quarta-feira, dezembro 12, 2007

A MAFALDA DO ORIENTE MÉDIO

Cia. das Letras lança consagrada série de Marjane Satrapi em volúme único. Já o filme, sabe lá quando estréia por aqui...

Na década de 1980, o cartunista americano Art Spiegelman marcou época ao publicar uma história autobiográfica intitulada Maus, em que contava como seu pai sobreviveu ao campo de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Na narrativa, Spiegelman ia e voltava no tempo, estabelecendo relações de causa e efeito entre a psique em frangalhos do pai, após os horrores da Guerra, e sua própria dificuldade de relacionamento com ele. Obra-prima dos quadrinhos mundiais, Maus se tornou a única HQ - ou romance gráfico - a ser premiada com o Pulitzer, prêmio máximo da imprensa americana, fazendo escola.

Persépolis, série de quatro álbuns em quadrinhos da Companhia das Letras (que também publicou Maus há pouco tempo), retoma com brilhantismo o estilo narrativo de Spiegelman. Estão lá a arte - a princípio simples - em preto & branco, a narrativa memorialista e os horrores da guerra. Escrita e desenhada com muita sensibilidade e inteligência pela iraniana Marjane Satrapi, Persépolis apresenta a vida da menina Marjane durante a Revolução Islâmica que derrubou o xá Rezah Pahlevi, em 1979, e a guerra Irã-Iraque que se seguiu.

No primeiro volume, a autora inicia a obra mostrando o descontentamento popular com o regime do xá, simpático e dócil com os imperialistas ocidentais, sua derrubada e a subseqüente instalação dos fundamentalistas no poder. No segundo, enfoca a repressão e o início da Guerra Irã-Iraque (1980-88), o que leva os pais da autora a enviarem-na à Europa. O terceiro volume transfere a narrativa para a Áustria, onde Marjane vive por quatro anos, sua dificuldade de adaptação ao modo de vida ocidental e a adolescência problemática, longe dos pais. No quarto, ela volta ao Irã, onde conhece o rapaz com quem viria a se casar, e ingressa na Escola de Artes Gráficas de Teerã.

Filha de intelectuais liberais, Marjane havia estudado numa escola francesa e laica até o estouro da revolução que empurrou o Irã de volta para a Idade Média. Todo o choque cultural que se seguiu é muito bem explorado nos volumes 1 e 2 da série. Homem sem barba era considerado infiel. Mulher sem véu era tachada de prostituta, correndo o risco de ser apedrejada nas ruas pela turba ensandecida. As escolas bilíngües foram fechadas, assim como as universidades. Mesmo sob esse clima de repressão e terror, Marjane e seus pais ainda tentavam levar uma vida mais ou menos normal.

Logo depois, o ditador iraquiano Saddam Hussein invadiu o Irã, dando início à um conflito que deixou um milhão de mortos. Logo, alimentos e outros itens de necessidade básica sumiram das prateleiras, instalando o caos em Teerã, que vez por outra ainda era bombardeada pelos caças dos iraquianos.

Um dos momentos mais tocantes da série é quando Marjane, ao voltar da escola, descobre que a casa da sua vizinha foi atingida no bombardeio. "Não havia ninguém em casa", disse sua mãe, tentando tranqüilizá-la. O texto que se segue é de uma simplicidade esmagadora: "Quando a gente passou na frente da casa dos Baba-Levy, toda destruída, percebi que ela me puxava discretamente. Algo me dizia que os Baba-Levy estavam lá. Uma coisa chamou minha atenção. Então eu vi um bracelete de turquesa, o que a Neda ganhou da tia, de presente de 14 anos... O bracelete ainda estava preso no... não sei... Grito nenhum poderia aplacar meu sofrimento e minha raiva".

O trauma revoltou a jovem, que se tornou cada vez mais rebelde, o que culminou com sua expulsão da escola. Segundo a tradição islâmica, mulheres virgens não poderiam ser mortas, mesmo que fossem consideradas infiéis. Contudo, isso não era problema para os soldados, que casavam à força com elas e estupravam-nas, para então executá-las.

Temendo destino parecido para Marjane, seus pais a enviaram a Viena, onde viveu pelos quatro anos seguintes. Lá, a autora estabelece o tema central de Persépolis: o sentimento de não-pertencimento, de ser uma eterna estranha numa terra estranha.

Na Europa, ela era uma oriental, vista com desprezo por uns e interesse exótico por outros. De volta ao Irã, no volume 4, ela era uma ocidentalizada, uma infiel. Essa inadequação constante moldou sua personalidade, ora voltando-a para os livros e o isolamento, ora empurrando-a para o enfrentamento. Com o fracasso do seu casamento e a crescente insatisfação com o Irã, Marjane resolve voltar à Europa, desta vez para a França, onde desenvolveu os quatro álbuns desta série.

Imenso sucesso de público e crítica, Persépolis vendeu 400 mil exemplares só na terra do Asterix, ganhando o prêmio de Melhor Historia em Quadrinhos na Feira do Livro de Frankfurt em 2004. Com tanto sucesso, Persépolis está virando um aguardado longa-metragem de animação em preto & branco, com estética igual aos quadrinhos de origem.

Dirigido pela própria Satrapi em parceria com o francês Vincent Paronnaud, o elenco que dublará os personagens é estelar, contando com a eterna deusa Catherine Deneuve e sua filha (com Marcello) Chiara Mastroianni. A estréia é prometida ainda para este ano, na Europa. Com sorte, pode chegar ao Brasil em DVD, em 2008.

15 comentários:

M. Rodrigues disse...

conheci a série pelo filme, que é muito bom. so' depois comprei os quadrinhos.

Franchico disse...

A mania do verão 2008 será a seguinte: chupar i-Pod.

Hã?

Kibon vai colocar 10 mil iPods dentro de picolés:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u354114.shtml

Está aberta a caça ao tesouro. Vai um chicabon aí?

Franchico disse...

Fim da linha para Ike Turner.

Ike Turner, ex-marido de Tina Turner, morre aos 76 anos

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u354378.shtml

Será que Tina vai ao enterro?

A despeito de ser um canalha espancador de mulheres, o cara fazia um sonzão nos seus tempos áureos...

Franchico disse...

Retrofoguetes no inferno.

http://www.youtube.com/watch?v=D5E9GSkVpok&feature=related

Eitcha!

M. Rodrigues disse...

Pronto. Agora vcs podem saber o que Chico anda postando aqui no Rock Loco mesmo estando la' no Clash City Rockers. Ãh? Pergunte-me como :)

E' so' ir la' no final da barra lateral direita do CCR e ver o revolucionario visualizador rocklockator tabajara e você tera' uma janela virtual para o Rock Loco.

Chico, querendo um igual do CCR por aqui, ja' sabe o procedimento.

Franchico disse...

Do caralho, Marcos. Claro que queremos um visualizator clashcityrockator tabajara no Rock Loco. Já já inicio aquele nosso procedimento para vc proceder (ops) seus truques informáticos aqui. Já já.

Sonora disse...

Gênios do cinema alternativo.

Esta semana o grande Almodóvar.

http://www.sonorablhoem.blogspot.com

:)

Marcos ficou muito bom o que vc fez lah no CCR. Vc sempre inovando!! : )

Nei Bahia disse...

Segundo as agências de notícias, Ike "fumou" o Lap Top do seu biógrafo o ficial, trocando-o por crack.
Isso é ser "da pesada"!!!


O diabo tá com o cu no ponto!!

miwky disse...

Led Zeppelin - O2 Arena, London, England- December 10, 2007

Parte 1:
http://www.zshare.net/download/556153206ed998/

Parte 2:
http://www.zshare.net/download/55617221bf7483/

pra vc, chico.

miwky disse...

ah, e se quiser ver:

http://www.nme.com/blog/index.php?blog=10&title=led_zeppelin_live_footage_from_o2_arena__1&more=1&c=1&t

Franchico disse...

Grande Miwky! Mandou ver!

Olhem só essa que me chegou agora há pouco. O texto é esse aí embaixo, não é meu. >>>>>

A historia se deu em São Paulo com um executivo da Walita, e saiu em todos os jornais.

Era um casamento com cerca de 300 convidados... Depois do casamento, durante o brinde, o noivo levantou-se, foi ate o palco e pegou o microfone, disse que queria agradecer a todos por terem vindo, muitos de tao longe, para assistir ao seu casamento, e especialmente ao seu novo sogro por ter providenciado uma festa tao espetacular... Em retribuiçao a todos os presentes que receberam dos convidados, ele disse que queria oferecer a todos um presente especial só da parte dele. Pediu entao que todos abrissem os envelopes que estavam colados de baixo das cadeiras...
E assim foi !!!
Todo 'mundo com aquela cara de 'que coisa original', que bonitinho', etc, até que abriram o envelope, dentro do qual estavam duas fotografias em
20x30 do seu padrinho de casamento tendo relaçoes sexuais com a sua noiva...
Ele tinha suspeitado da relação dos dois umas semanas antes do casamento, e contratou um detetive para segui-los, confirmando as suas suspeitas...
O noivo ficou durante alguns segundos observando as reações dos convidados, virou-se para o seu padrinho e noiva, e disse: curtam a festa, é de vocês. Retirou-se então, deixando uma multidao estupefata...
Teve o casamento anulado judicialmente duas semanas depois...
Enquanto a maioria de nós teria acabado com o noivado imediatamente após descobrir a traiçao, ele nao; deixou a coisa seguir adiante como se nada tivesse acontecido !!!

A VINGANÇA:
Fez com que os pais da noiva pagassem mais de R$ 90.000 por um casamento para mais de 300 convidados (o pai da noiva é um militar aposentado) Fez com que todos ficassem sabendo exatamente como é que as coisas aconteceram (se ele tivesse cancelado antes da cerimonia, a familia da noiva só saberia da versao que ela contasse). Deu fim a reputaçao da noiva e do padrinho em frente de todos os seus amigos pais, irmãos, irmãs, avós,
sobrinhos, tios, tias, etc.

EM OUTRAS PALAVRAS:
O CARA É CORNO..., MAS É NINJA !!!

osvaldo disse...

hahahhahaha! ta lançando bordão chico?

Franchico disse...

Só se for pro Zorra Total, Brama: sou corno! ...Mas sou ninja!

;-)

(lá ele, claro...)

Sonora disse...

Carambolas...hihihihihihi!!!

M. Rodrigues disse...

Nova edição do podcast no ar, la' na Clash City Rockers, com um pequeno balanço do Boom Bahia e muita musica. Também um pequena resenha sobre as beldades francesas da Plastiscines, que vêm ao Brasil em janeiro.