segunda-feira, setembro 15, 2014

AH, VOCÊ QUER MICRO-RESENHA? ENTÃO TOMA!

Hardcore avant-garde

Super ativista  underground, ex-guitarrista da banda Jason (RJ), Panço faz ótima estreia solo, em álbum com vários vocalistas, incluindo nossa Nancy Viegas. Hardcore, indie, psicodelia, experimental: sem concessão ou frescura. Leonardo Panço / Tempos / Tamborete / Baixe: www.soundcloud.com/leonardopanco









Maurão detonação

O quarto EP da banda  Orange Poem traz Mauro Pithon nos (furiosos) vocais. Mas não é hard rock convencional. Child's Knife lembra Jethro Tull. The Green Bee tem intervenção poética em português. Doido, pesado, diferente. The Orange Poem / Balance / Independente / Baixe: www.soundcloud.com/theorangepoem









Recife, anos 1990

Surgida na ascenção da cena recifense pós-manguebeat, a banda JC&DEQSTI andou sumida. Agora volta com coletânea comemorativa de 20 anos e duas faixas inéditas. Rock nordestino, Hendrix e Zé Ramalho no juízo. Jorge Cabeleira & o Dia em que Seremos Todos Inúteis / Trazendo Luzes Eternas / Independente / R$ 25







A origem da guerra

No centenário da Iª Guerra Mundial, uma enxurrada de livros veio explicar o conflito. Este explica e reconstitui apenas o evento que originou o banho de sangue: o assassinato de Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, em Sarajevo. Pesquisa de fôlego. O Assassinato do Arquiduque / Greg King e Sue Woolmans / Cultrix / 400 p. /  R$ 52 / www.pensamento-cultrix.com.br







É "fantártico"

O crítico literário barceloneta David Roas faz o elogio dos gêneros fantásticos nas artes, reconstruindo e analisando a trajetória do estilo. Segundo Roas, o Iluminismo e seu culto a razão desbancaram a fé no sobrenatural, liberando os autores para “brincar literariamente”, inclusive com a ciência. A Ameaça do fantástico / David Roas / Unesp/ 216 p./ R$38/ editoraunesp.com.br




Massacre em HQ

Um dos episódios mais sangrentos da República e do Exército brasileiro é recontado nesta bela HQ roteirizada por Daniel Esteves. A história do Beato Antonio Conselheiro e seus seguidores mereceu boa pesquisa dos autores, incluindo uniformes e características da fala popular de então. A Luta Contra Canudos / D. Esteves, Jozz e Akira Sanoki / Nemo/ 64 p./ R$ 42/ editoranemo.com.br






Promessa potiguar

A banda potiguar Far From Alaska estreia em CD com erros e acertos. A princípio, soa genérica. Mas cresce na audição, graças às boas guitarras e ao vozeirão da cantora Emmily. Potencial até tem, mas precisa comer  mais feijão aí. Far From Alaska / modeHuman/ Vigilante - Deck / Preço não divulgado









Tango em família

Formado por uma mãe (Estela, piano) e dois filhos (Alexandre, sax e Marcelo, acordeom), o trio brasileiro LiberTango mistura o gênero argentino com choro e baião. E não é que funciona? Belíssima prova de que a (boa) música não tem fronteiras. Grupo Libertango / Tangos Hermanos / Mills Records / Download: R$ 12,99







Samba de boca

Com três vozes femininas e uma masculina, o quarteto vocal carioca Arranco de Varsóvia faz samba em releituras elaboradas de Lenine (O Dia em Que Faremos Contato), Egberto Gismonti (Saudações), Sombrinha (Saudade) e autorais. Bonito. Arranco de Varsóvia / Na panela pra dançar / Mills / R$ 29,90







Vade retro rock cristão

Rock cristão é como pagode carola: não dá. Aí você vai ouvir, são as mesmas mensagens que John Lennon, Renato Russo e outros rock stars messiânicos já mandavam décadas antes – e sem precisar agradecer à CNBB. Raulzito, me salva! Beatrix / Lugar Comum / Universal / R$ 18,90







Amadurecer não é ficar chato

O curitibano Rapha Moraes é o típico ex-roqueiro brasileiro arrependido, convertido em bom rapaz que faz música “séria” e sensível. Nada contra  um suposto amadurecimento artístico, mas o excesso de bom mocismo apenas entedia. Rapha Moraes / La Buena Onda / Independente / Preço não divulgado







Diálogo entre o sertão e os Jardins de Luxemburgo

Parisiense radicado no Brasil, Nicolas Krassik dialoga com a música nordestina através de seu violino arretado. Ecos de Villa- Lobos, Grapelli e Hendrix em dez faixas, com destaque para a rabeca de Marcos Moletta. Gilberto Gil e Lenine dão o ar da graça. Nicolas Krassik / Nordeste de Paris / Independente / R$ 27,90








Aula de história sem tédio

Ótima quadrinização do livro homônimo da historiadora Lilia Moritz Schwarcz pelo ilustrador Spacca (Jubiabá). D. Pedro II e o Brasil da época decifrados e ajudando a entender o Brasil de hoje em leitura ágil e clara. As barbas do imperador / Lilia Moritz Schwarcz e Spacca / Quadrinhos na Cia. / 144 p. / R$ 49 / www.companhiadasletras.com.br







Perturbados em Atenas

Ao sol de Atenas, um macabro jogo de vida e morte se desenrola quando Rydal Keener segue alguém se parece com seu pai. E a mestra do suspense Patricia Highsmith faz gato e sapato dos nervos do leitor. As Duas Faces de Janeiro / Patricia Highsmith / Benvirá / 320 p. / R$ 39,90 / www.benvira.com.br








Casa, comida e roupa lavada

E se Shakespeare tivesse uma irmã? E se ela fosse tão talentosa quanto ele? Neste ensaio, Virginia Woolf nos lembra a grande arte não surge do nada. Ela precisa de terreno fértil: “um teto todo seu e 500 libras por ano” ou nada feito. Um teto todo seu / Virginia Woolf / Tordesilhas / 240 p. / R$ 34 / www.tordesilhaslivros.com.br








Umbigada britpop

Em seu primeiro registro solo, o  homem do Blur e do Gorillaz escolheu uma chave mais intimista e, dizem, autobiográfica. Apesar do giro em torno do umbigo, é uma audição agradável, contida, com muitas cordas, sopros e alguma eletrônica. Damon Albarn / Everyday Robots / Warner / R$ 29,90









Jesus do subúrbio

A obra do compositor erudito contemporâneo John Adams, O Evangelho Segundo a Outra Maria –  no caso, a Madalena. A regência do venezuelano Dudamel confere o seu vigor habitual ao oratório, que traz uma  visão moderna de Jesus. John Adams, Gustavo Dudamel / The Gospel According To The Other Mary / Universal / R$ 42,90








Chutando cachorro morto

Quando uma banda como Fresno – poser, cria da onda emo, essencialmente narcisista – resolve fazer um “manifesto contra a futlidadade”, a conclusão é uma só: estamos no mato sem cachorro. Em cinco faixas, muita hipocrisia, falta de noção e chupação do My Chemical Romance. Fresno / Eu Sou a Maré Viva / Independente / R$ 19,90






Pelo menos morreu de banho tomado

Sequência de Sete Dias em River Falls, Um Outono.. nos leva de volta à pequena comunidade do título, atormentada por assassinatos periódicos. Pior para o xerife Mike Logan e a arquivista Jessica Hurley, que terão de fuçar a vida de um advogado, encontrado frito na banheira. Um outono em River Falls / Alexis Aubenque / Vestígio / 416 p. / R$ 39,90 / www.grupoautentica.com.br/vestigio







Buddy movie à escocesa - e em livro

Um imigrante ilegal morto em um cortiço de Edimburgo, dois esqueletos debaixo de uma ponte e o desaparecimento de uma adolescente. Um dia comum para o obstinado investigador John Rebus e sua assistente Siobhan, da polícia escocesa. Beco dos Mortos / Ian Rankin / Companhia das Letras / 536 p. / R$ 62,50 / E-book: R$ 49,50 / www.companhiadasletras.com.br

domingo, setembro 14, 2014

HOMENAGEAR CEDRAZ É GARANTIR QUE SUA OBRA NÃO SEJA ESQUECIDA

Antonio Cedraz  (1945-2014). Foto: Chico Castro Jr.
Memória: O criador do Xaxado nos deixou, mas seu trabalho fica e precisa ser conhecido

”A vida é o que acontece enquanto fazemos planos”, disse certa vez o autor de Imagine durante uma entrevista.

Em novembro do ano passado, o quadrinista baiano Antonio Cedraz delineou diversos dos seus (muitos) planos para este jornalista, durante uma entrevista para a revista Muito.

Após um longo período de combate ao câncer, Cedraz curtia um momento positivo: estava em remissão e planejava retomar a produção das tirinhas da Turma do Xaxado, interrompida desde que iniciara o tratamento, alguns anos antes.

Mais: tinha em vista a produção de uma série de animações do Xaxado para a TV e outras publicações infanto-juvenis de cunho educativo.

Conversei durante um par de horas com Cedraz na sala de sua casa, em Brotas.

Quando terminamos, o lépido cartunista me ofereceu uma carona de volta para o jornal. Ia acertar alguma  exposição do Xaxado em um shopping da região do Iguatemi / Av. Tancredo Neves.

Na saída, notei o majestoso mandacaru que adorna a saída de sua garagem. O estalo foi imediato: “Cedraz, posso tirar uma foto sua na frente dessa planta?”.

Apressado, ele concordou e posou do jeito que estava: chaves do carro na mão, a fralda da camisa parcialmente dentro das calças. Saquei o celular e cliquei duas vezes.

O retrato íntimo, seguido da carona, foi a última vez que vi Cedraz pessoalmente. Algumas semanas depois, soube por amigos em comum que o câncer tinha voltado. “A vida é o que acontece enquanto”...

Ainda nos falamos por telefone depois disso, mas nem por um segundo senti medo ou tristeza em sua voz.

Esta semana, Cedraz nos deixou, engrossando a lista que fará de 2014 um ano farto de perdas incalculáveis para a cultura e o jornalismo baianos: João Ubaldo, João Carlos Sampaio, André Setaro, Antonio Cedraz.

E que pare por aí, pois já está de mau tamanho.

Xaxado é nossa Mafalda

Tudo isto posto, afirmo que, antes de lamentar a perda de Cedraz (algo inevitável), prefiro celebrar sua brilhante passagem por este planeta.

Maior nome dos quadrinhos baianos, era da Bahia que ele tirava inspiração para suas criações, mas ao mesmo tempo, era também aqui que tinha menos reconhecimento – não que tivesse mágoa por isso. Não havia lugar no seu peito para ressentimento.

Ainda assim, foi múltiplas vezes premiado com o Trofeu HQMix, maior premiação dos quadrinhos brasileiros.

Foi consagrado Mestre do Quadrinho Nacional pelo Prêmio Ângelo Agostini, outra importante premiação.

Viajava constantemente pelo país, recebendo homenagens em feiras e convenções de quadrinhos.

Sua obra é objeto de estudo por pesquisadores, mestrandos e doutorandos no Brasil e no exterior.

Enfim: um raro baiano contemporâneo reconhecido nacionalmente por algo mais do que um belo par de pernas ou uma dancinha de gosto duvidoso.

“Meus próximos projetos são para contar a história de Maria Felipa e de Caramuru. O que não falta na Bahia é assunto: Guerra dos Alfaiates, Revolta dos Malês, Cosme de Farias... Eu quero é dar ênfase à nossa história, à nossa cultura”, disse ele a este jornalista durante uma de suas (muitas) entrevistas.

Não sei em que pé ele deixou estes projetos – ou mesmo se chegou a inicia-los. O que ele já deixou já é o bastante para içá-lo à condição não só de Mestre do Quadrinho Nacional, mas da própria cultura baiana.

Mais importante do que agora pensar em estátua ou dar-lhe um nome de rua, é se certificar que sua obra não será esquecida ou relegada ao mofo das prateleiras.

É levar sua obra, tão importante e cheia de significados, universal e acessível tanto para crianças quanto adultos, às escolas públicas e privadas, centros culturais – aonde for.

Por que Xaxado está para os baianos como Mafalda está para os argentinos.

Em suas tiras aparentemente infantis, Cedraz e a valorosa equipe do seu estúdio fizeram todas as perguntas que não ainda cansamos de fazer: por que nosso povo vive na miséria, na fome e na ignorância enquanto a classe política goza de todas as benesses? Por que a seca? Por que o racismo? Por que a igreja? Por que os coronéis? Por que você isso? Por que eu aquilo?

Tudo sem abrir mão da leveza, do humor, da inteligência. Isso, definitivamente, não é pouco.

Talvez por tudo isso eu, inconscientemente, tenha tido o impulso de pedir a ele para posar com o mandacaru.

Era óbvio que se tratavam de semelhantes: sertanejos fortes, talhados para  prosperar na adversidade.

Nunca o esqueceremos.

sexta-feira, setembro 12, 2014

O LEGÍTIMO CUBANO

Acompanhado da banda Afro-Cuban Messengers, pianista Chucho Valdés se apresenta amanhã no Teatro Castro Alves

Chucho, elegante em seu terno vinho de veludo. Foto: www.valdeschucho.com
Já disse um sábio que “nome é destino”.

Jesús Valdés Rodríguez parece confirmar a regra, ao conjurar música que parece vir dos céus quando deita suas mãos sobre o piano.

Os fiéis estão convocados para testemunhar amanhã, no Teatro Castro Alves.

Mais conhecido como Chucho Valdés, este cubano de 71 anos é um dos responsáveis por elevar a fama da música cubana a nível mundial – transcendendo embargo injusto, regime caquético etc – tudo com muito suor e a força de sua arte arrebatadora.

Em turnê pelo Brasil, Chucho traz a Salvador o show do seu último álbum, Border-Free (Sem fronteiras), no qual trabalha elementos da sua praia – o jazz afro-cubano –, misturando elementos díspares como Gnawa (música marroquina), flamenco e até da música Comanche, tribo ativa norte-americana.

“Ah, o show será muito variado”, conta ele, do seu quarto de hotel em São Paulo.

“Estou apresentando músicas de meu último disco, no qual faço uma fusão dos elementos de música afro-cubana, jazz afro-cubano, danza e contradanza de Cuba a elementos da música dos índios comanches, mais o jazz clássicos, flamenco e música do Marrocos”, detalha.

Além de temas de Border-Free, ele promete executar clássicos do “puro son cubano e também um tema composto por meu pai”.

Para quem não sabe, o talento de Chucho vem de berço. Seu pai, o também pianista Bebo Valdés (1918-2013), foi figura central da chamada era de ouro da música cubana, pré-Fidel.

Foi em casa, sob as asas do pai, que o jovem Chucho aprendeu os primeiros acordes ao piano.

Não é o Buena Vista

“Papai me ensinava música cubana, afro-cubana, jazz e todos os gêneros sul-americanos, incluindo o samba”, conta.

“Mas a educação formal, acadêmica, também foi muito importante. Uma coisa completa a outra, claro”, reflete.

Se a descrição da música do último disco de Chucho, com tantas influências díspares misturadas, pareceu estranha, o músico lembra que elas, na verdade, não são tão estranhas assim.

“Por exemplo, o flamenco nasce da influência árabe (moura) na música espanhola. Procuro o ponto em comum entre essas diferentes tradições, o elo que as une, como um ponto de partida”, explica.

Na música brasileira, Chucho já gravou com Ivan Lins, Hamilton de Holanda e fez shows com Ed Motta e Egberto Gismonti.

“Com Ivan, gravamos (com a banda Irakere) um concerto ao vivo em Havana, em 1996. E há um músico brasileiro que para mim é um gênio, que é o (bandolinista)  Hamilton de Holanda, com quem gravei Pixinhguinha (Benguelê e Lamentos, no álbum Mundo de Pixinguinha, de 2012)”, elogia.

“Aqui em São Paulo acompanhei o cantor Ed Motta. Fiz três concertos com ele e foi uma maravilhosa experiência”, conta Chucho.

Agora, ganha um doce quem adivinhar a cantora brasileira que ele mais admira: “Mas adoraria gravar  com Simone. É uma grande cantora”, surpreende, ao citar a pouco lembrada baiana de Eu Tô Que Tô, entre outros hits.

Agora, vale o aviso a quem pretende ir ao show: Chucho não é Buena Vista Social Clube. É jazz mesmo, no duro – estilo afro-cubano.

Ainda assim, ele conta que o efeito do filme de Wim Wenders (1997) foi benéfico para ele.

“Quando o filme saiu, eu já  tinha muito trabalho e muito reconhecimento. Depois do filme, com a música cubana na moda, ficou ainda melhor. Para mim e para a música cubana. Chamou atenção, o mundo passou a ouvir e se interessar mais”, conta.

Hoje residindo na Espanha, na cidade de Málaga, Chucho conta que visita a ilha periodicamente, tanto para fazer concertos, quanto se atualizar com a nova geração de músicos cubanos.

"Sim, viajo muito a Havana. Inclusive, vou fazer dois concertos lá em breve. Um para piano e orquestra com a Sinfônica de Havana, com regência de Leo Brouwer. E outro com minha banda", conta.

“Em Cuba se mantém a tradição e há muita renovação, também. Este meu novo trabalho é todo  com músicos muito talentosos da nova geração”, conclui.

Afro-Cuban Messengers (uma citação aos Jazz Messengers de Art Blakey), a banda de Chucho, conta com Yaroldy Abreu (percussão), Dreiser Durruthy Bombalé (tambores e voz), Reinaldo Melián (trompete), Gastón Joya (baixo) e Rodney Barreto (bateria).

Série TCA 2014: Chucho Valdés & Afro-Cuban Messengers / Teatro Castro Alves / Amanhã, 21 horas / R$ 140 e R$ 70 (filas A a P); R$ 110 e R$ 55 (Q a Z) e R$ 80 e R$ 40 (Z1 a Z11)


terça-feira, setembro 09, 2014

O ROCK 'N' ROLL DO PANCREAS É ÓTIMO PARA DESOPILAR O FÍGADO

Pancreas, com Shinna ao centro. Foto Ana Prado
Uma coisa que o colunista o blogueiro costuma sentir falta no rock baiano é um certo toque de humor.

No rock, contudo, isto pode ser uma faca de dois gumes, já que ninguém ri da mesma piada (ou musiquinha engraçada) duas vezes.

Aqui, só o Camisa de Vênus foi capaz de tal feito, com músicas que eram engraçadas (e cruéis), mas resistiam ao tempo, como Primo Zé, O Adventista, Bete Morreu etc.

(Na verdade, eram antes músicas de forte conteúdo crítico que se valiam do humor ácido para afiar a própria crítica, melhor dizendo).

Bem ativa no cenário alternativo local, a Pancreas (sem acento) parece tentar algo na linha do rock ‘n’ roll bem humorado e bagaceiro, mais na linha Velhas Virgens.

Pelos títulos de algumas músicas já dá para ter uma ideia: Renata Sem QI, Ela Gosta de Forró, A Lenda de Leopoudo.

Formada em 1994 por alguns amigos de colégio, a primeira encarnação do grupo durou pouco, mas voltou em 2010 com outros músicos, além do vocalista / letrista original, Shinna.

De lá para cá, já gravou dois EPS de cinco faixas cada: Mau Humor é Para os Fracos (2013) e Na Esquina (2014), ambos produzidos por Irmão Carlos.

Mas mais importante do que ser bem humorada, o Pancreas tem duas outras características que a tornam digna de nota: a dupla de bons guitarristas formada por Daniel e Cléber soa afiada, bem entrosada.

A segunda? A banda  não para – nem espera shows caírem do céu.

Todo mês no Dubliner’s

“Eu confesso:  só penso em bobagem e dar risada. Então tudo que fazemos tende a ser divertido“, admite Shinna sendo modesto, já que foi ele mesmo que pensou num esquema para a banda não parar.

“Temos uma data fixa no Dubliner’s, que costuma ser no quinto dia útil do mês. Em alguns casos não da. Esse mês é no dia 19, com Os Tios, Mike Solta o Verbo, Trigger e Instinto Secreto. Pinta lá”, convida.

“Esse projeto rola desde maio, mas desde 2011 nós tocamos pelo menos uma vez por mês. E o resultado dessa ‘residência’ no Dubliner’s é um absurdo de positivo. Sempre dá no mínimo 100 pessoas, as vezes até 200. E mulher não paga, então está sendo sensacional pra gente”, conclui.

Além de Shinna, Daniel e Cléber, a Pancreas tem Ricardo (baixo) e André (bateria).

Ouça: www.soundcloud.com/pancreasrocknroll




NUETAS

Os Retros e os peruanos

O Tangolomango - Festival Latino-Americano da Diversidade Cultural traz do Peru os grupos SambaLandó e Negro Mendes para apresentação no Teatro Vila Velha. De Salvador, os Retrofoguetes e Orquestra de Berimbaus Afinados fazem as honras da casa. Às 20 horas (como estamos civilizados), quase de graça: R$ 4 e R$ 2. Cool.

Os Tios e Grux, hoje

Hoje, as bandas Os Tios (do guitar hero André Poveda, ex-Zona Abissal) e Grux se apresentam no evento Quanto Vale o Show?, no Dubliner’s.  18 horas (palmas para o horário), pague  quanto quiser / puder.

As jovens tardes de domingo

Todo domingo de setembro tem Cascadura e uma banda convidada no Dubliner’s. Às 18h30 (olha!), por R$ 10.

sábado, setembro 06, 2014

O ROCK LOCO É TOTALMENTE CONTRA A FLEXIBILIZAÇÃO DA LEI DO SILÊNCIO. E VOCÊ?



Leia mais:

http://atarde.uol.com.br/coluna/levivasconcelos/ja-viu-lei-do-silencio-dar-barulho-vai-dar-1618823

http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/alteracao-em-lei-do-silencio-e-criticada-1619651

http://www.bahianoticias.com.br/noticia/159611-carballal-teria-negociado-nova-lei-do-silencio-para-aprovar-desafetacao-de-terrenos.html

http://www.tribunadabahia.com.br/2014/09/02/vereadores-aprovam-aumento-do-barulho-em-salvador-durante-festas

Futuro ameaçado

Esse cara quer lucrar com a venda de nossa (frágil) paz social
Estão querendo vender o que nos resta de sanidade, sossego e silêncio a troco dos trocados do turismo sexual.

Isso é um atentado criminoso contra a população que vive, trabalha e paga os altos impostos de Salvador.

Liberar (ainda mais) o barulho na cidade é estimular o stress, o ódio e a violência, que já não são poucas.

E afinal, Salvador precisa de música boa ou música alta?

A flexibilização da lei do silêncio, caso aprovada, apenas tornará esta cidade ainda mais inabitável, condição que já é flagrante no dia a dia das pessoas que precisam trabalhar a troco de baixos salários e se deslocar por ruas perigosas, engarrafadas, violentas, poluídas, atulhadas de lixo, ambulantes e carros estacionados de qualquer jeito.

Igualmente ultrajante é saber que proposta tão esdrúxula e nociva à população parte de um edil, o vereador Henrique Carballal (PT), visto na foto acima, pago com o dinheiro dos nossos impostos.

Afinal, a serviço de quem mesmo está esse homem, com uma proposta que vai contra qualquer tipo de razoabilidade civil?

E a Câmara, que aprovou esta estupidez? É paga por quem mesmo para legislar? Por nós ou pelo empresariado interessado em lucrar com o projeto?

Prefeito, seu almejado futuro político repousa nesta decisão.

Fique do lado do povo que o elegeu (só para constar, este blogueiro não votou em ACM Neto) - e não dos que só vem à cidade beijar na boca e depois se mandam.

Não traia a confiança de quem votou em sua administração. As ruas estão aí - e com certeza irão cobra-lo por isso.

Fica o aviso.

Foto do vereador Henrique Carballal (PT): Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias

MICRO-RESENHAS ATRASADAS, MAS VAMOS LÁ

Dor e prazer no dez

A Declinium é uma daquelas bandas que nos deixam pensando: por que isso não é um mega sucesso popular? Até voz de Renato Russo o vocalista Orêah tem. Dane-se, quem for esperto que chegue junto. Lindas canções plenas de dor e prazer. Declinium / Marte / Brechó - Big Bross / R$ 10








 
Será que foi o pessoal do black metal?

O jovem e premiado autor norueguês Heivoll conta aqui a história de uma série de incêndios criminosos que aterrorizaram a vila em que nasceu. Ao  mesmo tempo, versa sobre o próprio ato de escrever, a fragilidade da vida e o papel da palavra. Estreia brasileira de um dos autores jovens mais cultuados na Europa. Antes que eu queime / Gaute Heivoll / L&PM/ 256 p./ R$ 42/ lpm.com.br

 





Eflúvios psicodélicos e certo romantismo

Interessante EP da banda local Andaluz, que passeia entre os eflúvios psicodélicos floydianos com um toque de MPB e um certo romantismo – mas com dignidade. Uma proposta original, vale ver se vinga. Andaluz / Troque uma peça de lugar / Independente / Download gratuito: www.soundcloud.com/andaluz-banda







Complexo de deuses do rock

O complexo de dinossauro atacou o power trio Muse, outrora uma grande banda – enquanto ainda era pequena. Neste DVD ao vivo, toda a megalomania overproduzida de uma banda que se agigantou, perdendo de vista o que a tornava especial. Muse / Live At Rome Olympic Stadium / Warner / CD + DVD: R$ 62,90

 






 
Essa baixinha só pensa naquilo

A diminuta (1,57 m) deusa sexy do pop Kylie Minogue (bocão!) volta com CD de inéditas, cinco anos após Aphrodite (2010). Ela ainda só pensa naquilo (Les Sex, Sexercize e Sexy Love são alguns títulos). Mas é honesta, diferente da ridícula Lady Gaga, que insiste em posar de artista avant garde. Som de festa. Kylie Minogue / Kiss Me Once / Warner / R$ 24,90

 





 
O bardo com olhos de mangá

Comédia romântica com fartas doses de fantasia e atmosfera onírica, o Sonho... de Shakespeare ganha o traço mangá da ilustradora Kate Brown. Claro que não substitui o original, mas pode ser um bom ponto de partida para a molecada descobrir o bardo de Stratford-upon-Avon. Sonho de uma noite de verão / William Shakespeare e Kate Brown / Galera / 216 p. / R$ 28 / www.galerarecord.com.br

 




Elas sempre terão Paris

Comumente apontado como um dos maiores contistas de todos os tempos, Guy de Maupassant (1850-1893) faz desfilar neste volume um elenco de mulheres: apaixonadas, adúlteras, submissas – sempre em busca do amor. Uma aventura parisiense e outros contos de amor / Guy de Maupassant / Penguin - Companhia / 128 p. / R$ 14,90 / E-book: R$ 10,90 / www.companhiadasletras.com.br

 




Isaac, vamos ouvir esse rock

Nas horas vagas, o  senhor Isaac Fiterman solta os bichos com sua banda, Professor Doidão &Os Aloprados. Raul Seixas style, duvida da própria sanidade e avisa: Eu Quero Gozar! Quem não? Professor Doidão & Os Aloprados / Quero Reunir Os Meus Mundos / Independente / R$ 10 / Baixe gratuito: www.soundcloud.com/professordoidao

 





 
Sacudindo Alagoinhas

O power trio de Alagoinhas Inventura estreia (e bem) com álbum cheio: 13 faixas de um rock veloz e com letras em português. As influências parecem  óbvias: Strokes, QOTSA, Los Hermanos. Divertido, pesado e sacudido. Inventura / Inventura / Independente / R$ 15 / www.facebook.com/inventurarock









Pretty fly (for a white guy)

Apesar de ser paulista, a banda Gu Siqueira & Offbeat queria mesmo era ser baiana. Cantam – de forma que soa irônica, mas é reverente – Caymmi, Filhos de Gandhy etc. Inclui cover afrobeat de Nega do Cabelo Duro. Vá, mas não me chame. Gu Siqueira & Offbeat / Gu Siqueira & Offbeat / Independente / Download gratuito: www.gusiqueira.com.br

 


 




HQ de FC holandesa e surreal

Excelente estreia da série de HQs Aâma, do suíço Peeters. Em um planeta inóspito, um homem acorda desmemoriado, acompanhado de um gorila-robô de nome Churchill. Este lhe entrega um diário, escrito por ele mesmo, narrando sua trajetória até ali. FC surreal, cheia de críticas à sociedade moderna. Aâma 1: O cheiro da poeira quente / Frederik Peeters / Nemo/ 88 p./ R$ 39/ editoranemo.com.br






Sem neon, fumaça nem música do Vangelis

Tirem todo o neon, a fumaça, a trilha sonora, os atores, os cenários de Blade Runner (1982) – e o que sobra? Este livro, de Philip K. Dick, no qual Ridley Scott se baseou para criar sua obra-prima. Não é pouca coisa. O que sobressai é a pergunta: o que nos torna seres humanos? Gênio. Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?  / Philip K. Dick / Aleph/ 272 p./  R$ 39,90/ editoraaleph.com.br

 




Paris, maio de 68, boy meets girl...

Mais conhecido como poeta, dono da livraria City Lights de São Francisco e um dos cabeças da Geração Beatnik, Lawrence Ferlinghetti tem este romance de 1988, até agora inédito no Brasil, lançado pela L&PM. Ambientado nas barricadas do Maio de 1968 em Paris, narra o affair entre um jovem banqueiro português de espírito anarquista (?!?) e uma pintora  norte-americana. Amor nos Tempos de Fúria / Lawrence Ferlinghetti / L&PM/ 144 p./ R$ 17,90/ lpm.com.br

 


A megera indomada

Aos 80 anos, Yoko Ono volta menos experimental do que se esperaria. Muito bem acompanhada (Lenny Kravitz, Beastie Boys, Questlove, o filho Sean) faz um disco que se ouve sem muito incômodo – ela até canta. Yoko Ono Plastic Ono Band / Take Me To The Land Of Hell / Lab 344 / R$ 29,90









A raiz do nordic noir

Desconhecido no Brasil, o casal sueco Sjöwall & Wahlöö escreveu, entre os anos 1960 e 70, uma série de dez romances policiais hoje considerados clássicos e precursores da atual onda nordic noir. Este é o primeiro, sobre o corpo de uma moça encontrado em um lago. Quem matou? Por que? Roseanna / Maj Sjöwall e Per Wahlöö / Record/ 256 p./ R$ 35/ record.com.br
 





A nova do new journalism

O mestre do new journalism e autor do clássico A Fogueira das Vaidades volta sua prosa para o caldeirão racial de Miami. Entre policiais cubanos, mafiosos russos e negros pobres (olha o clichê), Wolfe tenta traçar um painel da cidade no século 21. A crítica andou detonando, mas TW sempre vale um saque. Sangue nas veias / Tom Wolfe / Rocco / 608 p. / R$ 59,50 / rocco.com.br

 





Impressões nordestinas de SP

Pernambucano criado em Teresina e São Luís, residente em São Paulo, o compositor Bruno Batista mostra, neste segundo álbum, uma coleção de canções de temática e sonoridade bem urbanas. Impressão favorecida pela dinâmica construída em torno delas pela competente banda que o acompanha, com destaque para o guitarrista Rovilson Pascoal. Bruno Batista / Lá / Tratore / R$ 25,90

 




Garra de veterano

Acompanhado de uma banda que chega a dar medo de tão afiada, o ídolo do jazz Pat Metheny tem produzido febrilmente nos últimos anos. Próximo dos 60 anos, o guitarrista demonstra ter atingido a maturidade em um álbum tão diverso quanto acertado em suas propostas. Pat Metheny Unity Group / Kin / Warner / R$ 24,90

 







Patricinha feroz

Revelada como atriz no seriado patricinha Gossip Girl, a bombshell Taylor Momsen surge aqui à frente de um número zangado de hard rock. A sonoridade é feroz e muito bem produzida. Nada original, mas soa bem para encher os cornos de cerveja na night. The Pretty Reckless / Going to Hell / Lab 344 / R$ 29,90

 






 
Declaração de amor ao jazz em HQ

Turnê de Despedida, 2ª parte da HQ francesa Bourbon Street, Mostra músicos veteranos de Nova Orleans que se reúnem para uma última turnê. Bourbon Street 2: Turnê de Despedida / Philippe Charlot, Alexis Chabert e Sébastien Bouet. Ed. 8Inverso, 48 p., R$ 54

 






O eco das savanas

Tarzan, a imortal criação de Edgar Rice Burroughs,  faz 100 anos e ganha bela edição em capa dura e comentada (pelo tradutor Thiago Lins) do romance que deu início à sua série de 24 livros. A edição é abrilhantada pelas ilustrações de  Hal Foster (Príncipe Valente). Pura aventura clássica. Tarzan: O filho das selvas / Edgar Rice Burroughs / Zahar/ 336 p./ R$ 54,90/ E-book: R$ 19,90/ zahar.com.br

 




A queda do nanico com mania de grandeza

Impressionante reconstituição histórica em ritmo de thriller político enfocando os últimos três dias de Napoleão (1769-1821) no centro do poder francês. O historiador Bertaud se valeu de farto material de pesquisa, entre cartas, bilhetes, diários e memórias. Leitura ágil. A queda de Napoleão / Jean-Paul Bertaud / Zahar/ 304 p./ R$ 49,90/ E-book: R$ 34,90/ zahar.com.br

 





Pastelaria do cão

Impressionante como sempre o vigor sônico e as bordoadas para todo lado no novo álbum do trio punk Pastel de Miolos. A novidade é uma dinâmica heavy metal em algumas faixas. De resto, um lindo (e raro) esporro ideológico. Pastel De Miolos / Novas Ideias, Velhos Ideais / Brechó / R$ 15 / www.brechodiscos.wordpress.com

 






A alegria da Praia do Forte

Legítimo talento popular, o sr. José Martins dos Santos (o Zéu) alegra a Praia do Forte, aonde vive, com bandolim,  guitarra baiana e a imensa alegria de sua música. Aqui, 15 choros, sambas, frevos e sabedoria. Zéu / Sapeca Musical / Independente / Preço não divulgado / Contato: (71) 3676-1742

 

Melancolia dançante uruguaia

Em seu novo CD, o oscarizado compositor uruguaio investe em uma abordagem mais dançante (percussiva mesmo, as vezes), ainda que não deixe a melancolia de lado em seus elaborados arranjos. Caetano Veloso dá “um tostão da sua voz” em Bolivia. Jorge Drexler / Bailar En La Cueva / Warner / R$ 31,90








Multiartista de peito aberto

Um dos artistas (músico, gravurista, poeta) baianos mais surpreendentes em muito tempo, Ayam mostra a que veio no primeiro CD, comovente um manifesto de integridade e independência. Ayam Ubráis Barco / Partir o Mar em Banda! / Independente / Preço não divulgado/ www.facebook.com/ayamubraisbarco

 






 
Repertório afinado, voz idem

Afinadíssima, a carioca Susana Dal Poz faz seu tributo aos clássicos do samba em CD ortodoxo, quase uma gafieira. O repertório é luxo só: tem Dorival (A Vizinha do Lado), Assis (Camisa Listrada), Noel (Com que Roupa?),  Nelson (Coração Poeta) etc. Susana Dal Poz / Só Sambas / Fina Flor / R$ 25







Veneno anti-forró universitário

Auto-apelidado “pé de serra power trio”, o Pé de Mulambo solta segundo CD: 15 faixas plenas de balanço regional e poesia, tudo baseado na rabeca, viola capira, zabumba e pandeiro. Antídoto tiro & queda para o forró coxinha de tatuagem tribal e blusa xadrez justa. Pé de Mulambo / Giro Solto / Cooperativa de Música / R$ 15

 




A futilidade das funções

Uma das tiras de quadrinhos mais subversivas das HQs, Dilbert esfrega na cara do leitor tudo o que é ridículo e deprimente e se esconde por trás das  grandes corporações, seus logotipos clean. Gurus da administração, CEOs, meros funcionários: todos são reduzidos à inutilidade fútil de suas funções. Já nem lembro se somos muquiranas ou espertos / Scott Adams / Conrad/ 208 p./ R$ 29,90/ www.lojaconrad.com.br





Os mais fodões entre os fodões

Dentro do Mossad, o implacável serviço secreto israelense, opera um destacamento de elite especializado em sequestro e assassinato, o Kidon (Baioneta). Neste livro, o relato das 16 missões mais importantes do grupo, incluindo a caça ao carrasco nazista Adolf Eichmann e a reação ao massacre dos atletas irsaelenses nas Olimpíadas de Munique, em 1972. Si-nis-tro. Mossad - Os Carrascos do Kidon / Eric Frattini / Seoman/ 358 p./ R$ 48/ www.cataventobr.com.br

sexta-feira, setembro 05, 2014

CAVALERA CONSPIRACY, CADA DIA MAIS RÁPIDO E ELÉTRICO

Banda dos irmãos fundadores do Sepultura se apresenta em Salvador no domingo, com abertura dos paulistas da Capadocia

A rigor, uma banda norte-americana – mesmo que liderada pelos irmãos mineiros Max e Igor – o Cavalera Conspiracy engrossa, neste domingo, a pálida lista de atrações internacionais a visitar Salvador.

Fundada em 2006 após a reconciliação entre os irmãos, a banda se apresenta pela primeira vez na cidade em meio a uma turnê sul-americana que passa pelo Brasil, Chile, Argentina e Equador em 14 shows.

As apresentações servem para a banda esquentar os tamborins para o lançamento do seu terceiro álbum, Pandemonium, a sair em novembro.

“É o nosso disco mais rápido e agressivo”, avisa o cantor e guitarrista Max Cavalera, por telefone, do seu quarto de hotel em Manaus, aonde se apresenta hoje a noite.

“São dez faixas – e as dez são rápidas. É muito elétrico e cheio de energia, feito para tocar ao vivo”, reitera o músico.

Ele acredita que o rock pesado atual estava precisando um pouco dessa dose de velocidade.

“Logo no início falei com Igor que queria uma coisa mais rápida. Tô sentindo que o metal tá mais lento. Então eu queria menos groove e mais rapidez mesmo”, conta.

Poder dizer palavrão

Morando em Phoenix, Arizona há mais de vinte anos, Max conta que, para ele, é sempre uma satisfação se apresentar diante de uma plateia de conterrâneos brasileiros.

“É (uma relação) bem forte. É legal demais poder falar em português com a galera, conversar, falar palavrão”, ri.

“E pelo que já vimos em Fortaleza e no (Festival) Porão do Rock (Brasília), essa turnê vai ser sensacional. No repertório a gente toca  coisa velha e coisa nova, coisas do Nailbomb (banda paralela de Max nos anos 1990)”, conta.

Tocando duas bandas em paralelo – Cavalera Conspiracy e Soulfly – Max conta que ele e Igor (que fora do CC toca o projeto eletrônico Mix Hell) costumam programar períodos de mais ou menos um ano para cada projeto.

“A gente passa um ano sem se ver, mas sempre em contato. Aí  quando tem que fazer o disco, ficamos juntos. Aí vem os shows nos EUA, no fim do ano. Em 2015 fazemos Europa e outras partes do mundo, como Austrália, África do Sul. Isso leva o ano inteiro. Depois de uma pausa, parto para o décimo álbum do Soulfly”, descreve.

"E os discos do Soulfly é um lance que sempre faço com muita atenção, muita dedicação. Neste momento estou mais dedicado ao Cavalera. Antes vim do Killer Be Killed, que foi um projeto mais acessível, até mais comercial mesmo, comparado ao Cavalera", observa Max.

O icônico vocalista confirma uma velha suspeita do repórter: "Sim, o metal ainda é mais forte na Europa. Rola muito na Alemanha, Itália, Portugal, França. Fazemos a maioria dos festivais grandes de metal por lá. Mas tocamos muito pelos EUA também, tá um momento legal para o rock pesado por lá. Fizemos uma  turnê recente com o Dillinger Escape Plan pela rede House of Blues. E em nossos shows que vamos fazer agora, a metade dos vai ser lá também", conta.

Max diz que adora receber CDs de bandas locais: “Sempre que venho pra cá (Brasil) recebo um monte de CDs de bandas. E eu levo pra casa e escuto mesmo, gosto de saber o que está rolando por aqui. Quero receber uns CDs daí da Bahia também”.

Informado da ativa cena de metal extremo baiana, Max diz lembrar da Headhunter DC: "Ah, Headhunter! Eu lembro dessa porra"!, diverte-se.

Além do CC, a noite de domingo ainda terá a banda Capadocia, do ABC paulista, uma aposta de Gloria Cavalera, empresária do CC.

No palco, Max e Igor contam com Marc Rizzo (Soulfly) na guitarra e Nate Newton no baixo.

Cavalera Conspiracy / Abertura: Capadócia / Domingo, 20 horas / The Hall Eventos (Av. Octavio Mangabeira, 2.471, Pituba) / R$ 80 / Vendas: lojas Foxtrot ou www.ticketbrasil.com.br


quinta-feira, setembro 04, 2014

PODCAST ROCKS OFF: QUE PORRA É INDIE? AFINAL, PUTAQUE PARIU, MEU DEUS?!?

Nei Bahia, Osvaldo Braminha Silveira Jr. e Miguel Cordeiro calçam suas luvas cirúrgicas e se enfiam até o braço - lá eles - em um assunto pra lá de pantanoso: indie rock.

De forma a preservar a saúde mental, o blogueiro se incluiu fora dessa.

Essa é a parte um. Em breve,  parte 2.





terça-feira, setembro 02, 2014

UYATÃ RAYRA & A IRA DE RÁ É DESBUNDE FEIRENSE À BASE DE PSICODELIA NORDESTINA E PERFORMANCE

A salada doida de Uyatã Rayra & A Ira de Rá, em foto de Guilherme Caixeta
Música independente tem essa denominação justamente por que não depende da grana de grandes produtoras ou gravadoras major.

Por isso, os projetos na área costumam ser modestos, despretensiosos.

Mas há exceções. Por aqui, temos a Desrroche, que desbunda geral nos shows com seu visual à Mad Max.

E eis que lá de Feira de Santana vem uma banda ainda mais desbundada: Uyatã Rayra & A Ira de Rá.

Com uma proposta sonora e visual ousada, o grupo é cria de um verdadeiro reduto de resistência cultural: “A gente se conhece há muito tempo, somos frequentadores do Senzala, um reduto um reduto de cult e arte da Uefs (Universidade Estadual de Feira de Santana)”, conta o próprio Uyatã, vocalista.

O som do grupo, que você pode ouvir no primeiro registro da banda, o EP Mórula (no Soundcloud) é uma salada alucinógena e hipnótica de afrobeat, jazz avant garde, psicodelia nordestina, MPB e rock.

Pré-embrionários

“Desde pequeno escuto  sons experimentais. Minha mãe botava a gente para escutar a Coleção Taba (discos infantis dos anos 1980 com grandes nomes da MPB). Curtia muito Tom Zé, Itamar Assumpção, Gilberto Gil anos 1970”, conta.

Bem alimentado desde a infância, o menino Uyatã caiu no Bob Marley, Fela Kuti, Miles Davis e Herbie Hancock na adolescência.

“Mas o cara que me fez prestar atenção na minha própria cidade é o Pisane Pisa, daqui de Feira, e Mestre Cláudio & Os Angoleiros do Sertão, que fazem samba de roda”, diz.

“Piza é o maior compositor de Feira. Me fez enxergar minha cidade, me fez cantar minha terra. Ouvindo tudo isso falei ‘porra, vamos tentar pegar essas influências de samba de roda que é bem peculiar daqui e juntar com essas linguagens da música pop mundial”, detalha.

O resultado dessa viagem está no EP Mórula. Mas que diabos é uma mórula?

“É uma fase anterior à formação do embrião. É o nosso estágio no mundo da música: pré-embrionários, querendo ser um bebê”, afirma.

Cada show é um evento diferente. “Para não nos cansamos de nós mesmos, propomos temáticas diferenciadas a cada apresentação. Teve um show que estava de roupa militar vermelho, representando Maria Quitéria, que nasceu em Feira no São José”, conta.

“No show do Mórula, simulamos um nascimento. Botamos uma vagina gigante no palco. Aí eu de lá saía seminu e umas amigas me botaram uma  fralda. Aí começamos o show”, conta.

Além de Uyatã, a banda conta com Ravel Conceição (guitarra), Luís Henrique (bateria), Pedro Lucas (teclado) e Ederval Fernandes (baixo).

Infelizmente, a banda ainda não teve oportunidade de tocar em Salvador. Fica a dica aos produtores

Ouça: www.facebook.com/uyata.iradera

DE ALAGOINHAS, A INVENTURA JÁ RODOU POR AÍ. AGORA ELES QUEREM MAIS

Rapaziada da Inventura na foto de Jamille Almeida
Um pouco de geografia: a Bahia é dividida em sete microrregiões.

São elas: Vale São-Franciscano da Bahia, Centro-Norte, Nordeste, Região Metropolitana de Salvador, Centro-Sul, Sul Baiano e Extremo Oeste Baiano.

Pois bem, de todas as sete, apenas a última  não apresentou uma banda de rock na coluna no blog.

Ainda não é desta vez. Hoje, Alagoinhas (do Nordeste baiano) mostra uma segunda banda na Coletânea no Rock Loco – a primeira foi a Nute, alguns anos atrás.

O power trio Inventura é mais um daqueles casos de banda do interior baiano que não deve nada a nenhuma banda do underground de qualquer capital do país.

Duvida? Dá uma ouvida (via Soundcloud) no primeiro álbum dos meninos, lançado há pouco tempo.
Rock sem pose, pra frente, atual, com letras em português e sem firulinha.

“Nossa proposta é um rock direto e simples, em português”, confirma o baterista Felipe Costa.

“Eu e Lucas (baixo e vocal) somos irmãos. Paulo (Dantas, guitarra) estudava com a gente no mesmo colégio em Alagoinhas”, conta.

“Desde a adolescência que a gente se identificava atraves da música. Então  sempre tocamos juntos nos festivais do colégio, essas coisas”, relata Felipe.

No momento, Felipe está morando em Salvador, aonde estuda em uma faculdade. “Lucas e Paulo continuam em Alagoinhas, onde temos nosso estúdio de ensaio, nosso QG. Vim para cá estudar, mas estou sempre por lá. Quase todo fim de semana nós ensaiamos, planejamos shows e tal”, conta.

No Mercado das Borboletas

No último domingo início de agosto, o trio tocou pela primeira vez em Salvador, no festival Big Bands.

Mas os caras não são fracos, não. Já se apresentaram em Belo Horizonte e São Paulo.

“Tocamos no festival Conexão BH. Foi legal demais, com várias bandas boas e palcos em vários locais da cidade. Tocamos no Mercado das Borboletas em um clima muito astral. A atmosfera da plateia só deu mais tesão para tocar. E  a galera curtiu, vendemos vários CDs”, relata.

Produzido por eles mesmos, mixado e masterizado por andré t., o CD da Inventura saiu em formato físico e está à venda no Facebook dos meninos.

“Pena que não teve grana para bancar a produção toda com andré. Mas os toques que ele deram  outra cara no CD”, diz.

Com 13 faixas, o CD ainda terá  show de lançamento próprio em Salvador, Feira e Alagoinhas, planeja o trio

Ouça: www.facebook.com/inventurarock