quarta-feira, dezembro 18, 2013

PODCAST CLASHCITY ROCKERS # 20

Endless Boogie, preferido de Bramis
Com Marcos Rodrigues e Osvaldo Braminha Silveira Jr.

Melhores de 2013 - Segundo programa









VEULIAH LANÇA SEGUNDO ÁLBUM COM SHOW NO PORTELA, SÁBADO

Veuliah (Foto por Ana Prado)
Parte da vasta e respeitada cena de heavy metal baiana, a banda Veuliah lança seu segundo álbum, Chaotic Genesis, com show neste sábado, no Portela Café.

O baile metálico ainda conta com shows das bandas Pandora (de Bruno  Leal, que nos  anos 1990  liderava a lendária Mercy Killing) e Behaviour.

Chaotic Genesis dá continuidade ao trabalho iniciado pela Veuliah em seu primeiro CD, Deep Visions of Unreality (2005): uma bem azeitada fusão da brutalidade death metal com teclados progressivos e melodias e harmonias mais suaves.

Ambicioso, o segundo registro fonográfico do sexteto é também um álbum conceitual: ou seja, ele narra uma história com início, meio e fim, assim como um livro ou um filme.

“É a história de  uma pessoa que acompanhamos desde o nascimento”, conta o vocalista (e advogado) Fabio Gouvêa.

“Essa pessoa está predestinada a salvar a humanidade, mas no meio do caminho ela se corrompe, morre e renasce, com a ideia de reiniciar o  ciclo e tentar tudo de novo”, resume.

Fabio diz que o que difere Chaotic Genesis do seu predecessor é que, neste, a obra foi “pensada do começo ao fim”.

Melodic death, dark metal

“O primeiro CD eram de composições que juntamos, um apanhado. Neste segundo, pensamos em compô-lo fechado, conceitual, com uma história coesa, mas mantendo o estilo característico da banda”, detalha.

Estilo que, variando a fonte, já teve algumas rotulações diferentes.

“Antes chamavam de melodic death. Agora chamam de dark metal. Mas preferimos não definir muito e sim, buscar sempre um estilo próprio, para  além dos rótulos”, reivindica.

“Mas o lance é esse mesmo: base death metal bem brutal, mas com linhas melódicas mais suaves, mais clássicas, sempre misturando agressividade com suavidade”, descreve Fabio.

Em 2008, a Veuliah participou de um concurso para bandas brasileiras valendo vaga no tradicional festival alemão de heavy metal Wacken Open Air.

Sagraram-se campeões do Norte-Nordeste, mas perderam na final em São Paulo para os paulistas da Torture Squad.

“Ainda não chegamos a tocar na Europa, como (as locais) Headhunter e Malefector, mas está nos planos, sim”, conclui.

A Veuliah é Fabio Gouvêa (vocal), Julio Gouvêa (guitarra), Ricardo Sanct (guitarra), Luciano Veiga (teclados), Márcio Medeiros (baixo) e Ricardo Agatte (bateria).

Veuliah / Lançamento: Chaotic Genesis / Com Pandora e Behavior / Portela Café / Sábado, 23 horas /  R$ 30 ou R$ 20 (antecipado na midialouca, Companhia da Pizza e PHNX Athelier)

NUETAS

I Hate Mondays too

Toda segunda-feira o Dubliner’s Irish Pub tem realizado o evento I Hate Mondays, sempre com a dupla blueseira Soda Acústica (Marconi Lins - ao lado, foto de Fabian Chagas - e Gabriel de Moura), mais convidados. 21 horas, entrada gratuita.

La Roquestra quinta

A fanfarra La Roquestra faz mais um baile pré-carnaval do bloco Rolha Monstra. Black Sabbath, Rage Against The Machine e Iron Maiden para dançar de dedinho pra cima. Portela Café, quinta-feira, 22 horas, R$ 25.

Tuzé de Abreu está no Jazz em Plutão 

Comandado pelo músico Vandex, o programa Jazz em Plutão traz o baiano Tuzé de Abreu. Com composições gravadas por Caetano Veloso, Gal Costa, Tom Zé, Amelinha, Elza Soares, Fagner e outros, Tuzé é um dos mais destacados seguidores de João Gilberto e Walter Smetak. É membro da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia e integra a banda de Riachão. No Jazz Em Plutão, ele será acompanhado pelo violonista Aderbal Duarte. Sexta-feira, ao vivo, a partir das 20h30, no site www.vandex.tv.

terça-feira, dezembro 17, 2013

BILLY JACKSON, HQ DE CAU GOMEZ E VICTOR MASCARENHAS, TEM LANÇAMENTO HOJE, NA RV

Nasce uma estrela?
Reflexo distorcido da cultura pop de massa, sósias de Michael Jackson se tornaram tão comuns na paisagem do entretenimento popular quanto os de Elvis e Raul Seixas.

Essas figuras complexas ainda merecem estudo sério para saber o que se passa em suas cabecinhas.

Enquanto este  não sai, vale conferir a HQ baiana Billy Jackson, que tem lançamento hoje, na RV Cultura & Arte.

Ilustrada pelo multipremiado cartunista de A Tarde Cau Gomez, a HQ é uma adaptação do escritor baiano Victor Mascarenhas para um conto de sua própria autoria, Superstar, publicado em seu primeiro livro, A insuportável família feliz (Editora P55, 2011).

A iniciativa de verter o conto de Mascarenhas para a linguagem dos quadrinhos foi uma sugestão do próprio Cau: “Li o conto e fiquei super empolgado com a história. No dia seguinte liguei pro Victor com a proposta da adaptação”, conta o artista.

“Eu tava mesmo devendo uma HQ dessas“, percebe Cau, que tem algumas HQs curtas no currículo – e agora conta com Billy Jackson como seu primeiro álbum.

No livro, Mascarenhas e Gomez contam a história de Agnaldo, um típico jovem preto, pobre e da periferia de Salvador que se encanta com Michael Jackson quando ele estoura com Thriller (1983).

Um belo dia, ele entra em um armário – que, se for metafórico, a HQ não deixa claro, mas talvez isto não seja importante para a narrativa em si.

Quando sai do armário – sob  ameaças de “corretivo“ do  pai – Agnaldo já surge, glorioso, como Billy Jackson.

Victor e Cau. Foto: Caixa de Fósforos
De leitura ágil, a HQ segue a trajetória do sósia em paralelo à do ídolo. E vai mostrando como o processo de transformações bizarras, decadência e morte precoce se reflete em Agnaldo / Billy.

O resultado é uma HQ que, para além da beleza plástica e da narrativa enxuta, oferece uma visão desencantada – ainda que terna – da adoração cega a ídolos de barro.

Destaque também para o aspecto sujo e deprimente das ruas de Salvador, perfeitamente captadas no papel pela arte de Cau Gomez.

Fascínio pelo fake

”Na verdade, não me baseei em nenhum cover específico de Michael Jackson”, conta Victor Mascarenhas.

O Moonwalk, segundo Cau Gomez
“É essa coisa do fake, da reinvenção, que me atrai. Meu ultimo livro (Xing Ling: Made in China, Solisluna, 2013),  é sobre isso também: a falsificação da baianidade, o fake baratinho”, acrescenta.

Para Victor, Agnaldo é um “pobre preto sem perspectivas, que  vê em Michael Jackson a chance de se transformar em outra pessoa e ter um protagonismo na vida”, observa.

“Agnaldo é um excluído. A única forma dele se sentir aceito é imitando seu ícone”, ecoa Cau Gomez.

“Acompanhando a transformação de Michael, ele deixa de ser Agnaldo e vira Billy, seguindo a decadência do ídolo, até que ele morre. Como uma pessoa que transformou a vida para a acompanhar a  de outra reage, quando essa pessoa morre? Essa é a grande questão dessa história”, afirma Victor.

Cau Gomez conta que “sempre fui muito fã do Michael, mas também fiquei muito chocado quando ele começou a se metamorfosear daquela forma quase kafkiana”.

“Pareceu uma coisa incontrolável. Cheguei a ter repulsa do ser humano que ele se tornou. Mas consigo separar a produção musical dele desde criança dessa coisa toda”, afirma.

Publicação bem cuidada, Billy Jackson sai bancada 100% pela RV Cultura & Arte, sem edital.

Billy Jackson / Lançamento: Hoje, 18 horas /  RV Cultura & Arte (R. Barro Vermelho 32, Rio Vermelho) /  gratuito

Billy Jackson / Victor Mascarenhas e Cau Gomez / 52 p. R$ 29,90 / www.rvculturaearte.com

sábado, dezembro 14, 2013

O PLANETA DOS BONS SONS

O jornalista Fábio Massari, do inesquecível Lado B da MTV Brasil, fala de música pop com rara propriedade em seu quarto livro, Mondo Massari

Reverendo. Fotos: Marcelo Ribeiro
Poucos jornalistas de música são tão reverenciados no Brasil quanto Fabio Massari.

Não por acaso, ele é carinhosamente conhecido como “Reverendo” – desde os tempos em que apresentava o programa Lado B na MTV Brasil.

O fato é que poucos jornalistas especializados – talvez nenhum – conhecem tão bem os subterrâneos da música pop planetária quanto Massari.

E isso é facinho de comprovar: basta uma passada de olhos em seu novo livro, Mondo Massari, uma coletânea de textos e entrevistas que acaba de chegar às livrarias.

A seguir, entrevista por email com o Reverendo, onde ele fala um pouco de si mesmo, do livro, Frank Zappa, Islândia, MTV Brasil e – com inesperado entusiasmo – do nosso querido rock baiano.

ENTREVISTA: FABIO MASSARI

Pode nos contar um pouco sobre como você começou nesse negócio de ouvir rock – e depois, de escrever sobre isso?

Fabio Massari: Acho que dá pra dizer que começou naturalmente, sem forçação de barra ou com algo que tenha deflagrado o interesse. Minha família não é, digamos, musical – mas a vitrola estava lá e discos circulavam. E curti rádio desde sempre: música e todo tipo de conversa, falação mesmo, programas esportivos, humorísticos etc. Sou radialista de formação e predileção! O rock chegou no embalo de Elvis, Beatles, Secos & Molhados, Elton John, Suzi Quatro, Raul Seixas e, claro, Alice Cooper: aqui sim, o momento de revelação, transformação. Muscle Of Love (1973) é o LP que inaugura minha coleção (pelo menos decidi assim num artigo para a saudosa revista General), marco-zero (ainda que não tenha sido o primeiro de fato).

Desde os tempos da MTV, você era, volta e meia, referido como especialista em Frank Zappa (1940-1993),  compositor de rock com bagagem erudita e sobre quem você escreveu o livro  Zappa: Detritos Cósmicos. Como você avalia o seu legado?

FM: Zappa tinha mesmo essa “bagagem erudita”, ainda que haja divergências entre especialistas quanto à intensidade desses “estudos”. Acho que era tudo mais intuitivo e a pesquisa era conduzida à sua maneira, sem muito envolvimento com formatos acadêmicos. Mas ele se deliciava com outros gêneros e subgêneros. Nas suas composições (vale lembrar que se definia pura e simplesmente como “American composer”) tinha de tudo: jazz, blues, psicodelia, colagens vanguardistas, marchinhas mil e... no fim das contas, sua música não se parecia com nada disso. Além das possibilidades infinitas do legado, acho que destaca-se a postura de um artista em plena sintonia com seu tempo, que não tinha medo de encarar os “atrasa-lado” corporativos e que se dedicava à sua arte – e aos fãs – com todo o carinho e respeito do universo.

Lembro que no Lado B vc entrevistou em uma ou duas ocasiões a banda baiana brincando de deus, pioneira do indie rock brasileiro (e orgulho de parte dos doidões locais, fãs do chamado - por aqui, de forma meio jocosa - "rock triste"). Você tem alguma lembrança da brincando de deus? Considera relevante alguma outra banda da cena baiana?

FM: Como assim? Mas é claro! O rock triste fez muito parte da trilha sonora do Lado B (e atividades televisivas com nossa chancela). A brincando de deus era uma das prediletas, sempre muito legal encontrar o pessoal – e nos batemos muitas vezes nos festivais da vida. O Messias (Bandeira, vocalista) sempre foi um cara muito interessante de entrevistar e de conversar na camaradagem, fora das câmeras. Sempre teve um discurso elaborado, consistente, pensava a banda, a cena em contextos bem demarcados. Era mesmo bem interessante. Aliás ele foi um dos responsáveis por irmos cobrir a cena in loco, no histórico festival Boom Bahia. Na verdade, esse momento anos 90 me pareceu muito “quente” para a cena local. De minha parte, curti muito várias bandas. Estão todas aqui (cassetes, CDs e uns vinis legais). (Dr.) Cascadura (clássico ainda subestimado) e Dead Billies (a certa altura, a melhor banda “ao vivo” do país, talvez do planeta). E Inkoma, Lisergia, Dois Sapos & Meio, Saci Tric, Crac!, Úteros em Fúria e Treblinka. E a mais espetacular gema discográfica (CD-R) da divisão baiana da minha coleção: Guizzzmo! Viva o Grande Irmão (referência a Rogério Big Brother - ou Big Bross -, produtor local).

A geração da qual a brincando de deus fez parte - a primeira turma do indie brasuca, incluindo Pin Ups, PELVs, Killing Chainsaw, Low Dream, Second Come e Mickey Junkies, entre outras - é hoje meio que desconsiderada pela geração pós-Los Hermanos: por que cantavam em inglês e não reverenciavam nossa MPB, entre outras razões. Como você vê isso? Essa geração merece uma revisão crítica?

"Deveria existir uma revisão crítica e pronto"
FM: Deveria existir uma revisão crítica e pronto. São muitos vetores nesse gráfico das percepções críticas. É possível que haja pontos de contato entre essa turma  90’s com os “pós-Los Hermanos”. A questão é a falta de “estudos” nesse sentido, aquele velho papo de resgatar algo das nossas heranças culturais. E do ponto de vista do mercado também: onde estão os discos comemorativos, especiais, boxes com fotos e textos?

Você escreveu um livro sobre o rock islandês, Rumo à Estacão Islândia. Porque? Ele é de fato extraordinário? Ou você foi movido pelo exotismo da coisa?

FM: O projeto era, acima de qualquer coisa, pessoal, de corte discográfico-existencial! Investigação que poderia ter sido na Nova Zelândia ou  Bahia. Discos e personagens e algumas de suas histórias. No caso da Islândia, ela possui cena riquíssima de sons e é um  lugar loucamente belo!

Ainda existe lugar nas rádios comerciais para programas como os seus ou só na internet?

FM: Nas comerciais o espaço é cada vez menor, sem dúvida, mas não é impossível. Na net o que mais existe é espaço para programas autorais, convencionais ou não.

Qual foi o critério de seleção para os textos do livro?

FM: Mondo Massari reune o material que produzi com essa marca. Programa da MTV (no livro conto do surgimento e dou uma amostra das entrevistas), colunas na Rolling Stone e Yahoo. A segunda parte traz  entrevistas do programa ETC, que apresentei na Oi FM até o começo de 2012. Como o ETC quase se chamou Mondo Massari, fecha-se um ciclo: TV, revista, net e rádio. Um diário de bordo geral da minha Enterprise pessoal.

Como foi para você ver a MTV Brasil acabar no ar?

FM: Trabalhei lá de fevereiro de 1991 a fevereiro de 2003: 12 anos de muita coisa legal realizada, tudo certo e resolvido. Foi legal ter participado da despedida. Só tenho curiosidade para saber o que vai ser do arquivo da MTV Brasil: Que fim vai levar? Quem vai levar e para fazer o que?

Que grande banda ou ídolo (vivo) vc gostaria de entrevistar mas ainda não teve oportunidade? E o que vc perguntaria à ele (ela)?

FM: Não sei nem por onde começar! David Bowie e Tom Waits e Les Claypool e Robbie Robertson...

Grandes selos costumam ser associados à grandes cenas. Seattle, Sub Pop. Madchester, Factory. Bay Area, Alternative Tentacles. E por aí vai. Que outras cenas / selos ainda pouco conhecidos você poderia nos recomendar?

FM: Essence Music, de Juiz de Fora.

Você tem alguma antena escondida acoplada à nuca? Aonde posso conseguir uma pra mim também? Ou é de nascença?

FM: Se tenho ainda não percebi nem localizei; mas se tenho, tenho certeza de que vossa excelencia também tem!

PROSA CATIVANTE DO REVERENDO CONSERVADA NAS PÁGINAS DE MONDO MASSARI

Nos anos 1990, quando a informação era privilégio apenas de rádios, TVs e jornais, quem queria ouvir o que havia de melhor, mais novo e instigante no rock planetário tinha destino certo: o programa Lado B, da MTV Brasil.

O apresentador, um sujeito magro, simpático e muito bem falante, era o jornalista e radialista Fabio Massari.

À frente do Lado B, o Reverendo Massari catequizou gerações de jovens que hoje tentam seguir seus passos na incessante busca pelos – como ele costuma dizer – “bons sons”.


Busca que ele jamais cessou, como se pode ver nesta preciosa coletânea sob a chancela Mondo Massari – que já foi programa na MTV (pós-Lado B) e coluna na Rolling Stone e Yahoo.

Está aqui, conservado para a posteridade, o cativante (e criativo) discurso oral do radialista, que fala do que há de mais obscuro e interessante na música pop com tanta propriedade, que é impossível não querer ouvir os artistas que ele recomenda.

No livro, entrevistas com gente do porte de John Cale, Marianne Faithfull, Karlheinz Stockhausen e Glen Matlock, além de bandas maneiríssimas como Yo La Tengo, X, Television, The Bellrays, The Mars Volta, Cavalera Conspiracy, The Kills e muitas outras. Há ainda relatos de shows (The Police em 1982), artigos, resenhas e muito mais.

Uma bíblia dos bons sons para aficionados e neófitos.

Mondo Massari / Fábio Massari / Ideal/ 476 p. / R$ 49,90 / www.edicoesideal.com


quarta-feira, dezembro 11, 2013

PODCAST CLASH CITY ROCKERS #19

Lloyd Cole, com Standards, um dos discos de 2013 para Cebola e Bramis
Com Marcos Rodrigues, Sérgio Cebola Martinez, Caio Tuy e Osvaldo Braminha Silveira Jr. (na parte 2)

Os melhores de 2013

Parte 1



Parte 2


terça-feira, dezembro 10, 2013

ELAS CANTAM CAMISA

Camisa de Vênus faz nova temporada no Dubliner's aos sábados de janeiro, desta vez com uma novidade: a cada show, duas cantoras sobem no palco com a banda

Camisa 2013: Karl H., Robinson Cunha, Scott, Ricardo Cadinho e Gustavo M.
Digam o que quiserem, o Camisa de Vênus pós-Marcelo Nova não recua.

Com Eduardo Scott à frente da lendária banda baiana desde 2010 (foto: Jessica Silva.), o grupo já percorreu o Brasil fazendo shows e lotou a arena do Parque da Cidade, além de apresentações regulares em inferninhos.

Em julho último, fizeram uma temporada no Dubliner’s Irish Pub – mesmo local em que, agora, anunciam nova série de shows aos sábados  de janeiro (começando pelo dia 10).

A diferença é que, desta vez, eles vão contar com várias cantoras convidadas.

Isso mesmo, caro leitor. O Camisa de Vênus, historicamente conhecida como uma das bandas mais machistas do Brasil, vai receber no palco diversas cantoras que militam no rock / alternativo.

Lista completa:  Rebeca Mata, Nancy Viegas, Thathi, Danny Nascimento, Shalin Way, Fer Nanda, Diana Marinho, Clariana Fróes  e Júlia Tazzi.

Cantoras do The Voice

A cada sexta, duas cantoras participam do show. “A temporada de julho foi um sucesso, com dias sold out (esgotado) e tudo”, conta Eduardo Scott.

“Aí  o dono da casa nos convidou para  outra, no verão. Tivemos essa ideia de chamar as roqueiras da cidade. Por que? Porque nunca aconteceu, é algo inédito. Fora que o Camisa sempre teve essa fama de banda machista, né?”, percebe.

“Apesar disso, todas elas adoraram a ideia, ficaram super felizes com o convite”, afirma.

Eduardo garante que não teve teste do sofá para selecionar as convidadas.

”Dei uma pesquisada para escolher cantoras que estao fazendo shows na noite, em atividade. Além de também buscar representantes de gerações diferentes”, conta.

A lista traz desde veteranas como Nancy e Rebeca Matta, até novidades, como Fer Nanda e Clariana Fróes.

“Fer Nanda tem uma banda no estilo Pitty. Clariana era da banda Ex-29 e participou do The Voice. Júlia Tazzi também participou The Voice e do Caldeirão do Huck”, conta.

“E elas mesmas escolhem as músicas que querem cantar”.

Além das Camisetes, o Camisa vai mostrar  duas músicas novas, “que estariam no disco que está emperrado na justiça (em disputa com Marcelo Nova): Sem Nada, minha com Gustavo Müllen e outra sem titulo ainda, minha, de Karl Hümmel e Gustavo”, conclui Scott.

Camisa de Vênus & rockeiras de Salvador / Temporada às sextas-feiras de janeiro: dias 10, 17, 24 e 31,  23 horas / Dubliners Irish Pub / R$ 20

NUETAS

Guerilla gig na Dinha

As bandas Rivermann, Declinium (instituição pós-punk de Camaçari, grande banda) e Elefante Grego tocam no Largo da Dinha, sábado 14, esquema de guerrilha, style gato puxado direto do poste, não paga nada. Horário? Provavelmente, de noite!

Ponto FIAC segue

O Ponto FIAC segue  no fim de semana, com The Baggios (quinta-feira), Suinga e Lucas Santanna (sexta) e Pirigulino Babilake (sábado). No Cine Teatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas), sempre às 22 horas, R$ 10 e R$ 5.

GO! Rock no Portela

Les Royales (rockabilly), Paulinho Oliveira (hard rock) e DJ Bigbross fazem a festa GO! Rock Music nesta sexta-feira 13 às 22 horas, no Portela Café. R$ 25.

Musique in Commons

O colunista blogueiro, Lucas DJ Albarn Cunha, Luciano el Cabong Matos e Nei Bahia discotecam no happy hour Musique!. A ocasião é para lançar o blog Monde Musique, de Lucas. Amanhã, 18 horas, na Commons, entrada gratuita. De antemão, o colunista avisa da própria inépcia como DJ e de seu gosto duvidoso. Na verdade, o cartaz (que diga-se de passagem, tem sua bela arte assinada pelo meu brother Bruno Aziz) atribui ao blogueiro a função "DJ", o que, faço questão de esclarecer aqui, não corresponde à verdade. DJ é profissão séria e ganha-pão para muita gente. Eu, como muita gente suspeita, não sou DJ, não tenho formação de DJ e tenho o maior respeito por que aqueles que estudaram para dominar as artes do Live PA, scratches etc e tal. Claro que já discotequei muito por aí - nas velhas festas do Rock Loco, no saudoso Miss Modular, na saudosa Feira Hype (em vinil, uma experiência maravilhosa, aliás), Praia dos Livros, shows e festinhas avulsas por aí. Mas me limito a escolher faixas de CD e, na medida do possível, colar uma na outra direitinho, para o som não parar. Disse uma vez para Roger 'n' Roll (esse sim, um DJ de verdade), que como DJ, eu não passo de um seletor de frequência. Dito tudo isso, chego a conclusão que não passo de mais um jornalista gaiato que sucumbiu a própria vaidade. Mas como não tenho nem facebook e me policio muito com essas coisas, também posso me permitir dar uma DJzada vez ou outra....

segunda-feira, dezembro 09, 2013

PREMIADA, AZUL É A COR MAIS QUENTE CHEGA EM HQ E NAS TELAS

Meio romance de formação, meio panfleto GLS, o fenômeno Azul é a Cor Mais Quente chega ao Brasil quase que simultaneamente em sua forma original (a graphic novel de Julie Maroh) e na adaptação cinematográfica, de Abdellatif Kechiche.

Nas duas formas, a obra foi amplamente reconhecida e premiada.

A HQ original francesa, lançada em 2010, ganhou  o Prêmio de Público do Festival Internacional de Angoulême 2011, entre outros, além de ter sido traduzida para inglês, espanhol, alemão, italiano, holandês e claro, português.

Já o filme, dirigido pelo franco-tunisiano Kechiche, faturou nada menos que a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes 2013.

Uma trajetória notavelmente vitoriosa para uma obra que, na sua fonte original – a história em quadrinhos – deixa bem evidentes tanto méritos quanto defeitos.

No diário

Contada a partir dos diários de uma das protagonistas, a estudante Clémentine, a trama mostra o encontro – e subsequente paixão – entre ela e uma jovem de cabelos e olhos azuis, Emma.

Clém, como é chamada pelos amigos, é a primeira vista, uma jovem como outra qualquer: vai a escola, mora com os pais, tem uma rodinha de amigos e paquera um rapaz do colégio com pinta de grunge (a história em inicia em 1994).

Porém, quando começa a namorar com Thomas, o tal rapazinho de barbicha, Clémentine “trava” – e sempre na hora do chamado rala & rola.

E aí começam os problemas da HQ.

Boa parte do texto da menina em seu diário soa exatamente como deve soar uma menina comum de 15 anos escrevendo em seu diário: sentimentalóide, carregado de clichês e tolinho.

Em nome da verossimilhança, o recurso é legítimo, mas isso não é desculpa. Muitas obras já foram escritas na linha do “Querido Diário” adolescente e nem todas soam bobinhas.

Romeu & Julieta

Um belo dia, Clémentine cruza na rua com Emma, a garota de cabelos azuis, com quem troca um longo e lânguido olhar.

Não demora, elas se conhecem, se apaixonam e, entre idas e vindas, resolvem ficar juntas, contra tudo e contra todos.

Se só esta descrição está carregada de clichês, é por que o mesmo acontece com a HQ.

No fim das contas, trata-se da mesma velha história de amor proibido – a mesma que está incrustada no imaginário popular desde Romeu & Julieta.

A diferença é que aqui o casal é formado por duas mulheres, em um contexto de ativismo GLS.

Isso não é ruim em si – a causa é mais do que justa e merecedora de todo respeito e apoio.

O problema de Azul é a Cor Mais Quente é que ela não se traduz em uma grande HQ – como sua aclamação prévia faz crer.

Como méritos, pode-se dizer que a autora tem bom domínio da técnica narrativa sequencial, com especial destaque para as expressões faciais dos personagens e para o uso das cores.

Azul é a Cor Mais Quente é HQ que se lê de uma sentada, dada sua fluidez narrativa, além contar uma história sensível e com a qual muitas (e muitos) poderão se identificar, apesar dos seus defeitos.

Azul é a Cor Mais Quente / Julie Maroh / Martins Fontes/ 160 p./ R$ 39,90/ www.martinsmartinsfontes.com.br


sexta-feira, dezembro 06, 2013

PODCAST CLASH CITY ROCKERS # 18

Josh Homme dá um trago e aguarda a lista dos Melhores de 2013 do CCR
Esquentando para os melhores de 2013.

Com Marcos Rodrigues, Sérgio Cebola Martinez e Osvaldo Braminha Silveira Jr e eventual participação de Márcio B.A. Martinez (na parte 2)

PARTE 1



PARTE 2



PONTO FIAC OCUPA SOLAR BOA VISTA COM MÚSICA NOVA POR DOIS FINS DE SEMANA


O Festival Internacional de Artes Cênicas (FIAC) está expandindo as atividades, além do evento em si  realizado em setembro.

A iniciativa é o festival de música Ponto FIAC, que ocupa o Solar Boa Vista com  shows por dois  fins de semana.

Começa hoje, com Bixiga 70 (SP) e segue amanhã, com Skanibais, o hip hop do Opanijé e A.MA.SSA no domingo.

Semana que vem tem The Baggios (SE, ao lado, em foto de Snapic), Lucas Santtana, Suinga e Pirigulino Babilake.

Um cardápio e tanto para interessados em música que prescinde de coreografias infantis ou palavras de ordem.

Além dos shows, haverá mostras de artes visuais, oficinas e até uma moqueca de miraguaia (a programação completa está no site do evento).

“Para a parte musical, a gente contou com a curadoria de Ronei Jorge, artista que é uma  referência da cena independente. Já a parte de artes visuais ficou a cargo de  Marcelo Resende, que é diretor  do Museu de Arte Moderna (MAM)”, conta Felipe de Assis, um dos organizadores do FIAC.

Skanibais, foto Anderson Fereira
“O FIAC é uma marca que se tornou referência para um certo perfil e uma postura ligada à esta fatia de público jovem, que  está mudando a cena cultural da cidade”, aposta.

Som caleidoscópico

Atração que abre hoje – em grande estilo – o Ponto FIAC, a Bixiga 70 é hoje uma sensação da música independente. E diferente de muita coisa com esse status, eis aqui uma banda que de fato merece aplausos.

Com dez feras no palco, trata-se de uma mini big band de música instrumental sem fronteiras, que parte de base afro beat para explorar diversos territórios estilísticos.

Caleidoscópica, funky, exuberante, a Bixiga 70 cristaliza a tendência recente das bandas de som instrumental que deram fim ao velho estigma da “música de músicos”.

“Estamos realizados”, diz Maurício Fleury (teclado e guitarra). “Salvador foi a primeira cidade que queríamos ter tocado desde o início”, diz.

Não se trata de mera gentileza. A música baiana está no DNA da Bixiga 70 – não é por acaso que a faixa de abertura do seu álbum mais recente é Deixa a Gira Girá, ponto de candomblé gravado pelos lendários  Os Tincoãs em 1973.

“É por causa d’Os Tincoãs mesmo, que botou o candomblé no samba africano e é uma grande influência para a gente”, afirma Maurício.

“Além de bandas daí que gostamos, como Baiana System, Retrofoguetes e Orkestra Rumpilezz, com a qual tivemos a honra de dividir o palco em São Paulo. Admiramos muito Letieres Leite por tudo que ele faz pela música ”, conclui.

Ponto FIAC / A partir de hoje até 14 de dezembro (fins de semana) / Solar Boa Vista (Eng. Velho de Brotas) / R$ 10 e R$ 5 / www.pontofiac.com.br

ENTREVISTA MAURÍCIO FLEURY (BIXIGA 70)

E aí, estão felizes por tocar em Salvador?

Bixiga 70. Foto: Nicole Heiniger
Maurício Fleury: Estamos realizados, por que Salvador foi a primeira cidade que queríamos ter tocado, desde o início, especialmente por causa d'Os Tincoãs, que nos influenciaram muito com sua mistura de samba africano com candomblé. Além das bandas baianas de hoje em dia que gostamos muito, como a Orkestra Rumpilezz, os Retrofoguetes, a Baiana System, com quem já tivemos a honra de dividir o palco. Estamos duplamente felizes: pela influência ancestral e pela galera legal que conhecemos. Sempre tentamos tocar em Salvador, desde que começamos a tocar, e agora vamos fazer esse show aí, então espero que seja de verdade que tenha tudo a ver, mesmo.

Vocês tem tido uma ótima recepção de público para uma banda instrumental, algo que vem se repetindo, com outras bandas também. Acha que já foi o tempo em que música instrumental era coisa "de músico para outros músicos"?
MF: Aí mesmo vocês tem os Retrofoguetes, que é um ótimo exemplo de música instrumental que não fica mais confinada a uma escola específica de música brasileira pós-bossa nova. A música instrumental brasileira é forte desde o começo, com o choro, Pixinguinha. Mas depois da bossa, a coisa ficou meio estigmatizada de ser muito jazzística, uma coisa de salão de jazz, para ouvir sentado. Foi criada toda uma aura. Mas nos últimos anos, a música instrumental tem dito muito, mesmo sem letra. São outras vibrações, outras mensagens vindas de muitas bandas instrumentais legais, como os Retrofoguetes, os Dead Rocks (banda surf de São Carlos), está super vivo o lado instrumental no rap, a banda Hurtmold, que também é ligada ao rock, mas traz outras sonoridades, e também ao jazz mas não de uma forma bossa novistica. O Bixiga entra nisso, da música instrumental contemporânea que tem várias mensagens e é dançante e não é só jazz ou afro, tem eletrônica, hip hop etc. A ideia é fazer um som atual com uma formação grande, com vários músicos e que não quer ficar confinada na coisa virtuosística do jazz apesar de ter influências de jazz.A gente gosta, mas não só. E também não precisa de uma figura discursando lá na frente. Muitas bandas e artistas foram achando esquemas de instrumentação para diversas formações e propostas diferentes. Estava escutando agora há pouco o disco do Anjo Gabriel, que faz instrumental e é rock psicodélico. O que fica é que temos uma relação com a música brasileira instrumental, mas o pessoal que precisa enquadrar pode dizer que tentamos fazer uma fusão de música contemporânea que não seja meramente virtuosística.

Vocês tem influências da Orkestra Rumpilezz ou ou vocês e a Orkestra Rumpilezz é que tem as mesmas influências?

MF: Acho que são coisas diferentes. Buscamos um som próprio e somamos muitas influências de fora (do Brasil). Mas não vamos copiar, pois admiramos muito o trabalho de Letieres Leite e tudo o que ele faz para a musica brasileira, é um trabalho maravilhoso. A gente gosta de muitos tipos de música, mas não temos o rebuscamento que a OR tem. A gente é mais rock 'n' roll, tem baixo, guitarra, teclado. Dividimos o palco com a OR em novembro, aqui em São Paulo, no Largo da Batata, em um show de graça. A Rumpilezz tocou antes e depois eles tocaram conosco a música d'Os Tincoãs que a gente gravou. Eles são bem focados e refinados, enquanto que nosso som é mais sujo e rock.

Vocês já fizeram diversos shows no exterior. Como foi a experiência?

Bixiga 70. Foto: Nicole Heiniger
MF: Fizemos oito shows, dois em Amsterdam, na Bélgica... Esse ano fizemos Malmö (Suécia), o festival de Roskilde (Dinamarca), Alemanha, Amsterdam de novo e outra cidade na Holanda.  Tocamos em vários festivais bem legais, no Roskilde, dividimo o palco com uma banda que admiramos. A experiência é incrível pois tem vários níveis de aprendizado. Quando você sai do país, você se conhece mais, e dentro de uma banda, melhora e aprofunda a convivência entre os membros. E tocando muito, convivendo, rola uma sinergia legal entre os membros. E você vê o quanto a música brasileira é adorada. Isso estimula muito. Outra coisa é a qualidade técnica dos eventos. No Brasil, isso ainda é bem deficiente em relação ao que já vimos lá fora, por vários motivos que jogaram a indústria do áudio em segundo plano. Quando você sai dos centros, vê que no interior a informação ainda não chegou, não tem o equipamento bem cuidado. Já trabalhamos com técnicos de som dos festivais e o que importa, além de mostrar o trabalho, é aprender como funcionam as coisas lá. E tentar ampliar, na nossa realidade. Organizamos um evento gratuito em São Paulo, que é o Dia do Grafiite, fechamos uma rua  e convidamos várias bandas, incluindo a Escola de Samba Vai Vai, que é do nosso bairro (o Bixiga). Essa conexão com o bairro é muito importante para melhorar a maneira como produzimos música. Para nós, foi um investimento que valeu muito a pena viajar para a Europa. E pretendemos voltar ao exterior até o meio do ano que vem.

Planos para 2014?

MF: Sempre tocar, tocar, tocar, viajar, levar para onde puder. O grande segredo de tudo é o trabalho e também produzir. Temos muitos projetos que circundam a banda. E deve sair outro disco do Bixiga em 2014. Queremos circular pelo Brasil em lugares que ainda não tocamos, tipo Salvador, que é uma realização para a gente, além de outras capitais e pelo interior.

O processo de composição do Bixiga 70 é coletivo? Como funciona? Tipo jam no estúdio?

MF: A gente assina as composições em parceria entre dois ou três membros e a banda, por que um chega com um tema e a banda vai desenvolvendo e virando uma coisa que agrade aos dez membros, por isso assina junto. Pode acontecer de ser uma jam e alguém levar para casa e escrever algo em cima. É bem coletivo. Sempre tem alguém que inicia a coisa, mas se não tiver os dez, não rola nada. Alguém tem que dar o pontapé inicial e agente pensa a composição do jeito que acontece.


terça-feira, dezembro 03, 2013

UMA ENCICLOPÉDIA PARA MOZ

Esfinge de topete, Stephen Patrick Morrissey vem devorando quem o tenta decifrá-lo há décadas – desde que alcançou a fama à frente da banda The Smiths, ainda nos anos 1980.

Quem quiser se aventurar na árdua tarefa, tem agora um  guia à mão, na recém-lançada Mozipedia - A Enciclopédia de Morrissey e dos Smiths, de Simon Goddard.

O tijolo de 768 páginas é exatamente o que o  título anuncia: um compêndio de verbetes em ordem alfabética com tudo sobre Morrissey: The Smiths, vida, músicos, ídolos, hábitos, preferências, amigos, cidades etc.

Por exemplo: The Boy With The Thorn in His Side, primeiro single dos Smiths lançado no Brasil (e hit instantâneo nas rádios em 1985), relata “suas experiências pessoais em relação à indústria da música (...) e suas ansiedades sobre as conclusões equivocadas sobre ele publicadas na imprensa”, diz o verbete, entre  outras informações.

Eterna interrogação, sua orientação sexual é discutida no verbete “homossexualidade”, sem chegar à uma conclusão.

De forma esperta, Goddard conclui citando uma entrevista  em que Morrissey responde  se ele era ou não gay assim: “Eu estou acima disso, para ser franco”. Nada mais Morrissey.

Tema de tese de doutorado

Ídolo de milhões e um dos roqueiros mais influentes das últimas décadas, o enigma Morrissey não assustou a professora baiana Renata Spínola.

Fã  “desde muito nova”, ela é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, aonde desenvolve  sua tese As canções que salvaram sua vida: reflexões sobre as noções de fã e fandom em Morrissey.

Como se pode imaginar, a Mozipedia tem sido uma mão na roda para Renata, que adquiriu seu exemplar na Inglaterra, quando lá fez sua pesquisa de campo, em 2011.

“Fica claro para quem lê a Mozipedia que Simon Goddard é um grande admirador de Morrissey”, diz.

“Há um cuidado, um zelo muito grande em apresentar as informações sobre ele, especialmente quando elas são de cunho pessoal”, afirma.

E nem poderia ser diferente, já que o ídolo costuma rogar pragas a quem se atreve a biografá-lo.

“Talvez pelo receio de receber o mesmo tratamento, Goddard tenha sido tão cuidadoso nos verbetes sobre desafetos e temas polêmicos, como sua sexualidade ou o processo movido pelo baterista dos Smiths,  Mike Joyce”, percebe.

Ainda assim, trata-se de “um livro indispensável para os fãs. E não só para eles”, diz Renata.

“É um texto de grande valia para quem se interessa por música, cinema, literatura. Os verbetes  trazem ricas informações sobre o cinema kitchen sink (movimento cultural britânico dos anos 1950), Oscar Wilde, James Dean, Elizabeth Smart, New York Dolls, Ramones e outros temas que se acham ligados à produção de Morrissey”, diz.

E quem é fã mesmo não perde por esperar. “A Editora  Globo acabou de arrematar, em disputadíssimo leilão, os direitos de publicação da sua autobiografia no Brasil", conta Renata.

"Acho interessantíssimo que um cantor que não lança disco novo desde 2009 tenha a capacidade de se reinventar e renovar o interesse do público pelo simples fato de se manter como o velho Morrissey de sempre”, conclui.

Mozipedia - A Enciclopédia de Morrissey e dos Smiths / Simon Goddard / LeYa / 768 p. / R$ 89,90 / www.leya.com.br



ENTREVISTA: RENATA SPÍNOLA

Renata e Boz Boorer, guitarrista de Morrissey
Fã desde "muito nova" do bardo de Manchester, Renata transformou seu interesse em Morrissey em tese de doutorado (em desenvolvimento) no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura do Instituto de Letras da UFBA, sob o título provisório "'As canções que salvaram sua vida': reflexões sobre as noções de fã e fandom em Morrissey". Em 2011, ela e o marido, o músico Arthur Caria (baixista do roqueiro baiano Pàulinho Oliveira) seguiram a turnê britânica do homem, cidade após cidade. Ela nasceu em Salvador e foi levada aos estudos de língua inglesa e literatura por influência das canções dos Smiths e Morrissey. É formada em Letras com Inglês, tem mestrado em Letras e Linguística pela UFBA. Atualmente é professora das Faculdades Maurício de Nassau. Nesta entrevista, a especialista fala sobre seu objeto de estudo, a Mozipedia e sua experiência cruzando o Reino Unido seguindo o assim chamado "Mais Adorável Ser Humano do Planeta".

Por que exatamente Morrissey é tão adorado? Quem é Morrissey? O que ele representa dentro da história do rock?

Renata Spínola: Como fã, e agora como pesquisadora, eu acredito que Morrissey seja tão adorado pelo fato de que ele próprio é um modelo de fã. Toda a sua produção apresenta uma forte interferência de seus ídolos e se constrói a partir da sua dedicação e admiração a eles. As frequentes remissões aos ídolos é um dos traços mais característicos de sua produção artística. Partindo da exposição de suas preferências, Morrissey destaca a condição de fã, dotando de importância este papel, e constrói um corpo de artista que é constituído pelo seu repertório de leituras, pelas preferências artísticas e pela sua relação com a cultura. Além disso, enquanto ídolo, Morrissey também define um padrão de comportamento para os seus fãs. Há em Morrissey uma preocupação intensa com a preservação da memória. Através da exposição de gostos e preferências, Morrissey oferece uma leitura particular acerca dos ídolos e suas produções, renova o interesse do público sobre eles e, acima de tudo, evita que caiam no esquecimento, conferindo-lhes permanência. O trabalho de preservação da memória, porém, não é desinteressado. Preservando os ídolos, ele preserva a si próprio, já que constrói um modelo de fã que é repetido e reencenado pelos seus seguidores. É ele quem define, com base em suas próprias ações, o comportamento que o seu fã deve adotar. Por outro lado, ao mesmo tempo em que é tão apaixonadamente amado pelo seu público, Morrissey é capaz de provocar recusas violentas. A sua atuação artística parece colocá-lo sempre entre extremos: ou é loucamente amado ou é ferozmente odiado. Acredito que o estilo provocador adotado desde o início de sua carreira, a transgressão às normas e aos modelos preestabelecidos (o que pode ser mais transgressor do que um ícone do rock que se declara assexuado e celibatário quando a tríade sexo, drogas e rock and roll era o comportamento esperado?), as bandeiras que Morrissey levanta – como o ativismo em favor da causa animal, por exemplo, ou simplesmente a sua inclinação às polêmicas, são alguns dos elementos que o posicionam e o associam de maneira muito forte ao contexto do rock, que se constitui exatamente como um espaço de convergência, de militância, de transgressão da norma. É isso que o define como artista e que o coloca definitivamente na história do Rock.

O que você achou da Mozipedia? Li uma critica que dizia que o livro era coisa de um fã para outros fãs. Você recomenda o Mozipedia para quem quer conhecer o artista ou só para quem já é fã?

Renata, defronte à casa onde Morrissey morou ao formar os Smiths
RS: Fica claro para quem lê a Mozipedia que o Simon Goddard é um grande admirador de Morrissey. Há um cuidado, um zelo muito grande em apresentar as informações sobre o homem, especialmente quando estas informações são de cunho pessoal. Morrissey não costuma ter em alta conta aqueles que se aventuraram a escrever biografias sobre ele ou sobre os Smiths. Aliás, um dos livros mais conhecidos e vendidos sobre o The Smiths, o “Morrissey & Marr: the severed alliance”, foi repudiado por Morrissey e ao seu autor ele desejou que acabasse os seus dias num trágico acidente. Talvez pelo receio de receber o mesmo tratamento, o que seria uma morte quase real para um fã, Goddard tenha sido tão cuidadoso nos verbetes que definem os desafetos de Morrissey, naqueles que falam de temas polêmicos, como as questões acerca de sua sexualidade, ou naqueles que apresentam assuntos delicados como o processo movido pelo baterista dos Smiths, o Mike Joyce, na busca pela divisão igualitária dos royalties da banda. A Mozipedia é sem dúvida um livro indispensável para os fãs, mas não se restringe a este público específico. É um texto de grande valia para quem se interessa por música, cinema, literatura. Os verbetes apresentados por Goddard remetem, obviamente, a Morrissey e aos Smiths, mas trazem ricas informações sobre o cinema kitchen-sink, sobre a produção e a biografia de nomes como Oscar Wilde, James Dean, Elizabeth Smart, sobre bandas como o New York Dolls, Ramones e tantas outros temas que se acham ligados à produção de Morrissey. É, portanto, um texto fundamental para os iniciados na carreira de Morrissey e que desejam saber mais sobre o ídolo, é um texto esclarecedor para aqueles que ainda se acham presos a rótulos e ideias preconcebidas, como a classificação da música de Morrissey e dos Smiths na categoria pejorativa do “rock triste”, é um texto instrutivo para quem ainda nada sabe sobre o assunto e deseja saber. Neste estilo de vida apressado que parece ter sido adotado por todas as pessoas de nossa época e que acaba por restringir o tempo dedicado à leitura pelo prazer, um dos trunfos da Mozipedia é o fato de dispensar uma leitura linear, ordenada, podendo ser consultado de acordo com a necessidade e a curiosidade de cada leitor.


Qual a maior surpresa que você teve lendo a Mozipédia? Um fato que você nunca imaginou e descobriu lendo este livro? E a maior decepção?

RS: O livro em si já foi uma grata surpresa. Encontrar disposto, num só lugar, diversas informações sobre Morrissey, desde detalhes sobre as canções e os discos lançados a uma extensa lista de suas influências artísticas, é como um tesouro para quem desenvolve uma pesquisa sobre o assunto. Não há dúvidas de que o livro tem ajudado e muito a minha pesquisa e tem me dado a chance de conhecer histórias divertidíssimas que despertam a curiosidade de qualquer fã, como, por exemplo, o episódio em que Jonnhy Marr toca os acordes que futuramente se transformariam na canção Hand in glove e, por receio de esquecer, mantém-se tocando no banco de trás de um fusca dirigido por sua então namorada Angie por quase dez km, até chegar à casa de Morrissey, onde havia o gravador mais próximo em que poderia registrar a ideia. Ainda não encontrei um assunto relativo a Morrissey que não tenha sido contemplado pela enciclopédia e nem mesmo experimentei qualquer decepção com as informações sobre Morrissey dispostas no texto. Procuro entender tudo que Morrissey faz de uma maneira contextualizada. Memo quando ele assume uma postura da qual eu discordo, acredito que tenha uma razão de ser. Uma coisa tenho aprendido desde que comecei a minha pesquisa sobre ele e, claro, com o auxílio de livros como a Mozipedia: nada em Morrissey é definido ao acaso. Vejo a sua produção musical e a constituição de sua persona como algo muito bem articulado, planejado, como um projeto cuidadosamente montado por ele e que até mesmo as contradições e paradoxos são partes integrantes desta performance.

Conte-nos um pouco de sua experiência pessoal quando você seguiu a turnê do homem em 2011.


Setlist do show na cidade de Plymouth, sul da Inglaterra.
RS: Foi um sonho realizado. Sou fã de Morrissey desde muito nova e a única vez em que ele esteve no Brasil até então tinha sido no ano 2000. Naquela época eu não tinha grana para sair de Salvador e viajar para o Rio, São Paulo ou qualquer outra cidade que o recebeu a turnê para vê-lo ao vivo. Em 2011, já cursando o doutorado e com uma vida financeira mais equilibrada, vi a chance de realizar dois desejos com o anúncio de uma nova turnê: o de vê-lo ao vivo e o de começar a minha pesquisa conhecendo um pouco mais sobre o lugar em que Morrissey iniciou a sua carreira: a cidade de Manchester. É interessante destacar que, como os shows aconteceram em cidades pequenas – as grandes cidades foram preteridas nesta turnê – era visível a movimentação que Morrissey provocava nesses lugares. Era gente de vários pontos do Reino Unido e da Europa, seguindo a turnê de carro, de trem, de avião, hotéis lotados, clones do Morrissey desfilando pelas cidades, filas que se formavam diante dos locais dos shows desde o dia anterior, fãs mais exaltados entoavam o já tradicional canto em que gritam o nome de Morrissey na mesma melodia da marcha patriótica americana “Stars and Stripes Forever” pelas ruas, em manifestações de adesão que eu só conseguia associar ao fanatismo dos torcedores em dia de jogo de futebol no Brasil. Foi uma experiência riquíssima. Além de testemunhar e vivenciar essas experiências de fã, tive a chance de vê-lo em várias performances ao vivo e, fugindo um pouco do roteiro dos shows, visitar a cidade em que ele nasceu e iniciou a sua carreira, conhecendo diversos lugares que se tornaram marcos para os fãs de Morrissey. Esta experiência saciou o meu desejo de fã e também rendeu parcerias interessantes. Com Luciana Kaross, estudante brasileira que desenvolve pesquisa de doutorado na cidade de Manchester, a parceria resultou na produção de um artigo publicado na revista acadêmica Vozes dos Vales (http://www.ufvjm.edu.br/site/revistamultidisciplinar/files/2011/09/Words-which-could-only-be-your-own_the-crossroad-between-lyrics-translation-culture-Brazilian-fans-and-non-professional-translators_luciana-1.pdf), Com Arthur Caria, companheiro de viagem e de vida que foi arrastado para o mundo de Morrissey desde que passamos a dividir o mesmo teto, produzi pequenos documentários dando conta da experiência de fã que sai de tão longe para acompanhar a turnê do ídolo (http://england-is-moz.blogspot.com.br/). Além da grata surpresa de conhecer e trocar ideias com toda a banda que acompanha Morrissey em turnê. Só faltou conhecer o próprio homem! Mas isto pode ser uma boa desculpa para uma próxima viagem!

Você pode falar um pouco do seu trabalho? Do que se trata? O que você defende em relação à Morrissey no Instituto de Letras da Ufba? O pessoal lá não estranhou seu tema não?

RS: A pesquisa que venho realizando como doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura do Instituto de Letras da UFBA, sob o título provisório "'As canções que salvaram sua vida': reflexões sobre as noções de fã em fandom em Morrissey", é exatamente sobre a faceta fã de Morrissey e como esta condição constrói um campo favorável à constituição de um público tão devotado a ele. Basicamente eu discuto a maneira como o seu discurso – e a sua produção como um todo – está impregnado pelas produções dos seus ídolos e pelo seu desejo de preservar esses ídolos no imaginário popular. Eu defendo a ideia de que Morrissey seria um “ultimate fan”, um exemplar da atuação do fã enquanto sujeito ativo e participativo. A produção de Morrissey está claramente envolvida com os seus objetos de admiração e pode ser definida como uma escrita em parceria com os ídolos. As constantes apropriações e referências explícitas permitem ao público enxergar a sua produção de maneira contextualizada, oferecendo um panorama fundamental através do qual é possível compreendê-la e criar um laço semelhante com o artista. A atuação artística de Morrissey, portanto, envolve um aparato que reúne, a um só tempo, a homenagem aos ídolos, a constituição de um corpo de artista que é formado, antes de tudo, por um leitor, por um admirador em diálogo com aqueles a quem admira, e a construção de um modelo de fã bem diverso daquele que era concebido como sujeito alienado, manipulado e incapaz de pensar por si. Esse fã que se desenha hoje, e do qual Morrissey pode ser considerado como um modelo, é um sujeito ativo, que participa de atividades sociais, que é produtor de um material que poderá até interferir na história do artista que admira. É claro que um projeto sobre a produção Morrissey chamou a atenção e provocou certo estranhamento quando apresentado pela primeira vez. Mas quando organizada e disposta em termos acadêmicos, fica impossível não despertar a curiosidade de conhecer mais sobre um material tão rico! É interessante que se antes Morrissey era um completo estranho, depois de iniciar a pesquisa em Letras, parece que ele foi adotado pelo meus colegas, professores e amigos que começaram a prestar mais atenção nele e passaram a compartilhar comigo todo tipo de notícia e informação sobre ele. E com o recente interesse do mercado editorial brasileiro em Morrissey – além do lançamento da Mozipedia pela editora Leya, a Globo acabou de arrematar, em disputadíssimo leilão, os direitos de publicação da sua autobiografia no Brasil – a minha pesquisa acabou se tornando um tema bastante atual e de interesse geral. Acho interessantíssimo que um cantor que está sem gravadora e sem lançar um disco novo desde 2009 tenha a capacidade de se reinventar e de renovar o interesse do público pelo simples fato de se manter como o velho Morrissey de sempre.

FEIRENSES DA NOVELTA FAZEM STONER DO SEMI-ÁRIDO

Novelta, foto de Eduardo Quintela
E atenção: acabamos de receber um boletim do Centro de Pesquisas Aleatórias de Liubliana.

Segundo o informe, o semi-árido nos arredores de Feira de Santana tem recebido forte concentração de eflúvios psicodélicos oriundos do deserto do Mojave.

Estudos in loco concluíram que estas vibrações, geradas e transmitidas pelas atividades da banda de stoner rock Queens of The Stone Age na região, são majoritariamente recepcionadas e retrabalhadas pelo quarteto stoner feirense Novelta.

Ciente do seu dever, a coluna o blog buscou o contato do vocalista, Wendell Fernandes, para saber... que barato é esse.

“A gente já fazia um som sujo no estilo americano, com pegadas de stoner e grunge. Aí pensamos que seria legal aliar essa estética  com a temática do sertão”, conta Wendell.

“Aí ficou isso, um som stoner do semi-árido. Assim como no deserto dos americanos, aqui também tem muito cascalho, poeira, gado morto”, diz.

Agreste rock

Com apenas um ano e meio de formada, a Novelta vem engrossar o nutritivo caldo da cena roqueira feirense, coalhada de bandas legais como os veteranos do Clube de Patifes, Tangerina Jones, SAL, Magdalene & The Rock ‘n’ Roll Explosion, Calafrio e muitas outras.

Wendell conta que essa cena começou a ser formar há coisa de dez anos, quando haviam dois núcleos de bandas embrionárias na cidade.

“Tinha a cena da Av. Getúlio Vargas, concentrada na lanchonete McRay. E a cena da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs)”.

“Na primeira tinha shows de bandas de Salvador, como Pitty e Ulo Selvagem e de bandas de Serrinha (centro metálico do interior). Lá gerou Calafrio, Tangerina Jones, a gente. A cena da Uefs é mais antiga e gerou o Clube de Patifes”, conta.

No momento, a banda só tem duas músicas registradas: Êxodo (com direito a um belo clipe) e Senta Poeira. Duas pauladas de fazer corar de orgulho as faces de Josh Homme.

“Estamos gravando um EP com seis faixas, o título vai ser Quintais Abertos. É a roça, não tem parede. E também suscita a questão da cena indie, que entra pela porta dos fundos da mídia. Se você faz coisas diferentes, tem um quintalzão para explorar. E vamos reafirmar esse conceito de misturar stoner e sertão. Um agreste rock”, conclui.

Há uns dois meses eles se apresentaram em Salvador, no Dubliner's Irish Pub. Em janeiro, a Novelta volta à cidade, para tocar na festa gratuita Mudernage (veja nueta abaixo).

www.novelta.com.br



NUETAS

Festa. Matinê. Free.

O esquema matinê é o canal. Ciente disso, a Falsos Modernos lança a  Mudernage, festa que deverá ser um dos points do verão. Nesta primeira edição, o DJ el Cabong completa a farra. Sábado, na área externa da Midialouca (Rua Fonte do Boi,  Rio Vermelho), 17 horas, grátis.

Ronei no Portela

Sábado também tem Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta (e convidados), no Portela Café. 23 horas, R$ 20 (antecipado ou na lista ronei@portelacafe.com.br), R$ 30 na hora. UPDATE 04.12: Convidados confirmados: Andrea Martins (Canto dos Malditos na Terra do Nunca), Giovani Cidreira (Velotroz), Vince de Mira (Radiomundi) e Lia Lordelo. Discotecagem: DJ Carol Morena (festa A Bolha).

Autoramas & Casca

O InsPire Music do Zen Dining & Music bota Autoramas com Cascadura e Ricardo Caian & Os Beduínos Gigantes na fita. Domingo, 17 horas. R$ 25 (antecipado), R$ 35 na lista@zensalvador.com.br ou R$ 40.

domingo, dezembro 01, 2013

ODISSEIA ESPACIAL REVISITADA

O livro 2001: Uma Odisseia no Espaço faz 45 anos e volta em edição especial como o próprio monolito negro, com conteúdo extra

"It was a bug, Dave". "Bom, então chama o rapaz da TI"!
Em 1968, um filme e um livro jogaram mais lenha na fogueira de revoluções por minuto que marcou aquele ano.

45 anos depois, pouco sobrou de tantos ideais. Mas aquele filme e aquele livro sobreviveram.

Para comemorar o quase meio século de espanto contínuo, a Editora Aleph lançou uma edição especial do livro em questão.

2001: Uma Odisseia no Espaço, de Arthur C. Clarke (1917-2008) , ganhou uma belíssima edição acondicionada em uma caixa adornada com o “rosto” do supercomputador HAL 9000 – um círculo vermelho com uma lâmpada no centro.

Quando se retira o livro da caixa, a surpresa: ele é uma réplica perfeita do misterioso Monolito Negro que dá início à trama, com capa, contracapa e  laterais em imaculado preto fosco – e  mais nada impresso.

Para completar, a edição traduzida por Fábio Fernandes tem o cuidado de incluir os dois contos do próprio Clarke nos quais livro e filme se inspiraram: A Sentinela (de 1951) e Encontro no Alvorecer (1953).

O lançamento traz ainda uma nota de Clarke escrita em 1999, in memoriam para Stanley Kubrick (1928-1999, diretor do filme 2001) e dois prefácios do próprio autor.

Um escrito no próprio ano de 2001 e outro da edição original. Uma verdadeira celebração.

Grandeza mítica

Na aurora do homem, a descoberta do porrete
Epíteto da chamada ficção científica hard – subgênero que leva a sério os detalhes técnicos e científicos, até por que o autor era formado em Matemática e Física – 2001 não foi um livro que gerou um filme.

Ambos foram criados quase que simultaneamente, ao longo de parte da década de 1960, por Clarke e Kubrick.

Tudo começou em 1964, quando Kubrick, ainda quente do sucesso de  Dr. Fantástico (1964), “iniciou sua jornada em busca do proverbial ‘bom filme de ficção científica’”,  nas palavras de Clarke.

Com a corrida espacial acelerada pela Guerra Fria, Kubrick não queria um filme que se tornasse obsoleto pelos fatos dos anos seguintes.

“O que eu quero é um tema de grandeza mítica”, disse ele, citado por Clarke.

Depois de entrar em contato com o escritor, o cineasta recebeu do primeiro uma pilha de seus contos. Kubrick gostou daqueles dois já citados.

E aí sugeriu a Clarke que, a partir daquelas ideias básicas, criasse um romance – o qual, por sua vez, seria a base para o roteiro do seu filme.

Digam o que quiserem de Kubrick, o homem não tinha pressa para criar suas obras-primas.

"Aproveita que a próxima loja de conveniência, só daqui a 100 mil anos-luz".
O resultado está no livro e no filme: duas obras abertas que dificilmente encontrarão a obsolescência e seguem firmemente encravadas no imaginário popular com seus ícones.

Livro versus filme

Um dos poucos escritores baianos que dedicam parte de sua produção à ficção científica, Mayrant Gallo leu 2001 e é categórico ao afirmar que o livro é “perene e intenso”.

Uma tentação é tentar comparar, no livro, o que no filme fica apenas sugerido – e quem já viu o filme, sabe que sugestão é o que não lhe falta.

Na verdade, a grande diferença entre livro e filme  é que o primeiro "explica" muito daquilo que a película deixa no ar, para ser  interpretado pelo espectador.

“O fato de o filme ocultar muito do que o romance expõe está, a um só tempo, na natureza do cinema e no estilo de Kubrick, que era, parodoxalmente, muito literário”, vê Mayrant.

“A FC tem, às vezes, o defeito de explicar demais. Todos os autores, em geral, padecem dessa falta de contenção. Kubrick, com seu olhar arguto, optou por uma trama mais metafórica”, diz.

Nada que tire mérito do livro. “Isso, no entanto, não nos faz prescindir do livro, que, em sua essência verbal, com descrições e análises de um mundo que ‘ainda’ nos é desconhecido, nos oferece horas e horas de prazer, diversão, conhecimento e imaginação”, conclui Mayrant.

Leia entrevista completa com Mayrant Gallo sobre 2001 aqui.

2001: Uma Odisseia no Espaço / Arthur C. Clarke / Aleph / 336 p. / R$ 54 / www.editoraaleph.com.br



EXTRA: 2001 E O PINK FLOYD

Diz a lenda que a banda Pink Floyd estava escalada para fazer a trilha sonora do filme, mas Stanley Kubrick não teria gostado. Em seu disco Meddle (1971), eles teriam gravado a faixa Echoes como trilha sonora para a sequência final do filme, Jupiter & Beyond the Infinite. Claro que todo mundo negou tudo até o fim. Leia mais qui sobre essa história. Abaixo, o vídeo com Jupiter & Beyond the Infinite e Echoes sincronizados.

Echoes - Pink Floyd 2001 Space Odyssey from Jordi Bou on Vimeo.