segunda-feira, junho 13, 2011

É HOJE QUE SHARON JONES BOTA O TCA ABAIXO!

É hoje. Chegou o dia que muitos estavam esperando há cerca de um mês, quando foi anunciado o show de Sharon Jones & The Dap-Kings na Sala Principal do Teatro Castro Alves, inaugurando a Série TCA 2011, Ano XVI.

Até então, muita gente sequer havia ouvido falar na espetacular Miss Jones e a incrível banda que a acompanha. Compreensível, dado o assédio das indústrias fonográfica e cultural em desviar a atenção dos amantes da música para as modinhas e armações de ocasião – invariavelmente, de musicalidade pífia e irrelevância evidente.

Outra razão de a moça ainda ser pouco conhecida do grande público brasileiro é que seus discos com os Dap-Kings (quatro, até o momento) sequer saíram no Brasil, já que o selo Dap-Tone, pelo qual eles são lançados, ainda não tem representante no Patropi.

Ou seja, quem quiser adquirir um disco de Sharon Jones ou de outras estrelas do selo, como o extraordinário Charles Bradley ou Naomi Shelton & The Gospel Queens, tem que morrer em uma boa grana na seção de importados das lojas – físicas ou on-line.

Retomada da black music

Mas hoje nada disso importa. O importante é que ela (e eles) estão entre nós, e, salvo qualquer imprevisto indesejado, os baianos que se dirigirem à suntuosa sala do Campo Grande terão um gostinho do que se faz de melhor em termos de música negra no mundo, hoje – e em qualquer instância.

O que acontece é o seguinte: Sharon Jones & The Dap-Kings são a ponta da lança de um movimento de renascimento e retomada da black music pré-hip hop, de volta ao tempo em que pessoas de carne e osso tocavam instrumentos e escreviam canções – e não apenas apertam botões e tagarelam sobre seus carrões, bitches e armas em videoclipes.

No Brasil, a face mais conhecida dessa retomada da soul music é Amy Winehouse. Mas ainda há muitos outros artistas nessa onda neosoul, como Rafael Saadiq, Eli Paperboy Reed & The True Loves, Cee-Lo Green, Janelle Monae, Rox, Duffy, Mayer Hawthorne e todo o adorável cast do selo Dap-Tone.

O selo-símbolo do movimento tem justamente em Sharon sua maior estrela, daí o caráter inegavelmente “imperdível” do show de hoje a noite.

SHARON GUERREIRA

Natural de Augusta, do estado sulista da Georgia, Sharon Lafaye Jones, 55 anos, é, antes de tudo, uma lutadora. Dona de carisma e talento inegáveis – para nem citar a voz poderosíssima – esta mulher só veio experimentar o merecido sucesso há poucos anos, quando a maioria de seus contemporâneos já se aposentou ou perdeu o pique e / ou a inspiração.

Cantora desde a infância, quando cantava na igreja e imitava seu ídolo James Brown, Sharon tentou entrar na vida artística no início dos anos 1970, mas não deu sorte.

Na era disco, chegou a se apresentar como backing vocal para bandas de funk em Nova York, para onde se mudou ainda jovem e atendia pelo nome artístico de Lafaye Jones.

Para se sustentar, trabalhou de carcereira no famoso complexo presidiário de Riker’s Island, além de segurança de carro-forte do banco Wells Fargo.

Foi só em 1996 que os caminhos de Sharon e do baixista Gabe Roth, um jovem judeu, purista da black music, se cruzaram.

Roth, também conhecido como Bosco Mann, e seu sócio, Philip Lehman, então respondiam por outro selo, o Pure Records.

Numa sessão de gravação do cantor de funk Lee Fields, ficaram impressionados com Sharon, que gravou alguns vocais de apoio para Fields.

Na sequência, convocaram a elétrica vocalista para gravar duas faixas solo no disco Soul Tequila, da banda The Soul Providers: Switchblade e The Landlord, lançado naquele ano.

Formada por diversos músicos do distrito novaiorquino do Brooklyn, The Soul Providers foi a base da atual Dap-Kings. Nessa fase de transição, ela ainda gravou alguns singles em 45 rotações para o selo Desco.

Consta que diversos colecionadores da época acreditaram piamente que aqueles discos eram originais da década de 1970, tamanha a fidelidade do som ao estilo original do soul e funk daquela década.

Soul: baseado em fórmulas

Em 2000, Roth e Lehman brigaram e o selo Desco foi extinto. Roth fundou o Dap-Tone. Lehman criou o Soul Fire Records, que teve pouca sorte e não existe mais. O Dap-Tone, por outro lado, só cresceu.

Especialmente depois do estouro de Amy Winehouse, que gravou o multiplatinado Back to Black (2006) com os Dap-Kings, graças à sensibilidade do produtor Mark Ronson, que convocou a banda para o estúdio.

Na verdade, desde o primeiro álbum, Dap Dippin' With Sharon Jones and the Dap-Kings (2002), a aclamação entre críticos, DJs, colecionadores e entusiastas da black music foi geral.

Uma das razões é que, para além do mero revivalismo, Sharon & Cia conseguem, a cada disco, recriar os estilos característicos da soul music clássica, como o som da Stax Records (Otis Redding, Isaac Hayes), da Motown (Marvin Gaye, The Temptations) e o Philly Sound (de músicos da Filadélfia, como The O’Jays, Billy Paul) etc.

“Soul music é um gênero bastante baseado em fórmulas”, opina o químico, colecionador e DJ eventual Nei Bahia.

“Tem Stax, Filadélfia, Motown. E agora tem o som do Dap-Tone, de Gabe Roth. Cada disco tem uma concepção”, observa.

Para ele, quem espera do show de hoje um espetáculo para assistir sentado está redondamente enganado: “Acho que hoje, nem soul ela faz mais, e sim, algo mais próximo do funk original. Sharon Jones é muito mais um James Brown de saias do que uma Aretha Franklin, para ser mais claro”, vaticina.

“Ela não é uma diva com ares de deusa. Ela veio fazer você dançar e terminar o show suado que nem um cuscuz. Salvo alguma orientação para pegarem leve por causa do teatro, é esse show que vamos ver”, avisa.

Mauro Santoli, diretor artístico do Balthazar, casa especializada em blues, soul, jazz, MPB e líder da banda residente The Soul Riders, é outro que aguarda a apresentação de hoje com grande expectativa: “Eventos com esse nível de qualidade são raríssimos por aqui. Praticamente não temos esse tipo de oportunidade”, observa.

Outro apreciador conhecido é Mário Sartorello, coordenador da Rádio Educativa, que tem um programa especializado em black music, o 16 Toneladas: “Todo mundo fala que Salvador é uma cidade negra, mas essa vertente tão importante é praticamente ignorada por aqui. Seria interessante que a cidade se abrisse mais para essa dimensão da musicalidade negra que é meio esquecida em Salvador, com raras exceções”, exorta.

SÉRIE TCA 2011 – Ano XVI apresenta Sharon Jones & The Dap-Kings / Hoje, 21 horas / Sala Principal do Teatro Castro Alves / Praça 2 de julho, s/n, campo grande / R$ 120 (filas A a P), R$ 100 (Q a Z) e R$ 80 (Z1 a Z11)



sexta-feira, junho 10, 2011

SAUDADES DAS MICRO-RESENHAS? SEUS POBREMAS SE ACABARO!

Fenômeno de estabilidade

Uma das bandas mais estáveis de todos os tempos, O R.E.M. é um patrimônio do rock alternativo mundial e um fenômeno de vendas e popularidade – tudo isso, sem se prostituir. Goste-se ou não, esta banda jamais se vendeu ou soou “baratinha”. Se já não faz mais discos geniais como Document (1987) ou Out of Time (1991), mantém um ótimo nível criativo – e Collapse Into Now não é diferente. O álbum abre muito bem com Discoverer (épica, linha Finest Worksong) e engata uma quinta com a empolgante All The Best. Boas participações de Patti Smith, Eddie Vedder e Peaches. R.E.M. / Collapse Into Now / WARNER MUSIC / R$ 32,80

Estreia do ano no rock local

O rock e a música alternativa baiana respiram no trabalho solo de Tiago Aziz, ex-baixista de bandas como Lisergia, Cascadura e Crack. Sem aviso, de forma até despretensiosa, o rapaz criou uma obra que estabelece um diálogo fluente entre popular e experimental, conjugando rock alternativo (Trocando de Pele, Duas Moedas), reggae de FM (Reggae Itaigara), MPB torta (O Anjo Olha as Estrelas do Alto, com Ronei Jorge), balada de violão (Pedaço do Céu) e pop-axé-metal (Pedaços Coloridos, com Luís Caldas). Um dos discos do ano para o rock local. Tiago Aziz / Abrazzo - Pedaços Coloridos / Independente / R$ 8 / myspace.com/tiagoaziz

Rivotril musical para FMs

Ligue o rádio e gire o dial. Se uma voz anasalada surgir (e não for sertanejo) cantando uma melodia conhecida, é ele, o rei das madrugadas insones das FMs, Christopher Cross. O carisma equivalente ao de um cortador de unhas e o registro vocal de piloto de Fórmula 1, contanto, não o impediram de cravar hits em sequência, apresentados ao vivo neste DVD, como Sailing, Never Be The Same e Ride Like The Wind. Christopher Cross / The Best Of - Live / COQUEIRO VERDE / R$ 19,20




A ruiva tem brilho próprio

A fantasmagórica modelo Karen Elson, esposa do multi homem Jack White, lança-se em carreira musical com este belo disco – produzido pelo maridão. Em tons noturnos, sombrios, a moça ruiva passeia por diversos estilos ancestrais da canção norte americana demonstrando notável versatilidade – dentro das limitações de sua voz curtinha (mas bonita) e abordagem específica Aqui e ali percebe-se a influência clara de Dolly Parton (a mais subestimada das cantoras americanas). As adoráveis 100 Years From Now, Stolen Roses e Garden são os pontos altos deste CD classudo, delicioso. Karen Elson / The Ghost Who Walks / XL Recordings - Lab 344 / R$ 27,20

Abaixo os contemporâneos


Os melhores discos de rock atuais costumam ter um traço em comum: não parecem ter sido gravados agora, nessa era de futilidade absoluta e descartabilidade instantânea. Vejam os Strokes: seu último disco, Angles, soa completamente atual – e não por acaso, é seu pior álbum. Já o quinteto texano Midlake é o outro lado: parece muito com aqueles grupos europeus de folk progressivo do anos 1970. Já foram rotulados como alt.country do mal e prog folk sombrio. O que importa que a abordagem taciturna e ligeiramente medieval do grupo soa bem, muito bem. Midlake / The Courage Of Others / Importado / Bella Union Records / R$ 61,60

Papa Buk

“Estou sem fósforos/ as molas do sofá estouraram/ roubaram minha maleta/ (...)/ meu carro quebrou/ lesmas escalam as paredes do banheiro/ meu coração está partido/ mas as ações tiveram um dia de alta no mercado”. O trecho do poema alguma coisa é só uma amostra do que espera o leitor neste livro de Charles Bukowski. O amor é um cão dos diabos / Charles Bukowski / L&PM / 304 p. / R$ 15 / lpm.com.br







Brega Police alerta!


A cantora inglesa Roxanne Tania Tataei, ou simplesmente Rox, é a nova aposta da (pelo visto, duradoura) onda de neosoul / R ’n’ B. Longe da abordagem vintage de Amy Winehouse ou Duffy, Rox chega numa pegada mais pop e contemporânea – e até acerta no alvo em algumas canções acessíveis e animadas, boas de dançar, como My Baby Left Me (que está até na trilha sonora de uma novela da Globo), I Don’t Believe e Rocksteady (reggaezinho com os Skatalites). Mas isso não a livra do exagero brega, como em Oh My. Miss Rox, o mundo não precisa de novas Maryahs Careys... Rox / Memoirs / Lab 344 - Rough Trade / R$ 27,20

Voyerismo, incomunicabilidade etc

Uma dedicada e solitária camareira de hotel vive de imaginar a vida dos hóspedes, até o dia em que se esconde debaixo da cama de um homem, que recebe a visita de uma prostituta. Inicia-se aí uma saga de fetiches, voyerismo, incomunicabilidade e suspense na prosa ágil do premiado escritor alemão Markus Orths. A Camareira / Markus Orths / L&PM / 136 p. / R$ 35 / lpm.com.br







Opa, devagar com o hype

Saudado desde já pela crítica mais festiva como um dos melhores lançamentos do ano, Underneath The Pine é o segundo álbum de Toro Y Moi, nome artístico do jovem norte-americano Chaz Bundick. Se não chega a ser genial, contudo, o disco tem lá seus bons momentos, como New Beat (um synth funk oitentista revisitado), Got Blinded, Go With You (claramente influenciadas pelo Stereolab) e Divina (agora influenciado pelo duo Air). Um disco de sonoridade suave, emoldurado pela voz tranquila de Bundick. Mas tem potencial para melhorar. Toro Y Moi / Underneath the Pine / Deck Disc/Vigilante - Carpark Records / R$ 23,20

Para a sra. dona de casa

O cabra mais macho da música popular(esca) brasileira interpreta neste disco, originalmente lançado em 1984, algumas das melhores canções da “fase motel” de Robertão, como Proposta, Café da Manhã e (a gloriosa) Cavalgada, nas versões aboleradas que lhe eram características. Redescoberto e remasterizado por iniciativa do selo Discobertas, o álbum traz o vozeirão do homem no auge da maturidade. Classudo, conta com arranjos e regências do maestro do próprio Rei, Eduardo Lages, além de mestres como Wilson das Neves (bateria) e Mauro Senise (sopros). Para aqueles momentos de fazer um agrado na sua senhora. Waldick Soriano / Interpreta Roberto Carlos / Discobertas / R$ 17,60

Pé na jaca de com força

O agente literário novaiorquino Bill Clegg está longe de ser um vagabundo sem-teto. A sofisticação, contudo, não impediu de se afundar no vício em crack. Neste livro, ele conta como quase destruiu a própria vida em um relato chocante, mas muito sincero e bem escrito. Retrato de um viciado quando jovem / Bill Clegg / Companhia das Letras / 216 p. / R$ 41 / companhiadasletras.com.br







Breve, nas telas de cinema

O guru do mash-up literário, Seth Graham-Smith (Orgulho e preconceito e zumbis), ataca novamente, desta vez imaginando Abraham Lincoln como um habilidoso matador de vampiros, de dar inveja a qualquer Van Helsing. O fato do ex-presidente americano ter sido lenhador só contribui. Um machado a mão sempre é últil quando se enfrenta esses dentuços. Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros/ Seth Grahame-Smith / Intrínseca / 336 p. / R$ 39,90 / intrinseca.com.br









Canções, e não só batidas

Não é fácil ser a banda que criou a trilha sonora de uma geração. Responsável pelo hino tecno Born Slippy (popularizado pelo cult movie Trainspotting, 1996), o inglês Underworld, contudo, mantém a música eletrônica em bom nível no seu novo álbum (o oitavo), Barking. Se não traz grandes novidades, demonstra que sim, é possível fazer dance music sem soar vulgar e irritante. Contribui para isso a clara influência da cena Madchester (que tinha no New Order seu maior expoente) em faixas como Always Loved a Film, Scribble e Grace, entre outras. Mais do que batidas, o Underworld produz canções. Isso faz toda a diferença. Underworld / Barking / Music Brokers Brasil / R$ 24,90

Os últimos relevantes

O furioso power-trio gaúcho Walverdes chega ao quarto CD com Breakdance, um título (e capa) irônicos para uma banda que não tem nada de hip hop. Liderada por Gustavo Mini Bittencourt, que no dia-a-dia trabalha como redator publicitário, a banda traz nas letras telegráficas o poder de síntese característico destes profissionais, só que aqui, a serviço do “bem”, como em Função: “O gerador / Rotulador / Função / A sua integração”. Possivelmente, uma das últimas bandas de rock (e que se assume rock mesmo) relevantes do Brasil. O que não deixa de ser triste. Mas é um discão. Walverdes / Breakdance / Monstro Discos / R$ 21,60

Millôr abre o verbo

Em uma noite qualquer de 1981, em Porto Alegre, cinco jornalistas entrevistaram Millôr para a revista Oitenta. 30 anos depois essa entrevista histórica é lançada neste livro. Atualíssima, traz a íntegra das sete horas de conversa, abordando assuntos diversos: imprensa, política, feminismo, amigos, cultura, sexo... A entrevista / Millôr Fernandes / L&PM / 104 p. / R$ 22 / lpm.com.br










Música para quem entende

Revelação do jazz contemporâneo, a jovem cantora e contrabaixista norte-americana Esperanza Spalding tem maravilhado crítica e público mundo afora com sua abordagem sinuosa e bastante livre do estilo. Fã de música brasileira, neste seu segundo álbum, ela dueta com Milton Nascimento em Apple Blossom e recria Inútil Paisagem (Tom Jobim), com evidente maestria. Há ainda outros grandes momentos no álbum, mas é bom deixar claro: não é um disco para principiantes ou fundo musical de restaurante. É um disco complexo, que exige atenção. Esperanza Spalding / Chamber Music Society / Universal / R$ 29,60

Unidos, eles venceram

Ídolo de Elton John, o pianista e compositor Leon Russell andava no ostracismo há décadas. Disposto a dar uma força, Elton chamou Leon para gravarem juntos. O resultado é esta pérola de sonoridade irrepreensível. Se o auge criativo de ambos já passou há tempos, eles compensam nas composições corretas, nos arranjos ricos para piano e banda e nas interpretações emocionadas, como em There’s No Tomorrow, Gone To Shiloh (com Neil Young), When Love is Dying (belíssima, com Brian Wilson), Monkey Suit (bem rock ‘n’ roll). Um disco para ouvir do início ao fim, soboreando bem. Elton John & Leon Russell / The Union / Universal / R$ 29,60

Fecho de saga

Das páginas d’O Incal, um clássico da ficção científica em quadrinhos, A Casta dos Metabarões chega à sua retumbante conclusão neste Tomo IV. Com a linda arte pintada de Juan Gimenez, Alejandro Jodorowsky fecha sua saga espacial com muitos monstros e até sensuais vampiras cósmicas. A Casta Dos Metabaroes - Tomo IV / Alejandro JODOROWSKY e Juan GIMENEZ / Devir / 130 p. / R$ 49,90/ devir.com.br

terça-feira, junho 07, 2011

SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE TORRE NEGRA EM HQ É RELANÇADA EM CAPA DURA

Conhecido pelas longuíssimas e detalhadas narrativas de terror, o escritor norte-americano Stephen King tem, na série de livros Torre Negra, sua maior obra. São sete volumes, totalizando mais de 4 mil páginas.

Como se não bastasse, a Marvel Comics lançou, em 2007, uma série em HQ que serve como prelúdio à Torre Negra. O segundo volume desta série, O Longo Caminho para Casa, acaba de chegar às prateleiras das livrarias.

Em capa dura, O Longo Caminho sucede Nasce o Pistoleiro, primeiro volume da série da Marvel.

Ambos já foram publicados no Brasil entre 2008 e 2010 em edições avulsas nas bancas, pela Panini Comics, e agora chegam em encadernados de capa dura pela Suma de Letras, selo da Ed. Objetiva.

Escrito pela dupla Robin Furth e Peter David (conhecido dos leitores do Hulk, assinou a melhor fase do gigante verde), a HQ tem arte de dois extraordinários artistas: o desenhista Jae Lee (da série Inumanos) e o colorista Richard Isanove.

Senhor das Torres

Torre Negra é uma obra incomum na carreira de King. É uma extensa e complexa narrativa que mistura Senhor dos Aneis com terror (claro), ficção científica pós-apocalíptica, western, intriga política e romance. Uma tremenda salada à la King.

O “Frodo” aqui é Rolland Deschain, ou O Pistoleiro, um arquétipo de herói solitário, predestinado a libertar o mundo.

Nesta série de HQs, acompanhamos Roland na infância e juventude, em plena formação para se tornar o grande herói dos romances de King.

Em O Longo Caminho Para Casa, inadvertidamente (ou não), Furth e David evidenciam ainda mais as semelhanças com Senhor dos Aneis: em uma longa jornada por territórios inóspitos, Roland e dois companheiros de fidelidade canina, Alain Johns e Cuthbert Allgood, buscam a tal Torre Negra entre mil perigos e tentações.

Divertido – e também muito derivativo.

O Longo caminho Para Casa / Peter David, Robin Furth, Jae Lee e Richard Isanove / Suma de Letras / 136 p. / R$ 59,90 / www.objetiva.com.br

MAGDALENE & THE ROCK 'N' ROLL EXPLOSION É O NOVO ROCK DE FEIRA DE SANTANA NA FITA

A cena rock do interior não para de surpreender. Depois de revelações como Declinium (Camaçari), Nute (Alagoinhas), Os Barcos (Vitória da Conquista) e Clube de Patifes (Feira de Santana), mais uma boa surpresa surge desta última cidade: o duo Magdalene and the Rock and Roll Explosion.

Formada por Poliana Santiago (vocal e baixo) e Paulo Victor (guitarra), namorados e estudantes de Biologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Magdalene and the Rock and Roll Explosion é rock ‘n’ roll old school, sem concessões, nem misturebas: ela canta em inglês e o som vai na linha de outros casais do rock, como The Kills e The Raveonettes.

Poderia ser mera cópia, poderia ser tosco. Mas é lindo. Duvida? No MySpace já tem as duas primeiras faixas demo, You're Mine e Run Bastard!.

O processo inverso


Produzidas por andré t., são canções perfeitinhas, redondas, com aquele frescor revigorante do rock ‘n’ roll intuitivo, autêntico e com uma boa dose de talento – tudo devidamente embalado no tratamento profissa de nosso Mister T.

Como bons biólogos, Paulo e Poliana (ou Magdalene?) foram buscar inspiração no DNA primordial do rock: “Rapaz, a gente gosta desde Chuck Berry até Hellacopters, passando por Bob Dylan, o rock dos anos 1970 e bandas atuais que fazem esse lance retrô moderno”, enumera Paulo, que tocava na já citada Clube de Patifes.

Outra característica que surpreende é como uma banda ainda tão nova (formada no início do ano, diz Paulo), já surge com uma proposta amadurecida, desde o estilo do som, a qualidade das gravações e até o visual.

“A gente já sabia o que queria fazer, temos os mesmos gostos. E estávamos cansados de formar bandas, por que nunca encontrávamos os membros certos”, conta.

“Aí partimos para o processo inverso: fazer tudo e depois chamar as pessoas. Por isso, nos jogamos de cabeça com andré t. Entramos no estúdio apenas com ideias, as canções foram criadas ali mesmo”, relata.

Com Ikaru (bateria) e Damas (guitarra), a banda já fez alguns shows em Feira e planeja descer para Salvador em breve. Estamos esperando, combinado?

Ouça: www.myspace.com/wearemagdalene

NUETAS

Forró dos Haoles
A banda Capitão Parafina & os Haoles adiciona forró ao seu rock ‘n’ roll nesta sexta-feira, no B-23. Às 23 horas, R$ 20.

Namorados punk
Os Clandestinos (lançando novo EP), Macabéa, Pastel De Miolos e Jato Invisível fazem o rock do dia dos namorados (domingo, 12) em Lauro de Freitas, no Cine Teatro, a partir das 17 horas. Entrada: um quilo de alimento não perecível.

Vandex TV a milhão
A iniciativa do cantor Vandex de transmitir shows de bandas locais direto de seu estúdio não pára. Em junho vai ter: Di Lucena (no dia 7), Diamba (14), Grãos (21) e Camisa de Vênus (dia 28). Assista todas as terças-feiras, às 20h30, pelo site www.vandex.com.br.

sexta-feira, junho 03, 2011

SÓ HOJE: UPSIDE DOWN TEM EXIBIÇÃO ÚNICA NO CINEMA DO MUSEU

Apreciadores do rock britânico, mais notadamente das vertentes conhecidas como indie rock, brit pop e guitar bands, tem um programa obrigatório para hoje: conferir o documentário Upside Down: The Story of Creation Records (Irlanda, 2010), de Danny O’Connor, que terá exibição única em Salvador, logo mais, às 21 horas, na Sala de Arte Cinema do Museu (na Vitória).

A razão é muito simples: foi o selo Creation, fundado pelo agitador cultural Alan McGee em 1983, que lançou álbuns fundamentais como Bandwagonesque (do Teenage Fanclub), Loveless (do My Bloody Valentine), Screamadelica (do Primal Scream), Going Blank Again (do Ride) e (What’s The Story) Morning Glory? (do Oasis), entre muitos outros.

A película, parte da (ótima) programação da versão local do In Edit Brasil – 3º Festival Internacional do Documentário Musical, traz imagens da época (muitas inéditas), depoimentos do próprio McGee e seus sócios Tim Abbott e Dick Green, além de membros das bandas citadas (e ainda outras) e jornalistas.

A oportunidade para assistir Upside Down é das melhores. Em 2011, os três álbuns (veja abaixo) que notabilizaram (e eternizaram) o selo completam 20 anos de lançados.

Colapso mental e financeiro

Como toda grande história do rock, a saga do selo Creation é recheada de lendas, sexo, (muitas) drogas e loucura generalizada. O maior exemplo talvez seja a obsessão e o subsequente colapso mental de Kevin Shields (My Bloody valentine).

Depois de um álbum de estreia elogiado pelo crítica (Isn’t Anything, 1988), Shields, um rapaz sensível e usuário constante de ecstasy, ácido, speed e qualquer outra coisa que alterasse sua percepção, encasquetou de gravar um disco que traduzisse com fidelidade os sons que ele “ouvia” em sua cabeça.

A busca de Shields custou dois anos de gravação (passando por 19 estúdios diferentes), o que lhe restava de sanidade e a quase falência do selo. O resultado porém, foi Loveless (1991), uma obra-prima de melodias doces e fantasmagóricas, afogadas em distorções ensurdecedoras.

Não por acaso, McGee vendeu 49% do Creation para a Sony em 1992. Em 1993, assinou com o Oasis, seu maior sucesso comercial. E em 1999, fechou as portas de vez. Um imperdível conto da era do rock ‘n’ roll.

EM TEMPO: Após a exibição do filme, vale descer a Ladeira da Barra até o sebo Praia dos Livros (que fica no Porto da Barra) para curtir a Nuvem de DJs. Messias GB, mentor do evento, e este que vos escreve (deve ter mais gente, mas não estou ligado) farão sets especiais Creation / indie / guitar / soul. É grátis.

UPSIDE DOWN: THE STORY OF CREATION RECORDS / Hoje, 21 horas / SALADEARTE CINEMA DO MUSEU / R$ 12 e R$ 6

terça-feira, maio 31, 2011

BEATLES SOCIAL CLUB: SETE ANOS DE MUITO SOM E AMOR AOS FAB FOUR

Em uma cidade aonde iniciativas culturais muitas vezes se resumem a criar danças infantis para adulto pagar mico e bares que duram uma estação, merece aplausos a longevidade (e a qualidade da programação) do Beatles Social Club, agrupamento de fãs (e bandas de fãs) do quarteto de Liverpool.

Pois é, as concorridas reuniões mensais do BSC apagam sete velinhas hoje, na Companhia da Pizza, lar da iniciativa desde seu início, com as bandas Beatles In Senna (banda base), Maglore, Autoreverso (mais abaixo, em foto de Mbeni BWaré) e Alex Pochat & Os 5 Elementos.

“Acho que isso prova que as coisas boas também dão certo em Salvador, ao contrário do que se costuma dizer”, aposta Antônio Portela, sócio-fundador do clube e proprietário da Companhia da Pizza.

“Estamos comemorando sete anos, mas parece que foi ontem que começamos, por que a coisa toda ainda está tão viva”, percebe.

“Em setembro mesmo estamos organizando uma excursão a Londres e Liverpool, e graças ao grupo, conseguimos uma viagem super economica”, garante Portela, fã dos Beatles desde o tempo em que a banda ainda existia.

Sem título nem carteirinha

Co-fundador do BSC, o empresário Victor Monteiro também está bem feliz com o balanço de sete anos da iniciativa. “Foi um evento que nasceu sem a menor pretensão, e, sete anos depois, continua com a vivacidade da primeira noite”, afirma.

“Até por que existe uma renovação de público, das bandas, do repertório e do evento em si”, justifica. Para participar, ele diz que não precisa de título de sócio, nem carteirinha: “Basta aparecer e amar os Beatles”.

Pós-show de Paul no Rio, a pedida parece das melhores...

Beatles Social Club – Edição de aniversário de 7 anos / Com Beatles In Senna, Maglore, Autoreverso e Alex Pochat & Os 5 Elementos / Hoje, 20 horas / Companhia da Pizza (Rio Vermelho) / Entrada Grátis

NUETAS

Allman Floyd

Pink Floyd acústico e o southern rock do Allman Brothers são as pedidas do Boteco Ali do Lado nesta sexta-feira, com a Banda de Rock (de Candido Nariga Sotto e René Nobre) evocando as melodias floydianas e os Def Brothers reeditando os sons dos pântanos da Louisiana. No Ali do Lado (Rua da Paciência, 233, Rio Vermelho), Sexta-feira, 3 de junho, a partir das 22h, R$ 10. Long neck dobrada até 23horas. Uhú!

Encontro do contra

Uma antiga dicotomia baiana parece estar voltando à baila: nos anos 1960, enquanto a juventude intelectualizada ligada à bossa nova se reunia no Teatro Vila Velha, o pessoal do rock tocava o terror no Cine Roma, Waldir Big Ben Serrão e Raulzito à frente. Agora, enquanto o (bem-vindo, diga-se) Encontro de Compositores do Teatro Vila Velha (olha ele aí de novo) ganha notoriedade e gera frutos (Ronei Jorge, Jarbas Bittencourt e Pietro, da Pirigulino Babilake, fazem show no Rio de Janeiro) surge seu contraponto rocker: o Encontro Semanal de Músicos e Tatuadores. “É basicamente cópia do encontro do Vila Velha, só que bem diferente, sacou?”, explica Glauco Neves, promoter do evento. Quer conferir? A estreia é amanhã, a partir das 20h30, no Tattoo Music Bar, grátis.

Declinium de Patifes free

Duas das melhores bandas baianas fora do circuito de Salvador, a Declinium (de Camaçari) e a Clube de Patifes (de Feira de Santana) se apresentam de graça para a galera da capital neste sábado, 4 de junho, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura (Salvador Shopping). São duas grandes bandas, e o Rock Loco gosta e recomeinda.

FESTA DA TRIBO SURF

Foi uma festa para a tribo surfista da cidade a primeira edição do evento Salvador Live Music, com os artistas internacionais Donavon Frankenreiter (em foto cedida pelo Laboratório da Notícia, assessoria do evento), Matt McHugh e Pete Murray, na Área Verde do Othon, no último domingo à noite.

Casa cheia, a audiência era basicamente composta pela chamada juventude dourada das classes média e alta: muitos surfistas, surf girls, estudantes secundaristas, universitários, mauricinhos e patricinhas a granel e até quarentões curiosos pelas atrações – infelizmente, ainda – incomuns na agenda cultural local.

Vale destacar que, apesar de até contar com uma bela vista para o mar, algo adequado à ocasião, a Área Verde do Othon, um pátio concretado (ué, cadê o “Verde” da Área?) coberta por toldos já gastos, ainda parece um local improvisado para shows desse porte.

Essa é uma velha deficiência crônica de Salvador, cidade que se satisfaz com os chamados cacetes armados que, infelizmente, já fazem parte da cultura local.

Público ganho na raça

Marcado para as 17 horas, a primeira atração do Salvador Live Music, o australiano Mat McHugh subiu ao palco às 18 horas, a princípio armado apenas com seu violão.

Seguro de si – diferente de Soko, a francesinha que deu chilique na Concha Acústica em 2010, por que o público não se calava para ela tocar violão – Mat não se deixou intimidar pelo burburinho ensurdecedor que vinha da plateia e encarou o desafio de ganhar o povão.

E foi razoavelmente bem-sucedido, graças ao carisma pessoal (se mostrou um sujeito simpático), ao violão bem tocado e a um truque infalível: um laptop no qual ia programando batidas e bases de violão criadas ali mesmo, na hora, o que concedeu algum dinamismo à apresentação.

Em diversas músicas também contou com o auxílio do gaitista catarinense Felipe Harp, que não solava, mas criava bons climas beira de estrada, com acordes longos e esparsos.

Com boa parte da plateia ganha, sua voz suave e suas canções praieiras – o cara é quase um Dorival Caymmi australiano – soaram sem maiores problemas pela Área Concreta do Othon. Saiu muito aplaudido.

Entreouvido durante este show: um rapaz chega em um casal de amigos: “E aí, tá gostando”? O outro responde: “Pô, muito legal, diferente, né? Perfeito para chamar uma gata e abrir uma garrafa de vinho”.

Show de uma música só

Quinze minutos para a troca de palco e vem a segunda atração da noite, Pete Murray, também australiano. Apesar de contar com uma banda bastante competente, fez o show mais morno do evento.

Apesar de ser um artista interessante, de boas canções, Pete comete um erro fatal no show: ele parece tocar a mesma música o tempo todo, graças às batidas muito semelhantes, além da voz monocórdica com que atravessa a apresentação.

Ainda assim, chegou a empolgar parte do público, que parecia conhecer alguns dos seus hits austrais e cantou junto.

Bigodão e soft rock anos 70

Mais uns vinte minutos após a apresentação de uma hora de Pete Murray e, às 20h40, entra em cena a atração principal da noite, o californiano Donavon Frankenreiter, também assessorado por uma boa banda de acompanhamento.

O calor com que é recebido pela plateia evidencia: é ele mesmo o artista principal e mais conhecido ali.

Carismático, chega a ser uma figura engraçada, com sua pinta de hippie tardio, cabelos desgrenhados e bigodão. Um típico doidão do litoral da Califórnia.

Claramente, também, é o artista mais maduro entre os três, com um repertório mais variado, funky e fluido como a maré, em um dia de boas ondas.

Há ainda um certo tempero norte-americano inconfundível em seu som e no seu jeito de cantar, mais falado e despachado.

Donavon abriu o show com Hold On, single do álbum mais recente, Glow (2010), e sem deixar a peteca cair, emendou com Life, Love and Laughter.

Com seu estilo soft rock dos anos 1970, foi apresentando seu repertório, com Move By Yourself (com levada disco, ganhou citação ao clássico Miss You, dos Rolling Stones), Let It Go e Girl Like You (Cali Honey), com inconfundível estilo soul, entre outras.

A surfistada nunca voltou pra casa tão feliz.

sexta-feira, maio 27, 2011

SHARON, TRAGA SEU IRMÃO TAMBÉM!

Charles Bradley é o nome do homem!

DONAVON, PETE E MAT TRAZEM A "NOVA SURF MUSIC" PARA SALVADOR, NESTE DOMINGO

Salvador terá, neste domingo, uma boa amostra do que, nos dias de hoje, se convencionou chamar de surf music. É o evento Salvador Live Music, que traz à cidade três cantores que representam bem o momento do estilo: o californiano Donavon Frankenreiter e os australianos Mat McHugh e Pete Murray.

Com exceção deste último, que se apresenta pelo Brasil pela primeira vez, os outros dois já são bem conhecidos do público fã desta nova surf music “baixa caloria”, como tem sido chamada, e que tem, em Jack Johnson, seu maior representante.

Donavon já se apresentou por aqui mesmo, em Costa do Sauípe, em evento VIP com pouca repercussão, há poucos anos atrás. Antes disso, em 2001, gravou dueto com Paula Toller em uma faixa do álbum Surf (2001), do Kid Abelha.

Já Mat McHugh também não deixa por menos, como ele mesmo conta, nesta entrevista por email: “É minha terceira vez no Brasil e eu absolutamente amo este lugar”, derrete-se. “Vejo muitas similaridades no povo daí (com os australianos). Amamos viver a vida e festejar sempre que podemos. Acho que brasileiros e australianos se dão muito bem”, aposta.

Pete Murray, por outro lado, se diz ansioso para conhecer (e tocar) no Brasil: “É minha primeira vez por aí, então estou bem ansioso para chegar logo e me apresentar diante de uma multidão de brasileiros”, diz, também por email.

“Pelo que sei, vocês gostam muito de dançar e fazer festa, então acredito que a música que faz sucesso aí tem um groove muito grande”, acrescenta, sem saber da missa, a metade.

“Confesso que ainda não tinha ouvido falar de Salvador até esta turnê, mas todo mundo com quem converso é muito entusiasmado pela cidade. Sabendo disso, e com minhas outras experiências com brasileiros, minha ansiedade só aumenta”, continua, verborrágico.

Em Salvador, tanto Donavon Frankenheiter quanto Pete se apresentam com suas bandas completas: “Me ofereceram para fazer este show solo, mas achei que deveria trazer minha banda, fica muito mais dinâmico”, reitera o australiano.

A exceção é Mat McHugh. Líder da banda The Beautiful Girls, ele vem fazer um set acústico e solo, com participação de um brasileiro no palco: “Meu show será comigo e um violão. Vou tocar todas as minhas canções, sejam do Beautiful Girls ou da minha carreira solo. Mas vou dividir o palco com um gaitista brasileiro. Seu nome é Felipe e ele é um grande amigo meu”.

O gaitista amigo dele se chama Felipe “Harp” Kmiecik. O rapaz é catarinense e já viajou com Mat em outras turnês no País.

Diferente de Pete, ele garante já ter ouvido falar de Salvador, mas prefere não alimentar expectativas. “Acho que é a melhor forma, ir sem expectativas. Mas já ouvi coisas incríveis sobre Salvador”, conta.

Surfando na surf music

Ilha de proporções continentais, a Austrália é um dos maiores centros da cultura surf do mundo e, portanto, também da surf music – e não é de hoje.

Desde o fim dos anos 1970, bandas como Men At Work, Midnight Oil, The Hoodoo Gurus e Spy Vs. Spy levaram o astral do extenso litoral australiano para as rádios do mundo inteiro, tornando a ilha, uma ex-colônia penal britânica, uma referência no estilo.

Nem tudo o que sai de lá, porém, deve ser simplesmente rotulado “surf music”, como vem acontecendo.


“Acho que é muito fácil dizer que todas as bandas australianas fazem surf music, até por que a Austrália tem uma grande cultura de surf”, observa Pete.

Ele mesmo conta que tem sido rotulado assim por um acaso: “Um pouco antes de começar a fazer sucesso na Austrália, a Quicksilver (surfwear) lançou um DVD de surf com várias músicas minhas. Isso colocou minha música direto nas mãos dos surfistas, e de repente, eu tinha esta enorme audiência de bermudas”, conta.

“Fui rotulado como surf music e comparado a Jack Johnson. Só depois que me tornei mais conhecido que o rótulo descolou um pouco”, relata Mr. Murray.

De fato, a surf music, desde os seus primórdios na Califórnia dos anos 1960, com os Beach Boys números instrumentais como Link Wray, Dick Dale & The Del-Tones e The Ventures, mudou bastante, indo do rock instrumental baseado em guitarras para se multiplicar em diversas facetas, passando pelo reggae, ska, hardcore etc.

De uns tempos para cá, desde o estouro de Jack Johnson, surfista declarado, seu folk suave e de acento pop tem sido “a nova cara” da surf music atual.

Donavon, Mat e Pete, na verdade, tem pouco em comum no seu som. Donavon tem groove e influência até de soul music. Mat passeia pelo reggae e pelo folk. E Pete, em seu MySpace, aponta os gigantes folk rock Neil Young e Nick Drake como principais influências.

“O surf não influencia minha música, mas é parte de quem sou. Minha inspiração vem de outras pessoas. Amo arquitetura, escrever, cinema e artes, e tudo isso é uma grande inspiração”, diz Mat, que é surfista.

“Não dou a mínima para que rótulo colem em mim, desde que apreciem minha música. Mas quando faço meu show solo, acho que é 100% surf music, por que sou mesmo 100% surfista”, arremata Mat.

Salvador Live Music / Com Donavon Frankenreiter, Mat McHugh (The Beautiful Girls Acoustic) e Pete Murray / Domingo, 16 horas / Área Verde do Othon / R$ 60 (pista) e R$ 120 (camarote) / Vendas: Ticketmix e Balcão de Ingressos / Classificação: 16 anos

quarta-feira, maio 25, 2011

EM ANÁLISE, A DÉCADA QUE MUDOU A MÚSICA

Os últimos dez anos mudaram tudo para quem trabalha com e, principalmente, ouve música. Esse período de transição – que parece ainda não ter acabado – é o centro em torno do qual giram os ensaios do livro Dez anos a Mil: Mídia e Música Popular Massiva em Tempos de Internet.

Adequadamente, o livro está disponível para download gratuito (veja serviço) em três formatos: o tradicional pdf, ePub (para iPad e outros e-readers) e mobi (formato do Kindle).

Organizado pelo Doutor em Comunicação Jeder Janotti Jr. (visto em foto de Cleyton Carlos Torres / blogmidia8.com), idealizador do projeto, a doutoranda Tatiana Lima e o mestrando Victor de Almeida Pires, Dez Anos a Mil traz nove artigos de pesquisadores do grupo liderado por Jeder, como Simone Pereira de Sá, Micael Herschman, Nadja Vladi, Bruno Nogueira, Felipe Trotta, Jorge Cardoso Filho, Thiago Soares, Jefferson Chagas e Marcelo Kischinhevsky.

No lançamento, nesta sexta-feira na Faculdade de Comunicação da Ufba, Jeder, Thiago e Jorge farão pequenas palestras sobre seus artigos.

“A ideia é trabalhar, antes de tudo, as transformações da indústria da música e da sua recepção. Esses são os dois pontos centrais da pesquisa que gerou o livro. A maioria dos artigos é sobre o consumo especializado de música”, define Jéder.

Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, os artigos não oferecem conclusões – até por que, se o fizessem, estariam todos ricos – mas oferecem visões amplas, estudadas, das diversas instâncias da indústria e da recepção da música.

“A gente vive uma época muito plural. O lado negativo é que, como circula muita música, a maioria é audição descartada”, diz Jéder.

“Mas por outro lado, o mercado de nicho volta com força, é a possibilidade de sobreviver fora do mainstream. Você tem hoje vários artistas de sucesso limitado, que tocam para 300 400 pessoas”, aposta.

Já Tatiana Lima, autora de artigo sobre Michael Jackson, aponta sua morte, em 2009, como o momento final de um modelo de ídolo gerado pelas gravadoras majors: “Ele, assim como Elvis, saíram de selos regionais para as majors. E ambos, já no fim da vida, estavam lançando discos para cumprir contrato e reaver o controle sobre suas obras”, detalha.

“Quando ele morreu, porém, os pirateiros tinham tudo dele. Sinal que não foi só a Sony Music que lucrou com sua morte, que parece ter marcado também o fim de um modelo”, acredita.

Dez anos a Mil / Lançamento: sexta-feira, 11 horas / Facom - Ufba (pavilhão de aulas da federação, ondina) / Grátis

Dez anos a mil: Mídia e Música Popular Massiva em Tempos de Internet / Vários autores / CNPq - PPG - UFAL / 155 p. / Download gratuito: www.dezanosamil.com.br

terça-feira, maio 24, 2011

BANGERS EM FESTA: DREARYLANDS VOLTA A CENA LOCAL

Por incrível que pareça, a Bahia tem a tradição de gerar grandes bandas de heavy metal, desde os anos 1980.

E uma das mais significativas a surgir na década de 1990 foi a Drearylands (em foto de Tanta Bandeira), uma paulada que misturava o heavy ortodoxo e a técnica de bandas como Helloween com um senso dramático e um lirismo digno do Queen, ou, para citar alguém da área, digno de King Diamond – lance de CDF, gente que conhece profundamente o quintal que escolheu para brincar.

Pena que, em 2006, depois de lançar dois discos elogiadíssimos pela crítica especializada tocar em outros estados e se estabelecer por um breve período em São Paulo, a banda encerrou as atividades.

Mas, ei, enxugue as lágrimas, babe. Eles estão de volta.

“No final de 2010, resolvemos nos encontrar para matar a saudade”, conta o cantor e líder Leonardo Lionman Leão.

“Mas só agora em abril surgiu a oportunidade de fazer shows. Depois de uma bateria de ensaios, tocamos na seletiva do Wacken Open Air, no Groove Bar. Tocamos só 40 minutos, mas agora vamos fazer o show da reunião mesmo”, detalha.

Multi-bandas

Agora, se essa volta é para valer mesmo, eles ainda não sabem. Até por que hoje em dia todos tem suas próprias bandas e trabalhos convencionais. O baterista Louis, por exemplo, é um dos músicos mais requisitados do rock baiano.

“Pô, o cara toca em umas seis bandas, Camisa de Vênus, Cobalto, Confiteor e tal”, ri Leão, que por sua vez, se divide entre a Drearylands, Mortícia e Mizeravão, uma das bandas cover que mais tocam na cidade, além de atuar como jornalista.

“Pra conciliar é dureza. A Mortícia já vai lançar disco e eu tô fazendo show direto com os Mizeravão. Ou seja, tô lascado, só faço ensaiar”, queixa-se.

No primeiro domingo de junho, dia 5, o quinteto formado por Leão, Louis, Rafael Syade, Páris Menescal (guitarras) e Marcos Cazé (baixo) faz o seu primeiro show completo desde 2006, para alegria banger.

E depois? “A ideia é não perder o contato, mas o futuro a gente ainda não sabe. Vamos ver o que acontece depois desse show”, conclui Lion.

Drearylands e Keter / dia 5 de junho (domingo ), 17 horas / groove bar (barra) / R$ 20 (quem for com qualquer camisa da banda), R$ 25 (na lista) e R$ 30 (na hora)

NUETAS

As duas faces do rock
O rock baiano já teve muitas fases e estilos. Hoje, há basicamente duas vertentes em destaque, bem diferentes entre si, mas que convivem bem. Há os que fazem “rock mermo”. E há a corrente pós-Los Hermanos, que abraçou a MPB, misturando esta influência com uma abordagem pop-rock. Nesta quinta-feira, um show no Farol do Rio Vermelho (Rua Odilon, 224) reúne um representante de cada corrente: Acord e Quarteto de Cinco, respectivamente. Qual é a sua? Vai lá descobrir. 21 horas, R$ 10 (até 23 horas) e R$ 15 (após).


Rock Rocket sexta

Os paulistas da banda Rock Rocket são a atração da terceira edição da festa Rockabilly Sessions, que ainda terá The Honkers e o DJ Big Bross. Sexta-feira, Tattoo Music Bar, 21 horas, R$ 15.