terça-feira, setembro 01, 2009

MICRO-RESENHAS OU MICRORRESENHAS? CARTAS PARA A REDAÇÃO

A (volta da) cueca por cima

Com seu nome quilométrico, o Capitão Cometo & Os Formidáveis Ladrões... é uma das novidades do rock local. Trata-se de uma brincadeira do videomaker Rodrigo Luna e outros membros de bandas. O primeiro registro é este EP com cinco faixas, incluindo os hits No Cuzinho e Ela Disse. Divertido, mas, como toda piada, corre o risco de perder a graça depois de algumas audições. Risco este assumido na cara de pau mesmo, como deve ser.
Colesterol Sessions
Capitão Cometo & Os Formidáveis Ladrões de Parafina da Terra do Nunca Extreme
Independente
Preço não divulgado
www.myspace.com/capitaocometo


Deuses do metal

Uma das bandas mais representativas do heavy metal clássico, a Judas Priest está com novo CD ao vivo na praça. Em onze faixas, o grupo liderado pelo vocalista Rob Halford esbanja peso, riffs oitavados e solos dobrados de guitarra (marca registrada da dupla Glenn Tipton e K.K. Downing). O repertório privilegia canções de álbuns mais recentes, como Death e Prophecy (ambas de Nostradamus, último CD). A clássica Painkiller fecha o pacote.
A Touch of Evil Live
Judas Priest
Sony Music
R$ 24,90
www.judaspriest.com


Os apuros de um banana

Segundo volume da premiada série infanto-juvenil Diário de um banana, Rodrick é o cara traz as novas agruras sofridas pelo garoto Greg Heffley, que relata tudo em primeira pessoa, no diário do título. Depois de Harry Potter, esta série do escritor e desenhista americano Jeff Kinney se constituiu no maior sucesso do mercado de literatura infanto-juvenil, atingindo 70 milhões de leitores no mundo inteiro. O que talvez seja o principal atrativo do Diário de um banana é que aqui os personagens, ao invés de enfadonhos aprendizes de feiticeiros britânicos, são crianças normais, que têm de lidar com uma rotina escolar de tarefas de casa, aulas de ginástica e bullying (suavizado), tudo sempre com um senso de humor ligeiramente sarcástico, com ritmo de sitcom de boa qualidade, na linha de Everybody Hates Chris. Não a toa, um filme já está sendo produzido em Hollywood, para capitalizar nas telonas o sucesso entre os leitores. Em Rodrick é o cara, o menino Greg tem de rebolar para se safar do seu irmão mais velho, que descobriu um fato extremamente constrangedor sobre ele, ocorrido no verão passado. Humor e diversão para crianças de 8 a 80 anos.
Diário de um banana - Rodrick é o cara
Jeff Kinney
V & R Editora
224 p. | R$ 32,90
www.livropresente.com


Lounge que não compromete

O quarteto Trash Pour 4 trafega pelo pantanoso terreno do ultracool, aquele que conjuga música pop com qualquer coisa que remeta a uma certa atitude fashion – incluindo, claro, os horripilantes óculos abelhão que se espalharam como uma praga por todo o mundo que, até então, ainda se supunha civilizado. Apesar dos riscos envolvidos, Something Stupid, terceiro CD do grupo, não chega a comprometer ao misturar covers razoavelmente interessantes com material autoral que, se não reinventa a roda, também não chega a fazer feio. O CD abre com uma dispensável versão de Babalu (famosa com Bola de Nieve), mas ganha fôlego com a divertida releitura para a obscura canção italiana Ci Reprova la Bossa Nova (de Eydie Gorme). Outros destaques são a singeleza alcançada em If I Fell (Lennon & McCartney), na faixa-título (sucesso nas vozes de Nancy e Frank Sinatra) e If I Were a Rich Man (do musical Um Violinista no Telhado). Há ainda a curiosa Delírio, Meu, do repertório do Grupo Rumo. Média 5, passou.
Something Stupid
Trash Pour 4
MCD
R$ 19,90
www.mcd.com.br/trash


Registro histórico de Cat


Folk rock, soft rock, não importa. Nos anos 70, Cat Stevens era o nome que importava quando se falava em rock acústico bom para tocar no rádio. Boa parte dessa moral foi angariada após o lançamento do álbum Tea For The Tillerman (1970), seu segundo disco. Foi dele que saíram hits ainda hoje lembrados por cantores de barzinho ou em rodinhas de violão como Wild World, Father and Son, On The Road To Find Out e Hard Headed Woman. A pegada suave da sua voz doce com o dedilhado delicado do seu violão fizeram a alegria da juventude paz & amor. Poucos meses após o lançamento de Tillerman, Stevens viajou aos Estados Unidos em turnê para uma série de shows. Em Los Angeles, gravou uma apresentação curta com sua banda nos estúdios da rádio KCET. É esta apresentação que chega agora em DVD, trazendo Stevens no melhor da sua forma, interpretando algumas de suas composições mais significativas, como as já citadas e outras, como Moonshadow, Longer Boats e Where do The Children Play?. Poucos anos depois, esgotado pelos excessos da vida de pop star, renunciou à música e converteu-se ao islamismo, adotando o nome de Yusuf Islam. Só em 2006, retornou aos palcos e estúdios. Mesmo que não o fizesse, já tinha dado seu (belo) recado.
Tea for the Tillerman Live
Cat Stevens
Coqueiro Verde
R$ 29,90
www.catstevens.com


Tchekhov em quadrinhos

No Brasil, o escritor russo Anton Tchekhov costuma estar mais associado ao teatro. Autor de textos antológicos diversas vezes montados País afora, como A Gaivota, Tio Vânia e O Jardim das Cerejeiras, ele tem agora uma pequena seleção de contos vertidos para a linguagem dos quadrinhos, através da adaptação de Ronaldo Antonelli (roteiro) e Francisco Vilachã (arte). São cinco contos: Aniuta, O investigador, A revelação, O infrator e A aposta. Em todos, prevalece o estilo introspectivo do russo, um humanista tristonho, de pouca fé na humanidade – um sábio realista, portanto. Um exemplo claro está em A revelação, no qual um homem rico de meia idade, por acaso, descobre ter uma insuspeitada veia artística. A princípio maravilhado com sua habilidade, ele vai aos poucos perdendo o deslumbre, quando lembra-se da vida dura que costumam ter os artistas – até desistir por completo de se expressar. Para todas as idades.
Contos de Tchekhov
Tchekhov / Antonelli / Vilachã
Escala Educacional
64 p. | R$ 23,90
www.escalaeducacional.com.br


Clássicos da infâmia de volta em show arrasador

A banda que soltou mil bombas de cuspe e desprezo sobre o Palácio de Buckingham – e ajudou a libertar a música pop do virtuosismo masturbatório do rock progressivo – comemorou os trinta anos do seu primeiro álbum (Never Mind The Bollocks, 1977) com uma sequência de cinco shows arrasadores na Brixton Academy de Londres, em novembro de 2007. Um desses shows está na íntegra aqui, neste DVD que só agora chega ao mercado brasileiro, mais uma vez dirigido por Julien Temple – que assinou outros dois filmes com a banda: The Great Rock ‘n‘ Roll Swindle (1980) e O Lixo e a Fúria (2000). Já meio velhuscos, mas ainda com fogo nos olhos, Johnny Rotten & Cia fazem um show redondinho, com o peso e a raiva que os caracterizaram desde o início, em 1975. Estão aqui todos os hits: Pretty Vacant (que abre o show), Holydays in The Sun, Problems, Liar, God Save The Queen, Anarchy in The U.K. e o tradicional cover de No Fun (The Stooges). A plateia é um show a parte, com os punks de primeira hora, já cinquentões, enlouquecendo no meio da garotada. Uma celebração punk.
There‘ll Always Be An England
Sex Pistols
Coqueiro Verde
R$ 39
www.sexpistolsofficial.com


A cartilha da boemia pelo homem que a criou

Nelson Gonçalves foi o crooner definitivo da música popular brasileira. Foi o homem que levou ao paroxismo o conceito de cantor romântico à moda antiga, de vozeirão talhado no rádio, nos bailes e na noite. Machão até o último fio de cabelo e detentor do dó de peito (um termo errôneo do ponto de vista técnico, mas cheio de significado) mais arrepiante da MPB, Nelsão – com o perdão da intimidade – conheceu a glória e a riqueza na sua longa trajetória, mas também desceu por um poço sem fundo ao se viciar em cocaína. Neste DVD estão reunidas basicamente todas – ou pelo menos, as mais importantes – aparições de Nelson na Globo, com o especial Nelson Gonçalves - 40 Anos (1981), comemorando seus 40 anos de carreira, mais diversos clipes produzidos para o Fantástico nos anos 70 e 80 e aparições no programa Globo de Ouro. Entre este clipes há diversos duetos belíssimos, como Lembranças (com Martinho da Vila), Louco (com Alcione) e A Última Estrofe (com Orlando Silva). Nos extras, um incrível depoimento de 15 minutos onde ele conta como entrou e saiu do vício maldito. A arte da boemia ensinada pelo seu maior mestre.
Eternamente Nelson
Nelson Goncalves
Sony Music
R$ 39,90
www.sonymusic.com.br


O tal do “pop adulto“

A Dave Matthews Band é a representação mais significativa dentro do subgênero conhecido nos Estados Unidos como “adult pop“. Uma contradição em termos, claro, mas os ianques são muito bons nisso, como se sabe. Neste novo CD, o grupo liderado pelo sul-africano naturalizado americano Dave Matthews homenageia o saxofonista da banda, LeRoi Moore, morto em 2008. É dele o solo de sax que está na faixa de abertura, Grux, que era também seu apelido. Fãs do estilo “adulto“ de Matthews deverão gostar de mais este álbum onde ele continua fazendo aquele típico som dirigido para trintões e quarentões que não se limitam aos Dire Straits e Pink Floyds da vida. Em que pesem as composições bem estruturadas e a execução extremamente profissional das canções – o baterista Carter Beauford é sem dúvida, um dos melhores do mundo – o disco soa, como bem notou o resenhista da revista inglesa Uncut, como “o Counting Crows com Sting no vocal“. Ou seja: um pesadelo para roqueiros de estirpe. Mas quem já gosta deve curtir mais este.
Big Whiskey
Dave Matthews Band
Sony Music
R$ 29,90
www.davematthewsband.com

17 comentários:

Franchico disse...

É verdade. A Disney Company comprou a Marvel. Em breve, teremos embates avassaladores nos quadrinhos, desenhos animados e cinema, como Vingadores X Escoteiros Mirins, Capitão América X Superpateta, além do mais esperado de todos, claro: Wolverine X Pato Donald. Um combate de dois titãs baixinhos de temperamento esquentado.

Brincadeiras a parte, leiam a ponderada análise do Omelete sobre o assunto:

http://www.omelete.com.br/quad/100021859/Disney_compra_a_Marvel.aspx

osvaldo disse...

O There Always Be An England dos Pistols mostra que o punk morreu sim, e ao contrario de quem só leu o parcialissimo e restrito Mate-me Por Favor, demonstra que o punk rock so juntou todos seus ingredientes e aconteceu de fato com o divisor de aguas Never Mind The Bollocks.Alias, o rock nunca mais foi o mesmo depois do Nevermind ... The Bollocks( ironias do Nirvana a parte), as implicações duram até hoje, e nada nunca mais foi como antes.De hilario o tour pela Londres de hoje com o impagavel Johnny Rotten.Lydon foi e é um dos maiores artistas de todos os tempos.

Franchico disse...

A quem interessar possa...

Pianista faz show gratuito no Teatro Acbeu

Quinta-feira (3), às 20 horas, a pianista Heloísa Fernandes lança seu CD, Candeias, com apresentação gratuita no Teatro Acbeu. Acompanhada pelo baixista Zeca Assumpção e o percussionista Ari Colares, Heloísa faz uma releitura das melodias coletadas por Mário de Andrade em suas missões folclóricas, na década de 40. “Me encantei com um livro que reúne 570 melodias da cultura popular compiladas por Mário e outros pesquisadores. Pesquisei a fundo e as composições beberam muito nessa fonte“, conta. Feliz com o resultado, ela espera que outros pesquisadores aproveitem e se debruçem sobre os arquivos compilados por Mário de Andrade.

Nei Bahia disse...

".....Lydon foi e é um dos maiores artistas de todos os tempos..."

Bramz, largue as drogas!!!!!

Franchico disse...

Big Brother, meu filho, cadê vc?

Se estiver lendo isso, please, entre em contato comigo!

Franchico disse...

A quem interessar etc etc

24 Horas de HQ tem inscrições abertas

O evento 24 Horas de Quadrinhos, organizada pela comic shop RV Cultura & Arte está marcado para acontecer em Salvador no próximo dia 3 de outubro, com diversas novidades e premiações oferecidas pela editora Devir. As inscrições saem por R$ 15 e estão abertas na própria RV (3347- 4929) ou no blog rvculturaearte.wordpress.com até o dia 25. Haverá ainda atividades paralelas, como a palestra do professor da Ufba Gabriel Lopes Pontes e Encontro de Fanzines e HQs Independentes.

humberto disse...

não é porque não gostamos de um artista é que faz que ele não tenha importancia merecida no contexto da cultura. gosto pessoal é uma coisa pessoal e só e não determina nada. e para quem pensa que o rock na Bahia começou com cascadura, dead billies e brincando deus acesse o site Coveiros do Cover

http://coveirosdocover.blogspot.com/

osvaldo disse...

Nei, Lydon nao so foi o verdadeiro espirito dos pistols,com seu discurso de ruptura ao status quo do rock, dando uma autenticidade nao planejada e indesejada ao masterplan do svengali malcolm mclaren.depois com o pil faz uma ruptura mais radical com conceitos musicais do rock, o tal do pos-punk. aos adeptos de galvao bueno ( eu ja sabia!) por favor observem o contexto, "hindsights", neste caso, sao dispensaveis. o cara 'e um monstro.

Franchico disse...

Caro Humberto-to-to-to! Aqui não é um túnel-el-el-el-el!.... Pode falar sem fazer eco-co-co-co-co!...

Ivana Vivas disse...

Meus amigos do "capitão parafina etc".... que me desculpem. Gosto muito deles... mas...
Acho que a graça nem existe.
Não sei se eu sou sem graça.... mas eu fiquei muito com "sinto vergonha alheia" de vê-los no Bahia Meio-dia.


Ivana Vivas

Franchico disse...

Penélope Cruz de espartilho. Para começar bem o dia.

http://www.omelete.com.br/cine/100021912/Novas_fotos_de_Nine_incluem_Penelope_Cruz_de_espartilho.aspx

On The Rocks disse...

antes os pistols velhinhos do que certas "great bands" que estão por aí...

nelsão é foda! vou correr atrás do dvd.

no mais, fico por aqui bebendo minha cerva em paz comigo mesmo...

abs

teclas pretas disse...

moçada, disco excelente!

http://blog.rhapsody.com/1546622_500x500.jpg

GLAUBER

Ivana Vivas disse...

Capitão parafina não.. "capitão cometo"... o nome é confuso e me confundiu. rs

Ivana

Ernesto Ribeiro disse...

Imperdoável que os Sex Pistols nunca tenham cumprido a obrigação básica, mínima, essencial de lançar TODAS as gravações deles de estúdio em 3 albums (um só de covers) e pelo menos 3 filmes-shows de 1976 / 1977 e um album duplo ao vivo daquela época.


Sempre mantendo a formação verdadeira, com Glen Matlock
, o homem que tornou o punk pop, com as melodias dele ao mesmo tempo entre Paul McCartney e John Cale.
3 baixistas / compositores. Coincidência?


A parte mais brilhante no DVD dos Pistols são os EXTRAS: os punks cinquentões revisitando as casas onde cresceram; John Lydon comovente apontando o dedo para cima e criticando a nova sede do time de futebol Arsenal ("Dei minha vida por vocês, e o que recebo em troca??? Um canhão velho virado na direção errada!!!" ) e se dirigindo a estranhos nas ruas para relatar seus traumas de infância no colégio católico, onde era espancado pelas freiras por ser canhoto; Glen Matlock perambulando á noite pelas ruas de Londres cantarolando os versos de "Anarchy in The UK" (de que antes ele renegava a primeira rima) e revelando que tinha um amigo em comum com Johnny Rotten: Sid Vicious, e tocou com ele na banda The Vicious White Kids; Steve Jones de óculos de grau lembrando a infância miserável em TODOS os sentidos, inclusive emocional, sendo rejeitado pela família; Paul Cook relatando a pré-História dos Sex Pistols, quando ainda se chamavam Swankers, tocavam uma canção chamada "Scarface" e faziam um rodízio de vocalistas que incluía o seminal jornalista Nick Kent.


Além, é claro, do histórico Passeio de Ônibus com Johnny Rotten: uma aula obrigatória de Arquitetura e Urbanismo misturada com História, Sociologia, Política e Filosofia Humanista.


BRAVO! A Banda Mais Revolucionária de Todos os Tempos continua tão atual e antenada com sempre, a ainda é a Melhor Banda do Mundo.

Ernesto Ribeiro disse...

Quanto á Marvel, as falências múltiplas da ex-Casa das Idéias já deixa uma fila de compradores: alguns dos proprietários da Marvel inclui a gigante de cosméticos Revlon, a Warner Bros, um grupo israelense e agora a humilhação máxima de ser propriedade da Disney.


Ah, sim: melhor que o confronto entre Pato Donald e Wolverine é a imagem que veio á cabeça de todos ao anunciarem o negócio fechado: Mickey Mouse ficando verde e se transformando num monstro estúpido, furioso e irracional chamado Hulk.


Sinal (fechado) dos tempos...

Ernesto Ribeiro disse...

osvaldo, com todo o respeito, acho que a essa altura do campeonato só você ainda acredita que o algo "morreu" em pleno show desse mesmo "algo" e ainda é ingênuo para acreditar que malcolm mclaren era algum "svengali" com um "masterplan".

sabe quem foi Svengali?

MM era bem ao contrário dele: não sustentava, mas parasitava.

Quando um adolescente bêbado falou um monte de palavrões na TV a um velho bêbado que ele acabou de conhecer, McLaren dizia que "era tudo parte do plano... tinha planejado tuuuudo isso 15 anos antes..."

na moral, só um povo MUITO otário como brasileiro pra engolir uma merda dessas.