terça-feira, maio 16, 2006

ROCK LOCO ENTREVISTA - FLÁVIO LUIZ, 42: NERD DE CORAÇÃO, CARTUNISTA E QUADRINHISTA PROFISSIONAL

Eu não sabia onde estava me metendo quando resolvi entrevistar Flávio Luiz. Conheci-o quando trabalhei - por um breve período - no jornal Correio da Bahia, onde ele até hoje trabalha, apesar de estar de licença médica há alguns meses devido à uma inconveniente LER (Lesão por Esforço Repetitivo). Nossa empatia foi imediata. Fãs enlouquecidos e apaixonados por quadrinhos de todos os estilos e épocas, logo estávamos trocando revistinhas e muitas idéias e referências que vínhamos colecionando ao longo da vida. Tive a honra de ter algumas de minhas matérias brilhantemente ilustradas pelo seu traço firme, carregado de influências dos cartunistas da Mad, da bande desinée francesa e dos comic books americanos de John Byrne (X-men, Punho de Ferro), entre outros. Quando fui saído do Correio (ali pelo finalzinho de 2003), meio que perdi o contato de Flavinho, mas nunca deixei de admirar seu trabalho. Retomei-o só recentemente, quando soube que, finalmente, ia lançar o número 2 de sua revista Jayne Mastodonte, com uma festa na Companhia da Pizza (cujo proprietário, o famoso Portela, é também fã de Flávio, basta ver que vários dos jogos americanos e postais do estabelecimento são assinados por ele). Perdi a festa, mas entrei em contato para adquirir meu exemplar da Jayne em sua mão. Daí para entrevista-lo para o Rock Loco e para o site Pop Balões, foi um pulo. Profissional premiado, respeitado no meio quadrinhístico e requisitado por grandes empresas do sul do país para ilustrações que decoram desde latas de cerveja até capas de CD (ele está criando a arte do próximo CD da banda carioca Dibob) e aos poucos sendo descoberto no exterior (já teve três - lindas - ilustrações exibidas pela poderosa distribuidora Diamond Comics, a maior dos EUA, em sua seção Previews, aqui), Flávio ainda se queixa de ser pouco reconhecido na sua terra natal. Será que ele está errado? Acompanhe seu raciocínio rápido, seu estilo metralhadora giratória, histórias malucas e queixas nessa conversa franca - de nerd para nerd. E tire suas próprias conclusões. (Observação: essa é só a primeira parte da entrevista - o lado A de uma fita de 60 minutos. O lado B eu publico aqui assim que terminar de transcrever).

E eis que, enquanto eu ia postando esse material aqui, Flávio me liga para contar aos pulos que sua graphic novel O Messias, criada em parceria com o roteirista e jornalista Gonçalo Júnior (A Guerra dos Gibis, entre outros livros), será publicada pela Ópera Graphica. "Foi você que me deu sorte, Chicão"! Exclamava Flávio louco, do outro lado da linha. Que sorte que nada, Flavinho, O talento de vocês dois é que determina tudo. Que sorte que nada...

Ah, quase que eu me esqueço: para comprar sua cópia de Jayne Mastodonte número 2, é só mandar um email para flavioluizcartum@uol.com.br. Quem mora em Salvador também pode encontrá-la em algumas bancas pela cidade, na Pituba (Banca do Bené), Ondina, Graça e Corredor da Vitória. Recomendo, e em breve posto resenha dela aqui também e no site Fanboy.

Chico Castro Jr.: Começar do começo: qual foi sua primeira revista em quadrinhos, a que você lembra assim de ter mãos, lido, pirado e dito: "é isso aqui que eu quero fazer na minha vida"?

Flávio Luiz: Eu lembro da primeira revista em quadrinhos que eu tive em mãos, mas a revista que eu pirei e disse "é isso que eu quero fazer na minha vida" foi anos depois. Então são duas. A primeira foi em 1969, meu irmão indo comprar um acarajé, me veio com uma revista do Príncipe Namor, uma aventura com os Inumanos na capa. Eu tenho essa revista, digo, mandei buscar nos Estados Unidos.. Mas a primeira revista que me fez dizer ?é isso? foi a X-Men (americana) número 111, desenhada por John Byrne, com roteiro de Chris Claremont, de 1978.

CCH: Era os X-Men contra quem?

FL: Magneto. Digo, eles ainda não sabiam que era Magneto o vilão por trás da trama, era uma coisa deles no circo contra Mesmero, só que quem tava por trás era Magneto.

CCH: Eu me lembro de ler essa historinha numa Superaventuras Marvel, já nos anos 80.

FL: Eu chorei copiosamente quando a Fênix morreu.

CCH: Foi mesmo?

(Risos)

FL: Era X-Men maníaco desde menininho, mesmo. Enlouquecido. Daí comecei a querer fazer (quadrinhos), tal. Eu já colecionava, eu vou lhe dizer, era uma fase tão rica de títulos, tinha até as edições da (Editora) Bloch, do Iron Fist (Punho de Ferro), entendeu? Mas de impacto mesmo, de eu dizer "não, não existe coisa melhor no mundo", foi essa X-Men 111. Tanto é que eu tava até procurando para te mostrar.

CCH: E aí você começou a fazer cedinho, né? Ainda garoto.

FL: É, com 11, 12, na escola, um colega meu que já fazia e me mostrava e ele viu que eu desenhava cenas e super heróis, veio e disse "vem cá por que a gente não faz junto"? Aí eu fazia junto, e era na caneta Bic mesmo, pegava um caderno escolar, só fazia tirar a capa e aí passava tardes, dias mesmo, afundado ali. Estudava, lia coisas que para a minha idade eram cabeça demais. O pessoal ia pra rua, jogar vôlei, jogar bola, paquerar. Eu entrava na biblioteca e lia sobre o buraco negro, a explosão da supernova, essas coisas.

CCH: Pra dar idéia (pras historinhas)?

FL: Pra acompanhar o raciocínio que sobrava, que eu acho que é uma máquina. Quando a gente lê sobre os caras que faziam gibi, é isso: eles viviam fissurados em ficção científica, os caras que faziam o Super Homem...

CCH: Gardner Fox.

FL: É? NERD! Eu engano bem, mas eu sou nerd na alma, minha alma é nerd, certo? Eu tenho uma cara de bad boy, descarado, essas coisas, mas... NADA! Saca? Deixava de ir pras festas, as festas rolando, eu dizia "não, hoje tem Mulher Biônica" (seriado dos anos 70, spin off do Homem de Seis Milhões de Dólares, de Lee Majors).

CCH: Mulher Biônica?

(Risos).

FL: Eu era fã, apaixonado pela Mulher Biônica. Era um absurdo. Ficava sozinho, não saía, festa de aniversário, de parente? Era Homem Biônico, Mulher Biônica...

CCH: Você viu o episódio que é um crossover, que eles se encontram, têm uma missão juntos?

FL: Isso, eles se casam, depois tem aquela coisa do filho... Lembro disso tudo. Tem uma coisa na Mulher Biônica, por que eu gostava dela também? Ela era a cara de uma colega minha que eu era apaixonado, era a menina mais bonita da sala, era aquela coisa (cantarola a música de Lulu Santos:) "a menina mais bonita, também era a mais rica", e eu deitado em casa escrevendo gibi, entendeu? (Risos) Meu negócio era desenhar, ler gibi e assistir desenho animado. E até que, hoje em dia, continua a mesma coisa, entendeu?

CCH: Sei como é, eu me lembrei daquela música do Léo Jaime, que dizia "você vai de carro pra escola e eu só vou a pé, você tem amigos à beça e eu só tenho o Zé"!

(Risos)

FL: Eu só tinha o Marcos! Hoje ele é professor da UFBA e arquiteto. A Jayne (Mastodonte) nº 1 é dedicada à ele, é meu amigo há... 33 anos.

CCH: Desde guri, né?

FL: É. Do 3º ano primário até hoje, imagine? Unha e carne. Diga aí, que mais?

CCH: Influências. Quais são as principais no seu trabalho?

FL: Um pouquinho de tudo. Começou com a revista Mad, com o Gibi Semanal, que sempre tinha o Will Eisner, então só aí, já entra influência do lado do Will Eisner, das tirinhas, do humor da Mad, Harvey Kutzman, Jack Davis, Don Martin, todos os caras da Mad, Mort Drucker... Aí já entra caricatura, (fica pensativo) vamo lá, pererê, parará, (Editora) Ebal, com o Super Homem de Curt Swan, Capitão Marvel de C.C. Beck, Sargento Rock de Joe Kubert, todos aqueles títulos da Ebal, mas principalmente, John Byrne, que era assim, "Deus no céu, John Byrne na Terra".

CCH: Mas não hoje em dia, né?

FL: Não, hoje em dia... ainda ele, mas com certeza, outros, além dele. Hoje em dia já tá...

CCH: O cara tá meio gagá, né?

FL: É, ele tá pior do que era.

CCH: O cara "involuiu".

FL: Tem que saber a hora de parar, não dar uma de Romário...

CCH: É inacreditável o que aconteceu com ele e Chris Claremont, eles caíram muito, muito. Eu não consigo ler mais nada do Chris Claremont. Eu pulo as histórias dele numa revista.

FL: Confesso à você que eu não leio mais também, não. Hoje em dia eu só tenho pegado assim... é como eu te disse (antes da entrevista), eu tô pincelando muita coisa, é Kyle Baker, Alan Moore, Will Eisner (esse nunca deixou a peteca cair)... Muita coisa antiga, tô retornando àquela coisa de ler o que eu lia com 14 anos e que hoje em dia eu posso comprar no original, sem ser naquele infame formatinho. Por exemplo... Batman, eu gosto da linha Batman Adventures (revista no estilo do desenho animado). Não sigo (as revistas da cronologia oficial). Não sei o que é Azrael, não sei nada mais da revista de linha, mas eu sou fã do Batman do desenho animado, da revista do desenho, onde a historinha começa e termina no mesmo número.

CCH: E o Batman fase Neal Adams (desenhista dos anos 70 que resgatou o aspecto sombrio e ameaçador Homem Morcego pós seriado cômico dos anos 60)?

FL: Sim, gosto, lembro. Mas eu era mais o Batman Jim Aparo (outro desenhista, contemporâneo de Neal Adams). Batman de Superduplas (revista da Ebal)?

CCH: The Brave and The Bold (o título original da DC), né?

FL: É, isso. Comprava também Lanterna Verde, Flash, comprava de tudo. Mas se for fazer uma peneirada, eu gosto de Batman, gosto de coisas com um toque de humor, tipo Plastic Man (Homem Borracha no Brasil), do Capitão Marvel (Shazam), muito mais do que Super Homem. Quando ele começou a ficar muito certinho, cortei. Homem de Ferro, eu também gostava muito... Gostava de tudo, mas tinha essas predileções. Punho de Ferro, Raio Negro (Black Lightning, herói negro da DC), eu gostava desses personagens, achava que era mais safo, os personagens muito certinhos, eu não tenho muita paciência, não. Eu gostava dos problemáticos, sofridos...

CCH: Luke Cage (Herói de Aluguel, personagem da Marvel)?

FL: Ah, adorava... Jonah Hex?

CCH: Também adorava Jonah Hex! desenhado por Tony de Zuñiga, né?

FL: É, eu tenho aí alguma coisa. Aliás, não. Troquei com o Gonçalo (Júnior, jornalista baiano especializado em quadrinhos, autor de A Guerra dos Gibis, entre outros livros). Tinha, mas de vez em quando eu faço uma peneirada e aí ele sobrou. Bom, influências: Uderzo (criador de Asterix), Ibáñez, do Mortadelo & Salaminho, chorava de rir. Morris, por conta de Lucky Luke, que também era com Goscinny...

CCH: Por sinal, aquele filme do Mortadelo & Salaminho (nas locadoras) ficou devendo, não?

FL: Não acho, não, eu gostei.

CCH: Eu achei que o estilo cartunesco tá bem reproduzido, talvez até demais, exageraram tanto que se perdeu, não foi, não?

FL: É, a gente sempre tem a vontade de ver um filme melhor, que nem o próprio X-Men ou o Homem Aranha, ou o Batman...

CCH: É, o Homem Aranha (filme) ficou meio certinho, limpinho demais... Já o X-Men é mais... bem sucedido, talvez.

FL: O Mortadelo & Salaminho muita gente estranhou por que? é o humor espanhol, você entendeu? Eu morei um ano lá, então eu entendo por que é daquela forma, eles adoram de uma hora para a outra cantar uma musiquinha, neguinho morria de rir. Eu fiz um curso lá e a galera tinha esse tipo de coisa, de contar uma piada e botar uma musiquinha... É uma coisa que no filme você vê ad nauseum, mesmo, a mulher tá cantando na rua, lá, lá, ri, ri, ri, aí cai um vaso na cabeça... Isso eles morrem de rir, e eu olhava e dizia, "porra, velho, por isso"? Então tem esse lado, de gostar por que foi feito - mais do que da forma como foi feito. É que nem aqueles desenhos animados da Marvel, aqueles recortados da revista (feitos nos anos 60, clássico das tardes de quem mais de trinta anos). Se você for olhar em termos de animação, é uma bosta.

CCH: São desenhos "desanimados".

FL: Aquele (desenho do) Super Homem do Michael Fleischer, nos anos 40, é muito melhor. Muito mais bem feito tecnicamente. Mas é como a gente tava falando antes da Mulher Biônica, hoje em dia não tenho mais saco de assistir nem... meio intervalo de um filme desse. Meu Deus, como era...

CCH: Tosco, né?

FL: Mas é por que satisfazia outros anseios, né? Eu ficava, sei lá, me realizava de outra forma. Hoje em dia, com 42 anos, (faz gesto de distanciamento) você já olha de um certo... né? Um "certo" só, por que eu continuo babando. Então tem isso. Quadrinho nacional eu gostava de Maurício de Souza, claro, Cebolinha mesmo, eu comprava desde o número um. Gostava de Ziraldo, com o Pererê, mais até do que o Cebolinha. E gostava de Gabola, do Perotti.

CCH: Era um macaco, né?

FL: Era um macaco, que tinha um maracá, que eu achava assim, um sonho! (Risos) Tinha tudo, quando minha mãe jogou fora essa coleção, foi uma das minhas maiores perdas, entendeu? (Fica enfático) Depois da perda de meu pai, foi uma das maiores perdas da minha vida, sacou?

CCH: Foi sua coleção de Gabola!

FL: É, foi a coleção do Gabola... Heróis da TV, tava tudo dentro de uma caixa, começou a dar uma traça, um belo dia eu cheguei "minha mãe, cadê minha caixa de revistinha"? "Ah, meu filho, joguei fora, depois você compra novas?... Eu: "NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!!!!!!!!! Não, não, não!!!" (Risos). Trauma. Um dos 150 traumas de infância, esse foi um. Mas voltando: colecionava algumas coisas de quadrinho nacional, depois tive algumas coisas da Chiclete com Banana, Mad, comecei a comprar a Mad até numa idade precoce, com oito, nove anos eu tava lendo a Mad, que era uma coisa mais adolescente. Aí depois, na época da Chiclete com Banana, eu já tava voltado mais pro lúdico, tava curtindo muito Asterix, e tal. Lia (a Chiclete), gostava, mas não com o mesmo deslumbramento (que rolava na época). Achava muita coisa gratuita, desnecessária, sem graça.

CCH: O lance que eu acho da Chiclete é que eles exageravam às vezes, na coisa de chocar, da putaria, das drogas, por causa da época, né? Nova República, um suposto fim da censura, então eles queriam mais era meter o pé na porta mesmo, soltar tudo o que ficou preso tanto tempo.

FL: Aí é que tá, eu era "espertinho" pra caralho, né? Meu primeiro gole de cerveja foi com 18 anos. Tudo bem que depois eu já tomei muitos porres homéricos, e até outras coisas, mas... Eu era malhador, saca? Fazia triathlon. O underground nunca me seduziu assim, enquanto glamour e postura de confronto. Minha resposta pra isso tava no desenhar, no fazer piada, brincar com todo mundo. Nessa coisa de enganar bem, eu andava com os bad boys, com os doidos, mas chegava na hora, pegava e dizia "galera, vou nessa, estudar pra prova, sacou"? Eu era o cara que fazia as brincadeiras mais loucas, só pra ilustrar isso, pra você entender melhor, eu fui "convidado" a me retirar do colégio em que estudava, (mesmo) com o diploma de melhor aluno do colégio. Por que eu tirava dez. Em outubro eu já tava de férias. Mas aí eu continuava indo pra dar pesca pros colegas. Pescas mirabolantes. E aprontava mesmo, badernava, fazia caricatura da diretora vestida de harpia, com asas e garras, atacando os alunos... Era um Tazmania, e ao mesmo tempo, o cara mais correto em termos de experiências, digamos, lisérgicas ou qualquer coisa assim. Uma colega minha me chamava de "Metamorfose Ambulante", por que um ano antes, eu ia estudar buraco negro na biblioteca, no outro ano, fui ver "outro tipo" de buraco negro na biblioteca (risos). Pra mim era ótimo, mas o pessoal ficava sem entender: "mas você é tão bom aluno!?. Eu digo "sim, eu continuo bom aluno, mas vamo lá, né, a vida também é isso". Sem precisar, claro, deixar de viver. E nêgo não acreditava, saca? Um dia saí arrastado por um carro cheio de cerveja, segurando no pára choque e queimei meu All Star que nem esse que você tá usando, ficaram uns quatro ou cinco dedos de fora... Eu fiquei do Porto da Barra até a frente do Hospital Espanhol, existia ao lado da linha do trânsito a linha dos meus dois tênis, sendo arrastado de carro. Passou um carro cheio de cerveja, eu disse: "é meeeeeuuuu!!!!!!!", eu pá, segurei, um cara disse (faz cara de pânico: "tem um cara aí atrás! Diminui, reduz!", e eu: "nada!", e vrummm, quando eu larguei, tava tudo em carne viva: queixo, ombro, peito, barriga...

CCH (Abismado): Você não tava sentindo a bagaceira?

FL: Eu tava completamente mamado.

CCH: Você ainda tem mamilos?

(Risos)

FL: Tenho, mas durante um bom tempo fiquei sem pelos! (Risos) Mas é sério, carne viva. Quando passou a onda da cachaça, eu botava a mão assim, ficava: aaahhh!! (Faz cara de dor). Aaahhh! Tudo ardia, horrível, fiquei aquela coisa deprimente, completamente lascado, assado, rosa. Até hoje tenho cicatriz dessa extravagância. E os caras ficavam: "não, esse Flavinho é completamente doido". Pô, eu falo muito, já entrei por outras coisas...

CCH: Mas assim que é bom. Você já ganhou alguns prêmios, né?

FL: Já. Outro dia eu tava fazendo um levantamento aí, consegui chegar a dezoito, dezenove.

CCH: Inclusive fora do Brasil.

FL: Já. Rolou um que foi no Festival de Malmoe, na Suécia, em 2003. Ganhei uns dois Piracicabas (Salão de Humor de Piracicaba, o mais tradicional evento do gênero do Brasil): em 1994, (melhor) Cartum. Em 2000, (melhor) charge. Ganhei (Prêmio) HQ Mix em 2000, com o número um da Jayne Mastodonte. Ganhei em Foz do Iguaçu, que era um prêmio super disputado aí, tinha o tema sobre a água e fiquei em 4º. Ganhei aqui em Salvador alguns. Ainda em Piracicaba, teve um ano que fiquei em segundo lugar na categoria internet, que também não leva a nada, nem é mencionada, mas pela votação é medalha de prata na categoria internet. É... (pensativo). Volta Redonda, ganhei. Teve um salão universitário também em Piracicaba que ganhei menção honrosa. Teve uma hora que eu parei de contar menção honrosa, que toda hora vinha "ah, você ganhou menção honrosa em tal lugar". Aí a cabeça já não lembra, mesmo. Tem umas dezoito que se botar no papel, eu lembro. Exposição, desenho selecionado pra site da Diamond (Comics, poderosa distribuidora de revistas em quadrinhos americana, a maior da categoria nos EUA) por três vezes.

CCH: Teve aquelas ilustrações do Escapista e do Assassino Amarelo, né?

FL: É. Teve um Marv também que eu mandei, abraçado com uma mulher assim, que eles botaram também. Foi em janeiro, eu não tava aqui, tava viajando, mas eu vi de lá e conferi. Então tem isso, é engraçado, eu sou mais conhecido fora daqui. Essas revistas que eu publico um colega meu levou para o Museu de Boca Raton (um dos mais completos museus dedicado aos quadrinhos no mundo). Eu uma vez me correspondi com o World in Pictures Museum, que é até do cara das Tartarugas Ninja, Kevin Eastman, ele selecionou meu site, pediu minhas revistas para incluir no acervo, e eu, porra, mandava release pra todo canto aqui (em Salvador) e não tinha a ressonância que tinha através da internet.

CCH: Essa pergunta é exatamente por isso aí, mesmo tendo ganhado esses prêmios, tendo uma produção bastante razoável não apenas em quadrinhos, mas também com muita ilustração pra jornal, empresas, até para a Brahma já rolou, você se sente respeitado como artista? No seu país, no seu estado, na sua cidade?

FL: Não! Não, aqui, não. O lugar onde eu sou menos respeitado é aqui! Agora, eu me faço respeitar. Nessa hora, é aquela coisa: por quê que eu não consegui "nada"? Por que eu não danço conforme a música. E a música é a música que o povo gosta, é a música...

CCH: É a axé music!

(Risos)

FL: É a axé music, e eu não gosto de axé music!

CCH: Nem eu!

FL: Aí neguinho se manda, vai pra fora, ganha prêmio na Alemanha, volta e nego diz ?ah é, esse cara existe". Pois é assim. Aqui em Salvador, eu chegava nas agências pra trabalhar, dizia: "sou Flávio Luiz, cartunista". Neguinho: "ah, então leia a minha mão?! "Mas eu sou cartunista"! "Então, você não lê carta"? (Risos) Saca? Isso aconteceu!

CCH: "Leia minha mão!" (Risos) Puta que pariu!

FL: Já teve diálogo nonsense de nego perguntar "você é o quê"? Eu, pra simplificar: "ilustrador". "De móveis"? "Não, ilustrador!" "De madeira"? "Nãããããããoo!!!! Eu trabalho no Correio" (da Bahia, o jornal). "Ah, então você é carteiro!" ?Pronto, bote aí, é isso mesmo", sacou? Não é pra chegar e dizer que é uma merda, tal, por que senão eu nem trabalho.

CCH: Cai no niilismo total.

FL: É, também é aquela coisa, ficar no reclame, tem 200 cartunistas do caralho que eu conheço que só fazem reclamar. Eu reclamo pra caralho, com propriedade por que tem que reclamar mesmo e eu vivo do que eu faço e faço valer o meu trabalho, o meu preço, as minhas coisas, entendeu? Uma vez eu fui pra São Paulo, até buscando abrir um leque de possibilidades de trabalho, fui numa escola de quadrinhos, quando eu cheguei lá, que falei "Flávio Luiz", o cara: "Flávio Luiz"? Foi na biblioteca, tirou meu material, "porra, autografa aqui, por favor, adoro Jayne Mastodonte, quando você vai lançar de novo"? Porra, o cara me conhece, ele vive uma realidade de quadrinhos, ele tem uma cultura de quadrinhos. E a gente (aqui em Salvador) não tem. Então o cara aqui, entre comprar o disco do Psirico e comprar minha revista, ele vai comprar o disco do Psirico, e ele não tá errado. Eu é que estou, querendo que ele compre minha revista, batendo nessa tecla. Então eu parei de bater. Aí o pessoal me pergunta: "você não vai botar em banca"? A primeira Jayne, que ganhou Melhor Revista em Quadrinhos no HQ Mix eu vendi: 400 cópias em São Paulo, cento e tantas em Curitiba, 96 em Belo Horizonte, não sei quantas outras no Rio de Janeiro e cinco em Salvador. Tendo aparecido em todos os jornais, tendo aparecido na contracapa do jornal em que trabalho, tendo aparecido na televisão...

CCH: É uma luta inglória.

FL: É, apareci aí na televisão, meu fotoblog tá lá. Não chega um email de "poxa, Flávio, cadê a sua revista?? Até vem, por que... existe. Existe a galera que gosta de rock, a galera que gosta de jazz, né? Mas Pitty não tá tocando em cima de um trio, ela se mandou. E minha hora de me mandar um dia vai acontecer. Ou não.

CCH: Hoje em dia isso é muito relativo, você pode trabalhar para os americanos daqui mesmo. Ed Benes (ilustrador paraense que trabalha para a DC Comics) mora em Belém e é publicado no mundo todo. Tem o (Mike) Deodato (desenhista exclusivo da Marvel), que até hoje mora em João Pessoa...

FL: Eu não tô mais tão triste, tão chateado com essa coisa de aqui não ser aceito, não ser reconhecido, de as pessoas ficarem sempre nessa de regatear meu preço. Não faço, raramente eu trabalho pra um cliente aqui. Teve um que quis um painel de seis metros por dois para um restaurante na Praia do Forte e aí disse: "ah, a gente deixa ele assinar". Sacou?

CCH: Como assim, "a gente deixa" você assinar uma obra que é sua?

FL: É, eles me pagariam, permitindo que eu assinasse a obra, cheia de caricatura com gente aqui da terra, os "notáveis", né? Não tem aquela frase do Nizan, "baiano não nasce, estréia"? Aí eu respondo: "Mas nem toda estréia é casa cheia". Temos pessoas geniais, mas eu boto um certo senso crítico nisso aí. Que é aquela coisa, a gente pode ser genial para muita coisa, mas tem que ter humildade, ter humor, se levar menos a sério. O pessoal aqui se leva a sério demais, entendeu? Eu não me levo nada a sério. Me esculhambo, o pessoal, "nossa você se detona na sua caricatura".

CCH: Esse foi um toque que eu me lembro de ler ainda adolescente, na Chiclete com Banana do Angeli, que ele dizia em algum texto que a pior coisa é se levar a sério demais.

FL: Você pode até ficar indignado por que algum programa de humor na TV sacaneia com a Bahia, reclama e tal, mas nós temos isso. Claro que isso é carregado na tinta, como todos os outros têm seus defeitos que são carregados também, por que é assim que a gente trabalha, com esse exagero, com essa pantomima, com esses estereótipos. A gente tem essa visão. E as pessoas não entendem. Uma vez eu quis fazer um livro de caricaturas das pessoas aqui da Bahia - pra ganhar dinheiro, mesmo. Nêgo veio me perguntar como é que eu ia vender, quanto eu ia pagar pelo direito de utilização da imagem. Aí eu, pô: direito de utilização de imagem prum livro de caricatura? Nego aqui se acha mega demais. Ao mesmo tempo, não tem a humildade, como uma outra aí que quis que eu fizesse uma camisa prum bloco de carnaval. Tá, vamo lá. Quanto é que ela cobra num show? Num sei. Mas ela queria me pagar me dando UMA CAMISETA, do desenho que EU vou fazer, pra ela vender três mil camisetas do bloco dela, sacou? Nem minha mulher eu posso levar?

CCH: É muita falta de noção, rapaz, a Bahia não tem parâmetros.

FL: Não tem interesse. A coisa tá tão de mostrar como somos lindos, como cantamos bem e somos alegres e tal, que esquece das outras coisas. Do senso crítico, dos problemas, vai botando tudo debaixo do tapete, entendeu? Quando chove entope tudo, vira tudo um imenso esgoto. E aí você pára e diz: "porra, velho, olha o exemplo de Recife, cidade aberta pro mundo, fazendo festival internacional de cinema, festival disso, festival daquilo". E aqui, o que é que a gente tem?

CCH: Perc Pan!

FL: Perc Pan, aí é que tá, no Perc Pan, eu vou ouvir a mesma zoada. Você vai tocar no barzinho, tudo bem, galera, o cara tá começando, tá precisando, é assim... Mas bota baixo, toca baixo, deixa as pessoas conversarem. Você vai tomar café num hotel aqui em Salvador e (gritando) VOCÊ NÃO PODIA CONVERSAR POR QUE O CARA TÁ TOCANDO!! Eu disse, "meu Deus, daqui a pouco ele vai tocar um axé aí: foi sem querer que eu beijei a sua boca, menina tão louca"... Sete horas da manhã, rapaz! Tomando café, você tá acordando... Pô, toca uma bossa, toca um outro! Toca Raul! (Risos) Brigar com isso eu não quero, não tenho força pra mudar nada, já vi. Então, só faço o quê? Vou, neguinho me entrevista, me redescobre, "nossa, você tem todos esses prêmios"? Tenho... Daqui a um mês eu vou precisar chegar numa agência e ficar discutindo por A + B por que quê meu quadrinho ou por que minha história custa tanto e não o que eles querem me pagar. Se ele tá me pedindo uma história de não sei quantas páginas em três dias e eu digo à ele que faço, então me pague o tanto que eu quero pra poder passar esses três dias fazendo. Então, um mascote. Quanto é que nêgo paga por um mascote em São Paulo, Belo Horizonte? Três, cinco conto. Aqui você não encontra quem queira pagar mil. Neguinho quer me pagar R$ 180,00 num mascote. Você vai botar seu mascote em tudo que é coisa que você quer vender e eu não vou ter direito nenhum depois sobre isso.

OS ZUMBIS ESTÃO CHEGANDO - "Os bons filmes de zumbis mostram quanto somos terríveis, nos fazem questionar nossa posição na sociedade... e a posição da nossa sociedade no mundo. Nas entrelinhas, sempre há algum comentário social e preocupação maior". Mas de quem seria essa frase tão esperta? George Romero? Lucio Fulci? Nããão, é do Robert Kirkman, autor das hqs Invencível (já comentada uns dois posts abaixo) e da vindoura The Walking dead: Dias passados, que a editora HQ Maniacs está publicando no finalzinho desse mês. Amplamente aclamada pela crítica especializada nos EUA, The Walking dead tem como personagem principal o policial Rick Grimes que, ao acordar de um coma, se vê num mundo dominado por zumbis carnívoros (o que lembra o fantástico filme 28 days later, de Danny Boyle). Ilustrada em preto & branco por Tony Moore (Battle Pope), The Walking dead foi indicada a vários dos prêmios mais importantes dos quadrinhos (como o americano Eisner e o inglês Eagle) desde seu surgimento em 2003. Enfim: TÔ DOIDÃO PRA LER ESSA REVISTA. E você? Preço promocional de lançamento: R$ 27,90. À venda em comic shops, livrarias e através do site: www.hqmaniacs.com/osmortosvivos. Mais informações, através do e-mail: osmortosvivos@hqmaniacs.com. Previsão de lançamento: 22 de maio de 2006.

STONE GUNS - Essa é ótima. Segundo o site da Dynamite, foi por pouco que Slash, o famoso e estiloso guitarrista do finado (finado mesmo e não discutam) Guns n' Roses não tocou no Stone Roses, baluarte da indie scene britânica. Segundo o próprio Ian Brown, vocal do Stone Roses, Slash teria se oferecido para tocar na banda quando o guitarrista John Squire tinha saído, em 1996. Ian declinou da oferta por detestar o G'n'R, mas hoje, admite que "teria sido maravilhoso". Será mesmo? Fonte: Dynamite On Line.

FAREWELL SÃO ROCK - Segue carta de Tony Lopes publicada no Informativo Se Ligue: Aos discípulos, Após 10 anos de atividades a são rock vai fechar suas portas. A você que nos acompanhou nessa longa estrada e sempre acreditou no milagre da boa musica só temos a agradecer.E pra terminar no "swing" estamos liquidando todo o nosso estoque. CD's a partir de R$ 5,00, 10,00 15,00. Apareça rápido porque só vamos até o dia 31 de maio.Se você deixou cds ou outros materiais em consignação apareça ou entre em contato. Longa vida ao rock'n'roll. Abraços. São rock / Tony Lopes

HORA DO ROCK 18.05 - O Hora do Rock desta quinta-feira (18/05) destaca os discos novos do Sonic Youth e do Cosmic Rough Riders, além do aniversário de 26 anos da morte de Ian Curtis (Joy Division). Vai rolar ainda o som do Beulah, The Apples in Stereo, The Olivia Tremor Control, Neutral Milk Hotel, Gorky's Zygotic Mynci, Bauhaus, Killing Joke, Pixies, Violent Femmes e música do trabalho solo de Graham Coxon (ex-Blur). O Hora do Rock é transmitido todas as quintas-feiras, às 21h, pela Globo FM (90,1). Para ouvir pela internet: www.gfm.com.br Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6910684 Para participar do chat no MSN que rola na hora do programa: gabrielamra@hotmail.com, ou miwkyta@hotmail.com.

AGENDÃO

MIRABOLIX, Afã e Malcolm - Onde: Café Calypso Station, Rio Vermelho. Quando: 19/05/2006. Hora: 22H (pontualmente). Entrada: R$ 6,00.

Terreiro Circular - O Terreiro Circular continua. E nesta sexta o bando Lampirônicos e Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta serão as principais atrações da próxima mostra do Terreiro Circular, que acontecerá dia 19/05, na Zauber Multicultura (Ladeira da Misericórdia, atrás da prefeitura). Quem viver... Verá!!!!!! Horário: 22:00 Ingressos: R$ 10,00 Ingressos antecipados na Bhio Z (Avenida Manoel Dias da Silva, Pituba). OBS: as primeiras 30 mulheres que chegarem antes da meia-noite têm direito a um drink como cortesia da casa. Zauber Multicultura, (Ladeira da Misericórdia, nº 11, atrás da prefeitura).

Malandragem SambaRock III - Capitão Parafina e os Haoles - 19.05 Sexta, Horário:22h Couvert / Consumação: R$ 5,00 / R$ 5,00. World Bar, (Calçadão da Off -Barra)

Zauber comemora 1 ano com festa 3D - Sábado 20/05, O espaço Zauber Multicultura (Ladeira da Misericórdia) está comemorando 1 ano de realizações. Para celebrar a data em grande estilo, a organização da casa traz a Salvador a 2ª edição da 3D - Stereo Party que acontece sábado, dia 20 de maio, às 22h. Cada participante terá direito a um óculos 3D e as primeiras 40 mulheres que entrarem na casa recebem uma bebida flambada. Ingressos a R$ 15 (Homem) e R$ 12 (Mulher). Zauber Multicultura - (Ladeira da Misericórdia, nº 11, atrás da prefeitura).

BOOGIE INSURGENTE - DJ BIGBROSS e convidados. Do release: Se vc ta duro fim do mês quer tomar uma cerva gelada e ouvir o melhor da blackmusic (nacional / internacional) funk, disco, samba, jovem guarda, rocknroll, cumbias, merengues e tcha tcha tchas, vá ao INSURGENTE dia 26/05 sexta a partir das 22h, vou descotecar o melhor e pior do meu repertorio a entrada e´ gratís e a cerva geladissima por R$3.50 600ml, o lugar é simples mais honesto,para estacionar tem o estacionamento da embratel ao lado vigiado por cameras e total segurança, se não sabe onde e´a embratel so chega na porta e pergunta onde é. enão já sabe, te espero lá,,,bigs. sexta 26/05 22h grátis.

Theatro de Séraphin e Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta - 26 de maio, sexta, 20h, no Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB. Ladeira da Praça, Centro. R$5,00. Cerveja a R$1,50 e uma boa causa: a recuperação do edíficio sede do Institututo dos Arquitetos do Brasil. Divulguem, please.

Theatro de Séraphin, Sangria e The Honkers - Aniversário de 3 anos do programa Rock'n'Geral (Educadora FM). 26 de maio, sexta, 22h, na Zauber, Ladeira da Misericórdia, Centro.

terça-feira, maio 09, 2006

"AND IF ALL THE LOVE I HAVE /

COULD MAKE YOU LAUGH / AND IF ALL THE TEARS I CRY / COULD MAKE IT BETTER?"
The Charlatans, "Bona fide treasure".



Adoro me apaixonar aos poucos por um disco. Foi assim com o His 'n hers, do Pulp, com Lost sides, do Doves e o Sumday, do Grandaddy, para citar alguns nos últimos anos. O mais recente foi o Up at the lake, do The Charlatans. (Existem três tipos de disco: aqueles que você gosta de cara, o que você gosta depois de algum tempo e os que, nem com um século de digestão, serão tolerados). Penúltimo disco desta subestimada banda britânica (remanescente da cena indie dance inglesa do final dos anos 80), lançado em 2004 (eles já lançaram um mais recente, intitulado Simpatico, este ano mesmo), Up at the lake parece um disco carregado de uma certa eletricidade estática, um efeito retardado no ouvinte. Ele vai se entranhando de mansinho, por sob a pele, sem que nos apercebamos disto. E se, nas primeiras audições, o que apenas parecia um disco regular de uma banda regular, depois de algumas semanas, se tornar a obra máxima de uma banda no auge da forma, não se surpreenda: ele apenas acaba de cumprir sua função, ganhando sua admiração incondicional de forma segura e gradual. Up at the lake é assim, um processo. Existe todo um manancial de emoções muito viscerais borbulhando no interior de cada uma destas onze canções - aparentemente tão simples, mas tão complexas, na realidade. E sem perder o apelo pop, sem um traço sequer de hermetismo ou pretensão vazia. É um disco de banda madura, todos os músicos aparentam estar no auge da forma, em pleno domínio de suas funções, mas sem exibicionismos. Tim Burgess nunca cantou tão bem, incluindo os falsetes perfeitos, encaixados com precisão, nas canções certas. Já o guitarrista Jon Baker, que à primeira vista parece um pouco contido, apenas cumprindo sua função básica nas canções, solta os cachorros em faixas como Blue for you (um rockão à la Ocean Colour Scene) e Apples and oranges. Cada faixa, uma pequena gema pop perfeita, uma após a outra. A faixa título, com seu riffzinho intermitente e refrão pleno da irada melancolia tipicamente britânica é o abre alas para uma sucessão dessas gemas, como As I watch you in disbelief, Bona fide treasure, High up your tree e Feel the pressure (a mais próxima do passado indie dance da banda), só para citar as que eu mais gosto, faixas que discotecaria com a maior segurança em qualquer festinha minimamente, uh, esclarecida. 11 canções absolutamente viscerais e elegantes ao mesmo tempo - auto-contidas e exuberantes em suas diversas melodias costuradas entre si, perfeitas como as torres de uma catedral. E ainda assim, sem nem uma arestazinha para aparar. Um disco exato. Para ouvir de manhã - e acordar de bem com a vida, de tarde - para passar o tempo e à noite - para curtir, dançar e as porra. Diz aí: quantos discos que você conhece esbanjam tamanha versatilidade?

O PODCAST ROCK LOCO VEM AÍ, LÁ RÁ, LÁ, LÁ, LÁ - Eu, Osvaldo Braminha, Don Jorge e Messias G.B. (que chegou no finzinho, mas veio) gravamos neste último sábado um "piloto", digamos assim, do podcast do Rock Loco. Um programinha de rádio de pouco mais de meia hora com muita música (rock local e "de fora"), risos nervosos, demonstrações de inépcia diante do microfone e complexo de Marco Bianchi (é, sou eu mesmo) e uma (breve) explanação de Messias sobre o conceito da audioesfera, desenvolvido por ele para sua tese de doutorado (único momento em que se falou sério). Agradecimentos especiais à Don,que mandou muito bem na mixagem e operação do programa de gravação lá. É possível que o programinha seja disponibilizado em algum lugar na internet - em algum momento dessa semana. Ou não, não sei, eu sou semi-analfabeto nesses assuntos. Se rolar, claro, disponibilizaremos o link por aqui, para ser ouvido em streaming ou ser baixado, do jeito que rolar. Aguardem mais informações à respeito. O importante é que um primeiro passo já foi dado. Agora é continuar, esperemos, com as luminosas presenças de rockloquistas clássicos como Mário Jorge, Sora Maia, Rogério Big Brother, Luciano Matos, Ronei Jorge, Yara Vasku...

BRINCANDO DE GRAVAR - Por falar em Messias G.B., nesse mesmo dia, o homem garantiu que começa a gravar o próximo álbum da brincando de deus, o primeiro em seis anos (o último foi esse aí do lado, de 2000), ainda esse mês de maio. Sem nosso Johnny Marr local (o indie guitar hero César Vieira, que se mudou para S.P.), Messias deve contar com os atarefados Tiaguinho Nego Play Aziz (baixo, tocando com Cascadura, Lisergia e sei lá mais quantas bandas), Ricardo Cury (bateria, o "Cury" do ZecaCuryDamm) e amigos diversos para tocar a guitarra no disco. Aguardando com ansiedade o próximo disco de uma das melhores bandas baianas de todos os tempos e uma das principais representantes brasileiras dentro do seu estilo, este Rock Loco deseja muita sorte para Messias. Ele vai precisar. Em tempo: não esqueçamos também do projeto paralelo Messias Axé & Banda Odara, que ainda este ano terá um lançamento bombástico no Estádio da Fonte Nova para 300 mil pessoas. Quem viver, verá.

ATÉ CARLINHOS BROWN - Rapaz, cê viu a quantidade de baiano - concorrendo em diversas categorias - que tem no Prêmio Dynamite de Música Independente? Tem de tudo: de Pitty - claro, à Gal Costa, passando por Ronei Jorge, Automata, Marcelo Nova, Tom Zé, Luiz Brasil, Lou, Sine Calmon & Morrão Fumegante, tara_code e pasmem: Carlinhos Brown, concorrendo à Destaque Regional, com Candombless. Pô: até o nosso bravo site Bahia Rock tá concorrendo, na categoria Melhor Veículo On Line. Ao todo, são18 representantes baianos concorrendo ao prêmio da publicação paulista. O que eu acho disso? Acho que devemos ir lá votar no rock baiano, claro. Até votar em Tom Zé, que é um cara mais inquieto, mas na boa, não caia na besteira de votar em Carlinhos Brown, ou em Gal Costa ou mesmo Maria Bethânia. Sabe por que? Pense bem: vai que uma figura dessas ganha. Você acha que eles vão subir no palco da Dynamite no dia da premiação? Se ainda fosse um Prêmio Multishow ou algo assim... Epa, peraí. Pensando bem, até que não é má idéia. Já pensou o constrangimento? Ia ser muito engraçado. Bom, deixar de papo furado, clique aqui e vote em quem você quiser, vai.

BANANATION - Está confirmado, as bandas baianas Sangria e Automata vão tocar no Bananada, bombado festival anual da Monstro Discos que acontece em Goiânia, no Centro Cultural Martim Cererê. A Automata toca no próximo dia 19 de maio (sexta-feira), enquanto a Sangria promete detonar os tímpanos locais - os que restaram do último show do MQN - no dia seguinte, sábado 20. Loucura vai perder.

TÁ ROLANDO O MOVIMENTO - Deu no blog do Jama: o Jabásta - Movimento pelo Fim do Jabá se reunirá hoje, nove de maio, no Circo Voador (RJ), para encaminhar os trabalhos que o coletivo vem organizando. Como estamos aqui em Salvador e achamos esse movimento muito válido (bom, pelo menos eu acho, ainda que continue meio cético quanto às autoridades competentes), o melhor que podemos fazer é assinar o abaixo assinado que pede a aprovação do Projeto de Lei 1048/03, que torna crime a prática do jabá nas rádios e TVs. Para aderir ao abaixo-assinado, envie uma mensagem para movimentopelofimdojaba@gmail.com com seu nome completo, profissão e número de algum documento (CPF, identidade ou carteira da Ordem dos Músicos - tanto faz). Para saber mais, visite o blog do grupo de artistas cariocas do Movimento, que reúne figuras como Lobão (óbvio), Beth Carvalho, Roberto Frejat etc. O blog é bem bacana e reúne diversos artigos sobre o assunto, todos muito esclarecedores.

HORA DO ROCK 11.05 - Do release: Hoje tem Hora do Rock especial trilhas sonoras. Hum... dou a dica pelos títulos dos filmes ou pelos nomes das bandas??? As duas coisas. Vamos lá: Alta Fidelidade, Beach Boys, Kill Bill, Belle and Sebastian, Placebo, Encontros e Desencontros, New Order, Closer, 24 Hour Party People, Neil Young, Austin Powers, Ash e Doors. Para ouvir: toda quinta, às 21h, na Globo FM (90,1), ou www.gfm.com.br para quem não mora em Salvador.

AGENDÃO

O ROCK LOCO RECOMENDA ENFATICAMENTE > Fábio Cascadura Rock'n Roll soul Show! Atração: Fábio Cascadura (violão e voz) & Thiago Trad (percussão). No Rock da Bahia não há quem não conheça ou já não tenha ouvido falar da banda CASCADURA. Fábio Cascadura, seu cantor/guitarrista/compositor e fundador também é um amante da Soul Music Americana. E é pautado nesse amor incondicional que ele, de férias do seu legendário grupo, preparou um show recheado de clássicos da Soul Music dos anos 50, 60 e 70! Local: Bar Balcão (Curva da Paciência, Rio Vermelho). Data: 12/05 (sexta-feira) Horário: 22h Couvert: R$ 5,00.

Velhas Virgens e Movidos a Alcool - Sexta, 12 de maio, no Rock in Rio Café. Ingresso: R$15 antecipado e R$20 no dia e o camarote é R$25 antecipado e R$30 no dia. Horário: 22:00hs Censura: 16 anos.

BERLINDA, PERSONA S.A. E A ESTRADA PERDIDA - Pueblo: Dia 13 de maio, sábado agora, às 22:00, por apenas R$ 7,00, na Zauber (comércio), haverá show com as bandas: Berlinda, deste que vos enche, A Estrada Perdida e Persona S.A ( ex- Persona Non Grata, atual banda dos dois ex-guitarristas do Camisa De Vênus, Karl Hummel e Gustavo Mulen). Compareçam que o rock é louco mas a gente gosta! Cebola."

Britbox - com a banda Plane of Mine e convidados. Discotecagem "brit" com o dj Lucas Albarn; Dias: 06, 13, 20 e 27/05 (Sábados); Horário: 21:00; Local: The Dubliners Irish Pub (Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra - Próximo à Praia do Porto)Ingresso: R$ 10,00 (com direito a 2 bebidas *); * Refrigerante, cerveja ou águaNão aceita cartões de crédito/débito, nem cheque. Informações e venda antecipada de ingressos: Marcio - 8116-4374 http://www.planeofmine.com/ www.myspace.com/planeofmine

Aniversário do 16 Toneladas - Cerveja gelada, som muito bem equalizado, lugar novo em pleno coração do Rio Vermelho, iluminação maravilhosa, um roteiro musical com os melhores djs de black music de Soterópolis e 300 pessoas com um só objetivo:dançar. Parabéns vc está sendo convidado para o aniversário mais badalado e concorrido da cidade: A Festa de 3 anos do programa 16 Toneladas 20/05 Sábado, Restaurante Casa da Dinha ? Rio Vermelho Ingressos Limitados ? R$ 10.

ACOUSTIC BLUES- LUIZ ROCHA & CONVIDADOS - O gaitista Luiz Rocha apresenta um super show acústico no estilo "BLUES /ROCK", trazendo semanalmente um convidado. Restaurante Osteria Dellagazzi - Rua Antonio Passos nº30 - Federação.Todos os sábados de maio 06;13;20 E 27. Horário: 21H Couvert: Free. Reservas de mesas a partir das 18:00hs: (71)32459069.

BANZÉ! (SP), ZECACURYDAMM E BRINDE - DIA 14 DE MAIO (DOMINGO), 2OH, NO CALYPSO. INGRESSOS: R$ 5,00

Beatles Acoustic no dia das Mães - "Venha almoçar no dia das mães curtindo o melhor dos Beatles, com Luiz Rocha (gaita) e marcus Vergner (voz) E Lumen (violão). Reservas de mesas e informações: (71)32459069. Restaurante Osteria Dellagazzi."

quarta-feira, maio 03, 2006

"I'M TIED IN A KNOT /

BUT I'M NOT / GONNA GET CAUGHT / CALLING A POT KETTLE BLACK / EVERY SONG'S A COMEBACK / EVERY MOMENT'S A LITTLE BIT LATER"
Wilco, Pot kettle black.



Eu fui chamado à atenção sobre o último post, o da Flauer. Esta pessoa, leitora deste blog, alega não ter entendido, afinal, se eu gostei ou não do disco das meninas. Em outras palavras, acusou-me de ser um morde-assopra, um vaselina. Eu não vou mentir: é complicado, isso. Por definição, uma crítica (ou resenha, que seja) de um disco (ou de qualquer outra obra) não deve conter (apenas) um mero aval, o "gostei" ou "não gostei" do redator, do cara que se dispôs a ouvir aquilo e depois emitir um juízo sobre a obra em questão. É preciso lançar mão do seu background para poder contextualizar de acordo com época, estilo, execução, concepção etc. "Gostei" ou "não gostei", não é nada, qualquer motorista de táxi faz. É preciso informar o leitor sobre os diversos dados relativos àquela banda, àquele artista, àquele escritor, àquele desenhista, àquele cineasta. Influências, origem social, religião, nacionalidade, background, ficha na polícia - tudo é dado que pode (ou não) acrescentar no retrato que o jornalista vai pintar para o leitor. Enfim, a tarefa do redator é, no mínimo, situar o leitor no contexto do artista e avaliar se ele foi bem sucedido ou não nas pretensões de sua obra (para simplificar logo). No texto da Flauer, eu acho que fiz isso (e direitinho, se me permitem a falta de modéstia), mas realmente, se minha opinião não ficou muito clara quanto à obra, eu devo lamentar e lembrar aos leitores que a Constituição permite que o cidadão só se manifeste sobre qualquer assunto quando assim o quiser fazer - exceção feita às ocasiões de ameaça à segurança nacional, o que - até onde fui informado - não é o caso. Aproveito a ocasião e decreto findo o período de férias neste Rock Loco. Como diria meu nobre colega Franciel Cruz, a partir de agora, "o plantão vai ser rigorosíssimo. Sopa de tamanco com caco de vidro". Bom. Passemos à nossa primeira vítima - digo, resenha do post... A propósito, tô meio atrasado com a audição dos últimos CDs que recebi. Na verdade, atrasado e desanimado. Muito hardcore dor de corno, pouco rock inventivo e divertido de verdade. Vamo lá, pessoal, eu sei que vocês estão aí, APAREÇAM! Por conta disso, o post dessa semana tá mais pros quadrinhos que pro rock. Paciência.

INVENCÍVEL NA MISSÃO DE DIVERTIR O LEITOR
Quando li pela primeira vez que um dos mais interessantes e ativos sites brasileiros especializados em quadrinhos ia lançar uma das obras mais comentadas dos últimos anos, entrando no mercado como editora de forma impossível de ser ignorada, imediatamente pensei: "mais uma pra acabar de arrombar o bolso do trabalhador aqui". Ainda bem que a coisa não foi bem assim. Lançada inicialmente custando R$ 35,00 (senão me falha a memória), Invencível - Negócios de Família (Invincible: Family Business, Image Comics / HQ Maniacs Editora) logo teve seu preço reduzido em R$ 10,00, passando a custar R$ 25,00. R$ 25,50, incluindo despesas postais. Um preço bastante justo, visto o tratamento gráfico luxuoso (até demais, na verdade) dado à hq. Robert Kirkman, o jovem criador da série, junto com o artista Cory Walker, fizeram a revista de super-herói que, provavelmente, eles mesmos gostariam de ler: colorida, objetiva, divertida, com personagens muito bem delineados e capazes de cativar o leitor. À moda do velho Stanley, mas com apuro narrativo e ritmo adequados aos tempos e leitores de hoje. Neste primeiro volume, que apresenta os quatro primeiros números da revista americana publicada pela Image Comics, conhecemos a vida de Mark Grayson, um jovem aparentemente normal, não fosse por um detalhe. Ele é filho do Super Homem - ou algo parecido, o equivalente ao Azulão no universo da história. Bigodudo, o velho avisou o guri desde cedo que ele não era normal, numa cena hilária, aliás. Então, por meio de flashbacks, vamos sabendo como os super poderes começaram a se manifestar no pirralho, enquanto no presente, o herói estreante se vê envolvido em seu primeiro caso, auxiliado aqui e ali pelo seu próprio pai e pela sua colega de classe, que também - vejam vocês - combate o crime como heroína uniformizada. A narrativa ágil e enxuta, os desenhos bacanas e bem claros e os ótimos diálogos somam-se à um certo ritmo característico de série de tv que parece estar se tornando padrão nos - bons - quadrinhos mainstream atuais. Até que ponto isso é bom para os quadrinhos, é uma questão ainda a ser observada e estudada por mentes mais capazes que a minha, que está velha e sequelada. Não à toa, Invencível já teve seus direitos de adaptação para o cinema comprados pela Paramount Pictures. Se vai chegar nos multiplexes da vida é outra história. Hoje em dia nego não vacila, compra logo, que outra produtora pode comprar e o negócio pode fazer sucesso, sabe lá... Bom, se conselho fosse bom a gente não dava (vendia), então vocês eu não sei, mas eu devo ficar de olho nisso aqui. Se bem que eu tô mesmo ansioso é para ler uma outra série do Kirkman na Image, que dizem ser ainda melhor que Invencível: The Walking dead, uma pérola ao estilo de terror preferida por este maníaco aqui: zumbis mortos vivos comedores de carne humana, prometida para breve pelo pessoal da HQM. Hummm, que delícia...
INVENCÍVEL - VOLUME 1: NEGÓCIOS DE FAMÍLIA Formato 16,5 x 24 cm; 120 páginas em papel couché.Capa cartonada com orelhas e reserva de verniz.Preço: R$ 25,00 http://www.hqmaniacs.com/invencivel/invencivel@hqmaniacs.com - Setor de Venda Direta ao Leitor HQ Maníaco.

LAZARUS LEED - GENÉRICO BONELLIANO?
Mais uma editora estreando no mercado brasileiro de quadrinhos, mais uma revista inédita para os leitores. Desta vez, trata-se de Lazarus Ledd, um fumetto publicado na Itália pela Editora Star Comics, uma espécie de aspirante à Sergio Bonelli Editore - a gigante que publica Tex, Zagor (meu preferido), Ken Parker, Dylan Dog, Nick Raider e mais uma cacetada de outros títulos de western, ficção científica, mistério e terror, com grande sucesso na Itália e diversas outras partes do mundo, inclusive aqui no Brasil. A iniciativa é mais que bem vinda, apesar de ser um material bastante similar ao produzido pela casa do Ranger do Texas, até por que o criador, Ade Capone, já foi e ainda é roteirista de títulos como Martin Mystère, Mister No e Zagor. Para apresentar e promover a nova revista, a Tutatis Editora lançou então um número zero à preço bem camarada (R$ 1,50!), apresentando duas histórias curtas e diversas matérias abordando as origens do personagem, seu criadores, editoras (na Itália e no Brasil), desenhistas, etc. O personagem Lazarus Ledd, em si, é um chavão ambulante: o herói urbano silencioso, vestido com um sobretudo, de passado nebuloso e habilidades excepcionais para um motorista de táxi, sua profissão atual. Mas esses quadrinhos italianos são assim mesmo, eles partem de um chavão e vão desenvolvendo o personagem aos poucos, dando-lhes profundidade - e um passado - com o tempo. As duas historinhas são bem legais e apresentam o tom misterioso e intrigante que a série deve ter. A primeira, Fim da linha, é a melhor das duas e é magistralmente desenhada por Sal Velluto, desenhista que leitores mais velhos (e obsessivos) devem lembrar das aventuras do Cavaleiro da Lua publicadas na revista Marvel Force, da Editora Globo, ali pelos idos de 1993, '94. Na segunda história, conhecemos uma mulher que deu "um perdido" bonito no rapaz, pena que com arte visivelmente inferior de Fabio Bartolini, causando um certo desequilíbrio na revista, em comparação com a primeira. Pena também que, devido à distribuição dirigida à comic shops e livrarias da editora, que ainda engatinha no mercado, dificilmente acharemos essa revista nas bancas aqui de Salvador, de onde escrevo. (A minha só chegou às minhas mãos por que ganhei em uma promoção do site Pop Balões / Banca 2000. Valeu, galera!). Então, quem quiser se informar mais sobre Lazarus Ledd, adquirir a revista, saber onde comprar ou mesmo fazer uma assinatura, é só ir no Portal Tex BR, santuário de todos os assuntos Bonellianos no Brasil, que é com eles mesmo o negócio.
Lazarus Ledd Nº Zero - 54 páginas, R$ 1,50 na Série Normal e R$ 2,90 na Série Ouro. Editora Tutatis, Formato italiano, 21cm x 17,5.

HELO-OOO! - Cês tão malucos?!? Que porra vocês tão fazendo parados aí, caceta? Vão já no site do Neil Young baixar gratuitamente TODO o novo disco do bardo canadense, "Living with War". É, aquele de Let's impeach the president, coisa e tal. Ah, tá, jogar pedra em George W. Bush é o novo esporte nacional (lá deles, no Oriente Médio já é faz tempo), vende discos. OK. Mas é Neil Young, meu filho, então presta atenção: GREEN DAY JÁ ERA! OK? Acho que eu fui claro. Aproveita e grava num CD pra mim que eu tô preso aqui em Bedrock, não tenho como baixar nada. Tsc.

NERDS E FANBOYS - A clássica comédia sorvete na testa A Revolta dos nerds ganhará um remake. Até aí, tudo normal, mas tem uma notícia ruim e outra boa à respeito disso. A ruim é que o produtor é aquele mala fogueteiro do McG, que dirigiu os péssimos filmes das Panteras. A boa é que o diretor já foi escolhido, é um tal de Kyle Newman, em cujo currículo consta o filme - inédito no Brasil - Fanboys, bem conceituado, até onde eu sei. Em Fanboys, Newman conta a história de três amigos - nerds, obviamente - que atravessam os EUA para assistir Star Wars Episódio 1 - A Ameaça fantasma, no Rancho Skywalker (lar e quartel general de George Lucas e sua produtora, a Lucas Films). A Revolta dos nerds é top 10 em qualquer lista de comédias estudantis estúpidas americanas. Como esquecer aquela cena em que aquele nerd nojentão encontra seu Mestre oriental, um velho china que solta um arroto de mais de dez minutos, deixando o jovem pupilo prostrado e emocionado com tamanha... sabedoria? Com a recente onda de humor escatológico em alta no cinema americano, imagine o que virá nessa refilmagem? Tenha medo. Fonte: Omelete.

ZCD E LOS CANOS CAPRICHARAM - Os parabéns deste post vão para as bandas ZecaCuryDamm e Los Canos, que vão tocar em São Paulo, no Concurso de Bandas Capricho-Trama Virtual, neste domingo, com mais uma pá de bandas do resto do Brasil. A Los Canos concorrendo, e a ZCD, como convidada, abrindo para a Cansei de Ser Sexy. Tomara que roubem todo o público do cansado fenômeno rock fashion paulista.

SUPERGUIDIS EM SUPER VÍDEO - Recebi por email, do senhor Fernando Rosa, o Senhor F em pessoa, um link para uns vídeos do Superguidis, boa banda indie gaúcha, lançada pelo selo do site, já comentada neste Rock Loco alguns posts abaixo, em um show no famoso inferninho da Rua Augusta, o Outs, no último dia 24 de abril. Vai lá e depois me diz se tá lesgal.

ESTRÉIA NA TRAMA - Recebi também por email, só que do chapa (e ex-colega de faculdade) exilado em São Paulo Wladimir Cazé, um link para duas músicas novas do grupo recifense Mombojó, prestes a lançar seu segundo disco, o primeiro pela Trama, intitulado Homem Espuma. É chato dizer isso novamente, mas... Ouçam vocês, aqui no trabalho não rola. Não sei bem por que Wladimir me mandou isso, mas valeu assim mesmo. Vou procurar ouvir quando puder botar as mãos no disquinho em si.

SEGUE O AGENDÃO.

Barão Vermelho - abertura: Malcolm. Dia: 06/05 (Sábado). Horário: 19:00Local: Área Verde do Othon (Av. Oceânica, 2456 - Ondina). Ingresso: R$ 40,00 (pista) e R$ 80,00 (camarote). Ingressos à venda: Lojas Sigma Relógios, Chilli Beans, Casa das Tortas e Ticketmix. Informações: (71) 3203-2000

Britbox - com a banda Plane of Mine e convidados. Discotecagem "brit" com o dj Lucas Albarn; Dias: 06, 13, 20 e 27/05 (Sábados); Horário: 21:00; Local: The Dubliners Irish Pub (Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra - Próximo à Praia do Porto)Ingresso: R$ 10,00 (com direito a 2 bebidas *); * Refrigerante, cerveja ou águaNão aceita cartões de crédito/débito, nem cheque. Informações e venda antecipada de ingressos: Marcio - 8116-4374 http://www.planeofmine.com/ www.myspace.com/planeofmine

Pré-lançamento dos CD's da Elipê e Nitera - com as bandas: Throw Up, Elipê e Nitera. Dia: 06/05 (Sábado); Horário: 20:00; Local: Calypso (Rio Vermelho); Ingresso: R$ 5,00

Lançamento do debut álbum do Ungodly - com as bandas: Insaintfication, Headhunter DC, Scars (SP) e Ungodly. Dia: 06/05 (Sábado); Horário: 21:00Local: Rock´n Rio Café (Aeroclube Plaza Show - Boca do Rio); Ingressos: R$ 15,00 (antecipado) e R$ 20,00 (na hora); R$ 35,00 ingresso + camisa ou cdR$ 35,00 ingresso + camisa + cd; Ingressos: Balcões Pida, Maniac Rock Shop, Andarilho Urbano e Rock Store.

Lançamento da demo da banda Draconi - com as bandas: Draconi, Nomin e Animus Necandi; Dia: 13/05 (Sábado); Horário: 19:00; Local: Idearium (Rio Vermelho); Ingresso: R$ 7,00.

BANZÉ! (SP), ZECACURYDAMM E BRINDE - DIA 14 DE MAIO (DOMINGO), 2OH, NO CALYPSO. INGRESSOS: R$ 5,00.

terça-feira, abril 25, 2006

"YOU MAY FIND YOURSELF LIVING IN A SHOTGUN SHACK /

YOU MAY FIND YOURSELF IN ANOTHER PART OF THE WORLD / YOU MAY FIND YOURSELF BEHIND THE WHEEL OF A LARGE AUTOMOBILE / YOU MAY FIND YOURSELF IN A BEAUTIFUL HOUSE / WITH A BEAUTIFUL WIFE / AND YOU MAY ASK YOURSELF / WELL, HOW DID I GET HERE? / LETTING THE DAYS GO BY / LETTING THE WATER HOLD ME DOWN"...
Once in a lifetime, Talking Heads.

O PUNK ROCK PERFUMADO DA FLAUER
Direto ao assunto. Em seu primeiro disco, E se for dessa vez..., a Flauer me cheira muito à punk rock feminino, com ecos de P.J. Harvey, The Breeders, Sleater-Kinney (bandas do movimento riot grrrrls, enfim) e bossa nova. Elas provavelmente negariam, mas senti a influência maligna de Alanis Morrissete e suas mãozinhas suadas avançando sobre os vocais de No need for a friend (faixa 6, que depois fica bem pesada, mas paciência). Bandas punk de meninas costumam ser aquela coisa meio tosca e divertida, puxada pro bubble gum, mas não é o que acontece aqui. Digo, a tosquidão instrumental está presente, mas senti falta de uma certa leveza (e não é no som), um sentido de diversão, mesmo (refrões do tipo cante junto, talvez), substituída por uma inegável pretensão em criar uma obra mais personal. Ei, essas meninas tem pretensão. Aleluia, irmão! Falando sério agora, não é ruim ter pretensão, mas é chato quando a obra em questão fica aquém dela. E infelizmente, é o que acontece aqui. As letras trazem essa pretensão bem patente em versos como "perdida na infinda distância, a liberdade que morreu em mim e não venço nem luto, subsisto em memórias patéticas, sem histórias inéditas, não fujo desse encanto que me amaldiçoou". Ok, eu vou dizer só uma vez, então, se liguem: simplicidade é a chave, meninas. Não compliquem! (Ih, olha só: eu tô falando - pra um bando de mulher - não complicar. O maluco aqui sou eu, óbvio). Contudo, isso não significa que esse primeiro disco da Flauer seja ruim, não, longe disso. Fernanda Veiga tem uma bela voz, muito adequada à sua seara do punk rock, e a banda como um todo passa sinceridade no seu som. Claro que isso não é razão para ninguém gostar, mas o som está bem maneiro. Se não chega a causar uma forte impressão de primeira no ouvinte, também não irrita. A faixa 3, Samba para meu bem, faz aquela improvável mistura de punk com... samba e soa bem. Essa mesma fórmula é usada em outras faixas desse disco, que só tem oito. É o estilo, vá. Já em Come (faixa 5), um canto a capella em inglês faz a introdução para uma bossa bem bonitinha (agora em português) acompanhada de teclado (não creditado no disco), guitarra e bateria, para depois se transmutar em um indie rock quase safado. Já na faixa 6 (a já citada No need for a friend), conhecemos o lado mais feroz da Flauer em sua música mais pesada do disco. A última faixa, Você só mente, é do poeta do morro Noel Rosa, irreconhecível no indie punk das meninas. Desnecessário, ao meu ver, já que não acrescentou muito nem ao Noel, nem ao disco. No geral, trata-se de uma boa banda punk, de sabor indie rock, com alguma influência de música brasileira - o que é muito natural, já que estamos no Brasil, ora essa. Não chega a causar uma impressão muito forte à primeira orelhada, até por que talvez ainda careça de uma identidade mais definida. A indecisão entre cantar em inglês ou português (são três músicas no idioma pátrio, quatro em inglês e uma em ambas) é um forte sinal dessa proposta ainda em aberto - o que é muito normal também, não é toda banda que surge pronta, plenamente conceituada logo de cara. Esse disco foi mixado e masterizado entre janeiro e março do ano passado (não há créditos para estúdio de gravação e produtor). Imagino que à essa altura, elas já estejam mais amadurecidas, em outro nível. Para conferir, é só comparecer no Miss Modular essa quinta, no lançamento do disco. A festinha promete, então confira o serviço logo abaixo. A Flauer é Fernanda Veiga: Vocal, Emília Núñez: Guitarra e backing vocals, Carol Petersen: Guitarra, Fernanda Félix: Baixo e Mariana Drummond: Bateria. Flauer no MySpace / Flauer na Trama Virtual / flauer@walla.com

FLAUER - E SE FOR DESSA VEZ... (Big Bross Records / MuvDiscos / Up Records)
Lançamento do cd, com as bandas: Flauer, Brinde e Maria Bacana.
DJs: Jubaleo e SG Grooveio - Dia: 27/04 (Quinta-feira) - Horário: 22:00 - Local: Miss Modular (Morro da Paciência - Rio Vermelho) - Ingresso: R$ 8,00 (até 0:00) - R$ 10,00 (depois de 0:00) - R$ 15,00 (cd + ingresso até 0:00) Informações: www.bbrecords.com.br / http://ubbibr.fotolog.net/bigbrossrecs.

SABADÃO NO WARM UP BOOM BAHIA
Confesso que não estava no pique da grobo sábado passado. Maresia, sei lá. Já cheguei meio atrasado, no finzinho do show de Ronei Jorge e seus Ladrões de Bicicleta, que faziam seu set com a competência de sempre. Logo deram lugar para a Automata, banda que já vi umas duas vezes antes e realmente, não faz meu estilo, mas que demonstra competência na execução do seu rock pesado a la Deftones e congêneres. Esperava que desse mais gente - tava razoável de público, longe de estar vazio. Eu é que esperava que estivesse lotadão, mesmo. Deve ter sido a chuva, por que a atração principal, o Big Dog dos Pampas, está bombado, até onde eu sei. Mas quem tava no pique pôde se divertir adoidado com o clima tranqüilo reinante e o ambiente coalhado de muitos amigos e conhecidos conversando, rindo e bebendo. Além, claro, de uma quantidade bastante razoável de cocotas a florir o evento. Findo o show da Automata, Cury sobe no palco e anuncia: "Para os fãs do Belle and Sebastian: Sangria!". Uma galera chega junto do palco para conferir o esporro monumental - e enxuto na concepção, coisa de verme que sabe o que está fazendo - dos meninos sangrentos. "Sangra, Sangria!", berravam da platéia alguns amigos, ensaiando um grito de guerra original para a banda. Entre uma música e outra, Pedro Bó (baixo) - apesar de elegância de sempre - balançava e assoprava a mão direita, provavelmente um resultado do esforço exigido para acompanhar o monstruoso baterista Emanuel, que deixa todo mundo de boca aberta com sua técnica, inventividade e garra - definitivamente, um achado, não canso de dizer. A rodinha de pogo é de lei e a galera se choca e se acotovela, feliz da vida. Um careteiro Apú (guitarra) comanda a avalanche de riffs com a competência de sempre, apoiado por Bola (gtr base), que também esbanja presença de palco. E Mauro Pithon (vocal), ah, esse dispensa comentários - mas eu vou comentar assim mesmo. Discutivelmente o melhor frontman de sua geração (afinal, Fábio Cascadura e Moskabilly são páreos duríssimos), Mauro, que fora do proscênio é um rapaz simpático, carinhoso e acessível, à frente da Sangria transforma-se em um magnético sacerdote do caos, o invocador da besta fera sobre a terra, com seus berros, cusparadas para o alto e versos satânicos. Haja garganta. Com os ouvidos zunindo, saio para buscar uma cerveja. Olho pro alto e vejo nos camarotes alguns integrantes do Cachorro Grande e do Matanza, todos visivelmente de queixo caído. O Cachorro Grande demora os vinte minutos-meia hora regulamentares para subir no palco, mas quando o faz, já entra arrebentando com o hit Você não sabe o que perdeu, botando a casa - cheia à essa altura - para cantar junto à plenos pulmões e dançar. Dançar, aliás, é o que mais dá vontade de fazer num show do Big Dog. E na primeira metade do show, era o que mais você via as pessoas fazendo, praticamente o Rock in Rio inteiro estava dançando ao som dos hits da banda gaúcha, especialmente os mais novos, do último disco - aqueles de riffs econômicos que guardam uma certa semelhança com o som dos Strokes. Meninas enlouquecidas cantavam junto todas as letras e Beto Bruno (vocal) se esgoelava como sempre. Uma das coisas que mais gosto no som do Cachorro, especialmente nos shows, é o acompanhamento constante do piano elétrico daquele gordinho que esqueci o nome, o que confere uma classe e um estilo muito pouco em uso hoje em dia - só mesmo uma banda francamente retrô como eles para lançar mão de tal recurso. Outra característica tipicamente retrô deles é a recorrência de jams (felizmente, não muito longas) costurando os espaços entre uma música e outra. Coisa fina, muito bem feita, o que, diga-se de passagem, não é para qualquer um. Eu mesmo não sou fã desse tipo de coisa, mas devo admitir que com eles, funciona maravilhosamente bem, agradando - e não irritando - os ouvidos. Ali pelo fim do show, Beto Bruno chama, nas suas palavras, "o melhor de todos": e Fábio Cascadura sobe ao palco para cantar Jumpin' Jack Flash (Rolling Stones), que começa bem e acaba num concurso pra ver quem grita mais alto - o que é bastante comum nessas ocasiões e nesse horário (quase 4 da matina). O show acaba, o pessoal vai saindo. Encontro Morotó Slim, que me abraça e de repente se vira comigo para os camarotes. Acena para Jimmy do Matanza, levanta meu braço, pega minha mão e a vira para baixo, como se eu estivesse desmunhecando, apontando para ele. Desconfio que ele tava chamando o Gigante Irlandês de viado e me usando para isso, vejam vocês. Eu não sei em quem ele tava se fiando para tamanha ousadia, mas, felizmente, Jimmy sorriu e gesticulou, tipo "Vai te catar, Morotó!". Chegando em casa, o zumbido no meu ouvido era mais alto que meus pensamentos. Incapaz de articular um único pensamento coerente, deitei e dormi instantaneamente.

ESCONDAM SUAS BIKES - Esses dias Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta tocam no Rio e em São Paulo, levando seu som esquizo-mpb-rock às exigentes platéias sulistas. As datas são as seguintes: 30.04. no Projeto 2 em 1 (Coppola Music - São Paulo) com Hurtmold e 01.05 no Festival Amplitude (Melt - Rio de Janeiro) com Móveis Coloniais de Acaju.

Aguardem (ou não) atualizações e mais agenda nesse mesmo post, ao longo da semana.

HORA DO ROCK 27.04 - Vai rolar Nick Drake, Nick Cave, Isobel Campbell & Mark Lanegan, Neil Young, Tom Waits, Leonard Cohen, Stooges, MC5, Heartbreakers, Dictators, Sex Pistols, Siouxie and The Banshees e The Clash. Para ouvir: toda quinta, às 21h, na Globo FM (90,1), ou www.gfm.com.br para quem não mora em Salvador.

JAZZ ROCK QUARTET - DATAS: 26/04 - MISS MODULAR - (PRAIA DA PACIÊNCIA, RIO VERMELHO) R$ 5 27/04 - BORR ACHARIA (RUA CONSELHEIRO PEDRO LUIS - RIO VERMELHO) R$ 10.

Nave versão Retrô - Classic Rock - Jovem Guarda - Rockabilly - Mod - Soul - Swing - Nuggets - British Invasion - Revival - Iê Iê Iê - DJs: Janocide - el Cabong - Ramon Prates - Moskabilly Cover - Sputter - Dan Carlos - 29.04.2006 23h R$10 (R$8 até meia-noite) - Miss Modular (Morro da Paciência, 3810, Rio Vermelho) - Salvador-BA Contato: festanave@gmail.comFotolog: http://www.fotolog.com/nave_

Nem Camisa de Vênus, Nem Raul Seixas: PERSONA S.A & ARAPUKA - Nesta noite vai rolar rok'n'roll de verdadeHORÁRIO: A Partir Das 22 Horas. Ingresso:R$ 5,00 Entrada + R$ 5,00 De Consumo. INFORMAÇÕES: Fone: +55 71 9957-4653Ps: O Rock é o mesmo, a banda é a mesma, mas, a Persona agora é S.A (Persona Non Grata) Obs.: A casa só aceita pagamentos em espécie.

Los Canos, Verbase (MG), The Honkers, Vendo 147, Cissa Guimarães e Johnny Marceleza & Os Costeletas - dia 30, domingo, no Miss Modular.

terça-feira, abril 18, 2006

"QUEM LEMBRA O VERDADEIRO NOME DE TOM ZÉ? /

E O NOME CIENTÍFICO DO CHIMPANZÉ? / QUEM FOI O PRODUTOR DO ARAÇÁ AZUL? / E QUANTOS MUÇULMANOS VIVEM EM CABUL?"
Sabe-tudo, do Rádio de Outono.

RDO ALÉM DA FOFURA - Bandas sem guitarras não são novidade faz tempo no rock. Minha preferida sempre foi a extinta Morphine, que no lugar das seis cordas, meteu um saxofone barítono super jazzy e teve pelo menos, uns dois discos ótimos lançados antes do vocalista, baixista e líder Mark Sandman cair duro em pleno palco, durante um show na Itália (aliás, dizem que é o sonho secreto de todo artista, morrer no palco). Tem também o recente Keane, com seu piano fofinho. Mais próxima do Keane do que do Morphine - pelo uso do teclado no lugar da guitarra -, a recifense Rádio de Outono apresenta seu som também destituído de guitarras, mas ainda assim, cheio de pegada pop rock, com um certo peso (mais do que eu esperava, pelo menos!) e diversão. Embebida em influências da jovem guarda, Mutantes, Pato Fu e congêneres (inclusive pelo vocal feminino totosinho de Bárbara Jones), esse bem produzido EP demo desce redondo e rapidinho, sem engasgar nem um segundo sequer em sua firme convicção de entreter o ouvinte. Das sete faixas desse cd demo (na verdade, são nove: a primeira é uma intro e a última, o clipe de Além da razão), a que mais gostei foi Sabe-tudo, uma delícia pop adolescente do tipo que eu achava que nem se fazia mais, com sua pegada anos 50, breques e uma quebradinha de piano jazz ali pelo meio fantástica. Confesso que nem esperava muita coisa dessa banda, ando meio com o pé atrás com bandas de rock fofinho, mas o conceito deles tá muito bem amarradinho, o som é trabalhado, cheio de frescor (não de frescura) e capaz de empolgar de verdade - a não ser que você seja um fã doente da Sangria. Mas se música pop de qualidade nunca lhe deu urticárias, pode sintonizar a freqüência desses recifenses que a programação é de primeira. Ah, em tempo: se você é chegado numa podolatria (tara por pés), algumas fotos do encarte desse disco serão uma festa para seus olhos. (Tudo bem, esse detalhe era desnecessário, vai!). Bom, quando rolar show aqui em Salvador, eu tô colado. A Rádio de Outono é Bárbara Jones (voz e efeitos), Dídimo Vieira (teclado e vocal), Kleber Crócia (baixo e vocal) e Gléisson Jones (bateria e vocal). Site. Fotolog.

JUDIA DE MIM - Essa é hilária. Tá rolando direto na MTV o clipe do Matisyahu, na verdade, um americano chamado Matthew, que se veste como um rabino ortodoxo (daqueles que ficam bangueando a cabeça no Muro das Lamentações) e canta um reggae moderninho - que olha, até que não é dos piores, chega a lembrar em alguns trechos o ótimo Asian Dub Foundation. Pelo menos até encherem o saco de tanto tocar. A dúvida que fica é se o cara é uma estratégia contra ou a favor a causa israelita. Isso ainda tá meio difícil de entender. Já pensou se vira moda e nego começa a se converter ao judaísmo por aí? Os árabes iam ter que se valer de estratégia semelhante e lançar um cantor pop também. Ah, que inferno. Tomara que eles se destruam mutuamente logo e deixem de encher o saco do resto do mundo. Mas voltando ao Matisyahu, bem que o Padre Marcelo Rossi podia tomar umas aulas com o rabino, né? Pelo menos ia ter mais atitude. Não que fosse deixar de ser uma aberração, mas, talvez ficasse mais engraçado... Aqui e aqui tem mais informações sobre o judeu de jah.

RHCP, QUEM TE VIU, QUE TE VÊ - Por falar em MTV, passou até no Fantástico do domingo passado o clipe da música nova do Red Hot Chili Peppers, Dani California, onde eles emulam grandes nomes do rock, travestidos de Elvis Presley, Beatles, Hendrix, Parliament (em se tratando de RHCP, seria até sacanagem eles deixarem George Clinton de fora), Sex Pistols, Misfits, Nirvana e o escambau. O clipe é ótimo. Mas a música é uma merda. Me corrijam se eu estiver errado. Começou mal esse disco duplo dos californianos. Será que não era hora de dar um tempo, não? Me corrijam se eu estiver errado.

A DE ANARQUIA - Meu chapa Barry Town, do blog brother Championship Vinyl, após longo e tenebroso inverno, volta a comentar neste humilde espaço. O recado do rapaz é tão pertinente (na verdade, eu já pensava em fazer uma notinha sobre o assunto em questão), que o reproduzo aqui, ipsis literis. Fala, Barry: "Salve, Chico. como pode ver, finalmente recuperei eo meu visto no Blogger. Estou contigo na opinião de que 'V de Vingança' foi a mais bem sucedida adaptação de uma obra do Alan Moore para o cinema. Infelizmente, parece que muitos não compreenderam as suas idéias: uma organização chamada 'A For Anarchy' (http://aforanarchy.com/) está até preparando uma passeata em Nova York contra o filme. Uma pena, considerando-se que muitas "liberdades" na adaptação da obra foram extremamente felizes. Ou será que alguém é capaz de fazer objeção ao discurso de apresentação de V ( aquele no qual fala "Voilà! In view, a humble vaudevillian veteran, cast vicariously as both victim and villain by the vicissitudes of Fate. This visage, no mere veneer of vanity, is a vestige of the vox populi, now vacant, vanished, as the once vital voice of the verisimilitude now venerates what they once vilified. However, this valorous visitation of a by-gone vexation, stands vivified, and has vowed to vanquish these venal and virulent vermin vanguarding vice and vouchsafing the violently vicious and voracious violation of volition. The only verdict is vengeance; a vendetta, held as a votive, not in vain, for the value and veracity of such shall one day vindicate the vigilant and the virtuous. Verily, this vichyssoise of verbiage veers most verbose vis-à-vis an introduction, and so it is my very good honor to meet you and you may call me V.")?"

CATARSE - Amanhã, quarta 19, o Pop Balões publica segunda parte da minha listinha, com 5 momentos de catarse rock nas hqs. Você vai lá ler, né? Aproveita e deixa um comentário no Boteco dos caras.

TROFÉU CARLINHOS BROWN DE OURO - Recebi agora há pouco do Instituto Datafoda-se os resultados tabulados durante a exaustiva contagem de votos para o Prêmio Homem sem Noção do Ano 2005 Bahia. Sem mais delongas, vamos aos resultados. Com a impressionante contagem de 1 (hum) voto, o Troféu Virtual Carlinhos de Ouro, vai para... MAESTRO ZECA FREITAS, pela impressionante pataquada que ele aprontou no palco do Teatro castro Alves ao se desculpar perante a platéia - embasbacada - pela simples escalação dos Retrofoguetes no Festival de Música Instrumental em janeiro de 2005. Agradecimentos à minha cara única leitora votante, cujo nome manterei em segredo para que não sofra assédio da imprensa - ou do premiado.

Bom, acho que por hoje é só, se mais alguma coisa surgir ao longo da semana, eu dou aquela atualizada, oquei, ev'rybody? Segue o agendão.

HORA DO ROCK 20.04 - Hoje vai rolar o som dos Smiths, The Cure, Echo and The Bunnymen (música do disco Siberia, recém lançado no Brasil), Pixies, Sonic Youth, Smashing Pumpkins, Strokes, Arctic Monkeys, We Are Scientists, Kaiser Chiefs, Living Things e Supergrass. Para ouvir: toda quinta, às 21h, na Globo FM (90,1), ou www.gfm.com.br para quem não mora em Salvador.

ZECACURYDAMM - 19 de Abril, quarta-feira, ás 21:00, a banda ZecaCuryDamm estará fazendo uma apresentação despretensiosa/intimista num bar novo chamado Balcão. (antigo Chico-Roco) Na orla do Rio-Vermelho, próximo das quadras de baba.

JAZZ ROCK QUARTET - (PARTICIPAÇÃO - DJ ZEZÃO C/ LPS DE
(BLACKMUSIC, TROPICÁLIA, ROCK 60 ETC.) DATAS:
19/04 - MISS MODULAR - (PRAIA DA PACIÊNCIA, RIO VERMELHO)
20/04 - BORRACHARIA (RUA CONSELHEIRO PEDRO LUIS - RIO VERMELHO)
26/04 - MISS MODULAR (PRAIA DA PACIÊNCIA - RIO VERMELHO)
SEMPRE A PARTIR DAS 22H30. PREÇO ÚNICO - R$ 10.


Theatro de Seráphin, Ecos Falsos (SP) e Berlinda - Dia: 20/04 (Quinta-feira). Horário: 22:00. Local: Miss Modular (Morro da Paciência - Rio Vermelho). Ingresso: R$ 10,00.

Tiradentes Indie Rock - com as bandas: Ecos Falsos (SP), Mambanegra e Pessoas Invisíveis Dia: 21/04 (Sexta-feira), Horário: 21:00, Local: Calypso (Rio Vermelho), Ingresso: R$ 5,00.

Warm Up Boom Bahia - Dia: 22/04 (Sábado) com as bandas: Cachorro Grande (RS), Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Automata e SangriaHorário: 21:00, Dia: 23/04 (Domingo) com as bandas: Matanza (RJ), Retrofoguetes, Forgotten Boys (SP) e Cascadura (lançando novo album)Horário: 19:00, Local: Rock´n Rio Café (Aeroclube Plaza Show - Boca do Rio)Ingresso: R$ 20,00 (meia) cada dia e R$ 30,00 (meia) dois dias. Vendas de ingressos: Pida (http://www.pida.com.br/) e Andarilho Urbano. Classificação: 16 anos

segunda-feira, abril 10, 2006

"PEOPLE SAY THAT YOUR DREAMS ARE THE ONLY THING THAT CAN SAVE YA /

COME ON BABY, IN OUR DREAMS WE CAN LIVE OUR MISBEHAVIOUR".
Rebellion (lies), The Arcade Fire.

SUPERGUIDIS COM O PÉ NO CHÃO - Como havia dito aqui semana passada, recebi um lote de discos mais ou menos recentes da produção independente nacional e vou desovando um ou dois por aqui toda semana. Começo hoje pelo Superguidis (nome tirado de uma marca de tênis das antigas), banda gaúcha que não tem medo de ser rotulada pelo que realmente é: indie, até a última raiz do cabelo. E não só eles não negam, como escancaram suas influências nos timbres de guitarras incrivelmente similares àqueles emanados pelos instrumentos de Stephen Malkmus (Pavement), Lee Ranaldo (Sonic Youth) e Bob Pollard (Guided By Voices). O que eu não acho nada mal, se você me perguntar. Já pensou se fosse similar ao Richie Sambora (Bon Jovi)? A boa notícia é que, se falta uma personalidade mais própria no som (o que, repito, não implica em não ser bom), nas letras simples e diretas o Superguidis esbanja uma visão urbana jovem muito pessoal e bacana em frases curtas e diretas - como aliás, é todo o disco. Exemplo: "Não quero passar meus melhores anos esperando que eles cheguem". Esqueça solos de guitarra, aqui eles praticamente não existem, e quando aparecem, são melodiosos, curtos, assobiáveis. Enfim: rock do bão pra tomar umas curtindo adoidado na night. E se o show tiver a mesma vibe do disco, espero ansioso sua vinda à Bahia. Encerro com as palavras exatas extraídas do release do disco, escrito por Leonardo Felipe: "O CD de estréia dos Superguidis - lançado através de uma parceira com o selo Senhor F Discos, capitaneado pelo jornalista Fernando Rosa, peça fundamental na engrenagem do rock independente brasileiro, e por Philippe Seabra (Plebe Rude) - é um registro sincero deste trabalho. Captado num estúdio de garagem em Guaíba, o álbum é como o som da banda: simples, direto, sensível, mas sem frescuras. 12 canções em pouco mais de 35 minutos de duração. Como nos grandes discos".

TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN: CINCO BOAS RAZÕES PARA ASSISTIR À ESSA COMÉDIA ROMÂNTICA EM DVD.

1 - Tudo acontece em Elizabethtown é dirigida por Cameron Crowe, aquele rapaz que, ainda adolescente, foi repórter da Rolling Stone e aprendiz de Lester Bangs, e que, quando chegou à idade adulta, dirigiu um filme contando essa história, o manjado Quase famosos. Louco por rock n' roll, Crowe sempre recheia seus filmes com trilhas sonoras de primeira linha, seja utilizando clássicos absolutos, faixas obscuras de dinossauros ou mesmo bandas atuais. Ou seja: o cara entende um pouquinho do assunto.

2 - Neste filme está a segunda melhor cena da história do cinema utilizando Freebird, clássico do rock sulista do Lynyrd Skynyrd. A primeira, ainda imbatível, é do filme Rejeitados pelo diabo, já comentado pelo Rock Loco nesse texto aqui.

3 - Kirsten Dunst, que não convence como Mary Jane nos filmes do Homem Aranha, volta à boa forma demonstrada em Virgens suicidas (obra prima de Sofia Coppola). Além de ser uma boneca, do tipo que dá vontade de carregar nos braços pra casa imediatamente.

4 - Susan Sarandon, que no filme é a mãe do protagonista (Orlando Bloom), rouba a cena em uma atuação antológica no enterro do marido. Preste muita atenção nessa cena, a mulher dá um puta show em pleno serviço fúnebre. Anotem aí: quando eu morrer, eu quero um velório que nem esse.

5 - O melhor fica pro fim do filme, quando o personagem principal faz uma viagem de carro pelo sul dos Estados Unidos seguindo um roteiro - incluindo a trilha sonora - preparado pela personagem de Kirsten, e vai parando em diversos locais históricos da região, coisa digna de Jack Kerouac e viagem dos sonhos de qualquer um que já tenha passado os olhos por On the road - Pé na estrada. O auge é a parada em Memphis, lar dos Sun Studios, onde todo mundo que importa dos primórdios do blues, soul e rock n' roll já gravou. Pertinho do Sun, fica um bar chamado Ernestine & Hazel, que nos anos 50, era o puteiro onde os músicos iam dar uma relaxada, se é que você me entende. Chegando lá, bata um papo com Russel, que hoje toca o negócio e conta histórias de arrepiar. Nos extras tem um segmento intitulado Hanging out with Russel, e você descobre que o Russel que aparece no filme é o cara mesmo, Russel himself. Incrivelmente boa praça para um sulista americano (talvez por que estava defronte às câmeras de Hollywood), ele mostra o banquinho onde o deus do blues Albert King se sentava todos os dias, o buraco de bala que o mesmo King fez na parede no dia em que um assaltante pegou a cafetina Ernestine de refém, os quartos onde as meninas ganhavam a vida etc. Só isso e as cenas da viagem pelas estradas do sul dos EUA já valem o filme. (É só dar um desconto para uma ou outra cena digna de um comercial de Doriana, que você curte o filme sem grandes traumas).

WE3: MAIS UM CLÁSSICO INSTANTÂNEO - CORTESIA DA CARECA RELUZENTE DE GRANT MORRISON
Não brinquem com Grant Morrison. Depois de uma temporada na Marvel onde - à moda dos grandes autores - virou o universo dos X-Men de cabeça para baixo - apenas para a Marvel desfazer tudo de novo depois - o feiticeiro escocês careca voltou à DC, onde assumiu uma cacetada de projetos. Um deles foi essa minissérie em três edições para o selo Vertigo, lançada em um encadernado no Brasil pela Panini e numa banca próxima de você nesse exato momento. WE3, que na verdade significa WEAPON 3 (Arma 3), trocadilho com "Nós 3", trata da última arma de guerra dos EUA: três animais de estimação (um cachorro, um gato e um coelho) biologicamente modificados e equipados com armaduras ultra hi-tech. Parece bizarro, não? Mas na inexcedível narrativa morrisoniana, tudo soa incrivelmente verossímil. Até uma forma rudimentar de fala foi desenvolvida pelos cientistas responsáveis pela criação dos animaizinhos fatais. Até aí, tudo muito bom, tudo muito bem. Até o dia em que, um senador, temeroso de que o projeto viesse à público e gerasse uma forte reação popular e na mídia, decide encerrar o projeto, eliminando os bichinhos. Inteligentes e contando com uma ajudinha de uma das cientistas, eles saem em fuga, com o exército americano em seu encalço. Em poucas palavras, a história é basicamente isso aí. Agora, como isso é desenvolvido por Morrison e pelo desenhista extraordinaire Frank Quitely (Novos X-Men, The Authority) é que é outra história. Muitas páginas não têm sequer um balãozinho de fala, mas a narrativa é mais eficiente do que muita revista recheada de recordatórios que só repetem o que a ilustração já mostra, como Chris Claremont (X-Men, Excalibur) adora fazer. Espertíssimo, Quitely sabe tanto recortar uma única cena em dezenas de quadros minúsculos mostrando detalhes ínfimos (como um dente voando) como também estoura outras em splash pages duplas de babar. Os três personagens principais são muito bem desenvolvidos, de acordo com o que se espera de cada animalzinho. O cachorro é o líder, um "cão bom", como ele sempre repete, fiel aos seus companheiros e capaz de mergulhar de uma ponte num rio para salvar um homem que nunca viu. O gato é frio e quer mais que os homens se explodam, mas na hora H, não deixa seu companheiro na mão. E o coelho é o mais fofinho e menos cheio de onda, mas não se engane, pois ele também pode ser tão mortal quanto os outros dois. Lembram daqueles filmes antigos da Disney, que sempre contavam a história de cãezinhos perdidos vivendo altas aventuras nos bosques americanos? Pois é, Grant Morrison e Frank Quitely criaram a versão definitiva daquelas aventuras para o século 21. Só falta alguém transpor essa história fantástica para o cinema. Recomendadíssima. Curiosidade rocker: nos anos 80, Morrison teve uma banda de rock, com a qual chegou a abrir um show do Jesus and The Mary Chain em Glasgow, onde mora até hoje (informação extraída da biografia do autor no álbum Asilo Arkham).

V DE VINGANÇA BATE UM BOLÃO - Sem favor nenhum, V de Vingança pode ser considerada a melhor adaptação de uma obra de Alan Moore para o cinema. Tá tudo lá - e mais um pouco, com uma ligeira, necessária e muito bem feita atualização do tema. Mas nunca antes uma obra de Alan Moore foi tão respeitada em sua transposição para a tela. O véio Bardo de Northampton vacilou quando exigiu a retirada de seu nome dos créditos - mas também quem há de culpa-lo, depois de assistir a filmes como A Liga Extraordinária (principalmente) e Constantine? Não vou ficar fazendo resenha aqui - já tá cheio delas por aí. Mas que o filme ficou maravilhoso, ah, isso ficou. (Aqui entre nós, tive de respirar fundo para não deixar cair umas lágrimas no final - sabe como é, eu tenho que manter a minha fama de mau).

POP BALÕES - Lembram da listinha do post anterior (10 momentos gloriosos do rock nos quadrinhos), prejudicada por conta da inépcia do mané aqui? Será publicada em duas partes no site Pop Balões a partir dessa quarta-feira. Para tanto, tive de fazer alguns ajustezinhos, como criar um outro tema para a segunda lista. Então ficou assim: 5 Momentos de glória do rock e 5 Momentos de catarse rock n' roll, com novas introduções para ambas. E o melhor: com as ilustrações, para que vocês possam entender do que diabos eu tava falando afinal. Quarta-feira agora (12) no ar. O link é esse aí em cima.

Despedida Miss Modular - Para quem não teve a oportunidade de ler, segue na íntegra a cartinha de despedida do Miss Modular, escrita por Lorena e divulgada através do Informativo Se Ligue.
Queridos amigos, clientes e colaboradores,
É com o coração apertado que informamos a extinção do Miss Modular. Foram quase dois anos de muita música, diversão, cultura, amizades, informação, romances, bebedeiras, êxtase, loucura e alegria...De maneira fugaz ou não, fomos felizes... e vivemos sim, momentos inesquecíveis, que talvez só venhamos à recordar de bengala na mão, mas que com certeza não serão momentos que passarão em branco nas nossas memórias.... Pelo nosso Miss, passaram grandes nomes do rock, música eletrônica e som experimental, como: Wander Wildner,Autoramas, Dolores, Parafusa, Mauro Telefunksoul, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Retrofoguetes, Márcio Mello, Wagon Cooking, Lado 2 Stereo, Angelis Sanctus, El Cabong, Wry, Roger n'roll, Janocide, Mopa, Sangria, Batata, The Honkers, Brinde, Maicols, Messiah, Canto dos Malditos na Terra do Nunca, nosso querido Big Bross e muitos outros. Gente que permitiu e viabilizou a abertura de uma nova era da Produção Alternativa na cidade do Salvador; temos que agradecê-los do fundo da alma e incentivá-los nas novas empreitadas...Valeu Galera!!! O mês de abril é o nosso mês de despedidas e vamos fazer que seja em alta voltagem e em alto estilo. Teremos Eddie, La Pupuña, Retrofoguetes, Boogie Nights, Pragatecno, Aniversário da Frangote Records, Abertura do Boom Bahia Rock, Nave e outros. Indicamos a todos os terráqueos ou não, modulares ou não, que aproveitem ao máximo desta última "jornada intergaláctica", pois ao fim de abril nos direcionaremos à estrela reluzente das memórias dos que foram nossos freqüentadores mais fiéis, nossos amigos queridos, nossos defensores de todas as horas... Nos despedimos de consciência tranqüila, sabendo que fizemos o possível pelo prazer e diversão de todos, por isso temos a honra de fechar mais algumas páginas da história do rock e alternativo da Bahia, mantendo a fé inabalável de que muitas páginas em branco estão em via de serem escritas.
Beijos já saudosos, Lorena Sampaio e Equipe Miss Modular


La Pupuña (PA) e Retrofoguetes + DJs Big Bross, el cabong e Rex + Participação especial: Nancyta - Dia: 12/04 (Quarta-feira) Horário: 22:00Local: Miss Modular (Morro da Paciência - Rio Vermelho) Ingresso: R$ 10,00 (R$ 15,00 - depois de meia-noite) INGRESSOS À VENDA: A partir de 03 de abril - São Rock (Rio Vermelho), Andarilho Urbano (Iguatemi ? 34504 533) e Berinjela (Centro ? 3322 0247) e no dia do show - Miss Modular (Rio Vermelho ? 3335 2974)

Los Hermanos - abertura: Ronei Jorge e os Ladrões de BicicletaDia: 16/04 (Domingo) Horário: 18:30 Local: Concha Acústica do TCA (Pça. Dois de julho, s/n - Campo Grande) Ingresso: R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira) + 1kg de alimento Ingressos à venda nos balcões Ticketmix e nos postos e bilheterias TCA Mais informações: Esquisito Produções(55) 71 9942 6544 luispereira@velonet.com.br - Produção Bahia.

ZECACURYDAMM - 19 de Abril, quarta-feira, ás 21:00, a banda ZecaCuryDamm estará fazendo uma apresentação despretensiosa/intimista num bar novo chamado Balcão. (antigo Chico-Roco) Na orla do Rio-Vermelho, próximo das quadras de baba.

Tiradentes Indie Rock - com as bandas: Ecos Falsos (SP), Mambanegra e Pessoas Invisíveis Dia: 21/04 (Sexta-feira), Horário: 21:00, Local: Calypso (Rio Vermelho), Ingresso: R$ 5,00,

Ecos Falsos (SP), Theatro de Séraphin e Berlinda - 20 de abril, quinta-feira, às 22h30, no Miss Modular. http://myspace.com/theatrodeseraphin

Warm Up Boom Bahia - Dia: 22/04 (Sábado) com as bandas: Cachorro Grande (RS), Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Automata e SangriaHorário: 21:00, Dia: 23/04 (Domingo) com as bandas: Matanza (RJ), Retrofoguetes, Forgotten Boys (SP) e Cascadura (lançando novo album)Horário: 19:00, Local: Rock´n Rio Café (Aeroclube Plaza Show - Boca do Rio)Ingresso: R$ 20,00 (meia) cada dia e R$ 30,00 (meia) dois dias. Vendas de ingressos: Pida (http://www.pida.com.br/) e Andarilho Urbano. Classificação: 16 anos

Workshop com Michael Angelo - Dia: 26/04 (Quarta-feira), Horário: 20:00Local: Fiesta Convention Center - Salão Íris (Av. ACM - Itaigara), Ingresso: O ingresso ao evento deverá ser trocado na FOXTROT por 1 kg de alimento (feijão, arroz, macarrão, café, leite, açúcar, biscoito ou soja) a partir do dia 17 de abril. O ingresso ao Workshop é individual e intransferível. Foxtrot Instrumentos Musicais - Av. ACM, 2671, edf. Bahia Center, térreo. Cidadela(seg. a sex. das 9h às 18h/sáb das 9h às 13h), Site: http://www.foxtrot.com.br/Tel: (71) 3358-8313 / Fax: (71) 3358-8320

terça-feira, abril 04, 2006

10 MOMENTOS GLORIOSOS DO ROCK NOS QUADRINHOS

Nota da redação - O lance é o seguinte: fiz esse textão, scaneei uma cacetada de imagens para ilustrar a matéria e, PUTA QUE PARIU, não tô conseguindo fazer o upload de nenhuma sequer. Como hoje já é quarta-feira e até agora não fiz meu post semanal, vai assim mesmo, infelizmente. O consolo é que eu tô vendo com um site especializado em quadrinhos lá de SP a possibilidade deles publicarem essa joça completa. Se rolar, beleuza, eu aviso aqui e coloco o link para lá, onde vocês poderão aprecia-la em sua completude (essa palavra existe, né?). Se não... bom, se não rolar, eu penso em outra coisa. Sem mais delongas, fiquem agora com 10 MOMENTOS GLORIOSOS DO ROCK NOS QUADRINHOS, cortesia do seu Rock Loco e seu criado, Franchico.

Confesso: pensei em intitular esta listinha como Os 10 momentos MAIS gloriosos do rock nos quadrinhos, mas depois vi que não era o caso. Primeiro que um merdinha como eu não tem moral para fechar essa questão taxativamente, pois sempre haverá controvérsias. Em segundo lugar, meus próprios critérios de escolha desautorizariam o MAIS no título da matéria. De cara, içei Robert Crumb (Fritz The Cat) e Gilbert Shelton (The Fabulous Furry Freak Brothers), papas do quadrinho underground americano, à posição de hour concour, pois achei que seria covardia incluí-los nessa lista, já que sua própria ascensão como artistas está firmemente atrelada ao rock do fim dos anos 1960 (ainda que eles provavelmente iriam querer quebrar meu nariz, se lessem tal consideração). Seria como fazer uma lista de 10 escritores mais beberrões e botar Bukowski no topo. Não dá, é óbvio demais. Outra característica dessa listinha, absolutamente pessoal e intransferível, é a repetição de certos autores. Três deles - Angeli, Grant Morrison e Jaime Hernandez - aparecem duas vezes cada na lista, reivindicando 6 das dez colocações só para eles. Ah, paciência, eu garanto que eles fizeram por merecer, como se poderá ver a seguir. Poupa-los-ei (nossa!) também da lenga lenga jornalística acadêmica, pueril e pentelha muito comum em artigos como esse, tipo "rock e quadrinhos são formas de comunicação e arte populares e que caminham mais ou menos juntas desde seus primórdios, os quadrinhos, assim como o rock, era considerado fonte de corrupção, perdição e pederastia para a juventude nos anos 50", blá, blá, blá. Então, o negócio é o seguinte: plugue sua guitarra, tire a cera dos ouvidos, limpe seus óculos e abra todo o volume do amplificador, por que essa galera faz um esporro dos diabos também. Nem que seja só na nossa cabeça. Sem ordem cronológica ou de importância, segue a listinha...

1 - "KURT COBAIN ACABA DE DAR UM TIRO NA CABEÇA". Pegue dois losers adolescentes americanos sem porra nenhuma na caixa craniana, dê-lhes pais white trash cruéis ou ausentes, um ídolo suicida e uma doze. O resultado é fácil: mais dois manés seguindo o caminho do líder do Nirvana. Até aí, tudo bem, pena que um deles, mesmo tendo metido um tirombaço nas fuças, não tenha morrido como deveria. Essa é A História de Você-Sabe-Quem, spin off (uma espécie de extensão) da genial série (em 65 números) Preacher, do irlandês psycho Garth Ennis, publicada pela Vertigo / DC nos anos 90. O Você-Sabe-Quem do título é conhecido na sua revista de origem como Cara de Cú (Arseface), e é um dos personagens mais divertidos e perturbadores da série, um grande sucesso que até hoje não foi publicado do início ao fim aqui no Brasil. A História de Você-Sabe-Quem foi publicada no Brasil em fevereiro de 1999 pela Tudo em Quadrinhos Editora. (Ops! Atualização: parece que agora vai: a Devir Editora começou a publicar a saga de Jesse Custer - The Preacher himself - agora em abril. Leia aqui).

2 - O NASCIMENTO DO ÊXTASE. O filme Trainspotting (1995) e sua temática enfocando a juventude britânica desorientada, encrenqueira e louca por um tóxico, bem como sua narrativa ágil e despojada, fizeram um estrago danado. Montes de filmes britânicos (e americanos também) pongaram naquela estética, gerando resultados quase sempre irregulares. Aqui, o fantástico escritor escocês Grant Morrison dá a sua versão para aquele momento histórico na graphic novel Como matar seu namorado (Vertigo / DC), onde vemos uma adolescente londrina absolutamente entediada com sua vidinha, embarcar numa viagem sem volta com um marginalzinho sedutor que a conquista com umas doses de vodca acompanhadas de umas pedradas nas janelas da vizinhança. Na seqüência, eles matam um suposto pretendente (e colega de classe) da jovem sem qualquer razão aparente, no melhor estilo Laranja Mecânica. Em fuga, cruzam com um auto-intitulado Grupo de Assalto Niilista, têm experiências homossexuais, assaltam lojas de bebidas, tomam ecstasy e vão muito loucos pra balada. Tudo muito saudável. O final é apoteótico e totalmente anti-moralista. Cace essa pequena obra prima nos sebos ou morra na ignorância. Como matar seu namorado foi publicada no Brasil em maio de 1999 pela Tudo em Quadrinhos Editora.

3 - "CABEÇA DE DEUS FEITA DE MÚSICA VIVA" - É Grant Morrison na cabeça de novo. Agora o negócio é sério, muitíssimo sério. Logo no primeiro número de sua espetacular e revolucionária série Os Invisíveis (lida por pouquíssimos aqui no Brasil, até por que nunca foi publicada por inteiro, como deveria), um dos personagens principais, conhecido como King Mob (Rei Turba), toma um ácido e faz um ritual para invocar o espírito de John Lennon. O resultado, no traço do artista Steve Yeowell, você vê aí nas ilustrações. Clique para ler o textinho e apreciar a arte. O momento é auto-explicatório, desnecessário falar mais. Sobre Os Invisíveis, só o que eu posso dizer, é que, apesar de entender pouquíssimo o que li até agora, achei genial e necessário. Na verdade, quem não leu é que tá boiando, mais do que quem leu e não entendeu. Sacou? Os Invisíveis nº 1 foi publicada em maio de 1998 pela Magnum Editora.

4 - LISTEN TO THE MUSIC - Angeli é o cara aqui no Brasil. Santo padroeiro dos quadrinhos de humor urbano e underground desde o início dos anos 80, quando começou a publicar suas tirinhas sob o título Chiclete com Banana (nome que foi emporcalhado aqui na Bahia pela banda homônima de axé), Angeli tem inúmeras tiras e personagens que brincam com os estereótipos do rock em suas mais variadas vertentes. Desde o punk de periferia Bob Cuspe aos refugos de Arembepe Wood & Stock, passando pelas desorientadas Luke & Tantra e pelo poser Ritchi Pareide (veja mais abaixo), Angeli pinta e borda tendo o rock n' roll e seus tipinhos como inspiração. Nessa tira específica, de uma série intitulada Listen to the music, vemos o próprio cartunista - dando uma de disc-jockey da sua Rrrrádio Chiclete - perder a cabeça com a insuportável bossa nova, com toda a sutileza que lhe é característica. Nós também odiamos bossa nova, chefe. Listen to the music foi publicada no álbum Mara Tara, Oliveira Junky e outras histórias de Angeli, da Editora Brasiliense.

5 - "YAY, HOPEY!" - Como dizia John, "to know her is to love her". Da mesma forma, é humanamente impossível conhecer as Locas do escritor e desenhista Jaime Hernandez, cujas aventuras eram publicadas na revista Love and Rockets, e não se apaixonar. As duas personagens principais, Hopey e Maggie, cujo relacionamento oscila entre o sexo e a amizade, são um retrato carinhoso das punkettes chicanas da Baixa California, local de origem do autor. Hopey toca baixo numa banda punk, os Mísseis de Outubro, e Maggie é uma mecânica de foguetes (sério!) fofinha, com problemas de peso. Prestem atenção no quadrinho central da página dessa história, ela capta perfeitamente o clima do inferninho onde os Mísseis de Outubro estão prestes a tocar. Enquanto Hopey discute com o pessoal da platéia, um repugnante crítico de rock local passa uma cantada na linda Terry, guitarrista da banda, que lhe dá uma merecida gelada. O que o mané não sabe é que Terry é apaixonada por Hopey, e vive tentando rouba-la de Maggie. Ah, o amor punk chicano...

6 - "PARECE QUE FUI ATROPELADO POR UMA CARRETA" - Por falar em amor punk, olha ele aqui de novo, junto com o mestre Hernandez. Todo garoto que foi jovem e rocker nessa vida um dia se apaixonou por uma garota meio doidinha, com a qual costumava circular pelos shows, encher a cara e curtir à beça, mas na hora H, lá vinha a frase fatídica: "Você é um cara super legal e coisa e tal, mas na verdade, eu só gosto de você como amigo". Aaahh, que meigo, é a história da minha adolescência... Atire o primeiro caco de coração aquele que nunca teve vontade de se matar (ou matar alguém) ao ouvir tal frase. Em Meu namoro com Hopey, Jaime Hernandez reconta essa velha história em quatro páginas recheadas de sensibilidade, álcool e diversão. Uma pequena obra prima que conjuga amor, quadrinhos e rock como poucos são capazes. Aproveite que eu tava com boa vontade para scanear essa bagaça e leia-a inteirinha, clicando nas páginas aí.

7 - "VOCÊS QUEREM ROCK N' ROLL??" - Essa tira estrelada por Ritchi Pareide (a primeira, no alto da página) foi uma das mais geniais da gloriosa Chiclete com Banana, revista que, como todo mundo aqui está careca de saber, foi um marco dos quadrinhos brasileiros, e por que não dizer, até mesmo do rock pátrio. Atualíssima, ela até hoje reflete a realidade de muitas bandinhas fabricadas como as que vemos pululando por aí (até na Bahia já tem, como sabemos). Só que, em vez de do topete e lenço no pescoço dos anos 80, o personagem usaria bermudas, tatuagens, piercings, boné e cavanhaque. Aproveitem e curtam as outras tiras da página, igualmente fantásticas.

8 - "MORRA DE INVEJA, GWENDOLYNE!" - Quem achava que eu ia deixar o herói supremo de todo nerd que se respeita, o Homem Aranha, de fora dessa, se deu mal. Nessa história da fase clássica de Stan Lee e John Romita, Peter Parker e sua tchurma vão na inauguração de uma boate, cujo dono contratou a espevitada e deliciosa Mary Jane (esse Stan Lee nunca me enganou, era um chincheiro safado mesmo, daí a "homenagem" no nome da personagem) como dançarina. Egresso dos quadrinhos românticos que desenhava para a própria Marvel nos anos 50, Romita desenhava homens e mulheres bonitos (beleza típica da época, claro) como ninguém e retratou o clima anos 60 dessa cena de forma irrepreensível. Parece que a qualquer momento, Austin Powers surgirá no meio da história. E fala, sério, Mary Jane de vestidinho e botinhas tá rock n' roll demais. Oh, behave!, diria o agente nada secreto, babando pela ruiva número um dos quadrinhos.

9 - "OY! PAUL WELLER! ESQUISITOOOOO!!!!" - Devo confessar que nunca entendi direito as histórias em quadrinhos da Tank Girl, personagem criada por Jamie Hewlett (que depois criaria os Gorillaz com Damon Albarn) e Alan Martin. Vivendo numa Austrália pós-apocalíptica, suas histórias eram meio que um cruzamento esquizofrênico de Mad Max com a supracitada Love and Rockets. Seu namorado era um canguru mutante, que falava pelos cotovelos e enchia a cara com a garota do tanque (não o de lavar, claro). Mesmo não entendendo muito, dava para se divertir adoidado com os argumentos sem pé nem cabeça e com os diálogos travados entre o autor (falando nos recordatórios) e sua personagem. E fala sério, esses cangurus disfarçados de mod e gritando "Paul Weller" já valem o ingresso. Por falar em ingresso, tem um filme baseado na personagem nas locadoras, mas meu conselho é: fuja. Se eu não entendia direito essas histórias, acho que a diretora do filme entendeu menos ainda.

10 - "I'M A MAN OF WEALTH AND TASTE" - Fechando com chave de ouro, o mestre supremo dos quadrinhos, bardo de Northampton, salve, salve, Alan Moore faz sua homenagem aos Rolling Stones em V de Vingança, quando o personagem V chega para detonar os cornos do padre pedófilo e corrupto e se apresenta com a frase de abertura de Simpathy for the devil. Na época em que escreveu essa série (início dos anos 80), essa música ainda não estava tão vulgarizada quanto hoje, portanto, logo que saiu, ainda levei um tempinho (mas não muito) para pescar essa referência. Repararam nos chifrinhos? É a glória, indubitavelmente. Dêem um desconto pro scanner que comeu um trecho da fala e curtam a cena clicando aí na página.

"SANGRIA FAZ ROCK MALVADO E INDEPENDENTE" - É o que diz o site da MTV, onde tem uma boa entrevista com Maurão, Apú e Pedro e você ainda pode ver - e pedir na programação - o clipe de Acerto de contas, é, aquele mesmo, dirigido por Ricardo Spencer. Clica lá, rapaz!

INDIES EM PROFUSÃO - Recebi da rockloquista honorária e fundadora deste blog, Greice Jorge Schneider, um lote de cds de bandas independentes de várias partes do Brasil, os quais prometo ir destrinchando aos poucos, pelo menos de dois em dois por aqui, a partir da semana que vem. Começarei pelos dois que mais me chamaram a atenção, pelo estilo e personalidade: Superguidis (RS) e Rádio de Outono (PE). Depois eu devolvo tudo pra Greice. Até semana que vem, então.

WOMBS IN RAGE - A materinha que fiz pro Clash City Rockers sobre a Úteros em Fúria deu o que falar. O site Bahia Rock pediu permissão e publicou lá também. Então é isso: se tem algum fio de deus aí que num leu essa bagaça ainda, pode estar fazendo aqui ou aqui.

DEZ NA FAIXA - Boas novas! Quer dizer, acho. A 104 FM parece que agora se chama A Tarde FM, e na nova programação, vem aí o Dez na Faixa, espécie de versão do caderno adolescente Dez!, do jornal A Tarde, no rádio. Nunnez, vocalista da Mirabolix, mandou um email contando que sua banda vai estrear o programa. Falaí, Nunnez: "A Mirabolix grava nesta terça-feira a estréia do programa de rádio "Dez na Faixa". Voltado para o público jovem, o programa conta com a performance de bandas locais e será transmitido pela nova rádio "A Tarde FM", produzida pelo grupo do maior jornal da Bahia. A banda irá tocar músicas do seu último lançamento, "Revés de um Si Bemol", além de contar como foi o processo de gravação do disco. O programa vai ao ar ainda em Abril."

HORA DO ROCK 03.04 - destaca o lançamento nacional do DVD Velvet Redux Live MCMXCIII, que registra a reunião do Velvet Underground em Paris em 1993, o lançamento do DVD de PJ Harvey e o som do Tindersticks, Grandaddy, Anthony and The Johnsons, Radiohead, Doves, Nico, Patti Smith, Buffalo Springfield e The Band. Para ouvir: 90,1 (Globo FM), às 21h, ou pelo site www.gfm.com.br. No horário do programa tá rolando um chat no MSN. Quem quiser participar pode me adicionar ( gabrielamra@hotmail.com), ou adicionar Miwky (miwkyta@hotmail.com).

JAZZ ROCK QUARTET - Do release: Nesta quinta-feira, dia 6 de abril, se apresenta novamente no Miss Modular, Rio Vermelho, a partir das 11 da noite. A banda é formada por um supertime de instrumentistas da cena baiana e brasileira: Didi Gomes (baixo), Luciano Souza,(guitarra) Tavinho Magalhães (guitarra/baixo) e Lula Nascimento (bateria) A noite será aberta às 10 da noite com a banda de soul rock ?TANA1?, que mistura influências de Marvin Gaye, Led Zeppelin, Tim Maia e outros com músicas próprias. O preço único é de R$ 10,00.

EDDIE (PE) EM SALVADOR - Lançamento do CD "Metropolitano" + DJs Zackarias (Paraíba), Big Bross e Messiah ONDE: Miss Modular, QUANDO: sábado, 08 de abril, a partir de 22 horas, QUANTO: R$ 15,00 (R$ 20,00 - depois de meia-noite), Vendas a partir de 30 de março: São Rock, Andarilho Urbano e Berinjela.

Banda Anacê - Quem gosta de Rock´n Roll, e cerveja bem gelada, não pode perder a temporada da banda ANAÇÊ, no bar PRIMO, ao lado do Edf Suarez Trade, todas as quintas feiras, ás 21 H. O couver é de R$4,00, Cerveja de R$2,80, e muito gelada, vale a pena conferir. Horário:21H Couver:4,00.

Show Mundo Rock - Viagem sem volta - com as bandas: Vinil 69 e Retrofoguetes. Dia: 07/04 (Sexta). Horário: 23:00. Local: Zauber (Ladeira da Misericódia - atrás da prefeitura - Centro). Ingresso: R$ 10,00.

Festa Darktronic VII - com os Dj's: Vertigo, Deniac, Devilla, Magharin, Letargico e Monaco. Estilos: Industrial, Dark Eletro, Synth/Future Pop, Darkwave, EBM, Gothic Rock e 80's. Dia: 08/04 (Sábado). Horário: 20:00. Local: Blue House (Rio Vermelho)Ingresso: R$ 8,00Vendas antecipadas:+ Smile Stamps - Centro (Tel.: 3322-1907)+ Andarilho Urbano - Shopping Iguatemi (Tel.: 3450-4533) + Crosty - Espaço Artesanato do Shop. Barra (Tel.: 3235-4505)+ São Rock Discos - Shopping Rio Vermelho (Tel.: 3248-1199). Realização: Raven Produções. http://www.ravenproducoes.cjb.net/ www.fotolog.com/darktronicwww.fanzinemorbidsoul.blogspot.com

A Sangue Frio, The losers, Lumpen, Anemia e Expurgados - Dia: 09/04 (Domingo)Horário: 15:00 Local: Espaço Insurgente (Rua do Carro, Campo Da Pólvora, Centro - Ao Lado do Fórum Ruy Barbosa)Ingresso: R$ 3,00Informações: www.estopimrecords.com.br

Ecos Falsos (SP), Theatro de Séraphin e Berlinda - 20 de abril, quinta-feira, às 22h30, no Miss Modular. http://myspace.com/theatrodeseraphin.