terça-feira, janeiro 25, 2011

OS BEATS VOLTAM À ESTRADA, AGORA EM DIREÇÃO AO MAINSTREAM

Alguém já disse que a maior obra de um grande artista é sua própria vida. Essa suposição se aplica com total exatidão aos escritores, poetas e malucos profissionais que formaram a chamada Geração Beatnik.

Herdeiros da tradição libertária e aventureira de escritores do século XIX, como Walt Whitman (1819-1892) e Jack London (1876- 1916), nomes como Jack Kerouac (1922-1969), Allen Ginsberg (1926-1997) e William S. Burroughs (1914- 1997) se tornaram sinônimo de uma literatura frenética e alucinada, veloz como os carros com os quais eles cruzavam os Estados Unidos do pós-guerra de costa a costa, repetidas vezes, ao ritmo do jazz be bop de músicos contemporâneos, como Charlie Parker e Dizzy Gillespie.

Em 2011, essa rapaziada periga se tornar mais popular do que nunca (até por que pop eles já são, até demais), já que, pelo menos dois filmes baseados em suas vidas e obras estreiam no Brasil: On The Road, dirigido pelo brasileiro Walter Salles e Uivo (Howl), sobre Allen Ginsberg.

O segundo estreou em setembro nos Estados Unidos, com boas resenhas da crítica, enquanto o primeiro, baseado no livro-símbolo do movimento, ainda sem data de estreia, é uma superprodução de Francis Coppola e um dos filmes mais aguardados do ano.

Nas prateleiras

Enquanto os filmes não chegam, bons lançamentos chegam às livrarias, como os inéditos (no Brasil) Anjos da desolação e Despertar: Uma vida de Buda, ambos de Kerouac, e Os Beats, ótima HQ que faz a historiografia da cena beatnik.

Dos três livros recém-chegados às prateleiras, o mais importante é, sem dúvida, Anjos da desolação, o qual captura os últimos momentos de Kerouac como um maluquete anônimo, antes que o lançamento de On the road, em 1957, o catapultasse à fama que o incomodou até morrer, doze anos depois.

Já Despertar: Uma história de Buda, lançado em formato pocket, é o resgate de um texto engavetado do autor, só lançado em seu país em 2008.

Trata-se da versão de Kerouac para a biografia de Sidarta Gautama, o príncipe indiano que se tornou a divindade Buda após rejeitar a riqueza e encontrar a iluminação – um tema mais do que caro à geração beatnik.

Por fim, Os Beats - Graphic Novel, é uma coletânea com várias histórias em quadrinhos biografando as figuras (e cenas) mais significativas do movimento. As HQs são assinadas por conceituados quadrinistas da cena underground , com Harvey Pekar (do filme O Anti-herói Americano, sucesso nos circuitos de arte) à frente.

Confronto com o Vazio

Com Anjos da desolação, fãs e leitores de Kerouac tem à disposição uma peça importante na montagem do complexo quebra-cabeças que é a visualização de sua obra / persona (instâncias que sempre se confundem no velho Jack).

Basicamente, a primeira parte é o relato dos 63 dias que ele passou no isolamento, como vigia de incêndios no Desolation Peak, montanha no estado de Washington (noroeste dos Estados Unidos). Na segunda parte, intitulada Passando, ele retoma suas andanças mundo afora, entre bebedeiras descontroladas, mulheres e poetas.

A edição da L&PM traz dois bônus importantes para o entendimento da obra e seu autor. O primeiro é uma longa e apaixonada apresentação do escritor e crítico Seymour Krim, produzido no calor do lançamento original de Anjos da desolação, em 1965.

O outro é um depoimento de Joyce Johnson, escritora que foi uma das (muitas) namoradas de Kerouac, e que aparece no livro como a personagem Alyce Newman.

Extremamente pessoal – e nem poderia ser diferente – seu texto contextualiza, com a vantagem da perspectiva do tempo, o momento de Kerouac no livro: “O confronto deliberado com o Vazio no verão de 1956 foi o ato de um homem que não admitia estar exausto, mas que tampouco havia perdido a coragem ou a liberdade necessária para ir aonde quer que a imaginação o levasse”, escreve.

“A temporada como vigia de incêndios foi uma das últimas aventuras de Kerouac na estrada; em 1957 a fama indesejada de ‘avatar da Geração Beat’ acabaria para sempre com seu anonimato”, nota Johnson.

Quanto à graphic novel Os Beats, pode-se dizer que sua maior virtude é também seu maior defeito: o didatismo.

Assim como presta um grande serviço aos neófitos ao contar, organizada e didaticamente, as trajetórias dos nomes mais (e até dos menos) importantes do movimento, a HQ, na sua maior parte, peca pela forma pouco ousada com que o faz, com exceção de poucos capítulos, como os desenhados por Peter Kuper e Trina Robbins.

Ainda assim, vale a leitura pela amplitude do volume, que vai fundo nas origens remotas e ramificações do movimento, chegando até as artes plásticas.

LEIA "O CHAMADO DA ESTRADA", ÓTIMO ARTIGO DO JORNALISTA PAULO SALES SOBRE JACK KEROUAC E A GERAÇÃO BEAT: http://caderno2mais.atarde.com.br/?p=2467


Os Beats - Graphic novel / Harvey Pekar, Ed Piskor e vários artistas / Benvirá - Saraiva / 208 p. / R$ 39,90 / http://www.benvira.com.br/






Despertar: Uma vida de Buda / Jack Kerouac / Trad.: Lúcia Brito / L&PM / 176 p. / R$ 14 / http://www.lpm.com.br/






Anjos da Desolação / Jack Kerouac / Trad.: Guilherme S. Braga / L&PM Editores / 360 p. / R$ 68 / http://www.lpm.com.br/








22 comentários:

Franchico disse...

Um belo desabafo de um dos jornalistas que perderam o emprego com o fechamento da Wizard.

http://www.bleedingcool.com/2011/01/24/a-view-from-mark-allen-haverty-wizards-ex-price-guide-writer/

É mais ou menos como o que acontecia com a Bizz nos anos 1980: todo mundo falava mal, mas todo mundo lia. Aí, depois que acabou, foi que nego se tocou da importância da coisa.

Franchico disse...

Capitão Kirk contra o Homem de Seis Milhões de Dólares.

http://www.omelete.com.br/series-e-tv/shit-my-dad-says-veja-foto-da-participacao-do-homem-de-6-milhoes-de-dolares/

Isso vai ser muito bom!

Franchico disse...

Alguém ainda se importa com o U2?

http://www.omelete.com.br/musica/u2-novo-album-tera-sonoridade-mais-eletronica/

"Sonoridade eletrônica"? Santa originalidade, Batman!

Franchico disse...

Menino Sputter manda boas notícias. Baixem o single! Já baixei e adorei, sério mesmo!

Segue o texto do rapaz:

Sobre as canções:

Já está disponível pra download o single dos Honkers que lançamos em Outubro do ano passado, em nossa festa de 12 anos de existência.
Nele você escutar a veia + Power Pop dos Honkers e as canções irão grudar em sua cabeça que nem chiclete no cabelo...e nem cortando as madeixas elas deixarão os seus ouvidos...

Quem quiser comprar o single que tem 4 capas diferentes a sua escolha (feita pelo mago de sempre Mauro Y Barros, que assina todas as capas dos Honkers desde nosso 1o EP de 2003), é só enviar e-mail para os "donos" do selo Entorte Discos que lançou o single no ano passado e promete novidades para 2011.

Aqui o contato dos rapazes: Rodrigo Gagliano : patorockogd@hotmail.com e Antonio: tonnyloula@hotmail.com

O single Thirty-Six Hours pode ser baixado (com encarte, letras e info) no link abaixo:

http://www.4shared.com/file/up9d-wOO/The_Honkers_-_Thirty-Six_Hours.html

Sobre as Poesias:


Finalmente um Blog!!
Depois de 11 anos usando a internet eu criei um blog pra mim, pra colocar meus poemas e textos, pra deixar mais organizado, fácil de achar e ler.

Vou postando primeiramente em ordem crescente, dos "primeiros" que escrevi até os atuais.

Claro que não vai ter 100% do que escrevi, alguns se perderam, outros estão "perdidos" no meu quarto e tem muitos que escrevi guri então nem vale a pena publicar no blog, deixo guardado em minhas lembranças...na verdade perdidos no quarto mesmo, não lembro direito o que escrevo mesmo, mas alguns eu vou resgatar.

Ah! "The Lonely Life Of The Lonesome Cowboy Bill" é o Nome de uma extinta coluna minha lá pelos idos de 2001/2002 no falecido site Anedota Búlgara.

ACESSEM:

http://www.rodrigosputter.blogspot.com/

Franchico disse...

Em uma palavra, ou melhor duas, isto é TOTALMENTE IMPERDÍVEL!

Mythos lança o primeiro volume de Cripta

http://www.universohq.com/quadrinhos/2011/n26012011_02.cfm

Lembram? É a Kripta, aquela revista em P&B de terror, que aterrorizava a molecada nos anos 70 e 80, de vuelta! Só fera!

Nei Bahia disse...

Chicão, quando a BIZZ acabou eu tomei uma na intenção!!!

Franchico disse...

Quolé, Nei! Não seja cruel! ;-)

Falando sério, uma revista que nos deixou um legado como esse:

http://rateyourmusic.com/lists/list_view?list_id=133037&show=50&start=0

...Não pode ter sido tão ruim ou maléfica ou abestalhada, seja lá qual for a avaliação que vc e os demais detratores façam.

Só a título de esclarecimento: neste link podem ser encontrados TODOS OS TEXTOS DA SEÇÃO DISCOTECA BÁSICA. Um lindo acervo de textos inspirados, apaixonados de verdade por música.

Nei Bahia disse...

Legado Chicão?
Críticos que formavam bandas e cada disco lançado era comentado pelo da outra banda, que depois retribuía o favor. Histórias recontadas e deturpadas ao bel prazer das preferências musicais dos escribas, artigos mal traduzidos da NME e cinicamente assinados como originais, e quando descobertos alegavam até serem atos com conteúdo ideológico.
Vou tomar mais um na intenção do defunto!!

Franchico disse...

Tudo isso que vc falou é verdade, Nei.

Mas ainda assim, em um tempo em que não existia internet, TV a cabo e mesmo essas revistas estrangeiras eram raras e caras, o serviço prestado por eles foi importante para carinhas como eu, que na época, segunda metade dos 80, eram uns campados que moravam no cu do mundo (Salvador) e não tinham acesso a praticamente mais nenhuma outra (com honrosas exceções) fonte de informação.

Franchico disse...

Já ouviram falar em um cara chamado Rob Liefeld?

Eu já. Muito - afinal, eu sou um nerd doente. Mas não gosto de nada do que ele faz (ou melhor, copia). Mas sabem de uma coisa? Até Alan Moore (quando precisou pagar umas dívidas) trabalhou para ele - e muito. E muito bem (na série Supreme). Vejam no link abaixo por que ele é um dos caras mais polêmicos das HQs, ever.

http://www.bleedingcool.com/2011/01/26/a-filthy-orphan-9-by-nevs-coleman-a-response-to-zombie-jesus/

Franchico disse...

Picolé de cachorro:

http://www.huffingtonpost.com/2011/01/27/dog-in-block-of-ice-found_n_814785.html

Franchico disse...

Atenção fãs de western! No link abaixo está uma HQ em pdf gratuita de Bravura Indômita, o romance que virou filme agora, pela segunda vez, pelos Irmãos Coen!

http://www.truegritmovie.com/intl/uk/novel/TRUE-GRIT_MEAN-BUSINESS.pdf

On The Rocks disse...

fiquei triste quando a bizz acabou. também bebi várias cervas...

quanto aos beats,

:--))))

é, acho que o sorriso não cabe aqui - rs

abs,

buenas.

On The Rocks disse...

o TAZ faz a diferença!!!

osvaldo disse...

showzaço de messias na cultura sabado.todo mundo alegre...

osvaldo disse...

Vcs sabiam q vai ter Lollapalooza no Chile?


Kanye West, Yeah Yeah Yeahs, Flaming Lips, the National, Cat Power to Play Lollapalooza Chile
Santiago fest also includes Devendra Banhart, Jane's Addiction, the Killers



http://pitchfork.com/news/41385-kanye-west-yeah-yeah-yeahs-flaming-lips-the-national-cat-power-to-play-lollapalooza-chile/

Franchico disse...

Messias no sábado lotou o Teatro Eva Herz. No domingo, a fila para o Cascadura, conta Nei Bahia, tava batendo no Terreiro de Jesus. Uma cinco mil pessoas, mais ou menos, segundo ele. Dane-se que os dois shows foram de graça. A força e o potencial de público do rock baiano já estão mais do que provados. O resto é boicote cultural (ou seja, business movido a jabá) e má-intenção, mesmo.

Tava ligado nesse Lollapalooza, Bramis. Tem umas merdas, mas tb muita coisa boa. Para quem puder pegar esse avião, é uma excelente opção.

Anônimo disse...

peraí cara. praça tereza batista não dá 5.000 pessoas nem querendo. cabe máximo 1.000 pessoas. menos cara.

Franchico disse...

E aonde está escrito que as 5 mil pessoas entraram? Me diga aí! Quando entram mil e poucas, a organização fecha o portão - e quem não entrou fica do lado de fora. Cerca de 5 mil se dirigiram ao local para assistir ao show, mas apenas a capacidade máxima da praça de fato teve acesso ao local. Será mesmo que é preciso explicar um detalhe tão óbvio?

carlos augusto motenegro disse...

o instituto datafoda-se registrou 1.467 pessoas no pilô no domingo para ver o casca. outras 2.682 pessoas e meia( tinha um anão na parada) retornaram ao saber da superlotação.outras 1.546.000 pessoas tavam tirando um bode no horario. a margem de erro é 23,47% para cima ou para baixo.

Franchico disse...

Ora, nada como uma argumentação embasada em dados confiáveis do sempre proativo e tradicionalíssimo Instituto Datafoda-se! Nem doeu e foi até totoso, né?

Franchico disse...

Companheiro anônimo, quando vc assinar aquele seu comentário sobre o Casca parecer com essa ou aquela outra banda, eu publico. Mas criticar desse jeito sem assinar é facinho, né? Mostre a cara, que eu publico sua crítica.