segunda-feira, julho 14, 2014

MÚSICA ERUDITA LOCAL, NACIONAL E INTERNACIONAL EM FOCO

Com mais de 100 ações artísticas e acadêmicas, a série de eventos MAB - Música de Agora na Bahia volta com patrocínio da Petrobras e um ano e meio de duração

OCA (Oficina de Composição Agora), organizador do MAB. Ft: Emilio Le Roux
Realizado pela primeira vez em 2012, a série de eventos MAB - Música de Agora na Bahia volta a partir de hoje em edição maior e mais ambiciosa, com uma programação que se estenderá por nada menos que 18 meses, até dezembro de 2015, com patrocínio da Petrobras, via seleção pública de Redes de Música do Programa Petrobras Cultural.

Dedicado a divulgar a produção da música de concerto (ou erudita) contemporânea criada na Bahia, no Brasil e no mundo, o MAB trouxe à cidade, em 2012, nomes significativos deste cenário.

Entre eles, o pianista belga Daan Vandewalle, o compositor português João Pedro Oliveira, a alemã Farnziska Schroeder e os norte-americanos Jon Appleton (um dos criadores do sintetizador) e Paul Botelho.

Para esta edição, ainda não foram divulgados nomes internacionais, mas já há três bons eventos na programação, que está só começando.

Ensemble MAB. Foto: Lia Sfoggia
A abertura do projeto será hoje a noite, no Salão Nobre da Reitoria da Ufba, com o MAB Ensemble, grupo criado especialmente para esta edição do MAB, executando peças de autores contemporâneos baianos, como Paulo Costa Lima, Alexandre Espinheira, Paulo Rios Filho, Guilherme Bertissolo, Túlio Augusto, Alisson Gonçalves, Joélio Santos e Danniel Ferraz.

Os membros do MAB Ensemble foram selecionados entre alguns dos melhores músicos da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), portanto, a atuação certamente será de alto nível, confira: Lucas Robatto (flauta), Vladimir Bomfim (violão), Pedro Robatto (clarinete) e Fernanda Monteiro (violoncelo)

Depois de amanhã, o segundo evento: uma Projeção Sonora Especial, com a apresentação de obras eletrônicas e interativas, projeção de vídeos e a participação do DJ João Meirelles, ele mesmo compositor de música contemporânea e colaborador do MAB.

Nas projeções sonoras, as peças musicais são reproduzidas em sistema de som quadrifônico, “cercando” o ouvinte com o som, quase sempre acompanhado de projeções visuais e / ou performances.

O outro evento previsto é ainda em setembro, com o lançamento de uma série de concertos em cidades do interior do estado.

O primeiro será no Teatro Cidade do Saber em Camaçari, no dia 3 de setembro, com o MAB Ensemble. Entre os eventos desta semana e este último, outros surgirão. Para acompanhar, vale seguir o MAB nas redes sociais.

Mas nem só de concertos será feito o MAB 2014-15.

Serão mais de mais de cem ações artísticas e acadêmicas, incluindo palestras, recitais em escolas públicas, intervenções performáticas, seminários, workshops, concursos de composição locais e um latino-americano, além da concessão de bolsas para estudantes da rede pública e para compositores de outros estados do Brasil.

O MAB é uma realização do coletivo de músicos baianos OCA (Oficina de Composição Agora).

Concerto de Abertura MAB – Música de Agora na Bahia 2014-15 / Com MAB Ensemble / Hoje, 20 horas / Salão Nobre da Reitoria da UFBA / Gratuito

quinta-feira, julho 10, 2014

O SURF BUDISMO DE ANDRÉ L. R. MENDES: SUBINDO À TONA A PARTIR DO DIA 15

André L. R. Mendes. Foto: Cintia Moreno.
André L. R. Mendes é, possivelmente, o músico baiano que mais saiu nesta coluna (a Coletânea, do Caderno 2+ do jornal A Tarde) desde que ela foi assumida por este jornalista, há seis anos.

Contando com a de  hoje, já  são cinco Coletâneas: quatro aparições solo e uma com Os Culpados.

A razão é simples: ninguém produz com tanta regularidade (mantendo a qualidade) quanto o ex-Maria Bacana – sua histórica banda nos anos 1990.

Depois que desfez a banda Os Culpados, André se lançou na missão de lançar um álbum solo por ano, sempre no dia 15 de julho, sua data de aniversário.

Em 2011, estreou solo com  Bem-Vindo à Navegação. Em 2012, Enfim Terra Firme. Em 2013, Amor Atlântico.

A cada disco, ele contabiliza mais de 40 mil audições e downloads. Parece pouco, mas é um número significativo para quem faz tudo do próprio bolso, sem recorrer a editais.

Semana que vem, ele chega ao quarto capítulo desta saga musical litorânea: Surf Budismo. O colunista já deu uma ouvida e arrisca: é o melhor dos quatro.

Se nos três primeiros André buscava uma linguagem mais acústica meio na linha Jack Johnson, desta vez o cara mergulhou numa estética eletrônica lo fi vintage, remetendo muito à seminal banda indie escocesa Orange Juice (1979-85) e aos gaúchos Os The Darma Lóvers.

Sabe o que é mais louco? Ele jura que não conhece nenhuma das duas bandas.

Sabe o que é mais louco ainda? Ele gravou tudo sozinho, num iPad.

“Eu já tinha trabalhado com produtores: andré t. no Bem-Vindo e Jorge Solovera nos dois últimos. Aí alguém me mostrou um aplicativo chamado Garage Band. Fiquei intrigado, ‘pô, será que consigo fazer um álbum com isso  aqui’”, se perguntou André.

“Comecei a mexer e descobri que dava, sim. Cara, eu vi a luz. Posso gravar a hora que eu         quiser, do jeito que eu quiser. Não deu certo? Descarto ali mesmo. Liberdade total”, comemora.

"Eu pude fazer o disco que eu queria sem a pressão de um estúdio, a hora correndo. Se eu tiver uma ideia de letra, posso mudar as duas horas da manhã, se eu quiser, gravar um trilha de guitarra a qualquer hora. Então botei muita coisa ali", afirma.


Dez guitarras

Há quem cante no banheiro. André grava de madrugada no iPad. Ft: Cintia Moreno
Ele conta que a opção por timbragens e sons mais eletrônicos foi em decorrência da própria ferramenta de gravação.

“Quando você abre o programa, ele te dá algumas opções de bateria. Mas  se você usa uma analógica, soa muito artificial. Aí escancarei logo que é programação. Daí o disco  ficou com esse clima mais eletrônico. Mas comecei as canções como sempre, na voz e violão”.

"Agora, você tem que estudar o programa, para ter uma noção do que você quer. Também aprendi muito com Solovera, vendo ele produzir. Aí você vai montando: joga uma caixa no tempo que você quer e vai montando o resto. Você mesmo toca o baixo, o piano, o teclado. Tudo virtual, mas é você que toca. E ainda tem pedaços de bateria que são tocadas, mesmo. É o futuro, rapaz! Nem tudo que chega de novidade é diluidor", aposta.

“Agora, não tem comparação gravar uma Gibson em  numa mesa JCM. No iPad você grava direto no aparelho. Aí botei dez guitarras para equiparar”, diz.

"E posso dizer que fiquei muito satisfeito com o resultado. Ouço e me admiro: fiz em casa. É libertador. Se eu quiser, posso emendar outro agora mesmo. Eu posso", ameaça.

"Tematicamente, ele fala de algumas coisas. Volto ao velho tema do amor, que eu sempre vou falar. Acho legal - se você faz de uma forma legal, claro", diz André.

"Falo também do clima que rola hoje em dia no Brasil. A música O Medo nos Olhos de Marina fala dessa conspiração do medo batendo em nossa porta. Acho que temos que deixar essa merda para lá, seguir em frente. Senão não saímos nem da cama. Não assisto mais jornal. Acho que vivo melhor assim", afirma.

Surf Budismo (e os outros discos de André) saem de graça no site dele. Quem quiser colaborar pode comprar um postal. Ouve lá e me diz se não é legal pra caramba?

Baixe: www.andremendesmusica.com.br (Surf Budismo só a partir do dia 15)


NUETAS

Síncope, Os Jonsóns, Desrroche

Desrroche. Medo.
O Dia Mundial do Rock no Pelourinho terá as bandas Síncope (heavy metal clássico), Desrroche (gótico industrial) e Os Jonsóns (rock 'n' roll). Domingo, às 18 horas, na Praça Pedro Archanjo. Grátis.

Cavalera Conspiracy

Para anotar na agenda: a banda Cavalera Conspiracy, dos irmãos Max e Iggor (ambos fundadores e ex-membros do Sepultura) fazem seu primeiro show em Salvador no 7 de setembro, às 20 horas, no Bali Beach Club. 1º lote: R$ 80, no www.ticketbrasil.com.br.

Los Tenebrosos@Other Place

Amanhã e na próxima sexta, dia 18, o pessoal da Lo Han ("disfarçados" sob o nome Los Tenebrosos) toca clássicos do rock em versão acústica no happy hour do The Other Place (Rua Ariston Betinho De Carvalho, 247 - Brotas). É como eles dizem: "Motos, chopp artesanal, frango frito, sinuca, telão e muito Rock and Roll". Tá bom, né? 20 horas, 5 pilas.

UPDATE DE ÚLTIMA HORA: Dave Lombardo em Salvador

O lendário e absolutamente devastador baterista original do Slayer, Dave Lombardo, fará uma turnê de workshops pelo Brasil em agosto. Salvador será exatamente a primeira parada do músico no país, no dia 23. Veja mais.

terça-feira, julho 08, 2014

ROCKS OFF NA COPA: KRAUT ROCK, HÜNDIN!*


*Bitch, em alemão.

Isso mesmo que vocês leram. K.R.A.U.T. ROCK, BITCH!

Só mesmo os professores do podcast Rocks Off para nos brindar, no dia do jogo decisivo do Brasil contra a Alemanha, com uma aula sobre a casta do mais puro (ops) rock alemão.

FO-DA.

Com a chefia de sempre: Nei Bahia, Osvaldo Braminha Silveira Jr. e Miguel Cordeiro.

Pode se esbaldar, jawöhl?

Agora, se me dão licença, tem um balde de cerveja Bitburger e uma travessa de salsichões com chucrute me aguardando...

BÔNUS > KRAUTROCK: THE REBIRTH OF GERMANY, um documentário da BBC

RELATOS DE UM MORTO MUITO LOUCO

Como fizemos ano passado, selecionamos uma pequena biblioteca com lançamentos para celebrar o Dia Mundial do Rock. Este ano, a data vem com relatos da morte do gênero e de alguns de seus mortos ilustres

O Quinto Beatle: A História de Brian Epstein
No dia 13, em alguns cantos do planeta, será comemorado o Dia Mundial do Rock, uma data chapa-branca instituída pela ONU em reconhecimento ao mega concerto beneficente Live Aid, ocorrido neste mesmo dia, dos dois lados do Atlântico.

Se a data é chapa-branca, o momento é de luto, pois – notícia velha: o rock morreu.

De novo. A primeira vez foi em 1959, quando Buddy Holly e Richie Valens morreram em um acidente de avião e Elvis entrou para o exército.

A segunda vez foi em 1969, quando Hell's Angels esfaquearam um jovem negro nos show dos Rolling Stones em Altamont e John Lennon declarou o sonho defunto.

De novo em 1976, quando o levante do punk inglês no future soterrou a pompa milionária do rock progressivo em ondas de cuspe e dois acordes de agressividade.

E, principalmente, em algum momento na última década, quando – aí, sim – ele foi abandonado pela juventude: a) embevecida pelo chicobuarquismo tosco dos Los Hermamos e b) hipnotizada pela própria imagem em redes sociais.

E só o que temos hoje são revivals dos revivals em megafestivais que mais parecem shopping centers, de tanta propaganda espalhada.

Se o rock não morreu, com certeza a sensação de perigo – a subversão que o definia – está  mortinha e sepultada sob um stand de telefonia celular no Rock in Rio.

Memórias  da derrocada

Para assumir o arcaísmo de uma vez: a resposta está (sempre esteve) nas páginas dos livros.

Entre biografias, HQs e estudos, a bibliografia roqueira no Brasil só cresce.

Se vacilar, os livros do rock já devem estar vendendo mais do que os  discos – mais um sinal destes tempos tristes.

O mais bombástico deles é, de longe, O Dia em que o Rock Morreu, do jornalista André Forastieri.

Veterano da imprensa roqueira no Brasil, André dirigiu a revista Bizz nos bons tempos do estouro do grunge, depois saiu e fundou a saudosa revista General.

No livro, ele reúne textos escritos em várias epocas, desde a Bizz até alguns mais recentes para o Portal R7, aonde é blogueiro.

Dono de opiniões fortes, já comprou briga com muita gente. Chegou a ser demitido da Folha de S. Paulo ao sugerir que alguém desse um tiro Regina Casé em uma crônica.

(Dizem as más línguas que uma certa máfia do dendê exigiu a cabeça dele por isso nos bastidores).

Voltando ao livro, nele encontramos um par de boas explicações para a tal morte do rock (no Brasil) em pelo menos dois textos.

Em "Por que os jovens brasileiros não gostam mais de rock, em uma frase (bem longa)", ele manda: "Os jovens brasileiros não gostam mais de rock porque o rock brasileiro sempre foi meio MPB, mais dependente da sofisticação literária e da relevância ideológica do que suas contrapartes anglófonas, sempre foi prioritariamente produzido e consumido pela classe média de escola particular, e este grupo perdeu o protagonismo histórico que possuía, político, cultural e econômico (foi espremido entre a ascensão massiva das ágrafas classes C e D, cuja experiência musical fundamental é a celebração coletiva da vida melhor, pululante e ao vivo, e a decolagem de uma superclasse de super-ricos acríticos cuja expressão cultural se dá por meio do consumo e do exibicionismo, e que vai tomar champanhe nos espaços VIPs dos megafestivais como quem vai a Aspen ou Nova York)"... e por aí vai.

Já em "O sucesso da nova MPB e o fracasso da Música Impopular Brasileira", ele detona toda a geração pós-Los Hermanos, que largou as guitarras em prol de uma nova (velha) estética MPBista: "A (matéria) mais chamativa (na revista Serafina, da Folha de S. Paulo) tem um time de caras novas imitando a pose da capa de Tropicália, o disco que lançou Gil, Caetano, Gal, e o movimento que até hoje dá assunto. É gente como Romulo Fróes, Márcia Castro, Naná Rizinni, Marcelo Jeneci e Emicida. Quem? Não se avexe. Ninguém conhece, fora jornalistas, publicitários e similares. Ninguém ouve. Ninguém se importa. Eles não fazem MPB, Música Popular Brasileira. Fazem MIP: Música Impopular Brasileira".

Você pode concordar, você pode discordar, mas de uma coisa não há dúvida: André Forastieri é rock 'n' roll pra cacete.

Outros lançamentos imperdíveis são Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar e Dias de Luta: O Rock e o Brasil dos Anos 80, ambos do jornalista Ricardo Alexandre, outro ex-editor da Bizz.

O primeiro é uma coletânea de textos sobre o rock brasileiro dos anos 1990 para cá, publicados em seu blog no portal MSN.

Um relato que vai do estouro da geração 1990 até a derrocada que ocorreu, muito agudo e revelador, e ao mesmo tempo até um tanto terno.

Só não dá para entender por que ele ignorou a cena baiana, entre tantas outras  analisadas.

Dias de Luta é, tranquilamente, o melhor relato / estudo dos dias de glória do BRock nos anos 1980, quando o rock era a última moda.

Uma pesquisa profunda e multidisciplinar, capaz de expandir o entendimento do fenômeno do rock no Brasil até para quem viveu a época.

Lançado em 2003, foi recentemente relançado. Leitura obrigatória.

Além da ascenção & queda do rock tupiniquim relatada nesses livros, alguns outros lançamentos dignos de aplausos tem chegado às livrarias.


Macca e HQs de empresários mortos

A sempre privilegiada seara beatlemaníaca tem dois ótimos lançamentos: Man on the Run: Paul McCartney nos anos 1970, de Tom Doyle e O Quinto Beatle: A História de Brian Epstein, HQ de Vivek J. Tiwary, Andrew C. Robinson e Kyler Baker.

O primeiro traz uma pesquisa minuciosa da década de 1970 na vida de Macca. O relato começa com ele em uma depressão – o fim dos Beatles – e termina com ele em outra: o assassinato de John Lennon.

No meio, o recomeço em uma carreira solo brilhante, muitos discos ótimos lançados ao lado de sua banda Wings, aventuras na África e um par de prisões por porte de maconha.

O Quinto Beatle é uma belíssima HQ em formato grandão que, mais do que biografar o lendário empresário dos Beatles, busca “capturar sua essência”, como diz o autor.

Malcolm, de Massari e Thomé
Judeu e homossexual numa época em que a sodomia era ilegal no Reino Unido, Brian Epstein é retratado como um charmoso visionário fascinado por touradas, viciado em bolinhas e com uma aptidão nata para construir ídolos.

A HQ deixa clara a visão empresarial de Epstein e o quanto ela foi responsável pelo advento da beatlemania.

Curiosamente, a outra HQ do pacote é sobre outro empresário (morto) visionário do rock: Malcolm traz a íntegra de uma entrevista de Malcolm McLaren para o Reverendo Fabio Massari  em seus tempos de MTV (em 1995), magnificamente quadrinizada por Luciano Thomé.

McLaren, para quem não sabe, foi um dos catalisadores do movimento punk na Inglaterra ao reunir e empresariar os Sex Pistols – entre outras proezas.

A HQ não é longa, lê-se de uma sentada. Mas cada vírgula é valiosa. McLaren era um poço de contradições, sabedoria e muita história para contar.

Do cinza ao multicolorido

Biografia clássica de ícone trágico, Tocando a Distância: Ian Curtis & Joy Division foi escrito pela viúva de Ian, Deborah Curtis, pouco após seu suicídio.

Líder de uma banda de carreira curta e ainda mais influente hoje do que na época, Ian personificou o arquétipo mais frequente do rock após o punk: o poeta deprimido suicida, fascinado pela glória póstuma.

Tão fascinado que não hesitou em abrir mão da vida ao lado de esposa e filha pequena – e olha que a banda estava em plena rota de ascenção, com excursão marcada para os EUA.

Do outro lado do espectro de cores roqueiras, saímos do cinza deprê pós-punk para a alegria multicolorida sem noção da era disco em Abba: A Biografia, de Carl Magnus Palm.

Se faltava gosto ao quarteto sueco na hora de compor o guarda-roupa, sobrava talento ao compor uma miríade de hits inesquecíveis, entranhados no imaginário ocidental, como Dancing Queen, Waterloo, Mamma Mia, S.O.S., The Winner Takes It All etc.

O conterrâneo Palm pesquisou a fundo a trajetória de dez anos de Agnetha, Bjorn, Benny e Anni-Frid, desde a dupla dos dois rapazes no anos 1960 até o fim melancólico em 1982, com direito a detalhes do musical Mamma Mia!, de 2005.

Um belo tributo ao equivalente sueco dos Beatles (para eles lá), de leitura fácil e gostosa - como aqueles velhos hits.

Para fechar, o quadrinista / ilustrador Hervé Bourhis volta com seu novo álbum: 45 Rotações de Rock, no qual seleciona os 45 singles de 45 rotações mais importantes do gênero.

Seus critérios de seleção são bem canônicos, por assim dizer, o que torna o livro uma leitura bem indicada para quem está começando a se aplicar no beabá roqueiro. Bem desenhado e recheado de informações históricas e curiosidades, vale o investimento.

SERVIÇO GERAL

O Quinto Beatle: A História de Brian Epstein / HQ de Vivek J. Tiwary, Andrew C. Robinson e Kyler Baker / Aleph / 168 p / R$ 59,90 

Abba: A biografia, de Carl Magnus Palm / Best-Seller / 462 p. /R$ 48

Tocando a Distância: Ian Curtis & Joy Division, de Deborah Curtis / Ideal / 328 p. / R$ 31,92

Man on the run: Paul McCartney nos anos 1970, de Tom Doyle / LeYa/ 352 p./ R$ 49,90

Malcolm / HQ de Fabio Massari e Luciano Thomé / Mondo Massari - Ideal / 64 p. / R$ 29,90

O dia em que o rock morreu, de André Forastieri / Arquipélago / 184 p./ R$ 29,90

Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar, de Ricardo Alexandre / Arquipélago / 256 p. / R$ 34,90

Dias de luta, de Ricardo Alexandre / Arquipélago / 440 p. / R$ 39,90

45 Rotações de Rock, de Hervé Bourhis / Conrad / 48 p. / R$ 37.90

sexta-feira, julho 04, 2014

PESCA COM BOMBAS CAUSA ARERÊ EM MONTE SERRAT COM O TIRA MAIS DURÃO DE SALVADOR

HQ: Tungstênio, de Marcello Quintanilha, traz trama super ágil na capital baiana

Além de prejuízos à fauna e flora marinha, a pesca com bombas na Baía de Todos os Santos já deu muita confusão.

Nenhuma, porém, tão ensandecida (e divertida) quanto a mostrada na graphic novel Tungstênio, de Marcello Quintanilha.

O quadrinista niteroiense, residente em Barcelona, é hoje um dos mais aclamados profissionais da área no Brasil e na Europa, aonde trabalha ao lado do argentino Jorge Zentner e do espanhol Montecarlo, com os quais assina a série Sept balles pour Oxford, para a editora belga Le Lombard.

Em 2004, Quintanilha esteve na capital baiana para produzir o álbum Cidades Ilustradas: Salvador (Casa 21, 2005).

A estadia o marcou profundamente, rendendo ainda um par de HQs no álbum Almas Públicas (Conrad, 2011) e agora, uma graphic novel inteira, Tungstênio.

O PM, o X-9, o tiozão e a patroa

“Salvador sempre esteve no meu imaginário, seja através da literatura, do cinema ou da música”, conta Quintanilha, por email.

“E conhecer a cidade pessoalmente significou a confirmação de todas as minhas expectativas — foi como encontrar-me comigo mesmo”, diz.

O quadrinista é conhecido não só pela habilidade plástica com que desenha personagens e cidades, mas também pelo rigoroso domínio narrativo sequencial, além de um especial interesse em histórias protagonizadas por tipos bem populares: motoristas de ônibus, jogadores de futebol, camelôs.

Em Tungstênio, isto não é diferente. Tudo começa quando um  sargento reformado, tiozão, e um traficantezinho X-9 flagram uma dupla pescando com bombas, próximo ao Forte de Monte Serrat.

O X-9 liga para seu contato, o PM paisana mais casca-grossa de Salvador, Richard – que  está em crise matrimonial com a patroa, Lúcia.

Contar mais é estragar a leitura. Basta dizer que a trama é extremamente ágil, violenta e terna ao mesmo tempo – e que tem seu auge no notório restaurante / casa de shows de Itapoan, o Casquinha de Siri (hoje  aberto com outro nome).

“A ideia para o argumento surgiu à partir de uma sucinta notícia transmitida pela Rádio Sociedade, que costumo acompanhar por internet”, conta.

“Girava em torno de uma dupla que havia sido detida nas imediações do Forte por pescar com explosivos. Antes que pudesse perceber, estava criando um enredo em torno desse fato. Sim, contei com o apoio do material levantado quando de minha estadia aí em 2004”, diz.

Para além da trama alucinada e dos desenhos belíssimos, chama atenção o domínio do autor para o falar tipicamente soteropolitano.

Não chega a ser aquela caricatura tipo Ó Paí, Ó, mas, para quem vive aqui, fica difícil conter o riso ao se deparar com expressões bem do nosso dia a dia, como “Repare bem, monstro”. Ou “Se suma daqui, seu filho da desgraça”!

“A transposição da oralidade é sempre um desafio. Mas não há outra forma de lidar com isso, a não ser estabelecendo um relação de absoluta confiança na capacidade dos leitores de absorver as nuances da fala coloquial”, reflete Quintanilha.

Agora, apesar da inspiração para a trama ter sido uma notícia real, os personagens não o são, garante: “A inspiração para meus personagens vêm das minhas próprias experiências e não necessariamente têm a ver com a locação das histórias ou com minha moral pessoal, já que não pretendo me limitar por esses parâmetros”, diz.

“O que me interessa é  criar personagens cuja forma de ver o mundo seja radicalmente diferente da minha”, acrescenta.

Quanto à velocidade da narrativa – são 192 páginas que voam nas mãos do leitor –, ele conta que “Foi natural pra mim. Não penso os quadrinhos em termos cinematográficos. O ritmo da narrativa é determinado pela dinâmica da leitura propriamente dita e representa a formalização da maneira como acredito que as imagens se devam suceder de forma cadenciada”, observa.

Mas e o tungstênio, o metal que dá título à HQ, entra aonde? “O tungstênio é o metal mais pesado que se conhece; conquanto se rompa com facilidade quando não puro. É um jogo entre a maleabilidade com que devemos afrontar a dureza imposta pelo metal do dia-a-dia e até que ponto podemos forçar a dureza desse metal, a ponto de rompê-lo”, conclui o artista.

Tungstênio / Marcello Quintanilha / Veneta/ 192 p. / R$ 54,90 / www.facebook.com/editoraveneta

quarta-feira, julho 02, 2014

ROGÉRIO BIG BROSS ANUNCIA GRADE DO BIGBANDS E CAMPANHA NO CATARSE

Hellbenders (Goiânia): gringaiada ficou de cara no SxSW. Foto: João Victor Czpak
Rogério Big Bross Brito rides again.

O gordo, rock baiano em pessoa, está organizando a edição 2014 do seu festival, o Bigbands, para tirar o atraso de 2013, ano que não rolou.

“Não teve ano passado  por que não rolou edital”, conta Big.

Desnecessário lembrar ao leitor que o empresariado baiano tem alergia ao rock local, portanto patrocínio privado é fora de questão.

“Na verdade, até ganhamos um edital ano passado, mas só para o Bigbands vai a Escola, que é a iniciativa pedagógica do festival, coordenado pela produtora Cássia Cardoso”, ressalva Big.

Desanimado, o produtor já havia desistido da parte com bandas e ia se limitar ao BB nas Escolas, quando...

“Fui procurado pelas bandas Amp (PE) e Hellbenders (GO) para armar shows por aqui, já que eles estariam de passagem pela cidade. E no último Abril Pro Rock, o pessoal do Zefirina Bomba (PB) também me procurou pelo mesmo motivo”.

Quem conhece Big sabe que, por menos que isso, ele já arma um escarcéu. Que dirá com três bandas endiabradas como essas três.

“Quando vi, já tinha três bandas legais na mão. Os artistas querem tocar, circular. Para essas bandas é importante tocar no Irish para 300 pessoas. Acabou que, na minha mania, virou cinco dias de festival, com bandas de cinco estados e oito cidades do interior”, enumera.

Isso sem contar o Warm-Up que rolou semana passada no mesmo Irish, com Lacertae (SE), Modus Operandi e Tentrio.

Crowdfunding para viabilizar

The Sexy Drivers, rapaziada de Recife, escalada para o Bigbands 2014
Só que, para viabilizar decente, Big teve de recorrer ao crowdfunding via Catarse.

“O Irish, que é meu parceiro, me liberou 100% da bilheteria para viabilizar, mas ainda assim é um risco grande: vai que eu não cubro esses custos?”, pergunta.

“Aí entrei no Catarse com o valor mínimo, que é R$ 5 mil, para cobrir hospedagem, alimentação, ajuda de custo para as bandas, pequenos custos gráficos. Em cinco dias (até sexta-feira 27), arrecadamos 22% desse valor. Não foi feito para eu ganhar dinheiro ou comprar um computador”, lembra.

Interessou? Entra lá e colabora. R$ 10 já tá valendo.

Na programação, muitas bandas que você viu aqui primeiro: Sanitário Sexy (Juazeiro), Van der Vous, Ayam Ubrais (Ipiaú), Novelta (Feira de Santana), The Pivos (Camaçari) e Cama de Jornal (Vitoria da Conquista), além outras que você ainda vai ver, como Inventura (Alagoinhas-BA), Prof. Doidão & Os Aloprados, The Sexy Drivers (Recife-PE) e Sbornia Social.

Achou pouco? Então toma Pastel de Miolos (Lauro de Freitas), The Honkers, Vendo 147, Reverendo T & Os Discípulos Descrentes, Lo Han e Irmão Carlos & O Catado.

Uma seleção do rock local, estadual e nordestino pra ninguém botar defeito.

Programação completa e contribuições no www.catarse.me/pt/festivalbigbands2014

NUETAS

O Espírito de 1776

Pâncreas, Overdose Alcoólica, Quinto dos Infernos, Renegados of Planet e Mike Solta o Verbo animam a festa de independência dos Estados Unidos no Dubliner’s. Mulher-Maravilha não paga. 4 de julho (sexta-feira), 22 horas, R$ 10.

United Forces 7

As bandas Lo Han, Pandora, Knightrider e Trepanator fazem o evento United Forces 7, com renda revertida em prol do tratamento de saúde do batera Anadyll Jr. Hard rock, thrash metal no seu domingo (dia 6), a partir das 14 horas, no Dubliners Irish Pub, R$ 10.

Les Royales dia 11

A Rockabilly Sessions de julho é na outra semana, dia 11 (sexta), com os fabulosos Les Royales, no... Dubliner’s (só deu ele aqui hoje). 22 horas, R$ 15.

Brutalidade na Boca do Rio

O bicho vai pegar no II Arranca Canela só com som brutal: M.D.C. (grindcore), Agnósia (anarco punk), Black Cascade (black metal) e Sbornia Social (hardcore). 20 de julho (domingo), 13 horas, nas quadras da Boca do Rio, grátis.

terça-feira, julho 01, 2014

PODCAST ROCKS OFF: VERSÕES

O Zé Galo aí deu um upgrade nos Beatles?
Hoje, Nei Bahia, Osvaldo Braminha Silveira e Miguel Cordeiro discutem quando uma releitura supera a original.

Por exemplo: muita gente achou que a versão de Joe Cocker para With A Little Help From My Friends superou a original dos Beatles.

E você, o que acha?

Pano pra manga, hein?

Ó, vocês que são brancos que se entendam!











Bônus: o cover do cover: O genial John Belushi imita Joe Cocker cantando With A Little Help From My Friends. Dica: use uma fralda ao assistir.

John Belushi cantando With A Little Help From My Friends from James Lester Wright Gajete on Vimeo.

segunda-feira, junho 30, 2014

NO COMPASSO LENTO DO BLUES

No auge da fama e do sucesso, o duo norte-americano The Black Keys tem três dos seus trabalhos iniciais lançados no Brasil, enquanto Turn Blue, o mais novo, não chega

The Black Keys: Carney, Auerbach. Foto: Danny Clinch
No topo do mundo, o duo norte-americano de rock The Black Keys lançou lá fora, no final de maio, seu oitavo álbum, Turn Blue (Nonesuch - Warner).

De cara, desbancou Xscape, lançamento póstumo de Michael Jackson, do topo da lista Billboard. Neste momento, Turn Blue segue no Top Ten, em oitavo.

Em uma época em que o rock parece cada vez menos relevante entre os jovens, é um feito de proporções heroicas para dois losers caipiras de Akron, Ohio.

O que muitos fãs do hype talvez não saibam é que toda essa fama e fortuna veio sendo  construída ano a ano, desde 2001.

É com alegria, portanto, que os apreciadores do blues rock cru e lo fi do duo recebem a notícia de que a gravadora brasileira Deckdisc despejou três trabalhos do início da carreira de Dan Auerbach (voz e guitarra) e Patrick Carney (bateria).

São os três discos gravados para o selo independente  Fat Possum, de Oxford, Mississipi: Thickfreakness (2003), Rubber Factory (2004) e o EP Chulahoma: The Songs of Junior Kimbrough (2006).

Thick e Rubber são, respectivamente, o segundo e o terceiro álbuns cheios.

Já Chulahoma é um tributo com seis faixas para o fantástico bluesman Junior Kimbrough (1927-1998), que, descoberto tardiamente, em 1992, gravou seus álbuns pelo Fat Possum.

Nonesuch, Danger Mouse

Depois disso, Auerbach e Carney foram “pescados” pelo selo Nonesuch, da Warner, dedicado às bandas alternativas e artistas eruditos e de vanguarda, aonde continuam ainda hoje.

Após um reinício mais ou menos frio com Magic Potion (2006), tomaram o rumo para o alto a partir de Attack and Release (2008), primeiro trabalho da dupla produzido pelo midas Brian Danger Mouse Burton (Gnarls Barkley, Rome).

Na semana em que foi lançado, Attack and Release estreou no Top 200 em 14º. O single I Got Mine foi eleita 8ª melhor música do ano pela Rolling Stone.

Em 2010, o estouro mundial do álbum Brothers e da genial Tighten Up consolidou ainda mais o sucesso do duo.

Em 2012, veio El Camino e o hit Lonely Boy. A essa altura, o nome The Black Keys encimava os cartazes dos grandes festivais, ao lado de gigantes como Paul McCartney e Radiohead, além de colecionar Grammys.

E em abril de 2013, finalmente, estrearam em palcos brasileiros ao fechar uma das noites do festival Lollapalooza (SP).

O mundo aos seus pés

Agora, com o mundo aos seus pés, Auerbach & Carney sabem muito bem de onde vieram – diferente de muitas bandas que são hypadas ao infinito antes mesmo de gravarem um álbum cheio, somente para implodir dois anos depois.

“Cada ano tem sido melhor que o anterior”, notou Auerbach por telefone ao Caderno 2+ em fevereiro de 2012, durante a divulgação de El Camino.

“Acho que vir de uma cidade pequena, para nós, é grande parte de quem somos. Isto nos tornou o ‘azarão’. Nos fez trabalhar muito mais duro para sermos notados. Também ficamos isolados por lá. É bom, porque não precisamos nos preocupar com modas, fãs ou seja lá o que estiver rolando. Nada disso é muito útil”, concluiu.

Sólidabizarrice blues rock

Assim como o primeiro CD do BK, The Big Come Up (2002), Thickfreakness foi gravado no porão da casa de Patrick Carney, em “média fidelidade”, (diz o encarte), via  gravador analógico Tascam. O blues rock ancestral, pleno de suíngue e com a voz rouca de Auerbach surge aqui  pronto, arrepiando geral em faixas como Hard Row, Set You Free (que entrou no filme Escola do Rock) e Midnight in Her Eyes. De quebra, releituras matadoras para o clássico Have Love, Will Travel (de Richard Berry, autor da imortal Louie, Louie) e Everywhere I Go (Junior Kimbrough). Sonzão poderoso.Thickfreakness / The Black Keys / Fat Possum - DeckDisc / R$ 29,90



Borracharia invocada

O melhor entre os três CDs da leva, Rubber Factory (2004) foi gravado em uma fábrica de pneus em Akron (demolida em 2010, segundo Auerbach). Foi aqui que o duo começou a flexionar seus músculos blues rock lo fi para um som mais digerível em termos pop, como atesta a balada The Lengths. Depois da abertura arrastada de When The Lights Go Out,  a levada irresistível   de 10 A.M. Automatic joga o astral lá pro alto. Hit do CD, está no set list dos shows ainda hoje. Os riffs imundos de Auerbach seguem lindos em Just Could’t Tie Me Down e All Hands Against His Own. Aumente o som, pire ai.. Rubber Factory / The Black Keys / Fat Possum - DeckDisc / R$ 29,90




Tributo ao bluesman da fertilidade

No encarte, Dan Auerbach escreve que o bluesman David "Junior" Kimbrough foi o responsável pelo seu despertar como músico. “Ali, só em meu quarto, fui transformado. (...) Toda a minha existência foi virada de cabeça para baixo. Fiquei em transe por dias”, diz. Anos depois, contratados pelo mesmo selo que tirou Junior do ostracismo na década de 1990, Auerbach & Carney gravaram este tributo póstumo de seis faixas ao velho bluesman, que, alega-se, deixou 36 (sim, trinta e seis) filhos no mundo. Menos sujo do que os registros anteriores, Chulahoma privilegia as levadas em midtempo, como na linda Meet Me in The City. Chulahoma: The Songs of Junior Kimbrough / The Black Keys /  Fat Possum - DeckDisc / R$ 25,90



Não convidem Jack White e Justin Bieber para mesma mesa que os BKs

Além dos hits, o Black Keys andou frequentando as manchetes dos jornais e sites de fofocas norte-americanos por outras razões: os caras são casca-grossa, dizem o que pensam e não levam desaforo para casa.

Jack White tem sido um oponente constante. Em emails à sua ex-mulher, a modelo e cantora Karen Elson, vazados pelo site TMZ, ele  acusou o BK de copiar seu trabalho, especialmente quando atuava no duo The White Stripes, e se mostrou fulo ao descobrir que seu filho estuda na mesma escola que os filhos de Dan Auerbach.

“Serão 12 anos em que terei que sentar em cadeiras escolares ao lado daquele babaca, enquanto outras pessoas tentam nos enturmar”, escreveu.

Patrick Carney tomou as dores do parceiro. Lamentou os emails vazados (“O TMZ deveria se envergonhar”), e disparou: “Jack White é um panaca”.

No final de maio, White teve um surto de consciência e saiu pedindo desculpas a todos a quem ameaçou, xingou e / brigou, incluindo a dupla de Akron.

Mas Carney parece curtir uma boa baixaria via mídia. No Grammy, um repórter perguntou se ele lamentava Justin Bieber não ter ganhado nenhum troféu.

“Grammys são ganhos por músicas, não por dinheiro. Ele já ganha muito dinheiro, deveria ficar feliz”. No dia seguinte, Bieber soltou no Twitter que Carney “deveria ser estapeado”.

Enfurecido com a possibilidade de ser surrado na rua pelos “beliebers”, Carney disse que “JB é um imbecil irresponsável de merda”. Hilariante.

quinta-feira, junho 26, 2014

22 CANÇÕES PARA 22 ANOS

Cascadura faz show gratuito domingo no Parque da Cidade para comemorar mais de duas décadas de atividade. Show estava marcado para abril, mas foi adiado por conta da greve da PM

Cascadura 2014: Du Txai, Nielton, Cadinho, Thiago e Fábio. Foto Heder Novaes
Coisa rara na Bahia-iá-iá é uma banda de rock dar certo. Mais rara ainda é banda de rock que dura.

Com mais de duas décadas de atividade ininterrupta, então, só podemos estar falando de um caso único: Cascadura.

Neste domingo – com a cidade já devidamente pacificada, espera-se – a banda fundada pelo cantor e compositor Fábio Cascadura Magalhães faz um show especial para comemorar a data no projeto Música no Parque, no Parque da Cidade.

“Neste show, vamos tentar fazer uma brincadeira, que é tocar 22 músicas em ordem regressiva”, conta Fábio.

“Vamos partir do Aleluia! (2012) até chegar ao #1 (1995). É muita música e o tempo que temos disponível em cima do palco é apertado, mas vamos nos esforçar”, acrescenta.

Ou seja: para quem é fã, trata-se de um show imperdível.

Não só pela prazerosa oportunidade de ouvir ao vivo clássicos há muito fora do repertório, mas também pela expectativa de ver se a missão do show (22 músicas, uma para cada ano) será cumprida a risca.

Infelizmente, nenhum ex-membro foi convidado para participar do show comemorativo - mas por questões técnicas, garante Fábio.

"Não, não temos nenhum convidado previsto. Como é um show cheio de informação, com pouco tempo para muita música, não vimos um brecha. Mas teremos a oportunidade de convidar essas pessoas para celebrar com a gente mais adiante. Todos são muito importantes na nossa historia e serão sempre homenageados pelas suas contribuições. Nesse não rola pela questão técnica, mesmo", diz o band leader.

Nos próximos dias, a banda ainda lança o clipe da faixa O Delator, com participação do Jajá Cardoso (Vivendo do ócio), que canta a faixa em dueto com Fábio, e direção de Glauco Neves e Carlos Faria.

”Eles fazem o programa Lá Em Casa Sessions (exibido on line e no canal Music Box Brasil) que tem a peculiaridade de ser um programa em rede nacional, só com artistas da Bahia”, conta.

O show também meio que encerra a temporada do Aleluia!, fechando o longo ciclo do álbum duplo.

“Acho que o resultado do Aleluia!, com toda essa galera envolvida, desde (os produtores) andre t e Jô Estrada, (o baterista) Thiago Trad – e todos que participaram foi muito bacana”, avalia Fábio.

“Muita gente em Salvador teve contato com o disco – e o entendeu. Foram mais de 30 mil downloads, número que se multiplica por dois ou três com os compartilhamentos. Foi uma resposta muto legal”, diz.

Rock para durar

Após o show, Fábio conta que a banda abre um novo ciclo.

“Vamos começar a pensar em nossas possibilidades. Queremos produzir material inédito, mas ainda não um disco”, conta.

“Estamos pensando, vamos experimentar e ver se lançamos algo novo até o final do ano. Deve ser tipo um single para baixar. Já fizemos isso no final da temporada do Bogary. É uma forma de encontrar um caminho para poder seguir trilhando e produzindo”, observa.

Único membro fixo da Cascadura desde 1992, Fábio hoje conta com o já citado baterista Thiago Trad como sócio e segundo membro com mais tempo de casa (desde 2002).

“Ontem (quarta-feira) eu estava em um programa de rádio e um menina adolescente ligou e me fez uma pergunta sobre os fãs da Cascadura que são  mais novos do que a própria banda. São os  filhos da primeira geração de  fãs”, conta Fábio.

“Isso pra mim é a maior demonstração de êxito desse trabalho de 22 anos: atrair a atenção das pessoas de outras gerações. Isso é o que eu sonhava quando era moleque e ouvia Beatles, Rolling Stones, Ramones:  fazer um som duradouro, que as pessoas ouvissem muitos anos depois e dissessem ‘legal, rock ‘n’ rol’!”, comemora.

“Nesse mundo novo, tão medido por quantidade de cliques, de visualizações, não se preza mais a qualidade. Mas nós temos uma qualidade de fãs que é tamanha, que fico muito satisfeito de olhar para a plateia e ver do brother que nos acompanha desde o início a  garotos de 14, 15 anos. Isso rola muito, em Cajazeiras mesmo, rolou. Não tem dinheiro que pague isso, é o máximo", observa.

"O show em Cajazeiras no aniversário de Salvador foi muito legal. A resposta foi ótima, tanto de pessoas que nunca tinham nos visto às que já nos conheciam... Foi uma experiência muito boa poder tocar em um lugar que raramente se tem oportunidade. Foi marcante, um momento muito legal para a banda", avalia.

"E quero dizer que me sinto muito orgulhoso de ser cria de uma geração que batalhou muito, com muita coragem, para mudar o senso comum e isso repercute além da gente. A geração dos anos 90 continuou produzindo e bem”, conclui.

No palco, Fábio e Thiago contam com Du Txai (guitarra), Ricardo Cadinho (baixo) e Nielton Marinho (percussão).

Projeto Música no Parque: Cascadura / Domingo, 11 horas / Anfiteatro Dorival Caymmi (Parque da Cidade) / Entrada Franca




22 ANOS, 5 ÁLBUNS: DISCOGRAFIA BREVEMENTE COMENTADA

# 1 (WR, 1995)

No CD de estreia, um comovente inventário das angústias adolescentes compartilhadas pelos jovens roqueiros locais, em roupagem southern rock da Cidade Baixa. Brilhante do início ao fim







Entre! (WR, 1998)

De sonoridade mais limpa, quase jovem-guardista, o 2º CD não teve o impacto do anterior e investiu pesado em baladas. Mas é outra joia, com clássicos como O Batismo, Doze e Meia, Rodas no Asfalto

Vivendo em Grande estilo (Unimar, 2002)


Reinventada, assume ares mais contemporâneos e faz o CD preferido de muitos fãs. Estão aqui hits como Queda Livre, Retribuição e Gigante. Marca entrada de Thiago Trad.

Bogary (OutraCoisa, 2006)

Triunfal, a 2ª parceria com o produtor andré t. se revelou ainda mais acertada em um CD  ao mesmo tempo pesado e sofisticado. Firmou a banda como o maior nome baiano da cena independente brasileira

Aleluia! (Garimpo, 2012)

Após longo intervalo, volta com CD duplo que é de longe sua obra mais ambiciosa, na qual tentam decifrar Salvador. Os resultados são desiguais, mas ainda assim há grandes achados. Caetano Veloso se derreteu em artigo n’O Globo


terça-feira, junho 24, 2014

O SOM DA PURA MÚSICA - MEGAPOST XIX FESTIVAL DE MÚSICA INSTRUMENTAL DA BAHIA + NUETAS

Com quatro dias, o XIX Festival de Música Instrumental da Bahia traz grandes concertos à Sala Principal do TCA a  preços populares

Amilton Godoy (piano), do Zimbo Trio, e Gabriel Grossi (gaita). Foto Dani Godoy
Se em qualquer lugar do mundo manter um festival de música estritamente instrumental não é lá tarefa fácil, imagina na Bahia.

Mas é com muita dignidade e alegria que o Festival de Música Instrumental da Bahia chega à sua 19ª edição.

Às favas que não foi uma trajetória em linha reta. “Fizemos as  primeiras nove edições entre 1980 e 1988”, conta o criador e curador do Festival, o maestro Zeca Freitas.

“Foi uma época maravilhosa, mas depois ficamos sem força. Só em 2003, com a ajuda do músico, ator e produtor Fernando Marinho, conseguimos retomar o Festival, graças ao Fazcultura”, detalha.

Arthur Maia, uma lenda do baixo no Brasil
Melhor ainda: em 2013, eles conseguiram inserir o evento na lista de  projetos calendarizados da SecultBa.

“Com isso, garantimos sua realização por três anos: 2013, 14 e 15”, conta.

“É muito importante garantir essa continuidade. Estamos numa fase boa, mas pretendemos continuar fazendo parte dos projetos calendarizados”, diz.

Este ano, serão quatro dias de concertos na Sala Principal do Teatro Castro Alves com grandes atrações locais, nacionais e uma internacional, com ingressos a preço popular: R$ 20, R$ 10 a meia.

Tudo começa na quinta-feira, com Orquestra de Violões da Ufba, Eric Almeida (saxofonista), Toninho Ferragutti & Marco Pereira (duo de acordeom e violão).

Na sexta-feira é a vez de Estevam Dantas & Grupo, Letieres Leite Quinteto e Orquestra Victoria (da Argentina).

Sábado tem Grupo Instrumental do Capão, Saravá Jazz Bahia e Arthur Maia (com Gerson Silva & Amigos).

Ubuntu: jazz com influências africanas
No domingo, o gran finale com Ubuntu, Camará Ensemble e Amilton Godoy & Gabriel Grossi (duo de piano e gaita, fazendo um repertório só de Villa-Lobos).

Camará, Victoria, Toninho

Comemorando 60 anos da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, esta nobre instituição é homenageada com duas atrações na grade: as Orquestras de Violões e Camará.

“Tanto a Escola quanto o Festival são duas instituições de resistência da música instrumental. A força de ambas vem da manutenção de um mundo saudável para práticas musicais que trabalham com outra lógica que não a da mainstream”, percebe Paulo Rios, diretor artístico da Camará Ensemble.

Orquestra de Violões da Ufba
O concerto do Camará será “todo dedicado a obras de compositores baianos de quatro gerações. Participamos da homenagem aproveitando o repertório que surgiu na Bahia, de forma emaranhada com a história do conjunto”, detalha.

Já a atração internacional,  Orquesta Victoria (onze integrantes) trará um repertório de tangos autorais e clássicos, “com arranjos próprios”, informa Ezequiel Cheche Ordoñez, diretor.

“Podemos dizer que fazemos tango, tocado por jovens de hoje. Com um olhar moderno para o gênero, mas sempre respeitando as bases rítmicas”, diz.

Letieres Leite Quinteto. Foto: Fernando Eduardo
Mas que ninguém espere a pegada modernosa / eletrônica do Gotan Project: “Entendo que é uma proposta feita com profissionalismo. Pessoalmente,  respeito e aplaudo a pesquisa que eles fazem, mas gostar mesmo, eu não gosto”, afirma.

“É uma sorte tocar aí, especialmente um grupo tão grande. Estamos muito animados para tocar no TCA, é  realmente um belo teatro”, conclui Cheche.

Outra atração de peso é a dupla formada pelo acordeonista Toninho Ferragutti e o violonista Marco Pereira, que vem fazer o repertório do CD Comum de Dois.

Grupo Instrumental do Capão: viagem sonora
“Desde janeiro de 2013, quando o Duo estreou, sentimos que  valia a pena ser registrada em CD”, diz Toninho.

“O acordeon é um instrumento riquíssimo, de possibilidades infinitas, soa muito bem com  cordas, palhetas e a voz, além de ser o grande representante das culturas regionais”, conclui.

XIX Festival de Música Instrumental da Bahia / de Quinta-feira (26) até domingo (29), às 20 horas /  Teatro Castro Alves / R$ 20 e R$ 10 /  www.festivalinstrumental.com.br



EXTRAS: ENTREVISTAS

Toninho Ferragutti

Marco Pereira e Toninho Ferragutti. Foto: Gal Oppido
A parceria com o violonista Marco Pereira rendeu um material muito bonito e de sonoridade pouco ouvida no Brasil, que alia o dinamismo do acordeom com as harmonias do violão. Te surpreendeu o resultado? Como o senhor avalia a interação entre esses dois instrumentos tão ricos?

Toninho Ferragutti: Na verdade, o resultado não me surpreendeu, pois desde janeiro de 2013, quando o Duo estreou e Curitiba, nós dois já sentimos que a música que estávamos fazendo valia a pena ser registrada em CD e tivemos o cuidado de não deixar o trabalho esmorecer marcando vários shows para amadurecer o repertório Sentimos que mais que a importância do instrumento, pensamos a música de forma muito próxima, e isso aconteceria mesmo que tocássemos outros instrumentos.

O que podemos esperar do show? É o repertório do CD Comum de Dois? Ou haverá alguma surpresa?

TF: O repertório do show é quase o mesmo do repertório do CD, sendo os solos as únicas surpresas.

No Brasil, costuma-se ligar muito o acordeom aos gêneros regionais, como o forró (aqui no Nordeste) e à música tradicional gaúcha (de fronteira), no sul. Mas sabemos que se trata de um instrumento de possibilidades muito mais amplas, utilizado em diferentes estilos de música mundo afora. Como o senhor lida com essa dualidade no seu trabalho? Esse pré-conceito sobre o instrumento no Brasil atrapalha ou ajuda?

TF: O acordeon é um instrumento riquíssimo, de possibilidades infinitas, soando muito bem com instrumentos de cordas, palhetas, e com a voz humana além de ser o grande representante das culturas regionais da qual vc citou na sua pergunta. Sem dizer que o Brasil, é uma escola de grande acordeonistas. Acho que é assim mesmo, tudo ao mesmo tempo, música regional, música popular, erudita o importante é fazer bem e bem feito e o futuro a Deus pertence rsrsrs.

É a primeira vez que o senhor vem tocar em Salvador? Qual sua expectativa para o festival? Ficou feliz com o convite?

TF: Ficamos extremamente felizes com o convite. Já estive levando meu trabalho para Salvador outras vezes e a nossa expectativa é das melhores  Grande abraço e obrigado! Esperamos você no nosso concerto.

Paulo Rios, diretor artístico, regendo o Camará Ensemble
Paulo Rios (Camará Ensemble)

A Escola de Música da Ufba é a grande homenageada deste XIX Festival de Música Instrumental da Bahia. Você poderia falar um pouco sobre a relação da Escola com o Festival - e a importância que um tem para o outro?

Paulo Rios: Chico, não sei muito sobre a relação histórica do Festival com a EMUS. Acho que não sou o melhor para responder isto. No entanto, vejo que tanto a Escola quanto o Festival são duas instituições de resistência da música instrumental no estado. A força de ambas é a da manutenção de um mundo saudável para práticas musicais que trabalham com outra lógica que não a da mainstream mercadológica. Assim, tanto EMUS quanto Festival são lugares de criação e invenção, por natureza.

O Camará Ensemble é um conjunto dedicado a ao lançamento e gravação de obras de compositores brasileiros de música de concerto contemporânea. Que peças serão executadas no concerto do Festival? Alguma inédita?

PR: O concerto será todo dedicado a obras de compositores baianos de quatro diferentes gerações. Todas as músicas já foram apresentadas pelo menos uma vez pelo Camará. Nós decidimos participar da homenagem justamente aproveitando o repertório que surgiu, na Bahia, de forma emaranhada com a história do próprio conjunto. São, em sua maioria, obras que foram encomendadas pelo ensemble, desde a sua formação, em 2011. Além delas, há também a minha "Choro de Estamira", que foi estreada em 2009, na Holanda, por um grupo de música contemporânea europeu que acabou influenciando bastante na criação do Camará.

Como diretor artístico do Camará, você mesmo costuma reger os concertos, mas desta vez teremos o maestro José Maurício Brandão à frente da orquestra. Por que? É você mesmo que seleciona as peças, os músicos, os regentes?

PR: Desde que me mudei para a cidade de Parnaíba, no Piauí, que mudamos a forma como o grupo funciona. Agora não sou mais seu diretor artístico, mas sim um dos consultores artísticos do Camará, que decide os detalhes de suas apresentações através de um conselho formado por alguns dos músicos e o compositor Vinícius Amaro – que tem sido um colaborador frequente desde a criação do grupo. Além disso, há uma relação estreita entre Camará e OCA – Oficina de Composição Agora, que serve também como um ponto de apoio para o grupo (tanto do ponto de vista artístico, quanto de produção mesmo). A relação estreita com os compositores também deve ser citada: gente como Alexandre Espinheira, Paulo Costa Lima, Guilherme Bertissolo, Alex Pochat, sempre estão apoiando o grupo e participando da sua trajetória. A minha atuação como regente era uma ousadia de minha parte... Agora, com a distância, os músicos do grupo terão a oportunidade de trabalhar com regente de verdade, como é o caso do nosso querido José Maurício Brandão – o que, por sinal, reforça a homenagem à Escola de Música, tendo em vista o excelente trabalho desenvolvido pelo maestro dentro da instituição.

Que atividades podemos esperar do Camará no futuro próximo? Concertos, gravações, alguma viagem em vista?

PR: Logo após a apresentação no Festival, o Camará iniciará os trabalhos de colaboração com o compositor norte-americano Jonathan Pfeffer, que está fazendo uma residência artística no Instituto Sacatar, em Itaparica. Em meados de Julho, o grupo apresentará um espetáculo montado pelo compositor, inspirado em aspectos da música e ritualística do candomblé. Estamos na expectativa, ainda para Julho, do início da segunda edição do MAB – Música de Agora na Bahia, projeto da OCA dedicado à música contemporânea, que este ano, com patrocínio da Petrobrás, promete agitar o circuito da música nova música de concerto no Brasil e no qual o Camará, mais uma vez, será colaborador especial. Até o início do ano que vem, devemos, ainda, participar de dois festivais de música contemporânea no país, um em São Paulo e outro no Rio Grande do Sul. Mas são eventos cujas agendas ainda dependem de confirmação.

Orquestra Victoria: o tango pelos "jovenes de hoy"
Ezequiel Cheche Ordoñez (Orquesta Victoria)

Pode nos descrever a abordagem da Orquesta Victoria para o tango? Mais tradicional, mais contemporâneo ou a meio caminho?

Cheche: Poderíamos dizer que é o tango interpretado por jovens de hoje. Fazemos algumas composições próprias e vários tangos clássicos com arranjos próprios, com um olhar bastante moderno do gênero, mas sempre respeitando as bases rítmicas do tango, ainda que tentando lançar um olhar diferente e nosso, de quem nunca deixou de tocar tango.

A Orquestra faz exclusivamente o tango ou também trabalha com outros ritmos / gêneros argentinos?

Cheche: Como eu disse acima, é o tango com o nosso próprios olhar. Dentro dessa pesquisa, flertamos com outros ritmos e, especialmente, com outros timbre um pouco mais distantes do tango, mas em nenhum momento tocamos concretamente um um outro estilo, ou seja, em algum arranjo de tango podemos fazer uma base rítmica de chacarera , mas nunca chegamos a tocar uma chacarera em todas as suas formas.

Grupos como Gotan Project e Bajofondo tem ajudado a popularizar o tango mundo afora para novas gerações, com uma abordagem moderna, incluindo a música eletrônica em suas "receitas". O que a Orquestra Victoria acha desta nova estética?

Cheche: A opinião de toda a orquestra honestamente não sei, eu posso dar a minha opinião.Eu, pessoalmente, sou a favor de qualquer busca de algo novo, desde que seja feita com seriedade e paixão, além do fato de eu gostar ou não. Por exemplo, Gotan Project e Bajofondo eu não gosto de ouvir o que eles geralmente fazem, mas eu entendo que a proposta é feita com profissionalismo e à sua maneira, como uma forma de acrescentar à visão global da música, de qualquer maneira. Pessoalmente, eu respeito e aplaudo a pesquisa que eles fazem, mas gostar mesmo, eu não gosto .

É raro termos bons músicos argentinos tocando aqui na Bahia. Estão entusiasmados para vir a Salvador? O que podemos esperar do concerto no Teatro Castro Alves? 

Cheche: A verdade é que é uma sorte de ir tocar aí, especialmente um grupo tão grande como nós, são 11 músicos e não é fácil de se mover uma grande orquestra. Felizmente, com a ajuda do Festival podemos ir. Estamos muito animados para tocar no TCA, é realmente um belo teatro. Para todas as pessoas que vão nos ver, é uma grande oportunidade de ouvir um pouco do que acontece com o tango em Buenos Aires hoje.

Márcio Pereira (último a direita) e o Saravá Jazz Bahia
Com show sábado no Festival Instrumental, Saravá Jazz Bahia se inspira em New Orleans

Uma das atrações de sábado no XIX Festival de Música Instrumental da Bahia, a banda local Saravá Jazz Bahia foi formada por inciativa do guitarrista baiano Márcio Pereira após uma temporada na cidade norte-americana de New Orleans.

Bom, quem conhece algo sobre essa meca do jazz (ou no mínimo, assistiu ao fantástico seriado Treme, da HBO), sabe que Nova Orleans, é provavelmente, a cidade mais parecida com Salvador fora do Brasil.

Centro cultural que mistura tradições europeias e africanas na música, na culinária e nos costumes? Povo alegre que ama brincar na rua? Blocos afro que se vestem de índios? Salvador e Nova Orleans tem tudo isso e muito mais em comum.

“Os blocos tem um quê meio religioso, saem de manhã dos bairros negros. Me lembrou muito as lavagens daqui. É possível fazer muitos paralelos”, nota Márcio que foi para lá em 2007, fazer mestrado na University of New Orleans.

Lá, ele notou como o jazz ainda é tocado e apreciado pelo povo nas ruas, de forma festiva. “No Saravá eu trago um pouco disso, a música para as pessoas. É que, desde a bossa nova, o jazz passou a ser mais classe média, ganhou status de concerto, que as pessoas vão ao teatro para assistir”, afirma.

“A consequência disso é que (o jazz) ficou um pouco mais distante das pessoas. Pelo lado positivo, ganhou mais respeitabilidade, um status similar ao da música erudita”, percebe.

Filosofia jazzy

Aliando a abordagem mais direta de New Orleans ao afrossamba jazz do maestro Moacir Santos, o Márcio e o Saravá buscam criar uma linguagem própria, baseada no ritmo.

“Na filosofia do Saravá, o jazz é a comunicação através da música e da utilização abundante da improvisação como forma de dialogo”, explica.

No show de sábado – confiram a programação do Festival todo, que está muito legal – a banda fará temas autorais, mais o clássico Nanã (Moacir Santos) “e uma composição de um professor meu de New Orleans, uma demonstração de um típico street beat de lá”, diz.

Além de Márcio (guitara), o Saravá é: Angelo Santiago (contrabaixo), Carlos Careca (bateria), Vinicius Freitas (sax tenor), Bruno Nery (trombone), Mateus Aleluia (trumpete).

Formada em Salvador, a Saravá Jazz Bahia já foi “banda residente” do Visca  Sabor & Arte (Rio Vermelho)

Saravá Jazz Bahia no XIX Festival de Música Instrumental / Sábado (28),  20 horas /  Teatro Castro Alves (Sala Principal) / R$ 20 e R$ 10 / www.soundcloud.com/saravajazzbahia

NUETAS

Audiolivro Rock.BA

Lançado há uns dez anos, o livro Rock Baiano: História de uma Cultura Subterrânea, de  Ednílson Sacramento, ganha reedição em formato audiolivro. O lançamento é nesta sexta-feira (27), às 19 horas, no Complexo Cultural dos Barris. Pinta lá. Em tempo: "As 100 primeiras pessoas que enviarem nome e telefone para o e-mail "nvozes@gmail.com" e receberem confirmação, ganharão um exemplar gratuitamente no local".

Theatro no Calypso

Sábado é o último show acústico (de três) da banda Theatro de Séraphin, no temporariamente redivivo Calypso, para ajudar a bancar a gravação do próximo CD. Ainda rola a mostra Paisagens Sintéticas, do baixista e arquiteto Marcos Rodrigues. Rogério Big Bross é o DJ. Sábado, 18 horas, R$ 10 (contribuição mínima).

Camisa's third season

O Camisa de Vênus dos guitarristas remanescentes Karl Hümel e Gustavo Mullem mais o vocalista  Eduardo Scott faz nova temporada no Dubliner’s,  Irish Pub aos sábados de julho: dia 05 (com Celebration Day), 12 (Batrákia), 19 (Lo Han) e 26 (Barão Vermelho Cover). 22 horas, R$ 30.

Cascadura no Parque: agora vai

Lembram daquele show do Cascadura no Parque da Cidade que não rolou por causa da greve dos PMs? Agora vai: domingo (29), às 11 horas, grátis.