quinta-feira, fevereiro 21, 2013

MICRO-RESENHAS COM AÇÚCAR E COM AFETO (MAS SEM VIADAGEM!)


Quatro lugares diferentes

Referência mundial do rock hispânico, a banda mexicana Café Tacvba gravou este novo álbum em quatro cidades diferentes: Santiago, Los Angeles, Buenos Aires e Cidade do México, sempre com fãs convidados, assistindo tudo, dentro do  estúdio. O resultado é um álbum com pegada eminentemente eletrônica, mas de caráter bem intimista. Com belas composições, o destaque é, como sempre a voz muito particular (e bela) do cantor Ruben Anónimo Albarrán, que dá um show em faixas como Pájaros, Aprovéchate e Yo Busco. Ótima banda, em grande forma. Café Tacvba / El Objeto Aantes Llamado Disco / Universal / R$ 29,90





The Blues Bob

Bluesman de sucesso popular nos anos 1980, Robert Cray mantém uma carreira estável, lançando bons CDs aqui e ali. Neste mais recente, ele segue em alto nível, com blues viscerais e sofisticados, como I’ll Always Remember You e Side Dish. Grande Bob. Robert Cray / Nothin But Love / Som Livre / R$ 27,90









Stoner do agreste

Se os ianques se inspiraram no deserto do Mojave para o stoner rock de Queens of The Stone Age e similares, os cearenses da Full Time Rockers tem  o sertão nordestino. Resultado: dez pancadas sujas e malvadas do legítimo stoner rock do agreste. Full Time Rockers / 24.7 / Panela  - Brechó / R$ 10

 








"A melhor série Vertigo não publicada pela Vertigo"

O inglês Jamie Delano, um dos escritores fundadores do selo Vertigo, tem lançada no Brasil sua HQ mais elogiada. Nação Fora da Lei é a saga de uma família de foras-da-lei que atravessa um século inteiro de história dos Estados Unidos. Sangrenta, frenética, pé na estrada, não poupa ninguém. Nação Fora da Lei: Sangue Entre Irmãos / Jamie Delano, Goran Sudzuka e Goran Parlov / Gal / 256 p. / R$ 49,90 / galeditora.com.br








Fake movie

Com a premiada adaptação ainda em cartaz nos cinemas, chega às livrarias o livro Argo, no qual o agente da CIA Tony Mendez conta como, a partir de um plano absolutamente esdrúxulo, conseguiu libertar diplomatas americanos sitiados na embaixada americana de Teerã pós-revolução islâmica. Eletrizante. Argo / Antonio Mendez e Matt Baglio / Intrínseca / 256 p. / R$ 29,90 / intrinseca.com.br

 





Oz Mágico e Poderoso original

Assim como Monteiro Lobato, o escritor norte-americano L. Frank Baum (1856-1919) escrevia para crianças, mas sem jamais subestimar a inteligência infantil. Não a toa, sua obra-prima, O Mágico de Oz, é até hoje considerado um clássico. Nesta linda edição em capa dura, as ilustrações originais de W. W. Denslow. O Mágico de Oz / L. Frank Baum / Zahar / 224 p. / R$ 19,90 / E-book: R$ 13,90 / zahar.com.br

 





Causos do samba

Quando Ubá, cidade-natal de Ary Barroso, o homenageou com a inauguração de um busto e três dias de festa, o celebre compositor de Aquarela do Brasil acordou cedo no dia seguinte: queria ser o primeiro a inaugurar a estátua com uma mijada antes que algum gaiato o fizesse. Este e muitos outros causos saborosos do samba, compilados por Marcos Alvito, estão neste divertido livro. Histórias do Samba / Marcos Alvito / Matrix/ 136 p./ R$ 29,90/ matrixeditora.com.br

 





Monstro sagrado

Patrimônio musical do Brasil, Dominguinhos segue internado em São Paulo, em quadro estável. Mande boas vibrações a este gênio do forró ouvindo este LP de 1987, recuperado agora em CD. Gostoso que só, são doze faixas plenas da musicalidade e do romantismo nordestino. Dominguinhos / Seu Domingos / Discobertas - Warner / R$ 24,90

 






Macy Wonder

O clássico LP Talking Book (1972), de Stevie Wonder, ganhou releitura de cabo a rabo da fantástica Macy Gray. Sem (re)inventar a roda, ela empresta sua rouquidão sexy aos hits  You Are the Sunshine of My Life, Superstition etc. Simples, eficiente, belo. Macy Gray / Talking Book / Lab 344 / R$ 34,90









Prog-rock contemporâneo do bão

Formada por ex-membros do Mogway (post rock) e Iron Monkey (alt.metal), a banda Crippled Black Phoenix se saiu com um épico álbum duplo conceitual de prog rock como há muito tempo não se ouvia. Denso, dramático, pra lá de Pink Floyd. Ótimo. Crippled Black Phoenix / (Mankind) The Crafty Ape / Som Livre / R$ 34,90

 









Versos que falam

Professor do Instituto de Letras da Ufba, o brasiliense Sandro Ornellas (assina como So), soltou um punhado de belos versos sobre Salvador em um contexto bem atual, entre outros temas. Tipo: “cidade de cala-boca/(...)/ é a tradição de sobrenomes e heranças que manda”. Formas de Cair e outros poemas / Sandro SO / Letra Capital / 90 p. / R$ 20 / letracapital.com.br







O velho oeste do Brasil

Entre os séculos 17 e 20, a cidade goiana de Catalão, centro distribuidor de ouro e pedras preciosas da região, foi cenário de tiroteios, assassinatos, linchamentos e outras delicadezas. Aqui, Santana, catalano nativo, dá uma geral na sangrenta história da cidade. Herança de Sangue: Um Faroeste Brasileiro / Ivan Sant'Anna / Companhia das Letras / 200 p. / R$ 34,50 / companhiadasletras.com.br

 





Tiras de Oslo

Estrela maior do emergente cenário nórdico de literatura policial, o norueguês Jo Nesbo traz de volta seu anti-herói, o detetive alcoólatra Harry Hole, para atuar em mais um cabeludo caso no impiedoso inverno de Oslo. Quem ainda não conhece deveria assistir ao filme Headhunters, baseado no seu livro homônimo, para ver do que ele é capaz. O Redentor / Jo Nesbo / Record / 420 p. / R$ 39,90 / record.com.br

 







The beat letters

Depois da avalanche de lançamentos em torno de Na Estrada, o filme, surge agora este precioso volume contendo a extensa correspondência trocada entre os dois maiores nomes da geração Beat. Cobre o período crucial do movimento, de 1944 até 1963. Inclui fac-símiles das cartas originais. Jack Kerouac e Allen Ginsberg: As Cartas /  B. Morgan e D. Stanford /  L&PM / 528 p. /  R$ 59 / lpm.com.br

terça-feira, fevereiro 19, 2013

BREAKOUT BRASIL: FINALMENTE, UM REALITY MUSICAL INTERESSANTE

Reality shows de música costumam ser espetáculos constrangedores para quem, de fato, aprecia música. O padrão imposto passa longe  de ser interessante, já que parece fechado no esquema Whitney Houston: gritaria demais, criatividade de menos.

Já o Breakout Brasil, que estreia em março no canal Sony Spin, segue outro caminho, com uma diversidade bastante evidente entre os concorrentes.

Parceria da Sony com o Google, o programa oferece ao vencedor um contrato de gravação com a major. Para selecionar os cinco finalistas que vão estrelar os episódios semanais do reality, foram recebidas mais de duas mil inscrições.

Após uma fase de votação pela internet, um painel de jurados chegou à lista final, composta pelas bandas Cartoon, Dias de Truta, Hewie, Paranoika e o rapper baiano Mr. Armeng.

Além do apresentador Edu K (da clássica banda gaúcha De Falla), os artistas estarão cercados por feras do mercado: Dudu Marote (Skank, J. Quest) é o produtor fonográfico.

E o jurado conta com Anna Butler (ex-diretora da MTV), Marcello Lobato (empresário de Marcelo D2 e Pitty) e André Pacheco (executivo da Sony Music).

Uma surpresa a cada dia

No papel de “expert”, como é definido no programa, o premiadíssimo produtor Dudu Marote coloca sua vasta experiência a serviço dos concorrentes: “Vou fazer o que sempre fiz, que é o trabalho de produtor: orientar os artistas  a chegar em um resultado que eles nunca nem imaginaram que  fossem capazes”, diz ele, por telefone.

“Além disso, também conto com o artista me surpreendendo”, espera. Ele vê como positiva a  diversidade entre os concorrentes, mas também reflete que a velocidade de desenvolvimento muda muito de um artista para o outro.

“Como é uma competição com uma tarefa a cada programa, o  artista tem que reagir rápido. É um tiro curto, digamos assim”, observa.

Em uma produção fonográfica “normal”, costuma haver tempo para trabalhar. “Se o disco tem dez músicas e só sete estão OK, trabalhamos as outras três. No programa, esse tempo se reduz a poucas horas. É uma experiência muito louca até para mim”, diverte-se.

Já Ana Butler conta que essa diversidade não estava programada: “A gente não pensou: ‘vamos pegar um artista do estilo x, outro do  estilo y’”, diz.

“Como todo mundo (da equipe do programa) trabalha com música há muito tempo, já tem essa ideia do que é bom mesmo. Então, a intenção nunca foi que (as músicas) sejam apenas radiofônicas, mas que tenham qualidade”, garante Ana.

Para sua felicidade, Ana se diz surpreendida pela qualidade geral dos artistas: “Eu sou super controladora, achava que já sabia de tudo. Que nada! Cada dia tinha uma surpresa que mudava tudo, justamente por que é um  grupo muito heterogêneo. Para mim, esse foi o grande achado programa”, acredita.

Concorrente baiano, Mr. Armeng elogia a produção: “Com certeza, ninguém chegou lá por acaso. Todas as bandas são de alto nivel”, garante.

Breakout Brasil / estreia: 21 de março, às 21 horas / Sony Spin / SKY:  Canal 83 /  Vivo:  Canal 542 / Claro:  Canal 80 / Oi: Canal 74 / GVT: Canal 97 / Vivo: Canal 37 /  NET:  Canal 90

Saiba mais: http://br.sonyspin.com/shows/breakout-brasil/breakout-brasil


Concorrente baiano, Mr. Armeng faz rap sem cara feia

Mr. Armeng, que no Breakout Brasil praticipa acompnhado do  DJ Gug e do percussionista e compositor Tiago da Lua, não é exatamente um rosto desconhecido. No ar em um anúncio da TV Bahia em que, ao lado de uma modelo, incentiva práticas de cidadania e  hospitalidade aos turistas, Maurício Souza circula no meio artístico  não é de hoje.

Filho de Guiguio, cantor do Ilê Aiyê, ele convive com músicos dentro de casa desde que se conhece por gente.

“Comecei tocando reggae, mas depois descobri como produzir no computador. Aí as coisas fluíram”, conta.

Logo se identificou com o hip hop. Passou pelo  grupo Cabeça Ativa e fundou com DJ Leandro o estúdio Freedom Soul Records.

“O pessoal só cantava em cima de bases de rap americano. Nós mudamos isso, partindo para música brasileira e inserindo guitarra e baixo”, diz.

"Eu tenho historia dentro do rap local. Produzi quase todo mundo que tá aí. Minha história não é vazia. Eu busquei isso", demarca.


Em 2009, para agradar uma namorada, fez um rap chamado Vem Cá. Com o clipe da faixa A Noite é Nossa (dirigido por Max Gaggino), assumiu de vez o  tom sedutor.



“Vou atrás do meu objetivo. Eu não fico me escondendo, essa coisa de que o rap não pode sorrir. A gente tem é que ser feliz, subir no palco bonito, ter orgulho de onde vem. Não acredito nessa coisa do rap  só falar de  violência”, reivindica.

"O hip hp surgiu para diminuir as guerras de gangues. Afrika Bambaataa trouxe essa mensagem para que as pessoas cultuassem a musica, a dança, o grafite. E não a violência. Precisamos é de ideias positivas. Quero levar arte, cultura e informação para as pessoas", exorta.

"Até curto gangsta rap por que curto mesmo todo tipo de rap. 50 Cent é um dos caras que eu mais admiro. Mano Brown é o maior poeta do hip hop brasileiro em todos os tempos. Marcelo D2, Emicida, RZO, Criolo, o pessoal de Salvador... Eu escuto todos os estilos. Mas minha música eu procuro fazer do meu próprio jeito", garante Armeng.

Plenamente seguro de si, não se abala com possíveis críticas de rappers mais duros: "Quando um trabalho surge, a critica vem, é natural. A crítica existe por que o trabalho existe. E depois, recebo muito mais elogios do que crítica (desfavoável)", raciocina.

Armeng se inscreveu no programa sem grandes pretensões, por sugestão da namorada. "Tava na casa do meu pai, aí passou na TV o comercial com a chamada para as inscrições. Minha mamorada falou 'por que você não se inscreve'? Vou mesmo, pensei. Me inscrevi meio sem pretensão, mas comecei a pedir para o pessoal votar pela internet. A gente não costuma acreditar muito nessas coisas de TV, mas quando vi, eu tava entre os 40 mais votados. Depois tava selecionado entre os cinco para participar do programa. Cara, foi uma felicidade imensa. Larguei tudo, tava trabalhando de assistente de câmera, tive que largar. Por que é isso que eu amo fazer. Cancelei shows e tudo. Fui lá, felizão por representar a Bahia e o bairro do Nordeste de Amaralina, poder mostrar para as pessoas daqui que somos capazes, que somos inteligentes, que temos cultura e o mundo precisa nos ver, nos conhecer, nos ouvir", discursa.

Ciente de que ainda tem uma longa estrada a percorrer, Armeng se define como "um embrião. Ainda tô buscando os nutrientes para poder crescer, amadurecer e dar frutos que as pessoas possam consumir",
conclui Armeng.

CONHEÇA AS OUTRAS BANDAS CONCORRENTES:

CARTOON
De Belo Horizonte (MG), é a “veterana” da competição: desde 1995 na ativa, a banda faz um som calcado no rock progressivo e no folk, com todas aquelas mudanças no andamento das canções. Influências: Yes, Queen, CSNY




PARANOIKA
Banda curitibana de certo hype, trafega com desenvoltura pelo terreno electro rock desbravado por bandas como CSS e Copacabana Club. Até gatinha no vocal eles têm. Influências: Garbage, Goldfrapp, The XX





DIAS DE TRUTA
Original de Divinópolis (MG), o quarteto faz rock‘n’roll sem firulas e em bom português. Contam com um álbum gravado, disponível para download no www.diasdetruta.com.br. Influências: Raul Seixas, Barão Vermelho




HEWIE
Paulistana, a Hewie se caracteriza pela abordagem acústica para o seu pop contemporâneo, incluindo violino e bandolim. Na linha de frente, a vocalista Paula Landucci. Influências: Mallu Magalhães, Owl City

Todas as fotos: Thiago Bernardes – FramePhotos

sábado, fevereiro 16, 2013

MÁRIO MEMÓRIA PARTE 2

Diário do rock 2 – O natal rock’n´roll

Por Mário Jorge Heine, ex-baterista das bandas Úteros em Fúria e Penélope

Sempre fiquei na dúvida se fazer um show no natal foi genialidade ou maluquice.

Mentira, nunca tive dúvidas, para mim sempre foi genial.

Nos idos de 1992 quando chegava as 10h30 da noite de natal já não tinha mais o que fazer, então, um show era tudo que se podia esperar de mais legal.

Ainda mais que não tinha bafômetro, podia tomar “os goró de natal” e se mandar na tranqüilidade... Alguém já viu guarda na rua na noite de Natal?
Edson foi o idealizador desse “negócio”. Ele era dono da “Sound + Vision”, loja alternativa mais legal da cidade.

Tinha um grande acervo de vídeos raros, discos obscuros e camisetas “pretas”. Muitos vídeos VHS copiamos lá... Lembro muito bem do Jane´s Addiction ao vivo em Milão! Piratão maravilhoso de qualidade horrorosa.

O mais impressionante é que Edson conhecia cada vídeo e cada disco com detalhes, era um profundo conhecedor do rock e dono de uma memória implacável. Mas não era um produtor de shows.
Os shows rolaram na Krypton, boate no Jarim dos Namorados (hoje a Madrre, salvo engano). O Dr. Cascadura em noite “Gangrena Gasosa” iniciou a festa. Rockão clássico do bom, vestimenta de capoeira e no final do show Fabio pelado e uma galinha preta pulando em cima do palco. Não preciso comentar mais nada.

O Mercy Killing veio na seqüencia com seu metal competente e inabalável. Os shows deles eram sempre muito bem ensaiados e profissionais (Inclusive ganharam o “Troféu Sound+Vision” de melhor show de 1993).
A platéia era heterogênea: bangers, playboys, punks, rockabillys, surfistas, meninas belas... 

Não tinhamos um público segmentado, agregávamos tribos em harmonia: as pessoas iam para a diversão e pronto.
Enquanto rolava o show do “meu siquilho”, no backstage a situação era a seguinte: Apú e Evandro completamente transtornados... Fora de órbita.

Borel nervoso gritava com Apú - que nem ouvia. Evandro ouvia e dizia coisas como: “sim... é...calma, rei...” e Borel começava a ser mais agressivo, quase que estapeando Evandro.

Eu não estava bom, mas pelo menos, me lembro de algumas coisas...
Tinha que subir no palco e tocar. E assim foi. O show começou e até o seu final, Evandro ficou um compasso atrasado.

Quando ele conseguia mudar a nota, já estava na próxima... Isso quando ele não estava “viajando” no reflexo da iluminação do palco na placa do contra-baixo.

Apú colocou um chapéu de cowboy, abaixou a cabeça e tocou todo o show em mi. Eu não lembro de ter “prejudicado” a bagaça, mas, com certeza, não ajudei.
Mauro e Borel tiveram que segurar a onda do show e foi o que Deus quis...

Reforçando a máxima de que um show de rock’n’roll é feito por um vocalista carismático e um guitarrista talentoso.
Mais ou menos assim foi o “Natal Rock ’n’ Roll”.
A visão da plateia, por Franchico:
Lembro que virei umas doses do uísque (Johnny Walker Red Label? Black & White? Dimple? Não lembro.) da minha avó (era Natal, então ela liberou), botei uma camiseta preta sem mangas (eu mesmo que tesourei, natoralmente) e fui pra Krypton já meio doidão, de buzú mesmo.

Morava perto, na Pituba. Na porta da Krypton, a galera ficava dando um tempo bebendo cerveja e jogando conversa fora antes de entrar - como em qualquer show. Encontrei a galera, entrei.

Não vi Fábio pelado - garaças a Deus! Ele mandou apagar as luzes antes de tirar a roupa. Mas lembro que aconteceu isso, além de uma galinha preta pulando e farofa pra todo lado jogadas pelo palco. (Acredito que Joe Tromondo, que ainda tocava baixo na banda nessa época, deva ter ficado nu também. Joe nunca precisou de convite pra tirar a roupa no meio do povo).

Era Natal, por Jah! O que tínhamos na cabeça? Enfim.

No caótico show da Úteros, lembro que dei um mosh meio mal-sucedido - não teve um filha da puta pra me segurar.

Minto. Teve Rivelino, brother da galera de Ipitanga, que na verdade, não me segurou. Eu que despenquei em cima do pobre coitado. Caímos juntos no meio da plateia. Acho que machuquei o ombro.

(Depois disso, nunca mais brinquei de dar mosh. Eu gostava mesmo era de curtir os shows da beira do palco, batendo cabeça).

Não tenho muita lembrança do show ter sido tão ruim da parte dos músicos. Não só eu ainda não tinha muita noção de porra nenhuma, como meu estado também não ajudava a manter o foco de atenção em nada.

Mas percebi que as execuções não estavam tão afiadas como nos shows do Mata Hari, por exemplo. Acho que o som tava meio pastoso. Minha boca também, assim como meu cérebro.

Na saída, percebi que tinha perdido meu relógio (depois disso, evitei usar relógios em shows de rock). Foi muita cachaça, então não lembro mais de muita coisa - nem de como voltei pra casa.

Só se tem 20 anos uma vez na vida.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

MICRO-RESENHAS INAUGURAIS DE 2013....

Discoteca básica remasterizada

Um dos grandes clássicos dos anos 1970, Machine Head (1972) estabeleceu de vez o nome do Deep Purple no panteão dos deuses do rock. Nesta simples edição comemorativa de 40 anos, remasterizada, os hits Smoke on The Water, Highway Star, Never Before etc. Básico e genial. Deep Purple / Machine Head / EMI / R$ 34,90










Grande banda, disco mediano

Uma das melhores bandas do rock atual, a norte-americana Band Of Horses chega ao quarto disco arriscando diluir sua proposta original de indie rock denso e enraizado no country rock. Ainda assim, tem bons momentos, como Knock Knock, Dumpster World e Feud. Band Of Horses / Miarge Rock / Som Livre / R$ 34,90










Lá vem o sol

O verão sem fim dos Beach Boys seguiu em alta no ano que passou com o primeiro LP inédito em décadas, That’s Why God Made The Radio – cuja  faixa título já consta neste Greatest Hits. Complete com os hits de sempre, acrescente um pôr do sol  e seja feliz. The Beach Boys / Greatest Hits / EMI / R$ 34,90









Lá vai o Sol

No rescaldo da agressão punk inglesa, muitas bandas trocaram a pura violência pelo desespero, o niilismo típico da era atômica. O Bauhaus levou a receita ao paroxismo e marcou época com hits góticos clássicos como Bela Lugosi’s Dead, The Passion of Lovers, Double Dare, In The Flat Field e muitos outros. Ótima coletânea para neófitos ou velhos fãs. Bauhaus / Crackle: The Best Of Bauhaus / LAb 344 / R$ 29,90









Peso, loucura, sensualidade

A banda californiana Deftones foi a única coisa respeitável surgida na onda nü metal dos anos 1990. No novo CD, ela segue com sua competente fórmula de rock pesado (paredões de distorção) com toques de sensualidade e tormenta psicológica. Deftones / Koi No Yokan /  Warner / R$ 34,90











Delícia acústica

A cantora paulista Blubell se juntou ao trio acústico Black Tie e o resultado é um adorável conjunto de releituras quase eruditas, mas sempre muito alegres de clássicos como My Generation (Who), Love For Sale (Porter), Ben (M. Jackson)e outras. Blubell & Black Tie / Blubell & Black Tie / Borandá / R$ 27,90










Tudo o que você sempre quis saber sobre filosofia, mas tinha medo de perguntar

Se há quem ache que “só é possível filosofar em alemão”, também há quem tente traduzir a filosofia em linguagem compreensível para os demais terráqueos. E se utilizando até – imaginem – do  humor! Recomendado para leitores a partir dos 15 anos, tamanha a acessibilidade. Uma breve história da filosofia / Nigel Warburton / L&PM / 264 p. / R$ 42 / www.lpm.com.br







Brutalidade biografada

Uma das mais radicais e adoradas bandas de heavy metal do mundo, o Slayer ganha esta biografia em português – de leitura obrigatória para os fãs, já que a bibliografia brasileira do gênero ainda é bem parca. Razoavelmente atualizada, cobre a trajetória dos californianos até 2008. O Reino Sangrento do Slayer / Joel McIver / Ideal / 272 p. / R$ 39,90 / www.edicoesideal.com









Nunca bata em um sujeito de óculos

Lançado em 1945, Foco foi um dos primeiros romances norte-americanos a meter o dedo na ferida do preconceito contra os judeus dentro dos Estados Unidos. O toque de mestre de Arthur Miller foi fazer de um declarado antissemita o objeto do preconceito alheio. Atual como nunca. Foco / Arthur Miller / Companhia das Letras / 264 p. / R$ 39,50 / www.companhiadasletras.com.br







Gangster clássico

Belíssima adaptação do clássico romance noir Scarface, de Armitage Trail (1902-1930), pelo quadrinista francês Christian De Metter. Inspirado na vida de Al Capone (1899-1947), conta a ascensão e queda de um mafioso ítalo-americano que toca o terror na Chicago dos anos 1920. Scarface  / Armitage Trail e Christian de Metter / Globo / 110 p. / R$ 34,90 / www.globolivros.globo.com







Festão brasuca

O DJ Marcelinho da Lua garimpou o acervo da EMI e se saiu com este espetacular bailão samba-bossa-soul-rock  pronto para varar madrugadas de verão. Tem Elza Soares, Orquestra Tabajara, Marcos Valle, Simonal, Noriel Vilela, Moreira da Silva, João Donato, Marku Ribas. Festão para rachar o assoalho, como se dizia antigamente DJ Marcelinho da Lua e vários artistas / Ya'Ya High-Fi, Volume 1 / EMI / R$ 24,90






Ponte Brasil-Portugal

Filha de portugueses, Ciça Marinho ergue ponte transatlântica com canções daqui e de lá. Seu vozeirão emoldura   Tanto Mar (Chico Buarque),  Barco Fantasma (Ivan Lins), Terras de Mim (P. Saraiva) e Manipulação (J. Fernando). Belo CD. Ciça Marinho / Além Mar, Além de Mim / Multi Laser / R$ 20






Me incluam fora disso

Espécie de Vanguart britânico, Mumford & Sons é a típica banda neofolk que causa tremeliques em hipsters deslumbrados. São doze faixas a base de banjos, letras repletas de clichês de “celebração à vida” e pose calculada. Não a toa, viraram piada na sitcom Two Broke Girls. Mumford & Sons / Babel / Universal / R$ 29,90







Alquimia pop-erudita

Virtuose do acordeom, Ferragutti mistura popular e erudito em um álbum de sonoridade encantadora e sofisticada, mas não complicada. Gravado ao vivo, traz a fera acompanhada de violinos, cello, clarineta, viola, piano etc. Lindo. Toninho Ferragutti / O Sorriso da Manu / Borandá / R$ 29,90









Ninguém chamou, mas eles voltaram assim mesmo

Primeiro álbum de estúdio do quarteto irlandês (não é o U2) em 11 anos, Roses traz uma Dolores O’Riordan menos histérica do que de costume, em faixas de acento suave como a faixa-título e Waiting in Walthamstow. Quem é fã vai curtir. A versão de luxe vem com um segundo CD ao vivo, gravado na Espanha.. The Cranberries / Roses (De luxe Edition)  / Lab 344 / R$ 44,90







Vergonha nacional

Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo à época do “suicídio” de Wladimir Herzog, Audálio Dantas faz aqui a biografia do jornalista iugoslavo naturalizado brasileiro, jogando mais luz sobre um dos episódios mais vergonhosos da ditadura militar – e que ainda aguarda uma solução e nem apontou os culpados. As duas guerras de Vlado Herzog / Audálio Dantas / Civilização Brasileira / 406 p. / R$ 39,90 / www.record.com.br






Zen de resultados

Entre as muitas biografias e estudos da vida e do pensamento de Steve Jobs, este livro se destaca por duas razões: é uma HQ e centra sua narrativa na relação do homem da maçã com seu guru, o sacerdote Zen Budista Kobun Chino Otogawa. Uma história rica, belamente ilustrada e colorida. O  Zen de Steve Jobs  / Caleb Melby (roteiro)  e JESS3 (desenhos) / Devir / 80 p. / R$ 29,90 / www.devir.com.br






Zen no xadrês

Premiado com o Nobel da Paz 2010, Xiabobo é um dos mais ferrenhos dissidentes políticos chineses. Aqui, ensaios e poemas (escritos na prisão) que cobrem uma vasta gama de assuntos, indo da crítica ao regime à cultura, passando por sociedade e movimento democrático. Não Tenho Inimigos, Desconheço o Ódio / Liu Xiaobo / L&PM / 360 p. / R$ 59,00 / www.lpm.com.br

 




Mestre imortal

Mestre da concisão, Drummond era tão bom cronista quanto poeta. Nesta coletânea original de 1962, textos curtos, leves, bem-humorados e reveladores de sua imensa inteligência, humanidade e generosidade. Drummond é eterno. Leia hoje e sempre. A Bolsa e a Vida / Carlos Drummond de Andrade / Companhia das Letras /  176 p. / R$ 37,50 / www.companhiadasletras.com.br

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

INTERCENAS MUSICAIS 2013 TRAZ BNEGÃO, LUCAS SANTANNA E DAVI MORAES A NOVA CASA NO RIO VERMELHO

A folia passou, mas a música continua.

E pode manter os pés no chão mesmo, por que o negócio  é sério:  sexta-feira, volta a Salvador os shows da iniciativa Intercenas Musicais, que botará os cantores Lucas Santtana, BNegão (ao lado) e Davi Moraes no palco da nova casa Commons.

Criado em 2011, o Intercenas surgiu para promover a circulação de artistas baianos dentro e fora da Bahia, iniciativa viabilizada pelo Conexão Vivo.

Desta feita, os shows por aqui serão na Commons (ex-Farol), na esquina da Rua Fonte do Boi (Rio Vermelho).

A nova casa, que, após requalificação, será inaugurada nesta sexta-feira (15) com show da celebrada banda local Scambo, será o  QG da Maquinário, produtora pilotada pelo músico e produtor cultural baiano Vince de Mira.

E em tempos pós-tragédia de Santa Maria, é bom garantir  de início: “Vamos abrir a casa com tudo direitinho”, avisa Vince.

“Contratamos consultoria de segurança e seguimos todas as recomendações: abrimos uma porta nos fundos adequada para evacuação de emergência, os extintores são novos e a sinalização está nos conformes: banheiro é banheiro, saída é saída”, garante o empresário.

Para Vince, a precaução “é relevante tanto para o publico, quanto para as  bandas, que podem tocar sem susto. A segurança da casa será  monitorada por rádio e teremos dois brigadistas anti-incêndio a postos a cada evento”, acrescenta.

Tudo isto aumentou bastante o custo para abrir a casa, já que “contratar uma consultoria é caro. Por isso acho que deveria existir dispositivos de fomento. Fora que os órgãos públicos levam uma vida para fazerem a vistoria do local. Não podemos viver em função de precaução contra incêndio”, observa.

Plataforma multi-atividades

Resolvidas as questões burocráticas, Vince (ao lado, em foto tirada daqui) avisa ainda que Commons não será apenas uma casa de shows, mas uma “plataforma”.

“Queremos dar um up de qualidade na programação, com produtos culturais definidos a partir de uma política de casting. Não vamos atirar para todo lado”, diz.

Desta forma, além de shows, a casa deverá abrigar ainda instalações artísticas e pequenas produções teatrais, como monólogos e números de comédia stand-up, além de oferecer pequenos cursos de qualificação.

“A ideia é gerar conteúdos em cursos viáveis neste primeiro momento, como cursos de roteiro e fotografia”, conta.

Outro diferencial é que Vince está fechando parcerias com alguns artistas locais e nacionais para uma espécie de semi-residência, com shows bimestrais: “Já fechamos com Curumin. É um trabalho de formação de plateia. Queremos que a Commons seja um portal para que caras como Curumin e Lucas, por exemplo, subam para o Nordeste ou vão ao interior”, revela.

“Teremos também uma lojinha permanente para promoção desses artistas, com venda de CDs, camisa etc”, conclui.

 Lucas, Intercenas, interior

Responsável por abrir a temporada 2013 do Intercenas Musicais, Lucas Santtana (foto Daryan Dornelles), que é baiano, mas mora no Rio de Janeiro, conta que o show desta sexta-feira será mais ou menos o mesmo show que ele fez em agosto, no lançamento do seu último CD, Deus Que Devasta Mas Também Cura.

“Só que será com uma formação nova na banda, que passa a contar com Ted Santana na bateria e Marcelo Galter no baixo, além de Juninho Costa (aka Junix 11) na guitarra”, conta.

“O repertório é mais concentrado nos dois ultimos discos (Deus e Sem Nostalgia, 2009), mais alguma coisa do 3 Sessions in a Greenhouse (2006) e do Eletro Ben Dodô (2000)”, diz.

Parceiro habitual do Intercenas, Lucas fez em 2012, através do projeto, shows em Juazeiro, Itacaré, Ilhéus e Vitória da Conquista. Depois de Salvador, segue para São Paulo e Florianópolis (em turnê da qual também participa a Cascadura).

Depois, fora do Intercenas, segue para Brasília e Rio de Janeiro. A experiência de rodar, especialmente pelo interior, claro, é das mais gratificantes.

“O Intercenas é ótimo por que ajuda a dar vazão a essa cena musical do Brasil que é forte e tem um público crescente. É uma circulação importante para transformar essa relação que ficava restrita à internet em uma relação  cara a cara, nos shows”, observa Lucas.

Outro detalhe que Lucas tem notado na estrada é que hoje, graças à internet, o público das cidades do interior ficou mais antenado do que o das capitais: “Tive essa noção bem clara em Juazeiro, conversando com as pessoas sobre o que elas estavam ouvindo e fiquei espantado. Antigamente você ia no interior e era tudo defasado. Hoje eles são mais antenados do que você”, diverte-se.

Intercenas Musicais Salvador / Lucas Santtana (sábado), BNegão Soundsystem (dia 22) e Davi Moraes (dia 23) / Commons Studio Bar (Rua Dr. Odilon Santos, 244, Rio Vermelho) / R$ 30 e R$ 15 / Sempre às 23 horas

NOTA EXTRAORDINÁRIA: Jera Cravo ministra 2º Workshop de Gravação & Mixagem em Salvador, nos Estúdios W.R. dias 23 e 24

O produtor fonográfico Jera Cravo anuncia inscrições abertas para o seu 2º Workshop de Gravação & Mixagem. As aulas serão nos dias 23 e 24 próximos, nos Estúdios W.R. “A ideia é explicar todas as etapas do registro de uma música, desde a captura do som, passando pela mixagem dos instrumentos até a finalização para formatos como CD ou MP3”, explica Jera, graduado no MI (Musicians Institute, Califórnia). investimento: R$ 400, em até 10 vezes no cartão. Vagas limitadas. Informações: www.jeracravo.com.

terça-feira, fevereiro 12, 2013

TERROR NO HORÁRIO NOBRE: TWD VOLTA HOJE À NOITE, NA FOX

A não ser que seu abadá / camisa de camarote já esteja em mãos (há gosto para tudo), nenhum outro programa para hoje a noite será mais emocionante do que o retorno dos episódios inéditos do seriado The Walking Dead (canal Fox na TV paga).

Rick Grimes (interpretado pelo ator Andrew Lincoln) & cia voltam após o midseason, pequena pausa depois do Natal na TV americana, com a continuação da terceira temporada.

Suicide King (Rei Suicida), este nono episódio que vai ao ar hoje à noite, retoma a trama de onde havia parado no oitavo.

Recapitulando: após invadir a comunidade fortificada de Woodbury   para libertar o casal Glen (Steven Yeun) e  Maggie (Lauren Cohan), sequestrados por Merle (Michael Rooker), o grupo de sobreviventes liderado por Rick tenta escapar da cidade.

Mas além de estarem cercados, eles ainda perderam outro membro do grupo: Darryl (Norman Reedus), que foi capturado em meio aos confrontos por Merle, seu irmão que ele acreditava morto (lá na primeira temporada).

Suspeitando de jogo duplo por parte de Merle, o cruel  Governador  (David Morrissey), que comanda Woodbury com mão de ferro, força os irmãos a lutarem até a morte na arena da cidade – para horror de Andrea (Laurie Holden), membro do grupo de Rick que se perdeu após a fuga desesperada da fazenda de Hershel (Scott Wilson) e lá se abrigou.

Pensa que acabou? Não mesmo: Rick e Michone, a sensacional afro-samurai interpretada por Danai Gurira, ainda terão seu acerto de contas particular com o Governador.

Quem acompanha a série (seja na TV ou nos quadrinhos) sabe que não há a menor possibilidade de tudo isso acabar sem mortes – ou, no mínimo, sem amputações bruscas de membros e globos oculares sendo arrancados a força.

Sucesso avassalador mundo afora, a série The Walking Dead chegou à TV aberta: a Bandeirantes, que exibe seus episódios no mesmo dia e horário da Fox: terças, 22h30 (21h30 em Salvador). Hoje não tem, por conta das transmissões do Carnaval.

Confirmando sua popularidade, a série cravou a maior audiência da casa (segundo dados do Ibope), com picos de 8 pontos na Grande São Paulo  – a média anterior era de 2,5.

HQ mensal nas bancas

Lançada de forma modesta em 2003 pela editora norte-americana Image Comics, a HQ The Walking Dead chegou ao Brasil em 2006, pela editora HQM, com o título Os Mortos Vivos.

Desde então, a editora já lançou dez encadernados da série, cada um com seis edições do original americano.

De olho no sucesso da TV, a HQM lançou há poucos meses a HQ mensal para venda em  bancas de revista.

Boa opção para cativar novos leitores, fãs do seriado, pelo preço camarada: R$ 3,90. Em Salvador, já é possível encontrar os quatro primeiros números nas bancas.

Para quem ainda não conhece a história criada pelo escritor Robert Kirkman desde o início, tudo começa quando o policial Rick Grimes atende um chamado  e é baleado.

Após meses em coma, acorda em um hospital abandonado. Logo descobre que a civilização havia desmoronado em uma epidemia de zumbis. Rick parte do hospital em busca de sua família.

No caminho, descobre que as maiores ameaças não são os andarilhos, e sim, os próprios humanos sobreviventes.



The Walking Dead /  Fox / Hoje, 21h30

The Walking Dead / Robert Kirkman, Tony Moore e Cliff Rathburn / HQM / 32 p. / R$ 3,90 / www.hqmeditora.com.br

VIVA O ROCK SERGIPANO: SNOOZE SOLTA EP NOVO PARA DOWNLOAD


Indie roqueiros da Bahia e Sergipe: eu sei que é difícil, mas... sorriam. Hoje esta coluna traz duas boas notícias.

A primeira: amanhã é quarta-feira de cinzas. Mais: o  verão já entra em sua reta final e o período de chuvas se aproxima.

A segunda boa notícia é que uma das melhores bandas do indie rock brasileiro ever soltou material novo: a Snooze (foto ensaio: Maíra Ezequiel), há 20 anos orgulho sergipano e nordestino, liberou para download o EP Empty Star.

Com sete faixas, o disquinho compila três faixas inéditas (Empty Star, Nickdrakiana e Old Records), mais quatro saborosos covers, escolhidos a dedo: 704 (Second Come), Life's Gonna Hit (Pin Ups), Spanish Bombs (The Clash) e Bulldog Skin (Guided by Voices).

"O legal de lançar esse material é para quebar o hiato", afirma Fábio Snoozer.

"Nosso último álbum mesmo é de 2005. Então, neste momento, mais importante do que mandar musica inédita, é quebrar esse hiato. Quem gosta da banda cobra: 'e aí, vocês não vão fazer mais nada?' e tal", relata.

Para quem não está familiarizado, a Snooze, fundada em 1993, é a filha caçula da heroica primeira geração do indie rock brasileiro, formada por grandes bandas como brincando de deus (patrimônio cultural baiano), Pin Ups (SP), Killing Chainsaw (SP), Low Dream (DF), PELVs (RJ), Second Come (RJ) e meia dúzia de outras.

O último show da Snooze em Salvador foi no Boom Bahia de 2008. Infelizmente, Fábio ainda não tem ideia de quando voltam à cidade: "Gostaríamos muito de tocar de novo em Salvador, mas precisamos ter condições. Já fizemos muito show em Salvador. Bastava ter a data. A gente entrava no carro e ia. Hoje, a gente precisa ter a grana da gasolina e a hospedagem. É o minimo. Até por que eu e Rafael somos músicos profissionais, tocamos na noite de Aracaju. Então perder um fim de semana para sair e tocar aí é perder um fim de semana. Sem garantia de condições minimas, perdemos dinheiro", justifica.

"Mas não é falta de vontade, não. Na verdade, já faz muito tempo que não viajamos para tocar. Ultimamente, só fomos em Maceió", acrescenta.

Nova cena, recomeço

Após vários anos  na ativa, três CDs oficiais e muitos shows Brasil afora, a Snooze (foto: Eduardo Freire) passou por um punhado de formações.

Hoje a banda é um power trio, com os irmãos fundadores Fábio Snoozer Oliveira (baixo e vocais) e Rafael Jr. (bateria), mais o guitarrista  Luiz Oliva.

“Na verdade, a  banda ficou parada por três anos, por que eu fui morar em São Paulo. Depois que voltei, recomeçamos e encontramos uma outra cena aqui em Aracaju”, vê Fábio.

“A cena cresceu. Há muito mais bandas e diversidade. Há até bandas novas influenciadas pela própria Snooze”, admira-se.

“E com bem mais público do que a gente tinha. Hoje a galera já chega com disco bom, bem gravado”, observa.

"Isso é muito legal, mas ficou esse gap entre quem curtia a banda nas antigas, quem só ouviu falar e quem nunca nem ouviu falar. Aos poucos, estamos atualizando o público sobre que que é esta banda hoje em dia", reflete Fábio.

Para dialogar com essa nova geração e formar um novo público, a Snooze tem feito diversos shows com bandas como The Baggios, Os Adolescente de Vovó (sic) e Baztian (AL).

Aos 20 anos, a Snooze espera comemorar a data remasterizando e relançando o primeiro CD, Waking Up... Waking Down (1997).

“Nunca ficamos satisfeitos com o som desse CD. A ideia é fazer isso também como homenagem à Daniel, nosso guitarrista que faleceu em 2010”, conclui Fábio.

"Tem um selo de São Paulo, o Pisces Records, que disse está interessado. Vamos nos esforçar para lançar esete material até 2014. Até por que em 1993 a gente tava meio que brincando ainda. Só em 1994 que a coisa ficou mais séria e começamos a fazer shows", relembra.

Na época, ainda era comum bandas brasileiras cantando em inglês. Até por que uma das principais influências da Snooze era justamente a nossa brincando de deus.

"Especialmente a brincande deus. Essa banda sempre foi um exemplo muito grande para a Snooze. Você ouve o disco e vê a preocupação estética em tudo, especialmente com os timbres. No show eles tocavam tudo certinho, nao tinha uma nota fora de lugar. Você via que eles não viviam da banda, era meio que um hobby, mas a atitude era 100% profissional", opina Fábio.

"Assim como a Snooze pra gente. Sempre foi um hobby. Ninguém nunca viveu da banda, apesar de ter tido uma época que até entrou algum dinheiro. Que era pouco e todo revertido em investimento na própria banda. Então era um hobby levado a sério. Passávamos horas no estúdio para tirar um timbre de guitarra. Não conseguimos os resultados desejados no primeiro disco por sermos inexperientes e por falta de um produtor. Mas a partir do segundo, tentamos refletir muito que som era esse que estava na cabeça da gente. Além de manter a todo custo uma atitude de não tocar mais com qualquer som em quaquer lugar. Tem banda que nao tá nem aí, toca em qualquer lugar qualquer nota, mas assim nós não curtimos fazer", conclui.



BAIXE: www.verbo21.com.br/v6/index.php/snooze

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NUETAS

André solo e gratuito
Marque na sua agenda desde já: dia 22 (sexta-feira), tem show gratuito de André L. R. Mendes (é, agora tem esse “L. R.” aí) no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura (Salvador Shopping). André, a rapaziada do rock já conhece: líder da elogiada Maria Bacana, banda local importante dos anos 1990, agora em carreira solo, lançou dois álbuns: Bem-Vindo à Navegação (2010) e Enfim Terra Firme (2012). Este último tem sido muito bem avaliado pela crítica, inclusive do Sudeste. No show violão & voz, canções desde a Maria Bacana até o Terra Firme. 19 horas, gratuito.

Bossambá,  Sankofa
A Tribo Bossambá, um curioso coletivo de músicos e atores que misturam samba, bossa e teatro, se apresentam no Sankofa African Bar (Ladeira de São Miguel, 7, Pelourinho) nesta quinta-feira. 21 horas, R$ 10.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

O USE YOUR ILLUSION DO GREEN DAY

Trilogia punk que levou Billie Joe ao colapso renderia ótimo CD simples

Se tem uma coisa que não costuma dar certo no rock ‘n’ roll é a megalomania exacerbada. O rock progressivo e o Guns ‘n’ Roses que o digam.

A banda Green Day (foto: Felisha Tolentino) namorou bastante  a dita cuja em 2012 – e quase que deu tudo errado pra eles.

O trio, formado na Califórnia em 1987 por Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo) e Tré Cool (bateria), se propôs gravar e lançar uma trilogia de álbuns em 2012.

Intitulados ¡Uno!, ¡Dos! e  ¡Tré!, os discos foram lançados, respectivamente, em setembro, novembro e dezembro.

Com o rosto de cada membro adornando as capas, ¡Uno! ¡Dos! e ¡Tré! ainda foram sucedidos por ¡Quatro!, documentário que foi lançado no dia 26 de janeiro, durante os X-Games de Inverno, em Aspen.

O problema é que esses projetos de grandes (ou mesmo pequenas) bandas com muitas faixas – neste caso são 37, somando os três álbuns – não costumam funcionar.

São muitas canções para digerir de uma vez só, até para o mais dedicado dos fãs. Cite o malfadado Use Your Illusion (1991) para um fã do Guns ‘n’ Roses e observe o sorriso amarelo que surgirá em seu rosto.

Com o projeto ¡Uno! ¡Dos! ¡Tré!, o Green Day lança seu Use Your Illusion particular. Assim como no célebre LP quádruplo do Guns ‘n’ Roses, há um punhado de boas canções em cada uma das partes da trilogia greendayniana, mas, infelizmente, essas são minoria.

A maior parte das faixas se constitui do chamado filler ( preenchedor em português): músicas mais fracas, que só estão lá para fazer número e formar um álbum inteiro.

Não é o Justin Bieber

E foi aí que o Green Day viu quase todos os seus planos de dominação mundial para 2012 irem por água abaixo.

Além de exaustos pela produção ininterrupta, o trio (mais o guitarrista de apoio Jason White) quase implodiu em setembro, durante o festival iHeartRadio, em Las Vegas.

Durante sua apresentação, o vocalista Billie Joe recebeu um aviso da produção, dizendo que a banda só teria mais um minuto para encerrar o show.

Irado, Billie Joe disse que não era “o fucking Justin Bieber”. Xingou todo mundo, quebrou a guitarra e saiu do palco bufando.

Dias depois, a banda soltou comunicado suspendendo a turnê de divulgação e anunciando que Billie Joe estava internado em uma clínica de reabilitação para tratamento contra dependência química.

Após  meses internado, Billie saiu da clínica no dia 7 de janeiro. Antes disso, no dia 2, a banda já anunciava a volta aos palcos para 28 de março, com um show em Chicago.

One, two, three

Sem trazer grandes  inovações para o som da banda, a trilogia renderia um belíssimo álbum simples, coletadas as faixas acima da média de cada CD.

Outra questão é que há muitas faixas que dão aquela impressão de “já ouvi isso antes, mas não lembro aonde”.

A faixa de abertura de ¡Uno!, por exemplo, lembra algo do CD American Idiot (2004), do próprio trio. Ainda assim, é uma boa paulada no juízo.

Ainda na parte um da trilogia, Kill The DJ chama a atenção e dá uma quebrada boa no ritmo acelerado, com uma bela levada de guitarra suingada, Prince style.

Oh Love e Rusty James (homenagem ao personagem do livro / filme Rumble Fish - O Selvagem da Motocicleta) são outras boas faixas de ¡Uno!.

¡Dos! tem como pontos altos as faixas Fuck Time (com levada de bateria no estilo do Gary Glitter), Lazy Bones (meio Strokes, quando ainda era uma boa banda) e Amy (balada em homenagem a Amy Winehouse).

¡Tré! começa bonito com Brutal Love, balada que deve muito à Bring It On Home To Me, do genial soulman Sam Cooke.

Com seis minutos e meio, Dirty Rotten Bastards é a maior faixa da trilogia e uma suíte punk em que Billie Joe prevê sua condição enferma: “Chamando todos os demônios / Esta é a temporada / Próxima parada, terapia”, canta, aquele jeitão desesperado característico.

A trilogia fecha com The Forgotten, uma bela balada à base de piano e cordas. A luz no fim do túnel em uma jornada frenética, que quase levou o trio à lona.

Sorte dos fãs, a saga desses três punks duros na queda parece longe de terminar.

¡Uno! ¡Dos! ¡Tré! / Green Day / Reprise - Warner Music / R$ 29,90 (CD nacional, Cada) / LPs importados: R$ 119 (Cada Vinil)