sexta-feira, janeiro 09, 2009

LARANJA MECÂNICA SEGUNDO O SEPULTURA

Sepultura traz a Salvador repertório do novo CD, A-Lex, e nova formação. Locais Malefector e Minus Blindness abrem evento, que ainda terá participação de Jairo, guitarrista fundador da banda



O Sepultura que, recentemente, surpreendeu fãs e espectadores ao aparecer tocando uma bossa-nova em um comercial de TV é a mesma banda que promete ensurdecer o público que comparecer à Concha Acústica neste domingo, quando apresentará – em primeira mão para os baianos – o repertório do novo álbum do grupo, A-Lex, a ser lançado no próximo dia 23.

E não, eles não vão tocar Coquinho – a bossa criada especialmente para o tal VT, disponível para download em MP3 no site oficial do grupo. “Aí já seria demais, né?“, ri o guitarrista Andreas Kisser. ”Mas vamos mostrar muita coisa do álbum novo, e também passear pela história inteira da banda”, garante, em entrevista por telefone.

Um momento legal também será a participação do primeiro guitarrista da banda, Jairo Guedz, um dos fundadores do Sepultura ao lado dos irmãos Cavallera e do baixista Paulo Júnior (único remanescente original). Jairo saiu do grupo por volta de 1986 ou 87, abrindo a vaga para o paulista Andreas, que, de fato, integrou a formação clássica que levou o nome da banda ao seu auge nos anos 90.

Antes de sair, porém, Jairo gravou os dois primeiros registros fonográficos, o EP de estreia Bestial Devastation (1985) e o LP Morbid Visions (1986). ”O Jairo está passando um tempo aí em Salvador, aí conversamos e ele vai subir no palco para tocar umas coisas bem antigas, do tempo em que ele estava na banda”, conta Andreas.

A-LEX – Mas o foco do show é mesmo o repertório do novo CD A-Lex, um álbum conceitual baseado no livro Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1962), do escritor britânico Anthony Burgess. ”É uma obra que a gente conhece há muito tempo – mais o filme do Stanley Kubrick, na verdade”, corrige Andreas.

”Então a gente conhece bem a história. o livro serviu para dar mais profundidade às descrições, aos detalhes e letras. Foi uma experiência legal, feita num período curto. Escrevemos tudo em 3 ou 4 meses. Também é o primeiro CD com o (novo baterista) Jean Dolabella. Então estávamos bem motivados”, descreve.



O título do álbum, além de um trocadilho com o nome do protagonista de Laranja Mecânica, o psicótico Alex, também significa ”sem lei” em russo, segundo o músico.

”No livro e no filme as gangues têm uma linguagem própria, que é uma mistura de russo com o inglês cockney”, explica, referindo-se ao modo tipicamente londrino de falar, surgido nos bairros proletários.

Músico habilidoso e desprovido de preconceitos, Andreas é também um dos maiores arroz de festa do show business brasileiro (sem qualquer demérito por isso), tendo tocado com nomes improváveis para alguém oriundo do cenário metal, como Júnior (ex-Sandy), Paralamas do Sucesso e até o Scorpions, na sua recente turnê brasileira.

Além do Sepultura, as bandas baianas Malefector e Minus Blindness também subirão ao palco para mostrar seus trabalhos.

A primeira é, há mais de uma década, uma das mais significativas representações locais do estilo, tendo angariado respeito e admiração dos bangers, tanto na Bahia quanto fora dela.

Já a Minus Blindness, mais recente, aproveita para lançar seu primeiro álbum, Choleric The Aversion.

ROCK VERÃO SALVADOR 2009 | Com as bandas Sepultura, Malefector e Minus Blindness | Domingo, 16 horas | Concha Acústica do Teatro Castro Alves (3117-4899) | Praça Dois de Julho, s/n, Campo Grande | R$ 30 e R$ 60 (primeiros 4 mil) | R$ 40 e R$ 80 (restantes) | 16 anos

CONFIRA MAIS ALGUNS TRECHOS DA ENTREVISTA COM ANDREAS KISSER

Conhece bandas de metal baianas?
Malefector eu conheço, já tocamos juntos antes. A Minus Blindness eu ainda não ouvio. Mas eu curto algumas coisas do metal baiano.

Como foi gravar bossa nova?
A música foi feita especialmente para o comercial. No Grammy Latino tocamos Garota de Ipanema ao vivo também. A idéia é essa, de fazer algo totalmente inusitado, e o impacto foi positivo. O derrick cantou com aquele sotacão americano, ficou bem autêntico, uma coisa bem nossa mesmo.

Vc é um músico de metal totalmente sem preconceitos, coisa rara nesse meio.
A música tem esse privilégio de não ter fronteira, ela deixa as portas abertas. É um privilégio ser brasileiro e conhecer tanta música de norte a sul. Aprendo muito tocando com o pessoal, conhecendo os músicos, é uma escola. E o radicalismo não está só no metal, está na sociedade inteira, na religião e na política, principalmente onde tem tanta gente retrógrada. A música abre portas, na momento em que você conhece culturas diferentes, começa a entender o por que das coisas, perde os medos e passa a respeita-las.

Como é ser colunista do site Yahoo?
Recebi o convite para ser blogueiro da seção de música com o Kid Vinil e o Régis Tadeu, no ano passado. É uma coisa bem livre, eu conto minhas experiências.

E a turnê do novo disco?
Em fevereiro começamos pelo leste europeu e depois vamos pros EUA.

Como tem sido a reação dos fãs aos novos integrantes?
O Jean Dolabella era do Udora, é um puta músico, pode tocar qualquer coisa, professor de música e profissional mesmo. E sempre foi fã do sepultura, viu os shows quando era moleque. E a receptividade tem sido muito positiva. Com o material novo, ele está super adaptado.

Ele participou do processo de composição do A-Lex?
Quando alguém entra no Sepultura é para participar, trazer suas características.

Como está a relação com os irmãos Cavallera?
Com Ígor é tranquilo, ele saiu na boa e nos damos bem. Mas com o Max a gente não conversa desde que ele saiu da banda (em 1996). O Ígor saiu num esquema de transição. Ele tá fazendo o que gosta, o que tá a fim de fazer.

12 comentários:

Nei Bahia disse...

Lendas do rock:

Jairo venho a Salvador a primeira vez a mais de 10 anos como guitarrista do "The Mist", que era uma senhora banda de Thrash ( ouçam "the Hangman tree")e nessa estadia apareceu um rabo de saia baiano e deve ser por isso que ele virou freguês da cidade.

cebola disse...

I´mmm baack, fuckerrrsss!
Valeu galera, pelos parabeinsis, vou esmurrar a jaca do pau da barraca hoje la no sandubas rock!1 quem se habilita???

Franchico disse...

Pronto! Agora o ano vai começar. Tremei, Red River!

osvaldo disse...

reportagem no a tarde de hoje(sexta) sobre "uma nova onda de bares alternativos em salvador" dá destaque a nossos "haunts" locais ( icba, rock sanduiche). fotos dos locais e do super-heroi da cena alternativa (e nosso irmão de fé)rogerio big bross. a tarde vem dando crescente destaque , e fazendo justiça(ainda que, desculpem, tardia )a nossa cena alternativa. salvador ta mudando ou nosso establishment cultural anda sem novidaes?

Franchico disse...

Arrisco dizer que um pouco dos dois, Bramis....

M.R. disse...

O que eu acrescentaria o fato de algumas mudanças terem sido processadas no Caderno 2 de A Tarde: as aquisições preciosas de Eduardo Bastos, como editor e Chico, como repórter.

teclas pretas disse...

meusamigo aqui do rock loco,
música nova no myspace do TECLAS PRETAS, finarmente!

"cidade subtraída (e os perigos do sonambulismo filosófico)" - de minha humilde autoria. uma pérola do cancioneiro popular! faixa 2, no myspace. espero que a moçada aqui curta a valerrr...

www.myspace.com/teclaspretas

GLAUBER

Franchico disse...

Bondade sua, Marcão!

______________

Esse filme novo do Spike Jonze vai ser: ou muito, muito, muito, muito, muito, muito bom ou vai ser um tremendo pinnico cheio de mierrrda fumegante.

Não sei o que pensar.

Franchico disse...

Ô, esqueci o linque da parada:

http://www.omelete.com.br/cine/100017421/Where_The_Wild_Things_Are.aspx

Franchico disse...

Sensacional:

http://menwholooklikeoldlesbians.blogspot.com/

osvaldo disse...

glauber esta construindo um trabalho de responsa. o my space dos teclas pretas ta otimo.

teclas pretas disse...

pô, valeu osvaldokid! cê usou a palavra certa: "construindo". a idéia é essa mesmo. nem sei onde isso vai parar, mas tô gostando muito dos resultados. evamoquevamo!...

GLAUBER