segunda-feira, abril 01, 2019

HOJE: DECIFRA-ME OU TE DEVORO

Debate: Com mediação de Malu Fontes, Mídia NINJA e o jornalista alemão Alexander Busch discutem o fenômeno das fake news e sua implicações na vida e na política do mundo

Estamos perdidos. Uma névoa espessa paira ao nosso redor, impedindo que enxerguemos  para onde remamos.

Como saber se o vulto que assoma ali adiante é um farol ou um canhão apontado em nossa direção? Não há respostas fáceis. É preciso dialogar.

E hoje, não por acaso, no Dia da Mentira, referências do jornalismo e da academia se reúnem no  ICBA - Goethe Institut dentro do ciclo de conversas Memórias Contemporâneas para examinar o fenômeno  fake news.

Na mesa estarão representantes do coletivo  Mídia NINJA e o jornalista alemão Alexander Busch, mediados pela jornalista e pós-doutora em comunicação Malu Fontes.

“O ciclo de debates Memórias Contemporâneas é uma colaboração entre o Goethe - Institut e a Fundação Pedro Calmon, que realizamos juntos já há um ano”, , introduz Manfred Stoffl, diretor do Goethe-Institut Salvador-Bahia.

“O objetivo é discutir temas relevantes para a sociedade, tendo, sempre que possível, uma perspectiva externa trazida, por exemplo, por residentes do nosso Programa de Residência Artística Vila Sul. Nesse sentido, o jornalista Alexander Busch irá infundir um ponto de vista europeu-alemão sobre o tema”, acrescenta.

Definindo a patologia

Alexander Busch, foto Paulo Fridman 
Na boca do povo, as fake news são fartamente apontadas por todos quando se deparam com alguma notícia que não lhes agrada ou vai contra alguma crença estabelecida.

Mas calma lá, nessas horas é bom botar a bola no chão e começar pelo começo. “Antes de tudo, é preciso deixar muito claro o que são fake news na concepção jornalística do termo, que é diferente da concepção genérica”, diz Malu.

“O que nós jornalistas devemos chamar de fake news são informações fraudadas, adulteradas ou produzidas estrategicamente, imitando notícia verdadeira, com estrutura narrativa, título, técnica de redação, fotografia e legenda, para falsificar um fato”, diz.

Assim como falsários “fabricam” dinheiro e joias para aplicar golpes e obter vantagens enganando incautos, o princípio das fake news é basicamente o mesmo, defende Malu: “Na concepção jornalística, fake news é algo da mesma natureza, algo para enganar as pessoas”, afirma.

O problema é que o prejuízo que os golpistas tradicionais causavam era, no máximo, roubar uma pessoa física ou uma loja.

Com a falsificação de notícias, hoje, é possível até mesmo derrubar e / ou eleger ocupantes de cargos públicos. Isso se dá graças à tecnologia da informação da era digital, lembra Alexander Busch.

“Não há dúvida de que o impacto e a influência das notícias falsas foram fortemente aumentados pelas possibilidades de distribuição das mídias sociais – seu poder dificilmente seria tão grande sem Facebook e WhatsApp”, afirma.

A disseminação de notícias pelos meios digitais afetou fortemente a imprensa tradicional – principalmente as empresas de mídia que não souberam se adaptar.

Mas é prematuro cravar o fim das mídias tradicionais: “Pelo contrário, vemos internacionalmente que jornais tradicionais como o New York Times e o The Economist ganharam muitos leitores. Os meus jornais na Alemanha e na Suíça também notam que os leitores estão mais interessados em reportagens sérias e tradicionais”, afirma Busch.

“A circulação está aumentando. Ao mesmo tempo, porém, é evidente que os meios de comunicação alternativos vão competir cada vez mais com os meios tradicionais pela atenção”, acrescenta.

Crenças versus verdades

Malu Fontes, foto divulgação
Se ainda há esperança para mídias mais tradicionais e confiáveis, talvez seja mais difícil dizer o mesmo das democracias ao redor do planeta.

Em concomitância ao fenômeno das fake news, líderes autocratas de extrema direita tem  chegado ao poder em diversos países – através do voto, é bom frisar.

Na receita para vencer eleições, toneladas de fake news  via “zap do tio reaça” e / ou  da vovó desavisada.

No entanto, nem Malu nem Alexander se arriscam a apontar o fenômeno como algo mais favorável a políticos de direita do que de esquerda.

“Acho que é verdade que notícias falsas foram usadas como ferramenta pelos novos autocratas de direita e nos movimentos apoiadores deles. Mas mesmo na última campanha presidencial no Brasil houve notícias falsas que foram usadas pela esquerda”, afirma Alexander.

“Penso que veremos notícias falsas de todos os lados em futuras campanhas eleitorais e noutros movimentos políticos. São simplesmente demasiado eficientes para não serem utilizadas, é essa a minha preocupação”, acrescenta.

Já Malu martela com mais força esse prego: “É má fé ou reducionismo histórico e social explicarmos o atual estado de coisas por essa ótica. A esquerda também produz e dissemina fake news. Se o faz numa escala menor, isso se explica por outras questões, não pela hegemonia da direita na detenção do poder e da capacidade de fazer isso”, afirma.

Manfred Stoffl, diretor do Goethe, foto divulgação
Em um plano mais teórico, talvez realmente não importe tanto saber quem se beneficia com tanta fake news. Talvez o fato mais assustador sobre isso hoje não seja quem as produz e distribui. E sim, a verdade que não salva  nem liberta: há uma vasta demanda por elas.

“As pessoas querem mesmo, até que ponto, serem informadas sobre o que é verdade ou mentira ou estão mais interessadas em manter suas crenças pessoais, subjetivas, mais confortáveis e consoladoras?”, questiona Malu, indo no cerne da questão.

Talvez essa batalha já esteja perdida. Para que haja esperança no futuro, vale atentar para as palavras de Manfred: “Talvez todos nós tenhamos que aprender a parar mais vezes antes de espalhar supostas notícias e escândalos e esperar para ver se a história se revela verdadeira”, aconselha.

“Em princípio, este repensar já começa na escola, onde se deve aprender a lidar com as redes sociais e sensibilizar as crianças e os jovens para a falsificação de notícias desde cedo”, conclui o diretor.

Memórias Contemporâneas: “Fake News” / Com Mídia NINJA e Alexander Busch / Mediação: Malu Fontes / Hoje, 19 horas / Pátio do Goethe-Institut (Corredor da Vitória) / Entrada franca / Livre

4 comentários:

Franchico disse...

GRANDE! DIA!

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/exclusivo-mp-quer-prisao-de-youtuber-bolsonarista-nando-moura-por-difamacao-contra-estudante-negra/

(Só espero que não seja 1º de abril...)

rodrigo sputter disse...

"pelo menos" tem a coragem de assumir, pq revi ontem um doc sobre o assassinato de Victor Jara (Artista e ativista político Chileno) e um acusado de matar diz que não foi ele...covarde na hora da tortura e covarde que não se assume, o assassino e torturador abaixo confessou:


https://www.youtube.com/watch?v=1UZy0t4DOrY


https://www.youtube.com/watch?v=Hs0pqyNjxRQ

nem sei se aguentaria ver o doc todo...agora fico na dúvida se vai pro céu ou inferno...pq virou pastor...fosse católico metade da eternidade passava no purgatório...


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Outro covarde é esse nando...li nesse link (link de esquerdistas malditos que se a revolução de 1964 tivesse matado uns 30 mil e não apenas torturado, como disse nosso glorioso presia - comentário modo irônico primeiro de abril ligado) que a mamãe de nandinho num sabe onde ele mora há mais de um ano...quer conservador de merda ele, não liga pra mãe? pra família??
fala merda, ganha $$ dos otários que dão ibope pra ele (há anos vinha falando desse babaca, devo ter aqui no blog algum link falando pra tomar cuidado com ele, há anos, assim como falei pra tomar cuidado com bozo, tem registro aqui) e acha que tá acima da lei...aí quando toma pau na rua, fica que nem o mamãe falei, dizendo que é agredido...querem sacanear as pessoas e saírem ilesos...vão trabalhar fazendo pegadinha então...


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Não foi ditadura, golpe, tá lobão...

https://www.youtube.com/watch?v=87i2qVTEko4

quer criticar e passar mão na cabeça???
falando mal da mpb e se diz roqueiro...colocar toda mpb no lixo é de uma tacanhez tremenda...

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Rapaz. tenho muitos pés atrás da mídia ninja, por causa de uma figura cahmada pablo capilé, que em 2005 nos chamou pra tocar em MS na nossa tour e não pagou míseros 300 reais por ANOS, $$$ que nos ajudaria a comer, botar gasolina e etc...aliás não foi só a gente...a banda volver foi de recife pra lá de busão e nem sei se foi paga, chegaram aqui em casa com fome e cansados e eu, com ajuda de meus pais na época, acomodados a galera aqui e demos rango e estadia...isso em 2005...
críticas a pablo e o fora do eixo são feita há anos:

http://nobrefarsa.blogspot.com/2013/08/pablo-capile-e-verdade-sobre-sua.html

http://www.rockemgeral.com.br/2013/08/29/enfim-livre/

mamou muito por aí...com conversa fiada...desculpa, não consigo confiar numa lugar q se diz "libertário" e de esquerda que tenha esse cidadão no meio...mas se o pastor Cláudio conseguiu o perdão divino, pq não perdoar pablito...só que meu $$ nem o pastor ex-assassino (exite isso??) e nem o pablito nunca verão!!

Rodrigo Sputter disse...

Um conhecido meu, advogado e escritor, de seus 55 anos, enviou por e-mail pra mim:


Golpe de estado é quando uma facção que detém poder institucional, que faz parte do aparelho estatal – tipicamente as forças armadas ou um grupo dentro das forças armadas – depõe o governo estabelecido com o uso de violência física ou ameaça de sua utilização. O golpe, de modo geral, não altera radicalmente a estrutura política, econômica e social do país.

Revolução é quando pessoas que em sua maioria não detêm poder institucional nem fazem parte do aparelho estatal – o “povo”, se poderia dizer – se unem uma revolta, numa rebelião contra os poderes estabelecidos e depõem o governo, recorrendo também à violência física ou a ameaça de seu uso. A revolução costuma alterar substancialmente, “revolucionar” , a estrutura política, econômica e social do país. Vide as revoluções francesa, russa e cubana.

Em 31 de março de 1964 houve, portanto, um golpe de estado.


Marcos A. P. Ribeiro.

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"Simples", direto e objetivo...mas lobao que com 9 anos de iddei viveu o golpe, se lembra de tudo como um adulto e fala sobre a visão infantil dele...pena que até a brla palavra "infantil" Aqui é usada de forma "ruim"...qqueria ate deixar dubia, mas preferi não...
Ele vai dizer que o Chile TB não foi.

Rodrigo Sputter disse...

http://midianinja.org/news/holocausto-indigena-nos-anos-de-chumbo/

A galera tá acusandado a MN de usar uma foto de outra epoép dizendo que dos arquivos militares ..se for verdade...bizarro.