segunda-feira, maio 22, 2006

ENTREVISTA FLÁVIO LUIZ - Lado B

É muito fácil entrevistar Flávio Luiz. Nesse ponto, ele lembra alguns gênios baianos (os de verdade), como Glauber Rocha e Raul Seixas. Você nem precisa perguntar nada, basta ligar o gravador que o homem desata a falar. Falar de tudo. E nesta segunda parte, ele já começa falando, verborragicamente. Atirando pra tudo que é lado, mas sempre com muita propriedade. Leia e descubra mais sobre essa figura rara, como é ser cartunista na Bahia, seus encontros com grandes nomes dos quadrinhos em convenções no exterior, sua dificuldade para publicar Jayne Mastodonte via leis de incentivo cultural, a busca por um agente e como, afinal, sua ilustrações foram parar no site da Diamond Comics.

Flávio Luiz: Tem uma coisa interessante. Quantos "Primeiro Grande Salão de Humor de Salvador" a gente já teve? Por que é que você não pega e bota "Segundo Salão"? "Mas é por que o Primeiro Salão quem fez foi uma outra turma ou em outro shopping, tal". Então fica esse ranço político de destruir tudo o que foi feito pelo antecessor, por que o seu "vale mais". Então, de "Primeiro Salão", eu já confundi quantos eu ganhei. É o sonho dos otimistas que querem, que continuam dizendo (faz um ar "sério") "precisamos fazer o salão"! Precisamos! Eu colaboro, você quer me botar de jurado, você quer que eu participe, ótimo. Mas eu não vou perder meu tempo querendo mostrar, (professoral) "olhe, entenda, vale a pena investir", certo? Teve um salão de humor aqui em Salvador, que foi inclusive o melhor, iniciativa de um cubano e de um mineiro, que chegou na segunda edição já a duras penas, sem patrocínio, sem nada, bancando do próprio bolso... Não sei se eu tô a fim de comprar essas brigas, sacou? É como eu tô te dizendo, eu tô feliz... A outra (Michelle Marie, uma entrevistadora da TV local) veio me perguntar lá: "qual é seu sonho"? Eu disse: "Olha, eu tô vivendo meu sonho", entendeu? Meu sonho mesmo era mudar pra São Paulo, certo? Tratar, conversar das coisas que eu gosto, saber das coisas que eu gosto, como eu sei que funciona lá. Por mais stress, por mais violência, por mais TUDO de ruim que lá tem também. Mas essa falsa alegria perene, essa falsa hospitalidade... Por que é falso, eu sou baiano desde que nasci, EU SEI.Três dias depois que uma visita chega em sua casa você quer que ela se pique. Você não fica "oh, vamos marcar, vamos reunir". Ou então é a "meia hora de baiano", meia hora de atraso, mas tudo bem! Tem carinha que não se esquenta. Palmas! Não estão errados, não. Eu estou errado! Eu! Então é o incomodado que se mude. E um dia eu vou me mudar, por que o incomodado sou eu. Entendeu? Então eu faço como? Fazendo respeitar o meu trabalho. Então você quer o quê? Uma caricatura. Eu passo meia hora no telefone explicando pra você o quê é uma caricatura, que eu faço por foto. Tem gente que não faz por foto, só faz pessoalmente. E (explico) que cobro "X". Você chega e diz "certo". E se na hora de pagar, você me disser que só paga 50% de "X", você não leva sua caricatura. "Ah, mas vem cá, vamos conversar". "Não vamos conversar, não! Ou você me paga ou você não leva seu desenho". "Ah, então não levo". "Não leve, eu rasgo o desenho"! Já aconteceu isso! O cara chegar e dizer, "Flavinho, a gente quer que você faça a cartilha assim e tal". Eu: tá bom. "Nossa, você cobrou muito caro"! Quanto é que vocês têm? "Ah, duzentos Reais". R$ 200,00 é o preço de uma ilustração colorida. E tem quem pague. Aqui. Então é o tipo da coisa. Eu tô falando em nome de um grupo, de uma minoria, mas que existe. Que aprecia as coisas bacanas, a hora do serviço bem realizado, que eu acho que não tá em tudo o que a gente faz aqui. Passa por isso, por essa coisa da gente não saber servir. De estar tão preocupado em estar no palco sendo "genial", que não baixa a bola e diz: "deixa eu fazer meu serviço". O que era para ser mérito no mercado publicitário aqui vira um motivo de depreciação. "Ah, Flavinho faz isso rápido demais! Em dez minutos você faz esse desenho!" Pois é. Você precisa disso em meia hora, eu faço em dez minutos. Você não quer pagar por dez minutos, você quer o preço de uma semana. Então eu vou pra casa, que é como os outros colegas dizem: "Flávio, não faça lá, leve pra casa, diga que foi difícil"... Eu agora tô com LER, então "minha mão tá doendo, ai, ui"... Pois é, ai, ui e sai do caralho em dez minutos. Agora: Pague o quê eu tô querendo receber por esses dez minutos. Se não pagar, não leva. E aí tudo bem, não como. Agora, graças à Deus, como, por que o mundo não é só isso aqui. Você vê ali, ó: (aponta para um papel pregado com durex na parede onde estão anotados os trabalhos pendentes, com a descrição da peça, o nome do cliente e o valor de cada trabalho). Tem isso aqui no mês. Como é que faz? "Ah, tá muito difícil"! Você quer fazer uma história em quadrinhos. Você leu? Você leu Mônica e diz que tem uma "Escola de História em Quadrinhos". Não pesquisa, não estuda, não sabe das influências, das origens... agora se acha grande professor de história em quadrinhos. Eu cheguei uma vez pro cara e disse, "venha cá velho, Flávio Luiz, tal". "Não conheço". "HQ Mix"? "Não"... "Piracicaba"? "Não"...

Chico Castro Jr.: O quê que ele sabe de quadrinhos, então?

FL: Nada! Mas tem uma "Escola de História em Quadrinhos". "Pois é, rapaz, eu tenho uma dificuldade muito grande aqui de encontrar material. Onde é que vocês compram"? (Faz um tom didático) "Rapaz, é o seguinte, a gente começa a desenhar a lápis, num tamanho maior. E depois a gente passa a tinta. Seja com pincel, ou seja"... Eu disse, "venha cá, velho, você entendeu o que eu tô perguntando? Eu tô perguntando onde compra o material, você tá querendo me ensinar um negócio que há vinte anos eu mesmo faço"? Ou seja: ele tá me ouvindo? Não tá... então, meu pai já dizia, "não atire pérolas aos porcos". Então tá ótimo, a cidade tá linda, as pessoas estão comprando minha revista em quadrinhos - as pessoas que eu sei que gostam de quadrinhos. Mas eu não vou ficar perdendo tempo de chegar em trinta bancas e botar a revista pra vender e querer ser aceito. Não, eu não serei aceito NUNCA! Daqui a um mês ninguém sabe mais quem é Flávio Luiz, se eu sou isso ou aquilo. Você vai fazer uma peneirada disso tudo, né?

(OBS.: Conversando depois com Flávio, ele fez questão de frisar que não é do Wilton Bernardo, da Oficina de Quadrinhos de quem ele estava falando, e sim, de outra pessoa. Segundo Flávio, Wilton faz um "excelente trabalho" em sua Oficina).

CCJ: Esse número novo da Jayne Mastodonte você conseguiu fazer graças ao Fazcultura, correto?

FL: Graças ao Fazcultura...

CCJ: ...Que é um programa de incentivo baseado na renúncia fiscal do governo.

FL: É.

CCJ: Como é na verdade para conseguir implementar um projeto como o seu, num estado digamos, "monocultural" como a Bahia?

FL: Eu acho que é uma alternativa para quem não tem alternativa nenhuma. Se você tem outros meios, sejam pessoais, gente sua, uma forma menos estressante de correr atrás, corra atrás por aí. Se você não tem... Respire fundo e tente o Fazcultura se for sua última alternativa. Como foi a minha, entendeu? Era a única que eu tinha, foi o Fazcultura e graças à Deus, depois de três anos... Tô conseguindo. É sofrível. Tem gente que tem vocação pra isso. Eu não tenho. Pra produzir, correr atrás dessas coisas, é tanta burocracia... Eu não tenho.

CCJ: Tem uma cacetada de artista brasileiro publicando nos mercados de quadrinhos americano e europeu hj em dia. Por que vc, que é um artista de nível internacional, como foi atestado pela poderosa Diamond Comics, ainda não está fazendo o mesmo? Por quê? É falta de contato, te falta um agente...

FL: É uma somatória disso tudo. Se eu tivesse uma ponta do lado de lá (no exterior), que dissesse "vamos chamar o Flávio, tal"... Esse lance mesmo, eu não conheço ninguém na Diamond e eles selecionaram meu desenho. Se alguém vê lá o site deles, vem e fala comigo, CLARO que eu vou fazer. Só que, sozinho também, fica difícil. Já mandei currículo, já mandei release, muita gente lá fora já conhece meu trabalho, tem contatos que fiz agora no começo do ano (no famoso Festival de Quadrinhos de Angouléme, na França) que podem vir a dar alguma coisa, mas que passa por um somatório de todas essas dificuldades.

CCJ: Tem alguns artistas brasileiros que estão fazendo um trabalho até mais autoral lá fora, como esses meninos Fábio Moon & Gabriel Bá...

FL: É verdade, que é uma linha, inclusive, mais próxima (a mim), por que o meu trabalho é autoral. Eu, durante a época que o pessoal tava fazendo muita coisa pra Image, aquele traço mais mainstream, Jim Lee e tal, eu já sabia que não teria chance nenhuma, por que na época eles não tavam querendo (coisas no meu estilo). Hoje em dia a galera tá mais aberta à essa coisa mais cartunesca, de um traço mais leve, mais desenho animado, e aí, talvez eu consiga.

CCJ: Você não pensou em procurar um agente em São Paulo, não?

FL: Eu gostaria muito, se eu souber de alguém...

CCJ: Não tem o Estúdio Artecômix, não são eles que fazem esse agenciamento, tal?

FL: É, a questão é que o pessoal do Artecômix, quando eu conversei com eles, a resposta que eles deram foi exatamente em relação ao meu estilo.

CCJ: Certo.

FL: Que não, não era isso que eles tavam "querendo vender". Então eles continuam apostando na venda fácil. No cara que desenha anatomicamente correto, então, que têm até um trabalho fantástico, Renato Guedes (Smallville), Ivan Reis (Adventures of Superman), tal. Têm um trabalho muito mais... apurado, digamos. Então essa linha continua sendo a linha mais garantida de retorno. Pra alguém apostar num traço meu, tinha que ser uma editora menor, uma Dark Horse, no máximo, uma Tokyopop, algo assim. E um agente. Eu tô até pra mandar uns trabalhos pr'um cara que eu soube que é agente em São Paulo. Mas aí não depende só de mim, entendeu? O que eu tô fazendo, eu tô fazendo cem por cento. Então eu faço muita história em quadrinhos para agências de publicidade, o pessoal das escolas e dos estúdios de quadrinhos de São Paulo já me conhece. Têm lá meu contato, sabe? Sabem onde me achar. No Artecômix tá lá. Meu fotoblog, tá lá. Se eles vão me chamar algum dia, pode chamar... Por enquanto não chamaram, e enquanto isso eu vou fazendo minha parte, não vou ficar esperando cair do céu, tô fazendo o Aú (graphic novel em estilo bande desinée que ele está concluindo), até o final do ano espero lançar. A Rota 66 (série de tiras que era publicada diariamente no Correio da Bahia, mas foi interrompida), todo mundo que gostou, que leu, me cobra que eu faça alguma coisa com ela. Só que, do mesmo jeito, já fui em São Paulo, já mostrei no Estadão, mostrei na Folha (de São Paulo), e tiveram a recepção mais fria do mundo. Até pensei em desistir de desenhar de tão frio que eles foram com uma tirinha que, quem é especializado e quem conhece,como Sidney Gusman (Editor chefe da revista Wizard Brasil e do site Universo HQ, escreveu o prefácio de Jayne Mastodonte 2) mesmo, que prega, sabe? Sidney...

CCJ: Ele é seu fã, né?

FL: É, ele me disse, "Flavinho, sua tirinha é do caralho. A Rota 66 é do caralho", saca? "Atenção, alô empresas, alô editoras, alô isso, alô aquilo"! Mas não sou eu que vou chegar e dizer (empurrando uma revista em minha direção, ameaçador): "publiiiiique minha porra"! Não! Tá aqui. Você quer publicar? Tá aqui, ó: (aponta para uma grande caixa de papelão no chão). A gente cata aqui, ó. Olha o tamanho dessa caixa aqui. São três anos, fora o que tá escrito, só no roteiro, aguardando eu publicar para entrar como inédita, ou seja: tem toda essa viagem, uma hora vai chegar a hora dela. O Aú, foi como eu te falei. Tá aí, há anos também...

CCJ: É verdade, na Jayne Mastodonte número um, de 1999, já tem um anúncio, "breve: Aú, O Capoeirista".

FL: O Aú é engraçado que eu vou fazendo assim, agora já tá quase no fim. Ele tinha nove anos quando eu comecei, hoje em dia já tá com 15. Tá mais pra Teen Titans (Novos Titãs, título da DC publicado em revista própria no Brasil pela Panini) do que pro que era antes, sabe? Barrigudinho, menininho, sacou? Ele cresceu junto com essa espera pela publicação. A Rota 66, que é uma coisa que eu gosto pra caralho de fazer, todo mundo que conhece elogia, até mais do que o próprio Jab, que tem uma linha mais lúdica, mais infantil, tá também ao alcance de qualquer um que queira publica-la. Tem uns três anos de tirinhas publicáveis aqui. Mas... passa por isso. Eu tô com um projeto com o Gonçalo há uns três anos. O projeto pronto tá há um ano na mão dele, tentando publicar lá em São Paulo. Gonçalo, um cara que já é sinônimo de sucesso garantido. Gonçalo hoje em dia é referência total. (OBS.: essa entrevista foi gravada no sábado, 12 de maio. Na terça 16, Gonçalo deu à ele a notícia de que o projeto conjunto dos dois, O Messias, finalmente será publicado pela Editora Ópera Graphica.) (Antônio) Cedraz, a duras penas consegue publicar o Xaxado, ganha os prêmios mais importantes da área...

CCJ: Cedraz é um cara valoroso...

FL: Ah, é, com certeza. É outra postura também, ele tem um estúdio trabalhando com ele, eu não conseguiria ter assistente, sabe, sou muito centralizador, sou muito chato! (Risos). Se rolar um agente, rolar um convite, serei o primeiro a levantar as mãos pro céu e dizer: "Pô! Cheguei aonde eu queria". Mas devagarzinho eu vou chegando. Essa coisa de ter sido selecionado pela Diamond, mesmo, começou de uma brincadeira. A mão começou a melhorar (da LER), eu disse, "deixa eu fazer um desenho mais bem acabado". Comecei a fazer o desenho do Escapista. Aí foi sem pressa, levei uns cinco dias com ele aqui, curtindo o desenho. Soube de site de fãs do Michel Chabon (autor do livro As Incríveis Aventuras de Kavalier & Klay, de onde surgiu o personagem Escapista), mandei e os caras selecionaram meu desenho e botaram lá, ombro a ombro com Brian Bolland (Camelot 3.000, A Piada Mortal), Will Eisner... Eu disse: NOSSA!

CCJ: Uma coisa que você fez de forma completamente despretensiosa, curtindo...

FL: É, e aí vem aquela vozinha na minha cabeça, sabe, dizendo: "o que eu faço realmente tem valor". E aí tem gente que chega pra mim e pergunta (faz um ar superior): "você continua desenhando aquelas besteirinhas"? Saca? "Tá, você desenha Cartum, mas e de trabalho, é o quê"?

CCJ: Nego não desiste enquanto não ver todo mundo engravatado trabalhando numa porra de um escritório...

FL: É, eu me formei em Administração depois de oito anos, pra ter uma cela especial, nunca se sabe... (Risos). Ainda mais tão chato (como eu sou), tão politicamente incorreto, tão revoltado, mas... Em relação a Diamond: dali (do site de fãs de Michael Chabon), já foi pro site da Diamond. Aquela escola de quadrinhos de São Paulo, a Quanta, entrou em contato, pediu também para colocar o desenho... Eu disse, nossa, será que agora eu consigo com um personagem meu, o Aú, quem sabe a Jayne agora com essa volta... A Rota, que eu acho que merecia melhor sorte, tem tanta tirinha ainda boa pra publicar dela... Tem tanta tirinha cabeça demais aí, que só faz rir os "modernos", sabe? Todo mundo que pegou a Rota riu pra caralho.

CCJ: É um lance mais acessível.

FL: É, acessível! Despretensiosa, e ao mesmo tempo, politicamente incorretíssima...

CCJ: Tem muita crítica ali, né? Eu vim relendo no ônibus, a caminho pra cá, até retirante nordestino você meteu lá no deserto americano (onde a tirinha se passa).

FL: É, botei retirante, botei Bill Clinton, axé... Botei tudo o que eu gostaria de sacanear e não posso, por que o pessoal se leva muito a sério aqui. Então a tirinha era minha válvula de escape. E quando eu soube que o jornal, por contenção de despesas cancelou a publicação, pensei: "não, vai ter uma série de emails pedindo que não, não cancelem"... Nããão!

CCJ: Nada.

FL: Não, eu saí, passei um ano fora do Correio (da Bahia) fazendo fisioterapia, e ninguém: "cadê o cara"? Ninguém. Agora, avise que o carnaval vai ter um dia a menos ou que fulaninho vai sair do grupo tal. Nossa! Essa cidade pára, vem abaixo, quebra-quebra! Quebrava-se ônibus antigamente por outros motivos. Hoje em dia... Já cheguei onde cheguei graças ao meu trabalho, graças à persistência. Muitos amigos meus deixaram de fazer quadrinhos para se tornarem profissionais liberais, ganhar mais dinheiro. Eu conheci o Sergio Aragonés (desenhista da Mad e criador de Groo, O Errante, entre outras coisas), e ele me falou uma coisa, talvez por esses anos e anos de vivência dele. Ele olhou meu portfólio em '96. Eu já tinha alguma coisa do Jab, um esboço do que seria a Jayne. Então ele olhou o meu trabalho assim e disse: "do caralho e tal. Mas saiba que seu caminho é o mais difícil. Mais difícil e mais bonito". Por que? Por que você olha um desenho meu e diz: "isso é Flávio Luiz". Você não fica na dúvida: quem desenhou isso aqui? Então eu tô nessa via de mão dupla, o caminho mais difícil e mais bonito. No dia que eu chegar lá, ninguém tira o meu lugar. Por que só eu faço. Como o cara do Snoopy, o cara do Calvin, o próprio Aragonés. "Ele disse: você tá na linha do cartum". Eu faço aquela ilustração do Escapista, você vê que existe um humor ali. Por mais que a história seja de aventura e tal. O cara que faz Os Simpsons também (Matt Groening), me disse a mesma coisa. Ele olhou meu portfólio e escreveu no minha revistinha dos Simpsons que eu pedi para ele autografar: "Keep cartooning". (Algo como: Continue fazendo cartum). De outra vez eu tava mostrando o portfólio numa mesa dessas (em convenção de quadrinhos), tava o Arthur Adams (desenhista da DC Comics), Mike Mignola (criador de Hellboy) e Jeff Smith (criador de Bone). Os três olhando meu portfólio e comentando entre eles "pô, do caralho" e tal. Aí eu olhava pra eles e pensava "nossa, esses caras estão achando meu trabalho do caralho". Então eu não vou me deixar abater por que fulaninho da Bahia, né, (faz voz baianesca), meu rei, tá achando que tá caro eu fazer o desenho do filho dele por dez Reais. Ele queria por cinco. Afinal, são duas crianças para desenhar numa folha de papel só. Quer dizer: o que conta é a folha de papel. Ou então a patricinha da Graça (bairro tradicional da burguesia soteropolitana) que diz: "ah, eu fiz um desenho em Miami, paguei 25 dólares". Eu disse: "é, mas você mesma tá dizendo que não ficou tão parecido quanto esse que eu fiz, né"? "É, mas foi em Miami"! Ou seja: eu desenho uma jaca e digo que é você, mas eu sou de Miami e você diz amém. Mas é isso, as coisas vão andando, meu nome tem rolado por aí. A Mosh! (revista carioca de rock e quadrinhos) já me pediu um material, Sidney (Gusman) vive fazendo... Eu viro pra ele e digo obrigado, ele vira pra mim e diz "porra, obrigado por quê? É minha obrigação, eu trabalho com quadrinhos e trabalho com o que eu acho bom. Se eu acho bom o seu trabalho, eu vou dizer que não"? E eu como autor, vou dizer, "não, eu não sou bom não, Chico. Vá entrevistar Dadá de novo, vá entrevistar Popó pra ele falar de choro e da feijoada da mãe dele pela milésima vez". Pô, nada contra Popó. Popó é do caralho, mas cada qual no seu cada qual. CHEGA TAMBÉM, entendeu? Vamo lá, vamo andar! Eu continuo estudando, continuo comprando gibis, vendo quem tá publicando, quem é quem. Posso não gostar de muita coisa que carinha incensa, posso gostar de coisas que carinha detesta, por que aí sou eu, ser humano, comum, não sou super não. Apesar de gostar do Super (Homem).

CCJ: Qual a sua criação preferida: Jayne Mastodonte, Aú, Rota 66, Jab?

FL: Politicamente correto seria dizer que todos são iguais e que todos são como meus filhos. Mas eu gosto mais mesmo é da Rota. Acho que é onde eu fui mais realizado mesmo. O Jab é uma coisa muito lúdica. A Jayne, eu brinco até dizendo que é meu lado feminino. Quando eu estou fazendo a Jayne ela é a bola da vez, só penso nela, só crio pra ela. O Aú eu tô terminando agora, então só penso no Aú. Mas o que é o Aú? É o baiano que eu sou. Ele vive numa Salvador que eu acho que existe também. É mostrar o lado, mas sem ser uma caricatura de negro, essa caricatura de baiano que pulula hoje em dia na nossa cidade. O Aú é meio que uma resposta pra isso também, sacou? No Aú, o nome do Aeroporto é 2 de Julho (data da independência da Bahia, mudado pelo senador ACM para Aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães, quando do falecimento do mesmo). Se por isso eu não vou conseguir patrocínio, eu não sei. Talvez eu consiga lá fora. Ele gosta de blaxploitation, faz capoeira, mas curte jazz...

CCJ: É um capoeirista esclarecido, digamos?

FL: É um capoeirista cosmopolita. Agora, antes de tudo ele é um capoeirista, um cara que tem sua vida pautada pela filosofia da capoeira, que respeita a capoeira, que não faz dela um circo. A apresentadora de TV veio e disse, "ah, você fez esse capoeirista muito bonitinho"! Como assim? Ele é lindo! É para ser lindo, mesmo! Veja esse Pelourinho, olhe como tá limpo, bem pintado. Ele vai combater os problemas e tal, nas aventuras dele, mas sem entrar em nenhuma conotação política ou de grandes causas, por que não é isso. Não é esse tipo de história ou de humor que eu quero contar. É puro entretenimento, entendeu? Agora, entretenimento com conhecimento, ele é um cara safo, porreta, ele vai usar gíria, vai ser bom anfitrião... Mas ele também corre atrás de cumprir o horário dele, de resolver as coisas de uma forma mais rápida, sem... "ah, semana que vem a gente vê isso", sabe? Passa por aí. A Rota 66 eu digo que gosto mais por que se a gente for lá no fundo, no fundo, no fundo, eu comecei a colecionar quadrinhos com as coisas que eu lia no Gibi Semanal, Kid Farofa, que é um clássico pra mim, Snoopy... Eu olhava pro Charlie Brown e dizia "nossa, sou eu"! Talvez por isso eu goste da coisa da tirinha, do timing, da pressa da tirinha, eu sou um cara meio agoniado, então eu prefiro sentar e fazer 40 tiras como eu fazia - desenhar, não, desenhar, eu fazia umas nove por dia, o que já é um ritmo alucinado. Às vezes sentava e saíam 30, 40, 50, 60 tirinhas, aí Lica (esposa de Flávio) vinha e dizia, "Fau, tá bom, descansa a cabeça um pouco agora". Eu mergulhava nesse universo. Que é o que me salvou, digamos assim, entende? Eu sonho em quadrinhos. Quando levo muito tempo sem comprar um gibi, eu sonho (comigo mesmo) comprando gibis que não existem, visitando lojas de quadrinhos que não existem! (Risos).

CCJ: Você tem lido Marvel e DC ou seu negócio é só europeus e independentes, mesmo? Você tem se mantido atualizado?

FL: Eu tenho lido a Wizard Brasil para me atualizar e tenho comprado uma ou outra minissérie. Nada de linha. Não gosto dessa coisa da Panini de enfeixar três, quatro revistas numa só. Gostaria muito de colecionar Os Supremos (versão modernizada dos Vingadores, publicada na revista Homem Aranha Millenium), mas sei que ela vem junto de outras, então eu não gosto, não compro. Então fico mais nas minisséries, coisas antigas Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico, Os Maiores Clássicos do Homem Aranha... Entre comprar Marvel ou DC, eu vou pelo herói. Da Marvel eu gosto do Homem Aranha, dos X-Men. Da DC eu gosto do Batman. Então, eu escolho mais pelo herói do que pela editora. Gosto das coisas européias, que aí eu mando buscar, vou direto na fonte. Os clássicos, Corto Maltese... Tô querendo comprar algum Timtim, que não tenho nada, é importante ter na coleção. De mangá, só o Lobo Solitário mesmo. Tentei gostar de outras coisas, mas vi que não é o meu timing... Anime, eu só assisto com o dedo na tecla FF, acelerado, se ficar muito na contemplação de imagens eu perco a paciência. Coisas muito alternativas, eu não compro. Gosto do Madman (de Mike Allred, recém-lançado no Brasil pela Pixel Media), as coisas dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel (Bá) eu gosto muito, compro. Mas tô meio ressabiado hoje quando chego na banca. Não arrasto tudo como antigamente, não.

CCJ: Quais são seus planos pro futuro? Você está concluindo uma graphic novel (Aú, O Capoeirista), como você acha que vai publica-la? Você acha que consegue publica-la aqui no Brasil ou vai tentar alguma editora lá fora?

FL: Eu vou fazer o seguinte: eu vou termina-la e vou envia-la tanto para o pessoal em São Paulo, quanto para o pessoal fora do Brasil, quanto eu mesmo... Vou soltar três cavalos pra correr. O que chegar primeiro lá na frente ganha. Mas em termos de futuro, de planos, eu gostaria muito de ficar só com meus personagens. Ter uma base regular de venda da Jayne, voltar a publicar a Rota e com eles fazer um merchandising bacana de bonequinhos...

CCJ: Caneca, camiseta...

FL: Caneca, camiseta, sabe? Nisso eu sou completamente diferente do Bill Waterston (criador de Calvin & Haroldo, que nunca permitiu o uso dos personagens em outros produtos que não as próprias tiras), meu negócio era realmente ver meus personagens desfilando nas ruas, desfilando. Por que é o que eu acho que vai ficar meu, né? Gostaria muito que o Aú viesse a crescer também como eu acho que merece, sei lá, virar depois um filminho, uma animação com os personagens da Rota... Eu penso nisso. Botar um site com animação, com game, por que eu acho que eles têm essa pegada mais... pop. Os "capitalistas" são eles, né? E viver disso, mesmo. Ter grana suficiente pra poder viajar de vez em quando e comprar meus gibis. De vez em sempre.

CCJ: E por que não tá rolando mais de publicar as tiras?

FL: Eu cheguei a mandar para os jornais e sei que aqui a gente não tem a cultura dos syndicates, então eu espero fazer um livro de tiras. Quero botar as tiras no formato livro e ver se dá certo, como tá dando pro Níquel Náusea. Não sei se em preto & branco, ou colorido como eu gostaria. Vai virar livro. Já que não há a possibilidade por aqui de viver graças à um syndicate. Tem no meu fotoblog (várias tiras), espero colocar mais. Não vou colocar todas senão, o livro perde a graça. Tem horas que eu paro e fico querendo criar coisas novas, mas tem que dar conta ainda dessa turminha, que eu já criei e que ainda tem muito pra mostrar.

CCJ: Você é mais o tipo criador solitário, sem muita parceria com roteiristas, né? Tem uma com o Gonçalo...

FL: É, verdade, eu sou muito centralizador, quero muito ter o controle total, então não funciona muito comigo. Claro que se alguém me vier com um baita roteiro e me der a honra de ilustrar, eu não tô fechado, claro. Eu sabendo a procedência também... Gonçalo, nossa! Eu já conhecia ele, já sabia da sua capacidade de ser roteirista antes dele fazer os álbuns que ele está fazendo. É meu amigo. Só que, quando é alguma coisa que não tem muito a ver com meu traço, meu estilo, minha maneira de contar uma história, nem pego, por que já sei que não vai ser legal. Trabalho com publicidade, já fiz coisas com roteiro de muita gente, mas... não é meu. É um trabalho que eu faço para outros. É diferente. Mas minhas coisas eu prefiro fazer sozinho. Meus personagens, eu sou meio ciumento pra eles.

CCJ: Pra encerrar: se você pudesse ser um personagem de quadrinhos, super herói ou não, qual seria?

FL: Ah, Plastic Man (Homem Borracha)!

CCJ: Sabia que cê ia dizer isso!

FL: É o Plastic Man. Inclusive o pessoal quando vem aqui em casa, olha, diz: "parece você". Minha mulher quando lê, diz "nossa, mas ele tem um jeito seu, mesmo"... Agora, se for pra revelar mesmo "quem é você no mundo dos quadrinhos", eu sou Charlie Brown! (Risos).

AGENDÃO! AGENDÃO! AGENDÃO!

HORA DO ROCK 25.05 - No Hora do Rock de hoje vai rolar Flaming Lips, Mercury Rev, Radiohead, Charlatans, Delgados, Weezer, Elefant, The Coral, Hard Fi, The Subways, Death Cab For Cutie e Fountains of Wayne. Para ouvir: toda quinta, às 21h, na Globo FM (90,1), ou www.gfm.com.br para quem não mora em Salvador.

SÃO SERÁ O BENEDITO - Nildão e Renatinho lançam "São Será o Benedito" . Do release: Os designers gráficos Nildão&Renatinho lançam dia 25 de maio (quinta-feira), a partir das 19 horas, na Sala de Arte Cinema do Museu no Corredor da Vitória "São Será o Benedito e outros santos geneticamente modificados", uma coleção de doze postais e de um pôster colorido. O trabalho da dupla é uma releitura pop do universo iconográfico da Igreja Católica que visa oferecer novas opções de santos no mercado com a intenção de suprir e contemplar inúmeras solicitações vindas dos próprios fiéis. Como exemplo eles citam a preocupação dos devotos cujos arquivos digitais estavam ameaçados por vírus ou descargas elétricas e que agora se sentem muito mais seguros e protegidos graças a criação da Nossa Senhora do HD, uma santa de interface amigável e compatível com qualquer ambiente virtual. A coleção de postais custa 10 reais e o pôster 40x60 sai por 5 reais cada um. Após o lançamento os trabalhos serão vendidos no circuito Saladearte, Mídialouca no Rio Vermelho, Pérola Negra no Canela e no Rama Restaurante na Barra. Nildão é designer e cartunista e Renatinho da Silveira além de designer é professor da Faculdade de Comunicação da Ufba e segundo eles, quem não for ao lançamento é mulher do padre.

OS MIZERAVÃO - Não adianta correr, pra onde você for, eles te pegam: Rock, Disco, Country, Metal, Brega, Punk Rock, Pop...a proposta dos "Os Mizeravão" e tocar aquilo que te toca. Vai lá, todo mundo vai, até os Mizera Vão! Banda de Abertura: Os Infames. Dubliners Irish Pub (Porto da Barra), Quinta, 25 de maio, Horário:21 horasIngresso: 10 reais (com direito a 2 cervejas).

Koyotes, Sindirock e Tudomundo - 26 de maio, sexta, 22h30, no Dubliners Irish PubPorto da Barra. R$5 + R$5 (consumo).

Theatro de Séraphin e Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta - 26 de maio, sexta, 20h, no Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB Ladeira da Praça, Centro. R$5,00.

Sangria, Theatro de Séraphin, The Honkers - Aniversário de 3 anos do programa Rock'n'Geral (Educadora FM)26 de maio, sexta, 22h, na Zauber, Ladeira da Misericórdia, Centro.

Boogie Insurgente - Big Brother & convidados - 26 de maio, sexta, 22h, free. Espaço Insurgentes, Rua do Carro, Nazaré.

Britbox - com a banda Plane of Mine e ZecaCuryDamm. Discotecagem "brit" com o dj Lucas Albarn; Dias: 06, 13, 20 e 27/05 (Sábados); Horário: 21:00; Local: The Dubliners Irish Pub (Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra - Próximo à Praia do Porto)Ingresso: R$ 10,00 (com direito a 2 bebidas *); * Refrigerante, cerveja ou águaNão aceita cartões de crédito/débito, nem cheque. Informações e venda antecipada de ingressos: Marcio - 8116-4374 http://www.planeofmine.com/ www.myspace.com/planeofmine

1 Ano de Nave - Discotecagem até amanhecer em 2 pistas simultâneas, com os DJs: Janocide / el Cabong / Boris / Gabi Perdicta / djgo / Messiah / Ramon Prates / Albarn / Big Bross / Sompeba / Sputter / Silvis - Indie - Pop - Glam - Punk - Garage - Lo-Fi - Rock Brasil - Shoegaze - Black - Electro - 50´s - 60's - 70's - 80's - 90's - 00's - Serviço: 27.05.2006 23h R$10 Seven Inn Rua da Paciência, 88 - Rio Vermelho Contato: festanave@gmail.com Fotolog: http://www.fotolog.net/nave_

ROCK DE BATOM 2006 - 3ª Edição - Bandas: Apnéia, Nitroh, Cox, Ulo Selvagem, Tilt - Clube de Engenharia (Espaço Pop Dance): Rua Carlos Gomes, nº 31 (ao lado da esquina do Sodré) - Centro, 27.05 Sábado, Horário: 20:00h Ingresso: R$ 7,00

LISERGIA e JANQUIS - 27.05 Sábado, Horário:23 h. Zauber Multicultura (Ladeira da Misericórdia, nº 11, atrás da prefeitura).

terça-feira, maio 16, 2006

ROCK LOCO ENTREVISTA - FLÁVIO LUIZ, 42: NERD DE CORAÇÃO, CARTUNISTA E QUADRINHISTA PROFISSIONAL

Eu não sabia onde estava me metendo quando resolvi entrevistar Flávio Luiz. Conheci-o quando trabalhei - por um breve período - no jornal Correio da Bahia, onde ele até hoje trabalha, apesar de estar de licença médica há alguns meses devido à uma inconveniente LER (Lesão por Esforço Repetitivo). Nossa empatia foi imediata. Fãs enlouquecidos e apaixonados por quadrinhos de todos os estilos e épocas, logo estávamos trocando revistinhas e muitas idéias e referências que vínhamos colecionando ao longo da vida. Tive a honra de ter algumas de minhas matérias brilhantemente ilustradas pelo seu traço firme, carregado de influências dos cartunistas da Mad, da bande desinée francesa e dos comic books americanos de John Byrne (X-men, Punho de Ferro), entre outros. Quando fui saído do Correio (ali pelo finalzinho de 2003), meio que perdi o contato de Flavinho, mas nunca deixei de admirar seu trabalho. Retomei-o só recentemente, quando soube que, finalmente, ia lançar o número 2 de sua revista Jayne Mastodonte, com uma festa na Companhia da Pizza (cujo proprietário, o famoso Portela, é também fã de Flávio, basta ver que vários dos jogos americanos e postais do estabelecimento são assinados por ele). Perdi a festa, mas entrei em contato para adquirir meu exemplar da Jayne em sua mão. Daí para entrevista-lo para o Rock Loco e para o site Pop Balões, foi um pulo. Profissional premiado, respeitado no meio quadrinhístico e requisitado por grandes empresas do sul do país para ilustrações que decoram desde latas de cerveja até capas de CD (ele está criando a arte do próximo CD da banda carioca Dibob) e aos poucos sendo descoberto no exterior (já teve três - lindas - ilustrações exibidas pela poderosa distribuidora Diamond Comics, a maior dos EUA, em sua seção Previews, aqui), Flávio ainda se queixa de ser pouco reconhecido na sua terra natal. Será que ele está errado? Acompanhe seu raciocínio rápido, seu estilo metralhadora giratória, histórias malucas e queixas nessa conversa franca - de nerd para nerd. E tire suas próprias conclusões. (Observação: essa é só a primeira parte da entrevista - o lado A de uma fita de 60 minutos. O lado B eu publico aqui assim que terminar de transcrever).

E eis que, enquanto eu ia postando esse material aqui, Flávio me liga para contar aos pulos que sua graphic novel O Messias, criada em parceria com o roteirista e jornalista Gonçalo Júnior (A Guerra dos Gibis, entre outros livros), será publicada pela Ópera Graphica. "Foi você que me deu sorte, Chicão"! Exclamava Flávio louco, do outro lado da linha. Que sorte que nada, Flavinho, O talento de vocês dois é que determina tudo. Que sorte que nada...

Ah, quase que eu me esqueço: para comprar sua cópia de Jayne Mastodonte número 2, é só mandar um email para flavioluizcartum@uol.com.br. Quem mora em Salvador também pode encontrá-la em algumas bancas pela cidade, na Pituba (Banca do Bené), Ondina, Graça e Corredor da Vitória. Recomendo, e em breve posto resenha dela aqui também e no site Fanboy.

Chico Castro Jr.: Começar do começo: qual foi sua primeira revista em quadrinhos, a que você lembra assim de ter mãos, lido, pirado e dito: "é isso aqui que eu quero fazer na minha vida"?

Flávio Luiz: Eu lembro da primeira revista em quadrinhos que eu tive em mãos, mas a revista que eu pirei e disse "é isso que eu quero fazer na minha vida" foi anos depois. Então são duas. A primeira foi em 1969, meu irmão indo comprar um acarajé, me veio com uma revista do Príncipe Namor, uma aventura com os Inumanos na capa. Eu tenho essa revista, digo, mandei buscar nos Estados Unidos.. Mas a primeira revista que me fez dizer ?é isso? foi a X-Men (americana) número 111, desenhada por John Byrne, com roteiro de Chris Claremont, de 1978.

CCH: Era os X-Men contra quem?

FL: Magneto. Digo, eles ainda não sabiam que era Magneto o vilão por trás da trama, era uma coisa deles no circo contra Mesmero, só que quem tava por trás era Magneto.

CCH: Eu me lembro de ler essa historinha numa Superaventuras Marvel, já nos anos 80.

FL: Eu chorei copiosamente quando a Fênix morreu.

CCH: Foi mesmo?

(Risos)

FL: Era X-Men maníaco desde menininho, mesmo. Enlouquecido. Daí comecei a querer fazer (quadrinhos), tal. Eu já colecionava, eu vou lhe dizer, era uma fase tão rica de títulos, tinha até as edições da (Editora) Bloch, do Iron Fist (Punho de Ferro), entendeu? Mas de impacto mesmo, de eu dizer "não, não existe coisa melhor no mundo", foi essa X-Men 111. Tanto é que eu tava até procurando para te mostrar.

CCH: E aí você começou a fazer cedinho, né? Ainda garoto.

FL: É, com 11, 12, na escola, um colega meu que já fazia e me mostrava e ele viu que eu desenhava cenas e super heróis, veio e disse "vem cá por que a gente não faz junto"? Aí eu fazia junto, e era na caneta Bic mesmo, pegava um caderno escolar, só fazia tirar a capa e aí passava tardes, dias mesmo, afundado ali. Estudava, lia coisas que para a minha idade eram cabeça demais. O pessoal ia pra rua, jogar vôlei, jogar bola, paquerar. Eu entrava na biblioteca e lia sobre o buraco negro, a explosão da supernova, essas coisas.

CCH: Pra dar idéia (pras historinhas)?

FL: Pra acompanhar o raciocínio que sobrava, que eu acho que é uma máquina. Quando a gente lê sobre os caras que faziam gibi, é isso: eles viviam fissurados em ficção científica, os caras que faziam o Super Homem...

CCH: Gardner Fox.

FL: É? NERD! Eu engano bem, mas eu sou nerd na alma, minha alma é nerd, certo? Eu tenho uma cara de bad boy, descarado, essas coisas, mas... NADA! Saca? Deixava de ir pras festas, as festas rolando, eu dizia "não, hoje tem Mulher Biônica" (seriado dos anos 70, spin off do Homem de Seis Milhões de Dólares, de Lee Majors).

CCH: Mulher Biônica?

(Risos).

FL: Eu era fã, apaixonado pela Mulher Biônica. Era um absurdo. Ficava sozinho, não saía, festa de aniversário, de parente? Era Homem Biônico, Mulher Biônica...

CCH: Você viu o episódio que é um crossover, que eles se encontram, têm uma missão juntos?

FL: Isso, eles se casam, depois tem aquela coisa do filho... Lembro disso tudo. Tem uma coisa na Mulher Biônica, por que eu gostava dela também? Ela era a cara de uma colega minha que eu era apaixonado, era a menina mais bonita da sala, era aquela coisa (cantarola a música de Lulu Santos:) "a menina mais bonita, também era a mais rica", e eu deitado em casa escrevendo gibi, entendeu? (Risos) Meu negócio era desenhar, ler gibi e assistir desenho animado. E até que, hoje em dia, continua a mesma coisa, entendeu?

CCH: Sei como é, eu me lembrei daquela música do Léo Jaime, que dizia "você vai de carro pra escola e eu só vou a pé, você tem amigos à beça e eu só tenho o Zé"!

(Risos)

FL: Eu só tinha o Marcos! Hoje ele é professor da UFBA e arquiteto. A Jayne (Mastodonte) nº 1 é dedicada à ele, é meu amigo há... 33 anos.

CCH: Desde guri, né?

FL: É. Do 3º ano primário até hoje, imagine? Unha e carne. Diga aí, que mais?

CCH: Influências. Quais são as principais no seu trabalho?

FL: Um pouquinho de tudo. Começou com a revista Mad, com o Gibi Semanal, que sempre tinha o Will Eisner, então só aí, já entra influência do lado do Will Eisner, das tirinhas, do humor da Mad, Harvey Kutzman, Jack Davis, Don Martin, todos os caras da Mad, Mort Drucker... Aí já entra caricatura, (fica pensativo) vamo lá, pererê, parará, (Editora) Ebal, com o Super Homem de Curt Swan, Capitão Marvel de C.C. Beck, Sargento Rock de Joe Kubert, todos aqueles títulos da Ebal, mas principalmente, John Byrne, que era assim, "Deus no céu, John Byrne na Terra".

CCH: Mas não hoje em dia, né?

FL: Não, hoje em dia... ainda ele, mas com certeza, outros, além dele. Hoje em dia já tá...

CCH: O cara tá meio gagá, né?

FL: É, ele tá pior do que era.

CCH: O cara "involuiu".

FL: Tem que saber a hora de parar, não dar uma de Romário...

CCH: É inacreditável o que aconteceu com ele e Chris Claremont, eles caíram muito, muito. Eu não consigo ler mais nada do Chris Claremont. Eu pulo as histórias dele numa revista.

FL: Confesso à você que eu não leio mais também, não. Hoje em dia eu só tenho pegado assim... é como eu te disse (antes da entrevista), eu tô pincelando muita coisa, é Kyle Baker, Alan Moore, Will Eisner (esse nunca deixou a peteca cair)... Muita coisa antiga, tô retornando àquela coisa de ler o que eu lia com 14 anos e que hoje em dia eu posso comprar no original, sem ser naquele infame formatinho. Por exemplo... Batman, eu gosto da linha Batman Adventures (revista no estilo do desenho animado). Não sigo (as revistas da cronologia oficial). Não sei o que é Azrael, não sei nada mais da revista de linha, mas eu sou fã do Batman do desenho animado, da revista do desenho, onde a historinha começa e termina no mesmo número.

CCH: E o Batman fase Neal Adams (desenhista dos anos 70 que resgatou o aspecto sombrio e ameaçador Homem Morcego pós seriado cômico dos anos 60)?

FL: Sim, gosto, lembro. Mas eu era mais o Batman Jim Aparo (outro desenhista, contemporâneo de Neal Adams). Batman de Superduplas (revista da Ebal)?

CCH: The Brave and The Bold (o título original da DC), né?

FL: É, isso. Comprava também Lanterna Verde, Flash, comprava de tudo. Mas se for fazer uma peneirada, eu gosto de Batman, gosto de coisas com um toque de humor, tipo Plastic Man (Homem Borracha no Brasil), do Capitão Marvel (Shazam), muito mais do que Super Homem. Quando ele começou a ficar muito certinho, cortei. Homem de Ferro, eu também gostava muito... Gostava de tudo, mas tinha essas predileções. Punho de Ferro, Raio Negro (Black Lightning, herói negro da DC), eu gostava desses personagens, achava que era mais safo, os personagens muito certinhos, eu não tenho muita paciência, não. Eu gostava dos problemáticos, sofridos...

CCH: Luke Cage (Herói de Aluguel, personagem da Marvel)?

FL: Ah, adorava... Jonah Hex?

CCH: Também adorava Jonah Hex! desenhado por Tony de Zuñiga, né?

FL: É, eu tenho aí alguma coisa. Aliás, não. Troquei com o Gonçalo (Júnior, jornalista baiano especializado em quadrinhos, autor de A Guerra dos Gibis, entre outros livros). Tinha, mas de vez em quando eu faço uma peneirada e aí ele sobrou. Bom, influências: Uderzo (criador de Asterix), Ibáñez, do Mortadelo & Salaminho, chorava de rir. Morris, por conta de Lucky Luke, que também era com Goscinny...

CCH: Por sinal, aquele filme do Mortadelo & Salaminho (nas locadoras) ficou devendo, não?

FL: Não acho, não, eu gostei.

CCH: Eu achei que o estilo cartunesco tá bem reproduzido, talvez até demais, exageraram tanto que se perdeu, não foi, não?

FL: É, a gente sempre tem a vontade de ver um filme melhor, que nem o próprio X-Men ou o Homem Aranha, ou o Batman...

CCH: É, o Homem Aranha (filme) ficou meio certinho, limpinho demais... Já o X-Men é mais... bem sucedido, talvez.

FL: O Mortadelo & Salaminho muita gente estranhou por que? é o humor espanhol, você entendeu? Eu morei um ano lá, então eu entendo por que é daquela forma, eles adoram de uma hora para a outra cantar uma musiquinha, neguinho morria de rir. Eu fiz um curso lá e a galera tinha esse tipo de coisa, de contar uma piada e botar uma musiquinha... É uma coisa que no filme você vê ad nauseum, mesmo, a mulher tá cantando na rua, lá, lá, ri, ri, ri, aí cai um vaso na cabeça... Isso eles morrem de rir, e eu olhava e dizia, "porra, velho, por isso"? Então tem esse lado, de gostar por que foi feito - mais do que da forma como foi feito. É que nem aqueles desenhos animados da Marvel, aqueles recortados da revista (feitos nos anos 60, clássico das tardes de quem mais de trinta anos). Se você for olhar em termos de animação, é uma bosta.

CCH: São desenhos "desanimados".

FL: Aquele (desenho do) Super Homem do Michael Fleischer, nos anos 40, é muito melhor. Muito mais bem feito tecnicamente. Mas é como a gente tava falando antes da Mulher Biônica, hoje em dia não tenho mais saco de assistir nem... meio intervalo de um filme desse. Meu Deus, como era...

CCH: Tosco, né?

FL: Mas é por que satisfazia outros anseios, né? Eu ficava, sei lá, me realizava de outra forma. Hoje em dia, com 42 anos, (faz gesto de distanciamento) você já olha de um certo... né? Um "certo" só, por que eu continuo babando. Então tem isso. Quadrinho nacional eu gostava de Maurício de Souza, claro, Cebolinha mesmo, eu comprava desde o número um. Gostava de Ziraldo, com o Pererê, mais até do que o Cebolinha. E gostava de Gabola, do Perotti.

CCH: Era um macaco, né?

FL: Era um macaco, que tinha um maracá, que eu achava assim, um sonho! (Risos) Tinha tudo, quando minha mãe jogou fora essa coleção, foi uma das minhas maiores perdas, entendeu? (Fica enfático) Depois da perda de meu pai, foi uma das maiores perdas da minha vida, sacou?

CCH: Foi sua coleção de Gabola!

FL: É, foi a coleção do Gabola... Heróis da TV, tava tudo dentro de uma caixa, começou a dar uma traça, um belo dia eu cheguei "minha mãe, cadê minha caixa de revistinha"? "Ah, meu filho, joguei fora, depois você compra novas?... Eu: "NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!!!!!!!!! Não, não, não!!!" (Risos). Trauma. Um dos 150 traumas de infância, esse foi um. Mas voltando: colecionava algumas coisas de quadrinho nacional, depois tive algumas coisas da Chiclete com Banana, Mad, comecei a comprar a Mad até numa idade precoce, com oito, nove anos eu tava lendo a Mad, que era uma coisa mais adolescente. Aí depois, na época da Chiclete com Banana, eu já tava voltado mais pro lúdico, tava curtindo muito Asterix, e tal. Lia (a Chiclete), gostava, mas não com o mesmo deslumbramento (que rolava na época). Achava muita coisa gratuita, desnecessária, sem graça.

CCH: O lance que eu acho da Chiclete é que eles exageravam às vezes, na coisa de chocar, da putaria, das drogas, por causa da época, né? Nova República, um suposto fim da censura, então eles queriam mais era meter o pé na porta mesmo, soltar tudo o que ficou preso tanto tempo.

FL: Aí é que tá, eu era "espertinho" pra caralho, né? Meu primeiro gole de cerveja foi com 18 anos. Tudo bem que depois eu já tomei muitos porres homéricos, e até outras coisas, mas... Eu era malhador, saca? Fazia triathlon. O underground nunca me seduziu assim, enquanto glamour e postura de confronto. Minha resposta pra isso tava no desenhar, no fazer piada, brincar com todo mundo. Nessa coisa de enganar bem, eu andava com os bad boys, com os doidos, mas chegava na hora, pegava e dizia "galera, vou nessa, estudar pra prova, sacou"? Eu era o cara que fazia as brincadeiras mais loucas, só pra ilustrar isso, pra você entender melhor, eu fui "convidado" a me retirar do colégio em que estudava, (mesmo) com o diploma de melhor aluno do colégio. Por que eu tirava dez. Em outubro eu já tava de férias. Mas aí eu continuava indo pra dar pesca pros colegas. Pescas mirabolantes. E aprontava mesmo, badernava, fazia caricatura da diretora vestida de harpia, com asas e garras, atacando os alunos... Era um Tazmania, e ao mesmo tempo, o cara mais correto em termos de experiências, digamos, lisérgicas ou qualquer coisa assim. Uma colega minha me chamava de "Metamorfose Ambulante", por que um ano antes, eu ia estudar buraco negro na biblioteca, no outro ano, fui ver "outro tipo" de buraco negro na biblioteca (risos). Pra mim era ótimo, mas o pessoal ficava sem entender: "mas você é tão bom aluno!?. Eu digo "sim, eu continuo bom aluno, mas vamo lá, né, a vida também é isso". Sem precisar, claro, deixar de viver. E nêgo não acreditava, saca? Um dia saí arrastado por um carro cheio de cerveja, segurando no pára choque e queimei meu All Star que nem esse que você tá usando, ficaram uns quatro ou cinco dedos de fora... Eu fiquei do Porto da Barra até a frente do Hospital Espanhol, existia ao lado da linha do trânsito a linha dos meus dois tênis, sendo arrastado de carro. Passou um carro cheio de cerveja, eu disse: "é meeeeeuuuu!!!!!!!", eu pá, segurei, um cara disse (faz cara de pânico: "tem um cara aí atrás! Diminui, reduz!", e eu: "nada!", e vrummm, quando eu larguei, tava tudo em carne viva: queixo, ombro, peito, barriga...

CCH (Abismado): Você não tava sentindo a bagaceira?

FL: Eu tava completamente mamado.

CCH: Você ainda tem mamilos?

(Risos)

FL: Tenho, mas durante um bom tempo fiquei sem pelos! (Risos) Mas é sério, carne viva. Quando passou a onda da cachaça, eu botava a mão assim, ficava: aaahhh!! (Faz cara de dor). Aaahhh! Tudo ardia, horrível, fiquei aquela coisa deprimente, completamente lascado, assado, rosa. Até hoje tenho cicatriz dessa extravagância. E os caras ficavam: "não, esse Flavinho é completamente doido". Pô, eu falo muito, já entrei por outras coisas...

CCH: Mas assim que é bom. Você já ganhou alguns prêmios, né?

FL: Já. Outro dia eu tava fazendo um levantamento aí, consegui chegar a dezoito, dezenove.

CCH: Inclusive fora do Brasil.

FL: Já. Rolou um que foi no Festival de Malmoe, na Suécia, em 2003. Ganhei uns dois Piracicabas (Salão de Humor de Piracicaba, o mais tradicional evento do gênero do Brasil): em 1994, (melhor) Cartum. Em 2000, (melhor) charge. Ganhei (Prêmio) HQ Mix em 2000, com o número um da Jayne Mastodonte. Ganhei em Foz do Iguaçu, que era um prêmio super disputado aí, tinha o tema sobre a água e fiquei em 4º. Ganhei aqui em Salvador alguns. Ainda em Piracicaba, teve um ano que fiquei em segundo lugar na categoria internet, que também não leva a nada, nem é mencionada, mas pela votação é medalha de prata na categoria internet. É... (pensativo). Volta Redonda, ganhei. Teve um salão universitário também em Piracicaba que ganhei menção honrosa. Teve uma hora que eu parei de contar menção honrosa, que toda hora vinha "ah, você ganhou menção honrosa em tal lugar". Aí a cabeça já não lembra, mesmo. Tem umas dezoito que se botar no papel, eu lembro. Exposição, desenho selecionado pra site da Diamond (Comics, poderosa distribuidora de revistas em quadrinhos americana, a maior da categoria nos EUA) por três vezes.

CCH: Teve aquelas ilustrações do Escapista e do Assassino Amarelo, né?

FL: É. Teve um Marv também que eu mandei, abraçado com uma mulher assim, que eles botaram também. Foi em janeiro, eu não tava aqui, tava viajando, mas eu vi de lá e conferi. Então tem isso, é engraçado, eu sou mais conhecido fora daqui. Essas revistas que eu publico um colega meu levou para o Museu de Boca Raton (um dos mais completos museus dedicado aos quadrinhos no mundo). Eu uma vez me correspondi com o World in Pictures Museum, que é até do cara das Tartarugas Ninja, Kevin Eastman, ele selecionou meu site, pediu minhas revistas para incluir no acervo, e eu, porra, mandava release pra todo canto aqui (em Salvador) e não tinha a ressonância que tinha através da internet.

CCH: Essa pergunta é exatamente por isso aí, mesmo tendo ganhado esses prêmios, tendo uma produção bastante razoável não apenas em quadrinhos, mas também com muita ilustração pra jornal, empresas, até para a Brahma já rolou, você se sente respeitado como artista? No seu país, no seu estado, na sua cidade?

FL: Não! Não, aqui, não. O lugar onde eu sou menos respeitado é aqui! Agora, eu me faço respeitar. Nessa hora, é aquela coisa: por quê que eu não consegui "nada"? Por que eu não danço conforme a música. E a música é a música que o povo gosta, é a música...

CCH: É a axé music!

(Risos)

FL: É a axé music, e eu não gosto de axé music!

CCH: Nem eu!

FL: Aí neguinho se manda, vai pra fora, ganha prêmio na Alemanha, volta e nego diz ?ah é, esse cara existe". Pois é assim. Aqui em Salvador, eu chegava nas agências pra trabalhar, dizia: "sou Flávio Luiz, cartunista". Neguinho: "ah, então leia a minha mão?! "Mas eu sou cartunista"! "Então, você não lê carta"? (Risos) Saca? Isso aconteceu!

CCH: "Leia minha mão!" (Risos) Puta que pariu!

FL: Já teve diálogo nonsense de nego perguntar "você é o quê"? Eu, pra simplificar: "ilustrador". "De móveis"? "Não, ilustrador!" "De madeira"? "Nãããããããoo!!!! Eu trabalho no Correio" (da Bahia, o jornal). "Ah, então você é carteiro!" ?Pronto, bote aí, é isso mesmo", sacou? Não é pra chegar e dizer que é uma merda, tal, por que senão eu nem trabalho.

CCH: Cai no niilismo total.

FL: É, também é aquela coisa, ficar no reclame, tem 200 cartunistas do caralho que eu conheço que só fazem reclamar. Eu reclamo pra caralho, com propriedade por que tem que reclamar mesmo e eu vivo do que eu faço e faço valer o meu trabalho, o meu preço, as minhas coisas, entendeu? Uma vez eu fui pra São Paulo, até buscando abrir um leque de possibilidades de trabalho, fui numa escola de quadrinhos, quando eu cheguei lá, que falei "Flávio Luiz", o cara: "Flávio Luiz"? Foi na biblioteca, tirou meu material, "porra, autografa aqui, por favor, adoro Jayne Mastodonte, quando você vai lançar de novo"? Porra, o cara me conhece, ele vive uma realidade de quadrinhos, ele tem uma cultura de quadrinhos. E a gente (aqui em Salvador) não tem. Então o cara aqui, entre comprar o disco do Psirico e comprar minha revista, ele vai comprar o disco do Psirico, e ele não tá errado. Eu é que estou, querendo que ele compre minha revista, batendo nessa tecla. Então eu parei de bater. Aí o pessoal me pergunta: "você não vai botar em banca"? A primeira Jayne, que ganhou Melhor Revista em Quadrinhos no HQ Mix eu vendi: 400 cópias em São Paulo, cento e tantas em Curitiba, 96 em Belo Horizonte, não sei quantas outras no Rio de Janeiro e cinco em Salvador. Tendo aparecido em todos os jornais, tendo aparecido na contracapa do jornal em que trabalho, tendo aparecido na televisão...

CCH: É uma luta inglória.

FL: É, apareci aí na televisão, meu fotoblog tá lá. Não chega um email de "poxa, Flávio, cadê a sua revista?? Até vem, por que... existe. Existe a galera que gosta de rock, a galera que gosta de jazz, né? Mas Pitty não tá tocando em cima de um trio, ela se mandou. E minha hora de me mandar um dia vai acontecer. Ou não.

CCH: Hoje em dia isso é muito relativo, você pode trabalhar para os americanos daqui mesmo. Ed Benes (ilustrador paraense que trabalha para a DC Comics) mora em Belém e é publicado no mundo todo. Tem o (Mike) Deodato (desenhista exclusivo da Marvel), que até hoje mora em João Pessoa...

FL: Eu não tô mais tão triste, tão chateado com essa coisa de aqui não ser aceito, não ser reconhecido, de as pessoas ficarem sempre nessa de regatear meu preço. Não faço, raramente eu trabalho pra um cliente aqui. Teve um que quis um painel de seis metros por dois para um restaurante na Praia do Forte e aí disse: "ah, a gente deixa ele assinar". Sacou?

CCH: Como assim, "a gente deixa" você assinar uma obra que é sua?

FL: É, eles me pagariam, permitindo que eu assinasse a obra, cheia de caricatura com gente aqui da terra, os "notáveis", né? Não tem aquela frase do Nizan, "baiano não nasce, estréia"? Aí eu respondo: "Mas nem toda estréia é casa cheia". Temos pessoas geniais, mas eu boto um certo senso crítico nisso aí. Que é aquela coisa, a gente pode ser genial para muita coisa, mas tem que ter humildade, ter humor, se levar menos a sério. O pessoal aqui se leva a sério demais, entendeu? Eu não me levo nada a sério. Me esculhambo, o pessoal, "nossa você se detona na sua caricatura".

CCH: Esse foi um toque que eu me lembro de ler ainda adolescente, na Chiclete com Banana do Angeli, que ele dizia em algum texto que a pior coisa é se levar a sério demais.

FL: Você pode até ficar indignado por que algum programa de humor na TV sacaneia com a Bahia, reclama e tal, mas nós temos isso. Claro que isso é carregado na tinta, como todos os outros têm seus defeitos que são carregados também, por que é assim que a gente trabalha, com esse exagero, com essa pantomima, com esses estereótipos. A gente tem essa visão. E as pessoas não entendem. Uma vez eu quis fazer um livro de caricaturas das pessoas aqui da Bahia - pra ganhar dinheiro, mesmo. Nêgo veio me perguntar como é que eu ia vender, quanto eu ia pagar pelo direito de utilização da imagem. Aí eu, pô: direito de utilização de imagem prum livro de caricatura? Nego aqui se acha mega demais. Ao mesmo tempo, não tem a humildade, como uma outra aí que quis que eu fizesse uma camisa prum bloco de carnaval. Tá, vamo lá. Quanto é que ela cobra num show? Num sei. Mas ela queria me pagar me dando UMA CAMISETA, do desenho que EU vou fazer, pra ela vender três mil camisetas do bloco dela, sacou? Nem minha mulher eu posso levar?

CCH: É muita falta de noção, rapaz, a Bahia não tem parâmetros.

FL: Não tem interesse. A coisa tá tão de mostrar como somos lindos, como cantamos bem e somos alegres e tal, que esquece das outras coisas. Do senso crítico, dos problemas, vai botando tudo debaixo do tapete, entendeu? Quando chove entope tudo, vira tudo um imenso esgoto. E aí você pára e diz: "porra, velho, olha o exemplo de Recife, cidade aberta pro mundo, fazendo festival internacional de cinema, festival disso, festival daquilo". E aqui, o que é que a gente tem?

CCH: Perc Pan!

FL: Perc Pan, aí é que tá, no Perc Pan, eu vou ouvir a mesma zoada. Você vai tocar no barzinho, tudo bem, galera, o cara tá começando, tá precisando, é assim... Mas bota baixo, toca baixo, deixa as pessoas conversarem. Você vai tomar café num hotel aqui em Salvador e (gritando) VOCÊ NÃO PODIA CONVERSAR POR QUE O CARA TÁ TOCANDO!! Eu disse, "meu Deus, daqui a pouco ele vai tocar um axé aí: foi sem querer que eu beijei a sua boca, menina tão louca"... Sete horas da manhã, rapaz! Tomando café, você tá acordando... Pô, toca uma bossa, toca um outro! Toca Raul! (Risos) Brigar com isso eu não quero, não tenho força pra mudar nada, já vi. Então, só faço o quê? Vou, neguinho me entrevista, me redescobre, "nossa, você tem todos esses prêmios"? Tenho... Daqui a um mês eu vou precisar chegar numa agência e ficar discutindo por A + B por que quê meu quadrinho ou por que minha história custa tanto e não o que eles querem me pagar. Se ele tá me pedindo uma história de não sei quantas páginas em três dias e eu digo à ele que faço, então me pague o tanto que eu quero pra poder passar esses três dias fazendo. Então, um mascote. Quanto é que nêgo paga por um mascote em São Paulo, Belo Horizonte? Três, cinco conto. Aqui você não encontra quem queira pagar mil. Neguinho quer me pagar R$ 180,00 num mascote. Você vai botar seu mascote em tudo que é coisa que você quer vender e eu não vou ter direito nenhum depois sobre isso.

OS ZUMBIS ESTÃO CHEGANDO - "Os bons filmes de zumbis mostram quanto somos terríveis, nos fazem questionar nossa posição na sociedade... e a posição da nossa sociedade no mundo. Nas entrelinhas, sempre há algum comentário social e preocupação maior". Mas de quem seria essa frase tão esperta? George Romero? Lucio Fulci? Nããão, é do Robert Kirkman, autor das hqs Invencível (já comentada uns dois posts abaixo) e da vindoura The Walking dead: Dias passados, que a editora HQ Maniacs está publicando no finalzinho desse mês. Amplamente aclamada pela crítica especializada nos EUA, The Walking dead tem como personagem principal o policial Rick Grimes que, ao acordar de um coma, se vê num mundo dominado por zumbis carnívoros (o que lembra o fantástico filme 28 days later, de Danny Boyle). Ilustrada em preto & branco por Tony Moore (Battle Pope), The Walking dead foi indicada a vários dos prêmios mais importantes dos quadrinhos (como o americano Eisner e o inglês Eagle) desde seu surgimento em 2003. Enfim: TÔ DOIDÃO PRA LER ESSA REVISTA. E você? Preço promocional de lançamento: R$ 27,90. À venda em comic shops, livrarias e através do site: www.hqmaniacs.com/osmortosvivos. Mais informações, através do e-mail: osmortosvivos@hqmaniacs.com. Previsão de lançamento: 22 de maio de 2006.

STONE GUNS - Essa é ótima. Segundo o site da Dynamite, foi por pouco que Slash, o famoso e estiloso guitarrista do finado (finado mesmo e não discutam) Guns n' Roses não tocou no Stone Roses, baluarte da indie scene britânica. Segundo o próprio Ian Brown, vocal do Stone Roses, Slash teria se oferecido para tocar na banda quando o guitarrista John Squire tinha saído, em 1996. Ian declinou da oferta por detestar o G'n'R, mas hoje, admite que "teria sido maravilhoso". Será mesmo? Fonte: Dynamite On Line.

FAREWELL SÃO ROCK - Segue carta de Tony Lopes publicada no Informativo Se Ligue: Aos discípulos, Após 10 anos de atividades a são rock vai fechar suas portas. A você que nos acompanhou nessa longa estrada e sempre acreditou no milagre da boa musica só temos a agradecer.E pra terminar no "swing" estamos liquidando todo o nosso estoque. CD's a partir de R$ 5,00, 10,00 15,00. Apareça rápido porque só vamos até o dia 31 de maio.Se você deixou cds ou outros materiais em consignação apareça ou entre em contato. Longa vida ao rock'n'roll. Abraços. São rock / Tony Lopes

HORA DO ROCK 18.05 - O Hora do Rock desta quinta-feira (18/05) destaca os discos novos do Sonic Youth e do Cosmic Rough Riders, além do aniversário de 26 anos da morte de Ian Curtis (Joy Division). Vai rolar ainda o som do Beulah, The Apples in Stereo, The Olivia Tremor Control, Neutral Milk Hotel, Gorky's Zygotic Mynci, Bauhaus, Killing Joke, Pixies, Violent Femmes e música do trabalho solo de Graham Coxon (ex-Blur). O Hora do Rock é transmitido todas as quintas-feiras, às 21h, pela Globo FM (90,1). Para ouvir pela internet: www.gfm.com.br Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6910684 Para participar do chat no MSN que rola na hora do programa: gabrielamra@hotmail.com, ou miwkyta@hotmail.com.

AGENDÃO

MIRABOLIX, Afã e Malcolm - Onde: Café Calypso Station, Rio Vermelho. Quando: 19/05/2006. Hora: 22H (pontualmente). Entrada: R$ 6,00.

Terreiro Circular - O Terreiro Circular continua. E nesta sexta o bando Lampirônicos e Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta serão as principais atrações da próxima mostra do Terreiro Circular, que acontecerá dia 19/05, na Zauber Multicultura (Ladeira da Misericórdia, atrás da prefeitura). Quem viver... Verá!!!!!! Horário: 22:00 Ingressos: R$ 10,00 Ingressos antecipados na Bhio Z (Avenida Manoel Dias da Silva, Pituba). OBS: as primeiras 30 mulheres que chegarem antes da meia-noite têm direito a um drink como cortesia da casa. Zauber Multicultura, (Ladeira da Misericórdia, nº 11, atrás da prefeitura).

Malandragem SambaRock III - Capitão Parafina e os Haoles - 19.05 Sexta, Horário:22h Couvert / Consumação: R$ 5,00 / R$ 5,00. World Bar, (Calçadão da Off -Barra)

Zauber comemora 1 ano com festa 3D - Sábado 20/05, O espaço Zauber Multicultura (Ladeira da Misericórdia) está comemorando 1 ano de realizações. Para celebrar a data em grande estilo, a organização da casa traz a Salvador a 2ª edição da 3D - Stereo Party que acontece sábado, dia 20 de maio, às 22h. Cada participante terá direito a um óculos 3D e as primeiras 40 mulheres que entrarem na casa recebem uma bebida flambada. Ingressos a R$ 15 (Homem) e R$ 12 (Mulher). Zauber Multicultura - (Ladeira da Misericórdia, nº 11, atrás da prefeitura).

BOOGIE INSURGENTE - DJ BIGBROSS e convidados. Do release: Se vc ta duro fim do mês quer tomar uma cerva gelada e ouvir o melhor da blackmusic (nacional / internacional) funk, disco, samba, jovem guarda, rocknroll, cumbias, merengues e tcha tcha tchas, vá ao INSURGENTE dia 26/05 sexta a partir das 22h, vou descotecar o melhor e pior do meu repertorio a entrada e´ gratís e a cerva geladissima por R$3.50 600ml, o lugar é simples mais honesto,para estacionar tem o estacionamento da embratel ao lado vigiado por cameras e total segurança, se não sabe onde e´a embratel so chega na porta e pergunta onde é. enão já sabe, te espero lá,,,bigs. sexta 26/05 22h grátis.

Theatro de Séraphin e Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta - 26 de maio, sexta, 20h, no Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB. Ladeira da Praça, Centro. R$5,00. Cerveja a R$1,50 e uma boa causa: a recuperação do edíficio sede do Institututo dos Arquitetos do Brasil. Divulguem, please.

Theatro de Séraphin, Sangria e The Honkers - Aniversário de 3 anos do programa Rock'n'Geral (Educadora FM). 26 de maio, sexta, 22h, na Zauber, Ladeira da Misericórdia, Centro.

terça-feira, maio 09, 2006

"AND IF ALL THE LOVE I HAVE /

COULD MAKE YOU LAUGH / AND IF ALL THE TEARS I CRY / COULD MAKE IT BETTER?"
The Charlatans, "Bona fide treasure".



Adoro me apaixonar aos poucos por um disco. Foi assim com o His 'n hers, do Pulp, com Lost sides, do Doves e o Sumday, do Grandaddy, para citar alguns nos últimos anos. O mais recente foi o Up at the lake, do The Charlatans. (Existem três tipos de disco: aqueles que você gosta de cara, o que você gosta depois de algum tempo e os que, nem com um século de digestão, serão tolerados). Penúltimo disco desta subestimada banda britânica (remanescente da cena indie dance inglesa do final dos anos 80), lançado em 2004 (eles já lançaram um mais recente, intitulado Simpatico, este ano mesmo), Up at the lake parece um disco carregado de uma certa eletricidade estática, um efeito retardado no ouvinte. Ele vai se entranhando de mansinho, por sob a pele, sem que nos apercebamos disto. E se, nas primeiras audições, o que apenas parecia um disco regular de uma banda regular, depois de algumas semanas, se tornar a obra máxima de uma banda no auge da forma, não se surpreenda: ele apenas acaba de cumprir sua função, ganhando sua admiração incondicional de forma segura e gradual. Up at the lake é assim, um processo. Existe todo um manancial de emoções muito viscerais borbulhando no interior de cada uma destas onze canções - aparentemente tão simples, mas tão complexas, na realidade. E sem perder o apelo pop, sem um traço sequer de hermetismo ou pretensão vazia. É um disco de banda madura, todos os músicos aparentam estar no auge da forma, em pleno domínio de suas funções, mas sem exibicionismos. Tim Burgess nunca cantou tão bem, incluindo os falsetes perfeitos, encaixados com precisão, nas canções certas. Já o guitarrista Jon Baker, que à primeira vista parece um pouco contido, apenas cumprindo sua função básica nas canções, solta os cachorros em faixas como Blue for you (um rockão à la Ocean Colour Scene) e Apples and oranges. Cada faixa, uma pequena gema pop perfeita, uma após a outra. A faixa título, com seu riffzinho intermitente e refrão pleno da irada melancolia tipicamente britânica é o abre alas para uma sucessão dessas gemas, como As I watch you in disbelief, Bona fide treasure, High up your tree e Feel the pressure (a mais próxima do passado indie dance da banda), só para citar as que eu mais gosto, faixas que discotecaria com a maior segurança em qualquer festinha minimamente, uh, esclarecida. 11 canções absolutamente viscerais e elegantes ao mesmo tempo - auto-contidas e exuberantes em suas diversas melodias costuradas entre si, perfeitas como as torres de uma catedral. E ainda assim, sem nem uma arestazinha para aparar. Um disco exato. Para ouvir de manhã - e acordar de bem com a vida, de tarde - para passar o tempo e à noite - para curtir, dançar e as porra. Diz aí: quantos discos que você conhece esbanjam tamanha versatilidade?

O PODCAST ROCK LOCO VEM AÍ, LÁ RÁ, LÁ, LÁ, LÁ - Eu, Osvaldo Braminha, Don Jorge e Messias G.B. (que chegou no finzinho, mas veio) gravamos neste último sábado um "piloto", digamos assim, do podcast do Rock Loco. Um programinha de rádio de pouco mais de meia hora com muita música (rock local e "de fora"), risos nervosos, demonstrações de inépcia diante do microfone e complexo de Marco Bianchi (é, sou eu mesmo) e uma (breve) explanação de Messias sobre o conceito da audioesfera, desenvolvido por ele para sua tese de doutorado (único momento em que se falou sério). Agradecimentos especiais à Don,que mandou muito bem na mixagem e operação do programa de gravação lá. É possível que o programinha seja disponibilizado em algum lugar na internet - em algum momento dessa semana. Ou não, não sei, eu sou semi-analfabeto nesses assuntos. Se rolar, claro, disponibilizaremos o link por aqui, para ser ouvido em streaming ou ser baixado, do jeito que rolar. Aguardem mais informações à respeito. O importante é que um primeiro passo já foi dado. Agora é continuar, esperemos, com as luminosas presenças de rockloquistas clássicos como Mário Jorge, Sora Maia, Rogério Big Brother, Luciano Matos, Ronei Jorge, Yara Vasku...

BRINCANDO DE GRAVAR - Por falar em Messias G.B., nesse mesmo dia, o homem garantiu que começa a gravar o próximo álbum da brincando de deus, o primeiro em seis anos (o último foi esse aí do lado, de 2000), ainda esse mês de maio. Sem nosso Johnny Marr local (o indie guitar hero César Vieira, que se mudou para S.P.), Messias deve contar com os atarefados Tiaguinho Nego Play Aziz (baixo, tocando com Cascadura, Lisergia e sei lá mais quantas bandas), Ricardo Cury (bateria, o "Cury" do ZecaCuryDamm) e amigos diversos para tocar a guitarra no disco. Aguardando com ansiedade o próximo disco de uma das melhores bandas baianas de todos os tempos e uma das principais representantes brasileiras dentro do seu estilo, este Rock Loco deseja muita sorte para Messias. Ele vai precisar. Em tempo: não esqueçamos também do projeto paralelo Messias Axé & Banda Odara, que ainda este ano terá um lançamento bombástico no Estádio da Fonte Nova para 300 mil pessoas. Quem viver, verá.

ATÉ CARLINHOS BROWN - Rapaz, cê viu a quantidade de baiano - concorrendo em diversas categorias - que tem no Prêmio Dynamite de Música Independente? Tem de tudo: de Pitty - claro, à Gal Costa, passando por Ronei Jorge, Automata, Marcelo Nova, Tom Zé, Luiz Brasil, Lou, Sine Calmon & Morrão Fumegante, tara_code e pasmem: Carlinhos Brown, concorrendo à Destaque Regional, com Candombless. Pô: até o nosso bravo site Bahia Rock tá concorrendo, na categoria Melhor Veículo On Line. Ao todo, são18 representantes baianos concorrendo ao prêmio da publicação paulista. O que eu acho disso? Acho que devemos ir lá votar no rock baiano, claro. Até votar em Tom Zé, que é um cara mais inquieto, mas na boa, não caia na besteira de votar em Carlinhos Brown, ou em Gal Costa ou mesmo Maria Bethânia. Sabe por que? Pense bem: vai que uma figura dessas ganha. Você acha que eles vão subir no palco da Dynamite no dia da premiação? Se ainda fosse um Prêmio Multishow ou algo assim... Epa, peraí. Pensando bem, até que não é má idéia. Já pensou o constrangimento? Ia ser muito engraçado. Bom, deixar de papo furado, clique aqui e vote em quem você quiser, vai.

BANANATION - Está confirmado, as bandas baianas Sangria e Automata vão tocar no Bananada, bombado festival anual da Monstro Discos que acontece em Goiânia, no Centro Cultural Martim Cererê. A Automata toca no próximo dia 19 de maio (sexta-feira), enquanto a Sangria promete detonar os tímpanos locais - os que restaram do último show do MQN - no dia seguinte, sábado 20. Loucura vai perder.

TÁ ROLANDO O MOVIMENTO - Deu no blog do Jama: o Jabásta - Movimento pelo Fim do Jabá se reunirá hoje, nove de maio, no Circo Voador (RJ), para encaminhar os trabalhos que o coletivo vem organizando. Como estamos aqui em Salvador e achamos esse movimento muito válido (bom, pelo menos eu acho, ainda que continue meio cético quanto às autoridades competentes), o melhor que podemos fazer é assinar o abaixo assinado que pede a aprovação do Projeto de Lei 1048/03, que torna crime a prática do jabá nas rádios e TVs. Para aderir ao abaixo-assinado, envie uma mensagem para movimentopelofimdojaba@gmail.com com seu nome completo, profissão e número de algum documento (CPF, identidade ou carteira da Ordem dos Músicos - tanto faz). Para saber mais, visite o blog do grupo de artistas cariocas do Movimento, que reúne figuras como Lobão (óbvio), Beth Carvalho, Roberto Frejat etc. O blog é bem bacana e reúne diversos artigos sobre o assunto, todos muito esclarecedores.

HORA DO ROCK 11.05 - Do release: Hoje tem Hora do Rock especial trilhas sonoras. Hum... dou a dica pelos títulos dos filmes ou pelos nomes das bandas??? As duas coisas. Vamos lá: Alta Fidelidade, Beach Boys, Kill Bill, Belle and Sebastian, Placebo, Encontros e Desencontros, New Order, Closer, 24 Hour Party People, Neil Young, Austin Powers, Ash e Doors. Para ouvir: toda quinta, às 21h, na Globo FM (90,1), ou www.gfm.com.br para quem não mora em Salvador.

AGENDÃO

O ROCK LOCO RECOMENDA ENFATICAMENTE > Fábio Cascadura Rock'n Roll soul Show! Atração: Fábio Cascadura (violão e voz) & Thiago Trad (percussão). No Rock da Bahia não há quem não conheça ou já não tenha ouvido falar da banda CASCADURA. Fábio Cascadura, seu cantor/guitarrista/compositor e fundador também é um amante da Soul Music Americana. E é pautado nesse amor incondicional que ele, de férias do seu legendário grupo, preparou um show recheado de clássicos da Soul Music dos anos 50, 60 e 70! Local: Bar Balcão (Curva da Paciência, Rio Vermelho). Data: 12/05 (sexta-feira) Horário: 22h Couvert: R$ 5,00.

Velhas Virgens e Movidos a Alcool - Sexta, 12 de maio, no Rock in Rio Café. Ingresso: R$15 antecipado e R$20 no dia e o camarote é R$25 antecipado e R$30 no dia. Horário: 22:00hs Censura: 16 anos.

BERLINDA, PERSONA S.A. E A ESTRADA PERDIDA - Pueblo: Dia 13 de maio, sábado agora, às 22:00, por apenas R$ 7,00, na Zauber (comércio), haverá show com as bandas: Berlinda, deste que vos enche, A Estrada Perdida e Persona S.A ( ex- Persona Non Grata, atual banda dos dois ex-guitarristas do Camisa De Vênus, Karl Hummel e Gustavo Mulen). Compareçam que o rock é louco mas a gente gosta! Cebola."

Britbox - com a banda Plane of Mine e convidados. Discotecagem "brit" com o dj Lucas Albarn; Dias: 06, 13, 20 e 27/05 (Sábados); Horário: 21:00; Local: The Dubliners Irish Pub (Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra - Próximo à Praia do Porto)Ingresso: R$ 10,00 (com direito a 2 bebidas *); * Refrigerante, cerveja ou águaNão aceita cartões de crédito/débito, nem cheque. Informações e venda antecipada de ingressos: Marcio - 8116-4374 http://www.planeofmine.com/ www.myspace.com/planeofmine

Aniversário do 16 Toneladas - Cerveja gelada, som muito bem equalizado, lugar novo em pleno coração do Rio Vermelho, iluminação maravilhosa, um roteiro musical com os melhores djs de black music de Soterópolis e 300 pessoas com um só objetivo:dançar. Parabéns vc está sendo convidado para o aniversário mais badalado e concorrido da cidade: A Festa de 3 anos do programa 16 Toneladas 20/05 Sábado, Restaurante Casa da Dinha ? Rio Vermelho Ingressos Limitados ? R$ 10.

ACOUSTIC BLUES- LUIZ ROCHA & CONVIDADOS - O gaitista Luiz Rocha apresenta um super show acústico no estilo "BLUES /ROCK", trazendo semanalmente um convidado. Restaurante Osteria Dellagazzi - Rua Antonio Passos nº30 - Federação.Todos os sábados de maio 06;13;20 E 27. Horário: 21H Couvert: Free. Reservas de mesas a partir das 18:00hs: (71)32459069.

BANZÉ! (SP), ZECACURYDAMM E BRINDE - DIA 14 DE MAIO (DOMINGO), 2OH, NO CALYPSO. INGRESSOS: R$ 5,00

Beatles Acoustic no dia das Mães - "Venha almoçar no dia das mães curtindo o melhor dos Beatles, com Luiz Rocha (gaita) e marcus Vergner (voz) E Lumen (violão). Reservas de mesas e informações: (71)32459069. Restaurante Osteria Dellagazzi."

quarta-feira, maio 03, 2006

"I'M TIED IN A KNOT /

BUT I'M NOT / GONNA GET CAUGHT / CALLING A POT KETTLE BLACK / EVERY SONG'S A COMEBACK / EVERY MOMENT'S A LITTLE BIT LATER"
Wilco, Pot kettle black.



Eu fui chamado à atenção sobre o último post, o da Flauer. Esta pessoa, leitora deste blog, alega não ter entendido, afinal, se eu gostei ou não do disco das meninas. Em outras palavras, acusou-me de ser um morde-assopra, um vaselina. Eu não vou mentir: é complicado, isso. Por definição, uma crítica (ou resenha, que seja) de um disco (ou de qualquer outra obra) não deve conter (apenas) um mero aval, o "gostei" ou "não gostei" do redator, do cara que se dispôs a ouvir aquilo e depois emitir um juízo sobre a obra em questão. É preciso lançar mão do seu background para poder contextualizar de acordo com época, estilo, execução, concepção etc. "Gostei" ou "não gostei", não é nada, qualquer motorista de táxi faz. É preciso informar o leitor sobre os diversos dados relativos àquela banda, àquele artista, àquele escritor, àquele desenhista, àquele cineasta. Influências, origem social, religião, nacionalidade, background, ficha na polícia - tudo é dado que pode (ou não) acrescentar no retrato que o jornalista vai pintar para o leitor. Enfim, a tarefa do redator é, no mínimo, situar o leitor no contexto do artista e avaliar se ele foi bem sucedido ou não nas pretensões de sua obra (para simplificar logo). No texto da Flauer, eu acho que fiz isso (e direitinho, se me permitem a falta de modéstia), mas realmente, se minha opinião não ficou muito clara quanto à obra, eu devo lamentar e lembrar aos leitores que a Constituição permite que o cidadão só se manifeste sobre qualquer assunto quando assim o quiser fazer - exceção feita às ocasiões de ameaça à segurança nacional, o que - até onde fui informado - não é o caso. Aproveito a ocasião e decreto findo o período de férias neste Rock Loco. Como diria meu nobre colega Franciel Cruz, a partir de agora, "o plantão vai ser rigorosíssimo. Sopa de tamanco com caco de vidro". Bom. Passemos à nossa primeira vítima - digo, resenha do post... A propósito, tô meio atrasado com a audição dos últimos CDs que recebi. Na verdade, atrasado e desanimado. Muito hardcore dor de corno, pouco rock inventivo e divertido de verdade. Vamo lá, pessoal, eu sei que vocês estão aí, APAREÇAM! Por conta disso, o post dessa semana tá mais pros quadrinhos que pro rock. Paciência.

INVENCÍVEL NA MISSÃO DE DIVERTIR O LEITOR
Quando li pela primeira vez que um dos mais interessantes e ativos sites brasileiros especializados em quadrinhos ia lançar uma das obras mais comentadas dos últimos anos, entrando no mercado como editora de forma impossível de ser ignorada, imediatamente pensei: "mais uma pra acabar de arrombar o bolso do trabalhador aqui". Ainda bem que a coisa não foi bem assim. Lançada inicialmente custando R$ 35,00 (senão me falha a memória), Invencível - Negócios de Família (Invincible: Family Business, Image Comics / HQ Maniacs Editora) logo teve seu preço reduzido em R$ 10,00, passando a custar R$ 25,00. R$ 25,50, incluindo despesas postais. Um preço bastante justo, visto o tratamento gráfico luxuoso (até demais, na verdade) dado à hq. Robert Kirkman, o jovem criador da série, junto com o artista Cory Walker, fizeram a revista de super-herói que, provavelmente, eles mesmos gostariam de ler: colorida, objetiva, divertida, com personagens muito bem delineados e capazes de cativar o leitor. À moda do velho Stanley, mas com apuro narrativo e ritmo adequados aos tempos e leitores de hoje. Neste primeiro volume, que apresenta os quatro primeiros números da revista americana publicada pela Image Comics, conhecemos a vida de Mark Grayson, um jovem aparentemente normal, não fosse por um detalhe. Ele é filho do Super Homem - ou algo parecido, o equivalente ao Azulão no universo da história. Bigodudo, o velho avisou o guri desde cedo que ele não era normal, numa cena hilária, aliás. Então, por meio de flashbacks, vamos sabendo como os super poderes começaram a se manifestar no pirralho, enquanto no presente, o herói estreante se vê envolvido em seu primeiro caso, auxiliado aqui e ali pelo seu próprio pai e pela sua colega de classe, que também - vejam vocês - combate o crime como heroína uniformizada. A narrativa ágil e enxuta, os desenhos bacanas e bem claros e os ótimos diálogos somam-se à um certo ritmo característico de série de tv que parece estar se tornando padrão nos - bons - quadrinhos mainstream atuais. Até que ponto isso é bom para os quadrinhos, é uma questão ainda a ser observada e estudada por mentes mais capazes que a minha, que está velha e sequelada. Não à toa, Invencível já teve seus direitos de adaptação para o cinema comprados pela Paramount Pictures. Se vai chegar nos multiplexes da vida é outra história. Hoje em dia nego não vacila, compra logo, que outra produtora pode comprar e o negócio pode fazer sucesso, sabe lá... Bom, se conselho fosse bom a gente não dava (vendia), então vocês eu não sei, mas eu devo ficar de olho nisso aqui. Se bem que eu tô mesmo ansioso é para ler uma outra série do Kirkman na Image, que dizem ser ainda melhor que Invencível: The Walking dead, uma pérola ao estilo de terror preferida por este maníaco aqui: zumbis mortos vivos comedores de carne humana, prometida para breve pelo pessoal da HQM. Hummm, que delícia...
INVENCÍVEL - VOLUME 1: NEGÓCIOS DE FAMÍLIA Formato 16,5 x 24 cm; 120 páginas em papel couché.Capa cartonada com orelhas e reserva de verniz.Preço: R$ 25,00 http://www.hqmaniacs.com/invencivel/invencivel@hqmaniacs.com - Setor de Venda Direta ao Leitor HQ Maníaco.

LAZARUS LEED - GENÉRICO BONELLIANO?
Mais uma editora estreando no mercado brasileiro de quadrinhos, mais uma revista inédita para os leitores. Desta vez, trata-se de Lazarus Ledd, um fumetto publicado na Itália pela Editora Star Comics, uma espécie de aspirante à Sergio Bonelli Editore - a gigante que publica Tex, Zagor (meu preferido), Ken Parker, Dylan Dog, Nick Raider e mais uma cacetada de outros títulos de western, ficção científica, mistério e terror, com grande sucesso na Itália e diversas outras partes do mundo, inclusive aqui no Brasil. A iniciativa é mais que bem vinda, apesar de ser um material bastante similar ao produzido pela casa do Ranger do Texas, até por que o criador, Ade Capone, já foi e ainda é roteirista de títulos como Martin Mystère, Mister No e Zagor. Para apresentar e promover a nova revista, a Tutatis Editora lançou então um número zero à preço bem camarada (R$ 1,50!), apresentando duas histórias curtas e diversas matérias abordando as origens do personagem, seu criadores, editoras (na Itália e no Brasil), desenhistas, etc. O personagem Lazarus Ledd, em si, é um chavão ambulante: o herói urbano silencioso, vestido com um sobretudo, de passado nebuloso e habilidades excepcionais para um motorista de táxi, sua profissão atual. Mas esses quadrinhos italianos são assim mesmo, eles partem de um chavão e vão desenvolvendo o personagem aos poucos, dando-lhes profundidade - e um passado - com o tempo. As duas historinhas são bem legais e apresentam o tom misterioso e intrigante que a série deve ter. A primeira, Fim da linha, é a melhor das duas e é magistralmente desenhada por Sal Velluto, desenhista que leitores mais velhos (e obsessivos) devem lembrar das aventuras do Cavaleiro da Lua publicadas na revista Marvel Force, da Editora Globo, ali pelos idos de 1993, '94. Na segunda história, conhecemos uma mulher que deu "um perdido" bonito no rapaz, pena que com arte visivelmente inferior de Fabio Bartolini, causando um certo desequilíbrio na revista, em comparação com a primeira. Pena também que, devido à distribuição dirigida à comic shops e livrarias da editora, que ainda engatinha no mercado, dificilmente acharemos essa revista nas bancas aqui de Salvador, de onde escrevo. (A minha só chegou às minhas mãos por que ganhei em uma promoção do site Pop Balões / Banca 2000. Valeu, galera!). Então, quem quiser se informar mais sobre Lazarus Ledd, adquirir a revista, saber onde comprar ou mesmo fazer uma assinatura, é só ir no Portal Tex BR, santuário de todos os assuntos Bonellianos no Brasil, que é com eles mesmo o negócio.
Lazarus Ledd Nº Zero - 54 páginas, R$ 1,50 na Série Normal e R$ 2,90 na Série Ouro. Editora Tutatis, Formato italiano, 21cm x 17,5.

HELO-OOO! - Cês tão malucos?!? Que porra vocês tão fazendo parados aí, caceta? Vão já no site do Neil Young baixar gratuitamente TODO o novo disco do bardo canadense, "Living with War". É, aquele de Let's impeach the president, coisa e tal. Ah, tá, jogar pedra em George W. Bush é o novo esporte nacional (lá deles, no Oriente Médio já é faz tempo), vende discos. OK. Mas é Neil Young, meu filho, então presta atenção: GREEN DAY JÁ ERA! OK? Acho que eu fui claro. Aproveita e grava num CD pra mim que eu tô preso aqui em Bedrock, não tenho como baixar nada. Tsc.

NERDS E FANBOYS - A clássica comédia sorvete na testa A Revolta dos nerds ganhará um remake. Até aí, tudo normal, mas tem uma notícia ruim e outra boa à respeito disso. A ruim é que o produtor é aquele mala fogueteiro do McG, que dirigiu os péssimos filmes das Panteras. A boa é que o diretor já foi escolhido, é um tal de Kyle Newman, em cujo currículo consta o filme - inédito no Brasil - Fanboys, bem conceituado, até onde eu sei. Em Fanboys, Newman conta a história de três amigos - nerds, obviamente - que atravessam os EUA para assistir Star Wars Episódio 1 - A Ameaça fantasma, no Rancho Skywalker (lar e quartel general de George Lucas e sua produtora, a Lucas Films). A Revolta dos nerds é top 10 em qualquer lista de comédias estudantis estúpidas americanas. Como esquecer aquela cena em que aquele nerd nojentão encontra seu Mestre oriental, um velho china que solta um arroto de mais de dez minutos, deixando o jovem pupilo prostrado e emocionado com tamanha... sabedoria? Com a recente onda de humor escatológico em alta no cinema americano, imagine o que virá nessa refilmagem? Tenha medo. Fonte: Omelete.

ZCD E LOS CANOS CAPRICHARAM - Os parabéns deste post vão para as bandas ZecaCuryDamm e Los Canos, que vão tocar em São Paulo, no Concurso de Bandas Capricho-Trama Virtual, neste domingo, com mais uma pá de bandas do resto do Brasil. A Los Canos concorrendo, e a ZCD, como convidada, abrindo para a Cansei de Ser Sexy. Tomara que roubem todo o público do cansado fenômeno rock fashion paulista.

SUPERGUIDIS EM SUPER VÍDEO - Recebi por email, do senhor Fernando Rosa, o Senhor F em pessoa, um link para uns vídeos do Superguidis, boa banda indie gaúcha, lançada pelo selo do site, já comentada neste Rock Loco alguns posts abaixo, em um show no famoso inferninho da Rua Augusta, o Outs, no último dia 24 de abril. Vai lá e depois me diz se tá lesgal.

ESTRÉIA NA TRAMA - Recebi também por email, só que do chapa (e ex-colega de faculdade) exilado em São Paulo Wladimir Cazé, um link para duas músicas novas do grupo recifense Mombojó, prestes a lançar seu segundo disco, o primeiro pela Trama, intitulado Homem Espuma. É chato dizer isso novamente, mas... Ouçam vocês, aqui no trabalho não rola. Não sei bem por que Wladimir me mandou isso, mas valeu assim mesmo. Vou procurar ouvir quando puder botar as mãos no disquinho em si.

SEGUE O AGENDÃO.

Barão Vermelho - abertura: Malcolm. Dia: 06/05 (Sábado). Horário: 19:00Local: Área Verde do Othon (Av. Oceânica, 2456 - Ondina). Ingresso: R$ 40,00 (pista) e R$ 80,00 (camarote). Ingressos à venda: Lojas Sigma Relógios, Chilli Beans, Casa das Tortas e Ticketmix. Informações: (71) 3203-2000

Britbox - com a banda Plane of Mine e convidados. Discotecagem "brit" com o dj Lucas Albarn; Dias: 06, 13, 20 e 27/05 (Sábados); Horário: 21:00; Local: The Dubliners Irish Pub (Av. Sete de Setembro, 3691 - Barra - Próximo à Praia do Porto)Ingresso: R$ 10,00 (com direito a 2 bebidas *); * Refrigerante, cerveja ou águaNão aceita cartões de crédito/débito, nem cheque. Informações e venda antecipada de ingressos: Marcio - 8116-4374 http://www.planeofmine.com/ www.myspace.com/planeofmine

Pré-lançamento dos CD's da Elipê e Nitera - com as bandas: Throw Up, Elipê e Nitera. Dia: 06/05 (Sábado); Horário: 20:00; Local: Calypso (Rio Vermelho); Ingresso: R$ 5,00

Lançamento do debut álbum do Ungodly - com as bandas: Insaintfication, Headhunter DC, Scars (SP) e Ungodly. Dia: 06/05 (Sábado); Horário: 21:00Local: Rock´n Rio Café (Aeroclube Plaza Show - Boca do Rio); Ingressos: R$ 15,00 (antecipado) e R$ 20,00 (na hora); R$ 35,00 ingresso + camisa ou cdR$ 35,00 ingresso + camisa + cd; Ingressos: Balcões Pida, Maniac Rock Shop, Andarilho Urbano e Rock Store.

Lançamento da demo da banda Draconi - com as bandas: Draconi, Nomin e Animus Necandi; Dia: 13/05 (Sábado); Horário: 19:00; Local: Idearium (Rio Vermelho); Ingresso: R$ 7,00.

BANZÉ! (SP), ZECACURYDAMM E BRINDE - DIA 14 DE MAIO (DOMINGO), 2OH, NO CALYPSO. INGRESSOS: R$ 5,00.