segunda-feira, agosto 26, 2013

QUEENS OF THE STONE AGE VOLTA MAIS POP - MAS NÃO MENOS MATADOR - EM ...LIKE CLOCKWORK

Em um tempo que toda a música que se presta a audição está pulverizada entre a internet e o boca a boca, o  Queens of The Stone Age (foto: Nora Lezano) é uma das poucas  bandas atuais que gozam de certa popularidade unânime.

...Like Clockwork, seu novo álbum, vem, de novo,  reiterar isto.

Mesmo que, por vezes, pisem lá embaixo no pedal de distorção e mandem um hard rock cavalar canal auditivo adentro, há uma qualidade – que muitos dizer ser feminina – em seu som, a qual que torna seus álbuns acessíveis a qualquer fã de rock ‘n’ roll, dos 8 aos 80 anos.

Esta característica já se fazia notar no primeiro álbum (QOTSA, 1998) e continua em alta  em ...Like Clockwork.

“Dono” da banda e único membro constante, seu guitarrista e vocalista, Josh Homme, é quem define este estilo, com seus riffs sinuosos, levadas sensuais  e vocais entre o lamento másculo e o falsete.

Outra característica que se repete é o grande número de convidados de primeira linha. Aqui, a lista é extensa, indo desde parceiros habituais (Dave Grohl, Mark Lannegan, Alex Artic Monkeys Turner e Nick Oliveri),  até nomes inusitados, como Elton John (piano e backing vocals em Fairweather Friends), Jake Shears (do Scissor Sisters, voz em Keep Your Eyes Peeled), Trent Reznor (do Nine Inch Nails, voz em Kalopsia) e por aí vai.

“Como um relógio”

O resultado, certamente, é um dos melhores álbuns de 2013. Da abertura climática, com Keep Your Eyes Peeled, ao encerramento ainda mais sensível – com direito a orquestra – da faixa-título, o que fica entre elas é o reflexo sombrio de um homem de temperamento dito mercurial, que “morreu” e depois voltou à vida em uma mesa de operações durante uma  cirurgia no joelho, em 2010.

Não por acaso, os adjetivos mais comumente utilizados para definir ...Like Clockwork vão desde “misterioso” ao “sedutor”, passando pelo “sinistro”.

Certo mesmo é que foi aqui que  Homme melhor exercitou a veia pop da qual já dava mostras no hit Make It Witchu (do último álbum, Era Vulgaris,  2008).

I Sat By The Ocean, hit mais óbvio do álbum, é de levantar qualquer festa. If I Had a Tail, mais lenta, é outro triunfo pop.

My God is The Sun, a mais pesada, poderia estar no clássico Songs for The Deaf (2002). The Vampyre of Time and Memory é balada dramática, à base de piano e sintetizadores.

Kalopsia, outra pérola, é balada-metal com um toque de doo-wop. Um álbum em que tudo funciona ...“como um relógio”.

...Like Clockwork / Queens of the Stone Age / Matador - Lab 344 / R$ 34,90 /
www.lab344.com.br

Abaixo, confira sequência de animações para cada faixa, criadas pelo mesmo artista responsável pela bela arte de capa:

7 comentários:

Ernesto Ribeiro disse...

Que música linda, arrebatadora...

Mixagem de primeira.

Grandiosa, Épica!


Tudo a ver com as imagens:

XENA --- cenas de ação



Natalie Barbu

FIGHT !


http://www.youtube.com/watch?v=bptt-wGe2dY&hd=1



Cantora romena, extraordinária!

Inglês perfeito, voz fantástica.

ROCK FURIOSO!

Rodrigo Sputter disse...

unanimidade???
hehhehe
eu acho essa banda e foo fighters 2 grandes BOSTAS-heehehehe

sério, acho muito ruins, aliás pra ficarem ruins tem que melhorar muito...

mas é meu gosto...

Franchico disse...

Sputter, vamos combinar que, para o seu gosto, "sui generis" é uma classificação branda, né?

Quando eu digo "popularidade unânime", estou me referindo aos roqueiros comuns de hj em dia, os Joe The Plumbers do rock, justamente fãs de Foo Fighters... etc.

Eu nem sou esse fã todo de Foo Fighters, gosto de uma coisa ou outra. Acho o QOTSA muito mais interessante como banda - e este é o melhor disco deles desde Songs for The Deaf, que é considerado seu ponto alto. Daí....

Na verdade verdadeira mesmo, sempre achei ambas as bandas (QOTSA e FF) superestimadas, dado o baixo nível geral do rock mainstream americano atual. Mas aí, fazer o que? São esses tempos medíocres que vivemos.

Ernesto Ribeiro disse...

Muito bem colocado, Francis.


Entendeu, Sputter?

É tudo uma questão de CONTEXTO.

Há diferentes níveis de gradação.


A propósito: a colocação comparativa sobre o "proletariado do rock" foi uma conexão bastante feliz na invocação da imagem do Zé Encanador, "Joe The Plumber".


Enfim: eis um articuista antenado, que sabe evocar analogias de diversos campos do conhecimento, incluindo a história recente da política eleitoral americana em 2008.

Ernesto Ribeiro disse...

Voltando á questão da música dos dias de hoje: o baixo nível geral do rock mainstream americano atual, os tempos medíocres que vivemos...


Uma rara exceção é mesmo essa pequena obra-prima de 2007 postada no primeiro comentário acima:


Não é coincidência o fato de Natalie Barbu ter nascido na Moldávia, ou seja, na periferia da Rússia.


Ela é basicamente RUSSA. Seu trabalho é original nas raízes da música folclórica eslava (forte, amargurada), evoluindo para o rock pesado.

Portanto, ela encara o ofício com muito mais gravidade do que os roqueiróides feijão-com-arroz do século 21 (QOTSA e FF) --- e infinitamente mais profundidade do que os ídolos descartáveis fabricados pela indústria musical (nem vou citar nomes...)


Que arranjo brilhante: Rock pesado de guitarras heavy nos acordes mais graves, distorcidas com violino dramático e piano suave climático. E aquela voz...


E, sim, é ela mesma quem toca o violino e o piano.


Eis a versão original da canção, em mixagem diferente, no video oficial de 2007:
ESSA é carinha linda da moça:


Natalie Barbu --- FIGHT (original version)


http://www.youtube.com/watch?v=fYjunABZo0I&hd=1



Never let nobody in
And step right on your dream
If you really wanna take this trip
Fighting anywhere we go
To face this cruel world
We gotta just fight forever



http://www.lyricsmode.com/lyrics/n/natalia_barbu/fight.html

Rodrigo Sputter disse...

rapá...raramente o mainstream tem coisa boa...hehehehe

entendi Ernesto...

falei bosta pra dar uma ernestiana, uma polêmica...mas não gosto mesmo...

Chicão, meu gosto é bem amplo...quando o povo daqui falava que Smiths e Velvet era coisa de viado eu já ouvia a tempos...quando chamavam de rock taboca o som que misturava uma coisa regional, baiana, com rock eu já escutava aqueles forrós antigos...ouvia samba, tipo cartola, nelson cavaquinho, batatinha...coisa que os roqueiros dos anos 90 foram abocanhar e fazer de uns anos pra cá pra matar um cachê em editais viciados do governo petista...Ernesto falou isso super bem no doc dos dead billies feito por Xanxa...

Victor A. disse...

pô os caras dixavando o QOTSA, mas continuo firme na crença de que são a única banda atual em condições de comparação com as grandes do passado (em termos). FF é o tipo de banda legal na despretensão. Cruzando essa fronteira, viraram esses indignos de nota.
Mas QOTSA é foda desde a fase embrionária (KYUSS), até a atualidade. Nego pode torcer o nariz pelo apelo comercial, mas quem tem esse apelo e ainda oferece uma sonzeira dessas?
Só me vem Black Keys à mente, mas dúvido que eles tenham as manhas de se manter nessa linha como o Homme tem.

enfim, cheguei tarde na discussão...