segunda-feira, abril 10, 2006

"PEOPLE SAY THAT YOUR DREAMS ARE THE ONLY THING THAT CAN SAVE YA /

COME ON BABY, IN OUR DREAMS WE CAN LIVE OUR MISBEHAVIOUR".
Rebellion (lies), The Arcade Fire.

SUPERGUIDIS COM O PÉ NO CHÃO - Como havia dito aqui semana passada, recebi um lote de discos mais ou menos recentes da produção independente nacional e vou desovando um ou dois por aqui toda semana. Começo hoje pelo Superguidis (nome tirado de uma marca de tênis das antigas), banda gaúcha que não tem medo de ser rotulada pelo que realmente é: indie, até a última raiz do cabelo. E não só eles não negam, como escancaram suas influências nos timbres de guitarras incrivelmente similares àqueles emanados pelos instrumentos de Stephen Malkmus (Pavement), Lee Ranaldo (Sonic Youth) e Bob Pollard (Guided By Voices). O que eu não acho nada mal, se você me perguntar. Já pensou se fosse similar ao Richie Sambora (Bon Jovi)? A boa notícia é que, se falta uma personalidade mais própria no som (o que, repito, não implica em não ser bom), nas letras simples e diretas o Superguidis esbanja uma visão urbana jovem muito pessoal e bacana em frases curtas e diretas - como aliás, é todo o disco. Exemplo: "Não quero passar meus melhores anos esperando que eles cheguem". Esqueça solos de guitarra, aqui eles praticamente não existem, e quando aparecem, são melodiosos, curtos, assobiáveis. Enfim: rock do bão pra tomar umas curtindo adoidado na night. E se o show tiver a mesma vibe do disco, espero ansioso sua vinda à Bahia. Encerro com as palavras exatas extraídas do release do disco, escrito por Leonardo Felipe: "O CD de estréia dos Superguidis - lançado através de uma parceira com o selo Senhor F Discos, capitaneado pelo jornalista Fernando Rosa, peça fundamental na engrenagem do rock independente brasileiro, e por Philippe Seabra (Plebe Rude) - é um registro sincero deste trabalho. Captado num estúdio de garagem em Guaíba, o álbum é como o som da banda: simples, direto, sensível, mas sem frescuras. 12 canções em pouco mais de 35 minutos de duração. Como nos grandes discos".

TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN: CINCO BOAS RAZÕES PARA ASSISTIR À ESSA COMÉDIA ROMÂNTICA EM DVD.

1 - Tudo acontece em Elizabethtown é dirigida por Cameron Crowe, aquele rapaz que, ainda adolescente, foi repórter da Rolling Stone e aprendiz de Lester Bangs, e que, quando chegou à idade adulta, dirigiu um filme contando essa história, o manjado Quase famosos. Louco por rock n' roll, Crowe sempre recheia seus filmes com trilhas sonoras de primeira linha, seja utilizando clássicos absolutos, faixas obscuras de dinossauros ou mesmo bandas atuais. Ou seja: o cara entende um pouquinho do assunto.

2 - Neste filme está a segunda melhor cena da história do cinema utilizando Freebird, clássico do rock sulista do Lynyrd Skynyrd. A primeira, ainda imbatível, é do filme Rejeitados pelo diabo, já comentado pelo Rock Loco nesse texto aqui.

3 - Kirsten Dunst, que não convence como Mary Jane nos filmes do Homem Aranha, volta à boa forma demonstrada em Virgens suicidas (obra prima de Sofia Coppola). Além de ser uma boneca, do tipo que dá vontade de carregar nos braços pra casa imediatamente.

4 - Susan Sarandon, que no filme é a mãe do protagonista (Orlando Bloom), rouba a cena em uma atuação antológica no enterro do marido. Preste muita atenção nessa cena, a mulher dá um puta show em pleno serviço fúnebre. Anotem aí: quando eu morrer, eu quero um velório que nem esse.

5 - O melhor fica pro fim do filme, quando o personagem principal faz uma viagem de carro pelo sul dos Estados Unidos seguindo um roteiro - incluindo a trilha sonora - preparado pela personagem de Kirsten, e vai parando em diversos locais históricos da região, coisa digna de Jack Kerouac e viagem dos sonhos de qualquer um que já tenha passado os olhos por On the road - Pé na estrada. O auge é a parada em Memphis, lar dos Sun Studios, onde todo mundo que importa dos primórdios do blues, soul e rock n' roll já gravou. Pertinho do Sun, fica um bar chamado Ernestine & Hazel, que nos anos 50, era o puteiro onde os músicos iam dar uma relaxada, se é que você me entende. Chegando lá, bata um papo com Russel, que hoje toca o negócio e conta histórias de arrepiar. Nos extras tem um segmento intitulado Hanging out with Russel, e você descobre que o Russel que aparece no filme é o cara mesmo, Russel himself. Incrivelmente boa praça para um sulista americano (talvez por que estava defronte às câmeras de Hollywood), ele mostra o banquinho onde o deus do blues Albert King se sentava todos os dias, o buraco de bala que o mesmo King fez na parede no dia em que um assaltante pegou a cafetina Ernestine de refém, os quartos onde as meninas ganhavam a vida etc. Só isso e as cenas da viagem pelas estradas do sul dos EUA já valem o filme. (É só dar um desconto para uma ou outra cena digna de um comercial de Doriana, que você curte o filme sem grandes traumas).

WE3: MAIS UM CLÁSSICO INSTANTÂNEO - CORTESIA DA CARECA RELUZENTE DE GRANT MORRISON
Não brinquem com Grant Morrison. Depois de uma temporada na Marvel onde - à moda dos grandes autores - virou o universo dos X-Men de cabeça para baixo - apenas para a Marvel desfazer tudo de novo depois - o feiticeiro escocês careca voltou à DC, onde assumiu uma cacetada de projetos. Um deles foi essa minissérie em três edições para o selo Vertigo, lançada em um encadernado no Brasil pela Panini e numa banca próxima de você nesse exato momento. WE3, que na verdade significa WEAPON 3 (Arma 3), trocadilho com "Nós 3", trata da última arma de guerra dos EUA: três animais de estimação (um cachorro, um gato e um coelho) biologicamente modificados e equipados com armaduras ultra hi-tech. Parece bizarro, não? Mas na inexcedível narrativa morrisoniana, tudo soa incrivelmente verossímil. Até uma forma rudimentar de fala foi desenvolvida pelos cientistas responsáveis pela criação dos animaizinhos fatais. Até aí, tudo muito bom, tudo muito bem. Até o dia em que, um senador, temeroso de que o projeto viesse à público e gerasse uma forte reação popular e na mídia, decide encerrar o projeto, eliminando os bichinhos. Inteligentes e contando com uma ajudinha de uma das cientistas, eles saem em fuga, com o exército americano em seu encalço. Em poucas palavras, a história é basicamente isso aí. Agora, como isso é desenvolvido por Morrison e pelo desenhista extraordinaire Frank Quitely (Novos X-Men, The Authority) é que é outra história. Muitas páginas não têm sequer um balãozinho de fala, mas a narrativa é mais eficiente do que muita revista recheada de recordatórios que só repetem o que a ilustração já mostra, como Chris Claremont (X-Men, Excalibur) adora fazer. Espertíssimo, Quitely sabe tanto recortar uma única cena em dezenas de quadros minúsculos mostrando detalhes ínfimos (como um dente voando) como também estoura outras em splash pages duplas de babar. Os três personagens principais são muito bem desenvolvidos, de acordo com o que se espera de cada animalzinho. O cachorro é o líder, um "cão bom", como ele sempre repete, fiel aos seus companheiros e capaz de mergulhar de uma ponte num rio para salvar um homem que nunca viu. O gato é frio e quer mais que os homens se explodam, mas na hora H, não deixa seu companheiro na mão. E o coelho é o mais fofinho e menos cheio de onda, mas não se engane, pois ele também pode ser tão mortal quanto os outros dois. Lembram daqueles filmes antigos da Disney, que sempre contavam a história de cãezinhos perdidos vivendo altas aventuras nos bosques americanos? Pois é, Grant Morrison e Frank Quitely criaram a versão definitiva daquelas aventuras para o século 21. Só falta alguém transpor essa história fantástica para o cinema. Recomendadíssima. Curiosidade rocker: nos anos 80, Morrison teve uma banda de rock, com a qual chegou a abrir um show do Jesus and The Mary Chain em Glasgow, onde mora até hoje (informação extraída da biografia do autor no álbum Asilo Arkham).

V DE VINGANÇA BATE UM BOLÃO - Sem favor nenhum, V de Vingança pode ser considerada a melhor adaptação de uma obra de Alan Moore para o cinema. Tá tudo lá - e mais um pouco, com uma ligeira, necessária e muito bem feita atualização do tema. Mas nunca antes uma obra de Alan Moore foi tão respeitada em sua transposição para a tela. O véio Bardo de Northampton vacilou quando exigiu a retirada de seu nome dos créditos - mas também quem há de culpa-lo, depois de assistir a filmes como A Liga Extraordinária (principalmente) e Constantine? Não vou ficar fazendo resenha aqui - já tá cheio delas por aí. Mas que o filme ficou maravilhoso, ah, isso ficou. (Aqui entre nós, tive de respirar fundo para não deixar cair umas lágrimas no final - sabe como é, eu tenho que manter a minha fama de mau).

POP BALÕES - Lembram da listinha do post anterior (10 momentos gloriosos do rock nos quadrinhos), prejudicada por conta da inépcia do mané aqui? Será publicada em duas partes no site Pop Balões a partir dessa quarta-feira. Para tanto, tive de fazer alguns ajustezinhos, como criar um outro tema para a segunda lista. Então ficou assim: 5 Momentos de glória do rock e 5 Momentos de catarse rock n' roll, com novas introduções para ambas. E o melhor: com as ilustrações, para que vocês possam entender do que diabos eu tava falando afinal. Quarta-feira agora (12) no ar. O link é esse aí em cima.

Despedida Miss Modular - Para quem não teve a oportunidade de ler, segue na íntegra a cartinha de despedida do Miss Modular, escrita por Lorena e divulgada através do Informativo Se Ligue.
Queridos amigos, clientes e colaboradores,
É com o coração apertado que informamos a extinção do Miss Modular. Foram quase dois anos de muita música, diversão, cultura, amizades, informação, romances, bebedeiras, êxtase, loucura e alegria...De maneira fugaz ou não, fomos felizes... e vivemos sim, momentos inesquecíveis, que talvez só venhamos à recordar de bengala na mão, mas que com certeza não serão momentos que passarão em branco nas nossas memórias.... Pelo nosso Miss, passaram grandes nomes do rock, música eletrônica e som experimental, como: Wander Wildner,Autoramas, Dolores, Parafusa, Mauro Telefunksoul, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Retrofoguetes, Márcio Mello, Wagon Cooking, Lado 2 Stereo, Angelis Sanctus, El Cabong, Wry, Roger n'roll, Janocide, Mopa, Sangria, Batata, The Honkers, Brinde, Maicols, Messiah, Canto dos Malditos na Terra do Nunca, nosso querido Big Bross e muitos outros. Gente que permitiu e viabilizou a abertura de uma nova era da Produção Alternativa na cidade do Salvador; temos que agradecê-los do fundo da alma e incentivá-los nas novas empreitadas...Valeu Galera!!! O mês de abril é o nosso mês de despedidas e vamos fazer que seja em alta voltagem e em alto estilo. Teremos Eddie, La Pupuña, Retrofoguetes, Boogie Nights, Pragatecno, Aniversário da Frangote Records, Abertura do Boom Bahia Rock, Nave e outros. Indicamos a todos os terráqueos ou não, modulares ou não, que aproveitem ao máximo desta última "jornada intergaláctica", pois ao fim de abril nos direcionaremos à estrela reluzente das memórias dos que foram nossos freqüentadores mais fiéis, nossos amigos queridos, nossos defensores de todas as horas... Nos despedimos de consciência tranqüila, sabendo que fizemos o possível pelo prazer e diversão de todos, por isso temos a honra de fechar mais algumas páginas da história do rock e alternativo da Bahia, mantendo a fé inabalável de que muitas páginas em branco estão em via de serem escritas.
Beijos já saudosos, Lorena Sampaio e Equipe Miss Modular


La Pupuña (PA) e Retrofoguetes + DJs Big Bross, el cabong e Rex + Participação especial: Nancyta - Dia: 12/04 (Quarta-feira) Horário: 22:00Local: Miss Modular (Morro da Paciência - Rio Vermelho) Ingresso: R$ 10,00 (R$ 15,00 - depois de meia-noite) INGRESSOS À VENDA: A partir de 03 de abril - São Rock (Rio Vermelho), Andarilho Urbano (Iguatemi ? 34504 533) e Berinjela (Centro ? 3322 0247) e no dia do show - Miss Modular (Rio Vermelho ? 3335 2974)

Los Hermanos - abertura: Ronei Jorge e os Ladrões de BicicletaDia: 16/04 (Domingo) Horário: 18:30 Local: Concha Acústica do TCA (Pça. Dois de julho, s/n - Campo Grande) Ingresso: R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira) + 1kg de alimento Ingressos à venda nos balcões Ticketmix e nos postos e bilheterias TCA Mais informações: Esquisito Produções(55) 71 9942 6544 luispereira@velonet.com.br - Produção Bahia.

ZECACURYDAMM - 19 de Abril, quarta-feira, ás 21:00, a banda ZecaCuryDamm estará fazendo uma apresentação despretensiosa/intimista num bar novo chamado Balcão. (antigo Chico-Roco) Na orla do Rio-Vermelho, próximo das quadras de baba.

Tiradentes Indie Rock - com as bandas: Ecos Falsos (SP), Mambanegra e Pessoas Invisíveis Dia: 21/04 (Sexta-feira), Horário: 21:00, Local: Calypso (Rio Vermelho), Ingresso: R$ 5,00,

Ecos Falsos (SP), Theatro de Séraphin e Berlinda - 20 de abril, quinta-feira, às 22h30, no Miss Modular. http://myspace.com/theatrodeseraphin

Warm Up Boom Bahia - Dia: 22/04 (Sábado) com as bandas: Cachorro Grande (RS), Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Automata e SangriaHorário: 21:00, Dia: 23/04 (Domingo) com as bandas: Matanza (RJ), Retrofoguetes, Forgotten Boys (SP) e Cascadura (lançando novo album)Horário: 19:00, Local: Rock´n Rio Café (Aeroclube Plaza Show - Boca do Rio)Ingresso: R$ 20,00 (meia) cada dia e R$ 30,00 (meia) dois dias. Vendas de ingressos: Pida (http://www.pida.com.br/) e Andarilho Urbano. Classificação: 16 anos

Workshop com Michael Angelo - Dia: 26/04 (Quarta-feira), Horário: 20:00Local: Fiesta Convention Center - Salão Íris (Av. ACM - Itaigara), Ingresso: O ingresso ao evento deverá ser trocado na FOXTROT por 1 kg de alimento (feijão, arroz, macarrão, café, leite, açúcar, biscoito ou soja) a partir do dia 17 de abril. O ingresso ao Workshop é individual e intransferível. Foxtrot Instrumentos Musicais - Av. ACM, 2671, edf. Bahia Center, térreo. Cidadela(seg. a sex. das 9h às 18h/sáb das 9h às 13h), Site: http://www.foxtrot.com.br/Tel: (71) 3358-8313 / Fax: (71) 3358-8320

25 comentários:

Franchico disse...

Aaaaarrrgh! Isso é divertido demais! No site da Bizz tem uma nova seção tipo "entrevista coletiva": vc posta sua pergunta para o entrevistado do mês e corre o risco de vê-la publicada - e respondida - na edição do mês que vem. O primeiro entrevistado é Dinho, do Capital Inicial. Como jornalista sério e cheio de questionamentos profundos que sou, já postei minhas perguntas lá. Faça as suas tb, pô!

http://bizz.abril.com.br/aberto/blog/20060407_listar.shtml#comentarios

Davi & Iris disse...

Hola!!
Post show de bola . Suas dicas de hq tão massa, tô deixando de visitar o omelete, aqui é milhó, tem dica de showzinho em salvadô e outras coisinhas más...
Tô achando engraçado essa coisa das bandas indie ficarem cheias de dedo pra falar que sã indie ( ouxi) .
cabei de ver Goodfellas do scorcese, um filme rocknrool

Num gostei de V de vingança não:
http://www.eleelaeocinema.blogspot.com/

beijoooss
Iris

marcos rodrigues disse...

Licença aqui, Chico. Acabei de ler um pequeno release do show de lançamento de uma nova banda onde se lê que a 'intenção' é fazer uma apresentação 'despretensiosa'. Sem querer entrar no mérito do grupo (que conheço muito pouco), tenho notado que nos ultimos anos essa postura tem sido uma constante. As bandas têm aparecido 'por acaso', os shows são 'despretensiosos', os discos são gravados 'sem querer'. Ninguém quer chegar a lugar nenhum. E assim vão criando suas estratégias de imunidade às possíveis críticas a um trabalho autoral. Será que ninguém mais faz um trabalho intencional, com pretensões de mostrar uma produção pensada, elaborada, talhada em ensaios e preparada, enfim, para uma audiência? Não querem vender discos, cair na estrada e viver de sua música? Aliás, isso vale também para o resto da 'cadeia' da produção cultural 'alternativa', sobretudo no rock'n'roll dessa cidade. Todos sem maiores pretensões. Outros fatos e ações nos mostram justamente o contrário do que se ventila nos press releases da vida. Eu, particularmente, duvido dessa despretensão toda daqueles que montam bandas, gravam discos e preparam shows. Pretensão virou palavrão. E, do jeito que vai, não demora para lermos em algum release de alguém que montou uma banda:'pô, foi mal ai'.

Franchico disse...

DISCORDO! V de Vingança resultou muito mais bem sucedido do que imaginei. Os autores demonstraram profundo respeito pela obra original, mexendo pouquíssimo em seu conteúdo. As falas com que vcs encasquetaram - em seu artigo - são praticamente as mesmas dos quadrinhos. Entendo que vcs são estudantes de cinema e coisa e tal, mas essa abordagem puramente acadêmica do filme o deixa em desvantagem e o empobrece, visto que seus padrões de exigência (os de vcs, digo) são completamente avessos aos do cinema de entretenimento, ainda que se trate de um filme com pretensões de comentário político atual. Sim, talvez o beijo na máscara tenha sido desnecessário, mas um detalhe tão ínfimo passa longe de causar um real prejuízo no andamento do filme. E olhe que a trama romântica - tão mal vista em vosso comentário - consta exatamente da mesma forma na HQ. Assim, sugiro ler a obra original para um melhor entendimento das idéias do autor.

Contudo, seus comentários são sempre muito apreciados aqui, cara Íris. Apareça sempre e obrigado pelos elogios!

miwky disse...

relaxa, marcos. a despretensão é esse show. já o do lançamento do cd vai bombar...

lê lá no meu blog.

marcos rodrigues disse...

Miwky, a particularidade do exemplo, que tomei o cuidado de deixar claro que não conheço direito, não invalida o quadro geral.

Franchico disse...

Bom, eu já ia fazer a defesa da despretensão específica contra qual Marcos direcionou sua artilharia aqui, mas Miwky já se encarregou disso.

Mas o comentário de Marcos não deixa de ter sua razão de ser - talvez não contra o alvo que ele intencionalmente se dirigiu, mas contra um certo estado de coisas mesmo. Um pouco de pretensão não faz mal a ninguém, mas temo que, nessa época tão confusa, atulhada de informação e vazia de conhecimento real, a pretensão de fazer um statement (desculpem, detesto ficar usando palavras em inglês, mas não achei outra melhor), de criar conceitos, de marcar uma posição, de gerar reações, de querer mudar a realidade ao redor, seja coisa para poucos. Quem tem tempo hj em dia para maturar uma obra, para dar-lhe uma forma, para criar um conceito em seu discurso? E mais importante, quem quer fazer isso? Essa concepção de criação artística pode inclusive ser uma faca de dois gumes, pois pode se tornar uma camisa de força estética no criador. A questão levantada por Marcos é bem mais profunda do que a princípio possa parecer. E eu é que não sou louco de querer resolver um negócio desses por aqui. Mas seu questionamento é muito oportuno e deve ser registrado e discutido.

Davi & Iris disse...

Franchico,

Eu não li o hq ( escrevi isso no post), por isso não fiz a relação. Eu sou uma piveta ( davi tmb) , adoro cinemão bem feito, meus padrões se limitam aos níveis de sinceridade que a obra carrega.
"verdade é beleza e beleza é verdade"
Não somos poetas parnasianos na torre de marfim vomitando nosso ( limitado) conhecimento acadêmico. nossa abordagem não foi puramente acadêmica (analisar as coisas sempre por esse viés, seria um verdadeiro porre de vinho são jorge).

Vou correr atrás do HQ.
bju

Davi & Iris disse...

ô meu filho, da próxima vez comenta lá no blog.
prazer de vossa presença : )
i

marcos rodrigues disse...

"Quem tem tempo hj em dia para maturar uma obra, para dar-lhe uma forma, para criar um conceito em seu discurso? E mais importante, quem quer fazer isso?"

:) Bob Dylan, Echo & The Bunnymen, Morrisey, Strokes, The Stills, Violeta de Outono, Paul Weller, brincando de deus, Nick Cave, Racionais, Massive Attack, Billy Corgan, Stereophonics, Sangria, Television, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Interpol, Plane of Mine, Beth Gibbons, Radiohead, Coldplay, Placebo, Ladytron, Cobalto, Neil Young, Oasis, Ocean Colour Scene, Gotam Project, Saint Germain, Martina Topley-Bird, Dresden Dolls, Alicia Keys, Peter Murphy, Persona Non Grata, Koyotes, Berlinda, Kraftwerk, Leonard Cohen, Tom Waits, Radio 4, The Thrills........

Franchico disse...

Então, Íris, eu li a resenha de vcs, por isso mesmo eu sugeri a leitura da HQ.

Confesso que tenho uma certa resistência ao discurso acadêmico -resistência, não: eu não gosto, mesmo. Nada contra quem o pratica, mas acho que quem o faz deve se limitar aos meios acadêmicos e não trabalhar em redações jornalísticas. (O que não é o caso de vcs, claro.) O discurso acadêmico emperra a comunicação, cria ruídos que não acescentam em nada ao jornalismo cotidiano, nada dizem ao cidadão médio que abre um jornal para saber que filme assistir no fim de semana. Não é essa a função do jornalismo. Por mim, o discurso acadêmico deve ficar restrito ao seu devido lugar: a academia. Longe de mim querer nivelar por baixo, mas por exemplo, André Setaro consegue fazer uma crítica embasada e se sair do academicismo (quase) sempre e com muita elegância. Não à toa, o homem tem décadas de ofício. Então eu acho que é perfeitamente possível separar as duas coisas.

Mas é claro, isso é só o que eu penso, e geralmente eu estou errado sobre a maioria das coisas sobre as quais me pronuncio.

Ops, acho que viajei um pouco. Íris, se vc diz que sua abordagem não foi puramente acadêmica, eu acredito, vá. E vá sempre pelo caminho da sinceridade, mesmo, vc está certa. Não deixe tb de se certificar das pretensões do diretor - e se elas foram alcançadas. O resto eu acho que é mais ou menos fácil. ;-) Beijo.

Franchico disse...

Eu num disse que costumo estar errado quase sempre? Olha aí Marcos para me mostrar o quanto. E ainda bem!

miwky disse...

sim, eu ia comentar sobre a razão, geral, que o marcos sucitou. mas tava bem em cima de ir pro trampo. cá, acho que vc tem razão sim, marcos, mas que esse não é um problema da classe artística. somos "treinados" para não nos valermos da imodéstia. bom, eu sou bastante imodesta e dai??

hehehe!

cebola disse...

Nem vem com essa história de "banda despretenciosa" não, que não cola. A não ser que realmente, intencionalmente, a banda esteja se lixando pro próprio trabalho, pra quem ta ouvindo e pra quem tá comprando. E quando esta banda "despretenciosa" grava uma canção e começa a tentar vender...acho que a "despretenção foi pras picas, não? Eu pelo menos não conheço nenhuma, repito, nenhuma, banda de rock ´n´ roll na historia que fez sucesso "sem querer".

miguel cordeiro disse...

bem, isso q marcos falou é muito importante. a falta de objetivo é um defeito grave. o nicho alternativo, no fundo, traz uma timidez invisível e um medo do mundo que não cabe naqueles q querem fazer aloo dentro da arte. o artista despretensioso, no sentido de se levar a sério, de se imaginar o maioral é uma virtude e os grandes nomes do rock atestam essa qualidade. mas a falta de pretensão em mostrar um trabalho, intervir no meio, ser reconhecido,fazer sucesso, ganhar grana, é fundamental para quem quer fazer alguma coisa. parece q no mundo de hoje demonstrar ser fraquinho, frágil e não ter opinião tornou-se um trunfo para o elogio fácil.

miwky disse...

cebola, baby! preciso falar contigo urgente. mandaum e-mail pra mim ai, vai!!

desculpa usar espaço de aqui pra isso, mas...


miwkyta@hotmail.com

marcos rodrigues disse...

Por falar em vender o peixe, aproveito para informar que o blog da Theatro de Séraphin tb está funcionando dentro do My Space. Então são dois endereços, com links entre eles: http://www.myspace.com/theatrodeseraphin

http://blog.myspace.com/theatrodeseraphin

As últimas notícias da gravação do cd estão lá.

Abçs.

Gabriela R. Almeida disse...

Concordo com Marcos em gênero, número e grau. Lembro bem de quando o Cansei de Ser Sexy apareceu, com exatemente esse discurso, se defendendo antes mesmo de ser atacado, dizendo que se nem elas mesmas levavam a banda à sério, as outras pessoas (público e, principalmente, crítica), não deveriam levar, que a banda era só curtição, blá blá blá.
Acredito até que uma banda pode ser até ser só farra, mas definitivamente não era o caso delas. Ainda bem que o hype não vingou, pq a banda é uma merda.
E, sem querer nada, sem esperar nada (será que foi com tanta despretensão e sem mobilização nenhuma, só por acaso, por sorte ou por ter estar no lugar certo na hora cerca que o CSS foi escalado pra tocar no TIM em 2004? - aliás, será que alguém ainda acredita nessas histórias?), a banda foi contratada pela Trama, que tá tentando "vender" uma tour do CSS pelo exterior.

osvaldo disse...

Essa discussão de bandas despretensiosamente pretensiosas foi dissecada pelos Pistols.Uma banda de não ( e/ou mau) músicos com pretensão de conquistar o mundo
através de um pretenso Svengali(Mclaren). Sem querer liberaram o rock da ditadura dos virtuosos( Howe, Page, Wakeman, ect.) . Também sem querer o punk legou ao rock , nas palavras do grande Joe Strummer,? amarras metafísicas?, a tal da? atitude?, a qual os despretensiosos de plantão se agarram para justificar indigência artística. Na ultima Mojo uma entrevista sensacional com Joãozinho Podre exuma mais uma vez o cadáver do punk. Alias o Public Image, na minha opinião, é talvez o mais brilhante ?assassinato artístico?, deste lado de Lennon em ?God?( the dream is over). Como o rock não para novos pretenciosos(New Pretenders?) na Insound( mp3 de grátis) e na Styllus: Earlies, Band Of Horses, Rye Coalition, Colour Revolt. Na seção da volta dos que não foram Swearing At Motorists e Television Personalities( Dan Treacy é o novo Cinderella Man do rock!). To fora de Test Icicles e Pink Mountaintops.

miwky disse...

a cansei de ser sexy já vai pro exterior. tomara que os gringos gostem tanto que fiquem com elas pra sempre.

Franchico disse...

Galera, minha listinha de 5 momentos gloriosos do rock nas hqs está no www.popbalões.com. Quarta que vem, 5 momentos de catarse rock n' roll nas hqs.

Franchico disse...

Capitão Jackson, Terrifica, O Serralheiro, Super Barrio e The Burgh Man. Se vc achava que heróis uniformizados eram coisa só de gibis, é bom começar a rever seus conceitos.

http://www.universohq.com/quadrinhos/2006/n12042006_03.cfm

Aguardem, pois em breve, o Super Franchico, o defensor do rock local, voará sobre a cidade.

;-)

yaravasku disse...

Por falar em Setaro, leiam o texto dele no novo jornal laboratório da Facom ("Merda"). Sobre psicose antitabagista... dilícia...

marcos rodrigues disse...

Seguinte; a Theatro de Séraphin se apresenta este sábado (dia 15) na Universidade Católica, junto com as bandas Lou, Stancia, Matiz e Estrada Perdida. O rock começa lá pelas 17h e custa R$3. Tudo dentro de um tal festival de filosofia e arte. Apareçam, pois.

Barry disse...

Salve, Chico. como pode ver, finalmente recuperei o meu visto no Blogger. Estou contigo na opinião de que 'V de Vingança' foi a mais bem sucedida adaptação de uma obra do Alan Moore para o cinema. Infelizmente, parece que muitos não compreenderam as suas idéias: uma organização chamada 'A For Anarchy' (http://aforanarchy.com/) está até preparando uma passeata em Nova York contra o filme. Uma pena, considerando-se que muitas "liberdades" na adaptação da obra foram extremamente felizes. Ou será que alguém é capaz de fazer objeção ao discurso de apresentação de V ( aquele no qual fala "Voilà! In view, a humble vaudevillian veteran, cast vicariously as both victim and villain by the vicissitudes of Fate. This visage, no mere veneer of vanity, is a vestige of the vox populi, now vacant, vanished, as the once vital voice of the verisimilitude now venerates what they once vilified. However, this valorous visitation of a by-gone vexation, stands vivified, and has vowed to vanquish these venal and virulent vermin vanguarding vice and vouchsafing the violently vicious and voracious violation of volition. The only verdict is vengeance; a vendetta, held as a votive, not in vain, for the value and veracity of such shall one day vindicate the vigilant and the virtuous. Verily, this vichyssoise of verbiage veers most verbose vis-à-vis an introduction, and so it is my very good honor to meet you and you may call me V.")?