E daí, vai encarar?
Eu devo ser o último mané da terra a descobrir
Elliott Smith, provavelmente o mais brilhante bardo folk a sair da simpática e gélida Portland (a São José do Rio Preto brasileira, diria vocês sabem quem). Nascido
Steven Paul Smith no simbólico ano de 1969, Elliott, como veio a se chamar depois, começou a causar burburinho ao redor do mundo quando foi indicado ao Oscar 97 de melhor canção original, prêmio abocanhado pela - absolutamente desagradável - cantora de budegas milionárias de Las Vegas Celine Dion: era o famigerado ano do Titanic. Contudo, sua canção Miss Misery (se algum dia eu abrir um bar coloco esse nome pra concorrer com o Miss Modular), do filme
Gênio indomável de
Gus Van Sant - em má fase, diga-se - chamou a atenção e a imprensa especializada e antenadinhos em geral começaram a reparar naquele rapaz de aparência frágil e meio feinho.
Bom, não vou ficar aqui contando uma história que se vocês ainda não conhecem (o que eu duvido), não sou eu que vou escrever a biografia do rapaz. Resumindo: depois de quatro amargurados, belos e tristonhos álbuns solo e um primeiro disco com a banda
Heatmiser, o senhor Smith (que não é o Brad Pitt), decidiu dar um fim na própria vida e foi encontrado morto com uma faca enterrada no peito, no dia 21 de outubro de 2003. Na época, parece que ainda pairaram duvidas se se tratava de suicídio ou homicídio, mas parece que o lance foi mesmo a primeira alternativa.
Merda. Já vimos isso antes.
Bom, depois de muito ouvir falar de Elliott Smith, tive acesso a uma canção do rapaz em uma coletânea da revista Select,
Ballad of big nothing. Completamente encantado com a melodia perfeita, aquele arrebatamento irresistível, aquela linda voz suave, aquela atmosfera sixties, aquilo tudo enfim, me rendi. OK, Elliott Smith se foi, e isso é uma puta perda. Que pena que só o conheci depois de morto. Que pena que ele está morto.
Ballad of big nothing, a música que me ganhou para sempre, é do disco
either/or (1997), por enquanto o único que possuo de sua discografia. E é esse disco a verdadeira razão desse post. Já o tenho há alguns meses, e de lá para cá, adquiri diversos outros CDs, entre cópias CDR e originais comprados em ofertas (o bicho tá pegando e eu me recuso a pagar mais de R$30, R$35 num CD, é até ofensivo isso), mas o tal do either/or tava constantemente me chamando, com suas melodias doces e arranjos econômicos, precisos, sem ostentação, onde nada parece fora do lugar, nenhuma nota parece sobrar ou faltar.
Irretocáveis, suas 12 faixas deslizam bonito pelos ouvidos, uma após a outra. Seu efeito paralisante simplesmente veta qualquer movimento de mãos irrequietas - como as minhas, por exemplo - de tocar na tecla FF e pular para a próxima música. E eu nem sei direito o que dizem suas letras, apesar do meu vaaaaaaaasto conhecimento da língua de Shakespeare. Não dá para entender tudo de ouvido, já que minha cópia não tem encarte. Só escrevo aqui sobre o que ouvi saindo das caixas de som.
Uma outra característica fortíssima de Smith é a precisão de suas composições. Ao longo do disco você nunca tem a impressão - comum em muitos CDs de bandas indie - de estar ouvindo a mesma faixa o disco inteiro. Não, as canções apresentam melodias absolutamente distintas entre si, suas características são únicas e separam umas das outras de modo a não deixar dúvidas. Este é um disco de faixas distintas e portanto, mais coeso em seu conjunto que muito disco que parece ter uma faixa só.
As referências, para quem precisa delas, são óbvias:
Beatles, Beach Boys, CSN&Y, seguidores e aprochegados. Só que o talento de Smith era tal que as influências são realmente apenas influências, pontos de partida para se chegar em novos patamares de beleza angustiada e tristeza expressa de forma sublime. Ouça a já citada Ballad of big nothing e me diga se estou errado. Acho que essa é o tipo de música que é tão boa ficaria bonita de qualquer jeito, em qualquer arranjo, com qualquer pobre mortal cantando. Acho que até
Frankito Lopes, o índio apaixonado, faria bonito com ela. Ou então a quinta faixa, Pictures of me, com seu andamento marcial em crescendo sugerindo um batalhão de rockers tristes em marcha contra o sucateamento da sensibilidade e da sutileza nesse mundo tão cruel. (Que inferno. Deve ser flashback de bad trip. Finjam que não é com vocês e saiam de fininho.)
Bom. O site e a história do cara tão nos links lá em cima. Vão lá e leiam. O disco vcs encontram por aí e no link do All Music, também lá em cima. Mas deve ter para baixar em algum canto úmido e escuro por aí. A internet é muito grande, deve estar em algum lugar, é só procurar. Vão lá e ouçam. Eu tô muito ocupado agora procurando os outros.
PS: A despeito do título engraçadinho lá em cima (I know its only rock triste bla blá blá), quero deixar clara minha posição de repúdio a esse rótulo ridículo e redutor. Existe rock. Alguns são bons, outros não. Aí vai da cabeça de cada um.
RAMONESMANIA - Essa não morre nunca. Agora em agosto sai uma boxed set com 85 músicas em três CDs, um DVD (The Lifestyles of The Ramones) e, coroando a caixinha, uma graphic novel apresentando obras de 25 artistas da hq underground americana, inspiradas no grupo e homenageando os famosos comics de horror da editora
EC Comics publicados nos anos 50 e 60, nos quais eles deviam se amarrar. Entre os desenhistas, destaque para nomes de peso como
Sergio Aragonés (Mad),
Jaime Hernandez (Love and Rockets),
Bill Griffiths (Zippy the Pinhead) e
John Holmstrom (desenhista da contra-capa de Rocket to Rússia e da capa de Road to Ruin, ambos CDs do grupo). Vejam
aqui essa notícia e algumas dessas ilustrações, bem bacanas.
CLUBE DOS CINCO COROAS - O melhor filme de adolescentes dos anos 80, já exaustivamente comentado neste blog por mim mesmo, está mais perto de uma continuação. Depois do burburinho que a homenagem ao
Clube dos Cinco no último MTV Movie Awards andou causando,
Emilio Estevez - que não foi lá ser homenageado - disse ao site Contact Music que aceitaria participar de uma continuação-reencontro, coisa que o diretor
John Hughes já andou sondando entre os executivos de Hollywood se é viável. Será? Se rolasse uma continuação do
Clube dos Cinco, seria plenamente viável uma continuação de
Curtindo a vida adoidado, que aliás, fez muito mais sucesso de bilheteria na época que o cultuado
Breakfast Club. Eu quero é mais. Ah. A notícia tá
aonde, mesmo?
EU NÃO SEI NADA! EU NÃO SEI NADA! EU NÃO SEI NADA! - Quem não se lembra daquele filme idiota de sessão da tarde,
Curso de verão, quando o maior vagal da turma, depois de estudar o verão (no Havaí, imagine) inteirinho, tem um pesadelo e acorda gritando EU NÃO SEI NADA! em pânico total? Essa frase acabou virando uma piada na época entre os jovens em véspera de prova. Eu mesmo, que entrava em recuperação religiosamente todos os anos - para desespero do pessoal lá em casa - me identificava totalmente com aquele bando de desajustados vagais. Pois é.
Diz que vão fazer um remake desse filme. Minha pergunta é: pra quê? Será que um só já não foi bom o bastante? Clube dos Cinco e Curtindo a vida adoidado tudo bem, são clássicos, mas esse filminho....
A VOLTA DO ESPÍRITO - No final do ano sai pela
DC Comics um crossover apresentando uma aventura do
Batman e Spirit combatendo o crime em uma inusitada parceria. Mas não pára por aí. No início de 2006, o artista e escritor
Darwin Cooke lança uma nova série mensal do personagem, apresentando uma aventura fechada por edição. Diz que tudo isso já estava acertado - e aprovado - por
Will Eisner antes de seu falecimento no início desse ano. Essa notícia tá
aqui.
E O ROCK CONTINUA LOCO, OBRIGADO.