quinta-feira, março 29, 2012

MILLÔR (1924-2012): JORNALISTAS E CARTUNISTAS BAIANOS LAMENTAM PERDA

Se, nas palavras de outro gênio brasileiro, "toda unanimidade é burra", Millor Fernandes era a exceção que confirmava a regra.

Por que só há dois tipos de pessoas incapazes de admirá-lo: os ignorantes e os canalhas.

Entre os humoristas, cartunistas e jornalistas baianos, não há quem não sinta sua perda.

Contemporâneo de Millor, o articulista Hélio Pólvora lamenta: “É mais uma figura de proa da minha geração que desaparece. Acompanho-o desde a época em que, na revista O Cruzeiro, ele se declarava licenciado pela Universidade Livre do Méier, e nos encantava com  sua irônica crítica erudita das mazelas nacionais”, diz.

Naturalmente, com o avançar da idade, Millor foi ficando mais amargo – algo que não passou despercebido: “Nos últimos anos, acentuou o desencanto. Havia no seu riso um travo de angústia”, notou Pólvora.

“Ainda assim, continuava a punir pelo riso. E sabia, também, rir de si mesmo – o que é fundamental.  Para mim, Millor sempre foi o melhor dos antidepressivos”, arremata.

Cartunista de A TARDE, o mineiro Cau Gomez esteve pessoalmente com ele em duas ocasiões e lembra com carinho e admiração do mestre.

A primeira vez foi em 1989. “Eu só tinha 18 anos e estava expondo em um evento de humor no Memorial da América Latina (SP). Ele me perguntou aonde eu tinha conseguido imprimir meu trabalho a jato de cera, algo que nem se usa mais. Millor não tinha medo de computador, numa época em que os artistas ainda tinham muito preconceito”, lembra.

Na segunda vez, já um artista premiado, Cau se encontrou com o humorista em uma recepção na casa de Jaguar (um dos fundadores do Pasquim).

“Fiquei muito impressionado com duas coisas: a intensidade do azul dos seus olhos e sua inteligência aguda. Ele ficou brincando com meu cabelo rastafari e explicando o que significavam as palavras rasta e  soteropolitano. Era uma inteligência superior”, afirma.

Cau lembra ainda um fato pouco citado sobre Millor: ele inventou o frescobol. “Teremos que fazer  um minuto de silêncio antes das  partidas de frescobol no fim de semana”, avisa.

Quem também relata uma história muito reveladora sobre Millor – o homem – é o jornalista baiano Gonçalo Júnior: “Não faz muito tempo, quando perguntaram ao Millôr o que ele achava de Ziraldo e Jaguar - colegas d’O Pasquim - terem conseguido indenização e aposentadoria como vítimas da ditadura militar, ele disse que, na época, lutava por idealismo, não por investimento numa caderneta de poupança”.

“Falamos muitas vezes por telefone e sempre me impressionou o raciocínio rápido que tinha, em tempo real, para fazer tiradas e trocadilhos. O humor era algo nato nele, não elaborava, vinha na lata, quase sempre genial”, conta.

Já o jornalista e poeta baiano Florisvaldo Mattos destaca o caráter múltiplo do artista: “Millor aliava o humor à filosofia, à arte e à literatura. Teve uma carreira extraordinária desde os tempos d’O Cruzeiro, com sua seção Pif Paf. Um cronista insubstituível, sempre presente nos momentos cruciais da vida nacional”, observa.

Quem também lamenta a perda é o  cartunista baiano Flávio Luiz, que destaca sua ironia fina: “Millor era biscoito fino para as massas, do tipo que não se pratica mais. O humor hoje é grosseiro, tipo Rafinha Bastos, Danilo Gentilli. Millor, não. Era preciso até uma certa bagagem para apreciá-lo. Ele era um filósofo que fazia humor”, conclui.

Matéria publicada hoje mesmo no jornal A Tarde. Aqui ela aparece não-editada.

7 comentários:

Franchico disse...

É engraçado essa mania de baiano em copiar / macaquear o que já é ridículo desde o nascedouro.

http://feirabook.com/

Um colega aqui diz que esse genérico feirense do Facebook foi comprado na Feiraguai...

Franchico disse...

Porra, adoro esse filme e esse elenco.

http://omelete.uol.com.br/cinema/anchorman-2-continuacao-de-o-ancora-vai-acontecer-e-elenco-esta-confirmado/

Se a continuação tiver metade da graça do primeiro flme, já é lucro.

Sério, já vi umas três vezes e é um dos filmes mais engraçados dos últimos dez anos. Meu filme preferido do Will Ferrel.

glauber guimarães disse...

millôr, um de meus heróis...e lá vai indo o século XX...

chicón, coloquei na rede o décimo ep da glauberovsky orchetra hoje.

http://glauberovskyorchestra.blogspot.com.br/

gostaria de marcar contigo, pra lhe entregar o dvd-r com tudo. mando email e a gente marca.

o link aí serve pra moçada toda dar uma vasculhada. abraço,
GLAUBER

Franchico disse...

Demais, essa: os caras do Omelete se vestiram como os persoagens de Mad Men para comentar o início da quinta temporada da série.

http://omelete.uol.com.br/videos/mad-men-Omelete-comenta-o-inicio-da-quinta-temporada/

Com direito a ternos, cigarros e Johnny Walker Black Label! Chiquérrimo!

Franchico disse...

Aí, galera! Domingão tem show de Alcione na Concha, hein! Quero ver todo mundo lá com um sorriso no rosto!

Com todo o respeito à Marrom, que é uma grande interprete do samba.

"Garoto maroto, outra vez... faz de mim, seu eterno brinquedo querendo brincar .... de amôôrrr, vem garoto maroto, outra vez...."

FODA!

osvaldo disse...

so para não deixar passar batido.foda-se o lugar comum.millor era genio.de verdade.e ele não morreu, sua obra sobrevive.

Ernesto Ribeiro disse...



"Quando o primeiro espertalhão encontrou o primeiro imbecil,
nasceu o primeiro deus."

Millôr Fernandes