sábado, março 03, 2007

SINAL VERDE PARA O VANGUART

Incensado pela crítica e querido pelo público, grupo matogrossense se apresenta amanhã em Salvador
Cuiabá, a distante capital do Mato Grosso, quem diria, abriga uma frutífera e original cena de rock n' roll. Fãs e curiosos poderão conferir em primeira mão a performance ao vivo da banda ponta-de-lança desse novo movimento, a prestigiada Vanguart, que se apresenta em Salvador amanhã, na casa de shows Boomerang.

A banda é hoje a grande aposta do circuito independente após um promissor ano de 2006, quando emplacaram pelo menos dois hits alternativos (a contagiante Semáforo e Cachaça, com clipe no You Tube), levaram seu show a 20 cidades e 14 capitais e fizeram a limpa nas listas de melhores do ano, abocanhando sempre os primeiros lugares nas categorias "Revelação", "Melhor música" e "Melhor show", incluindo aí indicações ao VMB da MTV e Revista Bizz.

Vinda de Aracaju, o Vanguart se apresenta em Salvador fechando uma mini-turnê pelo Nordeste durante o Carnaval. "Nos apresentamos no primeiro dia do festival Grito Rock em Cuiabá, o que foi meio que um show de despedida, já que estamos nos mudando para São Paulo. De Cuiabá, partimos para o Nordeste. Tocamos em Natal, Fortaleza, Recife, Campina Grande, João Pessoa e Aracaju. A última parada é aí em Salvador. E daí vamos para BH e São Paulo", prevê Hélio Flanders, vocalista e band leader.

Formado por Helio Flanders (voz, violão e gaita), Reginaldo Lincoln (baixo e vocal), David Dafré (guitarras e vocal), Luiz Lazzaroto (teclados e vocal) e Douglas Godoy (bateria), todos na faixa etária dos 22 anos, o Vanguart levará para São Paulo seu primeiro disco já gravado na bagagem, com previsão de lançamento para maio ou junho. "Ainda estamos vendo por onde sairá o disco, então prefiro não citar nomes", esquiva-se o jovem cantor.

A perspectiva de mudar-se para São Paulo abre novos horizontes no caminho do grupo, já que tocar uma carreira no circuito rock brasileiro a partir de Cuiabá não seria nada fácil. "Cuiabá é muito distante, muito isolada. O Vanguart é uma banda de cinco pessoas, então seria inviável ficar indo e voltando de São Paulo toda hora. Morando lá fica esperamos trabalhar mais", reflete.

SEMÁFORO - Pegos de surpresa com o sucesso repentino e absolutamente espontâneo de Semáforo, Hélio classifica o hit como "uma libertação. Foi nossa primeira canção em português, e se você for ouvir com atenção, é uma música pretensiosa", avalia. Ele tem razão. Com um refrão que contagia a cantar junto, o grande hit underground de 2006 tem aquela pegada característica das grandes canções que se tornam hinos de uma geração: "Hoje é terça-feira / o céu borrou a cor / ó minha mão do céu / ó meu pé do chão (...) Só acredito no semáforo / só acredito no avião / eu acredito no relógio / acredito no coração (...) hoje é terça-feira / e todos meus amigos querem morrer", grita Hélio no final catártico, o peito carregado de dor.

Enganam-se porém, desavisados que imaginam se tratar de mais uma banda indie ? ou como se diz aqui em Salvador, do rock triste tão detestado por uns e adorado por outros. O Vanguart nada em águas ainda mais profundas, tanto que Hélio refuta as freqüentes comparações com o Radiohead de Thom Yorke, cuja voz a dele remete aqui e ali. A referência correta para se entender o som da banda matogrossense é o folk rock americano das décadas de 60 e 70, mais especificamente Bob Dylan circa 1966, quando o bardo ianque eletrificou seu som e mudou a cara do rock para sempre.

"Radiohead, eu discordo, não acho que sejamos influenciados por eles. Agora, Bob Dylan, Neil Young, tudo bem. Eu aprendi a compor ouvindo esses caras. Hoje eu ando ouvindo mais música brasileira, bossa nova", esclarece. Essas referências sólidas em uma época tão repleta de superficialismo tornaram o Vanguart uma anomalia - no bom sentido - no cenário rock nacional. Em uma cena onde a esmagadora maioria das bandas formadas por garotos parece ter começado a ouvir rock com CPM 22, alguém remeter aos velhos mestres é algo raro.

BURRO - "Nosso primeiro show fora de Cuiabá foi no [Festival] Bananada, em Goiânia. E o Vanguart ali parecia uma coisa completamente esquizofrênica, eu com meu violão, no meio de um monte de bandas super pesadas, com guitarras no talo, sabe?" pergunta o vocalista. Para ele, o Vanguart nem sequer é uma banda de rock, no sentido ortodoxo do termo. "O lance no rock é que as vezes ele é meio burro, muito preso a estereótipos. Fica aquele medo de não ser considerado rock, então ele se arma de todos aqueles clichês para demarcar território. Mas o que importa é a música sangrenta, independente do grau de distorção da guitarra", manda Hélio, certeiro.

O sucesso do Vanguart - ainda que restrito ao segmento específico do rock - parece já ter gerado crias no seu torrão natal, o qual, segundo o cantor, se encontra neste momento "em ebulição". "Cuiabá tem uma puta cena bacana agora. Quer dizer, já existia antes, mas não saía pra fora dos limites da cidade. Agora é outro momento, e pela distância do resto do Brasil, as bandas de lá acabam soando mais puras em termos de conceito, digamos assim. Sem os vícios das bandas dos grandes centros", define.

NIGHT - O rock desse domingo na Boomerang começa cedo, como convém a quem tem que acordar cedo na segunda-feira. Abrindo a noite, o indie rock da Starla, boa banda local que deverá lançar seu primeiro disco ainda nesse primeiro semestre, com produção do macaco velho Luizão Pereira, ex-integrante de bandas significativas do cenário soteropolitano, como Cravo Negro (nos anos 80) e Penélope (nos anos 90).

Na seqüência, Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta, uma das bandas mais queridas da cidade com seu rock pós-tropicalista cheio de suíngue e sentimento, mandam ver canções do novo repertório (como o recém-lançada Aquela dança) e velhos hits, como Sete sete, Obediência, O Drama e Noite, entre outras cantadas de cor pelo seu fidelíssimo público.

www.myspace.com/vanguart www.fotolog.com/vanguart

Matéria publicada no jornal A Tarde de 3 de março de 2007. Texto sem a edição do jornal.

7 comentários:

Cláudio Moreira disse...

alguém pode me dizer como foi o show da nova fantástica sensacional fenomenal nova banda independente do Brasil?

Franchico disse...

Eu tb gostaria de saber. A noite de sábado acabou com meu domingo....

Cláudio Moreira disse...

niver de pedro acabou com meio rock baiano?

miguel cordeiro disse...

no meu blog

www.miguelcordeiroarquivos.blogger.com.br

meu post sobre KAREN DALTON está linkado hoje, 05 março 2007, no
site internacional expecting rain

www.expectingrain.com

Luciano disse...

Eu acho que vocês iam gostar, até coentei que se estivesse lá iam curtir, mas... rolou bob dylan, velvet, beatles entre as covers...

Cláudio Moreira disse...

então luciano deve ter sido bem legal...vi foto do cara da banda com camisa de tom waits...bom, sinal...

Cláudio Moreira disse...

ROCK AND ROLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!
deu vontade de gritar...
desculpe aí people...