-deus, mas Scorcese se mostra a altura e faz uma obra-prima.De verdade. Logo no inicio temos um envelhecido Dylan dizendo que sua vontade como artista sempre foi de fazer uma longa jornada , procurando por coisas não especificas durante esta trajetória e depois voltando pra casa, que ele nunca soube ao certo onde fica. Esta eterna procura de uma casa( no sentido de lar) é o mote do filme. Corta, entra uma versão furiosa de Like A Rolling Stone em 1966, que contem a estrofe que da nome ao filme.Continuando traçando as origens do caipira( pira-pora) de Hibbing, Minesotta, pertencente ao chamado Iron Range, temos a descrição de um quadro(desolado) do que seria sua casa, casa aqui no sentido de origem, alem de expor sua origem pobre. Região pesadamente dependente da mineração para girar a economia dos congelados grandes lagos, o garoto Robert Zimmerman desde cedo ligou-se a musica( basicamente country) para fugir a seu destino de trabalhar na pequena loja do pai ou trabalhar nas minas. Sua trajetória inicial em nada indicava que ali estava o herdeiro das mais caras tradições da musica folk americana, que diferentemente da breguissima musica country, era a musica da tradição do mito da ?Americana?,abraçada pela ?inteligentsia? americana, alem de ser trilha sonora oficiosa da então existente esquerda americana.. Se auto-intitulando um expedicionário musical, Dylan, já fora de Hibbing, e enrolando na Universidade de Minesotta em Minneapolis, se passou por um cantor pop de sucesso local(Bobby Vee), alem de roubar dezenas de Lp?s raríssimos de pesquisador Paul Nelson. Neste ponto Dylan já estava ligado na folk music, mergulhando firme na musica dos Weavers, John Jacob Niles, Odetta, John Cohen e principalmente Woody Guthrie. Mítico,Guthrie , todos sabem, foi a luz que guiou Dylan. A América estava em combustão, e a folk music era parte integrante do movimento dos direitos civis, que estava incendiando a América, e mudaria a historia, de todo o mundo, para sempre.E o epicentro da efevercencia artística ficava no Greenwich Village. Dylan desembarca no Village e em pouco tempo estava ligado a nomes como Dave Van Ronk, os Clancy Bros.,Allen Ginsberg, e depois Peter, Paul & Mary e Joan Baez.
Impossível não ficar fazendo referencias a técnica utilizada por Scorcese para contrapor este ambiente da folk music, que se achava sacrossanto, com as antológicas apresentações de Dylan na Inglaterra em 1966, aquela turnê do grito de ?Judas?! A resposta de Dylan não é menos antológica. Com escárnio, ele devolve: ?Eu não acredito em você, você é um mentiroso?. Alias a raivosa reação de grande parte da platéia mostra o quanto arriscado foi a decisão de Dylan de se tornar elétrico( leia-se rock?n?roll). A Band é chamada de banda pop ridícula, os fãs mais radicais ficaram revoltados, tudo isso retirado de sobras do ?Don?t Look Back,? de D.A. Pennebaker. Também existem trechos do filme ?Festival? de Murray Lerner, sobre o Newport Folk Festival, mostrando as vaias da platéia quando Dylan se apresenta pela primeira vez com uma banda elétrica. Depoimento do venerando Pete Seeger, dos Weavers, um bastiao da esquerda e do engajamento comunista dentro do movimento folk, mostra que até hoje esta mudança não foi bem assimilada. Seeger, e sua turma se sentiriam por anos traídos por Dylan, afinal Seeger tinha substituído Guthrie, e Dylan substituiria Seeger. Como aquele magrela caipira, que foi aceito no olimpo da esquerda intelectualizada, ousava dar as costas para a tradição e nobres propósitos do ?movimento?.Engraçado como é antiga esta discussão na arte e na musica pop, sobre integridade artística e o artista ?se vender?. Para os puristas, Dylan não poderia jamais se utilizar do vulgar Rock?n?Roll para passar mensagens, ou então não se corromper pelo comercialismo descartável do pop, verificado já naquela época( café pequeno comparado com o que viria depois). E qual foi a de Dylan? Um revolucionário que enxergou a emergência do rock como o principal porta-voz da contra-cultura? Um oportunista? Um dos principais poetas contemporâneos? Um mistificador? Tudo isso é claro, mas aquele papo que Elvis liberou o corpo, e Dylan liberou a mente, acaba sendo verdade. Não me parece que tudo tenha sido feito de forma intencional e planejada, mas sem duvida estes acontecimentos narrados no documentário são os momentos mais decisivos e influentes para o rock, e para a cultura pop em geral e suas circunstancias naqueles anos cruciais. Dylan, junto com Elvis e os Beatles, mudou o curso da historia. (continua)

segunda-feira, março 13, 2006

PRÊMIO HOMEM SEM NOÇÃO DO ANO 2005 - BAHIA

"Estou estupefacto!", disse o amigo aí em cima. Nós também...

Sejamos francos: juízo nunca foi o forte do ser humano. Desde priscas eras, o homem comete atrocidades contra o seu semelhante. Mata-se, estupra-se e pilha-se por Deus e o Diabo. Ironicamente, mais pelo primeiro. Ia começar esse texto dizendo que o Brasil, mais especificamente, a Bahia, era um lugar pródigo em gerar gente sem juízo, discernimento e respeito pelo próximo. Mas se assim o fizesse, estaria sendo injusto. O que dizer dos Estados Unidos da América, com seus assassinos aleatórios de McDonald's e presidentes autistas? O que dizer do Oriente Médio, com seu código moral e religioso medieval, homens bomba e mulheres de burka? Mas eu estou divagando. Maluco e irresponsável tem em todo lugar - alguns mais, outros menos - e na Bahia, não poderia ser diferente. Aproveitando o ensejo do Prêmio Rock Independente BA 2005, do companheiro Luciano Matos (já votou?), lanço aqui minha própria premiação. Na verdade, quando enviei meus indicados para Luciano, sugeri incluir esta categoria no Prêmio R.I. BA como uma provocação, uma chacota ao status quo local e alguns personagens, mas como ele não aproveitou a idéia (certamente, por ser um homem com noção, diferente deste rockloquista), resolvi encampa-la por mim mesmo, por aqui. O vencedor concorre ao Troféu Virtual Carlinhos Brown de Ouro, ou seja, P.N. A seguir, os indicados. Escolha seu preferido e envie seu voto para o email blogrockloco@yahoo.com.br. As votações encerram-se no mesmo dia em que se encerram as votações pro Prêmio R.I. BA 2005, 31 de março. Alguns eventos absolutamente sensacionais, por serem mais recentes, ocorridos já em 2006, infelizmente ficarão de fora, como Bono & Ivete no Camarote 2222 e Carlinhos Brown na direção do ex-palco alternativo do Festival de Verão. Mas eles não perdem por esperar, pois ano que vem tem mais.

OS INDICADOS:

1 - Discurso do maestro Zeca Freitas no show dos Retrofoguetes no Teatro Castro Alves - Esse verdadeiro gorila King Kong no palco mais chique de nossa cidade, em pleno Festival de Música Instrumental, rendeu no verão passado matéria antológica do ingresista Franciel Cruz, então em missão como repórter especial para este blog. Desnecessário falar mais. Apenas leia.

2 - Cachorro Grande tocando em evento com LS Jack no Wet n' Wild - Mico da organização, claro. Muita gente deixou de ver o primeiro show da ótima banda gaúcha em Salvador por razões óbvias. Não lembro a data.

3 - A programação musical insípida do Mercado Cultural - Tem uma Nação Zumbi aqui, um Vítor Ramil (milongueiro gaúcho, entusiasticamente recomendado por Wander Wildner) ali, mas no geral, a programação musical deste festival, que tinha tudo para ser um negócio realmente interessante, derrapa feio na falta de referências mais sólidas e antenas mais ligadas dos responsáveis pela seleção das bandas e músicos. Também rendeu matéria de Franciel Cruz, já na sua Ingresia. Leia.

4 - Comments anônimos nos blogs - Gente sem ter o que dizer, falando merda sobre o que não entende. Não preciso dizer mais nada, até porque não vale a pena.

5 - Júri do Claro q é rock chegando atrasado e perdendo show de Ronei Jorge E OLDB - Não sei se se eles tivessem chegado na hora, Ronei e sua trupe teriam ganhado a competição. Isso não interessa mais, a Inês já é morta. Mas o fato é que a pisada na bola foi feia. Esse tipo de coisa não pode mais acontecer, simplesmente, ou concursos do tipo perderão o resto de credibilidade que ainda têm.

THE RETURN OF TAPWIN - Mário Jorge me mandou um recado, que reproduzo a seguir, ipsis literis. "Olha só, o Estúdio Tapwin reabriu as suas portas, voltou a funcionar sob o comando do mesmo Moisés Gabrielli, figura legal que já tocou com deus e o mundo (até no Mar Revolto nos 70). Nesse estúdio foi gravado o primeiro disco da brincando de deus, "better when you love (me)", no início dos anos 90, além do Cravo Negro, várias faixas do disco Rock 96 e a maior das estrelas: Amelinha, tudo no duas polegadas de 24 canais analógico, que me emociona só de ver a fita rodando, tudo trabalhando em perfeitas condições até hoje, além do sistema digital que todo mundo tem (na Trip, Iggy Pop falou: 'a tecnologia pode ser boa se for mal usada', achei espetacular), uma sala aconchegante, tudo bonitinho e o velho e bom papo de Moisés. O estúdio agora funciona na Rua Irará, 71, Rio Vermelho, e o telefone é 3334-8132, falar com o próprio Moisés".

RESISTÊNCIA CULTURAL - Outro recado que recebi via email, um lance que é aquela coisa meio Glauber, como diria Zezão Castro. Vá, mas não me chame, OK? Do release:
O Projeto Sons de Canudos organiza no dia 11/03 durante todo o dia, o 8o. Encontro de Bandas de Pífanos do Sertão de Canudos e que contará com as participações dos seguintes conjuntos: Banda de Pífanos do Bendegó, Banda de Pífanos de São Paulinho, Banda de Pífanos de Poço do Vieira, Banda de Pífanos da Lagoa do Pires, além de tocadores mirim de Pífanos de Saõ Paulinho e Canudos Velho e Irineu, líder da Banda de Pífanos do São Francisco(Raso da Catarina). Não se trata de uma festa, mas sim de um encontro de músicos, artistas, poetas, camponeses e pessoas da região interessadas em ações e reflexões em torno da cultura popular sertaneja e será realizado na Serra do Sobrado, zona rural de Uauá/Bahia. Este trabalho de extrema resistência conta com o empenho de todos os participantes e com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Uauá. Esperamos em uma nova oportunidade tornar público a participação de interessados. Marcelo Rabelo - coordenador do projeto Sons de Canudos. bendego@atarde.com.br

MIRABOLIXIANAS - Nunnez, vocalista da Mirabolix, mandou email avisando que sua banda já está no MySpace. Fala, Nunnez: "Pra quem já está no MySpace é só adicionar; e pra quem ainda não faz parte, ainda está em tempo, hein? =] www.myspace.com/mirabolix Entrem e adicionem a banda."

AGENDÃO ROCK LOCÃO
(Agradecimentos ao site Bahia Rock pela pesca de alguns desses eventos.)

Curta no Extudo - Com os vídeoclipes: Canal Zero, Plane of Mine, Stancia, Sangria, Soma, Radiola, Ronei Jorge e Zambotronik. Fotos: "black 'n' white/rock 'n' roll", Josh Horário: 20:30h Entrada franca Restaurante Extudo, Rua Lídio de Mesquita, 04 Rio Vermelho, Tel: 3334.0671 / 4669.

Berlinda, Theatro de Seraphin , Vandex e Ronei Jorge & os Ladrões de Bicicleta - Sábado, 18/03, Horário: 22h, Ingresso: 10,00. Miss Modular, Ladeira da Paciência 3810- Rio Vermelho.

a u r o r a - Do release: Depois das 5 edições da série pulsar, que volta ainda em 2006, a soononmoon materializa um novo projeto, de estrutura compacta e alto impacto sensorial. aurora. trance de alta voltagem psicodélica, comandado pelos franceses do digital talk, um dos grandes mestres da frequência alien. djs:abduzido abduzidos , bone soononmoon , divinori soononmoon , e.t.s. soononmoon, fino environment sound , nazca soononmoon Ingresso:R$ 15,00 antecipado (à venda nas lojas chilli beans) R$ 20,00 na porta é proibida a entrada de menores de 18 anos apresentação obrigatória de RG Sítio Aurora - estrada do cia.

Plane of Mine e Mirabolix - Dia: 17/03 (Sexta-feira) Horário: 22:00Local: The Dubliners Irish Pub (Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra - Próximo à Praia do Porto) Ingresso: R$ 10,00 (com direito a 2 bebidas *)* Refrigerante, cerveja ou água. Não aceita cartões de crédito/débito, nem cheque. Informações: Catarina - 8116-1500 www.planeofmine.com
www.myspace.com/planeofmine / www.mirabolix.com / www.fotolog.com/mirabolix

Dieguito's Aid - Do release: dia: 17/03 (Sexta-feira) com as bandas Los Canos, Vinil 69, Radiola e convidados dia: 18/03 (Sábado) com as bandas Los Baganas, Plane of Mine, Hajoe, Stancia e convidados Horário: 22:00 Local: Seven Inn (Rio Vermelho) Ingresso: R$ 10,00 (quem quiser paga mais) Sábado (04/03), o grande amigo e guitarrista Diego Andrade teve seu carro roubado no Campo Grande. O problema não foi só esse: dentro do carro (que não possuía seguro) estavam todos os seus equipamentos: Amplificador Fender Stage 112 1X12, Guitarra Fender Stratoscaster, - Guitarra Epiphone Les Paul e pedaleira com 8 pedais!! Algumas bandas prontamente se organizaram para ajudá-lo, nascendo assim a idéia do Dieguito's Aid. Segue abaixo a programação dos shows que serão realizados nesta sexta e sábado (17 e 18), na Seven inn (Rio Vermelho) às 22h. O ingresso custará apenas R$10, mas quem quiser pode contribuir com mais!

Rockell Fest 2006 - com as bandas: Minerva, Eskaravelho, Oscarina, Under Prexion, Loud, Incárcere e Out Space. Dia: 26/03 (Domingo). Horário: 16:00. Local: Idearium (Rio Vermelho)Ingresso: R$ 5,00.

Lançamento do cd da Contenda - com as bandas: Contenda, Contra (AL), Automata, Escato e Dedo em Protesto. Dia: 25/03 (Sábado), horário: 19:00. Local: Idearium (Rio Vermelho) Ingresso: R$ 5,00. Ingresso + CD: R$ 10,00. Ingresso + Camisa: R$ 15,00. Ingresso + CD + Camisa: R$ 20,00 Contatos: boderecs@walla.Com / Roberto: 9197-2338 Maiores informações: www.Myspace.com/contenda e www.fotolog.com/boderecords
HORA DO ROCK 16.03 - Do release: O Hora do Rock desta semana destaca o disco novo de Morrissey, "Ringleader of the Tormentors", a banda nova de Jack White, The Raconteurs, o disco novo do Primal Scream que vai ser lançado em junho e o som do Happy Mondays, The Stone Roses, Ryan Adams and The Cardinals, The Strokes, Jet, The Greenhornes, Lloyd Cole, David Bowie e Kings of Convenience. Para ouvir: 90,1 (Globo FM), toda quinta às 21h. Quem não mora em Salvador pode ouvir pelo site www.gfm.com.br Aproveito para lembrar que o Hora do Rock concorre a melhor programa de rádio/tv no Prêmio Rock Independente Bahia. Dá para votar por e-mail. Para saber mais, acesse o site do prêmio, http://premiorockba.v10.com.br/index.htm.

terça-feira, março 07, 2006

TEU SORRISO ME FAZ CAIR / NUM MAR DE CALMA E NAVEGAR (atualizado Prêmio Rock Independente BA 2005)

PRÊMIO ROCK INDEPENDENTE BAHIA 2005 NO AR - Opa, opa, são 09:57 de sexta e acabei de receber o email de Luciano Matos liberando a divulgação e a votação para o segundo ano desta iniciativa muito bacana do menino El Cabong. Pena que este ano a votação não vai ser no próprio site, tem que mandar email com seus escolhidos. Mas vão lá votar que a idéia é muito boa e merece nosso apoio, tem que fazer barulho em torno disso, chamar a atenção, mesmo. O site do prêmio é o http://premiorockba.v10.com.br/. Vão lá e votem com jeitinho.
Na tarde do sábado passado estive no ensaio da Berlinda, nova investida de Batata (guitarra) e Cebola (baixo) no rock, mais os novatos (imagino) André Blhoem (vocal) e Alex Souza (bateria) e que banda legal eu descobri, galera. Simples, sem querer inventar a roda, mas cheia de canções bacanas, riffs saborosos (cortesia de Mr. Potatoes), e melodias vocais assobiáveis. Para que vocês entendam melhor, reproduzo abaixo o release que escrevi a pedido dos meninos. Ah: o título do post é trecho da letra (assinada por Batata) da música Quando ficamos sós (e eu que achava que Batata mal sabia assinar o nome... Ops, calma, Batata, eu tô brincando. O que você tá fazendo com essa garrafa de cerveja, opa, peraí, larga essa garrafa, Batata! Larga! Saai!!! Aaarrghh!!!). CRASH! PLINC! PLOINC!

BERLINDA: BELEZA INDIE COM PEGADA ROCK

Mais ou menos dos últimos dois anos para cá, músicos, jornalistas e fãs que acompanham a cena rock baiana estão em estado de graça: ninguém se lembra qual foi a última vez em que tantas bandas boas, de vários estilos diferentes, surgiram de uma vez só. Esse processo de renovação no rock baiano, claramente atrelado ao novo fôlego e visibilidade que o fenômeno Pitty deu ao movimento, encontra eco tanto nas bandas formadas por jovens recém saídos da adolescência (Canto dos Malditos na Terra do Nunca, Mirabolix, Plane of Mine), quanto nas veteranas em ótima forma (Cascadura, Retrofoguetes), quanto nas bandas novas formadas por trintões, ex-integrantes de bandas importantes nos anos 1990 e 80 (Sangria, Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta, Théatro de Séraphin, ZecaCuryDamm).

Toda essa enrolação, na verdade, é para dizer que você pode acrescentar aí na lista dessa última categoria mais uma ótima banda: Berlinda. Indicada aos fãs de bandas como The Smiths, Velvet Underground, Galaxie 500, Teenage Fanclub, e, aqui na Bahia, brincando de deus - todas elas, fortes influências no som da banda -, a Berlinda não se diz estritamente indie rock (estilo que, infelizmente, muitos ainda vêem como palavrão), mas periga seriamente arrebanhar todos os órfãos que o extinto (ou congelado) baluarte indie baiano deixou, desde que interrompeu suas atividades no ano passado.

Firmemente calcado nos econômicos e melodiosos riffs emitidos pela guitarra de Adriano Batata Gomes, (ex-Arsene Lupin, banda importante para o estilo na Bahia na década passada), o som da Berlinda não tem muito mistério, não: canções simples, carregadas de uma beleza agridoce, conduzem gentilmente o ouvinte para outro lugar, algum local de clima mais ameno, longe do calor inclemente que ora tosta o juízo dos soteropolitanos. A voz cristalina da revelação André Blhoem, um fio de rara delicadeza, costura, entre paredes de guitarras, belas tramas em tons sépia, de uma beleza arrebatadora. Adicione à receita a pegada forte e precisa, da cozinha formada por Cebola (Tequillers) no baixo e Alex Souza na bateria, e sua nova banda indie preferida está formada.

Não dá para dar outro prognóstico, não depois de ouvir um clássico instantâneo como "Até o fim": bateria tribal, riff serra elétrica, baixo dotado de algum groove (mas não muito!), melodia vocal inserida entre palhetadas urgentes. E ainda tem um breque ali pelo meio, pra todo mundo pular na volta. Uma curtição, na melhor tradição indie.

"Até o fim", com sua letra oscilando entre o romântico e o irônico, é bem representativa da produção da Berlinda, e apenas um exemplo do que a banda ainda tem por apresentar. Com sua primeira demo prometida para junho deste ano, daqui até lá o jeito é se contentar com os shows, e devem rolar alguns nesse período, de forma que, se eu fosse de dar conselhos, este seria o seguinte: não perca por nada, ou o próximo a cair desatualizado, na Berlinda, pode ser você mesmo...


COLETÂNEA DE GRÁTIS - O Cascadura está participando da coletânea "Achados e Perdidos - Um Tributo aos Anos 70", produzida pela independente Válvula Discos, um projetão reunindo 27 bandas do circuito alternativo brazuca fazendo regravações de músicas lado b, digamos assim, de diversas bandas, das grandes (Grand Funk, ZZ Top, Stones, Raul, Mutantes), às marginais (Módulo 1.000, Blue Cheer, Sweet, Mountain). Além do Casca, participam bandas como MQN (GO), Mustang (RJ), Hang the Superstars (GO), Mechanics (GO) e mais uma cacetada que nunca ouvi falar antes. É só ir no site da Válvula e baixar a zorra toda, com capinha e tudo. Vão lá e depois me digam se é legal, por que eu não tenho como faze-lo, oquei? Ah, a música que o Cascadura relê é Crazy mama, do Black and blue, disco de 1976 dos Stones. Fonte: http://ubbibr.fotolog.com/fabiocascadura/


PEGA PRA CAPAR NO UDC - A minissérie em sete edições Crise de Identidade chega neste mês ao seu último capítulo e o negócio é sério. Tem muito tempo que eu não leio uma série - especialmente da DC, já que na Marvel tem Brian Michael Bendis (Demolidor, Alias, Vingadores - A Queda) quebrando tudo - tão boa, tão absorvente (sem piadinhas, oquei?). Você termina de ler uma edição e fica ansioso o mês todo para chegar o próximo capítulo nas bancas. Nunca vi tantos heróis do garboso Universo DC alquebrados, temerosos - não pelas suas vidas, mas pelas de seus parentes e entes queridos. Isso sem contar que nela, ficamos sabendo de vários podres do passado da Liga da Justiça, trairagem da grossa entre eles mesmos: inclua aí assassinatos, lavagem cerebral e mentiras deslavadas. A contagem de corpos aumenta a cada edição. Enfim: coisa séria, envolvendo quase todo o UDC, e que se desdobrará em conseqüências graves por quase todos os títulos da editora. Você nunca viu aqueles uniformes tão sujos de lama. Quem acompanhou, acompanhou. Quem não acompanhou, aguarde uma provável edição encadernada a ser lançada pela Panini em algum momento deste ano. Ah: Crise de Identidade foi escrita pelo romancista Brad Meltzer (tem uns dois romances dele lançado aqui no Brasil, mas eu esqueci os nomes) e desenhada por Rags Morales. Para saber um pouco mais e sentir o climão da série, leia aqui o review do Universo HQ do penúltimo capítulo.

KASHMIR STUDIO - O companheiro Cândido Nariga McFly Martinez Júnior (guitarrista da Theatro de Seraphin) manda avisar que seu estúdio de ensaios, batizado Kashmir Studios, está estalando de novinho em folha, só esperando sua banda. Como eu não saco picas (ui) de equipamentos, não posso falar nada sobre isso, mas suas luxuosas instalações contam, além da bela decoração grafitada (cortesia de Miguel Cordeiro e Marcos Rodrigues), com uma geladeira cheia de cerveja gelada (não incluída no preço do período, claro), um toca discos de vinil e a bela coleção de McFly para ouvir no intervalo e dar inspiração aos músicos. Ah: o preço do período é negociável. Então o negócio é chorar. Liga lá: Kashmir Studio, Condomínio Pedra do Vale, Bonocô (local com estacionamento). 3255-0286 / 8165-9119.

ATALHO CONVIDA - Lou, Malcom e Astronautas (PE) - The Best Hall. Quinta-feira, dia 9.

FESTA NAVE - Indie - Pop - Glam - Punk - Garage - Lo-Fi - Rock Brasil - Shoegaze - Black - Electro - 60's - 70's - 80's - 90's - 00's DJs: el Cabong, Janocide, Lucas Albarn, RJ x Schneider, Queen Mary. 11.03.2006 23h R$10 (R$8 até meia-noite) Miss Modular (Morro da Paciência, 3810 - Rio Vermelho) Salvador-BA Contato: festanave@gmail.com Fotolog: www.fotolog.com/nave_

O RIO VERMELHO VAI PEGAR FOGO!!! - Paulinho Oliveira e King Cobra voltam ao Calypso. Sábado dia 11.03 22:00 h Calypso - Rio Vermelho

Work Show de Aquiles Priester (Baterista do Angra) - PsychOctopus TourTeatro Módulo - Av. Juracy Magalhães, Pituba. 15/03/2006 INGRESSOS: 1º LOTE - R$20,00 (preço promocional até 10/03/2006) 2° LOTE ? R$30,00 ( preço promocional com 1 Kg de alimentos não perecíveis. TARDE DE AUTÓGRAFOS: 15/03 Loja de instrumentos musicais 3º Tom - Ondina (para50 Primeiros ingressos) PONTOS DE VENDAS: MANIAC RECORDS: 3354-1735, ANDARILHO URBANO: 3450-4533, SMILE STAMPS: 3322-1907 / 3494-9386 e ALPHA VÍDEO: 3494-5728. INFOS: www.maniacrecords.com.br e 3354-1735 Obs: Vendas de merchandising no local e sorteio de diversos brindes. HORÁRIO: 19:00h DURAÇÃO: 2:30

HORA DO ROCK 09.03 - Hoje (quinta-feira) tem Hora do Rock. O programa vai apresentar uma faixa do ótimo disco Ballad of the Broken Seas, fruto de uma parceria entre Isobel Cambell e Mark Lanegan, além de Cosmic Rough Riders, Vaselines, Sebadoh, Neutral Milk Hotel, Arctic Monkeys, Bloc Party, Clap Your Hands and Say Yeah, Fiona Apple, Beck, Air, Stereolab, Radiohead e Pulp. Para ouvir: às 21h na 90,1 (em Salvador), ou pelo site http://www.gfm.com.br/.

quinta-feira, março 02, 2006

MAIS DE MIL PALHAÇOS NO SALÃO

PERSPECTIVAS 2006

Existe uma convenção tipicamente brasileira, que diz que o ano só começa mesmo depois do Carnaval. Permitam-me desdizer esse conceito este ano, afinal, 2006 começou quente, com uma verdadeira visão do inferno: Bono Vox cantando Chupa toda com Ivete Sangalo em pleno Farol da Barra. Reconhecidamente um gentleman, o irlandês segurou a onda e era todo sorrisos, mesmo com a presença fétida de Preta Gil grudada em seu cangote, desesperada para aparecer, como sempre. Sábio, mesmo depois da lambança total daquela quinta-feira fatídica de Carnaval, Mister Vox recolheu-se numa mansão à beira mar em Interlagos (litoral norte) na sexta, fez as malas e se pirulitou para o Chile no sábado mesmo, antes que pintasse uma parceria com o pessoal do Psirico (o que não seria tão absurdo, já que "o Psirico pede paz"). Mesmo assim, o estrago já foi feito. Bono já é garoto propaganda da Bahiatursa, do camarote de Gil, do buffet de Lícia Fábio, do acarajé da Dinha, do bloco Eva, da cantora do Cheiro e do biodiesel de Lula. Todo mundo tirou uma casquinha do irlandês e deve capitalizar em cima disso. Que roubada. Teve também os Stones em Copacabana, já exaustivamente examinado e debatido aqui, ali, acolá e alhures. Mas 2006 nos reserva outras surpresas. Algumas dá para adiantar e rolar uma expectativa. Outras ainda jazem no campo do imponderável. De uma forma ou de outra, o seu blog Rock Loco estará lá (digo, aqui), dando a real dos fatos. Ou algo parecido. Vamos por tópicos.

Cascadura novo na Outracoisa - Um dos discos mais esperados do ano pela comunidade rocker soteropolitana (e por que não dizer, paulistana, goiana, cariocana e o escambau?), espera-se que confirme a ótima fase de Fábio C. como compositor e performer, iniciada no álbum de 2004, Vivendo em grande estilo. O quarto disco da Cascadura está previsto para sair encartado na edição de março da revista, mas só deve chegar nas bancas daqui em finais de abril ou maio, por conta da detestável distribuição setorizada, prática que os leitores de quadrinhos de fora do eixo Rio / SP conhecem bem. A não ser que os próprios Cascas se encarreguem de trazer um lote por fora para dar conta da demanda inicial, distribuindo-o pelas lojas do circuito independente local (São Rock, Mídia Louca, Berinjela, Ajuda 39, Maniac, entre outras), o que não seria má idéia.

Festival no Rock in Rio Café - Em abril, teremos um festival (acho que ainda sem nome) reunindo algumas bandas "de fora" com grandes nomes locais como Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta, Sangria, Cascadura, Retrofoguetes e Automata. As bandas visitantes são Cachorro Grande (RS), Matanza (RJ) e Detetives (PR), todas a caminho do Abril Pro Rock em Recife, daí a coincidência de virem ao mesmo tempo, sendo Detetives a única ainda inédita em terras de Bono Vox cantando Chupa toda. Vai ser um fim de semana agitado. 21 e 22 de abril no Rock in Rio Café.

Caravana do Rock - Trata-se de um ônibus com nada menos que oito bandas do rock independente, de vários estados do Brasil, percorrendo o país e tocando em diversas capitais. Aqui em Salvador elas se juntarão à mais algumas bandas locais e armarão seu circo durante dois dias no Casarão Santa Luzia. Não disponho de mais informações no momento, então depois a gente põe esse tópico em dia.

Easy Dub All-Stars - O grupo que regravou o clássico Dark side of the moon do Pink Floyd no ritmo do dub jamaicano está cotado para tocar em Salvador, boato (ou fato, sei lá) que já andou sendo publicado nas colunas musicais locais. Na sexta-feira de carnaval, tive a oportunidade de ouvir o tal disco numa barraca de praia em Stella Maris e só digo uma coisa: o lance dá barato (ainda mais na praia). Não é 100% "da massuda", digamos assim, mas se vier tocar aqui mesmo, acho que vai valer a pena estar lá para conferir.

Eliminatórias regionais Claro q é rock 2006 - Ano passado foi aquele sucesso com o Placebo. Concha Acústica cheia (ainda que 80% das pessoas que lá estavam nunca tenham ouvido falar da banda que era a atração principal), boas bandas locais na disputa, som de excelente qualidade, astral no máximo. Este ano, parece que o grupo inglês Kasabian está cotado para fazer a maratona de eliminatórias regionais pelo Brasil. Com apenas um disco (lançado em 2004) na bagagem, a banda é um bom representante do neo-new-novo-novíssimo rock britânico (opa, não é mais, nos últimos cinco minutos, Lúcio Ribeiro já descobriu trocentas outras bandas novas que estão bombando nos clubes de Londres e Carapicuíba). O disco do Kasabian, homônimo, tem suas qualidades e um punhado de músicas bacanas, que se forem bem executadas ao vivo, prometem um ótimo show. Como nada foi confirmado ainda, ficamos na expectativa de um anúncio da empresa de telefonia organizadora confirmando ou negando a realização do festival, a presença de uma banda estrangeira e a inclusão de Salvador no roteiro do evento, bem como os outros detalhes (local, inscrições etc). Cruzem os dedos, todo mundo (quem tem banda para concorrer, principalmente).

TIM Festival em Salvador - Boato corrente desde fins do ano passado, Salvador merece uma versão pocket do TIM não é de hoje, a exemplo do que já acontece em capitais como BH e Porto Alegre. Parece que desta vez, vai. Demorô, até por que as irmãs Gardenberg, produtoras do evento, são daqui da Bahia. Tomara que venha, e com atrações de primeiro time, de preferência. E que também venha com o preços de ingresso acessíveis, claro. E que não esqueçam de incluir atrações locais para abrir (que não sejam da máfiazinha do dendê, tipo Davi Moraes, Preta Gil ou o Meteora, aí ninguém merece). Para o segundo semestre, portanto, continuem com os dedos cruzados.

SOTERO ROCK 2006: As bandas que você deve prestar atenção este ano - Que surpresas aguardam os fãs do sotero rock ao longo deste ano, ou pelo menos neste primeiro semestre? Que bandas novas surgirão, que bandas veteranas lançarão discos? Retornos, fins, rins e tripas. Acompanhe tudo comigo a seguir.

Começo com a grata surpresa que é Zecacurydamm, projeto que de ruim só tem o nome. Espécie de anti-Sangria (no bom sentido, claro), Zecacurydamm é um raio de sol no sombrio mundo rocker soteropolitano, com canções para cantar junto em volta da fogueira, a plenos pulmões (seja no Capão, Arembepe, ou numa casinha de sapê), com letras e melodias delicadas e cheias de sentimento, que devem cair no gosto dos fãs do Belle and Sebastian, Beatles e Mutantes (acho que a mais forte influência no som do grupo). Prestem atenção na belíssima voz de Damm (fã numero uno de Jeff Buckley), o cara canta muito. Um achado, mal posso esperar para ver ao vivo. (E eu posso até estar enganado, mas suspeito que o ZCD tenha potencial inclusive para extrapolar o meio rock e cair no gosto do público médio, ouvinte de fms e freqüentador de barzinhos).

Já a Berlinda eu ainda não ouvi, "mas minha filha ouviu e me disse que é muito bom, HÁ-HAIII! Ih-ih-iiiihhh!". Projeto de Batata (ex-Arsene Lupin) e Cebola (Tequillers), veteranos rockers locais, donos de referências enciclopédicas e reconhecido bom gosto. Quem ouviu, garante que mata a pau. Estréia na cena 18 de março no Miss Modular, não podemos perder isso.

As bandas do crescente circuito hardcore melódico / nü metal também merecem a atenção do observador mais atento. Bandas como Djunks, Mirabolix, Malcolm, Automata e outras que não me ocorrem no momento estão enchendo as matinês de domingo, seja no Miss Modular, no Idearium ou qualquer outro lugar, atraindo centenas de moleques - ávidos pelo rock 'n roll que fala sua língua -, que ainda não têm permissão dos pais para ficar até tarde na rua. Ótimo sinal de renovação, oxigenação e segmentação na cena. Que venham mais bandas no gosto da garotada e que esta acorra aos milhares para os shows.

Segundo notícias já veiculadas pelos jornais locais, a Canto dos Malditos na Terra do Nunca entra em estúdio com a puta velha Carlos Eduardo Miranda agora em março, para gravar seu primeiro disco pela Warner, fato adiantado neste blog, negado pela empresária do grupo, e agora confirmado pelos jornais locais e sites especializados. Vamo ver se o Véio (como é conhecido o veterano produtor e jornalista) tira leite dessa pedra. (Com todo o respeito pelos meninos e menina da Canto, mas eu simplesmente ainda não, uh, viajei no som deles. Contudo, vamos esperar os resultados no disco, com toda a boa vontade que eles merecem.)

Outras interrogações ainda pairam no ar do rock baiano. Algum outro nome da cena local será içado ao cenário nacional, à exemplo de Pitty, ou esse é um fenômeno que só se repete de vinte em vinte anos? Os Dead Billies vão voltar ou não? E os Retrofoguetes, como ficam? Quando lançam disco novo? Glauber (ex-Moscabilly) vai enrolar até quando para lançar seu trabalho e fazer shows? Messias G. B. (ex-brincando de deus) vai lançar seu trabalho solo ainda em 2006? Não esqueçam também de Paulinho Oliveira, que está com seu disco na boca do forno. Quando a Sangria vai lançar seu primeiro disco? Por alguma gravadora ou independente? Quem também ainda está devendo seu primeiro registro em disco cheio é a Theatro de Seraphin, devendo lançar ainda este ano, salvo engano. E quanto à Lacme, ótimo projeto de Jô Estrada (ex-Dead Easy, quem lembra desta banda?) e André T., quando sai? Quais serão os próximos passos de Ronei Jorge & OLDB, após o - muito bem recebido pela crítica - primeiro disco lançado em 2005?

Mais perguntas. A volta da Lisergia foi pra valer mesmo? Teremos disco? E Nancyta, quando lança um novo trabalho? (A propósito, já leram a coluna dela na Rock Press?) E a Brinde, quando fará seu retorno com a formação original aos palcos (e disco)? O Jazz Rock Quartet de Dom Lula Nascimento e Luciano Souza conquistará as novas gerações de rockers baianos? Bono vai lançar uma versão de Chupa toda em dueto com Ivete, produzido por Gilberto Gil? E aquela entrevista com Fábio Cascadura, prometida desde dezembro último neste blog, sai ou não sai (alô, Fábio!!)? O ano está só começando. Estaremos atentos à todos esses e outros questionamentos. Portanto, apertem os cintos e se preparem, pois a viagem promete fortes emoções à todos. (Não esqueçam de manter o saco de vômito à mão para qualquer eventualidade...).

HORA DO ROCK 02.03 - Especial Covers. Vai rolar Teenage Fanclub, Queens of The Stone Age, Ramones, Pixies, Belle and Sebastian, Lemonheads (e não é Mrs. Robinson!), Nouvelle Vague, Sonic Youth, Jesus and Mary Chain, Elvis, Stephen Stills, Neil Young e Johnny Cash. Para ouvir: às 21h na 90,1 (em Salvador), ou pelo site http://www.gfm.com.br.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

ROLARAM AS PEDRAS

E eis que nosso repórter especial Zezão Castro surge ontem à noite via telefonema para este rockloquista: "McCoy" (como ele me chama), "fiz uma matéria sobre o show dos Stones, publica lá no blog!" Eu: "sim, claro, Zé, com prazer. Você gostou?", perguntei, já sabendo a resposta. "Pooorrra, man, foi demais ver o velho Keith cantando 'Happy' mais uma vez"... Só aí caiu a ficha: "Você tava lá, maluco?", perguntei, me ajeitando na cadeira. "Tava, bicho. Voltei agora de tarde". "Velho, mande já esse texto pra mim, rápido!"

Rolaram as pedras

por Zezão Castro

As aventuras desta expedição rumo à terceira turnê dos Rolling Stones no Rio de Janeiro começam ainda em Salvador. Vôo partindo às 4, alguns números anotados num papel e a fé indelével de que alguém me atenderia ao chegar lá. De repente vejo Adonai, camarada de outras farras, na mesma fila de embarque, a caminho da casa do irmão, no Humaitá, em Botafogo.

²Minutos depois, após umas micro-algazarra nas alturas, já estamos eu, ele e mais dois camaradas daqui que conhecemos lá em cima, dentro de um táxi falando de cachaça, sinuca... Nascimento, o condutor, dando as dicas do bom e do pior. A primeira pichação que vejo, em tinta preta, num ponto de ônibus diz: "Só Jesus tira Pomba Gira, só Jesus tira Tranca Rua".

O sol já vai se levantando quando chegamos no Humaitá. O anfitrião, Jorge, nos oferta um dilema: duas cachaças mineiras e nos designa para diagnosticar qual a melhor. Mel para melar, violão, gaita e o som do Beggars Banquet, lançado pelos Stones em 1968. São apenas 9 da manhã.

Pela tarde, o amigo carioca Hélcio Pugliese, cenógrafo da Mocidade Independente de Padre Miguel e Caprichosos de Pilares, atende o celular e me permite usufruir de um canto (e que canto...) em sua casa, em Santa Tereza, ao lado da Lapa, comarca de travestis, estudantes, mendigos, traficantes, rockers, cocotas, sambistas, uma Babel com bar de forró, bilhar, som latino. Um maluco toca Cássia Eller, o Rappa, Ed Motta e a rua bomba.

Encontro o camacaense Lucas às 11h40 e o pensamento de ambos é: Copa já! No táxi, uma paraense de 32 anos nos revela: "Ron Wood está ali no Restaurante Aprazível, em Santa Tereza" (uma pausa)," mas não tô nem aí, se ele entrar aqui paga igual a todo mundo", arrematou. Penso em, imediatamente "pedir": meia volta, volver! E fantasio um belo episódio: lá chegando, entraria para jantar (embora só teria grana ali para água mineral), com mais sorte ainda, dois dedos de prosa com o cara... Volto ao mundo e o carro segue na madruga.

Copacabana nos primeiros momentos do sábado tem os famosos calçadões da Bossa Nova infestados por uma horda de loucos, vendedores de cerveja, etno-casais atados pelo euro, outros nem tanto, um coroa de cabelos gomalinados discutia em espanhol com sua acompanhante mais nova (flash de Almodóvar) e mariposas alugam seus vôos por uma onça.

Na frente, a geringonça metálica do palco com a passarela e a língua que move o mundo do rock. Rodas de violões, gente acampada dormindo em colchonete, e uma fila de uns 30 triciclos em frente ao Copacabana Palace em vigília rock.

Para pegar bom lugar foi precisei chegar às 16h30 do sábado, após pegar o metrô lotado da Estação Carioca e saltar na Siqueira Campos. Encontramos uma turma de locais na praia e logo um grupo de 6 pessoas estava em bom bate-papo sentado na areia. Até bolacha de chocolate e vinho circularam na roda. Tranqüilo demais.

O DJ Janot abre a noite com a versão groovada de Eumir Deodato para Also Spracht Zarathustra (1972), depois Barão Vermelho (mais uma dose/é claro que eu tô a fim), Chico Science (Maracatu Atômico), O Rappa, U2 (New Year's Day). O Afrorreggae vem na seqüência. É bem intencionado, com o discurso militante de "um só Rio, galera!", mas achei meio deslocado, papo pra ONG dormir.

Titãs vem lá pela 7 com repertório compacto e a jukebox rock'n'roll afiada com Flores, Homem Primata, Sonífera ilha, cover do Legião em Que país é esse. Muita gente gritando toca Raul e os paulistas mandaram Aluga-se, do Abre-te Sésamo.

PEDRAS NO CAMINHO - Antes mesmo que os Stones pisassem no palco, já se sabia que estavam a caminho pois os flashes pipocavam dos prédios em volta na direção da passarela. Eram mais ou menos 22 horas, palco escuro, quando, simultaneamente, as luzem acendem e o riff de Jumpin' Jack Flash rasga de lá pra cá. "Eta lelê, começou a zorra!" E tome-lhe It's only rock'n' roll, graçolas em portunhês: "alô galera" e a velha escola chuckberryana da dupla Wood-Richards girando a mil.

Darryl Jones no baixo e Charlie Watts bancam os alicerces. Sim, mais uma vez eu via os velhos Stones. Se o vocal já não é mais aquele, "Jeguer" ainda rebola e faz variadas caras e bocas e vai soprando a gaita. Ainda por cima ele fez da ex-modelo Luciana Gimenez, mãe de seu filho Lucas, uma nova Marquesa de Santos no reino do rock'n' roll brazuca. Os caras tão afiados e mandam Oh no, not you again, do novo A bigger bang, melhor que muita coisa que fizeram nos 80.

Estou a 50 metros do palco, atrás da ala vip, revezando palco com telão, rugas e acordes. Wild Horses leva uns poucos isqueiros a se acenderem e mostrou ao carioca onde a Blitz roubou a introdução de um hit. Midnight Rambler, do Let it Bleed - o momento mais bluesy do show. Live with me vem com speed de funcaço, o velho Bobby Keys mostra (bem) a que veio.

Ray Charles foi o homenageado da noite com "The night time is the right time", onde Lisa Fischer, a mesma backing vocal desde '94 (nota do editor: na verdade, desde 1989) faz às vezes de Margie Hendricks, das Raylettes. É o único cover do show.

Richards vai ao vocal em Happy, sobre uma garota libertária a quem pede seu amor para ficar feliz, Ronnie coloca uma guitarra havaiana no colo e faz os solos. A performance é convincente, clássica e embora a voz soe cada vez mais catarrenta, a la Dylan, manda bem.

Jagger volta, com nova roupa. Ron Wood dá uns beijos atrás do palco em uma loura em breve intervalo, vê-se pelo telão. Logo seguem com a disco music Miss You. Start me up (uma das mais festejadas pela galera, fruto de outras turnês por aqui e de uma propaganda de carro).

A chance dos mortais os verem de perto vem em Get off of my cloud, quando um palquinho se desloca. A massa se espreme em direção à direita. Vou na onda e fico uns quatro metros à esquerda de Charlie Watts, vendo a banda tocar pela costas. Em alguns momentos todos se viram para nós, celulares tiram foto. Ao som de Honky Tonk Women, o vagãozinho dá ré.

Só aí pagava o show. Vieram ainda Sympathy for the devil e minutos depois fecharam o show, voltando para o bis com You can't always get what you want. Urros e gritos com o hit Satisfaction, que nunca é demais ouvir de novo, principalmente se são os próprios Stones executando.

Ao fim do concerto de rock as galeras se misturam no vai-e-vem na beira mar, gente de todo canto. Dou um tempo olhando as caravanas e depois pego meu buzú lotado, pagando R$ 2 ao motorista pra saltar pela dianteira, sem registrar. Rio também é Brasil, Se todo mundo tem pegado sua ponta por que logo o motô não ia querer o dele? Sigo enfim, no bagaço, de companhia, só dezenas num ônibus cheirando a mato, suor e areia. Passo nos botecos do caminho, um maluco toca Marinheiro Só. Parto a mil e vou curtir o meu sono realizado mais uma vez. Acho que agora está bom, quatro shows do Stones já dá para ter o que contar aos filhos e netos, se eu chegar lá.

HORA DO ROCK 23.02 - O Hora do Rock desta quinta-feira fala sobre o show do Oasis no Brasil, disco novo do Futureheads, trabalho solo do vocalista do Ash (Tim Wheeler) e o Kaiser Chiefs sagrando-se grande vencedor do Brit Awards. O programa apresenta ainda o som do Pink Floyd, Syd Barrett, Love, Super FurryAnimals, Dogs Die In Hot Cars e PJ Harvey, além da elegância soturna deNick Cave e Leonard Cohen. Para ouvir: toda quinta, às 21h, na 90,1 (Globo FM). Para quem não mora em Salvador: www.gfm.com.br.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

WILD HORSES COULDN'T DRAG ME AWAY

Meia boca o alentado mega show dos Rolling Stones nas areias de Copacabana. Quer dizer, meia boca pro pé rapado aqui, que viu pela TV, através da transmissão maldita da Grobo, recortada por intervalos comerciais, intervenções irritantes de Zeca Camargo, e segundo o blog do jornalista Tiago Dória, atrasada meia hora (!!!) em relação ao que acontecia lá em Copa. Satisfaction nem terminara e os créditos já subiam na telinha. Assim não dá. Quem estava lá, como o venerando e veterano crítico carioca Jamari França, garante que foi um showzão, mas tenho lá minhas dúvidas, se é que tenho o direito de tê-las. Assistindo pela TV, tive a impressão de que Mick Jagger estava um tanto afobado (talvez pela pressão de assistir pela janela de sua suíte à multidão se aglomerando para assisti-lo desde de manhã, mais a expectativa de mais de um milhão de pessoas se acotovelando bem ali na frente), se atropelando nas letras das músicas e perdendo o fôlego, aqui e ali. Keith Richards e Ron Wood, loucaços de tanta caipirinha - e sabe-se lá que outros aditivos - distribuíam riffs aleatória e indiscriminadamente, errando direto (fato confirmado por alguns amigos músicos e conhecedores do repertório stoneano com quem conversei depois). Charlie Watts era a exceção, esse jamais perde a fleuma - nem o tempo, Deus o abençoe. O resto da banda cumpriu bem seu papel, afinal, é para isso que eles são regiamente pagos. O melhor momento para mim foi Wild horses, sempre emocionante. Night time is the right time, homenagem à Ray Charles, apresentou um belo dueto de Jagger com a vocalista Lisa Fischer, que manda muitíssimo bem, e junto com Bernard Fowler, acompanha os Stones desde a turnê Urban Jungle, de 1989, se não me engano. Mais veteranos ainda são o pianista Chuck Leavell e o saxofonista Bobby Keys, o último fazendo parte da família Stones desde o início dos anos 70. Os shows das turnês anteriores da banda no Brasil foram mais legais, mas possa ser que eu esteja errado, afinal de contas, nem lá eu estava. O pior de tudo é ver pela internet e jornais a cobertura da famigerada área vip, onde a gentalha grobal e / ou quase famosa compareceu em massa para a BL promovida pelas patrocinadoras do evento. Ávidas por espaço na mídia especializada, esta choldra ignara imediatamente se transmuta em fãs "desde criancinha" dos Stones, ao sabor da demanda do momento. Ontem, fãs histéricos de Jagger & Cia. Hoje, eles são fanáticos pelo U2. Semana que vem, estarão cheios de samba no pé, nas passarelas do eixo Rio / SP e nos camarotes da Bahia. E assim eu sigo chutando cachorro morto. Em todo caso, sempre é bom saber que as reações, mesmo que desprovidas de maiores efeitos, ainda existem. Tomara que o U2 seja menos pior... Amanhã eu posto alguma coisa sobre (a transmissão do) show dos irlandeses porraqui.

MENOS, LUISÃO! - O veterano guitarrista Luisão Pereira, que tocou na Cravo Negro nos anos 80 e na Penélope em fins dos 90 / início dos 00, está soltando (muito bem) o verbo em seu fotolog. Depois do textinho sobre o show da Jazz Rock Quartet que colei nos comments do post logo abaixo, o músico subiu o tom ao postar uma foto do grupo Djunks, cujo primeiro CD foi produzido por ele. No post, Luís exalta a batalha dos meninos, que botaram, em show com a NX Zero (SP), Mirabolix e Malcolm, mais de 500 pessoas no Idearium, ontem mesmo, enquanto "na sala de justiça modelar, roqueiros velhos baianos, depois de pousarem (sic) pra coluna social de jornal, ficam nas poltronas das suas casas assistindo Stones pela TV, rezando por uma volta do Dead Billies e achando que num domingo, véspera de semana de carnaval, só rola trivela e manivela em terras do dendê". OK, Luís, você tem razão em dar um ponto às suas crias, a molecada tá batalhando e conquistando seu espaço, e isso é ótimo, pois a cena vai se renovando por aí. Todos os méritos à eles. Respeito. A Mirabolix (ver post abaixo) é outro exemplo disso, aliás. Mas cá pra nós: ninguém é obrigado a curtir hardcore melódico (praia da Djunks), né man? Muito menos a encarar o Idearium em pleno domingão. À garotada, o que é da garotada. À "velharada", o que é da "velharada" (ainda que eu relute em me incluir aí. Afinal, não curtir hardcore melódico é sinal de que estou velho? Sinto muito, mas tenho certeza que não). Outro aspecto que acho interessante destacar é que, ao mesmo tempo que temos os roqueiros velhos no Miss Modular, a garotada se esbalda no Idearium, Espaço Insurgentes e outras casas mais à margem do circuito dos medalhões, o que sugere (mais) uma segmentação no rock baiano. Isso é ruim? De jeito nenhum, só demonstra o crescimento e amadurecimento da cena. A passos de tartaruga, mas e daí? Pelo menos a coisa tá andando... (Luís, fique à vontade para debater - ou não - com a gente aqui, OK? Este espaço está aberto pra você.)

SEPTUAGENÁRIO - Não, não é nenhum dos Stones, não ainda. É o Fantasma, protetor das selvas de Bangala, que, criado por Lee Falk em 1936, apaga as 70 velinhas este ano, com comemorações em todo o mundo. Este rockloquista aqui tem um carinho muito grande pelo herói, por ter lido muitas histórias do personagem publicadas em formatinho pela Rio Gráfica e Editora (atual Globo) nos anos 70 e 80, quando ainda usava o uniforme vermelho. (A cor correta é roxa, mas como no Brasil as gráficas de quadrinhos nunca foram lá grande coisa, durante décadas, tivemos o Fantasma vermelho, mesmo). O site Universo HQ preparou um especial muito bacana para comemorar a ocasião, com matérias, reviews e charge. Confere .

VH: A NOVELA CONTINUA - Depois dos rumores sobre o reality show para escolher o novo vocalista do Van Halen, Dave Lee Roth soltou a língua em seu programa de rádio nos EUA, dizendo que sua volta à banda é o que o público quer, e que "ninguém respeitará nada do que qualquer um de nós fizer até que façamos essa reunião". O rei das tesouras voadoras nunca esteve tão certo. (E eu adoraria assistir um show desses. Podem atirar as pedras, eu não ligo.) Fonte: Dynamite on line.

"QUEM TÁ NO ROCK É PRA SE FUDER" - Essa frase, largamente utilizada no métier rocker baiano desde meados dos 90, ganha seu real significado durante os quatro dias de Carnaval em que o Palco do Rock, iniciativa do ACCR (Associação Cultural Clube do Rock), arma seu circo no coqueiral de Piatã. Quem for de encarar, que confira a programação no site e boa sorte (você vai precisar).

DON'T DISTURB - A partir de quinta-feira (23), entro em estado de hibernação, no conforto aveludado (em vermelho) do meu ataúde. Quarta de Cinzas a gente se fala.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

DESTRUA O CÓDIGO DE BARRA! DESTRUA O CÓDIGO DE BARRA!

Quem acompanha esse blog já deve ter percebido que não curto harcore melódico. Especialmente as bandas da segunda metade dos anos 90 para cá. CPM 22 é um horror. Do Dead Fish, só acho legal uma única música (o hit "Você"). Desconheço e também não sinto a menor falta de bandas como Dance of Days, For Fun (nacionais), Dashboard Confessional, A.F.I., (gringas) e similares na minha vida. Por isso meu susto quando pus o primeiro CD da Mirabolix, banda local, pra rodar no CD player. Quando Revés de si um bemol (título do CD) começou com a faixa Redemoinhos, pensei: "Ai meu Deus, eu detesto hardcore adolescente, vai ser chato pacas detonar o CD dos garotos assim, na lata". Respirei fundo e fui ouvindo o disco, cioso do ofício jornalístico.

E não é que me surpreendi? E foi logo na segunda música. Pular no mar começa com uma melodia bacana, não que o som da banda tenha mudado radical de uma faixa para outra, de jeito nenhum. Acontece que a música é, simplesmente, massa. Depois de começar rock, ela vira uma marchinha de carnaval (com direito à trompa tocada pelo baterista Davi Cokeiro), e acreditem, ó incréus, ficou astral. E se no show tiver trompa e tudo, a coisa toda deve virar uma festa.

Aliás, nunca vi a banda ao vivo para checar se funciona, mas desconfio que Rafael Goiaba Nunnez tem potencial para ser um dos melhores vocalistas de sua geração. O rapaz ainda carrega um certo tom adolescente na voz que pode fazer rockers mais véios e tradicionais (como eu?) descarta-lo de cara, mas se for ouvir com mais calma, percebe-se que ele encaixa as letras em português direitinho, vai do sussurro ao grito com aparente desenvoltura (como em Agressões noturnas, penúltima faixa), tem potencial mesmo. Como de resto, a banda como um todo, aliás. Ninguém se destaca como instrumentista, tipo "Num Sei Quem toca pra caraaaalho". Não, todos parecem estar no mesmo nível, dando uma coesão bem visível no som da banda, cada um trabalhando pelo todo.

A sétima faixa, Naked by, lembra um pouco a clássica Crack Hitler, do Faith No More (álbum Angel dust), ainda que careça do óbvio savoir faire superior da banda de Mike Patton. Mas vale a pena ouvir, pois em condições digamos, alteradas de temperatura e pressão, as passagens de diálogo da letra - nonsense total de Goiaba Nunnez - podem render boas risadas (não sei se foi essa a intenção, mas se não foi, mal aê):

"- O código não bate! Não bate nas entrelinhas...
- Repita por favor.
- O código não bate!
- O tempo está passando meu caro...
- Mas a pia já está aberta.
Pra lavar minhas mãos.
- Destrua o código de barra! Destrua o código de barra... Que porra!"

Já a balada Ciscos na imensidão tem passagens que lembram Pearl Jam. Na verdade, as influências todas são bem marcantes (grunge, hardcore, alguma MPB), mas se diluem razovelmente no som da banda, que faz um esforço visível para soar original. (Coisa que aliás, não deveria preocupar. Tem que desencanar e fazer seu som. Ser original é conseqüência.)

Sendo mais direto, o disco é irregular. Tem faixas (ao meu ver) supérfluas, como Redemoinhos, Tudo de novo; começo sem fim e Já passou. Da mesma forma, tem faixas que denunciam seu potencial de criar boas canções no quilo para agradar - tanto a garotada que assiste a MTV, quanto doidões mais escolados e desencanados, se é que vocês me entendem.

Ouça com especial atenção, além da citada Pular no mar, as faixas 1993 (talvez uma tentativa de fazer algo similar à 1979 do Smashing Pumpkins), Mundo velho (influência do Los Hermanos do primeiro disco?), Vamos ter que mudar o final (ei, Los Hermanos de novo! Mas é no bom sentido. A trompa e as palmas ficaram bala. Aliás, adoro música com palmas. Talvez a melhor do disco.) e A vez do nunca (baladinha acústica que leva violino, violoncelo e oboé no arranjo, fechando o disco com classe).

Não poderia deixar de citar o capricho que a banda teve com a parte gráfica do CD. A capinha e o encarte são muito bem cuidados (para quem não entendeu o palhaço com o nó de forca da capa, a explicação está na letra de Ciscos na imensidão: "Inventei / mil palhaços que se enforcam aqui / pra sorrir / ao verem o sol").

Apesar dos pesares, de algumas letras bobinhas falando de relacionamentos de forma algo empolada e colegial (talvez uma dose de bom humor e despretensão lhes fizesse bem), é um bom começo. Tem um potencial interessante aqui. Acho que vai valer a pena acompanhar a trajetória dessa rapaziada.

A Mirabolix é Rafael Goiaba Nunezz (vocal), Bernardo Von Flach (baixo e berros), Maurício Tokimatsu (guitarra), Matheus Brasil (guitarra e violão) e Davi Cokeiro (bateria, trompa e escaleta).

O CD Revés de um si bemol foi lançado pela aTalho Discos, com distribuição nacional pela Trattore.

Site oficial.
Fotolog.

MORRISON NEWS - Eu tento, mas não consigo ficar um post sequer sem falar de quadrinhos. Menino Grant Morrison, um dos melhores escritores dessa mídia em todos os tempos, tá do jeito que eu gosto: até aqui de trabalho (não faz marola, não). Então, vejamos: o cara acabou de entregar à produtora New Line o roteiro cinematográfico de We3, que foi uma das obras mais impactantes de 2005 e deve chegar mês que vem nas bancas soteropolitanas - aguarde resenha rockloquística. Atualmente, está escrevendo All-star Superman, elogiadíssima revista que está livrando a cara do Homem de Aço, que sofre nas mãos de escritores medíocres há décadas. Entrementes, o careca-escocês-ocultista-psycho ainda está envolvido em 52, série semanal da DC que será desenvolvida em parceria por ele e mais três outros escritores da casa do Batman (Geoff Johns, Greg Rucka e Mark Waid), enfocando o que aconteceu no ano que se passou entre o fim da Crise Infinita (não me pergunte) e o retorno à programação normal da editora. Por falar em Batman, a notícia do ano: em agosto, Morrison assume o título do Homem Morcego, por pelo menos 15 números. Yeah! E pelo jeito, vai ser bala, pois o insano pretende retornar o personagem ao estilão dos anos 70, quando fazia um gênero meio James Bond, menos soturno, cheio de traquitanas tecnológicas ultrapassadas (Batcóptero, Batplano) e não tinha medo de beijar as mocinhas. Lesgal. Tem mais? E como: Morrison pretende lançar - até 2008 - um álbum capa dura com diversas histórias - ilustradas por artistas vários - dos Invisíveis, sua obra magna, nos moldes do álbum Sandman: Noites sem fim. Para encerrar, o workaholic ainda assume no selo Wildstorm o título dos Wildcats (que já passou até pelas mãos mágicas de Alan Moore). Porra, que horas esse cara vai no banheiro? Aproveite que já está aqui e conheça o site da figura: http://www.grant-morrison.com/ (Fonte: Universo HQ).

VAN HALEN NO FUNDO DO POÇO - Não, essa não dá para engolir. Diversos sites e agências de notícias estão dizendo que a banda pretende fazer um reality show, que nem o INXS fez no ano passado, para encontrar um novo vocalista. Como diria Cury, PQP! Eddie Van Halen só pode estar caquético. Por que não chama logo o Dave Lee Roth e resolve logo essa pendenga? Lee Roth é o cara, Eddie, se liga! (Fonte: Dynamite On Line)

DIS-CONECT - Malcom, Mirabolix e Canto dos Malditos - 16.02, Miss Modular.

PAULINHO OLIVEIRA CONVIDA - Stancia e Demoiselle. Dia 16/02 - Quinta feira, no Seven Inn (Rio Vermelho), 22 Hs.

1º ENCONTRO BAIANO DE BODY ART - FREAK EXPERIENCE - Do release: Com performances de djs, stands de tatuagem, piercing e acessórios. Vários profissionais estarão presentes tirando dúvidas e desmistificando alguns tabus que ainda são relacionados ao universo da body art. O clí­max do evento será uma "SUSPENSÃO" realizada ao vivo por profissionais de São Paulo, sugerindo aos expectadores um momento de catarse. Com Lou, Sangria e Lisergia - Horário: 21 horas Valor: R$ 10,00 Classificação: 18 anos. 17.02, Casarão Santa Luzia (Comércio).

TRIBUTO AOS ROLLING STONES - Cascadura e King Kobra. Transmissão do Show dos Rolling Stones diretamente de Copacabana. Na Zauber. Horário: 23:00 Ingresso: R$5,00

FESTA NAVE > Grito de Carnaval - Discotecagem: [Rock - Marchinhas - Carnaval das Antigas - Electro - Indie - Glam - Punk] el Cabong / Janocide / Pin x Denis/ Sompeba/ djgo18.02.2006 23h R$ 10 (R$ 8 até meia-noite) Miss Modular Morro da Paciência, 3810, Rio Vermelho, Salvador-BA.

JAZZ ROCK QUARTET - O Jazz Rock Quartet formou-se inicialmente, com a proposta de ser a banda de acompanhamento para a gravação do primeiro CD do guitarrista Luciano Souza (ex- "Os Minos", "Grupo Creme" e "Som Nosso de Cada Dia), mas a febre de palco logo bateu e os dinossauros voltaram. No repertório, Chameleon, de Herbie Hancock, Stratus, de Billy Cobhan, Red house, de Jimmy Hendrix e Cidade Vazia, de Milton Banana Trio, além de muitos temas de improviso, no estilo free que os rege, juntando jazz, rock' n roll e samba- jazz. No início, juntaram-se ao guitarrista o baterista Lula Nascimento (tocou com Miles Davis, Nina Simone, Wayne Shorter e foi residente nas baquetas da EMI Odeon em 1973 e 74), o baixista Didi Gomes (ex-Novos Baianos e a Cor do Som) e Tavinho Magalhães, que se reveza no baixo e na guitarra. Por sinal, foi ex-aluno de Luciano. Dom Lula, como é chamado no meio musical, é categórico ao dizer que "não existe esse negócio de jazz brasileiro, é tudo uma coisa só", ele afirma, do alto dos seus 64 anos. Já Luciano Souza conta que aprendeu a tocar com 5 anos de idade, tomando aulas com o professor Josmar Assis e, com os Minos, "fomos o primeiro grupo baiano da Jovem Guarda a gravar dois compactos pela Copacabana em 1967, antes de Raulzito e Seus Panteras", conta o veterano guitarrista. Lula e Luciano se conheceram no início dos anos 70, quando o baterista, após três anos morando nos EUA (tinha ido pra lá como baterista do pianista de bossa nova Dom Salvador em 1968 e acabou ficando e tocando no Greenwich Village, reduto do jazz novaiorquino). Juntos, os dois trabalharam como músicos no lendário selo JS Discos, de Jorge Santos, e formaram também a Banda da Luz, que, vez por outra fazia apresentações no circuito alternativo da cidade. Didi tocou com Luciano, informalmente na casa dos Novos Baianos em São Paulo nos anos 70, e depois, como banda de apoio de Pepeu Gomes,no início dos anos 80, retomando a parceria apos décadas de interrupção, ocasionada por problemas de saúde de Souza. Tavinho é o mais novo. Um dia, com a guitarra nas costas no ponto de ônibus em Amaralina, Luciano o abordou se oferecendo para lhe dar aulas no instrumento e aí, de uma relação aluno-mestre, brotou a amizade e depois se firmou a parceria. Todos tocaram juntos pela primeira vez no Parque de Pituaçu, em janeiro de 2005.
(Fonte: release.)

HORA DO ROCK 16.02 - Hoje (quinta) tem Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers Band e Thin Lizzy no Hora do Rock. Vai rolar também Talking Heads, Boomtown Rats, Joy Division, Roxy Music, New Order, Franz Ferdinand, Libertines e Green Day. Para ouvir: Globo FM (90,1) ou pelo site da rádio (www.gfm.com.br), 21h (ou 22 pra quem tá no horário de verão).

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

NO MATTER WHAT (atualizado Freak Brothers movie)

Badfinger, alguém? Quem gosta de Beatles, Big Star e Teenage Fanclub TEM A OBRIGAÇÃO de conhecer o Badfinger. Pena que a anta aqui só recentemente se deu conta disso... Depois eu conto essa historinha aqui, com mais detalhes. Fica aqui a sugestão para que alguém que conheça a banda melhor e há mais tempo que eu (Cebola, Nei, Márcio, Cláudio Esc) recupere-a do arquivo morto do rock e produza um texto bacana sobre ela. Tem vários dias que estou com uma música desses caras (a No matter what do título deste post) na cabeça e não consigo tirar de jeito nenhum. O que é ótimo, pois a música é linda demais. Aposto quanto você quiser que Gerard e Norman do TFC dariam um dedo para escreve-la. Bom. Como estou meio sem tempo esses dias, toma lá uma seqüência de notinhas cretinas - como o seu autor... Mais adiante essa semana, prometo um texto mais bacana e aprofundado - seja lá sobre o que for...

BOA NOITE - E Boa Sorte, é o nome do filme imperdível nas telas essa semana. Em preto e branco, George Clooney detona a caça às bruxas comunistas da época do McCarthismo (anos 50), nos EUA. Diz que a relação com o que acontece hoje em dia por lá é bem clara, sinal que o homem não tem medo de cutucar seus reacionários conterrâneos. O que é, enfim, um bom sinal. (Não à toa, ele mora na Itália. Mais um sinal de inteligência de Mister Clooney.) Tem que ver.

FIMDENITE - Depois de alguns contatos por email, iniciados depois que ganhei um daqueles brindes que ele sorteia em sua coluna, o sempre polêmico Humberto Finatti (também conhecido como Fimdenite, segundo me entregou Rogério Big Brother) incluiu uma menção elogiosa à este vigoroso órgão de imprensa alternativa em sua última coluna. Valeu, Finas. Espero poder tomar umas contigo algum dia... Leia a irada - e não é no sentido da gíria - coluna do homem aqui.

PIDONA - Visualize Melissa Auf der Maur. Agora imagine ela chegando pra você e dizendo: "Aí, chefia, estou à disposição, viu? Use e abuse". É, foi mais ou menos isso, não com essas palavras, claro, que ela falou pro Billy Corgan, se disponibilizando para tocar o baixo na suposta volta do Smashing Pumpkins ainda esse ano. Ah, Melissa, se todas fossem iguais a você... A notícia completa está no link aí em cima.

POP BALÕES NO AR - Um novo e bacana site sobre quadrinhos está no ar desde a semana passada. É o Pop Balões, que chegou bonito, com belas matérias sobre Joe Kubert e uma de suas maiores criações, o Sargento Rock, Stephen Bissete (parceiro de Alan Moore em Monstro do Pântano) e outras. Ainda não tem muuuito material, afinal, é um site recém-nascido, mas que promete, afinal, é desenvolvido por gente que entende do riscado: Zé Oliboni e Diego Figueira, colaboradores do Universo HQ, que é certamente o mais sério e confiável site sobre quadrinhos do Brasil. Vai lá e concorra à uma edição capa dura de Marvels, obra clássica de Alex Ross e Kurt Busiek. Só para terminar, saquem só o achado que é o lema dos caras: "Fique perto das coisas que você ama. E leve um bastão de beisebol para o resto." Tony Parsons.

RELANÇANDO EM GRANDE ESTILO - Estúdio Alvaro tattoo apresenta: Relançamento do disco "vivendo em grande estilo" com a banda Cascadura e participação das bandas Lou e Lacme. Dia 11/02 a partir das 23h na zauber multicultura (lad. da misericórdia, entrada pela pça da sé, atrás da prefeitura) entrada: r$ 10,00 + o cd = r$ 20,00. Dia 18/02 (tributo aos Rolling Stones) Com Cascadura e King Cobra,a partir das 21h (transmissão do show dos Stones direto do RJ), na Zauber Multicultura. entrada: R$ 10,00

FREAK BROTHERS & A MASSA - Os Fabulosos Cabeludos Freak Brothers, criação máxima de Gilbert Shelton (quadrinhista underground americano dos anos 60 e gênio do quilate de um Robert Crumb) voltam à mídia no seu primeiro desenho animado, feito de massinha, no estilo de A Fuga das Galinhas e Wallace and Gromit. Grass roots, título do filme, é baseado na hq de mesmo nome, uma das melhores e mais clássicas aventuras do trio de (malditos) hippies sujos cabeçudos. No filme, Fat Freddy, Phineas e Freewheelin' Franklin entram em ação para impedir que o governo ianque assuma o controle do mercado da cannabis, em uma trama cheia de conspirações, confusões e lesações (essa palavra existe?). Enquanto aguardamos ansiosamente a estréia do filme por aqui - nem que seja direto em DVD, vejam a primeira imagem do filme liberada pela produtora. Infelizmente, ainda não há uma data de lançamento.

HORA DO ROCK 09.02 - O programa volta esta semana com Grandaddy, Belle and Sebastian, Guided By Voices, Breeders, Stephen Malkmus, Cake, Nada Surf, Melissa Auf Der Maur e mais um monte de coisas. Semana que vem tem rockão com a colaboração do nosso querido Cláudio Esc, meu compadre: Thin Lizzy e Lynyrd Skynyrd. Pra ouvir? Toda quinta-feira, 21h (22h pra quem tá no horário de verão), na Globo FM(90,1). Para quem não está em Salvador: http://www.gfm.com.br.

KING KOBRA & STANCIA - As duas Bandas se reúnem no Miss Modular para um grande show de Rock'n Roll. A animação ficará por conta do DJ Everton. Quinta 09/02. Horário: 22:00hs Ingresso : 10,00.

JAZZ ROCK QUARTET - Eis que meu irmão mais novo (e mais esperto), Zezão Castro Jr., ressurgiu ontem me contando da banda que está produzindo, a Jazz Rock Quartet, liderada pelo veterano baterista Dom Lula Nascimento (que já tocou com Nina Simone, Elis Regina e o escambau), que conta em sua inusitada formação com dois baixos (!), um deles empunhado por Didi Gomes, (irmão do Pepeu). Segundo Zé, a Jazz Rock Quartet faz sua primeira apresentação sem muito alarde amanhã (sábado, 11.02) no nosso Miss Modular. Mais não sei, mas ele ficou de me enviar o release, o qual será disponibilizado por aqui mesmo. Fiquem ligados.

MANIAC METAL FIGHT - 3ª etapa. Com as bandas: ARKADIA , TEMPLARIUS, AQUERONTE. Sábado 11/02. Horário: 20H INGRESSOS: R$7,00. No Idearium (Rio Vermelho).

MATINÊ DO MISS MODULAR - Show com as bandas: Vinil 69, Starla, Pangenianos e Canto dos Malditos na Terra do Nunca. Domingo, 12.02. Horário: 15 horas. Valor: R$ 7.

FESTIVAL ARENA 1 - Bandas Radiola, Meteora, Los Canos e Radiozun. Domingo, 12.02. Horário: A partir das 17h. Grátis. A produção estará recebendo doações voluntárias de alimentos. No Parque Jardim dos Namorados.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

EX MACHINA

Taí: depois de ler o review do site Universo HQ, não esperava muita coisa de Ex Machina: Estado de emergência, encadernado com os cinco primeiros números da revista Ex Machina original nos EUA, publicada pela Wildstorm (subsidiária da DC). Nas bancas soteropolitanas já há uns bons 15 ou 20 dias, só parei para lê-la nesse último fim de semana e curti a mistura de super-heróis, política e comentário social da série assinada por Brian K. Vaughan (X-Men Ultimate, Y: The last man) e pelo fantástico desenhista Tony Harris (Starman). O lance é o seguinte: Mitchell Hundred, anteriormente o super-herói Grande Máquina, depois de alguns controversos feitos heróicos em Nova Iorque, abandona o combate ao crime, revela sua identidade secreta e concorre para prefeito, sem partido, de forma independente. O cabra vence a eleição e a história toda, por enquanto, se resume à acompanharmos o dia a dia de Hundred como o primeiro prefeito com super-poderes da história política mundial. Vaughan amarra sua narrativa com flashbacks de diversas fases da vida do protagonista. Ora vemos Hundred guri em 1979, ora em 1999, quando ganhou seus poderes, em 2000, quando começou a agir, 2001, quando ingressou na política etc. Ah, e qual seria o poder da Grande Máquina? Simples: ele é capaz de "falar" com qualquer máquina, analógica, elétrica, digital, mecânica, qualquer máquina. Por exemplo: ele diz "Emperre" para um revólver e pronto, o bicho não dispara. Seu maior feito, e o que garantiu sua vitória ao derrotar Michael Bloomberg (atual prefeito de NY na vida real), foi impedir o segundo avião de bater na torre sul do World Trade Center no 11 de setembro. O autor, infelizmente, ainda não mostrou em nenhum desses primeiros números como Grande Máquina conseguiu faze-lo, mas como a revista continua bombando nos EUA (faturou alguns prêmios Eisner), certamente isso deve ser assunto de alguma edição futura, bem como a verdade sobre a origem dos seus poderes, até agora desconhecida. Outro atrativo de Ex Machina é seu ótimo elenco de personagens coadjuvantes e ocasionais. O vice prefeito é um rasta - caxias como ele só, uma espécie de Grilo Falante para Hundred, sua consciência. Sua secretária de segurança pública é uma ex-chefe de polícia casca grossa que, em seu primeiro encontro com o protagonista, deu-lhe uma paulada nos cornos, destruindo o capacete do herói. Seu segurança é seu melhor amigo, apesar de meio burro. Tem a estagiária sexy, a artista plástica polêmica, o velho imigrante russo cabeça dura e outros, nenhum deles gratuito: todos parecem mesmo pessoas de carne e osso. Os prêmios ganhos pela série são merecidos: além da narrativa enxuta e que absorve o leitor, Vaughan se revelou um excelente redator de diálogos, sempre cheios de ironia e referências históricas e culturais (para salvar o leitor, a Panini incluiu um glossário bem didático nas últimas páginas desta bem cuidada edição). Tony Harris não decepciona quem já conhecia seu trabalho na saudosa série Starman, em parceria com James Robinson (onde anda esse ótimo escritor?). Na verdade, seu trabalho em Ex Machina é uma evolução em relação à sua série anterior: seu traço estilizado e elegantérrimo foge do convencional no que se trata de hq de super-heróis hoje em dia, muito distante daquele ranço infantilóide de mangá japonês, tão em voga nos quadrinhos do mainstream americano. Detalhado, o artista usa seus amigos e parentes como referências em fotos que ele mesmo bate para compor as cenas. Isso é demonstrado no making of que fecha a edição. Conclusão: Ex Machina daria uma puta série na HBO, pois dispõe do mesmo ritmo e inteligência demonstrados em algumas atrações do canal, como Nip/Tuck, Deadwood e The Sopranos. Ex Machina ainda pode ser encontrada nas bancas mais bem servidas da cidade (shoppings, hiper mercados, rodoviária), tem papel de primeira e custa R$ 19,90. Seu único defeito é conter apenas cinco histórias. Por mim seria o dobro. Minha opinião, contudo, não é compartilhada por outros apreciadores. Se interessou, confira outros reviews nos links a seguir:

Universo HQ.
Melhores do Mundo.

BREVE - Esse fim de semana dei uma (ligeira) atualizada no meu acervo com uns CDs quase recentes (Franz Ferdinand e Weezer novos) e outros nem tanto (Psychedelic Furs, Stray Cats, Beastie Boys instrumental, e a soberba série Atlantic Rhythm and Blues). Depois posto aqui uns comentários sobre alguns deles...

IEMANJÁ ROCK - no Miss Modular, com Cascadura. 02 de Fevereiro, a partir do meio-dia. R$15 (ingresso + caruru).

MÚSICA NO PORTO - Retrofoguetes e Navio Negreiro - Porto da Barra, dia 03, 18h. Gratuito.

ÚLTIMO DIA PARA VOTAR - O Prêmio London Burning de Música Independente 2005 conta com dois representantes baianos entre seus concorrentes: a Soma, na categoria Melhor DEMO/EP/CD-R, com Dramorama, e a Stancia, na categoria MÚSICA DO ANO, com Eu Que Já Roubei tantas Canções. Leiam o que diz no release sobre como votar:

"Para votar é fácil: você só precisa se cadastrar na comunidade London Burning (http://www.orkut.com/CommMsgPost.aspx?cmm=70798) no ORKUT e votar nos seus favoritos. Só lembrando que valerá apenas um voto por cada identidade cadastrada na comunidade. Do dia 20 ao dia 31 de janeiro será o prazo para a votação pela internet nas categorias abertas ao público e para o voto dos jurados escolhidos pela produção do Prêmio London Burning. Em fevereiro os vencedores serão revelados, numa grande festa no Rio de Janeiro. BOA SORTE!!!"

Bom, eu não vou votar por que não sou - nem quero ser - cadastrado em droga de orkut nenhum, não gosto desse negócio, e acho uma pena que haja esse empecilho para pessoas como eu. Também não custa lembrar que nunca ouvi nem o Dramorama da Soma nem a música da Stancia, mas teria o maior prazer em faze-lo (e de quebra, escrever uma resenha para este blog) se recebesse o material. Maiores informações: www.londonburning.com.br.