quinta-feira, fevereiro 14, 2019

NAVEGAR É PRECISO

Sofisticado, O Futuro Não Demora traz a Baiana System cada vez mais aprofundada em suas sonoridades e conceitos artísticos 

A misteriosa figura de máscara que é o símbolo da BS. Foto Filipe Cartaxo
Quando surgiu no cenário, há dez anos, a  BaianaSystem era pouco mais que uma das bandas / artistas que despontavam em um movimento de revalorização da guitarra baiana.

Enquanto o  movimento passou, a Baiana se agigantou, tornando-se ponta de lança de uma nova cena, abrindo caminho para artistas como ÀTTØØXXÁ, Baco Exu do Blues e outros.

Dez anos depois, a Baiana fecha esse ciclo tão frutífero com seu terceiro álbum, O Futuro Não Demora.

Tranquilamente a obra mais elaborada da banda, o álbum é um verdadeiro manifesto artístico / social com muitas camadas, tantos musicais quanto conceituais.

E ainda assim, profundamente popular, com o balanço na medida  que seus milhões de fãs amam e esperam ouvir em um álbum de Russo, Robertinho & Cia.

Sofisticado, O Futuro Não Demora chega mesmo a ganhar ares de sinfonia, graças à participação do maestro Ubiratan “Bira” Marques e sua Orquestra Afrosinfônica na própria concepção do álbum, criando arranjos, regendo e coassinando as composições que abrem e fecham o disco: Água, Bola de Cristal e Fogo.

Magnética, a BaianaSystem atraiu ainda muito mais gente boa para compor, produzir, cantar e tocar, como BNegão, Manu Chao, a dupla Antonio Carlos & Jocafi, Dudu Marote, Lívia Nery, João Teoria, Andre Becker, Vandal, Mestre Lourimbau, Curumin, Edgar, Mestre Jackson, o produtor inglês Adrian Sherwood e o grupo Samba de Lata de  Tijuaçú, da cidade de  Senhor do Bonfim.

“Foi um processo demorado, mas estamos muito à vontade com o resultado, saiu muito verdadeiro, real, traduziu nosso momento. Estamos bem felizes”, afirma Roberto Barreto, guitarrista fundador.

Dividido em Lado Água e Lado Fogo, o novo da Baiana tem produção de outra referência da área, Daniel Ganjaman, que já havia trabalhado com a banda em Duas Cidades (2016) e outras obras icônicas, como  Nó na Orelha (2011), do Criolo.

Só que, se em Duas Cidades a banda se deslocou para São Paulo para trabalhar, desta vez o movimento foi outro, cruzando a Baía de Todos os Santos para buscar inspiração na Ilha de Itaparica ao longo de todo o processo de composição e pré-produção.

Lá, os músicos se enturmaram com os membros do grupo sócio-ambiental Maré de Março, formado por jovens locais e que buscam criar lá um entendimento integrado entre história e meio ambiente.

Russo, Seko  Bass e Roberto, foto Filipe Cartaxo
“Nesse disco a gente tá falando de futuro, mas com consciência do passado, de se dar conta de nossa história, com  esse entendimento de Itaparica, de mestres como Antonio Carlos & Jocafi, Lourimbau e Mestre Jackson (percussionista com passagens pelo Olodum, Comanches do Pelô, Apaches do Tororó)”, diz Beto.

Conversas com os sábios

Na ilha, o núcleo da Baiana desacelerou do ritmo alucinante de shows pelo Brasil e pelo mundo.

“A gente tava naquela catarse toda e aí quando fomos para ilha  era aquela calma. Lá começamos com Bira uma sinfonia de guitarra baiana, baixo e Orquestra Afrosinfônica”, conta Beto.

A busca pela ancestralidade os levou ainda buscar diálogos com autoridades do assunto na  Bahia: “A  construção do disco foi dessa forma: demorada, mas não sofrida, a gente foi dando tempo e respirando para que essa participações se dessem organicamente”.

“Aí na ilha conversamos com (o  antropólogo e historiador Antonio) Risério, ele ouvia as músicas, nos falava coisas que iam abrindo outras portas, assim como (a antropóloga) Goli Guerreiro com quem também conversamos”, relata.

No dia 23, a Baiana faz seu primeiro show do ano em Salvador, no Baile Arapuca, que ainda contará com vários parceiros da banda, como BNegão (que participa na faixa Salve), Vandal (que domina geral na faixa Certopelocertoh), MiniStereo Público, Tropikillaz (dos DJs  André Laudz e Zé Gonzales) e Larissa Luz.

Mas calma, ainda não é o show de lançamento do disco novo.

“Tinha muito tempo que não fazíamos uma festa aqui. Agora, estamos começando a entender como isso (o disco novo) vai funcionar ao vivo”.

“Não vamos parar um show para começar um novo. Então ainda estamos brincando. Daqui a uns três meses que você pode chegar e ver um show novo. Ainda estamos numa transição”, explica Beto.

Certo mesmo é que, depois da festa dia 23, tem Navio Pirata no Furdunço (dia 28), depois Recife, São Paulo, Rio de Janeiro.

E entre julho e agosto, Europa: “Devemos fazer uma turnê maior esse ano, passando por Portugal, Espanha e Inglaterra, mas ainda vamos estudar tudo isso direitinho”.

Baile Arapuca / Com BaianaSystem, MiniStereo Público,  BNegão, Vandal, Larissa Luz e Tropkillaz / Dia 23 de fevereiro, 18 horas / Área Verde do Bahia Othon Palace Hotel / R$ 60 a R$ 120 / Vendas: www.safeticket.com.br

Um comentário:

Bruno disse...

Chicão, dá uma olhada no nosso primeiro clipe. Acho que vc vai gostar! https://www.youtube.com/watch?v=T6I45ZlmL8Y&feature=youtu.be&fbclid=IwAR3FSw18UWW3LBzbmW1wIAhIBNiwKpBZAcCM5W3eSSjgPz2yGtpqoxDAZrM