sábado, setembro 06, 2014

MICRO-RESENHAS ATRASADAS, MAS VAMOS LÁ

Dor e prazer no dez

A Declinium é uma daquelas bandas que nos deixam pensando: por que isso não é um mega sucesso popular? Até voz de Renato Russo o vocalista Orêah tem. Dane-se, quem for esperto que chegue junto. Lindas canções plenas de dor e prazer. Declinium / Marte / Brechó - Big Bross / R$ 10








 
Será que foi o pessoal do black metal?

O jovem e premiado autor norueguês Heivoll conta aqui a história de uma série de incêndios criminosos que aterrorizaram a vila em que nasceu. Ao  mesmo tempo, versa sobre o próprio ato de escrever, a fragilidade da vida e o papel da palavra. Estreia brasileira de um dos autores jovens mais cultuados na Europa. Antes que eu queime / Gaute Heivoll / L&PM/ 256 p./ R$ 42/ lpm.com.br

 





Eflúvios psicodélicos e certo romantismo

Interessante EP da banda local Andaluz, que passeia entre os eflúvios psicodélicos floydianos com um toque de MPB e um certo romantismo – mas com dignidade. Uma proposta original, vale ver se vinga. Andaluz / Troque uma peça de lugar / Independente / Download gratuito: www.soundcloud.com/andaluz-banda







Complexo de deuses do rock

O complexo de dinossauro atacou o power trio Muse, outrora uma grande banda – enquanto ainda era pequena. Neste DVD ao vivo, toda a megalomania overproduzida de uma banda que se agigantou, perdendo de vista o que a tornava especial. Muse / Live At Rome Olympic Stadium / Warner / CD + DVD: R$ 62,90

 






 
Essa baixinha só pensa naquilo

A diminuta (1,57 m) deusa sexy do pop Kylie Minogue (bocão!) volta com CD de inéditas, cinco anos após Aphrodite (2010). Ela ainda só pensa naquilo (Les Sex, Sexercize e Sexy Love são alguns títulos). Mas é honesta, diferente da ridícula Lady Gaga, que insiste em posar de artista avant garde. Som de festa. Kylie Minogue / Kiss Me Once / Warner / R$ 24,90

 





 
O bardo com olhos de mangá

Comédia romântica com fartas doses de fantasia e atmosfera onírica, o Sonho... de Shakespeare ganha o traço mangá da ilustradora Kate Brown. Claro que não substitui o original, mas pode ser um bom ponto de partida para a molecada descobrir o bardo de Stratford-upon-Avon. Sonho de uma noite de verão / William Shakespeare e Kate Brown / Galera / 216 p. / R$ 28 / www.galerarecord.com.br

 




Elas sempre terão Paris

Comumente apontado como um dos maiores contistas de todos os tempos, Guy de Maupassant (1850-1893) faz desfilar neste volume um elenco de mulheres: apaixonadas, adúlteras, submissas – sempre em busca do amor. Uma aventura parisiense e outros contos de amor / Guy de Maupassant / Penguin - Companhia / 128 p. / R$ 14,90 / E-book: R$ 10,90 / www.companhiadasletras.com.br

 




Isaac, vamos ouvir esse rock

Nas horas vagas, o  senhor Isaac Fiterman solta os bichos com sua banda, Professor Doidão &Os Aloprados. Raul Seixas style, duvida da própria sanidade e avisa: Eu Quero Gozar! Quem não? Professor Doidão & Os Aloprados / Quero Reunir Os Meus Mundos / Independente / R$ 10 / Baixe gratuito: www.soundcloud.com/professordoidao

 





 
Sacudindo Alagoinhas

O power trio de Alagoinhas Inventura estreia (e bem) com álbum cheio: 13 faixas de um rock veloz e com letras em português. As influências parecem  óbvias: Strokes, QOTSA, Los Hermanos. Divertido, pesado e sacudido. Inventura / Inventura / Independente / R$ 15 / www.facebook.com/inventurarock









Pretty fly (for a white guy)

Apesar de ser paulista, a banda Gu Siqueira & Offbeat queria mesmo era ser baiana. Cantam – de forma que soa irônica, mas é reverente – Caymmi, Filhos de Gandhy etc. Inclui cover afrobeat de Nega do Cabelo Duro. Vá, mas não me chame. Gu Siqueira & Offbeat / Gu Siqueira & Offbeat / Independente / Download gratuito: www.gusiqueira.com.br

 


 




HQ de FC holandesa e surreal

Excelente estreia da série de HQs Aâma, do suíço Peeters. Em um planeta inóspito, um homem acorda desmemoriado, acompanhado de um gorila-robô de nome Churchill. Este lhe entrega um diário, escrito por ele mesmo, narrando sua trajetória até ali. FC surreal, cheia de críticas à sociedade moderna. Aâma 1: O cheiro da poeira quente / Frederik Peeters / Nemo/ 88 p./ R$ 39/ editoranemo.com.br






Sem neon, fumaça nem música do Vangelis

Tirem todo o neon, a fumaça, a trilha sonora, os atores, os cenários de Blade Runner (1982) – e o que sobra? Este livro, de Philip K. Dick, no qual Ridley Scott se baseou para criar sua obra-prima. Não é pouca coisa. O que sobressai é a pergunta: o que nos torna seres humanos? Gênio. Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?  / Philip K. Dick / Aleph/ 272 p./  R$ 39,90/ editoraaleph.com.br

 




Paris, maio de 68, boy meets girl...

Mais conhecido como poeta, dono da livraria City Lights de São Francisco e um dos cabeças da Geração Beatnik, Lawrence Ferlinghetti tem este romance de 1988, até agora inédito no Brasil, lançado pela L&PM. Ambientado nas barricadas do Maio de 1968 em Paris, narra o affair entre um jovem banqueiro português de espírito anarquista (?!?) e uma pintora  norte-americana. Amor nos Tempos de Fúria / Lawrence Ferlinghetti / L&PM/ 144 p./ R$ 17,90/ lpm.com.br

 


A megera indomada

Aos 80 anos, Yoko Ono volta menos experimental do que se esperaria. Muito bem acompanhada (Lenny Kravitz, Beastie Boys, Questlove, o filho Sean) faz um disco que se ouve sem muito incômodo – ela até canta. Yoko Ono Plastic Ono Band / Take Me To The Land Of Hell / Lab 344 / R$ 29,90









A raiz do nordic noir

Desconhecido no Brasil, o casal sueco Sjöwall & Wahlöö escreveu, entre os anos 1960 e 70, uma série de dez romances policiais hoje considerados clássicos e precursores da atual onda nordic noir. Este é o primeiro, sobre o corpo de uma moça encontrado em um lago. Quem matou? Por que? Roseanna / Maj Sjöwall e Per Wahlöö / Record/ 256 p./ R$ 35/ record.com.br
 





A nova do new journalism

O mestre do new journalism e autor do clássico A Fogueira das Vaidades volta sua prosa para o caldeirão racial de Miami. Entre policiais cubanos, mafiosos russos e negros pobres (olha o clichê), Wolfe tenta traçar um painel da cidade no século 21. A crítica andou detonando, mas TW sempre vale um saque. Sangue nas veias / Tom Wolfe / Rocco / 608 p. / R$ 59,50 / rocco.com.br

 





Impressões nordestinas de SP

Pernambucano criado em Teresina e São Luís, residente em São Paulo, o compositor Bruno Batista mostra, neste segundo álbum, uma coleção de canções de temática e sonoridade bem urbanas. Impressão favorecida pela dinâmica construída em torno delas pela competente banda que o acompanha, com destaque para o guitarrista Rovilson Pascoal. Bruno Batista / Lá / Tratore / R$ 25,90

 




Garra de veterano

Acompanhado de uma banda que chega a dar medo de tão afiada, o ídolo do jazz Pat Metheny tem produzido febrilmente nos últimos anos. Próximo dos 60 anos, o guitarrista demonstra ter atingido a maturidade em um álbum tão diverso quanto acertado em suas propostas. Pat Metheny Unity Group / Kin / Warner / R$ 24,90

 







Patricinha feroz

Revelada como atriz no seriado patricinha Gossip Girl, a bombshell Taylor Momsen surge aqui à frente de um número zangado de hard rock. A sonoridade é feroz e muito bem produzida. Nada original, mas soa bem para encher os cornos de cerveja na night. The Pretty Reckless / Going to Hell / Lab 344 / R$ 29,90

 






 
Declaração de amor ao jazz em HQ

Turnê de Despedida, 2ª parte da HQ francesa Bourbon Street, Mostra músicos veteranos de Nova Orleans que se reúnem para uma última turnê. Bourbon Street 2: Turnê de Despedida / Philippe Charlot, Alexis Chabert e Sébastien Bouet. Ed. 8Inverso, 48 p., R$ 54

 






O eco das savanas

Tarzan, a imortal criação de Edgar Rice Burroughs,  faz 100 anos e ganha bela edição em capa dura e comentada (pelo tradutor Thiago Lins) do romance que deu início à sua série de 24 livros. A edição é abrilhantada pelas ilustrações de  Hal Foster (Príncipe Valente). Pura aventura clássica. Tarzan: O filho das selvas / Edgar Rice Burroughs / Zahar/ 336 p./ R$ 54,90/ E-book: R$ 19,90/ zahar.com.br

 




A queda do nanico com mania de grandeza

Impressionante reconstituição histórica em ritmo de thriller político enfocando os últimos três dias de Napoleão (1769-1821) no centro do poder francês. O historiador Bertaud se valeu de farto material de pesquisa, entre cartas, bilhetes, diários e memórias. Leitura ágil. A queda de Napoleão / Jean-Paul Bertaud / Zahar/ 304 p./ R$ 49,90/ E-book: R$ 34,90/ zahar.com.br

 





Pastelaria do cão

Impressionante como sempre o vigor sônico e as bordoadas para todo lado no novo álbum do trio punk Pastel de Miolos. A novidade é uma dinâmica heavy metal em algumas faixas. De resto, um lindo (e raro) esporro ideológico. Pastel De Miolos / Novas Ideias, Velhos Ideais / Brechó / R$ 15 / www.brechodiscos.wordpress.com

 






A alegria da Praia do Forte

Legítimo talento popular, o sr. José Martins dos Santos (o Zéu) alegra a Praia do Forte, aonde vive, com bandolim,  guitarra baiana e a imensa alegria de sua música. Aqui, 15 choros, sambas, frevos e sabedoria. Zéu / Sapeca Musical / Independente / Preço não divulgado / Contato: (71) 3676-1742

 

Melancolia dançante uruguaia

Em seu novo CD, o oscarizado compositor uruguaio investe em uma abordagem mais dançante (percussiva mesmo, as vezes), ainda que não deixe a melancolia de lado em seus elaborados arranjos. Caetano Veloso dá “um tostão da sua voz” em Bolivia. Jorge Drexler / Bailar En La Cueva / Warner / R$ 31,90








Multiartista de peito aberto

Um dos artistas (músico, gravurista, poeta) baianos mais surpreendentes em muito tempo, Ayam mostra a que veio no primeiro CD, comovente um manifesto de integridade e independência. Ayam Ubráis Barco / Partir o Mar em Banda! / Independente / Preço não divulgado/ www.facebook.com/ayamubraisbarco

 






 
Repertório afinado, voz idem

Afinadíssima, a carioca Susana Dal Poz faz seu tributo aos clássicos do samba em CD ortodoxo, quase uma gafieira. O repertório é luxo só: tem Dorival (A Vizinha do Lado), Assis (Camisa Listrada), Noel (Com que Roupa?),  Nelson (Coração Poeta) etc. Susana Dal Poz / Só Sambas / Fina Flor / R$ 25







Veneno anti-forró universitário

Auto-apelidado “pé de serra power trio”, o Pé de Mulambo solta segundo CD: 15 faixas plenas de balanço regional e poesia, tudo baseado na rabeca, viola capira, zabumba e pandeiro. Antídoto tiro & queda para o forró coxinha de tatuagem tribal e blusa xadrez justa. Pé de Mulambo / Giro Solto / Cooperativa de Música / R$ 15

 




A futilidade das funções

Uma das tiras de quadrinhos mais subversivas das HQs, Dilbert esfrega na cara do leitor tudo o que é ridículo e deprimente e se esconde por trás das  grandes corporações, seus logotipos clean. Gurus da administração, CEOs, meros funcionários: todos são reduzidos à inutilidade fútil de suas funções. Já nem lembro se somos muquiranas ou espertos / Scott Adams / Conrad/ 208 p./ R$ 29,90/ www.lojaconrad.com.br





Os mais fodões entre os fodões

Dentro do Mossad, o implacável serviço secreto israelense, opera um destacamento de elite especializado em sequestro e assassinato, o Kidon (Baioneta). Neste livro, o relato das 16 missões mais importantes do grupo, incluindo a caça ao carrasco nazista Adolf Eichmann e a reação ao massacre dos atletas irsaelenses nas Olimpíadas de Munique, em 1972. Si-nis-tro. Mossad - Os Carrascos do Kidon / Eric Frattini / Seoman/ 358 p./ R$ 48/ www.cataventobr.com.br

sexta-feira, setembro 05, 2014

CAVALERA CONSPIRACY, CADA DIA MAIS RÁPIDO E ELÉTRICO

Banda dos irmãos fundadores do Sepultura se apresenta em Salvador no domingo, com abertura dos paulistas da Capadocia

A rigor, uma banda norte-americana – mesmo que liderada pelos irmãos mineiros Max e Igor – o Cavalera Conspiracy engrossa, neste domingo, a pálida lista de atrações internacionais a visitar Salvador.

Fundada em 2006 após a reconciliação entre os irmãos, a banda se apresenta pela primeira vez na cidade em meio a uma turnê sul-americana que passa pelo Brasil, Chile, Argentina e Equador em 14 shows.

As apresentações servem para a banda esquentar os tamborins para o lançamento do seu terceiro álbum, Pandemonium, a sair em novembro.

“É o nosso disco mais rápido e agressivo”, avisa o cantor e guitarrista Max Cavalera, por telefone, do seu quarto de hotel em Manaus, aonde se apresenta hoje a noite.

“São dez faixas – e as dez são rápidas. É muito elétrico e cheio de energia, feito para tocar ao vivo”, reitera o músico.

Ele acredita que o rock pesado atual estava precisando um pouco dessa dose de velocidade.

“Logo no início falei com Igor que queria uma coisa mais rápida. Tô sentindo que o metal tá mais lento. Então eu queria menos groove e mais rapidez mesmo”, conta.

Poder dizer palavrão

Morando em Phoenix, Arizona há mais de vinte anos, Max conta que, para ele, é sempre uma satisfação se apresentar diante de uma plateia de conterrâneos brasileiros.

“É (uma relação) bem forte. É legal demais poder falar em português com a galera, conversar, falar palavrão”, ri.

“E pelo que já vimos em Fortaleza e no (Festival) Porão do Rock (Brasília), essa turnê vai ser sensacional. No repertório a gente toca  coisa velha e coisa nova, coisas do Nailbomb (banda paralela de Max nos anos 1990)”, conta.

Tocando duas bandas em paralelo – Cavalera Conspiracy e Soulfly – Max conta que ele e Igor (que fora do CC toca o projeto eletrônico Mix Hell) costumam programar períodos de mais ou menos um ano para cada projeto.

“A gente passa um ano sem se ver, mas sempre em contato. Aí  quando tem que fazer o disco, ficamos juntos. Aí vem os shows nos EUA, no fim do ano. Em 2015 fazemos Europa e outras partes do mundo, como Austrália, África do Sul. Isso leva o ano inteiro. Depois de uma pausa, parto para o décimo álbum do Soulfly”, descreve.

"E os discos do Soulfly é um lance que sempre faço com muita atenção, muita dedicação. Neste momento estou mais dedicado ao Cavalera. Antes vim do Killer Be Killed, que foi um projeto mais acessível, até mais comercial mesmo, comparado ao Cavalera", observa Max.

O icônico vocalista confirma uma velha suspeita do repórter: "Sim, o metal ainda é mais forte na Europa. Rola muito na Alemanha, Itália, Portugal, França. Fazemos a maioria dos festivais grandes de metal por lá. Mas tocamos muito pelos EUA também, tá um momento legal para o rock pesado por lá. Fizemos uma  turnê recente com o Dillinger Escape Plan pela rede House of Blues. E em nossos shows que vamos fazer agora, a metade dos vai ser lá também", conta.

Max diz que adora receber CDs de bandas locais: “Sempre que venho pra cá (Brasil) recebo um monte de CDs de bandas. E eu levo pra casa e escuto mesmo, gosto de saber o que está rolando por aqui. Quero receber uns CDs daí da Bahia também”.

Informado da ativa cena de metal extremo baiana, Max diz lembrar da Headhunter DC: "Ah, Headhunter! Eu lembro dessa porra"!, diverte-se.

Além do CC, a noite de domingo ainda terá a banda Capadocia, do ABC paulista, uma aposta de Gloria Cavalera, empresária do CC.

No palco, Max e Igor contam com Marc Rizzo (Soulfly) na guitarra e Nate Newton no baixo.

Cavalera Conspiracy / Abertura: Capadócia / Domingo, 20 horas / The Hall Eventos (Av. Octavio Mangabeira, 2.471, Pituba) / R$ 80 / Vendas: lojas Foxtrot ou www.ticketbrasil.com.br


quinta-feira, setembro 04, 2014

PODCAST ROCKS OFF: QUE PORRA É INDIE? AFINAL, PUTAQUE PARIU, MEU DEUS?!?

Nei Bahia, Osvaldo Braminha Silveira Jr. e Miguel Cordeiro calçam suas luvas cirúrgicas e se enfiam até o braço - lá eles - em um assunto pra lá de pantanoso: indie rock.

De forma a preservar a saúde mental, o blogueiro se incluiu fora dessa.

Essa é a parte um. Em breve,  parte 2.





terça-feira, setembro 02, 2014

UYATÃ RAYRA & A IRA DE RÁ É DESBUNDE FEIRENSE À BASE DE PSICODELIA NORDESTINA E PERFORMANCE

A salada doida de Uyatã Rayra & A Ira de Rá, em foto de Guilherme Caixeta
Música independente tem essa denominação justamente por que não depende da grana de grandes produtoras ou gravadoras major.

Por isso, os projetos na área costumam ser modestos, despretensiosos.

Mas há exceções. Por aqui, temos a Desrroche, que desbunda geral nos shows com seu visual à Mad Max.

E eis que lá de Feira de Santana vem uma banda ainda mais desbundada: Uyatã Rayra & A Ira de Rá.

Com uma proposta sonora e visual ousada, o grupo é cria de um verdadeiro reduto de resistência cultural: “A gente se conhece há muito tempo, somos frequentadores do Senzala, um reduto um reduto de cult e arte da Uefs (Universidade Estadual de Feira de Santana)”, conta o próprio Uyatã, vocalista.

O som do grupo, que você pode ouvir no primeiro registro da banda, o EP Mórula (no Soundcloud) é uma salada alucinógena e hipnótica de afrobeat, jazz avant garde, psicodelia nordestina, MPB e rock.

Pré-embrionários

“Desde pequeno escuto  sons experimentais. Minha mãe botava a gente para escutar a Coleção Taba (discos infantis dos anos 1980 com grandes nomes da MPB). Curtia muito Tom Zé, Itamar Assumpção, Gilberto Gil anos 1970”, conta.

Bem alimentado desde a infância, o menino Uyatã caiu no Bob Marley, Fela Kuti, Miles Davis e Herbie Hancock na adolescência.

“Mas o cara que me fez prestar atenção na minha própria cidade é o Pisane Pisa, daqui de Feira, e Mestre Cláudio & Os Angoleiros do Sertão, que fazem samba de roda”, diz.

“Piza é o maior compositor de Feira. Me fez enxergar minha cidade, me fez cantar minha terra. Ouvindo tudo isso falei ‘porra, vamos tentar pegar essas influências de samba de roda que é bem peculiar daqui e juntar com essas linguagens da música pop mundial”, detalha.

O resultado dessa viagem está no EP Mórula. Mas que diabos é uma mórula?

“É uma fase anterior à formação do embrião. É o nosso estágio no mundo da música: pré-embrionários, querendo ser um bebê”, afirma.

Cada show é um evento diferente. “Para não nos cansamos de nós mesmos, propomos temáticas diferenciadas a cada apresentação. Teve um show que estava de roupa militar vermelho, representando Maria Quitéria, que nasceu em Feira no São José”, conta.

“No show do Mórula, simulamos um nascimento. Botamos uma vagina gigante no palco. Aí eu de lá saía seminu e umas amigas me botaram uma  fralda. Aí começamos o show”, conta.

Além de Uyatã, a banda conta com Ravel Conceição (guitarra), Luís Henrique (bateria), Pedro Lucas (teclado) e Ederval Fernandes (baixo).

Infelizmente, a banda ainda não teve oportunidade de tocar em Salvador. Fica a dica aos produtores

Ouça: www.facebook.com/uyata.iradera

DE ALAGOINHAS, A INVENTURA JÁ RODOU POR AÍ. AGORA ELES QUEREM MAIS

Rapaziada da Inventura na foto de Jamille Almeida
Um pouco de geografia: a Bahia é dividida em sete microrregiões.

São elas: Vale São-Franciscano da Bahia, Centro-Norte, Nordeste, Região Metropolitana de Salvador, Centro-Sul, Sul Baiano e Extremo Oeste Baiano.

Pois bem, de todas as sete, apenas a última  não apresentou uma banda de rock na coluna no blog.

Ainda não é desta vez. Hoje, Alagoinhas (do Nordeste baiano) mostra uma segunda banda na Coletânea no Rock Loco – a primeira foi a Nute, alguns anos atrás.

O power trio Inventura é mais um daqueles casos de banda do interior baiano que não deve nada a nenhuma banda do underground de qualquer capital do país.

Duvida? Dá uma ouvida (via Soundcloud) no primeiro álbum dos meninos, lançado há pouco tempo.
Rock sem pose, pra frente, atual, com letras em português e sem firulinha.

“Nossa proposta é um rock direto e simples, em português”, confirma o baterista Felipe Costa.

“Eu e Lucas (baixo e vocal) somos irmãos. Paulo (Dantas, guitarra) estudava com a gente no mesmo colégio em Alagoinhas”, conta.

“Desde a adolescência que a gente se identificava atraves da música. Então  sempre tocamos juntos nos festivais do colégio, essas coisas”, relata Felipe.

No momento, Felipe está morando em Salvador, aonde estuda em uma faculdade. “Lucas e Paulo continuam em Alagoinhas, onde temos nosso estúdio de ensaio, nosso QG. Vim para cá estudar, mas estou sempre por lá. Quase todo fim de semana nós ensaiamos, planejamos shows e tal”, conta.

No Mercado das Borboletas

No último domingo início de agosto, o trio tocou pela primeira vez em Salvador, no festival Big Bands.

Mas os caras não são fracos, não. Já se apresentaram em Belo Horizonte e São Paulo.

“Tocamos no festival Conexão BH. Foi legal demais, com várias bandas boas e palcos em vários locais da cidade. Tocamos no Mercado das Borboletas em um clima muito astral. A atmosfera da plateia só deu mais tesão para tocar. E  a galera curtiu, vendemos vários CDs”, relata.

Produzido por eles mesmos, mixado e masterizado por andré t., o CD da Inventura saiu em formato físico e está à venda no Facebook dos meninos.

“Pena que não teve grana para bancar a produção toda com andré. Mas os toques que ele deram  outra cara no CD”, diz.

Com 13 faixas, o CD ainda terá  show de lançamento próprio em Salvador, Feira e Alagoinhas, planeja o trio

Ouça: www.facebook.com/inventurarock


quinta-feira, julho 31, 2014

HERÓIS ESPACIAIS PARA UMA NOVA GERAÇÃO

Aposta ousada da Marvel, o filme Guardiões da Galáxia traz para o primeiro plano grupo obscuro das HQs, com um gostinho de Star Wars

Gamora, Peter Quill, Rocky, Drax e Groot
Guardiões da Galáxia, o novo (e divertidíssimo) filme da Marvel que estreia hoje, nasceu de uma impossibilidade.

Financeiramente quebrada na segunda metade dos anos 1990, a editora vendeu os direitos de filmagem de algumas de suas mais famosas propriedades intelectuais para grandes estúdios de cinema.

O Homem-Aranha ficou com a Sony. X-Men e Quarteto Fantástico couberam à Fox. Ambos os estúdios detém os direitos sobre esses personagens até hoje e não dão sinal de largar o osso tão cedo.

A partir da criação dos estúdios de cinema da própria editora (Marvel Studios) e do sucesso estrondoso de Homem de Ferro, Thor e Capitão América, desembocando em Vingadores, a Marvel se viu defenestrada de alguns dos seus personagens mais queridos para fazer mais filmes e uní-los todos em um universo ficcional coeso, como já o faz nos seus quadrinhos.

Impossibilitada de fazer Homem-Aranha, Wolverine e Homem de Ferro se encontrarem em um mesmo filme, só restou à Marvel fuçar em seu vasto catálogo, que conta com mais de cinco mil personagens.

Os antigos Guardiões
E foi de lá que seus executivos saíram com essa pequena pérola de FC juvenil amalucada que é Guardiões da Galáxia.

Criada em 1969 por Arnold Drake (roteiro) e Gene Colan (desenhos), a equipe foi ativada e desativada pela editora por algumas vezes ao longo das décadas seguintes – além de ter surgido com uma formação completamente diferente desta que se vê no filme.

Em 2008,  a editora apostou (pela terceira ou quarta vez) em um novo gibi dos Guardiões, escrito pela dupla Dan Abnett e Andy Lanning, especializada em FC, apresentando pela primeira vez a formação que está no filme. Apesar das boas críticas, a  HQ só durou 25 números e foi novamente cancelada.

É nas HQs dessa fase que os Marvel Studios foram se basear para o filme que estreia hoje. Com o filme já em produção, a editora relançou mais uma vez a HQ do grupo – publicada no Brasil na revista mensal Universo Marvel (Panini).

Pois bem. Salvo exageros, é bem possível que Guardiões da Galáxia, o filme, tenha para a molecada de hoje o mesmo efeito que Guerra nas Estrelas - Star Wars teve para a molecada de 1977.

Por que tudo o que tornava Star Wars mágico aos olhos de crianças e adolescentes está em Guardiões.

Naves e batalhas espaciais de tirar o fôlego
Há o  herói improvável, atingido pela tragédia (Peter Quill, interpretado pelo engraçadíssimo Chris Pratt, da sitcom Parks & Recreation).

Há a interação cômica instável entre os personagens – a velha mecânica de começarem se detestando e terminarem unidos.

Há um vilão poderosíssimo (Ronan, O Acusador, interpretado por Lee Pace) com um outro, ainda mais poderoso, controlando tudo da sombra.

Há os efeitos espaciais emprestando realismo a planetas estranhos, criaturas alienígenas bizarras e batalhas espaciais de tirar o fôlego.

Tudo começa quando Peter Quill, a serviço de um grupo de contrabandistas espaciais aos quais deve dinheiro, invade um  templo abandonado em um planeta morto e  rouba uma esfera metálica com um objeto muito valioso em seu interior.

Rocky e Groot, uma dupla foda pra caralho
Depois de muita perseguição, porrada, tiroteios laser e tiradas cômicas, Quill é jogado em uma penitenciária intergaláctica com a mortal Gamora (Zoe Saldaña), o grandalhão Drax (Dave Bautista), o guaxinim falante e pavio curto Rocky (voz de Bradley Cooper) e a árvore ambulante Groot (voz de Vin Diesel).

Eventualmente, o grupo se une – mesmo a contragosto inicial – foge da Lemos Brito espacial e começa seu périplo para recuperar o tal objeto e, claro, salvar o universo.

Para antigos leitores da Marvel, as referências e aparições de personagens cósmicos da Marvel são uma atração a parte.

Lee Pace está perfeito como o Kree fundamentalista Ronan, O Acusador
Aqui e ali aparecem o Colecionador (Benicio Del Toro), o Guardião original Yondu (Michael Rooker), a vilã Nebulosa (Karen Gillan),a Tropa Nova e até mesmo um Celestial (deus espacial).

Em tempo: este filme tem a melhor citação de Footloose - Ritmo Louco em todos os tempos.

E para quem não conhece nada, tenham o prazer: esta é sua nova Star Wars. Divirtam-se.

Guardiões da Galáxia / de James Gunn / Com Chris Pratt, Zoe Saldaña, Bradley Cooper, Vin Diesel, Dave Bautista, Michael Rooker, Lee Pace, Benicio Del Toro / Em cartaz

CONHEÇA SEUS GUARDIÕES

Peter Quill - Senhor das Estrelas - Abduzido da Terra por uma nave no dia da morte de sua mãe, Peter é o bravo guerreiro líder do grupo – além de um puta gaiato e fã de soul music
Drax, o Destruidor - O grandalhão da equipe, obcecado em vingar a morte de sua mulher e filha nas mãos de Thanos, o titã louco. Ainda assim, é até um sujeito doce e sensível
Gamora - A fêmea mais mortífera da galáxia é outra obcecada em se vingar de Thanos, que após destruir seu mundo, a adotou como filha. Está aprendendo a dançar soul com Peter
Groot - Basicamente uma árvore que anda, estica galhos que usa como armas e cresce flores que dá de presente. Diz apenas uma frase: “Eu sou Groot” - que pode ter vários significados, quase sempre com efeito cômico. Amigo de Rocky 

Rocky Racoon - Guaxinim geneticamente modificado e com implantes cibernéticos que ainda é atirador de elite. Casca-grossa, língua solta, mal- -humorado. O mais carismático da gangue.





quarta-feira, julho 30, 2014

MAIOR & MILLÔR

Homenagens na FLIP, exposições, relançamentos, novos livros: aos  90 anos (se vivo fosse), Millôr Fernandes segue incontornável e irresumível

Esse negócio de homenagem é complicado. Adoniran Barbosa (1910-1982) uma vez fechou a questão: “Chega de homenagens. Quero dinheiro”.

Mas – assim como Adoniran – certos homenageáveis são simplesmente inescapáveis (com o perdão pela rima). Millôr Fernandes (1923-2012) é um deles.

Este ano, quando o  escritor, cartunista, dramaturgo, humorista, tradutor e inventor do frescobol (entre outras funções) faria 90 anos, é o homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP 2014, que começa hoje e vai até domingo, na cidade colonial fluminense.

Intitulada Millôr - 90 Anos de Todos Nós, a homenagem tem uma vasta exposição dividida em quatro módulos: Compozissõis imfãtis, De Vão Gôgo ao guru do Méier, Cada exemplar é um número e Um elefante no caos.

Cada módulo aborda uma fase de sua vida ou faceta de sua obra. A primeira mostra a descoberta dos quadrinhos e os trabalhos  feitos na juventude.

De Vão Gôgo... traz o Millôr inicial na grande imprensa, em revistas como A Cigarra e O Cruzeiro. Cada Exemplar... mostra os trabalhos na antológica revista Pif-Paf, fundada por ele e precursora do Pasquim.

E Um Elefante no Caos aborda sua faceta dramatúrgica e de tradutor erudito, responsável por verter para português acessível  obras de Shakespeare e Molière.

E mais: a cada dia da FLIP será distribuído o jornalzinho Daily Míllor, com textos e desenhos de Reinaldo, Antonio Prata, Chico Caruso, Luis Fernando Verissimo, Ivan Fernandes (filho de Millôr), além do próprio Guru do Méier.

“Espero mesmo que a cidade fique toda pintada de Millôr”, diz por telefone Paulo Werneck, um dos curadores da FLIP.

“Uma homenagem tradicional, careta, é tudo o que ele não gostaria. Ele dizia: ‘Quero tudo, menos status’. Então pensamos em uma homenagem bem calorosa e divertida, sem esse caráter de  estátua”, acrescenta.

“A obra dele é muito viva neste momento de muita  politização no Brasil. Andei relendo umas coisas e é impressionante como seus comentários se encaixam. Era um crítico incansável, que nunca deixava de pegar no pé dos poderosos”, vê.

Além da FLIP, a Companhia das Letras e Instituto Moreira Salles lançaram alguns livros  que deverão vender bem em Paraty.

Pela Companhia, são quatro clássicos: Esta é a verdadeira história do Paraíso, Essa cara não me é estranha e outros poemas, A vaca foi pro brejo (The cow went to the swamp) e Tempo e contratempo.

Já o IMS recorreu ao acervo de quase 8 mil obras de Millôr para compor Millôr 100 + 100: Desenhos e Frases.

O jornalista  Sérgio Augusto garimpou 100 frases luminares e o cartunista e pesquisador Cássio Loredano, 100 desenhos igualmente espetaculares para casar com as frases pinçadas pelo primeiro.

“Loredano fez um trabalho esplêndido ao casar as imagens com o texto do Millôr”, aplaude Sérgio, do Rio. “A ideia do projeto, a editoração gráfica –  foi um projeto muito feliz”, diz.

“Obviamente, os critérios (para escolher 100 frases) foram altamente subjetivos. Quais são as melhores frases em um universo de 3,5 mil, 5 mil? Simplesmente escolhi as melhores mesmo”, garante Sérgio.

De sua parte, Loredano diz por que é importante lembrarmos de Millôr nos seus 90 anos: “Pra ir lembrando até o centenário”, demarca.

Millôr era um absurdo

Nascido Milton Viola Fernandes em 16 de agosto de 1923, o carioca iniciou cedo no jornalismo: aos 14 anos  já estava na redação da revista O Cruzeiro.

Sérgio Augusto lembra que o conheceu em 1963 e testemunhou o histórico imbróglio em torno do material que deu origem ao livro Esta é a verdadeira história do Paraíso, sua visão do livro do Gênesis.

“Ele parou a redação para ler aquilo. Quando foi publicado, foi um bombardeio dos leitores carolas. A revista, em vez de ignorar, disse que Millôr publicou o material sem seu conhecimento. Ele pediu demissão, processou e ganhou, claro”, relata.

“Mas o  Millôr pode ser lembrado todo dia. Foi  a pessoa mais inteligente que eu já conheci – e olha que já conheci e convivi com muita gente culta: Otto Maria Carpeaux, Paulo Francis, Antonio Callado...”, afirma.

Sérgio está certo. Porque Millôr não era só muito inteligente ou muito talentoso. Era ambos.

“Era completo. Desenhava muito, artista gráfico extraordinário. Humorista, dramaturgo, grande frasista. Por tudo isto,  é mais que os outros. Oscar Wilde, por exemplo: era um gigante do teatro. Mas  não desenhava porra nenhuma. Saul Steinberg, outro gênio - mas não tinha essa produção do Millôr”, nota Sérgio.

"Ele tinha uma total clareza nas coisas que dizia. Se você puder escrever algo com quinze palavras, tente escrever com onze. Aí ele vinha e escrevia com nove. Uma outra coisa que acho muito engraçada dele são os seus Provérbios Prolixos, que contraria toda essa maneira de escrever enxuto. Ele pegava esses ditados comuns, tudo 'à noite todos os gatos são pardos' e faz toda uma explicação, uma definição em 200 palavras - e é engraçado pra cacete. Era a deformação de tudo o que ele pregava: a concisão, a clareza", cita Sérgio Augusto.

Até a grande polarização política que o Brasil vive agora, Millôr já previa, garante Sérgio. "Ele era contra o Lula desde o inicio. Ele duvidava, achava ignorante, achava até que não ia dar certo. Mas não naqueles termos preconceituosos do Paulo Francis, Millôr não era reacionário. Ele só estava decepcionado - e tinha horror a vacas sagradas. Duvidava de tudo e de todo mundo", conta.

“Com 14 anos, já estava n’O Cruzeiro. Com 20, criou a Pif Paf. Fez tudo que você puder imaginar. Você  vê a  obra de algum humorista e pensa: Millôr  fez isto nos anos 50. É um dos grande filósofos brasileiros. E muito mais divertido. Millôr era um absurdo”, define o jornalista.

Sérgio lembra a convivência com Millôr no Pasquim, a partir daquela história de alguns anos atrás, quando perguntaram a ele se, a exemplo de Ziraldo e Jaguar, ele também ia pedir indenização ao governo pelos perrengues da época da ditadura, ao que ele respondeu: "Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?"

"O Millôr era engraçado, sempre tinha comentários irônicos e tal, mas não era de contar piada. Era muito inteligente, observador, muito simpático comigo. Agora, no Pasquim, tirando eu, Francis e Ivan Lessa, todos tiveram problemas com Millôr. Mas comigo nunca teve nada, não. Eu fiquei no Pasquim até 1979. A partir do fim da censura prévia, eu fazia um editorial na página 3 com críticas a imprensa. Esculhambava mesmo e fazia críticas ao próprio Pasquim. Numa dessas, Jaguar me demitiu. Disse que não vesti a camisa, tal. Adoro Jaguar, mas teve isso. Liguei para o Ziraldo e ele tava de porre. Nem Jaguar nem Ziraldo se mexeram. Meses depois, ele me pediu desculpa. Eu falei não, tudo bem, é o seguinte: o Pasquim me deve dinheiro aí. Entrei na justiça - e o Millôr foi depor em meu favor! Ele tinha essas coisas. Era extremamente honesto e íntegro com negócio de dinheiro. Me ensinou demais. Ele dizia: se você tiver condição de exigir aumento, faça isso, por que ajuda todos os seus amigos, você sobe o patamar de pagamento. Já mais velho, sem saco, Millôr ficava em casa e volta e meia alguém pedia a ele algum trabalho. Aí ele pedia um preço absurdo, tipo 50 mil por duas laudas, só para se sair. Aí o cara topava e ele ficava totalmente sem graça", relata Sérgio Augusto.

Cartunista de A TARDE, Cau Gomez o conheceu em um jantar entre humoristas. “Estávamos diante de um gigante, que tinha um clarão no olhar”, nota.

“Foi  um caso raro onde artista e pensador passaram por uma fusão. Não houve temor profissional em cruzar a fronteira entre texto e imagem”, diz.

“Millôr era bem humorado porque sabia o que sabia”, conclui Loredano.

Millôr 100 + 100: Desenhos e Frases / S. Augusto e C. Loredano (Orgs.) / Instituto Moreira Salles / 264 p. / R$ 50 / www.lojadoims.com.br 

Esta é a verdadeira história do Paraíso / Millôr Fernandes / Cia das Letras/ 152 p./ R$ 56/ www.companhiadasletras.com.br

Essa cara não me é estranha e outros poemas / Millôr Fernandes / Cia das Letras / 192 p. / R$ 27

A vaca foi pro brejo (The cow went to the swamp) / Millôr Fernandes / Cia das Letras / 128 p. / R$ 33
Tempo e contratempo / Millôr Fernandes / Cia das Letras / 128 p. / R$ 52

terça-feira, julho 29, 2014

PROFESSOR DOIDÃO & OS ALOPRADOS: ROCK DE GENTE MADURA PARA TODAS AS IDADES


Isaac (centro) é o Professor Doidão - e seus Aloprados, na foto de Dan Borges
Dizem que rock é coisa de adolescente espinhudo. Mentira.

Hoje, o rock é o novo jazz. Coisa de homens feitos, que já curtiram na  juventude e, agora, dinheiro no bolso, vida estável, refazem suas coleções com  relançamentos remasterizados de clássicos em edições de luxo.

Os jovens? Hipsters de bigode curtem a “nova MPB”. O resto se esbalda no axénejo. Daí dizer que o rock é o novo jazz.

Só que nem todo roqueiro velho se satisfaz apenas em decorar suas prateleiras. Vejam o senhor Isaac Fiterman.

Por uma questão de elegância, o colunista não perguntou a idade do homem (mentira: ele esqueceu mesmo), mas pelo prateado que adorna sua basta cabeleira, Isaac já passou dos 50.

Em 2008, cursando psicologia em uma faculdade local, ele se intitulou “Professor Doidão” e formou uma banda com alguns colegas, Os Aloprados.

Demais, né? Não é todo mundo que tem essa energia, esse desprendimento. Dono de postura irreverente, ele parece mais moderno que muito hipster de calça colada que tem aí.

Isaac, que é funcionário público, ator e escritor, andou ocupado na época e só no ano passado retomou o projeto da banda.

“Minha trajetória é toda  ligada a arte. Sou ator. A coisa da música aconteceu na faculdade. Falei ‘tenho umas letras, vamos fazer um som’. Dai veio o nome, por que dizem que  psicólogo é maluco, aloprado”, conta.

Neto Lobo (A Cacimba) o ajudou no início, musicando algumas letras. “Sempre curti muito o rock nacional: muito Raul, Legião, Ira! Capital Inicial, Roberto  do início, Erasmo”, lista Isaac.

Sonhar e ser feliz

Há alguns dias, o Professor & Aloprados lançaram com um show no Bar 30 Segundos  seu primeiro registro, o EP Quero Reunir os Meus Mundos (ouça no Soundcloud, vale a pena).

No dia 9 eles se apresentam no festival Big Bands, com uma pá de outras bandas legais.

“Música para mim, assim como  teatro, é uma  terapia. Não tenho ilusões de  sucesso,  mas sei lá, vamos curtir, ser feliz. Mas vamos sonhar também, né? Vai que algo acontece”, pensa Isaac.

“Gostaria de dizer que existe muita coisa boa e nova sendo feita, independente da idade de quem faz”, garante.

A banda é Isaac Fiterman (voz) Dan Borges (violão), Juliana White (baixo), Eliana (backing), Tony Lopes (bateria) e Felipe Britto (guitarra).

Professor Doidão & Os aloprados no  Big bands / Com Zefirina Bomba (PB), The Sexy Drivers (PE), The Honkers, The Pivos, Novelta e Reverendo T & OS Discípulos Descrentes / 9 de agosto (sábado), 18 horas / Dubliner’s Irish Pub (Rio Vermelho) / R$ 10

www.facebook.com/professordoidao


 
NUETAS

Big Bands no FFS

Domingo (dia 3), o  festival Big Bands 2014 começa visitando o  evento Faustão Falando Sozinho, do Irmão Carlos. Além do próprio Irmão com sua banda O Catado, o palco público do Marback recebe duas ótimas bandas do interior: Sanitário Sexy (Juazeiro) e Inventura (Alagoinhas). Confira a programação do BB2014 que volta a partir do dia 8 no Dubliner’s, que está muito legal. Domingo é de graça, a partir das 15 horas.

Casca com Lo Han

Cascadura lança  clipe da música O Delator com show no Portela. Lo Han faz as honras da casa. Sábado, 23 horas, R$ 20.

Hard rock night

A sempre divertida King Kobra faz show com Stormbringer (Deep Purple cover) no Dubliner’s. Sexta, 22 horas, R$ 15.

segunda-feira, julho 28, 2014

PODCAST ROCKS OFF DÁ UM RELAX E OUVE NOVIDADES

A disco funk faraônica dos Mummies está no Rock Off de hoje, amiguinhos
Gravado no dia 17 de julho último.

Nei Bahia, Osvaldo Braminha Silveira Jr., Miguel Cordeiro e o convidado frequente Franchico (este blogueiro) batem um papo mais tronquilo, lamentam a morte de Johnny Winter e mostram uns aos outros algumas novidades.

Temos Here Come The Mummies, Orange Poem, Janiva Magness, Baia, Sharon Von Etten, Jack White e... não lembro mais agora, sorry.

Então ouve aí, doidão.


CLÁSSICO DOS ANOS 90 - SEM TALVEZ

Edição comemorativa de 20 anos de Definitely Maybe,  belo álbum de estreia do Oasis, chega com o tradicional tratamento “remasterização com faixas bônus”

Oasis nos tempos dos Cigs & Alcohol. Foto: Michael Spencer Jones
À frente da banda, o vocalista tem os braços cruzados atrás de si e o rosto virado para o alto.

Por trás dos óculos escuros, a voz juvenil e marrenta garante: “Tonight , I’m a rock ‘n’ roll star”. Esta noite, sou uma estrela do rock.

A profética Rock ‘n’ Roll Star é a faixa de abertura de Definitely Maybe, primeiro álbum da banda inglesa Oasis, que, lançado em 1994, ganha agora o tradicional tratamento “edição de luxo, remasterização e faixas-bônus”, comemorativo dos seus 20 anos.

A óbvia influência dos Beatles é admitida nos textos do encarte: "Beatles é onde tudo começa e tudo termina para o Oasis", afirma Noel Gallagher. Aqui e ali ainda há piscadelas para T. Rex e Bowie.

De fato, é um belo álbum de rock clássico e mais do que isso: resume o que a banda faria pelos próximos 15 anos, resume a época em que foi lançado e resume a (com o perdão da má palavra) “atitude” do grupo em si.

E tudo isso está ainda mais resumido na já citada faixa de abertura, Rock ‘n’ Roll Star: a abertura com riff marcante, a levada com uma parede de guitarras em cascata, a cozinha discreta, a letra arrogante, o final em loop interminável que vaticina: “It’s just rock ‘n’ roll, it’s just rock ‘n’ roll”...

A partir daí estava aberta a cancela para a subsequente dominação mundial , uma década de bagaceira regada a sexo, drogas e brigas de soco, a rivalidade (meio fabricada pela imprensa britânica) com os colegas da banda Blur, a megalomania.

Enfim: uma história de rock ‘n’ roll clássica para uma banda de rock ‘n’ roll clássico. Só faltou algum membro morrer de overdose para a receita ficar completa.

Geri das Spice Girls, circa '97
Britpop & Cool Britannia

Quando saiu, Definitely Maybe ajudou a cristalizar o subgênero do rock independente proveniente do Reino Unido: o britpop.

Suas origens datam desde os anos 1960, quando bandas como os Beatles e The Kinks trouxeram sentimentos e climas tipicamente britânicos em canções como Rain (1966, Beatles) e Waterloo Sunset (1967, Kinks).

Era o rock, invenção norte-americana, ganhando as cores locais dos ex-colonizadores.

Nos anos 1980, essa tendência gerou bandas hoje clássicas, como The Smiths e The Jesus & Mary Chain.

No fim dos anos 1980, novo fôlego com o movimento Madchester, que revelou a geração mancuniana dos Stone Roses, Happy Mondays e Inspiral Carpets.

Mas foi só a geração subsequente, nos anos 1990, que cristalizou de vez a tendência, com Oasis, Blur, Suede, Supergrass etc.

Sempre ávida por novidades, a imprensa musical britânica logo tratou de colocar essas e muitas outras bandas sob o mesmo guarda-chuva, como uma resposta britânica à invasão do grunge de Seattle, o novo rock alternativo americano e o funk metal do Red Hot Chili Peppers e Faith No More, que dominaram aqueles primeiros anos da década de 1990.

Corta para 1994: Kurt Cobain está morto, o Blur lança o fantástico Parklife e o Oasis estreia com Definitely Maybe.

O que parecia ser álbuns soltos de bandas nada similares ganha ares de movimento. Em 1997, o trabalhista Tony Blair é eleito primeiro ministro, encerrando quase 20 anos de dominação conservadora.

Na sua posse, Liam Gallagher aparece e posa ao seu lado - para desespero do irmão / rival, Noel.

De repente, era cool ser britânico novamente. Cool Britannia. Foi divertido enquanto durou.

Definitely Maybe / Oasis / SONY-BMG / Deluxe edition - Box com 3 CDs: R$ 49,90 / www.sonymusic.com.br








Top Ten: Beabá do Britpop 90's para iniciantes

Supergrass - I should Coco (1995) - Eles são jovens, eles são livres, eles são legais. O hit Alright precedeu mais esta incrível estreia que conjugava Who e punk com entusiasmo.


Suede - Coming Up (1996) - Os dois primeiros LPs do Suede já eram lindos, mas foi este terceiro que trouxe os hits Trash e The Beautiful Ones.


Pulp - Different Class (95) - Depois de alcançar a excelência sônica com His ‘n’ Hers (1994), Jarvis Cocker & Cia radiografaram a sociedade inglesa com esta obra-prima da ironia terna.


Blur - Parklife (1994) - Em seu terceiro LP, o Blur estourou de vez e garantiu seu lugar ao lado do Oasis como representante máxima do estilo Britpop.


Ride - Carnival of Light (94) - Remanescente da geração shoegaze, o Ride teve seu auge artístico neste lindo álbum de tintas setentistas.


Elastica - Elastica (95) - A estreia do Elastica iniciou, anos antes dos Strokes,  o revival anos 1980 via pós-punk e new wave.


Teenage Fanclub - Grand Prix (95) - O belíssimo quinto LP dos escoceses do TF foi o cruzamento do shoegaze inicial com a linha Beatles adotada dali em diante.


The Verve - Urban Hyms (97) - O hit Bitter Sweet Symphony rendeu um processo dos Rolling Stones, mas valeu sucesso mundial ao grupo.


Radiohead - The Bends (95) - Depois do hit inicial Creep, esta coleção de angústias majestosamente sonorizadas rendeu aclamação geral.


Oasis - (What's The Story) Morning Glory? (95) - Wonderwall. Don’t Look Back in Anger. Champagne Supernova. Cast No Shadow. Dizer mais o que?

quinta-feira, julho 24, 2014

MÚLTIPLO, VISIONÁRIO

Próximo de completar 120 anos de nascido (no dia 26), Aldous Huxley tem 15 de suas obras mais importantes reeditadas no Brasil

Aldous Huxley dava seus pulinhos. Foto de Philippe Halsman
Hoje em dia, quando todo mundo parece querer posar de intelectual de Facebook, ler um livro de Aldous Huxley é como tomar um choque no cérebro.

Com boa parte de sua obra sendo agora relançada em novas edições pela Biblioteca Azul, esses choques de real inteligência são mais do que bem-vindos.

Selo da editora GloboLivros, a Biblioteca Azul já lançou seis títulos, de quinze previstos: o clássico absoluto Admirável Mundo Novo, os romances Contraponto, Sem Olhos em Gaza e Também o Cisne Morre, mais o ensaio Os demônios de Loudun e Contos Escolhidos.

A caminho, joias como As Portas da Percepção, O Tempo Deve Parar etc.

Nascido em 26 de julho de 1894 (120 anos em 2014, portanto), morto em 1963, Huxley tem origem em uma família de intelectuais ingleses que incluem um prêmio Nobel de Medicina (Andrew) e o primeiro diretor da UNESCO, Julian Huxley, ambos irmãos de Aldous.

“Aldous Huxley deve ser lido porque é um escritor que não oferece entretenimento apenas”, afirma o escritor baiano e membro da Academia de Letras da Bahia, Hélio Pólvora.

“Seus raciocínios auxiliam o leitor a compreender sua época, a sociedade em que vive, os caminhos por onde segue a horda humana. Mais que um romancista, foi um pensador, um filósofo. Pertencia, aliás, a uma família de eruditos – cientistas e homens de letras”, reitera.

A opinião de Pólvora encontra eco perfeito na de Ana Lima Cecílio, editora do selo Biblioteca Azul: “Huxley era um grande escritor, mas também alguém a quem se pode chamar de intelectual no melhor sentido da palavra”, afirma.

“No sentido de pensar sua época e debater uma infinidade de assuntos em ensaios e palestras. Era muito aberto ao debate, tinha aquela postura que os franceses chamam de ‘intelectual na praça pública’. No You Tube tem muitas falas dele na TV e no rádio falando de tudo. Huxley não se escondia, estava sempre interessado nessa troca de ideias com o público”, diz.

"Huxley é autor de romances muito densos e importantes, sobretudo muito significativos de sua época. Era um super pensador que estava atento a tudo a sua volta - e seus romances davam forma a esse pensamento, a essa matéria filosófica", observa.

"Seus temas seguem atuais", confirma Hélio Pólvora. "Já enfermo, dedicou-se a estudar a mescalina, a buscar nesta planta efeitos alucinógenos. Isso numa época em que predominava o movimento hippie, desejoso de libertação por via da fuga aos padrões estabelecidos de normalidade. Em um de seus livros mais conhecidos (Admirável...), Huxley escarneceu, pela sátira contundente, da submissão humana à tirania da burocracia científica. Foi, nesse sentido, um companheiro de George Orwell, no famoso 1984", afirma.

Distopia, humor, romances

O jovem Aldous
Entre os seis livros já lançados, o mais famoso é Admirável Mundo Novo, classificado por Ana Lima como “uma  das três maiores distopias já criadas, ao lado de 1984 (George Orwell) e Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)”.

“Esse livro é uma espécie de síntese de toda a filosofia que há por trás de sua  obra – e apesar de ser o mais famoso, é muito diferente dos outros livros de sua carreira. Até por que ele não era um autor de ficção científica, como Ray Bradbury”, nota.

Ambientado em um futuro no qual o governo controla tudo e todos com mão de ferro através da engenharia genética e estimula a desumanização do indivíduo através da adoração ao industrial Henry Ford, Admirável Mundo Novo torna difícil não ver paralelos com o mundo de hoje, no qual industriais como Steve Jobs e Bill Gates são vistos como gurus, entre outros absurdos.

“O Admirável Mundo Novo (verso de Shakespeare, em inglês ‘O Brave New World!’), antecipa, a bem dizer, as pesquisas genéticas atuais. Sob certos aspectos, é um relato de horror. Seres humanos fabricados em série, com um propósito definido (geralmente político) ainda assustam, por mais que a vida atual supere a imaginação”, nota Hélio Pólvora.

Mas Huxley foi muito mais do que um pessimista autor de distopias. “Ele era um autor muito múltiplo e vasto nos seus interesses. Ele tinha uma sobriedade pessimista que se reflete até hoje - no bom sentido de ser muito lúcido”, observa Ana.

O que pode surpreender os leitores  novatos é o quanto ele podia ser bem humorado em suas sátiras – de forma meio cruel e tipicamente inglesa, mas engraçado.

“Lembro-me de Freiras ao Almoço, inserido numa antologia do conto mundial em português. Esqueço o assunto, mas ficou-me até hoje a certeza do ficcionista de humor tipicamente britânico, com inclinação ao sombrio”, vê Hélio.

Já Ana destaca o romance Também o Cisne Morre, o qual, assim como o Cidadão Kane de Orson Welles, foi inspirado na opulência em que vivia o magnata William Randolph Hearst.

“Assim como Welles, Huxley o visitou em seu palácio na Califórnia. Enquanto no filme de Welles, ele é um magnata da comunicação, no livro de Huxley, ele é um milionário com fixação pela ciência, com uma equipe de cientistas dentro do palácio dele, buscando uma fórmula da vida eterna. É divertidíssimo e super bonito”, conta Ana.

Entre  outros romances, Hélio destaca Contraponto, “no  qual desenvolve a técnica da narração multívoca (várias vozes) e dos pontos de vista dissociados”.

“Esse é um romanção. Contraponto, Sem Olhos em Gaza e Também o Cisne Morre são grandes romances, cheios de personagens e cada personagem é uma fatia da sociedade, através dos quais ele faz todo um discurso social e filosófico", complementa Ana.

"Já A Condição Humana (a sair em breve) é uma reunião de 12 palestras que ele fazia nas universidades, sobre os mais variados temas, um livro de pensamento, mesmo. Os Demônios de Loudon um longo ensaio sobre um episódio de possessão no século 18, na França”, acrescenta.

"Cada livro É sempre um Retrato do Século 20, com os temas mais importantes: a guerra, a ciência, a luta de classes, a informação - sempre com essa perspectiva da consciência dessa época que a gente vive e que desembocam em obras-primas absolutas em termos do quanto ele consegue ver o futuro", conclui Ana.

Admirável mundo novo / Aldous Huxley / Tradução: L. Vallandro, V. Serrano / Biblioteca Azul / 312 p. / R$ 39,90 / E-book: R$ 27,90

Contraponto / Aldous Huxley / Tradução: Erico Verissimo, L. Vallandro / Biblioteca Azul / 688 p. / R$ 59/ E-book: R$ 41,90

Sem olhos em Gaza / Aldous Huxley / Tradução: V. Miranda de Reis / Biblioteca Azul / 608 p. / R$ 52,90
Os demônios de Loudun / Aldous Huxley / Tradução: Sylvia Taborda / Biblioteca Azul / 400 p. / R$ 49,90
Também o cisne morre / Aldous Huxley / Tradução: P. M. da Silva/ Biblioteca Azul / 352 p. / R$ 39,90

Contos escolhidos / Aldous Huxley / Tradução: Eliana Sabino / Biblioteca Azul / 548 p. / R$ 59,90 / E-book: R$ 41,90 / www.globolivros.globo.com