terça-feira, dezembro 06, 2016

RESIDENTE EM ESTOCOLMO, CONTRABAIXISTA BAIANO RUBEM FARIAS FAZ SHOW COM FILÓ MACHADO E ERIK SÖDERLIND NO SESI

Rubem Farias, foto de Paulo Rapoport
Pouco conhecido em sua própria terra, o contrabaixista e virtuoso baiano Rubem Farias é um vencedor na vida e na arte.

Na próxima segunda-feira, ele, que reside em Estocolmo, volta à cidade natal para uma apresentação especial com outros dois músicos de altíssimo calibre: o cantor e multi-instrumentista Filó Machado (de Ribeirão Preto - SP) e o guitarrista sueco Erik Söderlind.

O trio, acompanhado do baterista Victor Brasil e do percussionista Sebastian Notini, apresenta o espetáculo Triálogo – parte de um projeto de colaboração entre os governos​​ sueco​ e brasileiro. Além de Salvador, o show também rola no Rio de Janeiro e São Paulo.

A oportunidade de ver esses cinco grandes músicos juntos em um palco é rara e imperdível para os fãs do jazz.

Voltando ao Rubem, eis por que poucos aqui o conhecem: aos 10 anos, ele, a mãe e três irmãos subiram em um ônibus e foram morar em São Paulo, onde o pai já os aguardava.

"Eu comecei em Salvador com meu pai Áureo, ele tocava a guitarra na igreja, então eu fui pro baixo pra acompanhar ele, mas comecei estudar violão e baixo juntos. Quando percebi, já estava na bateria e no teclado, depois estudei um pouco de trompete, passei pelo trombone, mas sempre colocando o baixo como primeiro instrumento", conta.

“Mudei para São Paulo com a minha família em uma época que a situação financeira da minha família em Salvador estava muito difícil, meu pai desempregado resolveu tentar a vida em SP e viajou 6 meses antes. Conseguiu um emprego no primeiro mês, guardou dinheiro, alugou uma casa e mandou as passagens de ônibus para minha mãe e os quatros filhos. Fizemos uma farofa de galinha, nos despedimos dos familiares e amigos e fomos para SP. Isso em 1996 eu tinha 10 anos”, relata o músico.

Lá, o rapaz se aplicou e conseguiu estudar com alguns dos melhores professores da cidade, graças à sua vocação natural para a música.

Filó Machado, um talento que o Brasil precisa conhecer mais
"No ano seguinte, comecei aulas com um professor de guitarra em São Paulo, o Ricardo Miranda, que também tocava baixo. Dei minha bicicleta pra ele em troca de aula. Fiz dois meses de aula e no final do segundo mês ele devolveu minha bicicleta e me chamou pra tocar com ele. Então pude praticar muito mais, comecei fazer uns trabalhinhos de casamento, eventos das igrejas, até que esse professor me chamou pra fazer uma prova na ULM, antiga Universidade Livre de Música Tom Jobim. Fomos juntos fazer a prova pra tentar estudar lá. Eu tinha 13 anos, a fila do teste dava a volta no quarteirão subia o prédio até o quarto andar e só tinha 2 vagas. Chegamos cinco horas da manhã, entramos na fila que já era gigante. Eu vi que não era o melhor candidato ali, tinha vários músicos profissionais para fazer o teste, querendo estudar. Mas eu vi que eu era o mais novo da fila. Quando entrei na sala  estavam os professores Itamar Colaço, Izaías Amorim, Marinho Andreotti e a lenda viva do contrabaixo Gabriel Bahlis. Todos os professores me fizeram perguntas do tipo faça a escala tal, leia isso, o que é aquilo, o que significa isso. O Gabriel olhou pra mim e disse toca, eu toquei alguma coisa simples, e recebi um telefonema, que o Gabriel tinha me aprovado e que eu ia estudar com ele. Nesse dia, minha vida mudou, porque comecei a ver o meu sonho se tornar realidade pois aos 12 anos eu já tinha decidido ser músico profissional. Ainda tinha muita coisa pra superar, como por exemplo ter dinheiro para ir para as aulas conciliar com o horário da escola. Tive que começar trabalhar em uma padaria para pagar minha passagem no começo", relata.

Logo, começou a tocar em bandas e como músico de acompanhamento para grandes nomes, como o trombonista Bocato, o próprio Filó Machado e muitos outros no circuito jazz / MPB.

"Então conheci a banda RED, que foi minha primeira banda profissional. Aos 14 anos, gravei o primeiro single da banda, em seguida gravamos o disco que foi indicado ao Prêmio Tim de Música Brasileira, na final com 14 Bis e Roupa Nova. Comecei meus projetos de música instrumental e a me dedicar 200% a música e ao baixo. Aí veio a oportunidade de trabalhar com músicos importantes da cena instrumental brasileira. Trabalhei muitos anos com o trombonista Bocato, gravei dois discos dele. Filó Machado também me chamou pra banda dele e então eu comecei acompanhar com vários artistas em seguida. Tive a honra de fazer um lindo show com Gilberto Gil, Cidinho Teixeira, um grande pianista que vive em Nova York e o grande baterista Nenê no Bourbon Street, que também é uma das mais importantes casas de concerto do Brasil. Trabalhei muitos anos no Jazz Quartet do Bourbon Street e também junto com o lendário baterista Sérgio Della Mônica. E assim fui tocando com artistas do cenário pop, do cenário instrumental, do jazz, do funk, artistas internacionais e a vida foi me me testando e eu fui dando o meu melhor sempre. Até chegar onde estamos foi muito chão, muito aprendizado e muita gente pra agradecer", acrescenta Rubem.

Uma paixão em Estocolmo

Rubem e seu inseparável instrumento de trabalho
Em 2011, foi à Suécia e se apaixonou por uma local, Magdalena Strömgren. Rubem e Magdalena se casaram, foram morar em Estocolmo e tiveram um filho.

"Eu fui a primeira vez para Suécia em 2011 a trabalho e, resumindo, me apaixonei por Magdalena Strömgren e em seguida, pela cultura sueca. Desde então, passei a conhecer músicos maravilhosos e receber convites para fazer turnês pela Europa. A situação ficou de um jeito que já estava viajando quatro vezes por ano pra Suécia, mas em 2015 tudo mudou. Já estávamos morando juntos em SP quando eu e Magdalena recebemos a maravilhosa notícia que nosso pequeno Carl Jamie Thelonious Strömgren Farias estava a caminho, nosso primeiro filho. Então conversamos e ela se sentia melhor passar o período de gestação e os primeiros anos do nosso pequeno J na Suécia. Então ela foi na frente e eu terminei minha turnê aqui no Brasil, peguei um voo pro México pra fazer meu último show, que foi no Teatro Metropolitan com o maravilhoso cantor baiano Daniel Boaventura e, de lá peguei um voo pra Suécia, para onde tinha direcionado os trabalhos seguintes", relata.

"Quando saí do Brasil, os artistas que estava acompanhando eram Filó Machado, Mafalda Minozzi, Ana Cañas, Paulo Ricardo, Daniel Boaventura e participando de vários projetos da cena instrumental brasileira. Respirei fundo, levantei a cabeça me preparei para o inverno rigoroso e fui para a Escandinávia cuidar de minha família e trabalhar nessa região. O que deu super certo, o projeto que fiz com Steinar Aadnekvam e Deodato Siquir (Freedoms Trio) começou a viajar muito pela Europa por diversos festivais. Também começou a chegar mais e mais convites para turnês e shows, e em pouco tempo eu tinha que colocar na agenda o mês que não queria trabalhar para cuidar da família e do meu bebê, que chegou nesse tempo. Também conheci o grande guitarrista  que é o primeiro convidado do projeto A Música dos povos e a Linguagem do Jazz, Erik Söderlind", conta Rubem.

"Eu e o Erik tocamos juntos na Suécia, fizemos gravações. E com o Filó, são quase 10 anos tocando juntos. Eu, junto com Magdalena Strömgren, fizemos a produção musical do Brazilian Day em Estocolmo em agosto desse ano e levamos o Filó para tocar. Fiz o show com o Filó e o Erik assistiu e se apaixonou. Muitos suecos nunca tinham visto a música Brasileira do jeito que Filó Machado fazia, diversos músicos que já sabiam do Filó se encarregaram de espalhar que ia ter o show de um dos músicos mais importantes do Brasil. Então a praça lotou de músicos que queriam vê-lo, e foi lindo. Em seguida, gravamos o disco de uma super cantora que vive a muitos anos em Estocolmo, Deise Andrade, no qual o Erik participou junto com o Filó também. Pra completar o Sebastian Notini eu conheci no Brazilian Day. Ele fez uma participação no show da Fabiana Cozza, que eu também acompanhei e de lá pra cá mantemos contato. Sem duvida, ele é o sueco mais baiano que conheço. Sobre o Victor Brasil, pra mim vai ser uma honra tocar com esse super batera de uma família de músicos incríveis, que tanto orgulho dá pra nossa Bahia e o Brasil", elogia.

Erik Söderlind, foto Kenth Wangklev
“Nesse show em Salvador ouviremos composições de Filó Machado, de Erik Söderlind e minhas, junto com alguns standards suecos e também alguns standards que do repertório brasileiro. Tudo isso envolvido pelo jazz com a improvisação em forma de triálogo, onde as palavras são acordes e as frases são melodias ditas com diferentes sotaques. Eu e o Erik tocamos juntos na Suécia. Com o Filó, são quase 10 anos tocando juntos. Nesse encontro em Salvador, teremos a oportunidade de levar ao público todo o carinho que temos pela música de Filó Machado”, detalha.

Atento ao noticiário recente sobre o Brasil, Rubem faz um paralelo sobre o que vem acontecendo aqui e na Europa.

"A Suécia também vive um momento político e social bem complicado, assim como toda a Europa. Aliás, o mundo vive um momento político e social bem complicado, e sinto que, quando as pessoas de lá olham para o Brasil, eles entendem que, o que o Brasil está passando faz parte de um contexto de dimensões globais. É necessário enxergar além da cortina de fumaça, apelar pra inteligência e enfrentar os reais problemas, que são as contradições políticas e sociais em nosso país", conclui.

Rubem Farias & Erik Söderlind convidam Filó Machado em: Triálogo / Segunda-feira (12), 20 horas / Teatro SESI (Rio Vermelho) / R$ 50, R$ 25



NUETAS

Levante com Big

A banda Levante e o DJ BigBross são as atrações do Quanto Vale o Show de hoje. Dubliner’s Irish Pub, 19 horas, pague quanto quiser.

Tributo ao Casca

O pessoal que sente falta da Cascadura (e quem não?) pode curtir o Tributo ao Cascadura nesta  Quinta Combo. No palco, Du Txai & Os Indizíveis convidando Duda Spínola, Thiago Trad e Cadinho Almeida. Quinta-feira no Dubliner’s às 21 horas, R$ 10.

Cássio Nobre: sexta na Tropos
Cássio Nobre aos 20

Super instrumentista, o ex-Dois Sapos & Meio Cassio Nobre celebra duas décadas de música com show na Tropos Co. Em grande  fase, Cássio voltou recentemente de uma turnê de 120 datas de Norte a Sul do país, pelo Sonora Brasil do Sesc. No repertório, músicas dos seus quatro álbuns solo, mais convidados como Enio, Jorge Solovera e outros. Sexta-feira, 21 horas, pague quanto quiser. Pagando R$ 10, leve uma cerveja Sol. Pagando R$ 20, leve a cerveja e concorra ao sorteio de um instrumento do acervo do artista.

4 comentários:

Franchico disse...

Bem-vindos a uma nova era da escravidão e massacre:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN13V1MT?sp=true

Trabalhador terá de contribuir 49 anos para receber 100% da aposentadoria com reforma da Previdência

Franchico disse...

RIP Tangre Paranhos

Tecladista das bandas Folha de Chá e Sua Mãe.

Rodrigo Sputter disse...

puts...eu que fui desempregado a maior parte da vida, tou fudido...morrerei e não me aposentarei...vão dizer q o pt q quebrou o país...e tiveram que fazer isso...aliás, ouvi isso por aí...parabéns em quem votou na galera q escolheu essa coisa bacana...reelejam eles...

um amigo que era amigo do Tangre falou no zap isso...eu não lembro se conhecia ele de vista, mas vi aqui na net fotos dele...uma pena...novo...parece que tinha dois filhos pequenos...e pelo que vi o cara jogava sempre bola...tava em cima...não era uma pessoa ociosa, um cara novo...pelo que vi tava fazendo doutorado na ufba, o cara indo bem na vida, correndo atrás nessa vida dura e se foi...uma pena...que vá em paz.

sexta ou sábado morreu um outro cara que eu gostava muito, mas há anos que não via, Eg, não sei se vc conhecia, amigo de Brust e da galera da católica...novo tb, cara forte, não era gordo, nada disso...uma pena...e tanto fdp aí nesse universo...

Berenice Chaves disse...

OS INGRESSOS CUSTAM RS$ 50,00 (inteira), e R$ 25,00 (meia entrada)