quinta-feira, fevereiro 03, 2005

You're not right in the head and nor am I and this why I like you

A CASA DOS 1000 CORPOS: NÃO O SEU SHYAMALAN COSTUMEIRO

Rob Zombie é um doente. Quem já conhecia seu trabalho à frente da extinta banda White Zombie nos anos 90 sabe da obsessão do rapaz por filmes de terror, assassinos seriais e outros quesitos mórbidos. Finda a banda (que não era das piores, dentro das limitações do seu estilo pesado, pré nü-metal), Rob dedicou-se a lançar esporádicos discos-solo e a construir uma errática ainda que constante (cuma?) carreira de ator em diversos filmes de Hollywood: dos mais vagabundos aos razoáveis. Tudo para chegar aqui, à Casa dos 1000 corpos, seu primeiro filme como diretor e roteirista, e que chegou por esses dias às menos piores locadoras da cidade.

Nele, Rob Zombie deu um jeito de juntar todas as suas obsessões em um só pacote. Suas referências são óbvias: Massacre da serra elétrica, Quadrilha de sádicos (bem como todos os outros filmes do início de carreira do diretor Wes Craven), Charles Manson e sua Família, Ed Gein, John Wayne Gacy, Ted Bundy e outros psicopatas de plantão. É aquela velha história: grupo de jovens americanos bem alimentados e estúpidos cai nas mãos de um grupo bizarro de assassinos seriais que se escondem no interior sombrio e isolado dos Estados Unidos. Perdidos no cú da América. O que vai acontecer é previsível. Mas o que garante a diversão (doentia, mas ainda assim, divertida) desse filme é exatamente a mão pesada de seu diretor, que fez do seu filme uma aula de perversão, tortura e assassinato em grande estilo.

Rob Zombie não poupa seu espectador de nada: torturas, desmembramentos, escalpelamentos, facadas, esguichos de sangue. Tem até uma missa negra no melhor estilo caipira psicopata, coisa de deixar qualquer fã do gênero arrepiado. (Coisa que não acontecia comigo mesmo há muito tempo, devo confessar.) Ou seja, este aqui não é o seu Shyamalan costumeiro, que dá medo, mas mostra muito pouco. Aqui, a bagaçeira é exposta da maneira mais bizarra e explícita possível.

Esteticamente, o filme é um híbrido: como se passa no ano de 1977, ele tem muito do visual desses filmes básicos do terror americano, como os já citados Texas Chainsaw massacre e The hills have eyes (os títulos originais). Ao mesmo tempo, esse visual setentista é a todo momento recortado por inserções de vídeos mais contemporâneos com uma linguagem próxima à da MTV e à utilizada nos clips do próprio Rob Zombie, não por acaso, quase todos dirigidos por ele mesmo. O efeito é legal, funciona dentro da proposta insana do filme.

Destaque para o elenco experiente em filmes B escolhido por Zombie: Bill Moseley, que fez o engraçadíssimo personagem Chop Top no Massacre da serra elétrica 2, está brilhante no papel de líder da gang sinistra e Sid Haig, que trabalhou em Kill Bill Volume 2, também está perfeito como o Capitão Spaulding, um palhaço dono de um museu pra lá de assustador. Na verdade, todo o elenco escalado para os papéis de psicopata convence legal o espectador de sua loucura.

Para quem vai ficar de bobeira nesse carnaval, então, é o canal assistir esse filme. Claro que nem se compara ao terror que instaura nas ruas e emissoras de TV essa época do ano, mas dá pra sentir uns arrepios e se divertir a valer com esse singelo filminho. Assista com sua mãe, ela vai adorar. É como diz a frase na camisa de um dos personagens: "if I want to listen to an asshole, I'll fart". Mais ou menos: se eu quiser ouvir um cuzão, eu peido. Frase perfeita para o nosso carnaval, né não? Só uma dica final: caso vá aos Estados Unidos, nunca, jamais em hipótese alguma, saia sem destino pelas estradas sombrias do sul sem pelo menos uma 12 (carregada) para o caso de eventuais ataques de psicopatas caipiras canibais.

Ah, que saudade de Sal Paradise, Dean Moriarty e suas alegres e reveladoras viagens de carro pelos inocentes Estados Unidos das décadas de 40 e 50....

ADENDO: Ah, você se amarra em histórias reais de assassinos, psychos, assaltantes, terroristas e outras perebas sociais? Então confira esse site aqui, meu filho. O Crime Library tem de tudo em detalhes, de Bonnie & Clyde e Al Capone até Osama Bin Laden, passando pelos clássicos citados Manson Family, John Wayne Gacy e Ted Bundy, entre muitos outros, famosos e anônimos. Diversão para toda a família. Em inglês.

4 comentários:

osvaldo disse...

vi um show do white zombie no extinto hollywood rock em sampa nos 90, acho que foi o ano que veio os smashing pumkpins e plant e page. o rob zombie é uma figuraça mas a banda era meio limitada. alias o hollywood rock era mais bacana que o free jazz e o tim festival, o problema é que em sampa é proibido(acho que até hoje) a venda de bebidas alcolicas em estadios de futebol(inclusive cerveja), o que convenhamos, é foda.

marciorocks disse...

Chico, "... alegres e reveladoras viagens de carro pelos inocentes Estados Unidos das décadas de 40 e 50..."??? Claro que não se compara, até mesmo porque o filme é ficção, doidera de maluco(ainda não assisti, mas pelo que vc escreveu...). Mas as descrições de Kerouac no livro talvez nem se comparem à realidade nua e crua do que ele deve ter enfrentado...

Gabriela R. Almeida disse...

Caralho, nunca imaginei que mais alguém além de mim pegaria essa podreira na GPW, ainda mais com preço de lançamento. Para melhorar ainda mais todo o contetxo trash, eu ainda peguei o filme legendado sem ter reparado. Conseguiu ficar pior. Uma das melhores edições de filme freak que vi recentemente.

Banda Sangria disse...

Chicão, valeu a dica o filme é bala .Maurão.