terça-feira, outubro 21, 2008

MICRO-RESENHAS BOOMBÁSTICAS

Sortudos e zuadentos

Ainda quente da sua apresentação semana passada no festival Boombahia, a banda Mudhoney teve seu mais recente álbum, The Lucky Ones, lançado no Brasil pelo selo independente Inker. Como os Ramones ou o AC/DC, o Mudhoney prima pela falta de novidades em seus álbuns. Ainda bem, por que a pior coisa que poderia acontecer para uma banda como essa seria tentar pongar no som do momento. Se não fizer novos fãs, pelo menos manterá sua fiel audiência satisfeita com mais uma belíssima seqüência de dez rocks de garagem diretos, sarcásticos, auto-depreciativos e zuadentos. Steve Turner continua soltando faísca com sua guitarra encharcada de fuzz, enquanto Mark Arm rasga a garganta para vociferar que “me dizem que sou sortudo/ sortudo por estar vivo/ bom, eu não me sinto sortudo/ pois os sortudos já não estão mais entre nós“, na faixa-título. Sem concessões e sem frescura, o oitavo álbum do Mudhoney diz a que veio: infernizar. Graças a Deus.
The Lucky Ones
Mudhoney
Inker
R$ 31,90
www.subpop.com


Sabedoria e sushi de salmão à sombra

Um dos mais importantes escritores japoneses do século XX, Junichiro Tanizaki (1886-1965) foi um arguto observador da sociedade em seu tempo e lugar. Neste ensaio curto de 1933, ele faz o elogio da cultura milenar do seu país observando como a penumbra a permeia em cada aspecto: na arquitetura – onde a luz é filtrada pelos shojis, os biombos –, no teatro nô – onde os atores atuam com máscaras – e até na culinária – onde o molho shoyu reluz em sua coloração negra. Tanizaki chega a dar uma receita de sushi de salmão. Para ser degustado à sombra, claro. Um estudo poético da alma nipônica por um dos seus grandes escritores.
Em louvor da sombra
Junichiro Tanizaki
Cia. das Letras
72 p. | R$ 28,50
www.companhiadasletras.com.br
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Da mestra para o mestre do piano

A pianista e cantora brasileira Eliane Elias, radicada em Nova Iorque há mais de vinte anos, volta ao selo de jazz Blue Note – após ausência de uma década – com um belo tributo à uma de suas maiores influências: o pianista americano Bill Evans (1929- 1980). Jazzista, mas com formação erudita (chegou a lançar discos simultâneos em ambos os gêneros, sendo uma das poucas artistas no mundo capaz de tal façanha) Elias esbanja sua extraordinária técnica em arranjos que, longe de serem apenas covers dos originais, acrescentam seu estilo sensual e exato às composições e standards gravados pelo homenageado. Boa deixa para conhecer o trabalho de ambos.
Something For You
Eliane Elias
EMI
R$ 28,90
www.bluenote.com


Um super-prefeito em ação

Premiada com diversos troféus Eisner Awards, Ex-Machina é uma série do roteirista de Lost Brian K. Vaughan, que mostra o dia-a-dia de Mitchell Hundred, prefeito de Nova Iorque. O que o difere dos políticos comuns é que ele é um ex-super-herói, anteriormente conhecido como Grande Máquina, cujo poder é controlar qualquer dispositivo eletrônico ou mecânico, apenas falando com ele. “Revólver, trave!“, ele dizia, e os bandidos ficavam desarmados. Após salvar a segunda torre do World Trade Center de ser atingida no 11 de setembro, Hundred entrou na política e abandonou o uniforme. A narrativa vai e volta no tempo, mostrando seus atos no passado e como estes se refletem no seu presente como mandatário da Grande Maçã. Neste arco, o super-prefeito se vê as voltas com um casamento gay, a imprensa marrom e uma onda de crimes bárbaros. Muita política e deslumbrantes desenhos de Tony Harris em uma das HQs mais inteligentes da atualidade.
Ex-Machina: Símbolo
Vaughan / Harris
Pixel Media
146 p. | R$ 17,90
www.pixelquadrinhos.com.br


Lenda obscura do universo roqueiro

Na ativa desde 1975, o Cheap Trick, grupo de Rockford, Illinois, tem seu Greatest Hits autorizado (compilado pelos próprios membros), lançado no Brasil. Boa deixa para entender a importância da banda, pouco conhecida por aqui. Respeitada tantos pelos grupos de hard rock de arena, quanto pelos indie rockers, o CT tem seu diferencial na forma exata com que conjuga a artesania do pop perfeito dos anos 60 com riffs furiosos de guitarra. Junte-se à isso o exotismo de suas figuras um tanto cômicas, e voilà: sai mais uma lenda obscura do rock. Destaque para a cover de Ain't That a Shame (de Fats Domino) e That 70‘s Song, baseada no clássico In The Street, do Big Star, gravada para a hilária sitcom That 70‘s Show.
Authorized Greatest Hits
Cheap Trick
Sony BMG
R$ 25
www.cheaptrick.com


Revista indie traz HQs nacionais


A Garagem Hermética é uma boa revista independente que reúne HQs, crônicas e artigos. Semestral, chega ao quarto número, apresentando sua primeira história em série, Quadrinistas. Escrita por Cadu Simões (Homem-Grilo) e desenhada por Kléber de Sousa (autor da bela capa), narra a história de dois fanzineiros que sonham se tornar quadrinistas profissionais. Claro, a saga dos rapazes não será nada fácil. Outros destaques são o artigo de Nobu Chinen sobre a Balão (revista dos anos 70 que revelou Laerte e Luiz Gê, entre outros), contos de Alice Jordão e Vince Vader e boas HQs de Fábio Cobiaco (ótima, espcialmente para fãs do Jesus and Mary Chain, Edu Mendes e Fábio Santos. Para adquirir, é só entrar em contato pelo blog da Sócios Ltda.
Garagem Hermética #4
Vários artistas
Sócios Ltda.
32 p. | R$ 4
www.sociosltda.blogspot.com


Cazuza garotão e esqueleto em DVD

Pra Sempre é um DVD que compila dois especiais de TV exibidos pela Globo nos anos 80 e mostram Cazuza em dois momentos bem diferentes. No primeiro, de 1986, ele aparece forte, corado e bem disposto em um episódio do programa Mixto Quente, que sempre apresentava shows de rock gravados em uma praia. Recém-saído do Barão Vermelho, Cazuza e sua banda esbanjam energia e arrasam geral em apenas três músicas: Exagerado, Medieval II e Por que a gente é assim?. Já o segundo é o deprimente Cazuza - Uma Prova de Amor, um show gravado em um teatro, para uma platéia de vips emocionados com sua luta contra a aids. Se é para lembrar de Cazuza, que seja na primeira versão.
Pra Sempre
Cazuza
Universal / Globo
R$ 32,90
www.universalmusic.com.br


Guizado que ora anda, ora desanda

Guizado é o nome do projeto que o trompetista Guilherme Mendonça toca com alguns músicos da cena alternativa, como Curumim, Maurício Takara (Hurtmold) e Ryan Batista e Régis Damasceno (ambos do Cidadão Instigado). A proposta é criar uma música urbana e atemporal, misturando elementos de jazz, rock, música eletrônica e hip hop. Como todo projeto ambicioso, é controverso. Se por um lado, ele realmente parece captar o espírito das grandes cidades em algumas faixas, em outras, o guisado meio que desanda, tornando-se uma grande gororoba sonora, sem melodia ou propósito. De qualquer forma, vale pela ousadia. E lançado na mídia SMD, ainda sai barato.
Punx
Guizado
Diginóis
R$ 5
www.myspace.com/guizado

12 comentários:

Franchico disse...

Duas notícias chatas no chamado mondo pop.

A primeira é que Levi Stubbs, o vozeirão do Four Tops, uma das melhores bandas da Motown, morreu.

Mais sobre isso aqui:
http://www.latimes.com/news/obituaries/la-me-stubbs18-2008oct18,0,800342.story

Baixe a linda Reach Out I'll Be There dos FTs aqui:

http://www17seconds.blogspot.com/

A segunda é que a banda The Long Blondes, até segunda ordem, acabou. O guitarrista Dorian Cox sofreu um derrame e dificilmente voltará a tocar. A banda decidiu ir cada um pro seu lado.

Depois de um início excessivamente hypado e um primeiro disco fraco, a banda tinha crescido bastante e lançado um segundo CD bem mais maduro esse ano, Couples. Uma das músicas que mais ouvi recentemente é Guilt, deste álbum. Pena.

Leia mais sobre isso aqui:

http://www.nme.com/news/the-long-blondes/40521

E aqui:
http://blogs.myspace.com/index.cfm?fuseaction=blog.view&friendID=30242378&blogID=442352689

Nei Bahia disse...

“It’s the Same Old Song” , ouçam sem medo, é dessas canções que fazem a gente pensar que vale a pena estar vivo. Sou fã de carteirinha dos Four tops, não tinham tanto nome quanto os Temptations, mais sempre foram meus prediletos, vale a pena em qualquer tempo, em qualquer lugar!!

Franchico disse...

Lost é que nem junk food. A gente sabe que é uma porcaria, mas não resiste.

Assista ao primeiro trailer da quinta temporada de Lost

http://www.omelete.com.br/teve/100015946/Assista_ao_primeiro_trailer_da_quinta_temporada_de_Lost.aspx

Franchico disse...

Por falar em Motown, Nei Bahia, vá guardando o troco do buzú....

Motown vai comemorar aniversário de 50 anos com box de dez discos

191 músicas de ícones como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Jackson 5 e The Supremes

http://www.omelete.com.br/musi/100015851/Motown_vai_comemorar_aniversario_de_50_anos_com_box_de_dez_discos.aspx

cebola disse...

chico, vc é um cara mau! Já viu quanto tá o dolar?? Proponho uma cooperativa: Juntamos uns doentes que nem eu, importamos essa pop perfect songs bibble, e cada um fica um tempo estudando e tentando aprender o grande mistério da canção perfeita!! Ou então alguém baixa logo essa porra!

osvaldo disse...

reza a lenda que prostituição, jogos de azar, e drogas(licitas e ilicitas) são a prova de recessão. A revista eletronica Radar convidou estudiosos em economia e fez um estudo sobre o assunto. ta no http://www.radaronline.com/features/2008/10/vice_in_the_recession_gambling_strip_clubs_cocaine_01.php

Anônimo disse...

Chico, se você ganhar a caixa da Motown no jabaculê do jornal, vai ter que fazer os piratões de natal com xerox do encarte em papel couchê e presentear a galera.
Garanto que Cebola apoia a idéia.
Mario Jorge

Franchico disse...

Mário, acho que isso nem vai sair no Brasil. O mercado brasileiro não tem fôlego para um produto tão caro e sofisticado. Se sair, devem ser prensadas no máximo umas 50 cópias. E olhe lá...

Brama, eu pensei que a principal causa da recessão fosse o oba-oba do crédito habitacional facinho para gato e cachorro, além das guerras na Iraque, Afeganistão e todas as mutretas com as empresas envolvidas. Mas se os estudiosos estão dizendo... vai saber....

Cebola, eu tenho que manter a minha fama de mau.

Nei, acho que ainda vamos ouvir falar bastante sobre Motown no próximo ano. O que é ótimo.

M. R. disse...

Economizem seus dolares. Essas joias da Motown ja' rolaram quase todas nas Soul Sundays, se é que me entendem ;) Abçs.

osvaldo disse...

A reportagem da Radar não estuda as causas da recessão e sim o mito, reforçado na grande Depressão e durante a Prohibition, que a exploraçao economica dos vicios durante tempos dificeis seria lucrativo. Nem todos os vicios, segundo os caras, explodem numa recessão, mas alguns aumentam sua atividade.

Franchico disse...

RIP Ricky Husbands.

Mais um que se foi. Cantor de reggae nascido na Guiana, vivia em Salvador e era uma simpatia de pessoa, a quem tive o prazer de entrevista certa vez.

Vá com Jah, rasta!

http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/iriepositiveband/

Ernesto Ribeiro disse...

24 HORAS é que nem comida italiana: a gente sabe que demora de concluir, mas só faz bem.


Jack Bauer para Presidente dos EUA.