quinta-feira, outubro 09, 2014

MICRO-RESENHAS, E DAÍ? VAI CHORAR, É?

Aquele toque beatle

O segundo álbum da banda pós-Oasis de Liam Gallagher vem com produção mais moderna  – no bom sentido – de Dave Sitek (TV On The Radio), mas sem perder aquele acento beatle que marca toda a carreira do guitarrista vocalista. Audição agradável, com um toque de estranheza. Beady Eye / BE / Sony Music / R$ 27,90









A honestidade do rock ortodoxo

Ortodoxa, a banda paulista Ted Marengos canta em inglês e pratica classic rock como se fosse 1974. Os estilos vão do hard rock ao folk. Há até uma releitura para Ohio, do Crosby Stills Nash & Young. Nada contra: antes uma cópia honesta à originalidade árida (ou chata, mesmo) da “nova” MPB pós-Los Hermanos. Ted Marengos / First Prints / Independente / Preço não divulgado









Vanguarda universitária

O segundo álbum do trio paulista O Terno até que começa legal, com o metabrega Bote ao Contrário e a psicodelia de O Cinza. Mas logo sucumbe a um certo experimentalismo universitário de dar sono. Pena, pois potencial não lhe falta. O Terno / O Terno / Independente / R$ 24,90 / Baixe grátis: www.oterno.com.br










Guitarra Made in Brazil

O veterano guitarrista Tony Babalu (ex-Made in Brazil) apresenta seis belos temas instrumentais neste álbum gravado ao vivo no estúdio. O som vai na linha jazz easy listening, com texturas suaves e solos melodiosos, como em Halley 86. Tony Babalu / Live Sessions at Mosh / Amellis Records / R$ 24,90









Um contrabaixo ao sol

O contrabaixista Zéli Silva sai da sombra do músico de acompanhamento e faz um elo álbum de jazz brasileiro com colaboradores de primeira linha, como Tatiana Parra, Chico Pinheiro, Arismar do Espírito Santo, Léa Freire e outros. Zéli Silva /  Una: Zéli Silva convida / Independente / R$ 24,90








Feminismo em cartuns

Cartunista e feminista até o osso, a alemã Franziska Becker finalmente é publicada no Brasil nesta bela coletânea que inaugura o selo de HQs Barricada, da Editora Boitempo. Mesmo com boa parte do material produzido nos anos 1970, ainda é bem atual. Política, moda, trabalho, religião, sexo etc em cartuns matadores. Último aviso / Franziska Becker /  Barricada/ 130 p./ R$ 49






Barroco, latino e asmático

Obra máxima do cubano Lezama Lima (1910- 1976), Paradiso é uma radicalização do barroco na literatura latina, no qual mais valem as imagens e sugestões literárias do que a trama em si. Esta, meio autobiográfica,  se desenvolve em torno de um idoso asmático às voltas com  suas muitas memórias e divagações. Paradiso / José Lezama Lima / Estação Liberdade / 612 p. / R$ 74






Noites sem dormir

O famoso relato multivocal e sem rodeios do underground novaiorquino entre os anos 1960 e 70 ganha nova edição em versão pocket em um único volume (a edição pocket anterior era dividido em dois). Das orgias na Factory de Andy Warhol às muitas noites sem dormir no CBGB’s, uma sequência de causos roqueiros às vezes hilariantes, às vezes  assombrosos e até tristes. Mate-me por favor / Legs McNeil, Gillian McCain / L&PM/ 464 p./ R$ 42






Assim ou Asimov?

Um dos maiores épicos da ficção científica, a trilogia Fundação saiu entre 1942 e 1953. A pedidos dos fãs, Isaac Asimov ampliou a mitologia da série nos anos 1980, com mais quatro livros: dois pré e dois pós-eventos da trilogia original. Este é um dos “pré”. Como tudo que Asimov fazia, é entretenimento com (muito) cérebro. Origens da Fundação / Isaac Asimov / Aleph / 408 p./ R$ 54







A odisseia de Homer. Não o Simpson.

O experiente autor infantojuvenil Luiz Antonio Aguiar arrisca narrara vida do autor grego Homero, autor de Ilíada e Odisseia. Como ninguém sabe direito da vida do homem, nem mesmo se ele realmente escreveu esses livros, Luiz solta a imaginação e cria uma grande aventura épica. Homero: aventura mitológica / Luiz Antonio Aguiar / Galera Record/ 248 p./ R$ 58







Só cantar  bem não é o bastante

Cantora de certo sucesso nos anos 1990, a canadense Sarah McLachlan oscila perigosamente entre a grandiloquência e a diabetes em seu novo álbum, Shine On. Ser dona de uma linda voz e senhora de técnica refinada nem sempre é o bastante. Sarah McLachlan / Shine On / Universal / R$ 29,90








Beethoven, bitch!

Patrimônio nacional, o pianista Nelson Freire executa aqui, sob a regência de Riccardo Chailly, o Concerto Para Piano nº 5 (Imperador) (não confundir com a 5ª Sinfonia, aquela do tchan-nan-nan-nan) e a Sonata Nº 32, de Beethoven. Não dá para ser melhor que isto. Nelson Freire, Riccardo Chailly / Concerto Nº 5 Emperor / Universal / R$ 29,90






Punkcreas rock

O segundo EP do quinteto local Pancreas traz  um rock despretensioso e debochado, com ênfase na boa interação entre a dupla de guitarristas. Destaque para Ela Gosta de Forró com cara de hit e a balada ginecológica Priscilla. Pancreas / Na Esquina / Independente / Baixe: soundcloud.com/pancreasrocknroll 









Madeira de dar em doido

O quarteto de violões Maogani presta belo tributo ao verter as obras para piano de Ernesto Nazareth (1863 - 1934) em arranjos para cordas. Tango brasileiro, polca, valsa e foxtrot em sofisticação erudita. Maogani / Pairando - Maogani interpreta Nazareth / Biscoito Fino / Preço não divulgado








800 páginas para te convencer a ter juízo

Muito já se estudou sobre as religiões, suas fundações, contradições, massacres. A descrença, contudo, é pouco pesquisada. Aqui, o historiador Georges Minois busca preencher a lacuna, indo desde a Antiguidade Clássica até o Século 21. Com quase 800 páginas, pode-se dar a missão como cumprida. História do Ateísmo / Georges Minois / Editora Unesp/ 762 p./ R$ 84/ editoraunesp.com.br






Pantera, vista do baixo

Uma das bandas que renovaram o heavy metal nos anos 1990, a texana Pantera teve fim abrupto (e definitivo) quando o guitarrista Darrell Dimebag Abbott foi abatido a tiros em pleno palco, em 2004 (durante um show de sua banda Damage Plan). Neste livro, a história da banda é contada pela visão do baixista Rex Brown. Drogas, sexo, caos absoluto etc. Verdade Oficial: nos bastidores do Pantera / Rex Brown e Mark Eglinton / Ideal / 288 p./ R$ 39,90/ edicoesideal.com








Ato final

O sexto e último EP da banda Orange Poem traz Teago Oliveira (Maglore) nos vocais em três faixas sombrias e de acento prog rock linha Pink Floyd – com direito a homenagem. Experimento  interessante, vale ouvir. The Orange Poem / Crowd / Independente / Baixe: elmirdad.blogspot.com.br









A Augusta vive

Um raro representante do (hoje combalido) rock paulista que soa interessante, o quarteto Inky mistura indie rock, eletrônica e a velha new wave em um som ao mesmo tempo energético e climático. Ouça: Echoes in The Groove e Massive. Inky / Primal Swag / Independente / Preço não divulgado









Já ouviu? Já.....

Crispim Soares é um quarteto indie rock moderninho de Blumenau e este é seu primeiro álbum. Acrescenta pouco ao que já se ouviu nessa seara já tão batida, mas mantém a aura cool nas faixas O Leão e Sobrenome. Crispim Soares / Algumas Pessoas Dançam / Preço não divulgado / crispimsoares.com









Sempre teremos Paris?

Uma série de assassinatos estranhos na Paris da Belle Epóque levam o livreiro Victor Legris a investigar o que, afinal, está acontecendo. Premiado, este romance é elogiado não só pelo mistério e suspense, mas também pela ambientação caprichada, por captar o clima da Cidade Luz. Assassinato na Torre Eiffel / Claude Izner / Vestígio/ 256 p./ R$ 29,90/ grupoautentica.com.br







Diversão ectoplasmática

O escritor Claudio Blanc selecionou e adaptou 13 contos de assombração clássicos. Tem Lovecraft, Maupassant, Stevensson, Tchekov, Le Fanu, Conan Doyle, Yeats e claro, Poe. As ilustrações macabras de Kako ajudam a criar o clima. Para ler nas noites de chuva.Avantesmas: 13 histórias clássicas de fantasmas / Claudio Blanc e Kako Autêntica/ 208 p./ R$ 39/ grupoautentica.com.br






Há quem não goste

Deus da soul music sensual mas nunca vulgar, Reverendo Al Green tem essa coletânea de 1975 lançada no Brasil. Ou seja: é só o filé. Citar faixas é até covardia, mas estão aqui Let’s Stay Together, Love And Happiness, Tired of Being Alone etc. E ainda tem gente que ouve MC Guimê. Lord have mercy! Al Green / Greatest Hits / Deck / R$ 29,90







Moz preocupado

Cinco anos desde o último álbum de inéditas, e eis o Príncipe da Dor e da Discórdia de volta ao seu ofício. Em 12 faixas, uma geral na geopolítica (World Peace...), na barbárie (Istanbul) e nas prisões irlandesas (Mountjoy). Moz está preocupado com o mundo, gente. Morrissey / World Peace Is None of Your Business / Universal / R$ 29,90







Dupla esquecida

Hoje meio esquecida, dupla Luhli & Lucina já teve canções gravadas por grandes nomes da MPB. Neste belo tributo, o cantor Dhenni Santos e seu vozeirão grave recuperam 20 composições (há inéditas) em arranjos prefrentex. Bonito. Dhenni Santos / Pedra de Rio: A Obra de Luhli e Lucina / Mills / Preço não divulgado








As duas únicas coisas

Vovó já dizia: as únicas coisas certas na vida são a morte e os impostos. Os últimos ainda se pode (mas não se deve) sonegar. Já a morte... Neste livro fofo, a morte, de vários pontos de vista. Se você é um dinossauro, todos os seus amigos estão mortos. Se você é uma fita cassete, todos os seus amigos estão ultrapassados - e assim por diante. Todos meus amigos estão mortos / Avery Monsen e Jory John / Ideal/ 96 p./ R$ 19,92/ idealshop.com.br




O terceiro episódio

Comparada por Arthur C. Clarke (2001: Uma Odisseia no Espaço) ao Senhor dos Aneis de Tolkien, tamanha a sua grandiosidade, a saga Duna, de Frank Herbert tem seu terceiro volume lançado. Nove anos após os eventos de O Messias de Duna, os filhos de Paul Atreides vivem sob o jugo de sua tirânica tia. FC épica, de tons ecológicos. Filhos de Duna / Frank Herbert / Aleph/ 432 p./ R$ 54/editoraaleph.com.br

 





O rei da comédia farsesca

A mais famosa peça de Oscar Wilde (1854-1900) é uma comédia farsesca que, como tudo  mais que ele fazia, evidenciava o jogo de aparências e as frivolidades da aristocracia e da alta sociedade. Muitas de suas frases mais famosas estão aqui, como “Estou enjoado de tanta inteligência. Todos hoje são tão sagazes. (...) Como eu gostaria que ainda restassem alguns imbecis”. A Importância de Ser Prudente / Oscar Wilde / L&PM/ 104 p./  R$ 16,90/ E-book: R$ 11,90/  lpm.com.br

terça-feira, outubro 07, 2014

TOCO Y ME VOY, DE SALVADOR, NÃO TEM SOTEROPOLITANO, MAS TEM SANFONA E RODA O MUNDO

Toco Y Me Voy. Foto: Ariano de Luccia
Na ativa desde 2011, o quarteto Toco Y Me Voy tem rapidamente se tornado uma das bandas preferidas da rapaziada que todo fim de semana faz o circuito alternativo do Rio Vermelho, entre o Commons, o Dubliner’s e o Portela Café etc.

Faz sentido ao se ouvir as faixas que a banda já soltou em um EP: de espírito livre, a Toco Y Me Voy não é rock, não é MPB, não é música regional e ao mesmo tempo tem um pouco de tudo isso em sua receita sonora, bem ao gosto da rapaziada que hoje está na casa dos 20, 30 anos.

À frente do grupo está o sergipano de Aracaju Thiago Ribeiro (voz, guitarra e bandolim), que admite: “Eu tava de saco cheio do rock queria uma concepção diferente”, conta.

Ao lado do baterista argentino Andrés Cisilino, Thiago recrutou Daniel Neto (de Ilheús, no acordeom e escaleta) e Gustavo Marimbá (de Florianópolis, no baixo).

Ou seja: uma banda soteropolitana na qual ninguém é de Salvador.

“Pois é, deu uma liga nisso. Eu moro aqui há 20 anos e o Andrés está no Brasil há muito tempo. Nos conhecemos na Escola de Música da Ufba, onde fomos colegas”, conta.

Aracaju, Floripa, Itália

Toco Y Me Voy em Roma. Foto: Ariano de Luccia
De um ano para cá, a Toco Y Me Voy começou a rodar mais.

“Já fizemos muitos shows por aqui, tocamos em Sergipe algumas vezes e em Floripa fizemos dez shows. E era para ser só uns dois, de tão boa que foi a recepção lá. Acho que eles tem mais familiaridade com essa textura de som que a gente faz. No quarto ou quinto show já tinha gente cantando junto”, relata.

E em setembro agora a trupe invadiu o sul da Itália no festival Brasilicata Tour, que botou um monte de músicos brasileiros para tocar pelas cidades da região da Basilicata (Nápoles, Maratea, San Paolo Albanese etc).

De Salvador, a cantora de reggae Soraia Drummond (já vista na coluna) também foi lá.

“Marcou demais. Foram  sete shows. Eles disponibilizaram um furgão com todo o equipamento e roadies. A gente só entrava no carro e ia tocar. Foi maravilhoso”, conta Thiago.

“Inclusive, só fomos por que fomos aprovados em um edital de mobilidade artística da Secult, que disponibilizou o dinheiro das passagens. Sem isso, não teria rolado”, agradece.

Agora, a banda prepara mais um EP e planeja voltar a Florianópolis e à Europa, para os festivais da temporada  2015.

Neste sábado, o quarteto se apresenta no Dubliner's, com outro expoente dessa nova cena local de MPB jovem: Kalu.

Toco Y Me Voy e Kalu / Sábado, 23 horas / Dubliner’s Irish Pub / R$ 15

Ouça: www.tocoymevoy.com.br


NUETAS

Billic Roll,  Cobra City

As bandas Billic Roll e Cobra City abrem o mês de outubro do projeto Quanto Vale o Show?, no Dubliner’s. A partir das 18 horas, pague quanto  você acha que vale. Ainda vai ter hip hop e Eduardo Cachaça, se ligue.

Nelsons no Pelô

Os Nelsons, celebrada  banda de Paulo Afonso, faz show de lançamento do EP  Gravidade no Largo Pedro Archanjo (Pelourinho), com abertura de TrapFunk & Alívio, mais  Mr. Armeng e Vandal participando. Sábado, 20 horas, R$ 5 e R$ 10.

Agora vai, Van?

Anunciado nesta coluna semana passada, o show das bandas Van Der Vous, Teenage Buzz e Mapa seria sábado passado no Dubliner’s, mas acabou sendo transferido para este sábado, dia 11. 18 horas, R$ 5.

Inventura cá e em Feira

Inventura, banda bacana de Alagoinhas vista há poucos meses por aqui faz uma série de shows para lançar seu primeiro álbum. Depois da cidade natal e Vitória da Conquista, o quarteto chega à Feira de Santana (sábado, no Antiquário, com Os Jonsóns e Insert a Coin) e Salvador: domingo, 16 horas, no Espaço Cultural Dona Neuza, com  Irmão Carlos & O Catado e A Flauta Vértebra, grátis.

domingo, outubro 05, 2014

EDUARDO CACHAÇA VOLTA AO CIRCUITO COM GRAVAÇÃO DE DVD E SHOWS COM NOVA BANDA

Eduardo Cachaça: um brinde! Fts: Emerson Borba
Lorde de Villas do Atlântico, orgulho de Lauro de Freitas, o cantor e compositor Eduardo Cachaça (ex-Movidos a Álcool) comemora a gravação do seu primeiro DVD, viabilizado através de um edital da Secretaria de Cultura da cidade vizinha.

Principal nome do rock brega em terras baianas, Cachaça inaugura nova fase em sua carreira, assumindo todo o repertório da antiga banda e ensaiando uma volta ao circuito alternativo com banda de acompanhamento após alguns anos vivendo de voz e violão em barzinhos de Lauro de Freitas.

“Sim, é um reencontro com o alternativo. Aquele  velho dilema, né?”, ri Cachaça.

“O lance é que voltei a ensaiar de maneira mais focada, com uma banda enxuta: baixo, guitarra e bateria”, conta.

A ideia de retomar a carreira autoral ganhou impulso ao ser contemplado em edital: “Demorou oito meses para o recurso sair, mas saiu. Então vamos fazer quatro shows em locais inusitados para a comunidade,  pessoas que não costumam ter acesso aos shows”.

“Vamos tocar na  CAPS (Centros de Atenção Psicossocial)  e em bairros da  periferia de Lauro, como Jambeiro. O legal é que isso gera mais convites para shows, como na  Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos de Lauro de Freitas (APADALF)”, acrescenta Edu, feliz.

O auge dessa leva de apresentações será no dia 12 de outubro, quando o cantor gravará seu primeiro DVD.

Debaixo da amendoeira

Edu quer VOCÊ na gravação do seu DVD
“Quando você pensa em gravação de DVD imagina 100 mil pessoas, iluminação a laser e dançarinos no palco. Comigo não tem nada disso. Vamos gravar no chão, no estacionamento do Bença Gastro Bar, em Villas do Atlântico”, avisa Cachaça.

“Não tem grandiosidade, essa não é a minha. Serei eu, meus três músicos, convidados e uma equipe de vídeo e áudio. Tudo muito simples, debaixo de uma amendoeira. Mas a sonorização vai ser de primeira”, descreve.

"A ideia é registrar meu show e fazer de maneira diferente. Até pensamos no Teatro Municipal, mas isso é tão comum, né? Aí resolvemos fazer na rua, com o movimento dos carros passando e tudo. Vou usar meu figurino e tal, mas tudo sem frescura", continua.

O show contará com três convidados: a cantora Elaine Fernandes, Belvis (antigo parceiro de Cachaça no Movidos à Álcool) e Onofre, o argentino do arrocha.

“Inclusive vamos tocar uma música nova chamada Love de Mim, que lembra muito o clima do Pablo. É o primeiro arrocha-rock da história”, ri.

"De tanto brincar com isso, com essa linguagem que mistura rock com brega, fazemos algumas misturas (mash-ups), como cantar uma música do Nirvana com letra do É o Tchan. Na verdade, não é uma musica a sério, está mais para um número em um espetáculo, uma descontrução. É Polly com Pau que Nasce Torto", conta.

"Também peguei a letra de Fiorino, de Gabriel Gava e meti em Stairway to Heaven. Alguns roqueiros mais ortodoxos ficam chateados, mas é brincadeira, né? Também fiz uma versão de Learning to Fly, do Foo Fighters e fiz Lúcia, uma música brega", acrescenta.

Em breve, ele também pinta pelos palcos do Rio Vermelho. "No dia 28 de outubro eu vou estar no Quanto Vale o Show, projeto de Rogério Big Bross no Dubliner's. E estamos vendo outros bares do Rio Vermelho para outras apresentações. Quero voltara  frequentar a cena alternativa. Aonde aparece, eu toco. Para qualquer público", garante Eduardo.

"Não quero me limitar. E eu gosto de estar em contato com o pessoal do rock. Inclusive, o pessoal da Pastel de Miolos me convidou para fazer alguma coisa com eles. Aguardem", avisa.

www.facebook.com/eduardo.cachaca


quinta-feira, outubro 02, 2014

COM A BOCA ARREGANHADA CHEIA DE DENTES ESPERANDO A MORTE CHEGAR

A Morte de Ivan Ilitch, obra-prima de Tolstói ganha adaptação em quadrinhos

Filão de mercado bastante rentável às editoras, as adaptações de clássicos da literatura para os quadrinhos não dão sinal de enfraquecimento, chegando com rara regularidade às livrarias.

Uma das mais recentes é A Morte de Ivan Ilitch, uma das principais obras de Liev Tolstoi.

Quem sabe qualquer coisinha de literatura russa tem consciência do peso, da dificuldade da tarefa. Literatura russa em geral – e Tolstói em particular – não são para principiantes.

Seus textos são densos, extensos e apontam para diversos níveis de leitura, além de, como no caso de  A Morte de Ivan Ilitch, tratarem de temas da pesada. Neste caso, da morte.

Delegada ao quadrinista Caeto (paulista de Assis), a adaptação atinge resultados até melhores do que seria de se esperar, dada a dificuldade.

Considerada pelo cânone literário como a novela mais perfeita da literatura mundial, A Morte de Ivan Ilitch (1886) é obra de destaque em meio aos outros trabalhos de Liev Tolstói (1828-1910), aquele sujeito que escreveu “apenas” alguns monumentos da cultura universal, como Guerra e Paz (1869) Anna Karenina (1877).

Em Ivan Ilitch, Tolstói narra a história do personagem título: um sujeito comum, juiz de instrução bem sucedido, que cai enfermo e, de um dia para o outro, vê-se definhar e morrer aos poucos.

Enquanto agoniza, deitado em seu quarto, Ivan rapassa toda a sua vidinha medíocre de burocrata e se confronta com o fato de que vai morrer – e até com a própria ideia de morte. Como já se disse, uma leitura “leve” para o fim de semana.

Perturbadora, a narrativa de Tolstói se passa quase que inteiramente na mente de Ivan Ilitch, que, apesar de ser um homem de família, casado e com filho, vê-se solitário na escuridão do seu quarto, remoendo suas memórias e dando-se conta de sua insignificância.

Exercício vão

Nas mãos de Caeto, a obra de Tolstói ganha em certo dinamismo. O quadrinista, premiado pela sua obra autobiográfica Memória de Elefante (2010, Companhia das Letras), demonstra cancha na decupagem do fluxo de memória de Ivan Ilitch, com seu traço mezzo expressionista em preto & branco.

O problema da adaptação de   A Morte de Ivan Ilitch em quadrinhos é a mesma de quase toda adaptação: até que ponto ela é válida como obra por si? Ela se sustenta?

Por que, vamos ser francos: uma coisa é adaptar uma rotina aventuresca, como A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, ou a ficção científica vintage de Julio Verne, obras cinemáticas desde o seu princípio, dadas à incendiar a imaginação do leitor em cenas de correria, lutas e buscas em cenários exóticos.

Já  A Morte de Ivan Ilitch é algo inteiramente diferente. Traduzir em imagens sequenciais o mergulho memorialístico-filosófico de um homem que, em seu leito de morte, se dá conta de sua mediocridade, é como querer engarrafar a luz do sol: um exercício vão.

Apesar disso – e dos enormes blocos de texto que por vezes truncam a leitura –, Caeto está de parabéns. Ao menos, pelas suas mãos, muitos que jamais leriam uma obra de Liev Tolstói terão aqui seu  primeiro contato com o gênio russo.

A morte de Ivan Ilitch /Liev Tolstói, Caeto / Tradução: Boris Schnaiderman/ Editora Peirópolis/ 80 p./ R$ 39

terça-feira, setembro 30, 2014

MULTI-INSTRUMENTISTA E FUNDAMENTAL

Residente em São Paulo, o músico baiano Ordep (ex-Utopia e Lampirônicos) lança primeiro CD solo

Ordep Lemos em 2014. Foto Dadá Jaques
Para ser interessante e saudável, um bom cenário cultural se alimenta de gente criativa, inquieta, incansável e versátil.

O músico baiano Ordep Lemos reúne todas essas qualidades – e o fato dele viver em São Paulo desde 2006 nos diz muito sobre o cenário musical de Salvador.

Multi-instrumentista, Ordep é nome fundamental no desenvolvimento da cena roqueira local desde a década de 1980, quando foi um dos fundadores da banda Utopia, uma das melhores da cidade no período.

Entre os anos 1980 e 90, Ordep passou por bandas importantes para o rock baiano, como a própria Utopia, Treblinka, Saci Tric, Orelha de Van Gogh e, finalmente, Lampirônicos, com a qual atingiu notoriedade nacional e excursionou pelo Brasil e Europa em diversas ocasiões.

Agora, depois de oito anos morando e trabalhando em São Paulo – inclusive como baterista de Kiko Zambianchi por seis anos –, Ordep dá vazão ao material que veio criando durante todo esse período no seu primeiro álbum solo, autointitulado.

Ordep, o disco, é um prosseguimento fidelíssimo ao seu trabalho em suas bandas mais tardias, como Orelha de Van Gogh e Lampirônicos: pesado e sacudido, com o pé no terreiro e a cabeça no mundo, dialogando forte com a tradição afrobrasileira e o rock mais moderno.

Ordep ao vivo em SP. Foto por Ricardo Maizza
“Venho com esse trabalho desde 2006, quando  vim em definitivo para São Paulo. Já tinha umas três músicas, aí fui lapidando e compondo com Tony Alves, meu produtor”, conta Ordep.

“Olha, tô bem satisfeito e feliz, por que  não é fácil conseguir apoio para um trabalho como esse. Rolou  via edital do PROAC (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo), com patrocínio da Ambev”, relata.

No disco, Ordep expressa sua visão do mundo, sua fé na religião de matriz afrobrasileira e também um pouco de sua vida em letras de teor autobiográfico.

“Falo um pouco de preconceito, e não só religioso. Falo de problemas sociais e da minha trajetória de vida, minha chegada em São Paulo“, conta.

"Comecei aqui em SP com o MATA (Música, Atitude e Arte), com Anderson Costa e Marcelo Magal, baixista do Biquíni Cavadão, que toca comigo desde o início do projeto. Já foram da banda Surto e do Rodox. Aí venho com essa galera fazendo alguma coisa desde ensaios e pré-produção de algumas musicas. Magal tem um estúdio em Perdizes e aí surgiu a oportunidade do edital. Só que eu nunca me imaginei mesmo fazendo todas essas músicas sozinho, eu nunca pensei em carreira solo, botar meu nome na frente. Mas aí apareceu essa oportunidade desse edital que exigia que o projeto fosse de artista solo. Aí eu assumi a frente do projeto", detalha.

"Eu sempre vivi de musica, tinha um estúdio em Ondina. Só que o que eu gosto mesmo é palco. Tocar, viajar, ensaiar, compor. Mas tava muito difícil de viver disso por aí", relata.

"Mesmo com os Lampirônicos, que teve uma projeção, fomos para grandes festivais na Europa, com todo muando ansioso com o sucesso da banda... e não aconteceu. Fiquei muito desgostoso de um cenário assim. Salvador não tem essa estrutura que SP tem, de poder viver de música. Tudo acontece aqui, tem tudo aqui. Salvador continua muito restrita para bandas que não são do circuito da axé music. Aqui, assim que cheguei, comecei a tocar com Kiko Zambianchi. Toquei sete anos com ele e há dois anos entrei nessa produtora de áudio, aonde tenho contato diário com todos os instrumentos que eu toco: bateria, baixo guitarra, violão, e já aprendi até o ukulele com os jobs (trabalhos) que aparecem", continua Ordep.

Ordep no Treblinka (2º à esq.). Fonte: bandatreblinka.blogspot.com.br
Desde criancinha

Nascido em 1971, este soteropolitano começou na música ainda menino.
“Desde criancinha, mesmo. Meu pai fala que desde os dois ou três anos eu já acompanhava qualquer música no ritmo certinho. Aí ele começou a me incentivar, me  dava tamborzinho, sabe?”, conta.

Aos cinco anos, ganhou seu primeiro violão. Como era muito pequeno, o pai lhe deu um cavaquinho.

Aos 11, começou a estudar em escolas de música e foi numa dessas que conheceu Robertinho Barreto, seu futuro parceiro nos Lampirônicos.

“Aí vi o AC/DC no primeiro Rock in Rio. Pirou o cabeção, né?”, ri.

Logo estava formando banda com amigos. “Peguei uma guitarra e uns amigos deixaram um baixo e uma bateria lá em casa por uns três anos. Aprendi tudo junto, ao mesmo tempo”, diz.

Já em 1986 formou a Utopia com o hoje professor de arquitetura André Lissonger. Em 1989, com a antológica coletânea em LP Rock Conexão Bahia lançada, a música Nosso Tempo tocou bastante em rádios.

"Comecei o Utopia com André Lissonger. A gente formou a banda em um show da Plebe Rude no Teatro Vila Velha, em 1986. Foi aquele papo: 'eu curto rock', 'eu toco guitarra', 'vamos fazer uma banda', 'vamos'. Uma semana depois começamos a compor junto. Eu com uns 14 para 15 anos. Gravei no Rock Conexão Bahia com uns 17 anos. Nessa época, o jabá não era tão forte, e tinha uma galera de rádio que ajudava. Na época, era uma emoção absurda ouvir sua música tocando na rádio”, conta.

“Era legal demais, a galera cantava as músicas, os shows lotavam, cara”, lembra.



"Mas gravei com um monte de gente, vivia tocando em gigs e gravando. Na verdade eu já tocava na Treblinka também. Gravei cinco musicas minhas no (clássico álbum em LP) Indução Hipnótica (1990) do Treblinka, que teve várias formações. Na última, eu cantava e tocava guitarra. Aí depois acabei a Treblinka e toquei na Orelha de Van Gogh com Dadá Jaques, Ricardo Fasani e Iuri Bonebreaker. Foi meu ultimo trabalho nesse período que eu encabeçei. Nesse meio tempo entrei no Saci Tric, que ensaiava no meu estúdio e gravei o disco Ao Vivo No Teatro XVIII. Ai veio Vince e me chamou para O Cumbuca eu entrei também. Era Orelha, Saci e Cumbuca, três bandas ao mesmo tempo. Foi quando Betinho e Bau me convidaram para fazer o projeto do Lampirônicos. O esqueleto foi todo projetado no meu estúdio", narra Ordep.

Lampirônicos original, com Ordep (1º esq.) e Roberto Barreto (penúltimo à dir.) 
"É estrada, né? Hoje vou muito pouco a Salvador, infelizmente. E quando vou, é na correria. Fico sabendo daí pelos amigos e redes sociais. Tem a Maglore, que tá aqui em SP. Gostei do trabalho deles e tudo, achei bem feito. Um pouco Los Hermanos e tal, mas é isso aí. A Cascadura veio pra cá há alguns anos, passou um tempo. Gosto bastante. Vejo que tem esses espaços novos aí, o Irish, o Portela, o Commons. Mas não sei como está a coisa do público, se a galera consegue viver disso. Acho que isso ainda não rola, né?", pergunta-se.

No fim da década de 1990, reuniu-se com o velho amigo Robertinho Barreto nos Lampirônicos, banda com a qual gravou dois álbuns em gravadora major (Sony) e rodou o mundo.

Infelizmente, nem com toda essa moral, Salvador foi capaz de absorver a banda.

“Foi basicamente desânimo”, conta Ordep. “A Sony também abriu mão da banda, alegando prejuízos com a pirataria, que era muito forte na época, mas o clima entre os membros também já não era bom”, lembra.

Depois de um ano em São Paulo, a banda volta a Salvador e toma um balde de água fria.

Lampirônicos com Vince à frente. Ordep é o penúltimo a esquerda
“Passamos um ano em SP. No fim desse ano, tava todo mundo doido para voltar pra Bahia. A banda não tava gerando tanta atividade assim. Começamos a ficar preocupados com a questão financeira, até por que era a Sony que bancava o aluguel. Como não aconteceu como achamos que ia acontecer, isso abalou o grupo. Aí a volta para Salvador deu uma esfriada. Niquima saiu, Vince entrou e ainda fizemos duas turnês pela Europa com ele. Deu uma levantada no astral, mas aí voltamos para Salvador e nos vimos tocando nos mesmos lugares, sem possibilidade de crescer. Sem querer voltar para o Rio e São Paulo, ficamos meio acomodados. Aquela vontade mesmo de botar para frente desanimou. Foi saindo um, depois outro, eu saí. Ainda durou um tempo com Roberto e Vince. Quando Robson (de Almeida, percussão) saiu, eu disse: 'Bicho, acaba logo isso aí'. Já não tem quase ninguém da formação original, a proposta já tinha acabado. Aí a banda finalmente acabou”, relata.

Hoje, Ordep é um músico muito bem sucedido: trabalha em uma das maiores produtoras de áudio de São Paulo. “Amo meu trabalho, mas o que eu gosto mesmo é de palco”, diz.

Em tempo: no dia 29 de novembro Ordep e sua banda aportam na city para um show de lançamento do seu álbum, no palco do Teatro Acbeu (Corredor da Vitória).


Experiência que faz a diferença

O baiano Ordep (Utopia, Lampirônicos) surpreende em belo álbum solo que soa coerente com sua trajetória e aponta novos caminhos entre o rock e as sonoridades afro brasileiras. Peso e suíngue (Eu Vou Pro Mato, Crer Para Ver), mas também belas melodias (Alafiá, E Você). Ordep / Ordep / Comando S / R$ 20,90. Link Tratore. Ouça no Deezer: http://www.deezer.com/album/8235662

quinta-feira, setembro 25, 2014

MICRO-RESENHAS VIRADAS NO ESTUPOR

Sidney tremeu

Muito antes de estourar mundialmente e engordar a formação com um monte de músico contratado, o The Black Keys se resumia a dois caras num palco: Dan (guitarra) e Patrick (bateria). Neste DVD ao vivo de 2005, eles quebram tudo  em um teatrinho de Sidney. Showzaço de rock ‘n’ roll: cru e na veia. The Black Keys / Live / Deck /  R$ 43,90














Olhando para frente, sem esquecer o passado

Cheio de guéri-guéri, ligeiramente desequilibrado, prodigioso: em seu segundo álbum solo, Jack White chuta o balde com força em várias direções, acertando quase sempre. Seu grande mérito é levar o rock  adiante: respeitando o cânone, mas com ousadia e irreverência. Jack White / Lazaretto / Sony Music / R$ 24,90









A grande inauguração do gran piano

Pianista referência da música brasileira, Antonio Adolfo inaugura aqui o gran piano adquirido pela Deck Disc para equipar seu estúdio recém- reformado. O resultado é encantador, com o mestre demonstrando sua imensa musicalidade em repertório de clássicos da MPB. Uma aula. Antonio Adolfo / O piano de... / Deck / R$ 29,90









Cantando, brincando e aprendendo

A violonista virtuose e cantora Badi Assad investe na música infantil e cria belíssima coleção de canções cheias de ternura, que educam divertindo. A ideia do CD é retratar um dia em casa, com canções sobre acordar, escovar os dentes, comer e claro, brincar. Badi Assad / Cantos de Casa / Tratore / R$ 25,90








Pivete interdimendional

Primeiro volume de uma trilogia, esta série de Neil Gaiman (Sandman) e Michael Reaves acompanha as aventuras de Joey, um garoto que consegue se perder até dentro de casa. Um dia, Joey descobre que é capaz de andar entre dimensões e mundos paralelos. Claro que alguém vai persegui-lo por isso. Entremundos / Neil Gaiman e Michael Reaves / Rocco Jovens Leitores / 248 p. / R$ 29,50 / rocco.com.b






O domínio do comércio e seus resultados

Muito citado, o trecho mais interessante do soneto que se inicia com “Triste Bahia! Oh quão dessemelhante” é assim: “A ti tocou-te a máquina mercante / Que em tua larga barra tem entrado / A mim foi-me trocando e tem trocado / Tanto negócio, tanto negociante”. Como se vê, a Bahia não muda. Gênio. Reunião de poemas / Gregório de Matos / BestBolso / 240 p. / R$ 18 / record.com.br







Indígena e naïf

Iara, a poética mãe d’água, quem diria, tem uma história de origem bem trágica, envolvendo fratricídio. Nesta HQ de traços ligeiramente naïf e colorido encantador, o quadrinista Silvino confere à narrativa um ritmo ágil e moderno, partindo de nosso bom e velho folclore indígena. A Iara: Uma lenda indígena em quadrinhos / Silvino / Nemo / 56 p. / R$ 42 / editoranemo.com.br







Paixonei. E agora?

Casal rico e entediado no campo recebe a visita de outro casal, mais jovem e espevitado. Um dos maiores clássicos do romantismo, aqui Goethe se inspirou em sua própria e atribulada vida sentimental. Um tratado sobre a inevitabilidade das paixões. As Afinidades Eletivas / J. Wolfgang von Goethe / Penguin - Companhia/ 328 p./ R$ 29/ E-book: R$ 20,50/ companhiadasletras.com.br







Agora com a galera da TV

Terceiro livro da celebrada série de HQ e TV, aqui finalmente aparecem seus personagens mais famosos (Rick, Michonne etc). Dividida em duas partes, conta sob outra ótica, a queda do terrível Governador, líder da comunidade de Woodbury. Sangue, vísceras, o horror de sempre. The Walking Dead - A Queda do Governador - Parte I / R. Kirkman e J. Bonansinga / Galera / 266 p. /  R$ 35 / galerarecord.com.br





Calangos azuis e hiperativos

A ativíssima banda local Callangazoo solta mais um EP com três faixas: Surpresa, Tereza e Lições do Slackline. As três são legais, mas a melhor é a última, uma bela balada em midtempo com direito a parapará e letra filosófica. Callangazoo / Surpresa / Independente / Baixe: www.soundcloud.com/callangazoo









Acidez e engenho

Na entressafra entre um CD e outro, Baia solta compacto virtual com duas faixas: Do Romantismo à Roma Antiga e Meu Facebook is on The Table. Em ambas, a acidez do letrista engenhoso: “Um CTRL+C e CTRL+V pra falar o que se pensa sem pensar no que dizer”. Baia / Do Romantismo a Roma Antiga / Som Livre / US$ 0,99 (iTunes, por faixa)








Melhor que A Estranheza

Bem melhor que o álbum de retorno dos Stooges (The Weirdness, 2007), este Ready to Die deve ser o – enfim – o canto do cisne da banda, já que o batera Scott Asheton morreu pouco depois das gravações, em março. Iggy Pop, como sabemos, é imortal, obrigado. Nota 8. Iggy & The Stooges / Ready to Die / Deck / R$ 29,90









É que a patroa ainda tava viva...

Doze gravações de Johnny Cash dos anos 1980, engavetadas desde então, compõem este belo álbum póstumo do Man in Black. Levadas no country rock, trazem o mestre mais leve e bem humorado do que em seus últimos trabalhos. Que bom ouvi-lo de novo. Johnny Cash / Out Among the Stars / Sony Music / R$ 24,90









Zumbis brasucas

Primeira série de livros de zumbis brasileira, As Crônicas dos Mortos teve seu primeiro volume, O Vale..., lançado há pouco. Após a aproximação de um estranho corpo celeste da Terra, 2/3 da população mundial desmaia. Quando levanta,  é com muita fome. Ação e terror. O Vale dos Mortos / Rodrigo de Oliveira / Faro/ 320  p. / R$ 34,90 / E-book: R$ 19,90 / www.faroeditorial.com.br








Refresco sabor esquerda

Em seu número 22, a revista de artigos Margem Esquerda traz dossiê do golpe de 1964, entrevista com Luiz Alberto Moniz Bandeira, textos de István Mészáros, Michael Löwy e Caio Prado Júnior, entre outros. Uma leitura refrescante para quem não aguenta mais a lavagem cerebral dos colunistas da Veja.   Margem Esquerda 22 / Vários autores / Boitempo / 162 p. / R$ 28 / www.boitempo.com






O roteiro voltou como romance

Em 1968, o diretor George Romero e o roteirista John Russo inauguraram  era dos zumbis canibais no cinema com o hoje clássico em P&B A Noite dos Mortos-Vivos. No livro, Russo romanceia o próprio roteiro, com resultados arrepiantes. De quebra, a continuação A Volta dos Mortos-Vivos, nunca filmada. A Noite dos Mortos-vivos / John Russo / DarkSide / 320 p. / R$ 39,90 / Capa dura: R$ 59,90 / www.darksidebooks.com.br








Mitologia pop a fundo

Surfando na super lucrativa onda de super-heróis no cinema, o trio de pesquisadores chega ao terceiro volume desta série, enfocando Superman, Motoqueiro Fantasma, Wolverine e Homem de Ferro. Ricamente ilustrada, as pesquisas vão fundo nas mitologias dos personagens. Quadrinhos no Cinema 3 / A. Callari, B. Zago, D. Lopes / Évora/ 312 p./ R$ R$ 79,90/ editoraevora.com.br






Dragon Ball com Einsenstein

Um dos poucos livros que, fato, mudaram o mundo, o manifesto de Marx e Engels ganha versão mangá da equipe japonesa East Press. O resultado é estranho: uma mistura de Dragon Ball com Serguei Eisenstein. Até por isso é interessante e vale uma conferida pelos mais jovens. Manifesto do Partido Comunista - Mangá / Karl Marx, F. Engels, East Press / L&PM/ 208 p./ R$ 17,90/ lpm.com.br







Rap das Gerais

Maior nome do rap mineiro, Flavio Renegado apresenta neste DVD seu show, muito bem produzido e contando com uma banda numerosa. Como bom mineiro, ele já diz no título a que veio: é suave. Com Aline Calixto, Rogério Flausino e Meninas de Sinhá. Flávio Renegado / Suave ao vivo / Independente / R$ 40









O pop perfeito que veio do frio

Há 40 anos, o  pop perfeito do quarteto sueco Abba ganhou o mundo. O hit Waterloo faturou o concurso  Eurovision – e rádios e discotecas se tornaram seus domínios. Na edição comemorativa, bonus tracks e um DVD com clipes. Abba / Waterloo (40 Years Deluxe Edition) / Universal / CD + DVD: R$ 42,90









O parceiro robótico

Este é o segundo romance da famosa série dos robôs do mestre da FC Isaac Asimov, publicado anteriormente no Brasil com o título Os Robôs. Desta vez, o detetive Elijah Baley e seu parceiro robótico R. Daneel Olivaw são enviados ao planeta Solaria, aonde vão se deparar um crime aparentemente insolúvel. O Sol Desvelado / Isaac Asimov / Aleph/ 288 p./ R$ 46/ editoraaleph.com.br







Jovens londrinos de hoje em dia

A jovem e premiada romancista londrina Zadie Smith escreve aqui sobre quatro outros jovens em busca da ascenção social na Londres contemporânea – ou melhor, no bairro de Kilburn, aonde eles viem e se esbarram. Romance de rito de passagem, tem sido elogiado pela crítica. NW / Zadie Smith / Companhia das Letras/ 336 p./ R$ 52/ E-book: R$ 42/ companhiadasletras.com.br







Putaria é bom e elas gostam

Segundo volume da coleção de HQs eróticas Safadas, só com a nata dos quadrinistas europeus. Em Encontros, temos Georges Pichard delirando com um carrinho de mão, Jean-Claude Forest (Barbarella) promovendo uma orgia entre balões na Belle Epoque, Loustal em alto-mar e por aí vai. Safadas: Encontros / Vários autores / Nemo/ 64 p./ R$ 39/ www.editoranemo.com.br