segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O PALCO DA DISCÓRDIA: FESTIVAL DE BANDAS DE ROCK INDEPENDENTES NO COQUEIRAL DE PIATÃ CHEGA À 13ª EDIÇÃO

Tradicional festa rockeira no carnaval baiano, o Palco do Rock segue em frente, apesar da estrutura deficiente e programação controversa


Não adianta reclamar. Pelo 13º ano consecutivo, o polêmico Palco do Rock, festival de bandas independentes organizado pela Associação Cultural Clube do Rock, voltará a embalar milhares de fãs do estilo que se dirigirão ao coqueiral de Piatã, de sábado à terça-feira de Carnaval. Serão 36 bandas em quatro dias - o que dá 9 apresentações por noite, sempre a partir das 17 horas. A farra - como sempre - é gratuita e contará com diversas atrações além dos shows, como presença de tatuadores atuando na hora, sorteio de brindes, um stand para comercialização de CDs e camisas das bandas que participam do evento e um hotsite, através do qual será possível acompanhar o festival ao vivo, com notícias e vídeos disponibilizados à todo momento.

Seguindo a tendência atual dos grandes eventos culturais, o PdR também terá sua parcela de responsabilidade social, solicitando aos espectadores a doação de um quilo de alimento não perecível. Tudo que for arrecadado será revertido em favor da CAASAH (Casa de Apoio e Assistência aos Portadores do Vírus HIV). Além disso, também haverá uma mobilização ecológica com a participação da ONG Jogue Limpo, com distribuição de mudas de árvores e uma caminhada ecológica até o Parque de Pituaçú na manhã da terça-feira de Carnaval, com a participação das pessoas que acampam no coqueiral.

Boas intenções e esforços pessoais à parte, a citada controvérsia que todos os anos se instala nos meios rockeiros locais diz respeito à uma suposta baixa qualidade da programação, a qual não refletiria o que de melhor a cena da cidade tem a oferecer. "Essas críticas começaram a surgir após o corte dos cachês para as bandas, logo no primeiro ano da administração Antônio Imbassahy. Foi uma retaliação ao Palco do Rock, que na verdade, nunca foi bem quisto pelo grupo político à que pertencia o ex-prefeito", acredita a presidente da Associação, Sandra de Cássia, que também é vocalista da banda Ulo Selvagem - única a tocar em todas as edições do evento. "As chamadas bandas do primeiro escalão do rock baiano acharam que, boicotando o PdR, nós poderíamos conseguir esses cachês de volta de alguma forma, mas infelizmente, isso não aconteceu até hoje", acrescentou.

Na verdade, durante esse período, o festival praticamente parou de acontecer nos moldes que se tornou conhecido e foi transferido para o extinto Teatro da Praia, um bar que ficava em Pituaçú, próximo à pista de bicicross. Finda a administração Imbassahy, o Palco do Rock conseguiu voltar ao seu reduto na praia de Plakaford, em Piatã, contando com o apoio da Prefeitura para uma estrutura mínima. "A Emtursa nos cede palco, som e iluminação. E só. Nem um copo de água mineral pros músicos vem além disso. Todo o resto é bancado pela Associação. E não podemos sequer buscar um patrocinador, já que o PdR faz parte do Carnaval e quem vende o Carnaval é a Emtursa", conta Sandra, que teve suas esperanças de ver um quadro diferente nos próximos anos renovadas, com a mudança do governo estadual. "Já tivemos um sinal positivo de que, no ano que vem, os cachês voltarão, mas ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa", avaliou.

Sandra também reclama por uma maior atenção por parte da Polícia Militar na questão da segurança do evento. "Quase sempre, é um abandono. Famílias inteiras acampam na área do coqueiral para participar do festival e todo o contingente de que dispomos para policiar as cerca de oito mil pessoas que comparecem todos os dias são os policiais do módulo que fica defronte ao antigo Casquinha de Siri. É muito pouco. Precisamos de segurança, por favor", apela.

Mesmo sem cachê e com uma estrutura deficiente, o Palco do Rock segue sua trajetória. Este ano, sete bandas de fora do estado participarão da festa ("bancadas pelas Secretarias de Cultura de suas próprias cidades", informa Sandra), que costuma atrair até 8 mil cabeludos por noite. Entre as bandas mais conhecidas da grade (ou menos desconhecidas, dependendo do ponto de vista), destacam-se o divertido cruzamento do rock com música brega do Movidos à Álcool, o metal gótico e teatral da carioca Maldita, o indie rock da Starla e o nü-metal da Meteora.

Esta última tem experimentado dificuldades de se estabelecer com credibilidade diante do público rockeiro local, devido ao fato do seu vocalista, Fábio Duarte, já ter sido dançarino no show de Ivete Sangalo - cujo selo, o Caco Discos, lançou o CD da banda. "A Meteora me surpreendeu, pois, mesmo com uma grande produtora por trás, eles seguiram os procedimentos de seleção à risca: enviaram material direitinho e no prazo, preencheram formulário e esperaram o resultado sem pressão, na maior humildade. Não dava pra limar os caras. Eles merecem uma chance de serem levados à sério", disse a presidente da Associação.

CONTROVÉRSIA - As críticas de músicos e observadores da cena rock local ao PdR não são novas. Nei Bahia, respeitado bloguista e crítico da cena como um todo, além de ex-parceiro de Fábio Cascadura em algumas composições do primeiro disco da elogiada banda, considera o PdR "equivocado": "Do jeito que ele existe - dentro do Carnaval - acaba se reduzindo à uma coisa curiosa, pitoresca, folclórica. É como se dissesse: 'aqui, nesse cantinho, tem esse monte de cabeludo'", observa.

Para Nei, o mesmo festival e a estrutura de que ele dispõe teriam muito mais impacto na mídia e com o público "se fosse feito em outra época do ano, sem a concorrência desleal do Carnaval", reflete. "Infelizmente, tocar no PdR hoje é uma queimação pras bandas. Isso, para dar uma dimensão geral do evento, pois, se for contar todas as mazelas pelas quais ele já passou, daria um livro", garante o bloguista.

Gabriel Amorim, vice-residente da Associação que organiza o PdR discorda: "Para mim, a grande contribuição do Palco é exatamente a inclusão cultural. É uma alternativa para aqueles que curtem o segmento rock possam curtir a folia momesca ao seu próprio modo", argumenta.

Com alternativa ou sem alternativa, a verdade é que, mesmo entre seu próprio público, o PdR ainda enfrenta sérias dificuldades de aceitação e adesão: "o maior inimigo do rock baiano é o próprio rock baiano. Mas pedir união na cena seria demagogia da minha parte. Respeito pelo nosso trabalho já seria o bastante. Não acho, contudo, que as bandas que não aceitam tocar de graça estejam erradas. Só gostaria que elas não queimassem o evento, pois ele não tem culpa de não dispor de recursos", conclui Sandra.

SERVIÇO:
13º FESTIVAL PALCO DO ROCK: "LIBERDADE AINDA QUE TARDIA".
36 BANDAS (PROGRAMAÇÃO NO SITE).
DE 17 À 20 DE FEVEREIRO, SEMPRE A PARTIR DAS 17H.
EVENTO GRATUITO.
SITE: http://www.accrba.com.br/


Matéria publicada no jornal A Tarde dia 5 de fevereiro. Texto sem a edição do jornal.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

DE ORELHADA

ALGUNS DISCOS QUE OUVI EM 2006

Diferente do meu chapa e colega de blog Osvaldo Brama, não ouso intitular esta breve listinha como "O Melhor de 2006", por que não tive oportunidade de ouvir muita coisa que teve lá sua relevância entre os chamados "críticos" ao longo do ano, como os Macacos do Ártico, Klaxons, Raconteurs e coisa e tal. Também não vou arriscar elucubrações acerca do futuro da música, da new rave, do i-Pod, CSS, Wii, PAC ou PQP que o valha. Muito menos vou eu dar uma de velha carpideira neste privilegiado espaço da blogosfera rocker local e chorar a morte do CD (preferiria que ele não morresse, é vero. Gosto da idéia de suporte físico para obra - pigarro - de arte). Até por que o texto introdutório (ops) do post de Brama aí embaixo já disse tudo, e disse bem. Para não cansar ainda mais os prováveis 4,7 leitores deste blog espalhados pelo mundo com minha costumeira ladainha auto-justificatória, vamos partir logo para a tal lista, sem números estabelecidos, nem ordem de importância. Apenas impressões sobre alguns CDs que chegaram às lojas (e à internet e aos meus ouvidos) em 2006. Apenas os que mais gostei.

MUSE - BLACK HOLES AND REVELATIONS
Esse eu ainda estou ouvindo com uma certa freqüência. Depois do rolo compressor que foi Absolution (2004?), Matt Bellamy e cia. praticamente se superaram com mais essa gema recheada de canções intensas, febris, pesadas, e muitas vezes, no limite da grandiloqüência. As semelhanças com o Radiohead continuam, mas é como se a influência da banda de Oxford fosse apenas a plataforma, a referência para o Muse criar seu próprio som. Supermassive Black Hole, uma das minhas preferidas, é "Prince encontra Radiohead". Ótima para a pista. Invincible coloca o Queen no lugar de Prince e repete a mistura. O solo de guitarra (solo de guitarra, coisa mais démodé!) é, fácil, o melhor do ano. Arrepia pelos que você nem sabia que tinha. Já Assassin deverá causar urticárias no meu amigo Miguel Cordeiro, pois parece um baião tocado pelo Queens of The Stone Age. City of Delusion vem embalada num invólucro luxuoso de música flamenca (ou árabe - algo assim, já que elas se parecem). Coisa fina.

THE PIPETTES - WE ARE THE PIPETTES
Gwenno, Becki e Rosie, três garotas inglesas reeditam o formato girl group americano sessentista (Supremes, Ronettes) em plena Inglaterra de 2006. O resultado? 14 faixas assobiáveis e muito agradáveis, em pouco mais de meia hora (só uma faixa, a mais longa, chega aos 3 minutos - e 3 segundos). Clima adolescente, uma certa inocência, arranjos vocais elaborados, instrumental quase limpo - às vezes um pouco excessivo em detalhes, beirando a confusão. Mas aí me lembrei de uma resenha de show delas que saiu na última Bizz (capa Pitty) e matou a charada: faltou um Phil Spector. Em todo caso, ainda é um disco é bem bacana, diverte e merece ser ouvido.

WOLFMOTHER - WOLFMOTHER
Esses são os Pipettes do mal: três garotos australianos reeditam Led Zeppelin, Black Sabbath e o que mais você pensar aí de referência de hard rock / metal setentista. Também como as Pipettes, o resultado é bacana, mas ainda ficou faltando "aquele" algo a mais. Talvez um guitarrista / criador de riffs genial como Jimmi Page ou Tony Iommi. Vai saber. Mesmo assim, vale a pena ouvir faixas como Dimension, Joker and the thief, Colossal e Witchcraft bem alto no quarto e fazer de conta que ainda temos 14 anos. Rock como fonte de juventude da mente.

TEENAGE FANCLUB - MAN MADE
Norman Blake, Gerard Love e Raymond McGinley entregam aos fãs mais uma bela coleção de melodias idem. Resenhado pelo Rock Loco aqui.

THE RAPTURE - PIECES OF THE PEOPLE WE LOVE
Basicamente, um disco de pista. Mais dançante ainda que o debut de 2004, é o disco para se ouvir antes, a caminho e durante a, uh, "balada" (nunca na volta). Pode ficar cansativo em algum momento, talvez por isso tenha a devagarzinha Callin' me no meio. Get myself into it, The devil e Don gon do it são pista cheia. E Whoo! Alright-yeah? Uh huh também, e ainda leva o troféu de "título mais pica tonta do ano".

THE FLAMING LIPS - AT WAR WITH THE MYSTICS
Tenho tudo o que quero, menos a cabeça fresca e viajante de Wayne Coyne e seus parceiros freaks. Resenhado pelo Rock Loco aqui.

SUPERGUIDIS - SUPERGUIDIS
Boa estréia da banda gaúcha de - tirem as crianças da sala - indie rock. Wander Wildner é fã. Resenhado pelo Rock Loco aqui.

WALVERDES - PLAYBACK
Mais uma pérola desovada pelo rock gaúcho em 2006. Um pau na oreia aliado à técnica publicitária de redação nas letras (sintéticas até o osso), a serviço das idéias budistas de Gustavo Mini. A gravação é um primor de clareza e volume. Resenhado pelo Rock Loco aqui.

HOUR CONCOUR: CASCADURA - BOGARY
Pô, até eu já cansei de babar nesse disco. Resenhado pelo Rock Loco aqui.

(19)88 FM NO AR - É com gáudio e de esperanças renovadas que recebemos a notícia de que Salvador volta a ter uma rádio voltada para o segmento pop rock. A 88 FM (87.9 no seu dial!), parece ter entrado no ar há poucos dias e é, segundo nosso companheiro Luciano el Cabong Matos, uma "rádio livre legalizada". Ou seja: uma rádio comunitária (acho) - só que com um belo e potente transmissor, pois parece que pega pela cidade quase toda. Não tive tempo para ficar ouvindo muito, mas já deu para perceber que não há anúncios, nem locutores. Diz que toca Cascadura, mas ainda não tive o prazer. Quase o tempo todo que ouvi, o repertório foi dominado por hits dos anos 80. Bons hits: U2, The Cure, Men at Work na pior das hipóteses. Quando chegou no Uns & Outros eu desliguei - por que aí também já é demais pros meus sofridos culhões. Ótima notícia termos uma rádio pop na cidade - ainda mais tocando Cascadura, mas uma modernizada no set list não faria mal. Ninguém quer sair chamando a rádio, que mal começou, de 1988 FM, né? Em tempo: também dá para ouvir pela internet.

NOSTALGIA DO TERROR - E quem diria: o interior da Bahia abriga o melhor site especializado em quadrinhos de terror do Brasil. No Nostalgia do Terror, fãs do gênero têm um vasto conteúdo de atrações para fuçar adoidado, entre capas de coleções inteiras de Krypta, Capitão Mistério, Mestres de Terror e diversas outras revistas que tiravam o sono da molecada nos anos 70 e 80, algumas HQs escaneadas, biografias etc. Um verdadeiro baú onde está conservada a memória dos quadrinhos de terror no Brasil e um belo serviço em prol da HQ nacional.

O site é gerado a partir de Itiúba, a 380 km de Salvador e é editado pelo batalhador Ulisses Pinto de Azeredo e seu parceiro Caveirinha Sombrio, que, "apesar do cognome, existe", garante Ulisses, um soteropolitano ex-bancário e ex-gerente de loja de departamentos. Hoje ele é dono de uma pequena escola de informática na cidade. Colecionador criterioso ("Não tenho tantas revistas de terror assim não. Mas as que tenho são importantes para o cenário de HQ de terror em nosso país, pois muitas são antigas e viraram até preciosidades do gênero"), o rapaz de 36 anos mantém o site com dinheiro do próprio bolso, pelo puro prazer de fazer algo relacionado aos quadrinhos. "Coloquei alguns banners do Google, mas só rende algo se clicarem, e até agora só rendeu $1,95, acredite se quiser!". Claro que a gente acredita, Ulisses.

Como é de praxe em nosso país, esforços pessoais pela cultura (ainda mais cultura pop, como HQs de terror), são pouco valorizados. Sabe como é, santo de casa não faz milagre. Nos meios nerds e quadrinísticos, porém, o NdT já é comemorado como o melhor do gênero no Brasil. Sites como o Universo HQ e o respeitado Blog dos Quadrinhos, do jornalista Paulo Ramos, noticiaram a existência do site com entusiasmo e o recomendaram aos leitores. Mas e quanto à repercussão local? "A cultura aqui não é valorizada. Eu não sei o que realmente eles dão valor. Sábado (27 de janeiro) e hoje (30) é que comentaram em duas rádios - isso porque eu insisti em passar a nota". É um terror, mesmo.

FOFÃO - E essa nova geração de bandas do rock Brasil mainstream, hein? O entusiasmo nas gravadoras é tanto que a MTV vai fazer um especial só com elas pra lançar na velha dobradinha CD / DVD ao vivo. Saquem só a escalação: Fresco, Ratinho, Fofão, Floptop e NX Zero à Esquerda. Salve-se quem puder!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

PAGUE AÍ QUE EU TÔ DOIDÃO ( LISTA DE 2006¨)

Não foi um grande ano. Nada de muito interessante, salvo o disco do Sparks. No entanto as mudanças que ocorreram no mundo nos últimos anos graças as novas tecnologias digitais ganham velocidade warp, e técnicas que estavam disponíveis se materializam em brinquedinhos cada vez mas incríveis, viabilzados por "modelos de negocio". O futuro é vortex , digital, e inalcançável. Conversando com o grande Wander Wildner sobre o assunto, ele chamou a atenção sobre a inutilidade de se tentar acompanhar o ultimo lançamento tecnológico,a obsolencia è automática. Mas no Admirável Mundo Novo os tais modelos de negocio estão promovendo uma revolução na vida das pessoas e consequentemente na forma de se obter (consumir?) musica. Nada que não se saiba, apenas é surpreendente a velocidade. Portanto sigo, mais uma vez Ian Hunter que diz "old records never die", Então fico assim, ou é ou vinil ou mp3, abaixo o cd!.
Na cena local não avançamos muito. As mesmas questões de sempre. Alguns dizendo que as coisas estão melhorado, que Salvador já foi pior, e que gente que só faz reclamar não contribui em nada para a "cena". Outros reclamam e dizem Salvador já foi mais do caralho, que nem sempre foi terra tão arrasada assim, que "the good ole days were the days". Só fico pirado com desinformação, e nesta época de info disponível num click, apenas preguiça pode explicar algumas bicudas. Apenas uma coisa se tornou uma constante, a eterna falta de recursos, materiais e intelectuais, que assola esta terra desde Cabral. Pior que a pobreza material é a pobreza espiritual. Algumas pessoas continuam achando (fingindo?) que existe lanche grátis. Não existe lanche grátis, alguém sempre está bancando, consciente (empresas, produtores, politica cultural do estado, os mecenas ou um simples mortal que esta a fim de doar seu trabalho), ou inconscientemente ( os tais incentivos fiscais, ou seja todo mundo). Então dito isso, garção, traz a saideira, e bro, paga aí que eu to doidão.

Minha lista de melhores de 2006

10-) The Spell - Black Heart Procession
Mais um mini classico de Pall e Nathaniel. Sombrio, belas melodias, e inspiração do gótico americano. Não recomendado para pessoas depressivas.

9-) Enemies Like This - Radio Four
De longe a melhor banda associada a DFA. Esqueça Rapture e LCD Soundsystem. Algo de Clash, sem imitação.

8-) Rather Ripped - Sonic Youth
Melhor disco deles em algum tempo, léguas superior a Sonic Nurse e Murray Street.

7-) Jerry Lee Lewis - Last Man Standing
Um disco de duetos. Destaque para as faixas com Jimmy Page e Buddy Guy. A marra do titulo é totalmente justificada e verdadeira (pensem nisto!).

6-) Peel Sessions - P.J. Harvey
Herdeira direta de Patti Smith, e muito alem de uma simples gravação ao vivo em estúdio, Polly Jean faz do seu disco uma homenagem a Peel. Um disco que cresce (epa!) a cada audição.

5-) Return To Cookie Mountain - T.V. On The Radio
Uma banda moderna no bom sentido. Ecos do My Bloody Valentine e musica experimental, tocado com mais vigor e vocais mais vicerais.

4-) Bogary - Cascadura
Uma seqüência virtuosa para Vivendo em Grande estilo, um pouco baladeiro demais a partir da metade do disco, mais sempre muito inspirado .

3-) The Crane Wife - The Decemberists
Uma surpresa. A banda do Oregon, é erudita na linguagem , ao mesmo tempo que é fiel a sua origem indie, mas com uma vertente totalmente original. The Crane Wife é um disco conceitual, sobre um tema inusitado, o assasinato de uma mulher durante a guerra civil americana e musicas de 10 minutos com órgão Hammond. Indie Prog?

2-) Modern Times - Bob Dylan
A única unanimidade que não é burra. Dizer o que?

1-) Hello Young Lovers! - Sparks
Definitivamente foi um ano estranho. Este disco salvou meu ano. Os americanos irmãos Mael, que tiveram seu auge comercial na Inglaterra em pleno Glam. (?), treinados classicamente, que tinham como sua banda de abertura uma tal de Queen( Mercury foi abertamente influenciado pelos arranjos vocais de Russell) , encenam o mais improvavel dos renascimentos. Depois de amargarem ostracismo em boa parte dos 70 , foram resgatados por Giorgio Moroder, ainda na era disco, fazendo uma espécie de eletro-disco (alguém já ouviu a genial When Do I Get to Sing My Way?), voltaram ao ostracismo, quando se reinventaram com o fenomenal Lil´Bethoven 3 anos atrás. Hello Young Lovers aperfeiçoa o conceito, que se mantem indefinível. São dez operetas pop, os arranjos de Ron são classicosos e luxuosos, os vocais de Russell as vezes operisticos, tudo embalado numa AULA sobre o pop nos ultimos 30 anos. As letras, irônicas mordazes e em ultima analise, cruéis constatações da condição humana, aparentemente "no brainers", mas no fundo inteligentíssimas. E ainda um hino pra nossas vidas "Dick Around". Um clássico e um gosto a se adquirir pelos não iniciados.

terça-feira, janeiro 16, 2007

VERÃO DO VICIOUS: DEZ ANOS DEPOIS

Memórias de uma estação inesquecível

Era uma tarde qualquer de outubro de 1996, quando o telefone tocou e era meu velho amigo Apú, me chamando para ir com ele em um lugar, ver um negócio de um emprego:

- É um bar aí que vão abrir na Barra. Do mesmo dono do Padang Padang.
- Bar? VOCÊ vai trabalhar num bar? Humph! Você vai é beber o estoque do home todo, isso sim!
- Bora lá, porra!

Eu fui, e no caminho ele foi me explicando que seria um bar diferente, moderno, com uma decoração muito louca. Que os garçons seriam pessoas selecionadas, com um bom nível sócio cultural e seus uniformes seriam assinados por Alexandre Herchcovitch. Rã, rã...

Chegando lá, encontramos várias caras conhecidas, como Joe Tromondo, Pitty, Fábio Cascadura e Paulinho Oliveira, entre outros. Na verdade, desses dois últimos eu não tenho 100% de certeza, então, se alguém lembrar melhor que eu, me fala aí nos comments ou manda um email pr'esse endereço aí do lado para quaisquer correções.

O bar ficava na chamada Rua da Lama, na área próxima ao Porto do Barra, perto também de onde ficava o Manga Rosa, nos idos dos anos '80. Você entrava por uma portinha, subia uma escada íngreme da porra e chegava no lugar. Havia um grande balcão central e mesas espalhadas em volta dele. Em seguida vinha uma pista de dança não muito grande, banheiros e tal. Mas o que mais me chamou a atenção na época foram as mesas. Rabiscadas com respingos de tintas de várias cores, elas eram côncavas e tinham tampos de vidro, sob os quais jaziam prosaicas escovas e tubos de pasta de dente, pentes e escovas de cabelo, entre outros badulaques.

Quando foi inaugurado com grande estardalhaço, no mês de dezembro daquele ano, contava com os citados Apú, Joe e Pitty, além de Bel Machado e outros que não lembro agora, como garçons. Lorena, que em 2004 abriria o Miss Modular, era a chamada hostess e ficava na porta, recebendo as pessoas. Messias (da brincando de deus) e Spencer eram os DJs. O nome, Vicious, já era um negócio que chocava os, digamos, caretas. Até por que eles não saberiam quem foi Sid Vicious, suposto homenageado pelo dono do estabelecimento.

O auê gerado pela sua proposta diferenciada bastou para o bar passar a ser freqüentado em massa pela nata descolê de Salvador: do povo do rock a jornalistas, publicitários, povo de teatro, universitários em geral, comunidade gay (inclusive havia um dia da semana dedicado à eles)... you name it.

Tamanha convergência de públicos tão diferenciados acabou fazendo com que muita gente se conhecesse ali, naquele ambiente esfumaçado e colorido. Bandas foram formadas e terminaram ali também, mas enfim... Namoros, casos fugazes, grandes amizades, turmas inteiras de amigos nasceram ali. Como todo bom bar, o Vicious acabou se tornando palco para acontecimentos que marcariam a vida de muita gente. Pergunte à qualquer um que freqüentou o Vicious naquele verão - e eu garanto que ele ou ela terá uma história para contar.

Certa manhã, abri o jornal na página policial e me deparei com uma foto do proprietário do estabelecimento dentro de um camburão - aquele olhar de "que saco!", típico do malandro experiente. Na noite anterior rolara uma batida da polícia e fora apreendida uma quantidade "x" de drogas lá, provavelmente a mesma quantidade que deve rolar em qualquer barzinho ou boate da moda qualquer noite dessas. Um colega de faculdade que estava lá me contou depois que foi muito engraçado, por que em questão de segundos, todo mundo largou o que tinha no chão e depois ficou olhando pra cima, com cara de "hã? Quê?" E aquele monte de bagulho no chão...

Na época tava rolando fácil um negócio chamado grafite, que era uma coisinha preta simplesmente diabólica. O sujeito tomava e virava uma bola de tênis, quicando pelas paredes do bar e conversando com todo mundo, de mesa em mesa - inclusive com as paredes. Talvez, também por isso, parecia tão fácil conhecer pessoas naquela época.

No verão de 1997, você chegava no Vicious e todo mundo estava lá. Apesar dos preços um pouco mais salgados em relação aos botecos da vida, dava para ir pelo menos uma vez por semana. Os amigos já estariam lá - afinal, era lá que eles trabalhavam. Era muito engraçado ir num dia de movimento intenso e ver aquela galera pouco experiente em trabalho pesado pirando, correndo meio desesperados de um lado para o outro. Eles mesmos também faziam a discotecagem quando os titulares não estavam. Também não era raro vê-los dançando loucamente, misturados em meio aos fregueses quando o bicho pegava, altas horas da madrugada. "Estou no meu intervalo, vamo nessa", era a senha.

Você ia para a pista de dança, que era separada do bar por uma parede de vidro e lá dentro tinha uma cama de ferro enorme em um canto. Você poderia ficar lá - no ar condicionado - dançando, ou então acomodado na cama, curtindo o movimento - ou fazendo sabe-se lá o quê. Nego se acabava de dançar os hits de Beck ("Yo soy un perdedor / I'm a loser baby / so why don't you kill me"), Oasis, Prodigy, Chemical Brothers, Beastie Boys, aquela coletânea de desenho animado - Saturday Morning e outras coisas da época. A brincando de deus, inclusive, foi a única banda a tocar lá, casa cheia, noite louca da porra.

Qualquer coisa no ar daquele verão contribuiu para torná-lo inesquecível, e no clima algo cosmopolita daquele barzinho metido à besta (uma raridade numa cidade tão detestavelmente jeca como Salvador), a estação parecia chegar ao seu auge. Uma noite no Vicious nunca terminava de forma previsível. Música eletrônica ainda era uma novidade interessante e o rock parecia estar mudando, junto com o mundo todo. Era fim de século, e pela primeira vez, eu sentia esse fato inexorável em Salvador. De repente, não parecia mais tão tolo assumir um certo ar de modernidade na vida, nos gostos, modos de vestir e se divertir.

Como quase tudo o que é bom nessa cidade, contudo, o Vicious não durou muito. Cumpriu seu ciclo regulamentar de um verão e foi logo fechado. "Lavagem de dinheiro", disseram na ocasião, como dizem para quase qualquer coisa aqui na Bahia. O bar não existia mais, mas as novas amizades, namoros, flertes, contatos, planos e sonhos daqueles dias continuaram - pelo menos, durante um bom tempo. A vida parecia mais interessante do que há seis meses atrás.

Aquele bar deixou saudades em muita gente. Pessoalmente, foi um período bem mais intenso do que na época avaliei - para o bem e para o mal. Dizem que não devemos idealizar nada - nem pessoas, nem lugares, nem períodos de vida, sob o risco de ficarmos para sempre decepcionados com o que temos no presente.

Dane-se. O fato é que alguns verões são mais divertidos do que outros. E o de 1997 foi assim - e suponho que o foi também para muita gente que estava inserida naquele contexto específico, não apenas para mim. Senão, por que diabos eu estaria perdendo meu tempo aqui, contando tudo isso?

"Vicious / hey you hit me with a flower / you do it every hour / oh baby, you're so vicious"?
Lou Reed, 1972.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

NACHO! NACHO! NACHO!

NACHO LIBRE REAFIRMA TALENTO DO DIRETOR JON HEDER E CONSAGRA JACK BLACK COMO O REI DOS CANASTRÕES

Certa vez, muitos anos atrás, li na coluna do professor André Setaro no jornal Tribuna da Bahia, que existem dois tipos de diretores de cinema: os autores e os artesãos. Grossisimo modo (isso existe?), os autores são aqueles sem grandes preocupações com o aspecto formal e técnico do cinema, fazendo basicamente o mesmo filme a vida inteira, mudando apenas a ambientação e os atores, mas quase sempre abordando as mesmas temáticas. Exemplos de grandes diretores autores: Woody Allen, Ingmar Bergman, Orson Welles, Alfred Hitchcock, Jerry Lewis, Federico Felinni. Já os diretores artesãos são aqueles que têm pleno domínio formal do veículo, mas sem um universo autoral próprio, e com qualquer fiapo de roteiro que lhe caia nas mãos, são capazes de plasmar na tela o cinema em estado puro, criando grandes filmes. Exemplos de autores artesãos: Vincent Minnelli, Billy Wilder, Roman Polanski, John Frankenheimer, William Friedkin.

Jon Heder, já em seu segundo filme, parece querer se encaixar firmemente naquela primeira categoria, a de cineastas autores, fazendo-se dono de um universo narrativo-ficcional próprio, sempre orbitando em torno das vidas dos párias e excluídos.

Se em Napoleon Dynamite, seu primeiro filme, Heder nos apresentou a vidinha modorrenta e medíocre dos caipiras de Idaho, em Nacho Libre ele transporta sua afeição pelas minorias e desajustados da vida para outro cú de mundo esquecido por Deus: Oaxaca, México. Inspirado na história real de um padre que, secretamente, participava de torneios de luta livre à noite, o diretor criou mais uma bela fábula cômica e politicamente incorreta, ladeado pelos talentos de Jack Black (Escola do Rock, Alta Fidelidade) no papel principal e Mike White (parceiro de Jack em Escola...), no roteiro.

Além da temática em si (o loser sem noção que dá volta por cima e salva a pátria) e do óbvio carinho do diretor pelas minorias, muita coisa já vista em Napoleon Dynamite retorna em Nacho Libre, inclusive no aspecto visual: a câmera quase sempre parada, deixado que as piadas e situações se resolvam por si sem a interferência da edição, os pratos de comida ricamente decorados e os desenhos infantis de heróis, monstros e lutadores mascarados. O parceiro do personagem principal também dá as caras por aqui. Se em Napoleon tínhamos Pedro, o mexicano sorumbático, Nacho tem em Esqueleto (Héctor Jimenez, hilário), um esfomeado morador de rua, seu sidekick perfeito.

Tantas semelhanças com Napoleon Dynamite, contudo, não desvalorizam Nacho Libre como uma mera continuação ou refilmagem, pelo contrário. Tudo o que tornou o primeiro filme de John Heder uma daquelas sessões da tarde inesquecíveis é aprofundado neste segundo. O papel principal parece ter sido escrito especialmente para o talento de Jack Black. O gordinho, ágil como um jovem cervo nas cenas de humor físico, leva a fina arte da canastrice cômica a novos patamares ao interpretar Ignacio, o jovem noviço de um orfanato mexicano que sonha em ser um grande luchador, e com o dinheiro ganho nas lutas, salvar o orfanato da falência e as crianças, da fome.

Decidido, Ignacio começa a treinar com Esqueleto, a quem escolhe para ser sua dupla. A sequência do treinamento, aliás, é uma das mais engraçadas do filme. Com sua atuação exagerada, cheia de caras e bocas, esgares e levantadas de sobrancelhas, discursos pomposos e canções derramadas, Black deixa no espectador a sensação de estar assistindo uma daquelas novelas mexicanas infantis toscas, tipo Chispita ou algo assim. A partir daí, começa uma dura seqüência de surras na dupla, aplicadas por um lutador mais bizarro que o outro.

O mundo da lucha libre mexicana é um prato cheio para o diretor, com seus lutadores mascarados e mitologia toda própria. A partir daí, Heder vai gentilmente conduzindo o filme para seu final não muito imprevisível. Apesar disso, Nacho Libre é uma das melhores comédias de 2006 e renderá à quem o assisti-lo sua hora e meia de muitas risadas e diversão pura - e por incrível que pareça, para os tempos em que vivemos, totalmente inocente, censura livre - como toda boa sessão da tarde.

À exemplo de Napoleon, o segundo filme de Jon Heder foi solenemente ignorado pelo exibidores de cinema no Brasil, sendo lançado direto em DVD, menos de um mês depois de ND chegar às locadoras. Na dúvida, alugue os dois ao mesmo tempo e perceba a mão autoral de Heder, cineasta que é uma das boas promessas do cinema americano atual.

COM A MÃO NA MASSA - Amigo dileto deste bloguista há mais de 15 anos, Rogério Big Brother dispensa apresentações. A última do Gordoidão mais querido do rock baiano é a sua nova coluna no site Bahia Rock, "A Cozinha Maravilhosa do Big", onde ele entrevista e prepara uma receita sugerida por um convidado a cada semana (ou quinze dias, isso eu não sei bem). Na primeira coluna, churrasco com Gabriel Boizinho (pô, o cara come os próprios parentes! Desculpem, não resisti), batera do Cachorro Grande. Na segunda, moqueca de carne com Ricardo Spencer, outra figuraça que dispensa apresentações. Pelo visto, a coluna não é indicada para vegetarianos.

ROCKIN' THE MOVIES - Nos próximos anos, veremos uma enxurrada de filmes enfocando as vidas (os chamados biopics) de grandes astros do rock e cercanias. Senão, vejamos:

Spike Lee filmará a biografia de James Brown, Samuel L. Jackson já surgiu como o nome mais cotado para o papel principal;

Johnny Depp atuará como Fred Mercury em um filme sobre sua vida (lá dele);

Tem um filme inglês, intitulado Control, sobre a vida de Ian Curtis (Joy Division) engatilhado para estrear a qualquer momento ainda esse ano. A direção é do famoso fotógrafo Anton Corbijn e o site oficial já está no ar;

Mike Myers será Keith Moon (The Who), no respectivo filme sobre sua biografia, Roger Daltrey produz;

Don Cheadle (Hotel Ruanda) não somente atuará como Miles Davis no filme sobre sua vida, como também o dirigirá;

Existem uns dois ou três projetos relacionados à Renato Russo. Uma biografia, claro, e mais dois filmes baseados nas letras de Faroeste Caboclo e Eduardo e Mônica;

Em 2008, chegará aos cinemas um filme baseado na vida de Jeff Buckley;

Projetos sobre as vidas de Jimi Hendrix e Janis Joplin ("A Rosa" não vale como biografia de Janis) sempre existiram e sempre existirão em Hollywood, sendo mera questão de tempo até alguém pegá-los de jeito e transformarem-nos em grandes filmes para o grande público. Depois do enorme sucesso de filmes como Ray, Johnny & June (Walk the line) e Cazuza (aqui no Brasil), parece que a indústria resolveu explorar um novo filão. Vamos ver quantos se salvam dessa leva.

O TEMPO PASSA, O TEMPO VOA, E A BAHIA CONTINUA A MESMA MERDA - O grande show de rock do verão 2007 será o mesmo do verão 2006. Wander Wildner (na ilustração ao lado, da autoria de Silvis, se não me engano) volta à Salvador dia 16 próximo para um show único no ICBA, devendo fazer mais ou menos o mesmo show apresentado ano passado, ainda no Miss Modular. Apesar de ficar feliz de poder ver o bardo gaúcho novamente, fica um gosto amargo saber que ano após ano, os baianos que não rebolam a bundinha e cuja indigência ainda não é mental - é apenas financeira - continuam sem opção de assistir à bons shows de rock de bandas de fora da cidade. Ben Harper e Matisyahu seriam boas opções - se tocassem na Concha Acústica ou algum outro local mais decente, e não naquele arremedo de festival - para o qual aliás, gostaria de propor um boicote generalizado, não apenas do público do rock, mas também das bandas, que deveriam tomar vergonha na cara e dar uma banana pros organizadores. Quem perde ao não escalar as bandas de rock da Bahia é o próprio festival, que apenas cava sua própria sepultura escalando para o palco principal as mesmas atrações de merda todo santo ano e ignora os novos nomes que poderão salvá-lo no futuro. Isso lá é festival digno do nome? BOICOTE JÁ!

segunda-feira, dezembro 25, 2006

PHODCAST ROCKLOCO 14 (SAY GOODBYE TO THE BEAT)

NO AR! MANDO DIAO! ASH! MATIZ! PIPPETS! SPARKS! COLD WAR KIDS! NÃO TEM THE NEW LOU REEDS! MAS TEM DECEBERISTS! E COMO DIZEM OS MAEL BROS. AUF WIEDERSEHEN TO THE BEAT!
www.rockloco.podomatic.com

terça-feira, dezembro 19, 2006

ESTRADA PARA A DANAÇÃO

No segundo encadernado de Os Mortos Vivos, Robert Kirkman aprofunda o clima de desespero e desesperança dos personagens em narrativa enxuta e precisa

Quanta pressão um ser humano pode agüentar? Quantas perdas de entes queridos, visões do inferno e desgraças pelo caminho alguém pode suportar antes de enlouquecer completamente e se transformar numa besta selvagem, cujo único propósito é a sobrevivência?

Após os trágicos eventos de "Dias passados", o policial Rick Grimes, sua família e o pequeno grupo de sobreviventes liderado por ele caem na estrada, amontoados em um motor home. Cruzando um mundo deserto, com o perigo espreitando a cada quilômetro, com frio e com fome, uma nova (quase) tragédia acaba conduzindo-os a uma fazenda, onde um outro grupo de infelizes sobreviventes se abriga do perigo morto-vivo.

Convidados pelo seu líder para lá ficar por um tempo, Grimes e seu pessoal logo descobrem que o dono da casa guarda um segredo sinistro no celeiro...

Esse segredo e as relações cada vez mais neuróticas que se estabelecem aos poucos entre os dois grupos só fazem a tensão aumentar cada vez mais - até a inevitável ruptura.

Em Caminhos trilhados, segundo volume de Os Mortos Vivos, Robert Kirkman passa ao leitor toda a angústia de viver em um mundo onde nada mais será como antes, onde cada dia é uma batalha, cada refeição, uma vitória. Sua fluidez narrativa deixa pouco espaço para o leitor respirar - não que tenhamos zumbis putrefatos surgindo a cada instante transformando tudo numa gore fest sem fim. Aqui os zumbis são apenas o pretexto para o autor desfiar a odisséia de dor e transformações pessoais pelas quais seus personagens passarão.

Na verdade, os maiores conflitos que acontecem são entre os humanos, os vivos. Os mortos vivos são um problemão, claro. Mas são mais um, entre muitos outros que os personagens enfrentam. A civilização ruiu, não existe mais. Em dado momento, um dos sobreviventes comenta com Rick da falta que ele sente de assistir um jogo de futebol. A vida como eles conheciam não existe mais, e dificilmente voltará a existir. Esperança é artigo em falta no mundo d'Os Mortos Vivos, e esse clima pesado parece permear toda a série.

No posfácio desta edição, o ator Simon Pegg (de Todo mundo quase morto - Shaun of te dead, filmaço obrigatório), além de analisar muito bem o próprio conceito de zumbi, ainda lança uma outra luz sobre Os Mortos Vivos, ao notar que, "enquanto nossos filmes favoritos de zumbis sempre parecem acabar muito rápido, deixando-nos a imaginar o que acontece depois, Kirkman é capaz de saborear a jornada e explorar os muitos perigos e dilemas encontrados por seu decrescente grupo de sobreviventes em desvantagem numérica".

Tem um detalhe muito simples, mas que é fundamental e determinante no tom intenso que Robert Kirkman imprime a'Os Mortos Vivos, que é seu absoluto controle sobre o "elenco" que dá vida aos muitos personagens. Nenhum é "esquecido", deixado de lado. Todos têm sua personalidade trabalhada, aprofundada, conflitos pessoais, desafios. Não há personagens vazios. O leitor identifica e se vê um pouco em cada um deles, é envolvido no tom intimista da história e acaba temendo pelos seus destinos. Não é toda hora que eu leio quadrinhos capazes de tal feito - e olha que eu leio muito, às vezes até mais do que deveria...

Aos poucos, vemos mais uma obra prima dos quadrinhos se delineando diante de nossos olhos.

OS MORTOS-VIVOS - VOLUME DOIS - CAMINHOS TRILHADOS
Roteiro: Robert Kirkman, Arte, arte-final: Charlie Adlard, Tons de cinza: Cliff Rathburn.
HQM Editora / Image Comics / R$ 28,90 - Edição especial, Formato americano - 140 páginas.

DEADWOOD: SERIADO SOBRE CIDADE NO VELHO OESTE É LABORATÓRIO SOCIAL DO AUTOR DAVID MILCH

Excelente produtora de seriados e filmes para a televisão, a americana HBO (Home Box Office, para quem interessar possa) já presenteou os telespectadores de todo mundo com clássicos instantâneos como A Sete Palmos, Família Soprano, Oz e outros menos cotados. Em Deadwood, a emissora manteve a tradição de localizar a ação de seus seriados em ambientes inóspitos. Se nos três primeiros citados os personagens viviam seus dramas pessoais em, respectivamente, uma funerária, na máfia de Nova Jersey e um presídio, Deadwood nos apresenta sua galeria de desajustados na cidade de mesmo nome, no oeste selvagem americano, por volta de 1888. Mesclando alguns poucos personagens históricos com os fictícios, David Milch, o criador da série, faz um grande levantamento de como uma sociedade se forma em ambientes não domesticados pela presença de um governo, leis, polícia, essas coisas (ou seja: em qualquer lugar). Atraídos pela febre do ouro, homens rudes e desajustados de todas as partes do mundo vão à Deadwood, tomar posse de algum veio de minério, trabalhar para as empresas de mineração que começam a se estabelecer e enriquecer. Isso é o só o pano de fundo para as muitas intrigas que rolam entre dois poderosos donos de puteiros locais, que, ardilosos como demônios, manipulam e dominam a cidade - que aliás, mais se assemelha à um chiqueiro, pois há lama por todo lado. Não há saneamento nem água encanada. Há o homem durão, silencioso, bom de briga e de coração, que acaba se tornando o xerife e protege uma viúva safadinha, dona de um belo garimpo. Bêbados, prostitutas, capangas cruéis de sangue frio, homens em busca de fortuna. Terreno fértil para um escritor de pena afiada tecer suas considerações e ainda faze-lo com estilo. Sintam só o drive shakespeareano desse diálogo, extraído do episódio "E.B. ficou de fora" (segunda temporada):

Homem no saloon: "Ouviu falar, Tom, que as prostitutas chinesas têm um modo antigo de livrar você de suas mágoas, sua solidão e do sentimento de sentir-se abandonado"?

Barman (intrometendo-se na conversa): "Parece que isso o deixaria sem nada". ("Seems like it would leave you with nothing", no original em inglês parece soar melhor ainda).

O destaque da série é Ian McShane, veterano ator inglês com vasta experiência na TV britânica, que domina a cena toda vez que aparece como Al Swearengen, dono do puteiro mais vagabundo da cidade e certamente, seu habitante mais maquiavélico, cruel e complexo. Nada do que ele fala é gratuito. Dono de uma personalidade magnética, de sua boca adornada pelo bigodón saem tanto palavrões em profusão (COCKSUCKER!), quanto observações extremamente sagazes - sobre basicamente tudo. Tranqüilamente é o personagem mais marcante da série - e da televisão em muito tempo. Nota dez também para a reconstituição do ambiente hostil e da época. A cidade cenográfica que foi erguida para fazer o papel de Deadwood, veículos, armas, roupas, tudo é muito convincente. Você quase sente o fedor de bosta (de cavalo e humana também) da cidade. Aliás, esse acabou sendo um dos motivos da série só ter durado até a terceira temporada. Os custos da ambientação caprichada e os cachês dos atores, que aumentaram com os prêmios acumulados (Emmy, essas coisas) acabaram inviabilizando Deadwood. Saiu uma entrevista de McShane onde ele fala sobre isso e conta que a HBO propôs ao autor a produção de dois especiais de duas horas, para ele fechar os destino dos personagens e encerrar a série. Isso ainda está sendo decidido, pelo jeito. Seja lá como for, Deadwood está sendo lançada no Brasil em DVD. A segunda temporada chegou há pouco tempo nas locadoras e é melhor ainda que a primeira - que já era sensacional. Milhões de outros adjetivos estão me vindo a cabeça. Portanto, antes que eu perca o controle e deite todos eles no juízo do leitor, é melhor encerrar aqui.

HERMANOS CHICANOS UNIDOS - Dois símbolos da moderna cultura chicana finalmente se uniram. Trata-se da bela capa do novo disco dos Los Lobos, The town and the city, assinada por ninguém menos que o mestre Jaime Hernandez, de Love and Rockets. Para quem ainda não sabe, Love and Rockets é uma das melhores séries do quadrinho underground de todos os tempos, parca e porcamente publicada no Brasil. E os Los Lobos, para quem só conhece daquela versão ultra surrada de La Bamba, também é uma puta banda bacana. Não conheço a fundo, mas recomendo o álbum Colossal head, de 1998. Discaço. E só pela linda capa, esse novo CD já merece uma boa conferida.

AGENDA

FÁBIO CASCADURA ROCK´N ROLL SOUL - Após temporada de show com o Cascadura pelo Sudeste do país, Fábio Cascadura e Thiago Trad voltam a se apresentar com o projeto FÁBIO CASCADURA ROCK´N ROLL SOUL.Em formato acústico eles apresentam grandes sucessos dos anos 50, 60 e 70 que influenciaram o CASCADURA, além de músicas do repertório próprio. Balcão Botequim (Curva da Paciência, Rio Vermelho). Horário: 21h Ingresso: R$ 6.

NATAL EM FAMÍLIA - Com as bandas: Cissa Guimarães, Fracassados do Underground, Glauco Neves, Intervalos: DJ Boris, Horário: 22hs, R$ GRÁTIS! Nhô Caldos - (rua da Paciência - Rio Vermelho)

O Maravilhoso Natal dos Retrofoguetes - O ano está chegando ao fim e, como não podia deixar de ser, os fabulosos Retrofoguetes vão comemorar promovendo sua tradicional e flamejante festinha natalina. Como de costume, ao invés do peru com farofa, um repertório recheado pelas animadas canções da banda além dos clássicos natalinos registrados no compacto de vinil "O Maravilhoso Natal dos Retrofoguetes", lançado pela Monstro Discos no ano passado. Pra completar a bagunça, vão participar da festa grandes vocalistas da atual cena roqueira da cidade como Mauro Pithon, Fábio Cascadura, Nancyta, Jorginho King Cobra, Lucas Ferraz e Alex Pochat. Quer mais? Escreva pro Papai Noel, quem sabe ele não te atende? Casa da Dinha (largo da Dinha - Rio Vermelho), Sábado 23/12, Horário: 22h, R$15 (R$12 até meia-noite), Apoio: Se Ligue, Companhia da Pizza, Álvaro Tattoo, Livraria Berinjela, Music Hall Instrumentos Musicais, Red Pigs, Santo Design, Mortini Stand com: Cd e vinil dos Retrofoguetes camisetas da Mortini

Pré Revellion a Fantasia dos "Os Mizeravão" - Vejam depoimentos sobre o "Os Mizeravão":
"...ainda não fui, mas no próximo vou com certeza" - Kurt Cobain
"é Rock pra se fuder!!!" - Irmã Dulce
"Já não consigo contar nos dedos as vezes que fui e gostei" - Presidente Lula
"quando eu chegar na Nicarágua... vou ficar com saudade do show deles" - Fábio Cascadura
Pois é, e ainda assim vc se nega a participar dessa festa, vai nos dizer que vai romper anos no show da Xinelada?... vai nada, vc vai é dançar na festa a fantasia do "Os Mizeravão, então toma no acento ai: Casa da Dinha
(Largo da Dinha Cons - Rio Vermelho), Sábado 30/12, Horário :22:00 horas. Ingresso: 10 reais com fantasia e 15 reais sem fantasia.

terça-feira, dezembro 12, 2006

ROCK BAIANO

" aqui em Salvador, a cidade do axé
a cidade do terror" Complete Control pelo Camisa de Venus

Deve ser uma coisa extremamente estranha para um americano observar o rock n roll em um pais como o Brasil.Mais estranho ainda ver suas ramificações e sua disseminação em lugares tão pouco prováveis como na Bahia. O livro escrito por Ednilson Sacramento, "Rock Baiano- historia de uma cultura subterrânea", é o primeiro(que eu saiba) a se propor a contar a historia de um ritmo(cultura?, estilo de vida?, nada disso?), estranho numa terra estranha. Estranha e hostil.
Logo na introdução, Ednilson, se refere as reações que a dedicação a tal tema suscita nesta terra: perda de tempo com a xérox da xérox?, Desperdício de papel? Para a maioria certamente, mas para uma minoria extremamente apaixonada, se trata de um "labor of love" ou seja um trabalho de e por amor.
E Ednilson, traça um painel e um relato, no mínimo emocionante, de uma cultura subterrânea, fora das atenções centrais da cultura oficial da Bahia, que vai frequentemente na contramão do que se convencionou chamar de "baianidade", alem de alargar a perspectiva cultural do fenômeno, abrindo espaço também para outras manifestações artísticas fundamentais que compõem o espectro do rock, tais como programas de rádios, imprensa, grafitti, e fanzines.Segundo ele mesmo diz, não existiu a intenção de sua parte de ter feito a biblia do rock baiano. Foram entre 10 a 12 anos de pesquisas, leituras, e muita vivencia com o rock local.Mais 11 anos foram necessários para que o livro fosse lançado.Obstinação, determinação e muita, mas muita paixão pelo assunto, o tal "labor of love".
Como explicar a sobrevivência do rock"n"roll na Bahia, resistente desde o fim dos anos 50, quando através do cinema(agente imperialista?) a baianada tomou contato com o rock?n?roll, quando no Cine Excelsior passou ?Sementes da Violência?, e desde, segundo consta, Raul Seixas trocou cigarros por discos de rock com americanos lotados no consulado dos USA, do qual era vizinho. A partir daí, Raulzito se encontraria com Valdir Serrao( o Big Ben), outro que tinha travado contato com o rock, mas este de forma totalmente intuitiva.Ednilson da uma geral do momento em diante em que Raul e Big Ben passam a andar juntos e praticamente forjam do nada o rock na Bahia. Fundam o Elvis Rock Club, no bairro da Calçada, e a essa altura do campeonato envolvidos com uma turma (Thildo Gama, David Barouh e outros) que foi pioneira do rock na Bahia, formariam conjuntos(não se chamavam bandas então) como Os Relâmpagos do Rock, The Black Cats, Os Cinco Loucos, e outros. Já a partir de 1963/64 o estouro dos Beatles ia tomando conta do mundo, e a Bahia sentia os reflexos, com conjuntos como Os Sombras, Quadrante 6, e outros se apresentando na TV Itapoan no programa "Poder Jovem", tocando em bailes e shows no Cine Roma, Clube Mesbla,e dando rolé na Praça da Sé. O rock foi continuado na Bahia durante o restante dos anos 60 pela Jovem Guarda, o movimento capitaneado por Roberto Carlos, que a partir do programa de televisão homônimo, que realmente popularizou o rock no Brasil. Bandas locais como Os Mustangs se destacavam em bailes estilo Jovem Guarda. Note-se que desde sempre o rock?n?roll nunca foi a musica considerada de bom gosto pela elite intelectual brasileira, sempre teve a bossa nova e a depois a MPB para arrebanhar nossos melhores rebentos.Alias a Tropicália foi forjada pela MPB ou pelo rock?
Raul, o maior e mais importante nome do rock"n"roll a sair da Bahia( prestem bem atenção aos adjetivos), se mandou para o Sul Maravilha, uma vez que, fazer e viver de rock na Bahia era(era?) impossível. Raul ressurgiria para a Bahia em 1972 ,com umas das mais impactantes performances ja feitas em terra brasilis, em pleno Festival Internacional da Canção, com Let Me Sing Let Me Sing. Mas há muito já deixara a Bahia para trás e o rock baiano, da qual era um dos seus principais agitadores.
Durante os anos 70 o rock baiano viveria sob uma influencia distante da psicodelia e da contra-cultura tardia. A Bahia, muito por causa da Tropicália, viveria seus "Summers of Love" , num misto de Hendrix, Caetano e Arempebe, uma peculiaridade geográfica que se tornou Meca hippie. Bandas como Os Cremes, Banda do Companheiro Mágico e principalmente o Mar Revolto tentavam emular de alguma forma aqueles tempos. A primeira metade dos 70 foram "dias estranhos". Passei a acompanhar o rock nesta época antes mesmo da adolescência (11 anos). Ouvia o programa do Big Ben na radio Bahia( que ficava perto do campo da Graça), e ia comprar discos promocionais que o mesmo vendia por de baixo do pano. Uma vez comprei na mão dele um Doors( o péssimo Full Circle, sem Morrison!), e um colega meu levou o espetacular School?s Out de Alice Cooper, fiquei anos achando que Doors era aquilo . As rádios Cruzeiro e Bahia( ambas AM), tocavam no meio da sua programação hits do rock?n?roll( Beatles, Credence, Stones) , mas o programa do Big Ben tocava Hendrix, Sly & The Family Stone, J. Gueils Band, misturado com outras coisas sem muito critério(ie suas próprias musicas). Aos 13 comecei a ir em shows na Concha Acústica e logo aos 14 ia ao ICBA. Vi shows dos sudestinos Terço, Made In Brasil, do expatriado Raul e do local Mar Revolto. Se a diferença entre a copia com a matriz era gritante, a copia da copia era foda( de ruim). Só Raul era que fazia frente, Raul fazia agente acreditar num tal de rock brasileiro.
Importante notar, que ate então, não se configurava na Bahia uma cena rock, as informações, que agora aparecem de forma organizada e de forma cronológica, não estavam disponíveis, nem articuladas, nos períodos mencionados ate então, e muito menos os movimentos do rock baiano eram articulados, com uma geração sucedendo a outra.Pelo contrario um movimento começava, depois acabava, depois surgia outro do nada, sem ter a menor noticia que tinha existido banda tal, com tal estilo em outra época. E? por isso que o rock baiano sempre foi ciclotimico , indo pra frente, depois para trás, e frequentemente para lugar nenhum. Apenas para constar( e isto não resolve o NOSSO problema), este é um problema da questão cultural brasileira como um todo, apenas aplique o grau adequado para cada setor cultural correspondente.
Nesta altura chegamos ao ponto crucial do livro de Ednilson, a década de 80 e a explosão do Rock Brasil e da construção de uma incipiente cena rock na Bahia, devido ao advento do punk. Ednilson cobre exaustivamente o período com a explosão do Camisa de Vênus que gerou uma cena que traria na sua esteira um movimente punk(!!!) na Bahia, mas que teve sua gestação e doutrinação a partir do momento que Marcelo Nova , o maior(eu disse o maior) colecionador e conhecedor de rock?n?roll da Bahia ever,fechou uma loja de discos chamada Nektar e foi trabalhar como programador de musica internacional na Aratu FM. Radio FM era uma puta novidade na Bahia, com audiência elitizada, uma coisa de ponta. Em pouco tempo Marcelo estava colocando Zepellin, Lennon e Hendrix na programação. Nesta época, Marcelo, segundo o próprio Kid Vinil(vejam o DVD Botinada), foi o primeiro cara a programar punk rock numa radio brasileira. Naquela época, Marcelo, um dos caras mais antenados(desculpem, foi mal) em rock, começou a travar contato com o punk rock que estava começando lá fora. Esqueçam as referências de hoje .Não tinha internet, nem MTV, muito menos You Tube. Ninguém sabia que porra era aquela.As noticias demoravam meses, as vezes 1 ano para chegar. Ao mesmo tempo Marcelo convencera seu chefe na Aratu, Linsmar Lins, a fazer um programa especial sobre bandas de rock, o Rock Special. No inicio apenas um programa didático sobre bandas consagradas de Rock, como Zepellin, Hendrix, contando a historia de forma cronológica, o Rock Special cresceu de tal forma a sua audiência, que Marcelo em pouco tempo estava tocando bandas totalmente desconhecidas e da vanguarda do punk e da New Wave , mudando a dinâmica da cidade.Ao mesmo tempo, já incorporando o espírito do faça você mesmo do punk, começava a formar o Camisa de Vênus.Marcelo, com o Rock Special, educou e doutrinou toda uma geração de rock baiano.Quando o Camisa veio, as pessoas, que sexta a noite paravam mesmo para ouvir um programa de radio(vejam só), já sabiam do que se tratava. Tiveram acesso a informação de ponta por parte de um agendador cultural( copiraite Marcos Rodrigues!), que conspirou e montou uma cena de um posto privilegiado, onde pela primeira vez na Bahia, o rock era o prato principal. O discurso anti baianidade do Camisa é por demais conhecido de todos, só que a agressividade e a articulação de Marcelo pegou o status quo de surpresa.Um dos principais méritos de Marcelo foi evidenciar a faceta urbana da cidade da Bahia, de forma contundente, explodindo os clichês sobre uma pretensa ?baianidade? dos soteros, que viveriam num eterno estado de graça num paraíso tropical em permanente estado de festa. Não eram questões novas, alias elas iriam recrudecer no futuro. Por uma única vez, o rock foi protagonista da questão cultural, e para surpresa total de muitos, ditou a pauta cultural.
A construção de uma cena era fundamental para a sustentação do furacão que veio depois, da explosão de bandas e da comoção que causou na cidade de Todos os Santos. Lógico que os tempos conspiraram a favor, os meios de comunicação tinha elegido o rock como bola da vez e o Rock Brasil em breve estouraria com a Blitz e Ritchie. E principalmente uma certa juventude baiana estava esperando um momento como aquele, e longe de ser marionete do Camisa, aproveitou o momento e fez acontecer por conta e brilho próprio.Ai entram Gonorréia, Espírito de Porco, Trem Fantasma, Delirium Tremens , mais uma pa de bandas.O Camisa ainda demorou mais de 1 ano morando na cidade, depois de ter estourado nacionalmente, o que o diferencia dos outros dois grandes do rock baiano, Raul e Pitty, que já tinham saído da cidade quando estouraram. Então, na minha opinião, se Raul foi indiscutivelmente o nosso maior rocker, Marcelo foi o principal articulador e figura central do estabelecimento da ?cena rock? baiano.
Depois da saída do Camisa, a incipiente cena entrou num vácuo, que depois foi preenchido por bandas importantíssimas como Via Sacra e Dever de Classe (principalmente). Estamos ai em 86, o rock dava as cartas no hit parade nacional, mas na Bahia rapidamente voltava a condição de marginal. Não obstante a cidade fervilhava com bandas como Doutrina Decadente, AI 5, Razão Social, Jesus Bastardus, ect, gangues de punks, a cena do PABX, a galera do Moto Lanches, ect. Fanzines como o Espunk pipocavam. O grafiteiro(e artista plástico) Miguel Cordeiro era Faustino, um acido critico da clase merdia baiana, que chegou ao ponto de fazer o vestuto jornal A Tarde pedir a atenção das autoridades ao ?tal do Faustino?. Só que o discurso punk trazia no seu radicalismo uma falta de consistência na sua práxis, que esvaziava a cena rock, alem de expor a questão da cidade dividida, tão bem focalizada por Ednilson. Os punks de verdade eram os de bairros proletários? O que era ser punk? E o rock nisso, é arte pura ou engajada? A arte engajada é melhor só por causa disto, independente da sua qualidade artística? Foi fácil para o status quo empurrar o rock baiano para o subterrâneo de novo.
Mas a esta altura o estrago estava feito, a quantidade de publicações alternativas, lojas alternativas e outras manifestações correlatas ao rock,pela primeira vez configurava uma ?cena rock? na cidade da Bahia .
Com todos os seus defeitos, inconsistências e contradições , a "cena rock" da cidade começou a se firmou. Porque o pior estava por vir. Passado o auge do Rock Brasil, a cena baiana iria se defrontar com um monstro gestado pela política cultural do estado associado a agentes de uma emergente industria cultural(donos de blocos e gravadoras), a axé music. Nao vou discutir de quem é a culpa(alo Toni Lopes!). Mas os agentes da axé music foram extremamente competentes em capitalizar elementos da cultura popular baiana de carnaval, rentabilizando-o ao zenith. E ai chegamos a parte final do livro de Ednilson, que fala de bandas que estão ai ate hoje como o Cascadura, outras em estado de hibernação com a brincando de deus, e outras já extintas, mas que foram determinantes para a cena atual , como a mitológica Úteros Em Fúria. A Úteros, foi a inspiração maior para o maior nome do rock do Brasil atualmente, Pitty. Acho, que esta cena , talvez tenha escrito os momentos mais heróicos do Rock Baiano, porque, poucas vezes uma geração de artistas foi ignorada de forma tão brutal como esta.Um exemplo de amor ao rock, porque só gostando muito para aturar anos e anos de isolamento e falta de reconhecimento. Então parabéns Ednilson, sua iniciativa, numa terra pobre de pessoas fazedoras, é um exemplo, alem de esclarecer e possivelmente iluminar alguns dos novos rockers da cidade. E mesmo contra sua vontade, é por enquanto é a biblia do Rock Baiano. Keep on Rockin!

terça-feira, novembro 28, 2006

TOP TRILHA SONORA PARA LER HQ

Esse negócio de trilha sonora é coisa séria. No cinema, é a música - e também a sua ausência - que determinam o tom da cena que estamos assistindo. Já pensou se, em vez da grandiloquente "Also spracht Zarathustra", Stanley Kubrick tasca a cretina "O Passo do elefantinho" para emoldurar seu alentado balé espacial? Ficaria ótimo - para um filme de Mel Brooks, claro.

Seria mais ou menos como folhear uma revista da Mônica enquanto se ouve o Beneath the remains, do Sepultura. (Acho que até conheço gente capaz de se divertir assim, mas eu não emprestaria dinheiro a eles - até por que não tenho!).

Na verdade, esse assunto - trepidante, apaixonante e absolutamente atual, como todos que são tratados aqui - passaria completamente batido por mim, não fossem os chapas Zé Oliboni e Diego Figueira, do site bacana Pop Balões, com o qual colaboro de quando em vez. Algum tempo atrás, eles fizeram um Top Five (ou Top Pop, como é chamada essa seção do site) de trilha sonora para se ler quadrinhos (leia aqui). Qual não foi a minha surpresa ao saber depois que a tal lista era na verdade, uma estratégia para me fisgar e assim, me provocar para que eu fizesse a minha própria lista!

Assim, em mais um serviço de utilidade pública aos leitores sem noção deste blog - e do Pop Balões -, listo aqui algumas sugestões de trilhas sonoras ideais para se ler HQs. Sem muito mais enrolação - como não é de costume deste blog - vamos a elas.

Retrofoguetes - Começo puxando a brasa para a sardinha do meu querido rock baiano, recomendando as suítes surf espaciais dos Retros para embalar suas leituras de ficções científicas ou podreiras em geral: EC Comics, Madman, Adam Strange, Flash Gordon, Super Homem (Era de Prata). O misto de surf music com space opera de Rex, Morotó e CH casa perfeitinho com aventuras em planetas bizarros, armas de raios, visão de raios-x, dimensões alienígenas e monstros de seis cabeças e três mamilos.

Johnny Cash - O Homem de Preto parecia, por si só, um personagem do western (Sartana?). Não causa surpresa que suas canções casem tão perfeitamente com quadrinhos de bangue-bangue. Sejam os clássicos italianos (Tex, Zagor, Ken Parker), franceses (Blueberry) ou americanos (Jonah Hex), músicas como Folsom Prison blues ou Ghost riders in the sky, entre muitas outras, parecem ter sido escritas para acompanhar esses gibis. Na verdade, o próprio Cash era conhecido como um storyteller, devido ao seu jeito falado de cantar, sempre narrando uma historinha envolvendo crimes, álcool e danação.

Muse - O somzão pesado, grandiloquente, desesperado, trabalhado e criativo dessa banda inglesa é o fundo sonoro ideal para as tramas muito loucas e em grande escala dos britânicos Warren Ellis e Mark Millar. Impossível ouvir Apocalypse please, do álbum Absolution, por exemplo, e não relacionar com o espetáculo fim do mundo em widescreen de The Authority, Transmetropolitan e Pesadelo Supremo (Elis) ou Chosen, Os Supremos e Wanted (Millar).

Stereolab - Pense em um som psicodélico, cheio de ambiências alienígenas, algo entorpecente, e ao mesmo tempo, acessível aos terráqueos. A banda da francesa Laetitia Sadier e seus vocais paralisantes são minha sugestão para acompanhar a leitura de A Garagem Hermética, de Moebius. Experimente. Mas não me chame, OK?

Pixies, Pavement, Guided by Voices, Sonic Youth, Throwing Muses, Husker Du e outras - As bandas do underground americano dos anos 80 e 90 são a trilha sonora exata para ler... os autores do quadrinho underground americano dos anos 80 e 90! Óbvio! E depois, é bem, capaz de Peter Bagge, Adrian Tomine, Daniel Clowes, os Hernandez Bros. e Richard Sala, entre muitos outros, tenham criado boa parte de sua obra ouvindo essas bandas. Ambiência perfeita, não?

Serge Gainsbourg & Jane Birkin - "Je T'Aime...Moi Non Plus", o maior clássico de motel de todos os tempos, com o vocal sussurrado de Gainsbourg e os gemidos de Jane Birkin já embalaram muita mão naquilo, aquilo na mão e aquilo n'aquilo. Ora, por que não embalar, então, os belos delírios eróticos e desenhos exuberantes de mestres do erotismo das HQs, como Giovana Casotto (essa mulher é demais!!!), Milo Manara, Guido Crepax, e Reed Waller & Kate Worley (Omaha, a Stripper)?



MANDO DIAO MANDA BEM PRACA - Pára com isso. Eu sei que você não gosta de banana nenhuma de Cansei de ser sexy ou essas coisas modernosas pós-punks com um toque de eletrônica e funk carioca. Balela de jornalista novidadeiro deslumbrado. O que liga é Mando Diao, banda de uns garotos suecos, da cidadezinha de Borlange e que só tem dois discos lançados. Caiu-me nas mãos o primeiro deles, Bring 'em in, e vou te dizer uma coisa: é o melhor disco de estréia de uma banda que ouço desde... o primeiro do Strokes, acho. Só que o som aqui é completamente sixties, na veia dos Stones dos primórdios, Stooges, o Them de Van Morrison, Kinks, Motown. Mas na veia mesmo, e mais veloz, pra ouvir no inferninho esfumaçado, cheio de goró no juízo. O ritmo é frenético, catártico, mas sempre com muita melodia e classe nas execuções. O vocalista é sensacional, tem um puta vozeirão e parece estar sempre prestes a tirar a roupa e pisar em cima, tamanha a entrega do cara. Sem contar que os moleques são muito boçais, arrogantes e se dizem melhores que todas essas bandas citadas acima. Oasis é fichinha perto disso aqui. E ainda tem um certo sentido de perigo, como Stones e Stooges, enfim. Tô te falando, Mando Diao é um negócio muito sério. E esqueça essa balela de "new rave".

E A COMIDA AINDA É BOA - Meu guru do Nordeste de Amaralina, sábio conhecedor dos segredos, esquinas e reentrâncias desta soterópolis (não o programa) desvairada e senil, de vez em quando faz uma gracinha pros amigos e os brinda com uma palhinha do seu vasto saber no que tange aos bares desta cidade. Qual não foi minha surpresa ao ser conduzido por ele e sua respectiva à um insuspeitado boteco no Porto da Barra, intitulado Tortilleria Galícia. Para encurtar: o aconchegante barzinho tem as paredes decoradas de alto a baixo com discos de vinil. DISCOS DE ROCK, no caso. Aí você aponta um deles e fala pra garçonete: "eu quero ouvir aquele Greatest Hits do The Byrds ali. É, aquele, ali". E pronto. Aí é só pedir a cerveja e o cardápio, onde é possível escolher uma variedade de tortillas espanholas deliciosas (recomendo a de calabresa) por apenas R$ 6,00. E ainda dá pra duas pessoas, tranqüilamente. O incrível é que, nas duas vezes em que estive lá, praticamente ninguém entrou no recinto. Tranqüilidade total. Vá antes que acabe, por que é bom demais, e aqui, sabe como é. Fica no Porto da Barra, pertinho do Dubliners. Excelente pedida para abrir a night.

EDNÍLSON CONCORDA - Ele provavelmente nem sabe, mas concorda comigo. É até chato voltar à essa cansada polêmica (coisa da qual nem estou a fim, juro), mas garanto que é por uma boa razão. O pessoal mais assíduo da blogosfera rocker local deve se lembrar daquele texto meu para o blog Clash City Rockers - depois republicado pelo site Bahia Rock - contando a história da Úteros em Fúria. Deve se lembrar também da polêmica que se seguiu nos comments do CCR por que caí na besteira de levantar a lebre de que, mulher que é bom mesmo, só começou a freqüentar os shows de bandas de rock locais a partir dos concertos - ensandecidos e enlouquecidos, é bom lembrar - da Úteros. E, folheando o livro "Rock Baiano: História de uma cultura subterrânea", alentado relato de Ednílson Telefanzine Sacramento, descobri nele a espirituosa confirmação que (lá vai) sacramenta minha afirmação. Está lá, à página 223: "A Útero (sic) foi responsável pela criação de um novo segmento dentro do público: as mulheres". E esse livro já estava escrito há quase 10 anos. Tá lá o corpo estendido no chão. Não se fala mais nisso, esse assunto não é mais discutível. Não me venham com mais polêmicas, que eu já disse que chutar cachorro morto não é comigo.

VOTE DE NOVO - Do release: O clipe de "Tudo de Novo; Começo sem fim", da Mirabolix, concorre a melhor videoclipe do ano no "VideoRock 1st Festival Nacional de Videoclipes". Os videoclipes inscritos no Festival concorrerão ao troféu VIDEOROCK 1ST de melhor videoclipe, além de receberem um prêmio em filmagem e edição no valor de R$10mil reais, que poderão ser utilizados para a produção de um novo videoclipe da banda vencedora http://www.videorock.com.br/index.htm Para votar, basta visitar o site, clicar na imagem do clipe, preencher o campo com o seu e-mail e clicar em "Votar Tudo de Novo; Começo sem Fim/Mirabolix". Você receberá uma confirmação do voto via e-mail e poderá votar quantas vezes quiser.

AGENDA

Beatles Social Club - Cavern Beatles, Tatiana Aguiar, Mariella Santiago, Márcia Castro e Nefelibata, 28.11, Horário: a partir das 20 horas; ingresso: free. Companhia da Pizza, Praça Brigadeiro Faria Rocha, s/n, Rio Vermelho.

FÁBIO CASCADURA ROCK´N ROLL SOUL - Após temporada de show com o Cascadura pelo Sudeste do país, Fábio Cascadura e Thiago Trad voltam a se apresentar com o projeto FÁBIO CASCADURA ROCK´N ROLL SOUL. Em formato acústico eles apresentam grandes sucessos dos anos 50, 60 e 70 que influenciaram o CASCADURA, além de músicas do repertório próprio 30.11, Horário: 21:00 hs Ingresso: R$ 6 Balcão Botequim, (Curva da Paciência, Rio Vermelho).

Capitão Parafina e os Haoles - 1º de dezembro, Horário: às 22h, Ingresso: Até a 00h - R$ 5,00 (entrada) + R$ 5,00 (consumação mínima), World Bar, (travessa dias Dávila - Barra - Calçadão da Off).

JAZZ ROCK QUARTET - Sexta, 1º de dezembro, 22 hs, de grátis no Nhõ Caldos (Rio Vermelho).

TRÊMULA (SP), BERLINDA, THEATRO DE SERAPHIN E DJ PRÊ - 07.12, 22h, na Zauber, R$10,00.

terça-feira, novembro 14, 2006

NEVER JUDGE A BOOK BY ITS COVER

Nunca julgue um livro pela capa, já dizia a sabedoria popular e um velho blues. No caso de Um bom motivo, é bom levar o dito à sério...

Senta que lá vem história: diz a sabedoria popular (e também um clássico do rythm n' blues), que nunca se deve julgar um livro pela capa. No caso de Um bom motivo, primeiro CD solo de Paulinho Oliveira, é bom levar o dito à sério, por que, ao mesmo tempo que o disco apresenta um punhado de ótimas canções, traz também uma séria candidata à pior capa da história do rock baiano, só perdendo - talvez - para a capa da coletânea Ssa 001 (um clássico de 1992). Mas deixemos essa infelicidade pictórica pra lá e nos concentremos no que realmente interessa aqui: a música.

Egresso da cena noventista de Salvador, Paulinho iniciou sua carreira no rock com a Stone Bull, lendário power trio que aliava a excelência técnica do músico em questão, mais Lefê (no baixo) e Maurício Braga (bateria), com uma pegada hard rock quase metálica que marcou a todos os que tiveram a oportunidade de ver uma apresentação da banda. Tinha um vocalista também, Cú de Rã, um rapaz de visual Robertplantiano, garganta potente e inglês macarrônico, mas que não durou muito, então é melhor deixar isso pra lá.

Finda a Stone Bull, Paulinho ingressa na Cascadura, onde passou alguns anos, gravou um disco (o segundo, Entre!, com algumas músicas levando sua assinatura) e esmerilhou em cada show que tocou, guitarrista de primeira linha que sempre foi. Isso pra não falar dos seus trejeitos no palco. Ver Paulinho em cena - pelo menos nos tempos das suas duas ex-bandas - é como olhar fotos de Jimi Page em tamanho natural e com movimento: o cara aponta com o braço da guitarra pro alto, faz biquinho como se estivesse sem fôlego e gira o braço direito. O que é que a gente pode fazer com tamanho cara de pau? Admirá-lo, sem dúvida!

Em Um bom motivo, Paulinho dá plena vazão à sua proverbial excelência como músico e à sua velha obsessão, claramente exposta aqui, em reproduzir em disco a ambiência, o clima, o som dos anos 1970. Tudo aqui - menos à capa (ou não) - remete ao som e ao estilo daqueles anos. Com nove faixas, o CD parece que foi pensado como um disco de vinil (4 no lado A, 5 no lado B). Um LPzão de som cheio, encorpado, para ouvir em um velho três em um, a agulha chiando nas caixas.

Dizem por aí - e eu, como todo bom jornalista, prefiro essa versão - que Paulinho levou mais de um ano para terminar de gravar o disco, produzido em parceria com Tadeu Mascarenhas e Cândido Amarelo Neto. Diz que gravava ora uma guitarra num corredor (por causa de uma acústica específica), ora uma bateria num salão vazio - como John Bonham fez algumas vezes no Led Zeppelin, para dar ambiência - entre outras excentricidades. O resultado foi um disco de execução perfeita, majestosa, carregada de uma sonoridade que é ao mesmo tempo rica e enxuta, se é que é possível explicar assim.

A faixa de abertura, Quatro paredes, resume bem a proposta do disco como uma carta de intenções, com um vocal cheio de entrega e letra (de Glauber Moskabilly Carvalho) cheia de ambições: "olha / é preciso mais que força de vontade / nada / pode valer mais que a tua liberdade / anda / que é preciso mais que um ou dois refrões". Acrescente à isso um solo foderosíssimo, digno de um guitar hero, e temos um clássico instantâneo. Sonhos derretidos pelo sol, a segunda faixa, parece uma coisa que você ouviu no rádio em 1976, mas não lembra bem o que é (Peter Frampton? ELO?). Um dia perfeito (faixa 3) é Paulinho viajando bonito à la Brian Wilson, numa baladinha com direito à cordas e sopros. Comédia de erros (a 4ª) parece uma faixa de Bogary (e isso é um dos melhores elogios que eu consigo imaginar nesse mundo, hoje). E o disco segue nesse nível, sem cair, até...

Até as letras piegas das sétima e oitava faixas, Feita à mão e Talvez você estivesse aqui, respectivamente, quase pusessem tudo a perder. "No silêncio do seu quarto / já na hora de dormir / lá no fundo dos seus olhos / o encanto que me fez sorrir". Moska, meu filho, você é bem melhor que isso, que eu sei. Mas tudo bem.

Como todo álbum de estréia, Um bom motivo ainda mostra um músico em busca da sua voz, do seu estilo próprio, da sua identidade como artista. O disco como um todo se ressente um pouco disso, dividido entre as letras muito características de Moska e Fábio Cascadura. É impossível ouvir Amanhã é outro dia e não identificar nela o autor de Retribuição (Fábio), por exemplo. Um bom motivo são nove canções em busca de um autor. Essa etapa, esse disco cumpriu muito, muito bem. Quero pagar para ver os próximos agora, por que sei que vem coisa muito melhor aí.
Mas no cômputo geral (nove faixas, todas legais, menos duas letras piegas), o disco fecha tão bem que só me resta colocá-lo lá, no posto de Melhores do Ano, ao lado do já citado Bogary.

UM BOM MOTIVO se encontra à venda no estúdio de Álvaro Tattoo, na loja Pérola Negra (Canela e Itaigara) e na Flashpoint do Shopping Barra.

http://www.paulinholiveira.com/

http://www.fotolog.com/paulinholiveira/

http://www.myspace.com/paulinholiveira


PARCERIA RETOMADA
A Liga "ligeiramente cômica" de Keith Giffen, J. M. de Matteis e Kevin Maguire, que marcou época nos anos '80, retorna à bancas com "Não acredito que não é a Liga da Justiça" e "Defensores", primeiro trabalho do trio para a Marvel

Quem lia quadrinhos na segunda metade da década de 80 deve lembrar das aventuras da Liga da Justiça Internacional na revista de mesmo nome da DC Comics, publicada aqui em título próprio pela Editora Abril. A Liga Cômica, como é conhecida hoje, ficou famosa na época por ser uma completa avacalhação com o gênero de super heróis, pela editora que lançou o gênero (com a icônica Action Comics nº 1), usando vários de seus heróis mais famosos, como o Batman, a Mulher Maravilha e o Capitão Marvel (o Shazam). O segredo era receita preparada pelos roteiros bem amarrados de Keith Giffen, os diálogos cretinos de J. M. de Matteis e os desenhos limpos de Kevin Maguire (um mestre das expressões faciais e mulheres gostosas). Por algumas dezenas de números, acompanhamos as muitas gaiatices da dupla Besouro Azul e Gladiador Dourado, as bravatas do Lanterna Verde Guy Gardner, o vício em biscoitos Oreo de Ajax, o Caçador de Marte, e até mesmo uma heroína brasileira com sua típica pose de sirigaita, Fogo, entre outros inúmeros heróis e vilões "ligeiramente cômicos", como os autores gostam de frisar. Um verdadeiro alívio cômico numa época em que super-herói era sinônimo dos sujeitos amargurados, violentos e sombrios, à moda Dark Knight (Cavaleiro das Trevas de Frank Miller). À quem leu essas preciosas revistinhas (pois Sandman não era tudo o que havia naquele período, tenham certeza) comunico que Salvador, por uma questão de distribuição atrasada, está com duas edições de retorno dessa equipe de criação em bancas, nesse exato momento. Uma se chama "Eu não acredito que não é a Liga da Justiça", minissérie em cinco edições lançada pela Panini em um único número da revista DC Especial. Trata-se de uma continuação da primeira minissérie de retorno da Liga Cômica, "Já fomos a Liga da Justiça", lançada em três edições no ano passado. Engraçadíssima como sempre, Eu não acredito..., contudo, deixa um gostinho amargo na boca de fanboys nerds (como eu), já que três dos personagens aqui apresentados morreram recentemente na cronologia oficial, dois deles essenciais no grupo, durante os eventos mostrados nas sagas Crise de Identidade (essa é do caralho, inclusive) e Contagem Regressiva para a Crise Infinita. É um adeus muito bacana e muito divertido, apesar disso. Vale bastante a compra. Assim como também vale a última edição da revista Marvel Apresenta, que traz completo o primeiro trabalho do trio para a "Casa das Idéias", uma minissérie em quatro edições d?Os Defensores, aquele grupo das antigas que reunia, numa improbabilíssima formação inicial, Doutor Estranho, Surfista Prateado, Hulk e Namor, o Príncipe Submarino. Eu lembro de algumas histórias bem bacanas do Roy Thomas com desenhos de Sal Buscema, nos anos 70. Para resumir a versão de Giffen, basta dizer que nela, o sempre amargurado e poético Surfista tenta descobrir o sentido da vida com uma galera de... surfistas vagabundos, que acabam adotando-o como uma espécie de guru, e David Banner, o Hulk, pergunta para o Namor se ele já "encontrou o Nemo". Ambas as revistas estão numa banca perto de você nesse exato momento e valem muito a pena serem lidas. Com a Liga Cômica aparentemente destituída da sua razão de ser, só nos resta esperar que Giffen, de Matteis e Maguire tenham encontrado sua nova casa na editora do Homem Aranha. O que não falta na Marvel é piada pronta esperando para ser contada.

"GARAGE BAND" - Depois da Faculdade do Rock lançada pela Unisinos (RS), fartamente noticiada pela imprensa na semana passada, eu me toquei de que não podia deixar de comentar a última da burguesia baiana. Os novos prédios de padrão alto luxo, lançados pelas construtoras locais vendidos nos reclames da TV, agora trazem um novo mimo para deleite de seus ricos compradores - além da sauna, da piscina, do spa, do cinema, da churrascaria, do espaço gourmet e da quadra de squash - um novo espaço denominado "garage band". Eu não vou me alongar muito porque seria até covardia, e espancar canídeo falecido não é um esporte digno de um cavalheiro como eu. Só deixo aqui um único pensamento para atormentar as pobres almas rockeiras que freqüentam este espaço, qual ectoplasmas penados que somos: é ou não é para ter medo da nova geração de bandas de pagode playboy que vão nascer de tão confortáveis recantos?

AGENDÂO

DOIS ANOS E MEIO DE LOCURA QUASE MANSA - Com Os Maicols & Disk Jóckeys do Rock Loco. Sábado, 18 de novembro, 23h. R$ 10,00.

MIRABOLIX, Nash e Pessoas Invisíveis - Quando: 18 de Novembro(Sábado). Horário: 21 horas. Local: The Dubliners' Irish Pub. Endereço: Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra (no térreo do Hotel Barra Turismo). Ingresso: R$ 10,00 , com direito a 2 bebidas (cerveja, água ou refrigerante).

Capitão Parafina e Convidados - O melhor da surf Music com uma das bandas mais divertidas de Salvador dOMINGO, 19, Horário:18h Ingresso:R$10,00 Casa da Dinha (Lg da Dinha - Rio Vermelho). Apoio: Se Ligue , Agô produções

Todas as Terças de Novembro - Alvaro Assmar - Agora o fiel público de Blues já tem um encontro marcado todas às terças feiras de Novembro com o Bluesman Alvaro Assmar Depois de lançar quatro CDs ao longo de vinte anos de carreira profissional e dez de carreira solo, o pioneiro do blues na Bahia, investe agora no projeto Caixa Acústica. Bond CantoT(ravessa Lídio Mesquita - Nº51) Horário : 21:00hs. Ingresso:10,00

terça-feira, novembro 07, 2006

NATUREZA HUMANA MORTA VIVA

Os Mortos Vivos: série da Image Comics é instigante jornada natureza humana adentro e além

Escreva o que estou dizendo: depois de George Romero, que afinal de contas, é o pai da matéria, Robert Kikman, o autor dessa sensacional série em quadrinhos da Image Comics, é o cara que mais saca de zumbis de todos os tempos. Ele foi provavelmente o único que pegou o bastão das mãos do mestre e se dispôs a leva-lo adiante da forma como ele preconizou desde A Noite dos Mortos Vivos (1968): não apenas como um festival de canibalismo, sangue espirrando e vísceras espalhadas por todo o lado, mas principalmente como uma grande alegoria crítica sobre o american way of life. O que acontece com os americanos quando as TVs param de transmitir jogos de beisebol, o comércio está fechado, as cidades são sitiadas e o seu amigável vizinho da casa ao lado resolve que, em vez do tradicional barbecue, ele quer mesmo é te comer vivo?

O que pode ser mais simbólico em relação à era em que vivemos do que zumbis mortos vivos perambulando pelas ruas da cidade e corredores de shopping centers, toscamente reproduzindo, de forma automática, as tarefas que desempenhavam em vida, como vimos em Despertar dos mortos (1978) e seu remake, Madrugada dos mortos (2004)?

Em Dias Passados (primeiro volume da série), essas respostas vêm aos poucos, enquanto acompanhamos o personagem principal e fio condutor da trama, o policial Rick Grimes, acordar de um coma em um hospital deserto (Extermínio, de Danny Boyle, alguém?). Logo, Grimes percebe que está cercado por zumbis canibais e trata de correr para sua casa, apenas para descobrir que está vazia.

Encontrando um humano aqui, outro acolá, o tira acaba conseguindo encontrar sua mulher e o filho pequeno sãos e salvos num acampamento de refugiados fora dos limites da cidade. Até então dado como morto, Grimes cai de pára-quedas numa situação que parecia bastante estável para seu velho amigo Shane, que foi quem salvou sua esposa e filho. E aí é que a história começa de verdade.

Kirkman, que parece ser também um bom discípulo de Brian Michael Bendis (Alias, Novos Vingadores, Homem Aranha Millenium), soube jogar muito bem com os efeitos que essa situação totalmente adversa causa nesse pequeno grupo de pessoas que só quer sobreviver. Como era de se esperar, as faíscas não tardam saltar dos pequenos atritos, e o clima, que já não era muito bom, só fica mais tenso a cada virada de página.

Grimes quer levar o acampamento para outro lugar mais isolado, pois os zumbis estão aparecendo cada vez mais. Shane quer continuar no mesmo local, pois acredita que em breve, tropas do governo virão resgatá-los e, isolados, eles não serão salvos logo. Uma disputa pelo posto de "macho alfa" do acampamento fica evidente. E os zumbis que volta e meia aparecem perambulando pelo acampamento tornam tudo ainda mais difícil e perigoso.

A arte em P&B e tons de cinza de Tony Moore só enaltece o texto de Kirkman e o clima pesado da história, com uma narrativa visual fluente, excelente caracterização e um estilo quase cartunesco, mas que, em momento algum, parece caricatural. É de se pensar se, em cores vibrantes, as cenas de zumbis não teriam mais impacto (vermelho sangue sempre é legal), mas do jeito que está, já tá muito bacana.

Mesmo que você não goste muito desse lance de zumbis, é bem possível que ainda curta Os Mortos-vivos: Dias passados, pois na verdade, eles nem são o tema central aqui. O tema é sobrevivência, as mudanças pelas quais as pessoas passam, quando submetidas a situações extremas, o que acontece com elas. Como disse o próprio autor na apresentação desse volume, "o foco aqui são os personagens. O caminho percorrido por eles é mais importante do que alcançar seu destino".

Se Kirkman e o desenhista Tony Moore mantiverem o nível desse primeiro encadernado, vai ser um puta caminho divertido de percorrer (para os leitores, claro). Estou nessa até o fim (e quem sabe, até depois dele! Toc, toc, toc.).

O volume dois, Caminhos trilhados, acaba de ser lançado e deve chegar às livrarias em breve. A nova edição conta com novo desenhista, Charlie Adlard, e posfácio de Simon Pegg, aquele ator e roteirista de Todo mundo quase morto - filme já exaustivamente recomendado por aqui - e que também escreveu o prefácio de Chosen. Fominha, o rapaz.

Aqui em Salvador, as caprichadas edições da HQM Editora podem ser encontradas na Siciliano (Iguatemi e Shopping Barra) e na Galeria do Livro (Boulevard 161).

OS MORTOS-VIVOS - VOLUME UM - DIAS PASSADOS
HQM Editora / Image Comics
R$ 27,90 - Edição especial Formato americano - 140 páginas
Roteiro: Robert Kirkman. Arte, arte-final e tons de cinza: Tony Moore. Tons de cinza adicionais: Cliff Rathburn.



DOIS ANOS E MEIO DE LOCURA QUASE MANSA - Sabe aquela coisa de não contrariar quem tá (ou é) dodói, Loco? Pois então, depois de muito insistirmos com nossos médicos, eles concordaram em diminuir a dosagem nas nossas medicações tarja preta para podermos discotecar um pouco no próximo dia 18 (sábado), numa festinha com Os Maicols, na Casa da Dinha. Desfeito o véu de sossega leão que nos turvava o juízo, eis nos aqui, prontos fazer você balançar as cadeiras (ou morrer de raiva, um dos dois), com nosso apurado e sofisticado repertório. A festa também servirá para comemorarmos os quase três anos de Rock Loco, desde o programa na rádio comunitária Primavera FM (hoje extinta), passando por este blog e os Phodcasts. Até agora estão previstos sets completos e integrais de Mário Jorge, Don Jorge, Sora Maia, Osvaldo Brama e Franchico (é, ieu). Fora o espetáculo sonoro, visual, olfativo e sim, táctil (!), que é um show dos Maicols! Então o negócio é o seguinte: ou o assoalho da Casa da Dinha racha dessa vez, ou meu nome não é Epaminondas Vergueiro! Ó, você que sabe, viu! Só te digo mais uma coisa: não tem camisa colorida e nem vende ingresso no Pida! Serviço mais abaixo, na agenda.

NINGUÉM SEGURA ESSA FAMÍLIA - Não, não é a Família Soprano, tampouco a Família Dó-Ré-Mi. Depois de aparecer na Rolling Stone (ainda como Zecacurydamm), gravar um sensacional Phodcast Em Transe Rock Loco (o píncaro da glória!, breve no ar) e vender cerca de duas mil cópias do seu EP demo, a Formidável Família Musical vai fazer um showzinho gratuito de despedida da temporada de Sessões da Primavera na Mídia Louca (porra, pensei que essa frase nunca fosse terminar), HOJE. Depois desse show, Zeca, Cury, Damm & cia partem para seu santuário espiritual, o Vale do Capão, onde gravarão o primeiro disco. Sabe como é, o lugar tem aquele astral e pá... cada um com sua onda. O debut será produzido pelo chileno Jorge Solovera, músico largamente conhecido no meio. Promete. Recomendo ir ao show quem ainda não viu, quem já viu e quem já vai ficar com saudade. Serviço mais abaixo, na agenda.

MONDO 77, ANO 1 - Pública, do Rio Grande do Sul, o paulistano Banzé! e o Ludov (sim, aquele), farão a festa de um ano do selo campineiro Mondo 77 num barzinho em SP. O Mondo é um selo alternativo bem bacana, que já chegou lançando três CDs de uma vez, das bandas Walverdes (Playback, tranqüilamente, o melhor dos três), The Violentures (RJ, surf music) e Banzé!. Agora aparece lançando a tal banda gaúcha e contratando o Ludov, que não durou na Deck Disc. Corajosa, essa galera. Tomara que dure mais uns dez anos, no mínimo.


AGENDÃO

DOIS ANOS E MEIO DE LOCURA QUASE MANSA - Com Os Maicols & Disk Jóckeys do Rock Loco. Sábado, 18 de novembro, 23h. R$ 10,00.

Despedida Sessões da Primavera - Quem: Formidável Família Musical. Quando: 07/11/2006 (HOJE, terça-feira), a partir das 19 horas. Onde: MidiaLouca (Rua Fonte do Boi, nº 10 ? Rio Vermelho. Tel.: 3334-2077). Quanto: entrada gratuita.

MIRABOLIX, Nash e Pessoas Invisíveis - Quando: 18 de Novembro(Sábado). Horário: 21 horas. Local: The Dubliners' Irish Pub. Endereço: Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra (no térreo do Hotel Barra Turismo). Ingresso: R$ 10,00 , com direito a 2 bebidas (cerveja, água ou refrigerante).

Festinha em Quadrinhos na Feira de São Joaquim. ATRAÇÕES: DJ POHA (23 à 01h), RETROFOGUETES (01 às 02h:30), CAXERÊ - Itinerante Percussivo (02:30 às 03h), DJ FELIPE VENÂNCIO ? SP (03 às 05h), DJ NAZCA (05 às 07h), CLASSIFICAÇÃO 18 ANOS!!! 11 de novembro, sábado, na Fazenda Portão - Praia de Buraquinho em Lauro de Freitas - BA. INGRESSOS Antecipado = R$ 30,00 A partir de 09 de novembro = R$ 40,00 INGRESSOS DELIVERY* Ligue para o tel. 3240-9293 e faça o seu pedido dando o endereço para a entrega. *A partir de 5 ingressos a entrega será gratuita somente pelo tel. 8155-4496. INFORMAÇÕES: festinhaemquadrinhos@gmail.com ou 8155-4496