Como todo grande artista, o canadense Leonard Cohen, não cabe em si: carrega todas estas personas (e mais algumas) na única – e gigantesca – alma de que dispõe.
Alma da qual ele volta a nos conceder vislumbres: Old Ideas, primeiro álbum de canções inéditas desde 2004, acaba de chegar às lojas. Aos 77 anos, o judeu (Budista convertido em 1994) de Montreal, de origem polonesa, sente o peso da idade e a proximidade do fim em um CD que tem sido bastante comparado à produção mais recente de outro ícone, Bob Dylan.
O exemplo mais claro (e direto) deste caráter fatalista surge na quarta faixa de Old Ideas, Darkness (Escuridão): ”Não tenho futuro / Eu sei que meus dias são breves / O presente não é tão agradável / Só um monte de afazeres”, canta Cohen, o vozeirão grave mais rouco do que nunca, graças à idade e à longa vida na estrada.

Por que na maior parte das faixas, Cohen mais recita do que canta. Ainda assim, é um trabalho transbordante de musicalidade e poesia, como pouco se vê na música popular de hoje em dia.
Não a toa, a cada disco de sua lavra, meio mundo se curva em admiração e respeito ao velho poeta canadense.
Em Going Home, a faixa de abertura, Cohen se apresenta de forma irônica em terceira pessoa, à moda dos antigos trovadores: “Eu adoro conversar com Leonard / Ele é um esportista e um pastor / Ele é um bastardo preguiçoso / Vivendo em um terno”, murmura.
O tom crepuscular que permeia o álbum reflete bem o humor agridoce do artista, quase sempre fazendo referências bíblicas, citando amores perdidos e observações sociais desencantadas.
Pode não animar sua festa, mas massageia seu espírito com mãos de pedra. Como um chinesinho forçado a correr nu na neve, Leonard Cohen é “formador de caráter”.

Em outra frente da obra de Leonard Cohen – a literatura – a editora Cosac Naify anunciou que no dia 1º de março chega às livrarias seu primeiro livro publicado no Brasil: A Brincadeira Favorita (Rocco, 300 pgs., R$ 39,90), traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
Original de 1963, é o primeiro romance de Cohen, que já era escritor antes de se lançar na música (seu primeiro LP, Songs of Leonard Cohen, é de 1967).
A Brincadeira Favorita relata seus “verdes anos” em Montreal através do alter ego Lawrence Breavman, um jovem judeu às voltas com desilusões amorosas e descobertas literárias.
Respeitadíssimo também como escritor, Cohen foi outorgado em 2011 com o prêmio espanhol Príncipe das Asturias de Letras, uma das mais importantes premiações literárias do mundo ocidental.

Com sua poesia lítero-musical, Cohen cumpre a mais nobre de todas as aspirações artísticas: explodir fronteiras.
Leonard Cohen / Old Ideas / Sony / R$24,90 / R$ 114,90 (vinil importado na Livraria Cultura)
11 comentários:
Lega-al! Depois de Motoqueiro Fantasma 2, Neveldine / Tayler começam Adrenalina 3!
http://omelete.uol.com.br/cinema/adrenalina-3-jason-statham-iria-cacar-bin-laden-diz-diretor/
Yea!
Os (novos) Três Patetas e a freira de maiô:
http://omelete.uol.com.br/cinema/os-tres-patetas-kate-upton-mostra-seu-biquini-de-freira-em-nova-foto-do-filme/
quero dar uma escutada com calma nesse disco...baixei, mas não tive tempo de escutar direito...computador é foda pra isso, a música vira somente pano de fundo enquanto vc faz milhares de coisas...esse é um disco q vc tem q segurar o encarte, acompanhar as letras..."visualizar" o som, a atmosfera...apesar que o Cohen sempre foi um cara que eu + admirei do que conheço, ouvi o suficiente...Ele e o Reed tào nessa de recitar + do que cantar, já conversei sobre isso, da importância da palavra + do que da melodia, muito com Miguel Cordeiro, entendo perfeitamente eles...ainda + pra quem tá na cena musical há anos...mas ainda prefiro uma velha melodia vocal cantada...pode ser nova tb...
O curioso de "comparar" Cohen a Dylan, é que o 2o é + novo, mas é + veterano na cena musical...nunca tinha me tocado na idade do Cohen...ele é + velho 1 ano do que o Jerry Lee Lewis, só que o Killer se colocado + ao lado dele, parece ter 10 a mais...o rock e bourbon é uma combinação aceleradora, até fisacamente-heehhehe
Ps.: pior que se eu fosse interpretar um dos patetas eu teria que ser o cabeludo careca...eta calvície miseravi...
Darwin e Lavoisier são autores de leis universais...em todos os sentidos!
http://maierovitch.blog.terra.com.br/2012/02/23/nova-droga-para-atender-uma-grecia-quebrada-financeiramente/
Para tudo! Agora sim, meus fins de semana serão bem mais... huh.. alegres.
http://omelete.uol.com.br/series-e-tv/bozo-pode-voltar-ao-sbt/
É por essa e outras críticas desencanadas que eu gosto muito do Omelete.
http://omelete.uol.com.br/motoqueiro-fantasma/cinema/motoqueiro-fantasma-espirito-de-vinganca-critica/
E Neveldine / Taylor, definitivamente, "ruleiam" – como se dizia uns dez anos atrás.
Tomara que depois de Adrenalina 3, eles façam um Motoqueiro Fantasma 3. O personagem ainda rende legal no cinema - desde que em mãos hábeis como a desses caras.
Zumbis invadem São Paulo!
http://www.youtube.com/watch?v=C_-b02hrGh0
É o trailer oficial do curta Desalmados - O Vírus. Cúl!
Jornalista de guerra é isso aqui:
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2012/02/23/uma-jornalista-uma-heroina/
Dá até vergonha de me dizer jornalista.
O triste é que logo logo, vira filme em Hollywood, claro. Vai ser Angelina Jolie de tapa-olho, facinho.
Sensacional, essa:
http://omelete.uol.com.br/o-ditador-dictator/cinema/o-ditador-sacha-baron-cohen-ironiza-proibicao-do-oscar-em-video/
Ah, eu adoro esse cara!
Escolhido o ator que vai fazer o personagem mais PDF de todos os tempos: O Governador, de The Walking Dead.
http://omelete.uol.com.br/series-e-tv/walking-dead-escolhido-o-ator-que-vivera-o-governador/
e aqui, com mais detalhes:
http://www.bleedingcool.com/2012/02/24/david-morrissey-is-the-governor-in-the-walking-dead-season-three/
Depois de anos nos Vingadores, chegou a vez dos X-Men receberem seu "Bendis-treatment":
http://omelete.uol.com.br/x-men/quadrinhos/x-men-brian-bendis-pode-assumir-serie-nos-quadrinhos/
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