quarta-feira, novembro 16, 2016

CANTORA VISCERAL E SENSÍVEL, JADSA CASTRO É UM DOS SHOWS PARA ASSISTIR NO FESTIVAL LADO BA

Jadsa Castro, que não é parente do blogueiro. Foto Izabella Valverde
Sem essa de hype. Jadsa Castro é melhor do que confetes efêmeros.

Seu canto visceral e composições sensíveis podem ser testemunhados em show gratuito neste sábado, no Festival Lado BA, com os também locais Caian e MC Cdoze.

Soteropolitana, com “o maior orgulho de morar aqui”, Jadsa só lançou um EP de três faixas, Godê, uma bela promessa de artista nova e música fresquinha, tinindo.

“Comecei na música com 10 anos, tomando aulas de bateria e cavaquinho. Tive uma fase na pré-adolescência em que me senti isolada  e precisava de algo que me tirasse desse foco e me levasse a pensar em ‘algo’ além de notas e regras. Assim, comecei a tocar violão. Aos 13 anos tive as minhas primeiras bandas como guitarrista”, relata.

"Tenho uma influencia enorme dos meus pais. Minha mãe sempre cantava pelos cantos da casa num tom tão envolvente que era impossível não amar essa coisa de 'cantar' e gostava de escutar discos de chorinho/instrumentais (faz isso até hoje). Meu pai, quando era mais jovem, tinha um contato muito forte com a música, se reunia com os amigos para tocar na praça do ACM (Cabula) e pelos cantos da casa sempre tinha um pandeiro aqui, um 105 acolá...", acrescenta.

Apoiada pelo trio Tropical Selvagem na produção, Jadsa ainda se impressiona com o resultado de Godê.

“Pelo fato de ser um disco independente gravado em cômodos ‘pingados’ da cidade. Foram três composições minhas num processo de gravação / finalização de seis meses, pelo tempo apertado dos colaboradores”, diz.

“Contei com o total apoio da Tropical Selvagem que é formado por Ronei Jorge (direção / produção musical), João Milet Meirelles (produção, gravação, captação, mix e master) e Lia Cunha (produção visual, física e impressão serigráfica da capa, encarte e cd) e de quatro músicos parceiros: Filipe Mimoso (guitarra), Caio terra (baixo), João Paulo Rangel (bateria) e Robson Santos (percussão)”, conta.

Reaproveitamento musical

Gostaram? Última moda em Guantánamo! Foto Izabella Valverde
Semana passada, Jadsa deu prosseguimento à sua parceria com o Tropical Selvagem ao se apresentarem juntos no evento de lançamento do Prêmio Caymmi, no Teatro Vila Velha.

“A gente tocou Jabuticabeira, composição minha que cantei a convite da Tropical Selvagem no LáLá em 2015. Espero mais mil ‘coisas’ em  breve”, conta.

Inserida nesta nova cena independente, a cantora tem uma visão até pragmática de sua geração.

“Vejo muito ‘reaproveitamento’ musical nos últimos tempos. Refazer, reproduzir, reunir, relembrar. Nossa geração está dando ré pra pescar a nata do bom e isso também fora da Bahia”, diz.

“Sinto que há interação entre os músicos daqui, também há prestigio, agradecimento e reconhecimento, mas cada um no seu barco, velejando até onde der. As parcerias acontecem, mas nada premeditado. Aqui todo mundo se conhece, e se for de apoiar um ao outro, sei que não é necessário muito chororô pra que isso aconteça”, afirma.

Para o ano que vem, Jadsa diz não ter muitos planos ainda. "2017 é um ano bom né? Não tenho planos, tenho desejos e espero que eles possam ser realizados. Desejo o lançamento do EP Godê físico, muitos shows, talvez um primeiro disco gravado e bastante sorvete", conclui.

Jadsa Castro, MC Cdoze e  Caian  / Festival Lado BA / Sábado, 19 horas / Largo Quincas Berro D´Água / Grátis



NUETAS

Simples Rap show

Veterana do rap local, a Simples Rap’ortagem faz show para lançar o clipe Bocada, faixa do álbum Vinho de 20. Sábado, 19 horas, no Espaço Cultural da Barroquinha, R$ 10.

Cury crowdfunding

Em 2008, o baterista Ricardo Cury fez a crônica de sua vivência no rock local no livro Para Colorir. Agora, ele busca publicar, via crowdfunding, seu primeiro romance, Tchau. Conheça, leia o primeiro capítulo já disponível e colabore se puder: www.catarse.me/tchau.

segunda-feira, novembro 14, 2016

ARERÊ POLICIAL BREVE NAS TELAS

Baseado na premiada HQ homônima de Marcello Quintanilha, o filme Tungstênio, de Heitor Dhalia, é rodado na cidade com grande elenco

Zé Dumont, um gigante. Fotos do blogueiro
José Dumont irrompe no pátio do Forte de Monte Serrat pê da vida. Acompanhado de um rapaz, chama o encarregado do local aos gritos: “Soldado! Soldado! Ô da farda!”. O rapaz pede calma e é rechaçado de imediato: “Calma uma porra!”, o vozeirão ribombando nas muralhas do século 17.

Um recruta muito alto de calça camuflada aparece e Dumont o chama para a amurada do Forte: “Venha ver, venha ver”.

Diante da Baía de Todos os Santos, o trio se estica para ver o que ocorre lá embaixo. “Tá vendo?”, pergunta Dumont. “Dois vagabundos pescando com bomba! Pode um negócio desses?”.

De sua tenda, onde acompanha a ação pela telinha do monitor, Heitor Dhalia, o diretor,  diz “Cortou”, sem levantar a voz. Atores e equipe desfazem a tensão enquanto esperam novas instruções.

A cena foi registrada na terça-feira (8), durante as filmagens de Tungstênio, longa-metragem que adapta para as telas a premiada HQ homônima de Marcello Quintanilha, com roteiro dos especialistas Marçal Aquino e Fernando Bonassi.

Lançada em 2014, a HQ, que é toda ambientada em Salvador, conta uma história frenética de crime e perseguição que começa justamente quando Seu Ney (Dumont) e Caju (o jovem Wesley Guimarães) veem uma dupla pescando com bombas.

Entra em cena Fabrício Boliveira como Richard, o PM mais durão de Salvador, para resolver a situação.

Contar mais seria dar spoiler. Completam o elenco Samira Carvalho como Keira, esposa de Richard,  Pedro Wagner como Liece e Sérgio Laurentino como Poró, os tais pescadores que iniciam o arerê.

Caldo grosso que entorna

Tenda de onde Dhalia dirige a filmagem
Fã de HQs, Heitor Dhalia já dirigiu outros dois filmes que namoravam com a linguagem: Nina (2004) e O Cheiro do Ralo (2006).

"Um amigo me recomendou Tungstênio. Comprei e achei muito interessante. Entrei em contato com  Quintanilha pelo Facebook e perguntei se  teria interesse em adaptar pro cinema. Ele respondeu que sim, quase que na mesma hora”, relata.

Pouco tempo depois do primeiro contato, saiu a notícia: lançada na França, Tunsgtênio havia sido premiada como Melhor HQ do ano na categoria Policial, no Festival de Angoulême, o principal da Europa.

“É uma história que se passa na classe baixa de Salvador, protagonizada por negros e que faz um retrato duro da realidade social”, diz.

“A banalidade do cotidiano é estilhaçada por um evento caótico, pela violência que emerge da tensão acumulada pela bebida e o tráfico. É um caldo grosso que entorna de vez. O filme todo é isso, essa explosão”, descreve.

Gigante do cinema brasileiro, o paraibano José Dumont está em casa filmando na Bahia. Aqui ele atuou em filmes como Coronel Delmiro Gouveia (1978, de Geraldo Sarno) e Cidade Baixa (2005, de Sérgio Machado).

“A Bahia ninguém sabe onde começa nem onde termina. É a grande mãe do Brasil. E esse filme tem o humor, a força e a criatividade desse povo. É  filme pra rodar o mundo”, afirma, descansando entre uma cena e outra no sofá da casa que serve de base para a equipe de filmagem.

Wesley, o soldado, Zé Dumont e equipe no Forte de Monte Serrat
“Estou empolgado. É que Seu Ney é um personagem muito doido. É um militar aposentado, mas ao mesmo tempo que é um conservador, um homem do sistema, ele pira, vai para o Carnaval e vira outra pessoa”, descreve.

Parceiro de cena do veterano,  Wesley Guimarães não poderia estar mais feliz. Aos 21 anos, roda seu terceiro longa, depois de O Trampolim do Forte (2010, de João Rodrigo Mattos) e João e Vandinha (2014, de Aurélio Grimaldi).

“Faço teatro desde 2007, fui da ONG CRIA (Centro de Referência Integral de Adolescentes), que me ajudou muito”, conta.

Morador do Engenho Velho da Federação, Wesley acredita que o dever do artista negro é ser resistente. “Ser artista em Salvador é ser resistente. Meu povo é resistente”, afirma.

Selecionado via testes, o ator gostou da HQ por que “mostra uma Salvador não-turística, livre de estereótipos, de opressores e oprimidos, em uma narrativa muito dinâmica”, conclui Wesley.

quarta-feira, novembro 09, 2016

AMANHÃ: JANELA BRASILEIRA FAZ CONCERTO GRATUITO IMPERDÍVEL

Andréa, Carlito Chenaud, Pedro Souza e Humberto Monteiro Ft Augusto Hessel
A tradição da gloriosa música brasileira com B maiúsculo surge intacta no concerto gratuito que o grupo instrumental baiano Janela Brasileira faz nesta quinta-feira, dentro da série Sesc Partituras, no Teatro Sesc Casa do Comércio.

Com 23 anos de atividades, o Janela é um quarteto especializado em música brasileira, integrado por músicos de formação erudita, alguns deles membros da nossa querida (e maltratada) Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba).

“O repertório desse concerto esta bem variado. Resgatamos uma versão que fizemos da modinha Quem Sabe, de Carlos Gomes, que foi gravada em nosso CD, e vamos apresentar peças de compositores baianos ou residentes na Bahia que escreveram para o grupo em diversos momentos dessa nossa trajetória, como Angelo de Castro, Ricardo Bordini, Paulo Rios Filho, Vinicius Amaro, Paulo Cesar Santana e Sergio Souto. Faremos também estreia de duas peças no nosso repertório: Baião Danado de Horácio Reis e Bafo Quente de Luciano Calazans”, conta Andréa Bandeira, flautista fundadora do grupo e único membro original.

Experiente, o grupo já se apresentou em tudo que é canto desta cidade – até no Carnaval –, além de já ter tocado em Brasília, Rio de janeiro, Alagoas, São Paulo e até na França.

“A existência de um grupo de música instrumental atuando ininterruptamente por 23 anos na Bahia já é um saldo positivo!! O reconhecimento é evidente através de convites para participar de diversos projetos culturais sempre com um público bacana. Participamos do Festival de Música Instrumental, Pelourinho Cultural, Projeto Viver Barra, Festival de Jazz Salvador, Sesc Partituras, Mercado Cultural, Mercado Iaô, Feiras na Cidade entre outros. O grupo já participou de projetos em outros estados também, como: Clube do Choro de Brasília, Pauta Funarte de Música Brasileira no Rio de Janeiro, Concerto aos Domingos em Alagoas, Projeto Rumos Musicais em São Paulo e uma viagem internacional para França. Esse ano tivemos a oportunidade de tocar pela primeira vez no Carnaval de Salvador! Uma experiência maravilhosa reviver as marchinhas que deram início a essa grande festa num trio elétrico, no Furdunço da Barra e Avenida", lista.

"Mas nem tudo são flores. Nesses 23 anos, temos apenas um CD gravado. Falta registro de diversos trabalhos durante nossa trajetória”, lamenta.

Música híbrida brasileira

Janela Brasileira, foto Augusto Hessel
Quem não conhece o Janela nem está acostumado a assistir concertos instrumentais, pode até achar “chato”. Afinal, não tem ninguém lá na frente te ordenando, uh, “sair do chão”.

Ocorre que é  o contrário. Os concertos do JB são vibrantes, ricos e coloridos, pois misturam as duas tradições da música brasileira: erudita e popular – aliás, uma tendência que cresce a cada dia.

“Cada vez mais, essas barreiras de estilo estão se diluindo e fusões vão acontecendo. Só nesse fim de semana, tivemos a Osba na Jam no Mam, Ivete acompanhada pela Orquestra do Neojibá,  o show Pérolas Mistas de Carlinhos Brown”, lista Andréa.

“O Janela, desde sua formação sempre mesclou  compositores eruditos e populares. Villa Lobos, Guerra Peixe, Camargo Guarnieri, todos buscaram inspiração na música popular.  O Janela toca Carlos Gomes, Ricardo Bordini, Paulo Rios Filho, Pixinguinha, Caetano Veloso, Noel Rosa. Então talvez possa ser chamado de híbrido”, admite a flautista.

"Conhecer e preservar o passado ajuda a conhecer aqueles que contribuíram para chegar onde estamos hoje e compreender nossa identidade, nossa cultura. Assim é com a música. A importância de tocar esse repertório é manter viva para as novas gerações a nossa identidade musical, a história da nossa música, ainda mais quando ela é rica e diversa", acrescenta.

"Atualmente, vejo um interesse maior de músicos jovens que trabalham no universo popular em aprimorar seus estudos e em preservar a música brasileira. A criação dos Cursos de Música Popular nas Universidades como também o primeiro Mestrado Profissional em Música, recém criado na UFBA, tem contribuído para uma qualificação melhor nessa área. E sim! Acredito que a educação musical eficiente nas escolas contribui para melhora da vida cultural da sociedade em geral", conclui.

Concerto Sesc Partituras com Janela Brasileira / Quinta-feira, 17 horas / Teatro SESC Casa do Comércio - Av. Tancredo Neves) / Entrada franca

www.facebook.com/JanelaBrasileira

NUETAS

Segue o Supernada

Sábado passado,  o Supernada - Festival de Música Independente trouxe os gaúchos do Catavento, os capixabas do My Magical Glowing Lens e as locais Van der Vous, Soft Porn, Mapa e Bagum. Esta semana, o Supernada  prossegue com  Bike(SP), Papisa (SP), Teenage Buzz, Bilic e The Hot Coffees Band.  Quinta-feira, 21 horas, no Dubliner’s R$ 15.

GOR, Macumba etc

Game Over Riverside, Macumba Love, Vende-$e e Antiporcos fazem o Bukowski Em Chamas neste sábado, 18 horas. Se acabe no Buk Porão (Rua do Passo, Pelourinho), R$ 10.

terça-feira, novembro 08, 2016

UM CARA NEGRO EM UM MUNDO BRANCO

Quatro anos após a estreia, soulman londrino Michael Kiwanuka lança segundo álbum, o brilhante Love & Hate. Nesta exclusiva, ele fala sobre dar um tempo, descobertas e isolamento


Michael Kiwanuka é um grande artista negro novo, mas  ainda não é um “ídolo”. Talvez jamais o seja.

Compreensível. Ao invés de se gabar de suas roupas de marca e ostentar carrões, joias, mansões e mulheres fáceis, ele expressa sua dor em suítes soul de dez minutos com direito a cordas, coros, solos de guitarra cheios de sentimento e letras sensíveis.

Pelo menos, é o que se ouve em seu segundo álbum – seu primeiro a sair no Brasil –, o arrepiante Love & Hate.

Produzido pelo mago Brian Danger Mouse Burton (Gnarls Barkley, The Black Keys), o álbum tem sido universalmente aclamado pela crítica estrangeira como um dos discos do ano.

Love & Hate traz de volta o sentimento da soul music mais introspectiva e / ou melancólica  de gigantes do gênero, como Marvin Gaye e Bill Withers, aliado à produção estilo europeu vintage de Danger Mouse – algo similar ao que ele já tinha feito no belíssimo Rome (2011), álbum que o produtor gravou em parceria com o músico italiano  Daniele Luppi.

E pensar que Kiwanuka, dizem as más línguas, chegou a pensar em desistir da música – mesmo sendo aclamado já em seu primeiro álbum, o folk blues Home Again (2012). O boato surgiu no Reino Unido devido ao longo tempo (quatro anos) entre os trabalhos.

Mera síndrome do temido segundo álbum. Nesta exclusiva para o jornal A TARDE, feita durante sua primeira rodada de entrevistas para a imprensa brasileira, Kiwanuka nega que tenha considerado desistir.

“Levei muito tempo para criar músicas novas. Estava tentando encontrar coisas interessantes para dizer nas canções e canções interessantes, para começar”, esclarece.

“Sobre desistir, é que, como tive dificuldade de compor músicas novas, pensei em dar um tempo mesmo, a fim de ganhar inspiração. Eu nunca vou desistir. Dar um tempo, talvez”, afirma, a voz serena.

Isolamento e descoberta

Nascido em Londres em 1987, Kiwanuka é filho de um casal ugandense que se refugiou na Inglaterra da ditadura genocida do general Idi Amin Dada nos anos 1970.

Criado no subúrbio de Muswell Hill, ele foi, quase sempre, o único menino negro da vizinhança.

O sentimento de isolamento se reflete em sua música introspectiva e também no jeitão tímido.

Em suas primeiras apresentações nos Estados Unidos em 2012, ele, um cantor negro de música negra, espantou-se ao notar que suas plateias eram eminentemente brancas.

Essa vivência rendeu uma das melhores músicas de Love & Hate: Black Man in a White World.

“Acho que não é só na América (que isso acontece), é em todo lugar. Até acho que os jovens negros estão ouvindo soul music – não no seu todo, mas em sua forma mais contemporânea moderna, como Frank Ocean ou The Weeknd, cantores populares agora. O que eu faço talvez não se relacione com a cultura negra de agora, com o que o jovem negro faz agora”, observa.

Apesar disso – e de ser frequentemente comparado aos mestres do soul  –, Kiwanuka não é um repetidor de estéticas vintage como Lenny Kravitz em início de carreira ou a banda The Black Crowes, e sim, um artista do seu tempo, que ouve a música de agora.

“Gosto de Frank Ocean, Kendrick Lamar, amo Tame Impala – uma guitar band australiana –, Jack White, um monte”, afirma.

“(Esses sons antigos como Marvin Gaye etc) Eu descobri  com  amigos na escola. Na época, a gente estava descobrindo os velhos discos de bandas antigas, Beatles, Stones e tal. Pensei em olhar os discos de soul e foi assim que descobri Marvin Gaye e  outros”, diz.

Um desses outros foi Otis Redding, que maravilhou Kiwanuka com sua (Sittin' On) The Dock of The Bay. Toda vez que se senta para compor, ele pensa nesta canção.

"Estou sempre pensando no que me faz gostar de uma canção, como ela faz eu me sentir antes mesmo de começar a compor. Talvez assim eu consiga escrever uma boa. É isso que me guia. Se o meu instinto me diz que tenho a mesma resposta emocional que tenho com minhas canções favoritas, isso me ajuda, entende?", explica.

De único menino negro da vizinhança a músico de sucesso mundo afora, Kiwanuka está ciente de que sua história pode inspirar  outros jovens que se sentem isolados: “Quando era mais novo, sentia falta de ter alguém como eu, alguém em quem eu poderia me espelhar, um cara tipo Jimi Hendrix, um jovem negro tocando rock 'n' roll. É bom ter ídolos que te encorajam e inspiram”.

“Gosto quando alguém te encoraja a ser você mesmo, mas sem exagerar nas diferenças – quando a maioria das pessoas se contenta em ser mais um na multidão. Black Man in White World é muito sobre isso, sobre como é difícil ser você mesmo”, observa.

Londrino de sangue africano, ele não descarta incorporar elementos da terra de seus pais na sua música: “Me relaciono com minhas raízes  através da minha família, da minha história. Em termos de trabalho, pretendo um dia investigar a música local e ver o que posso colher dela. Sei que os jovens ugandenses tem os mesmos desejos dos jovens ocidentais, então não ouvem a música tradicional, ouvem sua versão moderna, misturada à música americana, hip hop, bass music. Mas seria muito legal aprender mais sobre a música ugandense”, conclui.

RESENHA: Love & Hate é melancolia que envolve e eleva

Obcecado pelas trilhas sonoras western spaghetti de Ennio Morricone (e outros compositores europeus), o produtor Danger Mouse transparece essa influência ao longo de Love & Hate.

O resultado é um disco de soul híbrido: meio tradicional norte-americano, meio pop de câmara europeu, com muitas orquestrações e coros femininos fazendo a cama para a voz melancólica do cantor deitar e rolar.

Um bom exemplo é a magistral faixa de abertura, Cold Little Heart, arrepiante suíte de dez minutos com direito à cordas, pianos, coros.

A faixa seguinte, Black Man in White World, outro deleite, volta ao sul dos Estados Unidos, com um coro gospel conduzido por palmas e mais cordas.

Obra de afirmação – “Sou um negro em um mundo branco” –  Love & Hate leva essa dualidade (amor & ódio, branco & preto, Europa & EUA) a caminhos ainda não percorridos, ainda que instantaneamente reconhecíveis.

Faixa após faixa, a melancolia de Kiwanuka no envolve  e nos eleva.

Um clássico instantâneo.

Love & Hate / Michael Kiwanuka / Universal Music / Preço não informado

sexta-feira, novembro 04, 2016

GOVERNO ESTADUAL LIBERA R$ 30 MILHÕES EM 372 EDITAIS CONTEMPLADOS PELA SECULT

O Palácio Rio Branco ficou lotado na manhã de ontem, na cerimônia de assinatura do Termo de Acordo e Compromisso (TAC) dos Editais Setoriais 2016 da Secretaria de Cultura do Estado.

Costa, proponente, F. Tourinho e J. Portugal assinam TAC Ft Lucas Rosário
Desta feita, foi disponibilizado um montante de R$ 30 milhões, proveniente do Fundo de Cultura da Bahia, com renúncia fiscal da Oi e Coelba, beneficiando 372 projetos culturais  de um total de 3.265  inscritos em diversas áreas: Música, Audiovisual, Literatura,  Dança, Teatro, Circo,  Cultura Popular e outras, mais uma novidade: Capoeira.

Após uma breve apresentação da banda de música dos professores da Fundação Cultural do Estado (Funceb), o secretário de cultura Jorge Portugal subiu ao púlpito.

“Apresentamos hoje um Fundo de Cultura de valor histórico, nunca antes alcançado, com destaque para um super edital para o Audiovisual que estávamos devendo já há algum tempo, no valor de R$ 14,5 milhões, em parceria com a Ancine”, disse.

“Também hoje inauguramos o edital de Capoeira, no valor de R$ 500 mil. A Capoeira hoje dissemina até a  língua portuguesa mundo afora, mais do que as embaixadas”, afirmou.

Ele também demonstrou, através de um mapa da Bahia projetado em um telão, que foram contemplados “praticamente todos” os territórios identitários.

“Vejam como (a distribuição do Fundo de Cultura) se espalha por todo o território baiano. Um mapa republicano de como se faz a cultura na Bahia”, afirmou.

O governador Rui Costa veio em seguida, ressaltando a forma democrática de distribuição do Fundo: “É mais um ato de afirmação de escolha transparente e democrática, sem qualquer intromissão na escolha dos projetos selecionados. Eu fico sabendo quais projetos foram selecionados junto com a imprensa”.

Em discurso, lembrou que, enquanto o Rio de Janeiro declara falência nas contas públicas, a Bahia mantém e amplia seus projetos. “Esse é o nosso valor político, uma gestão adequada aos gastos. Não é cortar, é gastar melhor, com eficiência e ações estruturantes”, disse.

Em seguida, fez algumas promessas na área da cultura, como soltar até janeiro o edital de licitação da reforma da Sala do Coro do Teatro Castro Alves, iniciar o processo de publicização da Orquestra Sinfônica do Estado da Bahia (Osba) e tocar um projeto de utilização das escolas como centros culturais, utilizando seus teatros e auditórios como cine-teatros.

“Em 2017 já teremos escolas culturais disponíveis não só para os alunos, mas também para suas cidades e comunidades”, disse.

Outra promessa foi a de dobrar o número de jovens atendidos pelo NEOJIBÁ. “O NEOJIBÁ é um projeto social, até mais do que cultural. Por isso, o transferimos para a Secretaria de Direitos Humanos. Hoje, ele atende cinco mil jovens em toda a Bahia. Espero chegar ao fim do mandato com dez mil jovens atendidos”, disse.

Após o discurso do governador, os proponentes contemplados se enfileiraram para assinar seus TACs. Entre eles, estava o cineasta Rodrigo Luna.

“Fui contemplado em um projeto de desenvolvimento de roteiro com meus parceiros, Ronei Jorge e Paula Lice. É um longa de ficção, ambientado no imaginário do disco Drácula, I Love You (1975), da cantora Tuca”, conta.

Outro cineasta presente era Alexandre “Xanxa” Guena. “Meu projeto é um curta-metragem sobre fetiche. O edital vai me possibilitar fazer com algum dinheiro o que já faço há alguns anos, sem. Vou dar uma incrementada na estética”, conta.

Sorridente, a professora Cristiane Souza, da Unilab (Universidade Internacional de Integração da Lusofonia),  estava na fila para assinar seu projeto contemplado no edital de Leitura.

“Vamos difundir a leitura às crianças, jovens e adultos de comunidades da Baía de Todos os Santos. Além disso, trabalhamos a formação de professores para contação de histórias das culturas afrobrasileira e indígenas“.

Da área de Música, o produtor e guitarrista Thiago Guimarães teve aprovado seu projeto Rockambo, uma série de shows que visa o intercâmbio entre bandas da capital e do interior.

“Teremos três dias de shows em Feira de Santana, com quatro bandas por noite, mais dois dias de workshops”, contou.

terça-feira, novembro 01, 2016

FESTIVAL SUPERNADA BOTA NATA DO ROCK PSICODÉLICO NACIONAL E LOCAL NA FITA

Banda gaúcha Catavento é atração do festival  psicodélico Supernada, neste sábado. Festa continua quinta-feira, dia 10

Catavento. Foto Tuany Areze
Escapismo da realidade tenebrosa ou um movimento natural do rock, que volta e meia revisita seus próprios estilos?

O fato é que, desde o surgimento de bandas como Tame Impala e Temples, a psicodelia voltou à ordem do dia no rock.

E no Brasil não poderia ser diferente. Neste fim de semana, o Supernada - Festival de Música Independente ecoa esta tendência com várias bandas viajandonas, cada uma com sua interpretação da psicodelia sessentista, como a gaúcha Catavento, a capixaba My Magical Glowing Lens, as paulistas Bike e Papisa e as baianas Van der Vous, Teenage Buzz, Mapa, Soft Porn e Bagum.

Fiz a pergunta que abre a coluna para o Catavento: “Acho que um pouco de cada. O escapismo da realidade tenebrosa é com certeza fator determinante, mas em muitos outros tipos de música também. Especificamente da psicodelia e do rock, acho que as referências buscadas nos dias de hoje são revivals de coisas que ainda não tinham sido revisitadas, que dirá misturadas e desconstruídas”, opina Leo Lucena (voz, guitarra).

“Por exemplo, Tame impala, que quando conheci guardei na mente perto dos Beatles e de algum kraut (rock experimental alemão) mais darkinho, hoje já busca muitas referências diferentes, que viajam livremente pelos estilos e décadas. Resumindo, acho que o que mais influencia esse movimento é a mesma coisa que sempre influenciou a psicodelia: a liberdade de simplesmente fazer um som que você curte e de querer passar essa energia adiante”, diz.

Bebendo chá com as mãos

No Catavento, um segura o outro na hora de dar um troço. Foto Tuany Areze 
Em Salvador pela primeira vez, os gaúchos cumprem turnê de nove datas pelo Nordeste, divulgando seu segundo álbum, CHA.

“Sim, as expectativas são as melhores e maiores possíveis, vários fatores contribuem pra essa ansiedade: a gira do nordeste tem nove datas, que somada com as outras até o fim do ano fecha a maior turnê da história da banda.Todos os amigos que já foram falaram que o bagulho é loco. Vai ser um daqueles rolês conferência dos operários da música independente. Praia. Enfim, já dá pra querer muito tudo isso”, diz Leo.

Em CHA, a banda partiu para uma séria pesquisa de timbres, climas e instrumentos. O resultado é o álbum louquissimo, melodioso e barulhento que você pode ouvir mais abaixo.

"O CHA na verdade é sim, coisa de doidão, mas é também isso tudo que cê falou, é uma mistura das duas coisas. Durante o processo do álbum (2014-2016), aprendemos muita coisa na estrada, com outros artistas, produtores. Absorvemos muitas referências nesses dois anos, desde as mais clássicas às mais novas e malucas. O Catavento agora é uma banda de 6 pessoas, onde todos são muito ativos, desde as composições e arranjos até a finalização das tracks. Além disso, o nosso compromisso em fazer algo que fosse sincero veio muito forte nesse disco. Nos esforçamos muito nesse período de encubação do CHA para dar o nosso melhor, e tudo que aprendemos e gostamos está ali, de alguma forma. Nas gravações isso ficou bem claro, as referências de cada um, que quando misturadas, ficava aquela bagunça que vocês já conhecem, mas também com uma energia única, com uma sonoridade ímpar", detalha.

Sobre o nome CHA, ele explica  que “O nome é uma referência à liquidez da vida. Da mesma forma como o álbum foi concebido, com referências vindo e indo a cada sessão no estúdio, é como enxergamos e vivemos nossa vida. É difícil de entender as coisas com clareza. Tudo é volátil e transpassa dos dedos. É como tentar tomar chá com a mão invés da xícara”.

Para 2017, os planos do Catavento são começar dando uma descansada. Depois, quem sabe, uma esticada até as gringa.

"2017 começa bem mais tranquilo que 2016 (risos). O plano inicial é dar sequência no trampo de divulgação e tocação do CHA. Queremos muito ir pra gringa, temos alguns contatos já engatilhados na Europa (Portugal e Alemanha) e também nos Estados Unidos, mas não temos como investir do bolso um rolê desses então... Sobre gravar e algum possível disco 3, sim queremos, mas queremos fazer um processo bem mais simples e prático dessa vez, talvez mais focado em algum conceito, ou forma de produzir", conclui Leo.

Ouça CHA.

Supernada – Festival de Música Independente / Sábado, 21 horas: Catavento (RS), My Magical Glowing Lens (ES), Van der Vous, Soft Porn, Mapa e Bagum / Portela Café,  R$ 20 / Dia 10, 21 horas: Bike (SP), Papisa (SP), Teenage Buzz, Bilic, The Hot Coffees Band / Dubliner’s Irish Pub, R$ 15



NUETAS

Bigbands esquenta

O Warm Up Festival Bigbands começa hoje, com Ivan Motosserra, Las Carrancas e Rawmones (R$ 15, R$ 10 com fantasia) e continua sábado, com  Mercy Killing, Rattle e Iron Bound (R$ 20). No Dubliner’s Irish Pub. E em dezembro tem o Bigbands de fato, com Boar Gazm (África do Sul), Nervochaos (SP) etc.

IFÁ, Peu, Bahia Experimental

Amanhã tem IFÁ Afrobeat com Peu Meurray, Bahia Experimental e B_T_PGDÃO no Canto Skol. Às 16 horas, Solar Boa Vista, gratuito.

Álvaro Assmar sábado

Indicado ao Grammy Latino e no auge da forma, Álvaro Assmar & Mojo Blues Band fazem minitemporada sexta e sábado no Café-Teatro Rubi. Arrepie-se às 20h30, R$ 60.

sexta-feira, outubro 28, 2016

PODCAST ROCKS OFF! Ô, Ô!!

Pixies. Opa, peraí! Cadê a Kim? Quem é essa sirigaita? Photo: Jeff Kravitz
O podcast Rocks Off faz aquela boa e velha rodada de lançamentos.

No elenco de hoje, os anfitriões Nei Bahia e Osvaldo Braminha Silveira Jr., mais o convidado constante, este blogueiro que vos escreve.

No som, Mercy Killing, Cactus (acredite!), Marc Ford, Joe Bonamassa, Ian Hunter (com uma linda música em homenagem a David Bowie), Pixies, Crocodiles, Wedding Present e muitas outras.

E.N.J.O.Y.

TODOS OS ESPÍRITOS VÃO DANÇAR NO HALLOWEEN AO SOM DA GAITA DE FLÁVIO GUIMARÃES

Referência da gaita de blues no Brasil, Flávio Guimarães faz show gratuito amanhã no Porto da Barra

Flávio Guimarães. Foto Renata Duarte
Maior gaitista de blues do Brasil, Flávio Guimarães vai invocar todos os espíritos para dançar no Porto da Barra, no Halloween do bar Hot Dougie’s Rendezvous.

E seja você um mero passante ou uma alma penada, não precisa pagar ingresso: o evento é gratuito.

Na programação, que começa ao cair da noite, ainda constam o trio de gaitistas locais Zona Harmônica, o duo Ivana & Katucha, Gigito e Maurício D’Ávila.

Revelado nos anos 1980, na pioneira banda carioca Blues Etílicos, Flávio logo se destacou pelas evidentes habilidade e musicalidade que demonstra em seu instrumento.

Em Salvador, o gaitista se apresentará acompanhado de banda básica (baixo, guitarra, bateria).

“Sempre toco músicas de Little Walter, Jimmy Reed e Charlie Musselwhite, além de algumas próprias também”, conta, por telefone.

Acostumado a se apresentar na cidade – solo ou com os companheiros do Blues Etílicos – Flávio percebe um aumento no interesse pela gaita em Salvador.

“Em alguns lugares de do Brasil existe uma confraria de gaitistas e, de vez em quando, sou convidado para atuar nesses shows coletivos. Possivelmente, sou o primeiro profissional brasileiro da gaita de blues (ou gaita diatônica), um instrumento raro no país antes dos anos 1980. Então me sinto homenageado, feliz”, afirma.

“Aí em Salvador tem um pessoal que está tocando super bem, Diego Orrico, Breno de Pádua. Fico feliz de participar e percebo como o blues tradicional, que é o som que gosto de fazer, cresceu em qualidade no Brasil”, diz.

Apesar de ser o primeiro gaitista de blues profissional do Brasil, a relação do país com o instrumento é antiga, com uma história de tradição, com muitos trios (no estilo do Zona Harmônica) entre os anos 1940 e 1950.

Os baianos do Zona Harmônica reeditam antigos trios de gaitas. Ft Divulga
"A gaita cromática teve uma popularidade grande no mundo inteiro no início dos anos 50, final dos 40. É um instrumento que aparecia muito em filmes de Hollywood, então isso teve um reflexo no Brasil com alguns grupos que surgiram na época. Até Tom Jobim, ainda adolescente, escrevia arranjos para um grupo de gaitas. O (bossanovista) Carlos Lyra toca gaita também. Foi um instrumento muito popular por algumas décadas. Depois a novidade passou, foi sumindo. Mas o Brasil tem alguns grandes nomes, como Rildo Hora e Maurício Einhorn", relata Flávio.

"Já a gaita diatônica, mais usada no blues e no rock você tinha pessoas que tocavam no Brasil, como Evandro Mesquita (Blitz) e outros roqueiros das antigas, mas que não chegaram a estudar o instrumento, não desenvolveram uma linguagem, era usada quase como um instrumento de percussão. Como John Lennon que até tocava direitinho nesse sentido. De repente, nos anos 1990, começou a surgir um interesse grande, e a gaita diatônica passou a participar mais ativamente das bandas de blues e rock", afirma.

Atualmente, Flávio toca duas carreiras em paralelo: solo e com o Blues Etílicos, que sim, ainda está na ativa. Há ainda um terceiro projeto, com o guitarrista Netto Rockfeller.

"Hoje desenvolvo as duas carreira paralelo: o Blues Etílicos, já com 30 anos na estrada e solo, desde 1995. Tenho também um disco com o guitarrista Netto Rockfeller para sair em breve. É o nosso segundo álbum juntos. Em breve faremos uma pequena turnê pela argentina. Já na semana que vem, começamos um projeto do Blues Etílicos com o músico Noel Andrade, que toca viola caipira. Vamos gravar um álbum tributo a Tião Carreiro, intérprete e compositor muito popular no Brasil, mais pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Ele era da dupla Tião Carreiro & Pardinho, que lançou mais de 50 discos. Vamos revisitar a obra deles com nossos arranjos de blues rock. É um trabalho muito interessante, um resgate a um compositor que se foi há quase 40 anos e um certo desafio", conclui.

Black and Blues Halloween / Amanhã, 17 horas / Com Flavio Guimarães, Zona Harmônica, Gigito, Ivana & Katucha e Maurício D’avila / Hot Dougie’s Rendezvous (Porto da Barra) / Gratuito

terça-feira, outubro 25, 2016

SOTEROPOLITANA / CURITIBANA, MERCY KILLING VOLTA À BAHIA EM MINITURNÊ PARA LANÇAR PRIMEIRO ÁLBUM

Mercy Killing: Alexandre, Tati, Leo e Renan. Foto Melissa Giowanella
A comunidade metálica baiana está em festa. Fundada em Salvador em 1988, reformada em Curitiba em 2012, a banda de thrash metal Mercy Killing finalmente vem à cidade lançar seu aguardado primeiro álbum, Euthanasia.

Viabilizado por uma bem- sucedida campanha de crowdfunding, o álbum saiu em vinil (colorido em duas versões), CD e download.

Os fãs baianos que colaboraram podem aproveitar e levar seus LPs para a banda autografar dia 4 (sexta-feira) no Dubliner‘s.

O quarteto se apresenta com a local Rattle e Ironbound (de Alagoinhas) na segunda noite do Warm-Up Festival Bigbands 2016.

(A primeira noite é no dia 1º, ao ritmo da surf music com Ivan Motosserra, Las Carrancas e Rawmones).

Aproveitando a passagem pela Bahia, a banda ainda se apresenta em Serrinha (dia 5) e Itabuna (dia 6).

Fundador da MK e residente em Curitiba há alguns anos, o baixista baiano Léo Barzi recrutou na capital paranaense os novos membros Tati Klingel (vocais), Renan Ramos (bateria) e Alexandre Texa (guitarra).

Há dois anos sem tocar na cidade, Léo está contando as horas: “Dessa vez estamos muito mais ansiosos por uma série de motivos e um dos principais é que saiu o álbum, depois de tantos anos de espera”, afirma o baixista.

“Também vamos mostrar a formação atual, depois de um trabalho duríssimo (produção do disco que incluÍram novos arranjos para uma guitarra e músicas novas, novos bateristas), e encarar o público mais de perto em um show como nos velhos tempos. Em resumo, estamos ansiosos pra caramba por esses shows”, acrescenta.

Clima cooperativo

Mercy Killing live! Foto do Facebook da banda
Apesar de ter começado a MK há quase 30 anos, ao lado do guitarrista e vocalista Bruno Leal (hoje na Pandora), Léo não se considera “pioneiro”.

“Não fomos pioneiros, obviamente, e éramos fãs das bandas que existiam na época (na verdade ainda sou!) então era algo vivo, dinâmico e muito forte. Tínhamos aquele sonho de tocar fora da Bahia, gravar discos e sermos reconhecidos, mas não tínhamos experiência nenhuma, o que ajudou a moldar a personalidade da banda e de nós mesmos”, diz.

“Algo que sinto muita saudade é do clima cooperativo que existia e, obviamente, a falta dele me chateava bastante. Dois exemplos: comprei uma camiseta da Proliferação e fiz amizade com os caras, tanto que toquei no nosso primeiro show com o baixo de Henrique (usando a tal camiseta) e não ouvi nenhuma crítica por isso. Ao mesmo tempo percebi que algumas pessoas que já tocavam em bandas estavam nos shows apenas para fazer picuinhas. Na maioria dos casos não deu em nada, tanto que estamos ativos, não é?”, afirma.

No momento, Leo & Cia ainda saboreiam a boa recepção de fãs e críticos para o álbum.

"(Recebemos) Somente elogios! Minto, alguns amigos fãs das gravações da década de 90 não gostaram da crueza ou do volume do baixo... paciência! E o fato de Euthanasia ter saído em vinil ajuda muito. Mas muita gente que não conhecia, incluindo Headbangers no exterior, tem dado opiniões bem positivas. Por um outro lado, as vendas estão bem fracas, pois temos tocado pouco. É o paradigma do tostines", lamenta.

Ainda assim, a banda tenta se organizar para poder viajar mais e tocar pelo Brasil e fora dele.

"Temos muita vontade, mas não vivemos de música. Isso acaba impedindo vôos mais ousados, mas temos muitos planos de tocar fora (recebemos algumas propostas para festivais em países da América do Sul, o que é uma honra. Vamos ver como será depois que voltarmos da terrinha", conta.

De Curitiba, Leo ainda manda suas impressões sobre o cenário underground atual.

"Olha, assim como na música Underground como um todo, os ciclos são bem perceptíveis e estamos em uma fase ativa, muitas bandas ótimas, muitos discos de qualidade e muita gente acompanhando. Os shows, porém, poderiam estar mais cheios, mas isso depende diretamente da economia e não passamos por um bom momento. Produtores pilantras desmascarados, produtores honestos consagrados e novas maneiras de divulgar os trabalhos são responsáveis por essa popularização mais estruturada e menos caótica que os pós-festivais dos anos 80 e 90. Mas falta aquele ambiente cooperativo que citei anteriormente, que era presente nos anos 90. Uso sempre como exemplo os shows de bandas de Psychobilly, Hard Rock, Heavy Metal, Punk e todas as suas subdivisões no palco e na plateia. Um exemplo que mostra essa loucura foi ver a lendária Antropofobia, substituindo a bateria por um liquidificador com pedras, tocando em um trio elétrico e assisti, pasmo, aquele caos que era contra tudo que acreditava", reflete.

Feliz com o resultado do álbum e por poder retomar o projeto de sua banda, Léo faz  questão de convidar a galera para os shows: “Vão aos shows em Salvador, Serrinha e Itabuna. Ouçam o disco, mesmo que não possam comprar, pois tem em todos os serviços de streaming disponíveis, como Spotify e iTunes e se tiverem um trocado, compre merchandising, não só da Mercy Killing mas das bandas em geral, pois é assim que elas conseguem sobreviver e, convenhamos, tá difícil. Ah, por favor digam pra gente o que acharam do show e do disco e, principalmente, fiquem ligados, pois temos algumas surpresas para essa mini tour na Bahia”, conclui.

Warm Up Festival Big Bands 2016 / Com Mercy Killing, Rattle e Ironbound / Dia 4 (sexta-feira), 20 horas / Dubliner’s Irish Pub / R$ 20



NUETAS

Tabuleiro, Lúpulla

Tabuleiro Musiquim e Lúpulla são as atrações da Noite Instinto Coletivo no Quanto Vale o Show?. Dubliner’s, hoje, 19 horas. Colaborativo.

GOR, Ronco, Rivera

Madame Rivera, Game Over Riverside e Ronco fazem a Soterorock Sessions desta quinta-feira. Taverna Music Bar, 20 horas, R$ 15.

Sábado só na gaita

Lenda da gaita brasileira, Flávio Guimarães (que fez fama na banda Blues Etílicos) é a atração principal da Black & Blues Halloween, que agita o Hot Dougie’s Rendezvous neste sábado. Ainda se apresentam o trio de gaitas Zona Harmônica, Gigito (e "seu bluegrass desapegado" - seja lá o que for isso), o duo Ivana & Katucha e Maurício D'Ávila. A partir das 17 horas, no Porto da Barra, gratuito.

Sábado só no metal

Drearylands e Pandora (do ex-Mercy Killing Bruno) participam do show de aniversário da Veuliah, que comemora 20 anos. Sábado, às 22 horas, no Dubliner's, R$ 20. Se pagar R$ 50, leva camiseta comemorativa da ocasião.

sábado, outubro 22, 2016

Ô MICRO-RESENHA / DE QUEM VOCÊ É TIETE / EU SOU / SOU TIETE DO ROCK LOCO...

Granada ideológica

Considerado um dos livros mais “perigosos” de todos os tempos, este clássico do pensamento subversivo do filósofo belga foi uma das principais inspirações para o Maio de 1968 em Paris. Uma crítica radical ao capitalismo selvagem e seus efeitos. A Arte de Viver Para as Novas Gerações / Raoul Vaneigem / Baderna - Veneta/ 352  p./ R$ 49,90







Reverendo encontra Maestro

O novo catecismo sonoro do baiano Reverendo T vem com a luxuosa produção do vanguardista Heitor Dantas. O resultado é uma obra que é, ao mesmo tempo, estranha e agradável. Reverendo T & os discípulos descrentes / Puta B​.​O​.​C​.​A. santa / São Rock / www.reverendot.bandcamp.com







Compositor inspirado

Segundo solo do cantor e compositor Rapha Moraes, bem mais ousado que o anterior, La Buena Onda (2014). Experimental e ruidoso, mete o dedo na ferida em Homens Bomba e reflete sobre a natureza humana em Ladeira Abaixo. Rapha Moraes & The Mentes / Corações de Cavalo / For The Records / R$ 30







Violão afro-lusobrasileiro

Violonista renomado, Marco Pereira interpreta 12 composições de uma lenda do violão brasileiro, Dilermando Reis (1916 - 1977), como Gente Boa, Feitiço e Magoado, entre outras. Brasilidade afro-lusa que sai pelos poros. Marco Pereira / Dois destinos / Borandá / R$ 31,90







Poesia des-afiadora

Poeta e escritor paulista com mais de 50 obras no currículo, Álvaro Alves pratica em seus versos uma poética sombria e desafiadora, de desconstrução de afetos. Quase todos os poemas se iniciam com o sufixo “des”: desfalecer, desacreditar, descuidar. Já publicado em Portugal e Espanha. Desviver / Álvaro Alves de Faria / Escrituras / 64 p. / R$ 30







Digerindo o golpe

Lançado no calor da crise política que se arrasta, esta coletânea reúne artigos de intelectuais, políticos e jornalistas como Marilena Chauí, Ciro Gomes, Luiza Erundina, André Singer, Jandira Feghali, Juca Ferreira e muitos outros, além de charges de Laerte. Independente da posição política, um documento de época importante. Por que gritamos Golpe? / Vários autores / Boitempo / 176 p. / R$ 15






Reflexões e delicadeza

Ex-líder da banda local Maria Bacana, André LR Mendes reflete sobre muitas coisas em Todas as Cores. Sobre a insatisfação (Amsterdã), a boçalidade (Não Me Chame pra Lugares), sobrevivência (Naufrágios). Sensível. André LR Mendes / Todas as cores / Independente / Ouça: www.andremendesmusica.com.br







Poop pop

Astro pop de segunda categoria, o inglês Robbie Williams reafirma sua falta de identidade própria neste DVD gravado em Tallinn (capital da Estônia). Com postura de rapper genérico e esse repertório fraco, só engana incautos. Robbie Williams / Live In Tallinn / Universal / DVD: R$ 39,90







Somos América

Um dos maiores nomes da guitarra no Brasil, Biglione se abstém de demonstrar (muito) virtuosismo e faz um passeio climático / cinematográfico pela América do Sul nas 16 faixas deste CD. O resultado é belíssimo. Victor Biglione / Mercosul / Guitarra Brasileira - Tratore / R$ 24







Estilo BR70

O brasiliense Matheus De Luca tem um vozeirão e seu trabalho fica entre o rock dos anos 1970 e Zé Rodrix. Ouça: Nu Na Via Láctea ou Jardim de Infância e Absurdiário. De Luca / Pão e Circo / Independente / www.delucaoficial.com.br







Indie rock baiano de estirpe

A banda local Game Over Riverside solta EP com seis faixas encharcadas de guitarras, alguma melancolia e zero firula. Ouça: Sadness Online e Deep Waters. Game Over Riverside / GOR / Independente / www.gameoverriverside.bandcamp.com 








O Brasil se curva aos recifenses

Referência  pernambucana, a banda Cambio Negro tem seu 1º LP (1990) regravado por Pastel de Miolos (BA), Karne Krua (SE), Skullbillies (PR) e outras. Vários artistas / Reflexo do espelho: tributo ao Câmbio Negro HC / Microfonia / R$ 15








O gênio da lâmpada segundo Rushdie

Um dos maiores escritores vivos, Salman Rushdie retoma o ancestral conceito dos djinn, de onde se originam os gênios da lâmpada do folclore árabe. Na trama, tudo começa depois de uma tempestade em Nova York e estranhos fatos começam a ocorrer. Dois Anos, Oito Meses e 28 Noites / Salman Rushdie / Companhia das Letras/ 336 p. / R$ 54,90 / E-Book: R$ 37,90






Marimbondos ferozes

A veterana banda feirense faz seu melhor trabalho em Casa de Marimbondo. A voz rouca de Pablues é um perfeito contorno para composições inspiradas, como O Inquilino (com direito a tambores de terreiro) e Balada Maldita. Belo. Clube de Patifes / Casa de Marimbondo / Big Bross - Brechó - São Rock / R$ 20







Apesar da taquara rachada

“Revelação” do rock inglês, Jake Bugg chega ao terceiro álbum com as mesmas pretensão e voz de taquara rachada  que fizeram sua fama. Há boas faixas: Love Hope and Misery e Put Out The Fire, por exemplo. Mas ainda precisa comer muito feijão pra ser alguém. Jake Bugg / On My One / EMI / R$ 29,90







Política e Pantera

Rock furioso e politicamente engajado: é o que oferece a banda brasiliense Trampa em seu segundo álbum. O estilo do som remete ao Pantera e similares – o vocal de André Noblat é muito Phil Anselmo em Você?, mas tá valendo. Trampa / ¡Viva la Evolución! / Independente / Preço Não divulgado







Freaks em desfile

A cidade de Mongaguá (São Paulo) é o cenário desta HQ protagonizada por um monte de gente esquisita. Há um taxidermista tarado, uma aspirante a atriz que toma aulas de interpretação com ele e um vidente que faz previsões a partir de suas tatuagens. A Sereia de Mongaguá / Thiago Moraes Martins e Marcos Paulo Marques / Veneta / 80 p. / R$ 59,90







NY, 1976

Neste tijolão (mais de mil páginas) que marca sua estreia em romances, Garth Hallberg tenta recriar o clima da Nova York suja e punk rock de 1976. Neste cenário, narra as peripécias de um punhado de personagens entre amores, dramas e um assassinato. Cidade em Chamas / Garth Risk Hallberg /  Companhia das Letras / 1048 p. / R$ 69,90 / E-Book: R$ 39,90







Que horas a gorda canta?

Uma das muitas obras-primas de Mozart, Don Giovanni inaugurou o estilo conhecido como opera buffa (ou drama giocoso), que trouxe humor ao gênero. Aqui, grandes nomes atuais interpretam o clássico. Vários Intérpretes / Don Giovanni / Universal Music / DVD duplo: R$ 54,90








Obra em progresso

Primeiro álbum da banda de rock brasiliense Alarmes. Não é assim uma Brastemp, mas é evidente que se trata de uma banda entrosada, com instrumentistas afiados. Com tempo e sorte, construirão identidade mais definida. Alarmes / Em Branco / Independente / Preço não divulgado






Acordeom viajandão

O acordeonista virtuose Toninho Ferragutti e seu grupo apresentam mais uma bela coleção de composições em seu novo álbum. Em Beduína, brinca com escalas orientais, enquanto em Santa Gafieira, presta reverência ao samba. Sonzão. Toninho Ferragutti Quinteto / A gata café / Borandá / R$ 31,90






Guitarra com trombone

O guitarrista brasileiro Lupa Santiago e sua banda se juntam ao trombonista ianque Ed Neumeister em sete temas autorais – ora cerebrais, ora suingados, sempre surpreendentes. Two For Eleven é especialmente adorável. Lupa Santiago 4teto + Ed Neumeister / Ubuntu / Sound Finger / Preço não divulgado







Trumpete viajandão

Ajuste os controles ao coração do Sol e embarque na nave do trompetista Guizado rumo aos confins da galáxia. Para cada planeta, um instrumental jazz-rock-eletrônico na frequência certa da rotação planetária. Viaje. Guizado / Guizadorbital / Independente / Ouça: www.guizado.bandcamp.com







A origem do canalha

Todos os fãs de Star Wars amam Han Solo, o charmoso e cafajeste contrabandista vivido por Harrison Ford no cinema – mas quem é ele, na verdade? Neste primeiro volume de uma trilogia, sua história de origem desde o nascimento, até seu encontro com um certo padawan. Star Wars: A Armadilha do Paraíso / A. C. Crispin / Aleph/ 460 p./ R$ 39,90







Lupinas fantasias

A estreia em romance do quadrinista R. C. Rocha, autor da tira Deus, Essa Gostosa (Folha de S. Paulo), é uma fantasia em torno de mulheres lobo em busca de vingança em uma sociedade onde humanos e lobisomens convivem pacificamente. Perseguições, traições e suspense na 1ª parte desta trilogia. Lobas / R.C Rocha / Veneta/ 224 p./ R$ 39,90

quinta-feira, outubro 20, 2016

KUNGFUSÃO EM QUIXADÁ

Com sabor de filme d'Os Trapalhões, o divertidíssimo O Shaolin do Sertão é o novo filme dos mesmos diretor e ator de Cine Holliúdy

Edmilson Filho como Aluízio Li: Taekwondo, cearensidade e fuleiragem
Apesar de ser uma força do cinema brasileiro em temos de bilheterias, as comédias nacionais não tem se notabilizado pela qualidade, limitando-se às franquias sem graça de atores globais, como SOS Mulheres ao Mar ou Até que a Sorte nos Separe.

Neste cenário, O Shaolin do Sertão, de Halder Gomes, surge como um ponto fora da curva.

O diretor cearense, que já tinha chamado a atenção em 2013 com Cine Holliúdy, retorna agora às telas acompanhado do mesmo ator de Cine (e seu amigo de infância), Edmilson Filho.

Este último, que além de ator, é mestre 5º grau de Taekwondo, encarna desta vez um alucinado amante de filmes de kung fu, Aluízio Li (de Liduíno).

Motivo de risos em sua cidade, Quixadá, Aluízio terá a chance de se redimir – e de quebra, ganhar o coração da mocinha Anésia Shirley (a estreante Bruna Hamú) – se derrotar no ringue o temido Tonho Tora Pleura (Fábio Goulart), um lutador de telecatch (o vale-tudo das antigas) que faz uma turnê pelas cidades do  sertão cearense, desafiando os valentões locais.

No caminho de Aluízio e seu assistente-mirim Piolho (Igor Jansen), estão sua própria mãe (Fafy Siqueira), um mestre chinês de araque (Falcão, sensacional), o namorado de Anésia (Marcos Veras), o pai de Anésia (o eterno Trapalhão Dedé Santana) e o prefeito de Quixadá (o baiano Frank Menezes, excelente) – mais uma fauna inacreditável de figuras insanas.

Um acerto artístico sob qualquer ângulo que se analise, O Shaolin do Sertão tem tudo para arrebentar biheterias.

Nas telas do Ceará desde o feriado do dia 12, o filme levou às vinte salas onde está sendo exibido 57 mil pessoas (segundo o jornal fortalezense O Povo). Um golpe na pleura do  Tom Hanks (Inferno). Hoje, O Shaolin chega aos cinemas de todo o Brasil.

Cearensidade e fuleiragem

Aluízio disputa o coração de Anésia (Bruna Hamu) contra Marcos Veras
Em seu segundo longa,  o Gran Master Halder Gomes conta que quis prestar uma homenagem  às referências de sua infância: “O filme retrata um universo muito particular, meu e do Ednilson”, conta o diretor por telefone.

“Somado à isso, tem a nostalgia desses eventos de vale-tudo que aconteciam na época. Então o filme passa muita verdade, por que (apesar de toda a comédia) é real, é histórico,  por que vivenciamos isso”, diz.

Como se pode imaginar, Halder nem pestanejou em ter Edmilson como Aluízio, dadas suas habilidades combinadas de artista marcial e comediante.

“Edmilson é Aluízio. Ninguém na Terra poderia fazer esse personagem, por que implica a habilidade na arte marcial com a cearensidade com altas doses de fuleiragem que tá no jeito de ser e de encarar a vida dos dois”, afirma.

”É um papel difícil, que exige habilidade fisica e domínio de comedia. É como Jackie Chan, um tipo de personagem que, no Brasil, só éle é capaz de fazer”, garante Halder.

Um outro ponto interessante sobre Shaolin é que ele resgata um tipo de comédia familiar brasileira ingênua, há muito deixado pelo caminho, de filmes como os d’Os Trapalhões e Mazzaroppi.

“Aconteceu isso já em Cine Holliúdy, de ter três gerações dentro do cinema (avô, pai, filho). Em Shaolin, a mesma coisa: as crianças vão pelo lance meio Power Rangers e se deparam com  um herói nosso, brasileiro. Já os mais velhos se reencontram com esse velho estilo de comédia popular”, diz.

Dedé Santana está ótimo como o pai de Anésia
Não a toa, ele fez questão de trabalhar com Dedé Santana, “um presente da vida”.

“Meu sonho de criança era conhecer Os Trapalhões. Então, quando ele retornou minha ligação, foi uma alegria enorme. E ele foi extremamente profissional, carinhoso, era o pai de todos no set, de  uma simplicidade”.

“Fora que ele representa uma ponte entre gerações, é a liga entre os filmes d’Os Trapalhões e a geração atual. No filme, isso é quase metalinguagem”, conclui.

Resgate da comédia ingênua brasileira, Shaolin é uma joia de filme

Olhar afetivo às referências de sua infância como os filmes chineses de kung fu e d’Os Trapalhões, O Shaolin do Sertão, de Halder Gomes, traz em seu cerne um bem-vindo resgate da comédia (supostamente) ingênua brasileira, que notabilizou o quarteto de comediantes liderado por Renato Aragão, além de Mazzaroppi, Oscarito & Grande Otelo.

Até a estrutura é a mesma, com um herói humilde e desacreditado que vence todas as dificuldades e se dá bem no final, sempre se utilizando de uma certa malandragem benéfica, que não prejudica ninguém e ainda lhe vale um beijo da mocinha.

Em Shaolin do Sertão, essa estrutura antiga ganha ares modernos pela cinematografia hi tech atual, com sua montagem super ágil e ritmo de desenho animado – mesmo com o filme se passando no longínquo ano de 1982.

Mas o grande mérito do filme é mesmo seu fator humano: o elenco absolutamente acertado e a direção de Halder, que soube tirar o melhor de cada um deles.

Falcão se sai muito bem como o mestre Chinês
Um exemplo claro é o cantor metabrega Falcão, no papel do mestre Chinês.

Apesar de ser largamente conhecido como Falcão, um personagem em si, com seu vestuário extravagante e palavrório característico, em nenhum momento o vemos como o cantor famoso no filme.

Ele é mesmo o mestre Chinês – é um outro personagem.

Joia de filme, Shaolin reafirma duas carreiras brilhantes para Halder e Edmilson.

Não a toa, a dupla (e Falcão também) já se preparam para começar a filmar Cine Holliúdy 2.

O Shaolin do Sertão / Dir.: Grand Master Halder Gomes / Com Grand Master Edmilson Filho, Bruna Hamú, Dedé Santana, Marcos Veras, Falcão, Igor Jansen, Grand Master Fábio Goulart, Frank Menezes e Fafy Siqueira / Cinemark, Cinépolis Bela Vista, Cinépolis Shopping Salvador Norte, Cinesercla Cajazeiras, Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha, Orient Shopping Center Lapa, UCI Orient Shopping Barra, UCI Orient Shopping da Bahia, UCI Orient Shopping Paralela