terça-feira, janeiro 28, 2014

A ESTRADA PARA A RUÍNA, SEGUNDO O MOTORISTA DA VAN

Livro Na Estrada com os Ramones refaz trajetória da lendária banda punk rock

Johnny, Dee Dee, Tommy e Joey: banda de rock definitiva
Se algum dia uma banda capturou a essência exata do rock, com todos seus elementos mais caros (ataque sonoro e visual, atitude etc), essa foi Ramones.

E se há alguém que pode falar dela com total propriedade,  é o seu empresário de turnê Monte A. Melnick.

Autor – em parceria com o jornalista e músico Frank Meyer – do livro Na Estrada com os Ramones, Monte é amigo de adolescência do baterista fundador Tommy Ramone Erdelyi.

Trazido a bordo pelo amigo desde os primórdios, Monte fez de tudo: organizou turnês, dirigiu vans, cobrou cachês, foi babá, ombro amigo e um duro chefe quando necessário – e mais: esteve presente em absolutamente todos os 2.263 shows que os Ramones fizeram em 22 anos de existência.

Organizado à moda Mate-me Por Favor – depoimentos em sequência, ao invés de um texto corrido – o livro narra a saga ramoneana desde os primórdios mesmo, nos anos 1960, quando Monte e Tommy se conheceram e começaram a tocar em uma banda de pouca expressão, chamada Butch.

Quando a banda acabou, Monte foi trabalhar em um estúdio. “Bandas como o Blondie e os (New York) Dolls estavam ensaiando lá. Enquanto isso, Tommy estava trabalhando com seu próprio grupo, os Ramones. Eles eram terríveis, mal sabiam tocar”, lembra ele, em um trecho do livro.

Inspirado na revolucionária banda das “bonecas de Nova York”, Tommy pensou em criar um conceito semelhante: “Aqui está uma banda se divertindo, tocando rock ‘n’ roll”, pensou.

Tommy então juntou-se a três desajustados de Forest Hills (bairro do Queens, NY): Jeffry Hyman (Joey Ramone), John Cummings (Johnny Ramone) e Douglas Colvin (Dee Dee Ramone).

E o resto foi história, contada neste e em outros livros.



Monte A. Melnick, o capataz do camarim

One-two-three-four!

Só não pergunte ao Monte quais deles vale a pena ler: “Há apenas um livro sobre os Ramones que vale a pena ser lido: o meu”, afirmou ele, em entrevista por email ao Caderno 2+.

Publicado originalmente em 2003 – dois anos após a morte de Joey, um após a morte de Dee Dee e um antes da morte de Johnny – Monte deixa entrever no livro que tinha um cuidado especial com o vocalista, devido à sua saúde frágil.

“Eu era muito íntimo de Joey por que eu o apresentei a Angela (Galletto, ex-namorada de Joey). Eu estava saindo com a irmã dela na época. Joey e eu passamos muito tempo em família juntos. Eu ajudava Joey por que ele tinha mais problemas do que os outros e precisava de ajuda”, conta Monte.

“Achei que poderia contar a história toda depois que Joey morreu, devido a coisas que tinha de revelar sobre ele”, diz.

Hoje bem conhecidas, essas revelações variam desde o TOC  (Transtorno Obsessivo Compulsivo) que o atormentava, quanto o relacionamento problemático com Johnny – piorado depois que este “roubou” sua namorada, Linda Danielle.

“Eles eram ótimos amigos no início e durante muitos anos. Nos últimos anos eles sentiram que a música e os shows eram realmente algo muito especial, bom demais para deixar que brigas acabassem com a banda, então continuaram juntos – só que sem se falar muito um com o outro”, diz Monte.

Populares no Brasil, tocavam em FMs e ganharam disco de ouro

Banda presente na lista das preferidas   de qualquer roqueiro que se respeite, os Ramones são hoje mais reconhecidos e queridos do que quando ainda estavam na ativa.

Pgs internas: CJ, Kiefer Sutherland e Julia Roberts. Johnny apagado
“Acho que é por que os garotos que eram grandes fãs cresceram, e hoje estão em posição para colocar suas músicas em comerciais, trilhas sonoras de filmes e nas rádios", vê.

"Se os Ramones fossem grandes assim quando eu trabalhava para eles, teria pedido um aumento”, brinca Monte Melnick.

Ironicamente, foi no Brasil que os Ramones ganharam o primeiro disco de ouro da carreira, pelas mais de 100 mil cópias vendidas do LP Mondo Bizarro (1992) – que diga-se de passagem, teve dois hits em FMs, inclusive de Salvador (era outra época): Poison Heart e I Won’t Let It Happen.

O fato, porém, não consta do livro. “Eu tinha uma certa limitação de espaço para este livro, então tive de deixar muita informação de fora”, despista.

Naquele mesmo ano, Salvador foi varrida por rumores de que os Ramones tocariam na Concha Acústica – o que, infelizmente, nunca aconteceu.

“Não tenho absoluta certeza sobre essa data, mas deve ter sido uma das vezes que tivemos de cancelar uma turnê devido à saúde do Joey”, esclarece Monte Melnick.

Quando a banda finalmente acabou, em 1996, o empresário ainda levou um tempo para acreditar.

"Foi estranho finalmente parar depois de tantos anos. Eles disseram que iriam parar muitas vezes antes, então eu ainda levei algum tempo para perceber que daquela vez era verdade, e só então pude desacelerar", conclui.

Na estrada com os Ramones / Monte A. Melnick e Frank Meyer / Edições Ideal / 264 p. / R$49,90 / www.edicoesideal.com



Matéria publicada antes no Caderno 2+ do jornal A Tarde. Agradecimentos ao Marcelo e a Laura da Edições Ideal.

10 comentários:

Franchico disse...

Crianças, entendam por que Miracleman é leitura obrigatória:

http://omelete.uol.com.br/marvel-comics/quadrinhos/por-que-miracleman-continua-relevante-ate-hoje-artigo

Agora é só esperar a Panini lançar Brasil em edições capa dura e cheias de frescura que custam os olhos da cara....

rodrigo sputter disse...

Tou lendo miracleman...os 25 números que baixei...

RIP PETER:

http://br.omg.yahoo.com/noticias/morre-cantor-compositor-folk-americano-pete-seeger-093826071.html

rodrigo sputter disse...

http://sicnoticias.sapo.pt/cultura/2014/01/28/portugal-electrico-faz-viagem-de-30-anos-ao-mundo-do-rock-portugues

Franchico disse...

Pelo jeito, a revistinha do Juiz Dredd deu certo no Brasil: já saíram 8 números, um especial de Natal (do caralho, por sinal) e uma edição (caríssima) em capa dura, com mais novidades por vir.

Está dando tão certo que virou notícia na gringa:

http://www.bleedingcool.com/2014/01/28/brazil-now-has-its-own-judge-dredd-megazine-and-its-damn-magnetic-for-readers/

Aproveito e volto a recomendar também Dredd, o filmaço com o personagem que saiu ano passado e cuja continuação espero ansiosamente.

Franchico disse...

Barça faz seu obituário do Pete Seeger:

http://entretenimento.r7.com/blogs/andre-barcinski/pete-seeger-morre-um-pedaco-da-musica-americana-20140129/

Franchico disse...

RIP Mötley Crüe?

http://omelete.uol.com.br/motley-crue/musica/motley-crue-anuncia-ultima-turne-e-aposentadoria

Confesso que adoraria assisti-los. Adoro o primeiro LP deles, glam rock de garagem na veia total.

Depois virou hair metal vagabundo - e mesmo assim, de melhor qualidade que maioria esmagadora das bandas similares da época.

Franchico disse...

Diga-se de passagem, é praticamente um milagre que os quatro membros fundadores ainda estejam vivos...

rodrigo sputter disse...

http://www.ruadebaixo.com/os-filhos-do-tedio-dvd-27-01-2014.html

Franchico disse...

Sei que o assunto já está ficando até velho,mas este é o melhor texto que li sobre os rolezinhos.

http://musica.br.msn.com/blog/post--n%C3%B3s-vamos-invadir-seu-shopping

Sem o sociologês paternalista da esquerda, nem a baba raivosa da direita. Apenas sensibilidade e bom senso.

Franchico disse...

O Hold Steady volta após hiato de dois anos com EP de covers.

http://newalbumreleases.net/62303/the-hold-steady-rags-2014/#more-62303

Destaque para a linda versão de Hard Luck Woman, da minha banda do coração, KISS!