segunda-feira, abril 07, 2008

BODAS DE ADAMANTIUM

Há 40 anos, os personagens Marvel chegaram ao Brasil, iniciando uma bela história de amor com o País

Em 1967, jovens e crianças de todo o Brasil começaram a pedir aos seus pais que enchessem o tanque dos seus carros nos postos da Shell. É que, por apenas NCr$ 0,40 (quarenta centavos de Cruzeiro Novo), eles podiam levar para casa uma das três revistas em quadrinhos que a multinacional petrolífera, em parceria com a Editora Brasil-América (Ebal) e a agência de publicidade Standard estavam lançando no País: Capitão Z (com histórias do Capitão América e Homem de Ferro), Superxis (com o Incrível Hulk e o Príncipe Submarino) e Álbul Gigante (com o Poderoso Thor). Era o início de uma longa e ininterrupta história de amor que chegou aos 40 anos no fim do ano passado.

Se houvesse uma comemoração específica para a data, esta poderia ser chamada de Bodas de Adamantium (metal fictício do qual são feitas as garras do Wolverine, por exemplo). Como isso não existe, a Panini, atual editora nacional da hoje poderosa empresa de entretenimento Marvel Characters, lançou o álbum comemorativo Marvel - 40 Anos no Brasil, uma edição de luxo apresentando 14 histórias selecionadas entre as que mais emocionaram o leitor brasileiro nas últimas 4 décadas.

Lançado em dezembro de 2007, somente na semana passada o álbum chegou às bancas baianas por conta da distribuição setorizada, prática que privilegia os mercados do eixo Rio/SP, para somente três ou quatro meses depois seguir para o resto do País. A espera, contudo, valeu a pena.

Além das 14 histórias - quase todas, realmente antológicas - há ainda o longo texto ilustrado A História Secreta da Marvel no Brasil, assinado pelo jornalista baiano Gonçalo Júnior (autor de livros importantes como A Guerra dos Quadrinhos e O Homem-Abril) e pelo editor-senior Fernando Lopes.

Nela, os dois autores esmiuçam os bastidores históricos da chegada e a subsequente trajetória da chamada Casa das Idéias em terras brasileiras, iluminando muitos pontos obscuros, como as diversas trocas de editoras pelo País: Ebal, Bloch, Rio Gráfica & Editora - RGE (atual Ed. Globo), Abril e finalmente, a atual Panini, multinacional italiana responsável pelo licenciamento dos personagens Marvel em toda a América Latina (menos México), Europa e Oceania.

O segredo do sucesso da Marvel: seus personagens, longe de serem super-homens, estavam sujeitos aos problemas e fraquezas comuns à qualquer mortal, desde o alcoolismo que quase acabou com o Homem de Ferro, até ao ódio do Demolidor pelo vilão Mercenário. Emoção: esse é o segredo da Marvel.

NO FIO DO BIGODE - Entre as muitas histórias curiosas contadas por Gonçalo e Lopes no texto, nenhuma é mais incrível do que a revelação de que, em 1967, a Marvel e a Ebal - do russo naturalizado brasileiro Adolfo Aizen - não tinham nenhum contrato assinado garantindo a cessão dos direitos de publicação dos gibis no Brasil.

"Nunca houve", conta Paulo Adolfo, filho de Aizen, aos autores, "contrato por escrito da Ebal nem com a DC Comics (editora de Batman e Superman, também publicados pela Ebal) ou qualquer outra editora ou syndicate. Estamos falando de uma época em que o fornecimento de material jornalístico era realizado na base da confiança ou do 'fio do bigode'. No máximo, uma correspondência era trocada entre os editores interessados".

A estratégia - ou a falta dela - deu certo por algum tempo, com as revistas caindo no gosto da juventude e vendendo muito bem, graças à uma providencial ajuda das redes de televisão, que veiculavam os desenhos animados (e alguns desanimados, para falar a verdade) de heróis como Homem-Aranha, Capitão América, Thor e Os Quatro Fantásticos (hoje chamado de Quarteto Fantástico).

Infelizmente, Aizen caiu vítima dos super-poderes de outro Adolfo, o Bloch, então um bem-sucedido publisher no auge do sucesso editorial de revistas como as extintas Manchete e Fatos & Fotos. No embalo, Bloch descobriu que não havia contrato entre a Marvel e a Ebal, e instruiu seu representante em Nova Iorque, Alberto Cunha, a literalmente, tomar os direitos de publicação dos personagens para a editora que levava seu nome.

Missão cumprida, amizade rompida entre as famílias, até então unidas pelo casamento entre alguns parentes: "Não entendi até agora por que Adolfo Bloch fez isso com papai", lamentou Naumim Aizen, outro filho de Adolfo, aos autores.

Na Bloch, porém, o Homem-Aranha e cia duraram apenas 4 anos, migrando em 1979 para a RGE, de propriedade do jornalista Roberto Marinho. Segundo Gonçalo e Lopes, existem duas versões para essa mudança: uma dizia que a matriz americana estava insatisfeita com o tratamento editorial e gráfico da Bloch. A outra era de que a TV Globo, empresa-irmã da RGE, estava prestes a exibir os novos desenhos do Homem-Aranha, além dos seriados (com atores reais) deste último e do Incrível Hulk.

Como só estava interessada nos personagens que também apareciam na TV, a RGE deixou os outros, considerados de "segunda linha" descobertos judicialmente.

Foi aí que entrou em cena a Editora Abril, que lançou, poucos meses depois, os gibis Capitão América e Heróis da TV, iniciando uma bem-sucedida relação que, não apenas tiraria a RGE da jogada definitivamente (em 1983), quanto duraria 23 anos, com vendas estrondosas nos anos 80 e 90 e inúmeros títulos lançados, entre séries, especiais e minisséries a rodo.

Apesar de muitas reservas, como cortes de páginas inteiras e modifições injustificáveis de textos originais, a Abril marcou época.

A relação chegou ao fim no ano 2.000, quando a editora, numa manobra desastrada, lançou a linha Premium, revistas de luxo caríssimas, que afastaram os leitores. Foi aí que chegou a Panini, que não apenas recuperou os leitores perdidos, quanto expandiu a linha, hoje com mais de 20 títulos todos os meses nas bancas.

Marvel - 40 anos no Brasil
Vários artistas
Panini / Marvel
336 páginas | R$ 49
www.marvel.com
www.paninicomics.com.br

5 comentários:

cebola disse...

Chiquéris, publiquei um novo post lá no meu blog. É sobre o fantabuloso filminho de mr. scorcese, shine a light, divulga aê, beleza? www.oculosdecebola.blogspot.com
abraços, galera rockista!

Franchico disse...

O pioneiro do jazz fusion Larry Coryell toca nesta sexta e sábado no Teatro Jorge Amado, Pituba.

No MySpace dá para ouvir alguma coisa, e, confesso, é bem menos chato do que imaginei...

(Confesso que não sou muito chegado no estilo. Mas o cara é bom pracas, e é de fato, um dos mestres desta seara).

http://www.myspace.com/larrycoryell

Aguardem materinha para mais logo...

Franchico disse...

Guia Brasil Para Principiantes.

http://www.malvados.com.br/

Franchico disse...

Acha que aqui tá ruim? Vai pra Caracas!

Canal venezuelano tira Os Simpsons do ar

Autoridades determinaram que o programa não pode ser exibido no horário matinal

http://www.omelete.com.br/teve/100011957/Canal_venezuelano_tira_Os_Simpsons_do_ar.aspx

O genial é que, com a desculpa de que o seriado atua "contra a educação das crianças" (imagine!), eles colocaram no lugar o seriado Baywatch (o SOS Malibu aqui no Brasil). Claaaaaro, Pamela Anderson de maiô vermelho é muuuuuito mais educativo que os Simpsons.

M. R. disse...

A Theatro de Séraphin faz a abertura da apresentação da banda pernambucana Eddie. Nesse sabado, às 17h, no patio do ICBA, Corredor da Vitoria. Ingressos R$10.

See you later, alligator.