quinta-feira, janeiro 12, 2012

SOFISTICAÇÃO ACÚSTICA

Na linha do She And Him e do local Dois Em Um, chega às lojas Agridoce, duo de Pitty e Martin

A menina punk que pulava pra galera nos velhos tempos do rock baiano dos anos 1990 e foi embora no início da década passada em busca do seu destino no Sudeste, definitivamente, cresceu.

Não que sinais desta passagem para a maturidade já não estivessem evidentes desde o álbum Chiaroscuro (2009), mais ambicioso em suas pretensões artísticas do que tudo que ela tinha feito antes em sua carreira.

Agora, com o álbum homônimo do projeto paralelo Agridoce (acima, em foto de Caroline Bittencourt), tocado em parceria com o guitarrista Martin Mendonça, ela dá (na verdade, eles dão) vazão à outras facetas criativas de sua musicalidade, investindo em uma sonoridade acústica rica e à beira de uma certa sofisticação pop.

Gravado durante temporada de isolamento em uma casa na Serra da Cantareira, Agridoce, o disco, poderá surpreender quem ainda vê Pitty como uma “cantora de rock adolescente”, rótulo muitas vezes colado à artista – ainda que não sem alguma razão, é verdade.

Cantando melhor do que nunca, ela deita a voz de forma suave e emocionada na cama de sons acústicos arrumada por Martin e o produtor / mentor Rafael Ramos.

Se ainda não chega a ser algo 100% original, Agridoce é o testemunho definitivo de que a baiana é sim, uma artista relevante.

ENTREVISTA: AGRIDOCE

Soteropolitana de nascimento (em 7 de outubro de 1977), Priscilla Novaes Leone passou a infância em Porto Seguro, aonde começou a ouvir rock via Raul Seixas e o BRock dos anos 1980. Logo evoluiu em direção ao punk rock / hardcore, gêneros que abraçou com sua primeira banda, Inkoma, já em 1995 e morando em Salvador. Em 2002, a convite de Rafael Ramos, da Deckdisc, partiu para São Paulo. O resto é história.

Já Martin Mendonça, também de Salvador, começou a tocar guitarra em bandas de heavy metal locais, como Malefector e Gridlock. Depois de um período na Cascadura, foi convocado em 2004 para assumir a guitarra na banda de Pitty.

O que motivou o Agridoce surgir como projeto paralelo? O estilo das canções não combinavam com o som de Pitty?

PITTY - O Agridoce já nasceu como uma coisa diferente, na verdade. Desde o embrião, quando nem sabíamos o que ia ser, as músicas já brotavam dentro desse conceito mais minimalista e utilizando elementos diferentes de uma banda de rock – no caso, piano e violão. Foi natural que virasse algo paralelo.

Que bandas / artistas influenciaram na criação do som do Agridoce, durante a temporada na Serra da Cantareira?

P - Lá a gente ouvia praticamente só vinil. Cada um levou os seus e juntamos todos numa pilha enorme perto da vitrola. Ouvíamos desde John Lennon e Neil Young até Black Keys e Arcade Fire. Serge Gainsbourg, Sean Lennon e o Ghost Of A Saber Tooth Tiger, Charlotte Gainsbourg e coisas de Johnny Cash. E cada um desses trazia uma pontinha de inspiração. Cash pelo timbre de violão, Arcade Fire pelas texturas, Lennon pelos timbres de voz dobrada com slap delay. Por temos essa coisa com os vinis e estarmos tão abertos à experimentações acabamos sampleando coisas dos Beach Boys, Gainsbourg e até Led Zeppelin. Tá tudo diluído ali no meio.

Aliás, os violões estão matadores. Deu muito trabalho buscar esses timbres específicos?

MARTIN - Tive dois trunfos fundamentais nessa gravação, que foram os violões e microfones incríveis que descolei com Rafel Ramos (produtor) e Marcelo Gross (Cachorro Grande), aliados a  experiência e habilidade de Jorge Guerreiro, nosso engenheiro de som. Usei como referência principal os discos do Johnny Cash produzidos por Rick Rubin, que tem alguns dos melhores sons de violão que eu já ouvi.

E como foi a montagem do estúdio em uma casa na Serra (abaixo, foto de Otávio Sousa)? Foi complicada? Vocês levaram muito material de gravação e instrumentos ou foi uma operação mais simples, graças às técnicas de gravação digitais?

M - Apesar das facilidades promovidas pelas técnicas de gravação digital, ainda dá um puta trabalho montar um estúdio numa casa que não foi preparada pra isso. Tivemos que improvisar espaços e nos virar como podíamos. Mas esse desafio era algo que estávamos procurando quando optamos por gravar lá. Queríamos que o som do disco tivesse, acima de tudo, personalidade – e gravar fora do esquema asséptico de um estúdio profissional acaba conferindo uma sonoridade muito peculiar.

P - Foi um tiro no escuro, uma aventura. Não sabíamos qual seria a acústica da sala, nem como montaríamos os equipamentos. Tudo foi descoberto lá. Levamos ferramentas para transformar aquilo num laboratório. Até um gravador de rolo estava no pacote e acabou sendo usado de rompante numa gravação na piscina, com apenas um microfone. De instrumentos, catamos tudo o que podia em casa. Tudo que produzisse algum barulhinho interessante ou que pudesse somar e texturizar de alguma forma.

A  voz de Pitty em sua banda principal parece estar cada vez mais similar à voz da Pitty do Agridoce. Você está se "agridocificando"?

P - Hahaha, será? Nunca pensei por esse ângulo. Talvez a coisa esteja caminhando para uma identidade mais coesa, mesmo os dois trabalhos sendo tão diferentes. De qualquer forma, como cantora, penso que é um trabalho de descoberta que nunca cessa. Sempre vou querer saber de quantos jeitos eu posso usar esse instrumento (a voz), buscar formas diferentes de emissão. E é um campo muito, muito amplo. Foi um mega desafio cantar desse jeito no Agridoce, com menos volume, controlando minuciosamente a saída de ar, as sílabas. E me surpreendi com a descoberta de que cantar suavemente é mais difícil do que gritar– pra mim pelo menos, pela minha vivência. Pro grito, pro brado, é necessário explosão, potência. Pra esse outro tipo de canto é preciso muito mais controle. A base tem mais “espaço” e qualquer nota que você emita com um pouco mais ou menos de ar fica evidente.

Que outros instrumentos você  tocou no disco, Martin? Tem algum que achou mais difícil ou que deu mais trabalho para achar os timbres ideais?

(Foto: Otavio Sousa)
M - Além do violão, toquei dobro, ukulele, bandolim, baixo e guitarra, sendo que esta última, sempre de uma maneira não-ortodoxa. Os maiores desafios foram o bandolim, com o qual não fiz as pazes até hoje, e as experimentações com E-Bow e slide, duas abordagens da guitarra que nunca tinha tentado até então e pelas quais me apaixonei.

Haverá shows do Agridoce, uma turnê de divulgação? Se houver,  passa por Salvador?

P - Estão pintando alguns shows, tô sentindo que vai rolar uma tourzinha, sim. Espero MUITO que passe por Salvador, é uma pena aparecerem tão poucas oportunidades de tocar na nossa terra natal. Saibam que queremos loucamente, mas que não depende só da gente.

Vocês dividiram os vocais em algumas faixas do CD. Foi aquele “esquema Beatles”, tipo quem escreve a letra canta a canção – ou alguém fazia questão de cantar essa ou aquela música?

M - Esquema Beatles, quem fazia a letra cantava a música, ou trechos dela.

Como surgiu a parceria da dupla com Ricardo Spencer (cineasta baiano, diretor de diversos clipes e vídeos para Pitty e sua banda), na faixa Say?

P - Surgiu do nada, numa madrugada dessas em que ele e Martin ficaram cantarolando coisas e registraram no gravador do celular. Martin me mostrou depois e eu achei lindo, achei (e achamos) que renderia uma música. Aí fomos desenvolvendo. Eu e Martin criamos um arranjo, Spencer mandou uma letra, eu lapidei a melodia. Foi bem inusitado o jeito que essa música surgiu, e foi uma ótima surpresa pra gente.

Quais os planos de Pitty para 2012? Disco novo, turnê? Ou será um ano mais reservado, com férias etc?

P - Agora encerramos a turnê do DVD Trupe Delirante, e vamos nos dar uma férias para arrumar a casa, realinhar as ideias e deixar brotar algo novo. Imagino que em 2012 role um disco, mas não sei quando ainda. Vou fazendo à medida em que aconteça tempo-vontade. Enquanto isso não rola, faço shows com Agridoce.

Cantar em uma língua estrangeira não é nada fácil. Na verdade, é bem difícil. Mas ainda assim, você foi bem corajosa ao cantar uma faixa em francês (Ne Parle Pas, lançada em compacto de vinil, além de duas outras em inglês). Não deu frio na barriga de, de repente, pagar um mico em francês? Você contou com alguma assessoria aí, um professor de francês para ajudar na pronúncia, ou foi na cara e na coragem, mesmo?

 
P - Foi na minha boa e velha cara-de-pau mesmo (risos). Contei com a percepção de que palavras em outras línguas são sons. Uma vez que seu ouvido os capta, eles podem ser reproduzidos. É difícil principalmente porque não domino o idioma, mas acho que o que vale nessa hora não é a pronúncia matematicamente perfeita. É o feeling, a interpretação, o fato de combinar com a sonoridade. É necessário se arriscar artisticamente. Se existe mico, é para aquelas pessoas que acham que tudo tem que ser perfeito e asséptico e só enxergam a rigidez, e estão aquém da arte. Estão mais preocupados com a forma do que com o conteúdo. Obviamente cuidei para que fosse o melhor possível, mas tenho consciência de que sempre será um francês falado por um estrangeiro, que existe o sotaque. E o sotaque é bom, é o que você é, de onde veio.

Seu primeiro álbum como Pitty, o Admirável Chip Novo, saiu em 2003. De lá para cá, já se vão quase nove anos. Seu público, que era majoritariamente adolescente, cresceu. Já os adolescentes de hoje em dia parecem mais ligados em bandas mais recentes, como Restart e Cine, ou por outro lado, em artistas de perfil menos ligado ao imaginário roqueiro, como Luan Santana etc. Como você se vê posicionada no mercado da música pop brasileira dos próximos anos, Pitty? Cada vez mais roqueira, mais para o radical? Ou buscando uma mudança de perfil?

P - Eu não sei se “busco” nada conscientemente, não é tão pragmático assim. Eu só quero gravar discos que eu goste, fazer músicas nas quais eu possa me expressar, que eu ouça e fique feliz por tê-las feito. Música não é encomenda, não é para suprir regras de mercado, para atingir de forma calculista este ou aquele (público). É pra gente transcender, se revelar, se conhecer. Parece papo hippie, mas é que é muito estranho quando eu vejo a arte sendo tratada de forma tão pequena e mundana, quando eu sinto que é algo maior. Enfim, o que vai ser eu não sei. Mas sei que vou continuar gravando os discos que eu quero gravar. E aí só me resta torcer para que as pessoas se identifiquem com eles.

Martin, você é o cara dos projetos paralelos na banda da Pitty, correto? Além do Agridoce, tem ainda o Martin & Eduardo, projeto seu com o baterista de Pitty, Duda Machado, que lançou o disco Dezenove Vezes Amor (2010). Esse projeto ainda está rolando? Se sim, quais são os planos para ele?


M - O projeto com Duda está de férias. Gravamos o disco, fizemos uma mini-turnê e acho que esse ciclo já fechou, agora é esperar pra ver no que vai dar. Ainda não fiz planos mas já tenho todas as músicas prum próximo disco então tudo pode acontecer.

Agridoce / Vigilante - Deckdisc / R$ 21,90 / LP em vinil Polysom: R$ 79,90 / Compacto Vinil de Ne Parle Pas Polysom: R$ 34,90

18 comentários:

Franchico disse...

Brama, no Scream Yell tem uma etrevista longa com o Zeroquatro e acho que em uma das repostas ele aprofunda aquela questão que vc ficou em dúvida, veja:

PERGUNTA: O Mundo Livre S/A já colocou música para download gratuito. Dos dez discos do ano eleitos pela Rolling Stone (veja aqui), o primeiro e o segundo (Criolo e Emicida) foram liberados gratuitamente (Criolo, inclusive, esgotou a tiragem do vinil mesmo liberando gratuitamente em MP3). Neste link (aqui) perguntei para várias artistas qual o motivo deles liberarem de graça seus discos. Hoje em dia, você colocaria um álbum do Mundo Livre S/A para download gratuito?

ZEROQUATRO: Se alguma lei ou edital público tiver bancado tudo, claro que eu libero na boa, pois acaba sendo renúncia de imposto, ou seja, dinheiro do contribuinte. Mas se tiver saído do nosso bolso, tipo grana de cachê ou direito autoral, aí eu quebro, não consigo pagar minhas contas e bancar estúdio, capa, prensagem, etc. Esse lance de usar alta tecnologia pra passar o chapéu, pedir esmola hightech, craufunde de cu é rola, acho um retrocesso humilhante, indigno. Em nome da sustentabilidade dos estúdios, do saber adquirido dos produtores e engenheiros, eu acho um desaforo esse lance de estimular a desqualificação dos fonogramas. O Abbey Road está quase falindo e demitindo engenheiros, técnicos, etc. Acho isso tão triste quanto o desmatamento da Amazônia, ou seja, um descaso com um patrimônio da humanidade.

A entrevista está aqui:

http://screamyell.com.br/

Franchico disse...

Mais uma crítica para Cavalo de Guerra.

http://andrebarcinski.folha.blog.uol.com.br/arch2012-01-08_2012-01-14.html#2012_01-13_07_57_59-147808734-0

Aliás, a melhor que li até agora.

Franchico disse...

Outro filme imperdível, pena que não estreou hj em Salvador.

http://omelete.uol.com.br/cinema/o-espiao-que-sabia-demais-critica/

osvaldo disse...

o.k. chicovsky. agora tem uma certa logica, apesar de creative commons ou não , faz muito pouca diferença na pratica, porque, como sabemos, a galera baixa de gratis musica, até porque no Brasil os primeiros modelos de venda de musica digital era carrerimo, em alguns casos mais caro que o disco fisico, o que so fez incentivar a pirataria. vou entender a visão de 04 mais como uma postura critica.

osvaldo disse...

ah sim o que foi aquela entrevista de nana caymmi publicada ontem n'atarde que vc fez fez? caralho, ela odeia isto aqui, so que, a meu ver, pelos motivos errados.

Rodrigo Sputter disse...

Pou, quando vi q esse filme era do spilberg já fiquei meio assim, queria ver por conta dos uniformes da 1a guerra...mas pelo que vi (e temia anteriormente) é melhor deixar pra lá...fico no google imagens...vem aí um novo filme do Clint sobre Hoover (FBI), vamos ver se o velhinho faz outro filme bacana...o último dele por pré-conceito não vi...mas gostei de A TROCA e GRAN TORINO.

Sobre o Mundo Livre, cada um com seu pensamento, se num quiser colocar não coloca, mas sempre alguém vai colocar...eu se num colocar pra baixar quase ninguém vai ouvir...creio que quem gosta de música ou da banda (e não tiver "caro") compra o disco...é tanta coisa pra se discutir que não se acaba...mas vai eu me fiar nessa de vender disco pra ganhar dimdim...morreirei comendo frutas - & verduras - podres de são joaquim...e olhe lá se eu conseguir chegar cedo pra catar.

Franchico disse...

Pois é Bramis! Sobre Zeroquatro, achei pertinente, coerente e embasada a visão dele. Para falar a verdade, não sei dizer se ele está certo ou não - hoje em dia, isso me parece cada vez mais difícil (pelo menos em relação a esse tipo de questão). Como sugeriu Sputter aí em cima, acho que cada artista é que tem que saber o que é melhor para si mesmo - seja dar de graça, pedir dinheiro pra galera, vender CD nos shows etc.

Sobre Nana, soube que aquelas declarações dela estão bombando no Livro de Caras (tb conhecido como Facebook). Como não leio Caras, estou por fora. Foi um ato de terrorismo deliberado, mesmo. Acendi o pavio e saí de baixo. Quero nem saber.

(Aliás, ato de terrorismo, uma pinoia: a mulher falou e eu reportei. Apenas fiz meu trabalho).

Agora não sei se os motivos dela são errados. Qualquer motivo para ODIAR SALVADOR hj me parece certo. Apenas caminhar pelas ruas dessa cidade em seu estado atual já me deixa enojado.

Ah, Sputter, creio que a boa fase de Clint passou: parece que a crítica anda descendo o cacete no J. Edgar.

Rodrigo Sputter disse...

Pou, Chiconha concordando comigo...até me emocionei-hehehe
zueira man!
~;op-
mas é isso, cada um "faz o que quer" com sua arte, mas esse papo de vender + ou - por causa do disco de graça acho bastante discutível...se o beatles lançar os caras cagando no banheiro e tocando vai vender horrores...eu gravo um disco e num vai vender 10% (10? pou...se fosse 10 eu tava felizão, q tal 0,001%?)...

Vc num gostou de GRAN TORINO?
é um filme legal...A TROCA foi + o tema e o figurino que me tocaram...lá ele...

Velho, eu cago pra crítica muitas vezes...são pseudo cinéfilos que num sacam porra niuma de cinema...eu vejo filme pra porra e cada vez acho que conheço menos de cinema...nessas listas que aparecem num vejo nunca o nome de um Béla Tarr, um Sokurov...esse site omelete pode até ser bacaninha, mas só acesso ele quando vc coloca um link aqui...num é um site que eu leve tanto a sério...

Nem vi o que nana falou, coloca aqui tb rapá, num é um blog de música? se vacilar ela é "+ rock" que muita gente q conheço por aqui...o foda de jornalista é que tu fala e a galera corta e coloca o que quer...parece que nunca entende o que vc fala...vai ver tb muitos não se expressam bem...eu particularmente cansei de falar com el@s...@s jornalistas...gosto de vc, q é meu bróder, se eu num gostar pico-lhe a porra-hehehe
zueira meu caro...mas é foda viu...já me estressei muito com jornalistas...

Rodrigo Sputter disse...

uma das últimas vezes que dei entrevista pra jornal, foi pq uma amigona pediu, e a pseudo-jornalista disse q eu fazia parte da geração adolescente tardia...pq tinha uma banda de rock e estudava filosofia...onde que adolescente nesse mundo gosta de ROCK e Filosofia é que eu num sei...

osvaldo disse...

A Bahia que Nana parece querer é aquela consagrada pelo pai dela, aquela coisa folclorica e mitica, que é ainda mais atrasada do que a atual. Não cabe criticar a obra musical do velho Dorival, porque genial. O que critico é o sub-produto gerado, tipo esses papos de q o legal da Bahia é o dengo,a preguiça e o sorvete da Ribeira, em suma a folclorização e a visão mitica de uma Bahia inexistente e a consequente consagraçào do atraso, porque viveriamos numa suposta "terra da felicidade". O ironico disso tudo é que Nana faz boa parte do seu dinheiro cantando os classicos do pai, que versam sobre "mas que saudade eu tenho da Bahia" e "o que é que a baiana tem". E, ironia maxima, suas declarações foram dadas na mesma semana em que Caetano, citando o pai de Nana num artigo de jornal, dizia que "A Bahia esta viva", e foi previsivelmente festejado por luminares (?) de plantão da combalida baianidade nagô. Como disse o mestre Cid Teixeira, a Bahia, na obra de alguns artifices da baianidade, esteve presente como assunto, sem ter necessariamente preocupação com a realidade.

Rodrigo Sputter disse...

http://www.atardeonline.com.br/cineinsite/materia/materia.php?id_materia=12141

Franchico disse...

Preparem o incenso!

http://oglobo.globo.com/cultura/trio-crosby-stills-nash-vira-ao-brasil-em-2012-3661209

Franchico disse...

É isso aí, Marcelão!

http://blogs.estadao.com.br/jt-variedades/nova-recusou-palco-b-do-lollapalooza/

Franchico disse...

Gostei de Gran Torino, mas é um filme com problemas. A Troca, sim, é excelente.

Sobre a crítica, para mim, é meu guia. Claro que muitas vezes igonoro e vejo o filme que ela detonou por que quero ver com meus próprios olhos e tirar minhas próprias conclusões. Mas se a maioria das críticas que eu vir estiver detonando determinado filme, perco o interesse em assisti-lo. Claro que tb eu não leio qualquer crítico, né? Eu me guio pelos que confio, que são bem poucos.

Sobre o Omelete, site que checo diariamente há uns bons dez anos, eu gosto por que noticia, de forma bacana e bem humorada, quase tudo sobre o universo que me interessa (e com o qual trabalho também), que é o da cultura pop. Para mim, é o melhor do Brasil. Simples assim, sem tietagem.

Franchico disse...

Nova HQ de Brian K. Vaughan (de Y, Ex Machina e Fugitivos) promete:

http://omelete.uol.com.br/quadrinhos/saga-preview-e-detalhes-da-nova-hq-de-brian-k-vaughan/

cebola disse...

Marcelo Nova ensinando ao Lobinho como é que se faz.

Franchico disse...

Tarantinolista:

http://omelete.uol.com.br/cinema/quentin-tarantino-lista-os-seus-filmes-favoritos-de-2011-e-tambem-os-piores/

teclas pretas disse...

CS&N no brasil??! eitaminino!!!
G.