segunda-feira, junho 30, 2014

NO COMPASSO LENTO DO BLUES

No auge da fama e do sucesso, o duo norte-americano The Black Keys tem três dos seus trabalhos iniciais lançados no Brasil, enquanto Turn Blue, o mais novo, não chega

The Black Keys: Carney, Auerbach. Foto: Danny Clinch
No topo do mundo, o duo norte-americano de rock The Black Keys lançou lá fora, no final de maio, seu oitavo álbum, Turn Blue (Nonesuch - Warner).

De cara, desbancou Xscape, lançamento póstumo de Michael Jackson, do topo da lista Billboard. Neste momento, Turn Blue segue no Top Ten, em oitavo.

Em uma época em que o rock parece cada vez menos relevante entre os jovens, é um feito de proporções heroicas para dois losers caipiras de Akron, Ohio.

O que muitos fãs do hype talvez não saibam é que toda essa fama e fortuna veio sendo  construída ano a ano, desde 2001.

É com alegria, portanto, que os apreciadores do blues rock cru e lo fi do duo recebem a notícia de que a gravadora brasileira Deckdisc despejou três trabalhos do início da carreira de Dan Auerbach (voz e guitarra) e Patrick Carney (bateria).

São os três discos gravados para o selo independente  Fat Possum, de Oxford, Mississipi: Thickfreakness (2003), Rubber Factory (2004) e o EP Chulahoma: The Songs of Junior Kimbrough (2006).

Thick e Rubber são, respectivamente, o segundo e o terceiro álbuns cheios.

Já Chulahoma é um tributo com seis faixas para o fantástico bluesman Junior Kimbrough (1927-1998), que, descoberto tardiamente, em 1992, gravou seus álbuns pelo Fat Possum.

Nonesuch, Danger Mouse

Depois disso, Auerbach e Carney foram “pescados” pelo selo Nonesuch, da Warner, dedicado às bandas alternativas e artistas eruditos e de vanguarda, aonde continuam ainda hoje.

Após um reinício mais ou menos frio com Magic Potion (2006), tomaram o rumo para o alto a partir de Attack and Release (2008), primeiro trabalho da dupla produzido pelo midas Brian Danger Mouse Burton (Gnarls Barkley, Rome).

Na semana em que foi lançado, Attack and Release estreou no Top 200 em 14º. O single I Got Mine foi eleita 8ª melhor música do ano pela Rolling Stone.

Em 2010, o estouro mundial do álbum Brothers e da genial Tighten Up consolidou ainda mais o sucesso do duo.

Em 2012, veio El Camino e o hit Lonely Boy. A essa altura, o nome The Black Keys encimava os cartazes dos grandes festivais, ao lado de gigantes como Paul McCartney e Radiohead, além de colecionar Grammys.

E em abril de 2013, finalmente, estrearam em palcos brasileiros ao fechar uma das noites do festival Lollapalooza (SP).

O mundo aos seus pés

Agora, com o mundo aos seus pés, Auerbach & Carney sabem muito bem de onde vieram – diferente de muitas bandas que são hypadas ao infinito antes mesmo de gravarem um álbum cheio, somente para implodir dois anos depois.

“Cada ano tem sido melhor que o anterior”, notou Auerbach por telefone ao Caderno 2+ em fevereiro de 2012, durante a divulgação de El Camino.

“Acho que vir de uma cidade pequena, para nós, é grande parte de quem somos. Isto nos tornou o ‘azarão’. Nos fez trabalhar muito mais duro para sermos notados. Também ficamos isolados por lá. É bom, porque não precisamos nos preocupar com modas, fãs ou seja lá o que estiver rolando. Nada disso é muito útil”, concluiu.

Sólidabizarrice blues rock

Assim como o primeiro CD do BK, The Big Come Up (2002), Thickfreakness foi gravado no porão da casa de Patrick Carney, em “média fidelidade”, (diz o encarte), via  gravador analógico Tascam. O blues rock ancestral, pleno de suíngue e com a voz rouca de Auerbach surge aqui  pronto, arrepiando geral em faixas como Hard Row, Set You Free (que entrou no filme Escola do Rock) e Midnight in Her Eyes. De quebra, releituras matadoras para o clássico Have Love, Will Travel (de Richard Berry, autor da imortal Louie, Louie) e Everywhere I Go (Junior Kimbrough). Sonzão poderoso.Thickfreakness / The Black Keys / Fat Possum - DeckDisc / R$ 29,90



Borracharia invocada

O melhor entre os três CDs da leva, Rubber Factory (2004) foi gravado em uma fábrica de pneus em Akron (demolida em 2010, segundo Auerbach). Foi aqui que o duo começou a flexionar seus músculos blues rock lo fi para um som mais digerível em termos pop, como atesta a balada The Lengths. Depois da abertura arrastada de When The Lights Go Out,  a levada irresistível   de 10 A.M. Automatic joga o astral lá pro alto. Hit do CD, está no set list dos shows ainda hoje. Os riffs imundos de Auerbach seguem lindos em Just Could’t Tie Me Down e All Hands Against His Own. Aumente o som, pire ai.. Rubber Factory / The Black Keys / Fat Possum - DeckDisc / R$ 29,90




Tributo ao bluesman da fertilidade

No encarte, Dan Auerbach escreve que o bluesman David "Junior" Kimbrough foi o responsável pelo seu despertar como músico. “Ali, só em meu quarto, fui transformado. (...) Toda a minha existência foi virada de cabeça para baixo. Fiquei em transe por dias”, diz. Anos depois, contratados pelo mesmo selo que tirou Junior do ostracismo na década de 1990, Auerbach & Carney gravaram este tributo póstumo de seis faixas ao velho bluesman, que, alega-se, deixou 36 (sim, trinta e seis) filhos no mundo. Menos sujo do que os registros anteriores, Chulahoma privilegia as levadas em midtempo, como na linda Meet Me in The City. Chulahoma: The Songs of Junior Kimbrough / The Black Keys /  Fat Possum - DeckDisc / R$ 25,90



Não convidem Jack White e Justin Bieber para mesma mesa que os BKs

Além dos hits, o Black Keys andou frequentando as manchetes dos jornais e sites de fofocas norte-americanos por outras razões: os caras são casca-grossa, dizem o que pensam e não levam desaforo para casa.

Jack White tem sido um oponente constante. Em emails à sua ex-mulher, a modelo e cantora Karen Elson, vazados pelo site TMZ, ele  acusou o BK de copiar seu trabalho, especialmente quando atuava no duo The White Stripes, e se mostrou fulo ao descobrir que seu filho estuda na mesma escola que os filhos de Dan Auerbach.

“Serão 12 anos em que terei que sentar em cadeiras escolares ao lado daquele babaca, enquanto outras pessoas tentam nos enturmar”, escreveu.

Patrick Carney tomou as dores do parceiro. Lamentou os emails vazados (“O TMZ deveria se envergonhar”), e disparou: “Jack White é um panaca”.

No final de maio, White teve um surto de consciência e saiu pedindo desculpas a todos a quem ameaçou, xingou e / brigou, incluindo a dupla de Akron.

Mas Carney parece curtir uma boa baixaria via mídia. No Grammy, um repórter perguntou se ele lamentava Justin Bieber não ter ganhado nenhum troféu.

“Grammys são ganhos por músicas, não por dinheiro. Ele já ganha muito dinheiro, deveria ficar feliz”. No dia seguinte, Bieber soltou no Twitter que Carney “deveria ser estapeado”.

Enfurecido com a possibilidade de ser surrado na rua pelos “beliebers”, Carney disse que “JB é um imbecil irresponsável de merda”. Hilariante.

15 comentários:

Franchico disse...

Por alguma razão idiota, preferi, na matéria secundária, falar das baixarias midiáticas que a dupla se envolveu, do que lançar luz sobre o excelente trabalho de Auerbach como produtor para trabalhos recentes de artistas como Dr. John, Lana Del Rey, Bombino e Black Lips, entre outros. Mal aê. Fica para próxima...

Quando o Turn Blue chegar às minhas mãos. Se chegar...

Franchico disse...

Cagueipara Brasil e Chile. A notícia que mais me emocionou no fim de semana só poderia ser esta.

RIP BOBBY WOMACK

http://www.mojo4music.com/15352/bobby-womack-1944-2014/

Menos um gênio no planeta.

Franchico disse...

Né por que os caras são meus brothers desde menino não (acho que já disse isso oitocentas trilhoes de vezes desde 1991), mas vão brocar assim na casa do capeta, maluco!

Úteros em Fúria - Festival Juiz de Fora circa 1993.

Parte I

http://youtu.be/RpqT-tuLFR4

Parte II

http://youtu.be/-q1xJZaL3B0

Parte III

http://youtu.be/aop9p1dvSHs

Nunca vou poder agradecer o bastante por ter tido 19 anos em 1991...

Franchico disse...

HOJE:

VENDO147 no VANDEX TV - Segunda,às 20:30

TEASER https://www.youtube.com/watch?v=sRNqHEC7LEw&feature=youtu.be

www.vandextv.tv

www.vendo147.com

Rodrigo Sputter disse...

taí uma banda que nunca gostei...não que seja ruim, só que nunca gostei...e olha que ouvi a 1a vez os caras em 2004...antes de serem sucesso mundial...agora o Junior é FODA mermo...sonzeira da zorra ele...sobre os e-mails de jack white, (outro cara que é um PUTA guita, mas nunca pirei em nada dele, mas ainda "gosto mais" do que o BK)...sobre esses e-mails, porra, qq um na intimidade "pega pesado", pode ter sido um dia ruim pro cara, ou qq coisa do tipo...nem li a matéria sobre esses emails vazados...coisa ridícula...agora já li muitas matérias dizendo que o jack é um babaca popstar...onde há fumaça há fogo-ehehehehe
ele teve uma briga com Billy Childish...

OPA!
esse show do Úteros vou ver AGORA!!!

Porra de seleção canarinho, tou "torcendo" pra Holanda!!

Ernesto Ribeiro disse...

GOD SAVE YOUTUBE.

Ou melhor, o Youtube salvou o rock.

Mesmo no Inferno do Terceiro Mundo chamado Brasil, é possível fazer algum resgate do passado pelo Túnel do Tempo.

Agora, é torcer pra que alguma alma razoavelmente sensata cumpra o seu dever de POSTAR O QUE TEM --- e então assistiremos os registros de VHS de SHOWS INTEIROS do Camisa de Vênus (nos anos 80), Dead Billies (na fase áurea do apogeu de shows toda semana no Creole Cajun) SHES (todos os shows delas), LILITH (com Andrea Gabriel no baixo, cantando "Santa Igreja" das Mercenárias) UNINVITED / COX DE PANDORA (com a legendária Jerusa Leão dando uma aula de grunge rock) e, é claro, a deusa Lygia Cabus e o deus da guitarra Sergio Belov juntos na TREBLINKA (1989) e na espetacular THC - Típicos Habitantes da Cidade (1990-1992).

Ernesto Ribeiro disse...

Cara, eu jamais me esquecerei daquele show ESPETACULAR das heroínas da SHES no grande santuário punk rocker IDEARIUM em 1999. As meninas partiram o lugar ao meio. Eu já estava chapado, e me senti numa viagem interestelar diante do palco, com aquela onda do choque sonora violenta explodindo na platéia.


"Aqui se faz, aqui se paga! Esse meu desafio / não é pra você!" "oooo-oooohhh.... oooo-oooohhhh!!!..." ÉPICO! EXTRAORDINÁRIO. Indescritível. Palavras não podem jamais expressar o poder da música.


Na mesma noite, antes e depois do show, subimos todos no famoso terraço do Idearium, onde a fumaça esvanecia na noite. Ficamos numa roda de maconha com 8 pessoas: eu, mais 3 caras e as 4 meninas da Shes. Só que a roda tinha 3 baseados ao mesmo tempo. Ficamos tão chapados que não poderia ser melhor: chegou a um ponto em que parecia uma linha de montagem de uma fábrica, com nossos braços se movendo em ritmo mecânico: logo depois que um braço puxava um beck, fumava e passava pra pessoa á esquerda, e com o outro estirava a mão pra pegar o próximo dedo de Hulk á direta. Todos ao mesmo tempo, mantendo o ritmo, pra não atrasar nem adiantar. Perfeito.

Rodrigo Sputter disse...

http://www.youtube.com/watch?v=mn6MXCpBsxA

http://www.youtube.com/watch?v=dWQoOLLnUi4

não tão lendário Ernesto, mas se quiser ver...

Ernesto Ribeiro disse...

Exato, Sputter.

Eu assisti aquele show dos The Honkers na Livraria Cultura, e você deve se lembrar que na saída do show nos encontramos nós 4, onde tiramos as nossas fotos como os 4 Cavaleiros do Apocalipse:

Alexandre "Xanxa" Guena – Ernesto Ribeiro – Rodrigo Chagas – Felipe Brust

a Peste, a Morte, a Fome e a Guerra

Ernesto Ribeiro disse...

Continuando as reminiscências do Melhor do Rock Baiano:


Uma coisa que sempre me chamou atenção positivamente em Carol Ribeiro:


Desde que nos tornamos colegas de faculdade, é que ela sempre foi uma LÍDER:


Uma pessoa magnânima, gentil e discreta, ao mesmo tempo em que como artista ela sempre foi PRÓ-ATIVA.


Fundou as SHES, a primeira banda de garotas a fazer punk rock, e que merece aplausos já pela proposta, como HEROÍNAS.


Depois formou a LOU com nossa ex-colega de faculdade Andrea Gabriel da Lilith, gravando dois CDs por conta própria e sendo matéria na Revista Guitar Player 160 / Agosto de 2009; tocou em várias cidades em turnê nacional, divulgando o Melhor do Rock Baiano como uma EMBAIXADORA.


Em seguida levou a proposta adiante com as Foxy Ladies, consolidando sua carreira no Rock Baiano como uma VETERANA.


E como PROFISSIONAL DE COMUNICAÇÃO, ela venceu também, como publicitária, produtora, editora de videos e apresentadora do programa de TV AMPLIFICADO, onde mostrou a História do Rock n Roll, entrevistando figuras históricas como Miguel Cordeiro e Eduardo Scott, em episódios mostrados no canal dela no Youtube.


GRANDE CAROLZINHA!


PARABÉNS por seu talento, sua obra, seu bom exemplo, e por tudo o que você construiu.


http://guitarplayer.uol.com.br/?area=materia&colid=4&matid=586


http://www.youtube.com/user/carolribeiro/videos


http://www.youtube.com/watch?v=qQ1BSkGGB-M

Rodrigo Sputter disse...

isso...verdade meu caro...verdade....foto HISTÓRICA...tou véio, nem dos bons momentos lembro mais...conseguiu ver o 2o até o fim?
não assista, nem Chico-heehhehe
depois digam que eu não avisei...
www.youtube.com/watch?v=92HCqvR2Uw0
mas esse vale a pena ver até o fim...Chico viu?
hehehehehe

Franchico disse...

Cripta Volume 3 a caminho!

http://www.universohq.com/noticias/mythos-lancara-cripta-volume-3-e-kirby-genesis-em-julho/

Já esse Kirby Genesis.... muito caro para arriscar assim...

Cripta é até um pouco caro tb, mas aí já sei que se paga, é garantido.

Franchico disse...

Muito boa - digo, muito bom esse clipe do Sanitário Sexy, hein Sputter!

Rodrigo Sputter disse...

o ruim foi fazer o clipe com a namo fazendo o papel de namorada ciumenta no clipe...num podia dar uma escapulidela no olhar-hehehehehe
mas o pior q sou profissa nessas horas...2o trampo que rola com mulherões femme fatale e eu levo a parada no profissionalismo...me foco no trampo e pronto, mas nesse dia eu confesso...fiquei nervoso...mesmo com ar condicionado, o local ficou quente-heheheeheh

Rodrigo Sputter disse...

Rapá, voltando a fofoca do rock gringo...queria tanto que um belieber viesse me agredir na rua...mas aí eu seria preso pelo estatuto da criança e do adolescente-eehehhe

ps.: foi aqui que eu vi que Avril Lavine (sei lá como se escreve), tá com 29 anos??
essas porra envelhecem é?
pensei q ficavam adolescentes pra sempre...tempo passa pra todo mundo...