segunda-feira, agosto 29, 2011

TREMENDÃO AINDA DÁ NO COURO!



“Avisa à mulherada que eu tô chegando, viu? Avise às baianas”, pede com ênfase Erasmo Carlos, voz firme e decidida do outro lado da linha.

Ei, não se é conhecido como Tremendão por cinco décadas à toa, certo?

Como se para lembrar – como se precisasse – que ainda dá no couro (e gosta), Erasmo, aos 70 anos recém-completos em julho último, está à toda, com quatro shows na Bahia nos próximos dias e um disco novo na praça: Sexo (Coqueiro Verde).

O primeiro show foi sábado, em Lençóis, no Festival de Inverno que agitou a Chapada Diamantina.

E entre os dias 9 e 11 de setembro, ele aporta em Salvador, para três datas no Cine-Teatro Casa do Comércio.

Com Sexo, Erasmo completa a segunda e última parte de uma trilogia que estava planejada para acabar por aqui mesmo.

Explica-se: em 2009, ele lançou o elogiado álbum Rock ‘n’ Roll, que marcou seu retorno ao gênero que lhe deu fama, ainda na Jovem Guarda.

“Quando eu gravei Rock 'n' Roll, todo mundo começou a me perguntar se na sequência, viria Sexo & Drogas”, ri o roqueiro-mór.

“Mas isso é a mentalidade de pessoas que ficaram escravizadas nos anos 1970. Drogas não fazem mais parte da minha vida, e certamente não será este o título do meu próximo disco”, avisa, de antemão.

“Mas aí pensei, por que não fazer Sexo? Aí, fiz”.

Como se sabe, desde o lançamento de Rock 'n' Roll, Erasmo promoveu este retorno às suas raízes roqueiras.

"Passei a dar mais foco a isso. Eu comecei no rock, mas depois me aventurei por outros caminhos da MPB. Ela tem um leque muito grande, sabe, a MPB permite isso por que oferece muitas influências e eu quis usar todas elas. Mas, mais recentemente resolvi focar mesmo no rock 'n' roll, que foi onde comecei saca"?

Como se sabe, para fazer um bom Sexo, parceiros bem colocados são essenciais. Além do produtor Liminha, Erasmo contou neste disco com parcerias bem azeitadas, como Arnaldo Antunes (nas faixas Kamasutra e Roupa Suja), Adriana Calcanhoto (Seu Homem Mulher), Nelson Motta (Vênus e Marte e E Nem Me Disse Adeus) e Chico Amaral (Sexo e Humor).

“Quando liguei para eles e pedi as letras, eu só disse que o nome do disco seria Sexo, e cada um que fizesse o que quisesse dentro do tema”, conta.

“Se fizesse todas as letras, eu acabaria me repetindo. Fiz umas cinco ou seis, só. Foi bom assim, por que vi o que os outros pensam sobre sexo também”, crê.

Ao contrário do que a capa pouco sutil pode sugerir, a forma com que Erasmo e seus aliados abordam o tema é elegante – sem ser pudica. “Eu faço o que eu sinto”, delimita.

“Eu tenho que impor meu lugar, colocar esse tipo de música aonde pode não ser aceito. Alguém tem que fazer isto, senão estaria fazendo músicas de adolescente. Comercialmente, seria ótimo, eu estaria mais nas paradas, nas TVs”, reflete.

“Mas esse não é meu negocio. Eu quero mostrar para os adolescentes que os pais deles também amam – e pegam até mais pesado do que eles no sexo”, garante.

Cheio de gás, Erasmo incorporou aos seus músicos de acompanhamento o jovem power trio de estilo sessentista Filhos da Judith, que lançou há pouco também seu primeiro álbum pela mesma Coqueiro Verde.

"Esses meninos fazem um trabalho vocal muito bom, é uma coisa que sou apaixonado. Junto com mminha voz fica demais. Eu amo vocal, sou um dos poucos artistas que prestigiam o trabalho vocal. Veja bem, não estou falando de coro. Isso todo mundo faz, é vocal mesmo. Inclusive, meu primeiro conjunto foi vocal, Os Snakes", recorda.

“A música evolui, conforme a gente amadurece. Eu faço o que sinto agora. Eu fazia rock adolescente quando era jovem. Depois fui ficando maduro, conhecendo a vida. Sempre fui muito sincero, honesto e digno ao reproduzir essas coisas, me sinto a vontade de cantar as músicas adolescentes da Jovem Guarda por que eu as fiz assim. Não as faria hoje. São muito inocentes para mim”, conclui, sábio.

Erasmo Carlos / Show Sexo & Rock 'n' Roll / Teatro SESC Casa do Comércio / 09, 10 e 11 de setembro, 21 horas / No dia 11, às 20 horas / R$ 100 e R$ 50


21 comentários:

Franchico disse...

Duas coisas.

1. Não tenho palavras para expressar a honra que foi poder conversar com este cara, mesmo que por telefone, durante pouco mais que dez ou quinze minutos. Coisa para contar aos netos (caso eu venha a te-los). Este texto (editado) foi publicado no periódico da Av. Tancredo Neves, na semana passada (não lembro agora a data).

2. Pena que o ingresso para estes shows sejam tão caros. Eu mesmo não tenho a menor condição de pagar um ingresso desses, com o salário que eu ganho. Esse show deveria ser na Concha Acústica, a preços mais acessíveis para o povão poder ir. Mas enfim, é só o que eu acho....

Márcio A Martinez disse...

Concordo, Chico, devia ser na Concha, mas acho que vou no sesc e depois te conto como foi... rsrs...

Eu comprei o Rocknroll quando foi lançado e realmente é muito bom! Sem essa de nostalgia ou retro-qualquer-coisa como rolou por aqui no último post. o Cara não tá fazendo nada a não ser se mantendo jovem, e isso tem tudo a ver com o rocks... Longa vida ao Big Tremendous!!!

Anônimo disse...

caro chico
faço minhas as suas palavras.
mas apesar do altissimo valor do ingresso farei um esforço e irei, a patroa fica em casa (ela é compreensiva).
o novo cd é muuuuito bom, acho ate q melhor que o anterior que tem mais atitude rocker, mas Erasmo funciona bem quando é mais sutil.
vide o cd Santa musica, subestimado mas sensacional.
faço votos de ve-lo por la (quem sabe ce não ganha uns convites??)
t

cebola disse...

Me parece que o big shake anda ouvindo muito The Who, baseado aí nesse vídeo...né?
Só posso abrir aquele sorriso.

Anônimo disse...

gostaria de apresentar minhas sinceras desculpas ao amigo marcos rodrigues por ter externado minhas opiniões sarcásticas ao meu jeito sobre taz, teatro e quetais aqui no blog...não tinha a intenção de denegrir o rapaz que conheço desde os anos 80...ele é um homem de bom coração...apenas tem lá seu jeitão, mas é gente boa...enfim...não quis te magoar...de coração mesmo...
cláudio moreira

Franchico disse...

Rock Loco, o seu consultório sentimental dos roqueiros quarentões baianos!

Franchico disse...

"É instantâneo: toda vez que ouço falar de A Banda Mais Bonita da Cidade, Criolo, MPB indie e produtores culturais puxando o saco de estatais, lembro de Nick Tosches. O velhinho me lembra sempre que não é por isso que gosto de música."

É por essas e outras que eu simplesmente não consigo ficar um dia sequer sem conferir o blog do Barcinski. O cara empre escreve o que eu estou pensando mas não consigo (ou não tenho coragem de, confesso) externar.

http://andrebarcinski.folha.blog.uol.com.br/

On The Rocks. disse...

Chicão,

teu blog é um dos melhores da blogosfera, man.

quanto às ideias que não consegue externar, deixa pra lá, o conteúdo do teu já vale a pena, e os comentários, uma atração à parte - rs

Abs

Franchico disse...

Obrigado, Buenas! Vindo de vc, me sinto lisonjeado!

Franchico disse...

A rapaziada que lia a Bizz nos anos 80 deve lembrar desse debate hilário:

http://screamyell.com.br/blog/2011/08/30/debate-rock-brasileiro-que-barulho-e-esse/

E a que ainda não era nascida, recomendo a leitura. Aliás, gostaria de ler algumas conclusões dos leitores do Rock Loco sobre esse debate de 23 anos atrás. Todos os 5 ou 6 (leitores), se possível...

Anônimo disse...

lembro desse debate...não tenho tempo de reler a coisa, mas sem dúvida o rock brasileiro que frequentou as rádios e tvs da época não fez a minha cabeça... assim como na argentina, o rock foi a válvula de escape de uma geração que finalmente se via livre de um regime militar e queria se expressar...mas musicalmente...francamente....
cláudio moreira

Anônimo disse...

o da argentina era melhor...hehehehehe...viva pappo e charlie garcia....
cláudio moreira

cebola disse...

Reli trechos do debate. É muito interessante este exercício. Dentre as declaraçõs, uma eu achei digna de citar aqui. Vejam só, Gutje falando:
"Tem que acontecer alguma coisa pala acabar com essa dependência do público em geral dos meios de comunicação de massa. Porque se o pessoal ficar dependendo de televisão, do que toca no rádio para consumir, para comprar disco, então vai ser um inferno... acho que as coisas só tendem a piorar..."

Pois é...Essa tal coisa que tinha que acontecer, que o Gutje esperava/profetizava, aconteceu. Internet. mp3. E aí? Melhorou?
No fim do "debate", outra frase que, pra mim, deu um fecho de ouro: Carlos Maltz, Engenheiros - "Tirante a fantasia e os número de vendas, sobra pouca coisa. Passou cinco anos; quem é que vai se lembrar? Eu só acho que não dá para abrir mão das tuas canções... Aí, ó: ser virgem nas canções, na composição. Na divulgação, sou uma putana."

cebola disse...

E, finalizando, outro trecho que acho bem interessande se discutir principalmente por causa dessa coisa "roqueiros do Brasil uni-vos!!" que de vez em quando acomete nossa...err, "cena", vá lá. De novo, Carlos Maltz:
"Na real: todo mundo tá cada um na sua, esse sindicato aí eu estou fora. Acho que é cada um por si, e é até divertido esse lance. De repente, a gente é tão pequeno na jogada... A Volkswagen acabou com o Fusca, que era muito mais histórico do que todo mundo aqui junto. Na maior."
É isso. (?)

Nei Bahia disse...

O black crowes passou por Londres...e aí um cara tava de bobeira e subiu no palco pra tocar.

Eu acho que conheço a fisionomia dele:
http://whiplash.net/materias/news_849/134180-ledzeppelin.html

teclas pretas disse...

tremendão...eu e joe passamos um tempo na casa dele ouvindo uns discos dos 70s de erasmo. muito bom! joe conhece tudo dele. adorei o rock n' roll e quero muito ouvir esse novo. capa bonita pacasss...

esse cara com o black crowes é um coroa que mora na chapada e toca muito! rsrsrs

Franchico disse...

Cebola, Gutje ainda não sabia da missa a metade, nem imaginava o quanto ele estava sendo profético, no pior sentido da palavra....

Franchico disse...

Certas coisas deveriam simplesmente ser deixadas em paz.

http://omelete.uol.com.br/series-e-tv/blues-brothers-podem-voltar-como-serie-de-tv/

Concorda, Cebola?

osvaldo disse...

o debate da bizz mostrava bem a divisão entre as bandas que estavam com as majors e as "independentes", e o mais radical deles, João Gordo, não tocou no Chacrinha, mas esta na Record e virou parte daquilo que ele tanto combatia, talvez até mais maleavel que alguns dos ele considerava vendidos ao sistema. no fundo não mudou muita coisa, e desde aqueles tempos desconfio de pessoas com postura muito radicais, sem muito comedimento, que gostam de posar de moralistas. esse tipo de artista é o que mais facilmente se rende ao que ele antes chamava de "sistema".

Anônimo disse...

sim..brama...tudo é mercadoria na engrenagem da economia de mercado...essa que tantos amam e acham até que é sinônimo de liberdade...mas o batera dos empreteiros da polinésia acertou em cheio: a postura do artista deveria ser diante do sistema a de ser santo na composição e devasso na divulgação...
cláudio moreira

cebola disse...

Este filme, só para usar um velho clichê, definitivamente, mudou a minha vida. Eu era um garoto, um adolescente, que gostava, sim, de musica, de forma, sei lá, meio genérica, meio fundo sonoro. Eu lembro perfeitamente o dia em que eu e mais três amigos/colegas do Vieira fomos assistí-lo no cine Tamoio. Foi um choque. Nós assistimos três sessões seguidas e ainda não conseguíamos acreditar. Aquele negão na igreja. Aquele outro na loja de instrumentos musicais. Aquela garota na lanchonete. Aquele cara Jake. Aquele cara Elwood. Carros sendo destruídos, sweet soul music, sunglasses e gravatas pretas finas sob olhares reprovadores e pick ups rolando vinis incríveis no meio de terremotos de metrô. A política correta sendo mandada ao inferno de Landis, versão funny do Dante, querendo só fazer você rir e curtir a melhor música jamais feita. O que eu posso dizer, man?

"Certas coisas deveriam simplesmente ser deixadas em paz."

eU APOSTO QUE O SENHOr jOHN bELUSHI estaria descendo uma maldita escada, tomando este maldito violão e arrebentando ele na cabeça destes filhos de uma puta que insistem em cantarolar suas malditas canções de merda sobre os caras do bem. Bem feito mundo. Você merece.

É isso.