terça-feira, março 20, 2012

ESPECIAL FC: MOSTRA BRITÂNICA NO SHOPPING, DOCTOR WHO NA CULTURA E STEAMPUNK NO BRASIL


A ficção científica é um gênero com muitos pais e mães, mas com poucos locais de nascimento. Há quem sustente,  com razão, que o Reino Unido é a maternidade por excelência da FC, dada sua longa tradição em romances do gênero. Para provar a tese, chega a Salvador, a partir de hoje até 1º de abril, a exposição British Sci-Fi

A mostra é composta, basicamente, por extensos paineis que contam a história da FC ao longo das décadas e objetos como bonecos e máscaras.

Promovida pelo curso de inglês Cultura Inglesa, a exposição British Sci-Fi tem curadoria do expert paulista Rogério Campos.

Inicialmente, ela foi pensada para integrar a programação do festival anual de cultura britânica da escola, o Cultura Inglesa Festival, que acontece todo mês de maio em São Paulo e conta com shows, festas, exibições de filmes e mostras.

“Soube que tinha essa mostra de FC e aí achei que tinha apelo popular. Solicitei e eles [Cultura Inglesa de São Paulo] cederam o material para uma turnê pelo Brasil”, conta Steve Barlow, coordenador da escola de Recife.

“A mostra vai passar por dezenove cidades e Salvador é a sétima a recebe-la”, acrescenta.

“O conteúdo  é exibido de duas formas: paineis com enfoque nos autores e uma linha do tempo, que mostra a evolução da FC. Os leigos podem ter uma boa ideia de onde um autor como HG Wells (Guerra dos Mundos) e uma obra como  2001: Uma Odisseia no Espaço  se encaixam na história da ficção científica”, explica Steve.

Frankenstein: origem

Já Laerte Mello, coordenador do Cultura Inglesa Festival de São Paulo, conta que não é um entusiasta, mas que acabou se entusiasmando com o assunto.

“Por isso contratamos o Rogério Campos, especializado em FC. Aí acabamos descobrindo que a ficção científica começou lá atrás, em 1818, com Frankenstein, de Mary Shelley”, lembra.

“Na mostra, a linha do tempo mostra isso com clareza – e como ela foi saindo da literatura  e entrando na música, no cinema, HQs e seriados”, diz.

Exposição British Sci-Fi / Salvador Shopping:  19 a 25 de março (Piso G1) / Salvador Norte Shopping: 26  de março a  1º de abril (Piso L2) / Horário de Funcionamento dos Shoppings / Grátis

Doctor Who, finalmente, no Brasil

 
Um clássico bem britânico é o seriado Doctor Who (BBC), no ar desde os anos 1960. Em São Paulo, a mostra teve até palestra de um dos roteiristas.

Coincidentemente, o seriado – uma nova versão do clássico dos anos 1960, no ar desde 2005, com o ator Christopher Eccleston no papel título –  estreou ontem mesmo, na TV Cultura.

Assistam de segunda a sexta-feira, sempre às 20h20.

A série acompanha as aventuras de um homem misterioso, capaz de viajar no tempo e no espaço, resolvendo os casos mais estrambóticos e cruzando com seres extraterrestres e personalidades históricas.

O detalhe interessante é que a "nave" em que o Doutor viaja é esta cabine de telefone dos anos 1950, que era usada pelos transeuntes para chamar a polícia em caso de necessidade.

Pequena por fora, a cabine se revela uma nave espacial (e "temporal") gigantesca por dentro.

Objeto de culto, Doctor Who é um fenômeno de cultura pop, que, apesar de pouco conhecido no Brasil, só encontra paralelo com Star Trek.

Saiba mais aqui, aqui e aqui.



PUNK À VAPOR

A Máquina Diferencial, livro-gênese do subgênero steampunk, chega ao Brasil em excelente edição da Aleph

Um dos gêneros mais ricos da literatura, a ficção científica gera inúmeros outros subgêneros derivados. Dois dos mais recentes são o cyberpunk e steampunk.

O primeiro já é razoavelmente bem conhecido e tem no livro Neuromancer (1984), de William Gibson, sua gênese.

Foi o mesmo Gibson, ao lado de outro adepto do cyberpunk, Bruce Sterling (O Consertador de Bicicletas) quem gerou o steampunk.

O marco inicial é o livro A Máquina Diferencial (1991), que finalmente, ganha edição brasileira, via editora Aleph.

Ambientado em uma espécie de realidade paralela, o universo steampunk combina a tecnologia a vapor da Era Vitoriana e da Revolução Industrial.

Daí a denominação steam + punk, ou seja, punk a vapor – com muita fantasia, ação e intriga política em uma  delirante salada cultural.

Computador vitoriano

Em A Máquina Diferencial, Gibson e Sterling lançaram as bases do subgênero, hoje muito em voga no cinema e nos quadrinhos, vide obras como A Liga Extraordinária (HQ e filme), Van Helsing e As Loucas Aventuras de James West, entre outros.

De certa forma, esses últimos filmes do detetive Sherlock Holmes, dirigidos por Guy Ritchie, incorporam muito da estética steampunk, também.

No livro, uma leitura difícil de se largar depois que se pega o ritmo, o leitor acompanha uma densa trama de intriga política em torno da máquina do título – o computador da Era Vitoriana, 100 anos antes de sua invenção, o que dá ao Reino Unido, poder mundial absoluto.

(Na "vida real", a máquina diferencial foi criada em 1820 pelo matemático inglês Charles Babbage e é apontada como o primeiro protótipo de computador, visto na imagem em P&B ao lado).

Entram em cena a filha de um agitador ludita executado, um misterioso jornalista, um paleontólogo e a filha do poeta Lorde Byron, envolvidos em um turbilhão de disputas pelo poder.

A Máquina Diferencial / William Gibson e Bruce Sterling / Aleph / 456 p. / R$ 55 / www.editoraaleph.com.br

A ilustração steampunk mais acima é do artista Michael Dashow. Conheça.

Ah! No Brasil já tem uma ruma de doido cultuando o steampunk. Vejam: www.steampunk.com.br/

sábado, março 17, 2012

BUSTER, HC MELÓDICO DE PRIMEIRA LINHA, É OUTRA BANDA AFINADA NAS GUERILLA GIGS

O rock ultraindependente de Salvador parece estar entrando em uma nova fase, mais pró-ativa e consciente – é o seu próprio movimento occupy, digamos.

Como já foi divulgado antes neste blog, o coletivo TomanacaraHC (e mesmo bandas “solitárias” como a Não & Proliferação, também já vista por aqui) vem promovendo shows gratuitos em ruas e praças da cidade. Mais notadamente no Largo de Santana (Dinha) e na Praça do Skate (Imbuí).

E uma das bandas mais ativas (e apreciadas) em torno do TomanacaraHC é a Buster, quarteto de hardcore melódico fundado em 2003, mas que só caiu “na estrada” mesmo a partir de 2008.

“A Buster era um power trio. Eu fui o último a chegar, em 2005”, relata o baixista Rodrigo Velázquez, o Doug.

Ele conta que Danilo (Nunes, guitarra), Gustavo (Guerra, bateria) e Thiago Nogueira (guitarra e voz) “já se conheciam do colégio, da rua, já que moravam todos na Cidade Baixa.

Depois de algum tempo, viram que precisavam de mais um na banda. Soube disso através do Dieguito (Vivendo do Ócio). Aí eu conheci os caras e me juntei a eles”.

Não espere: se organize logo

A partir de 2008, com o lançamento da primeira demo virtual com apenas duas faixas, a banda começou a despontar no circuito.

“Nossa praia é essa mesmo: HC melódico, skate rock, trilhas de filmes de skate e surf. Esse é o som que a gente se amarra”, afirma.

Com letras em inglês, a Buster lançou no ano passado o primeiro EP, Choose Any Direction, com seis faixas.

“Nossas maiores influências são estrangeiras mesmo, de hardcore californiano. E também achamos que as letras não soaria tão legais em português”, justifica.

Agora acaba de sair a coletânea sulista Manual de Resistência Vol. 3. “Esse disco foi organizado pelo Nenê Altro, da banda paulista Dance of Days. Somos a única banda do Norte / Nordeste no CD”, conta.

Sobre as guerilla gigs locais, o baixista acredita que “é um protesto contra a falta de oportunidade. Então  vamos tocar na rua, puxar gato mesmo, fazer na cara dura. Senão não tocamos nunca. Se você quer tocar, não espere. Meta a mão, organize com outras pessoas e faça seu show você mesmo”, conclui.

Ouça:

Não-fãs de hardcore melódico costumam correr léguas de bandas do estilo. A  local Buster, porém, tem a  habilidade incomum de conferir  pegada universal no som e agradar até quem não é adepto. Experimente. Buster / Choose Any Direction / Baixe: www.tramavirtual.uol.com.br/buster

quarta-feira, março 14, 2012

MOZ, 9 DE MARÇO DE 2012, FUNDIÇÃO PROGRESSO, RIO DE JANEIRO


Depressão adolescente embalada ao som de The Smiths foi um privilégio que só quem era jovem nos anos 1980 pôde degustar em primeira mão.

Mas como toda banda original, seu legado sobrevive ao tempo e segue seduzindo. Na Fundição Progresso, Morrissey atraiu tanto coroas daquele tempo, quanto novos fãs.

A abertura ficou por conta da cantora e tecladista Kristeen Young, que fez um show chatérrimo! Alguém precisa avisar à mocinha que tudo o que ela faz hoje Bjork já fez antes, uns 15 ou vinte anos antes.

Quem estava na - desnecessária e inaceitável - área vip garante que ela pagou peitinho direto.

Como eu estava meio longe do palco, perdi o melhor do show, se é que vcs me entendem....

Após mais de meia hora de suplício com essa histericazinha mala, vem uma sequencia de clipes que é a cara do Morrissey: Sparks, Françoise Hardy, Velvet, Nico solo, sei lá mais quem e, claro, New York Dolls!

A essa altura eu já tava ficando mais animado.

Aliás, que lugar do caralho a Fundição Progresso. O espaço do show é só um entre vários que tem lá. Gigante, tem pizzaria e as porra!

De repente, as cortinas caem e lá estava a banda, já no palco. A galera urra. Morrissey entra, novos urros. First of The Gang To Die começa automaticamente.

Muito profissional, o mancuniano fez um show tecnicamente redondo – o homem parece incapaz de desafinar –, acompanhado de banda bastante competente, mas pouco elegante: em sungas amarelas e só.

Menos o veterano guitarrista Boz Boorer, que estava de drag queen - grafinha!

Ainda que o público já estivesse ganho logo de saída, Morrissey se esforçou,  emocionando a multidão com suas canções solo e um punhado de clássicos dos Smiths, como How Soon Is Now?, Still Ill, Please Please Please Let Me Get What I Want e There Is a Light That Never Goes Out, em  versões vigorosas.

O ritmo de celebração porém, foi quebrado em algumas ocasiões, como na panfletagem vegan Meat Is Murder (aí o telão exibe vacas e frangos trucidados) e algumas canções mais recentes (e não tão brilhantes), como  When Last I Spoke To Carol e Black Cloud.

Mas hits como First of The Gang To Die (abertura do show) Everyday is Like Sunday, Let Me Kiss You, You Have Killed Me e I'm Throwing My Arms Around Paris garantiram o status de “inesquecível” ao show.

Outra coisa sensacional é o gestual do cara. São meneios, acenos, gestos amplos e curtos – tudo com uma classe britânica difícil de chegar junto. Moz é o cara, sério mermo!

Confesso que não chegou a ser um dos melhores shows que já vi na vida etc e tal. Mas valeu cada centavo.

Um daqueles shows que falam direto com o adolescente deprê que eu fui. Um acerto de contas. Uma forma de dar adeus (ou ao menos, um tchauzinho) a mim mesmo, versão de 25 anos atrás. Afinal, minha depressão adolescente foi amplamente embalada ao som desse cara e sua ex-banda.

Mas interessante foi a coincidência da visita do Príncipe Harry ao Rio no mesmo dia, em busca de investidores para a Olimpiada de Londres.

“Ele veio buscar o dinheiro de vocês. Por favor, não deem”, alertou o anti-monarquista convicto. Recado dado!


Foto Felipe Panfili / AgNews

Veja mais imagens deste show aqui.

terça-feira, março 13, 2012

OS DIÁRIOS DO PAPA: L&PM SOLTA NOVA EDIÇÃO ENCAIXOTADA E BIOGRAFIA

Se Humphrey Bogart gostava de alardear que estava sempre três doses de uísque a frente do resto da humanidade, o pop artista Andy Warhol, cuja morte completou um quarto de século no último dia 22,  partilhava de dilema parecido.

Mas no seu caso, parece que o adiantamento em relação aos meros mortais se media não em mililitros, mas em anos-luz.

Não precisa nem recorrer ao clichê de sua frase mais profética e famosa (“No futuro, todos terão direito a 15 minutos de fama”): no You Tube mesmo há um vídeo de Andy Warhol em que ele aparece, em 1985, pintando a cantora Debbie Harry (Blondie) em um programa do computador Amiga, então muito em voga.



O vídeo simboliza bem o espírito do genial papa da pop art: em 1985, nos primórdios da computação gráfica, muito antes da Internet ou mesmo da febre do design gráfico via Photoshop / Corel Draw, lá estava Drella (apelido íntimo que juntava Drácula com Cinderella e resumia sua personalidade) em pessoa, fazendo arte pelo computador.

Para marcar a data no Brasil, a editora gaúcha L&PM recoloca no mercado seus famosos Diários, agora em versão pocket em dois volumes (que podem ser adquiridos juntos em uma caixinha) – além de  uma  biografia inédita: Andy Warhol (240 pgs., R$ 18), da Doutora em Filosofia Mériam Korichi.

Publicados pela mesma L&PM em 1989, os Diários de Andy Warhol constituem um registro inestimável e trazem a público a visão do agitadíssimo dia a dia de um artista único e original, em mais de 1,1  mil páginas que respiram  a  Nova York pré-11 de setembro – e em vários níveis.

Desde a rua, aonde encontrava os artistas que colocava sob sua asa, como Keith Haring e Jean Michel Basquiat, até as boates e coberturas mais chiques, aonde convivia e fofocava com o jet set internacional em peso: astros do rock, realeza europeia, personalidades da TV, cinema e teatro, jornalistas, escritores, supermodelos, milionários e malucos em geral.

Editados pela sua secretária particular, Pat Hackett, ela conta na introdução que esses diários não eram exatamente escritos por Andy, mas metodicamente ditados à ela mesma, todo santo dia, pessoalmente ou por telefone, estivesse ele aonde estivesse.

Estão lá suas viagens, relações comerciais, o dia a dia da redação da badalada revista Interview (fundada em 1969 por Warhol), nights em boates, teatros, festas e restaurantes, caminhadas pela cidade e inúmeras outras ocasiões.


Claro, em quase todas as páginas há trechos impagáveis, coisas só poderiam acontecer com alguém como ele mesmo, narrados no seu estilo fleugmático inconfundível. Um exemplo, de 1º de dezembro de 1976: “Comentamos como (o fotógrafo Richard) Avedon é horrível, ela (China Machado, modelo) disse que ele tira o que quer de uma pessoa e depois joga fora. Eu concordei e daí todo mundo gritou comigo, dizendo que eu faço a mesma coisa”.

Aproprie-se de imagens

Natural de Pittsburgh, filho de imigrantes eslovacos, Andrew Warhola (nascido em 6 de agosto de 1928), se mandou para Nova York ainda em 1949, aonde atravessou a década seguinte trabalhando como ilustrador de anúncios.

Em 1964 iniciou o movimento  pop art, apropriando-se de imagens comerciais como latas de sopa e caixas de sabão em pó para questionar o que é e o que não é considerado “arte”.

O arquiteto e artista visual baiano Almandrade acredita que sua abordagem permanece atual como nunca: “Nós últimos 25 anos o mundo mudou muito, mas todo trabalho artístico que tem um investimento conceitual, como o de Andy Warhol continua produzindo questionamentos atuais”.

“O momento em que ele surge foi de transição, da modernidade para a contemporaneidade, a era da reprodução mecânica de mídias. Diante de tantas imagens, o artista não precisa criar mais uma imagem:  ele se apropria de uma. Então ele nos ajuda a compreender esse momento em que a imagem passa a ter mais importancia do que o real. A lata de sopa Campbell's deixa de ser a lata de sopa e passa a ser imagem. O mundo deixa de ser real e pasa a ser imagem, por que o real não interessa mais. Ele antecipou isso: é o mundo da imagem. Ela é mais forte do que o real. As imagens de Warhol são congeladas no tempo”, observa.

Diários de Andy Warhol / Andy Warhol, editado por Pat Hackett / L&PM / 624 p. (vol. 1),  544 p. (vol. 2) / R$ 29 (cada), R$ 58 (caixa)

Andy Warhol / Mériam Korichi / L&PM / 240p. / R$ 18 / http://lpm.com.br

quinta-feira, março 08, 2012

ÁGUAS E MICRO-RESENHAS DE MARÇO

Tirem as crianças da sala...

...que a conversa é de adulto. O que acontece quando uma lenda viva do jazz de Nova Orleans (e sua puta big band) é colocado na mesma sala que uma lenda viva do blues? Resposta óbvia: mágica. Este é o encontro de Wynton Marsalis com Eric Clapton: uma reunião de músicos  exercitando, em arranjos riquíssimos, clássicos do repertório sulista, como Ice Cream (arrasador), Forty-Four e The Last Time. Outra lenda viva, Taj Mahal, surge e arrepia em Corrine, Corrina e Just  a Closer Walk With Thee (tema dos animados cortejos fúnebres de Nova Orleans). Nem precisava ter incuído o cavalo de batalha claptoniano Layla. Mas já que incluíram... valeu, tá?  Show é o caramba – isso aqui é uma aula, meu senhor. Wynton Marsalis & Eric Clapton Play the Blues – Live from Jazz at Lincoln Center / Warner / R$ 49,90 (DVD+CD)



Rock ortodoxo e genético

Lançado em outubro de 2011, quase ninguém deu bola para este segundo CD do Beto Lee – maldade, pois é um belo disco de rock ‘n’ roll no estilo clássico que celebrizou sua genitora (Rita) em tempos áureos. Ortodoxo, atira em diversas vertentes do gênero, acertando quase sempre, como na faixa-título, rockão que lembra Made in Brazil ou Barão Vermelho dos bons tempos. O disco segue em alta com Tente Acreditar em Mim, Eu Quero Desapego e Encrenca (mais devagar, com bom arranjo vocal). Mama Lee ganha tributo sincero com a regravação de Corista de Rock (faixa de 1976). Beto Lee / Celebração & Sacrifício / Som Livre / R$ 19,90



One hit wonder da hora

Alguém aí lembra de uma banda chamada EMF? Não, né? Garotos, estouraram mundialmente em 1991, com o hit Unbelievable – agora lembraram, né? Claro, nunca mais fizeram sucesso na vida. A banda norte-americana Foster The People é como um EMF: o one hit wonder da hora. No ano passado, o trio de Los Angeles emplacou geral o sucesso de verão (no hemisfério norte), Pumped Up Kicks, cançãozinha ordinária de arranjo raquítico com letra enviesada sobre pedofilia. No disco cheio, demonstram quão imaturos ainda são. Além de Pumped Up Kicks (OK para a pista), pouca coisa se salva. Call It What You Want soa até melhor que o hit. E só, né? (E outra coisa: sou do tempo que o "The" ficava antes do nome da banda, e não no meio, como essa aí e aquela outra, Cage The Elephant - que pelo jeito, entraram na fila duas vezes quando estavam distribuindo nomes ruins para bandas de rock). Foster The People Torches / Star Time - Sony /  R$ 26,90


Indie MPB que não chateia

Bem elogiado pela crítica, Fábio Goes teve este disco, seu segundo, incluído em diversas listas de Melhores de 2011. De tom intimista, o som passeia entre o indie e a MPB com dignidade e evitando clichês – o que já é muita coisa. Talento promissor. Fábio Goes / O destino vestido de noiva / Vendas: www.fabiogoes.com








Jack & A Tchurma Beat

O fascínio de Kerouac e sua tchurma beatnik sobre mentes jovens e influenciáveis parece mesmo imorredouro. Aqui, o quadrinista paulista João Pinheiro presta homenagem sincera e até mesmo tocante, mas que peca na idealização excessiva do ídolo. Mas há bons momentos, como o frenético trecho da viagem de carro. Kerouac, / João Pinheiro / Devir/ 112 p./ R$ 25/ www.devir.com.br









Prosa rica como a Amazônia, de um mestre do Norte

Publicado em 1886, este livro é a única obra de ficção do jornalista paraense José Veríssimo (1857-1916). Inclui o antológico O Crime do Tapuio, considerado um exemplo perfeito do Naturalismo brasileiro, graças ao antagonismo sociedade versus natureza. Cenas da vida amazônica / José Veríssimo / WMF Martins Fontes/ 328 p./ R$ 48/ www.martinsfontespaulista.com.br  



Sexo, tédio, drogas etc

Ícone da literatura pop dos  anos 1980, Abaixo de Zero marcou época ao retratar o vazio de uma geração de jovens norte-americanos bem nascidos, afundados em tédio, drogas, sexo e rock ‘n’ roll. Em 1988, foi adaptado ao cinema, com um jovem Robert Downey Jr. no papel principal. Agora, chega em bem vinda edição pocket. Abaixo de Zero / Bret Easton Ellis / L&PM / 176 p. / R$ 15 / www.lpm.com.br






  

O corno e o Ricardão

Escrito em apenas três meses de 1869, durante uma fase de vacas magras, este Dostoiévski mostra o surreal encontro entre um marido traído e o suposto “Ricardão”. As consequências deixam os personagens à beira da loucura (e do crime). Considerado um dos trabalhos mais refinados do gênio russo, é um texto encharcado de ironia. O Eterno Marido / Fiódor Dostoiévski / L&PM / 176 p. / R$ 14 / lpm.com.br








Da vida - inclusive sexual - dos anões

“Verticalmente prejudicado”, como dizem os politicamente corretos, o humorista carioca Gigante Leo escreve com leveza sobre a vida dos anões: suas dificuldades, vantagens, presença na cultura pop, mitos, curiosidades (incluindo sexo) e até uma seção só de piadas de anão. O Grande Livro dos Anões / Gigante Leo / Matrix / 104 p. / R$ 19,90 / www.matrixeditora.com.br









Salada pop que agrada

Terceira parte da série de HQs  A Torre Negra, baseada na obra de  Stephen King, Traição mostra o jovem pistoleiro Roland Deschain às voltas com as visões aterrorizantes de uma tal Toranja de Merlin, espécie de bola de cristal psicodélica. FC, faroeste, terror e fantasia numa senhora salada com a arte elegante e exuberante de Jae Lee (Inumanos). A Torre Negra HQ - Vol. 3: Traição / P. David, R. Furth, J. Lee, R. Isanove / Suma de Letras / 152 p. / R$ 59,90 / www.objetiva.com.br







Clássico espremido

Boa (e detalhada) adaptação em quadrinhos da epopeia ao redor do planeta protagonizada por Phileas Fogg e seu ajudante Jean Passepartout. Indicado para jovens e estudantes, só tem um porém: o formato menor que o original, que “espreme” desenhos e textos, prática recorrente da editora. Ainda assim, é um bom início para a coleção de clássicos em HQ. A Volta ao Mundo em 80 Dias / Julio Verne, Chrys Millen (adaptação) / L&PM / 60 p. / R$ 25 / lpm.com.br








Duelo de gigantes: Borges versus Dante

Escritos nos anos 1930, os brilhantes ensaios dantescos do brujo argentino vem se somar à inesgotável fortuna crítica d’A Divina Comédia. A edição ainda traz um ensaio sobre Shakespeare e três contos – os últimos redigidos antes de sua morte, em 1986. Nove Ensaios Dantescos & A Memória de Shakespeare / Jorge Luis Borges / Companhia das Letras / 104 p. / R$ 29,50 / www.companhiadasletras.com.br








Musa almodovariana

Adorada por Almodovar, que incluiu duas de suas canções em A Pele Que Habito, a cantora espanhola Concha Buika  chega ao Brasil com esta coletânea que compila faixas de seus quatro álbuns. De entonação dramática, sua bela voz é emoldurada em arranjos de elegância cubana (alguém falou Buena Vista Social Club?), em cha cha chas, rumbas, tangos e cumbias. Adorável. Buika / En Mi Piel / Warner / R$ 31,90








Veteranos sem talento

O 311 é uma daquelas bandas norte-americanas branquelas que misturam rock com funk, punk, metal e rap – e acabam não fazendo nenhum desses estilos de forma minimamente satisfatória. Com vinte anos de carreira, nem a produção do experiente Bob Rock dá jeito nesses caras. A sonoridade não é ruim, há até bons timbres de guitarra, mas as músicas entram por um ouvido e saem direto pelo outro...  311 / Universal Pulse / Deckdisc / R$ 21,90







Hollywood city cops
 
A capital da indústria do cinema conta com uma elite única de policiais: a Divisão de Relações Comunitárias. Quando um de seus  oficiais, o aspirante a ator (claro) Nate Weiss se envolve com a femme fatale (claro de novo) Margot Aziz, um intrincado golpe se desenrola e abala toda Hollywood. Os Corvos de Holywood/ Joseph Wambaugh / Record / 416 p. / R$ 52,90 / www.record.com.br

 







Mangás de bolso

A série Pocket da L&PM estreia no concorrido mercado de mangás com Solanin, obra cultuada e premiada no Japão, aonde já foi até adaptada para o cinema. No gênero drama, conta a história de Meiko, jovem auxiliar de escritório que decide largar o emprego e perseguir o sonho de se tornar estrela da música pop. Já saíram dois volumes. Solanin (Vols. 1 e 2) / Inio Asano / L&PM/  216 e 224 p. / R$ 15 e R$ 16 / lpm.com.br







Samba com sabedoria

De 1969, o LP Meu Samba, Minha Vida foi um dos últimos registros do sambista carioca  Cyro Monteiro (1913-1973), agora de volta às lojas em CD. Muito popular entre as décadas de 1930 e 40, Cyro foi um dos cantores preferidos de Vinícius de Moraes – muito provavelmente pela pureza do seu samba e pelas letras a primeira vista ingênuas, mas carregadas de sabedoria popular, como Tristezas Não Pagam Dívidas, de Ismael Silva: “Pois ninguém deve chorar / Só por causa de amor / E nem se lastimar/ Por causa disso eu não vou me derrotar”. Belo registro. Cyro Monteiro / Meu Samba, Minha Vida / Copacabana - EMI / R$ 17,90



Os anos 1990 voltaram?

Quem deu a melhor definição para este disco de retorno da banda noventista Bush foi o crítico Mikael Wood, da revista gringa Spin: “viva la grunge manifesto”. Marola final do tsunami que se levantou de Seattle e engolfou o planeta, o Bush fazia mais sucesso com as meninas do que com os marmanjos, graças ao vocalista  galã Gavin Rossdale, mas tinha um ou dois hits legais. Neste retorno, faz sua profissão de fé como banda de pós-grunge em faixas de certo apelo, como All My Life e She’s A Stallion. Mas o CD como um todo soa... extemporâneo. Para dizer o mínimo. Bush / The Sea of Memories / Zuma Rock Records - Lab 344 / R$ 37,90



Parece, mas não é Restart

É difícil levar a sério a banda Never Shout Never quando se vê as fotos do seu idealizador, que começou como projeto solo: Christofer Drew parece um clone / sósia do cantor do Restart. Com o disquinho no aparelho, porém, é possível perceber que o rapazinho tem mais ambições na vida do que ganhar dinheiro fácil e fazer jovenzinhas histéricas arrancarem os cabelos. Em diversas faixas, a banda exibe uma bem-vinda influência do Queen, com intrincados arranjos vocais e timbres de guitarra chupados de Brian May. Precisa comer muito feijão ainda, mas começou direitinho. Never Shout Never / Time Travel / Reprise - Warner / R$ 27,90



Lehane rules

Um dos melhores nomes da ficção policial contemporânea, Dennis Lehane aborda aqui uma intrincada trama envolvendo tráfico de bebês, produção de metanfetamina, pedofilia, identidades falsas  e o roubo de uma relíquia. Na função, o detetive Patrick Kenzie, o mesmo do livro Medo da Verdade. Estrada Escura / Dennis Lehane / Companhia das Letras / 336 p. / R$ 37 / companhiadasletras.com.br







1984 made in China

Banido da China, este elogiado romance tem sido comparado a 1984 de George Orwell, graças ao clima sombrio de vigilância do estado sobre o cidadão. Ambientado no futuro próximo, mostra o escritor Lao Chen e sua namorada, Xi, tentando descobrir o  que aconteceu durante 28 dias que sumiram do calendário, em meio a euforia generalizada da China superpotência. Os anos de fartura - China 2013 / Chan Koonchung / L&PM / 280 p. / R$ 44 / lpm.com.br

quarta-feira, março 07, 2012

PORCAS, PARAFUSOS, BORRACHAS E UM PIANO PARA JOHN CAGE


Um compositor erudito da vanguarda do século 20, um piano com diversos objetos meticulosamente inseridos entre suas cordas e três musicistas apaixonadas por esta obra.

Estes são os ingredientes do álbum / projeto Preparado em Curitiba: John Cage - Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado.

Para quem não conhece, o norte-americano John Cage (1912-1992) foi um dos maiores nomes da música erudita avant-garde  do século passado.

Criadas entre 1946 e 1948, as Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado foi um dos pontos altos de sua produção.

E foi este o material escolhido pela idealizadora e diretora musical Vera di Domênico, as pianistas Lilian Nakahodo e Grace Torres, para homenageá-lo no seu centenário de nascimento.

Trata-se  de uma série de vinte peças curtas, entre dois e seis minutos, em que a melodia fica em segundo plano em favor da harmonização dos silêncios e das inusitadas sonoridades percussivas extraídas do “piano preparado” – no caso aqui, um Bösendorfer cuidadosamente preparado com a inserção,  entre as cordas, de parafusos, porcas, borrachas e outros objetos.

Antes que puristas se horrorizem com um suposto estupro pianístico, Vera garante que o instrumento não sofre qualquer dano: “As pessoas  às vezes tem uma impressão pavorosa, mas tudo é colocado delicadamente. Não se fura o piano, não se quebra cordas. Esse processo existe há 60 anos, e é totalmente profissional”, esclarece.

E o som resultante, que poderia parecer agressivo, “é justamente o contrário: é um som delicado, sutil. E o piano sai ileso do preparo”, garante.

Até por que John Cage deixou uma bula,  determinando exatamente aonde cada peça se encaixa no instrumento.

Mesmo assim, da primeira vez em que ela, Lilian e Grace tentaram preparar o piano, não foi tão fácil: “É uma bula  delicada, com tudo especificado. Por exemplo: entre as cordas 2 e 3, a um quarto da ponte, vai um parafuso de móvel sem ponta,  de tamanho médio. Então levamos um tempinho para achar todo os objetos especificados”, conta.

Agora, porém, com todo o material coletado, as pianistas podem preparar qualquer piano de cauda em questão de duas horas.

“Depois  elas ensaiam por uma hora e meia e o recital está pronto para começar”, diz.

Curitiba, Alemanha e Brasil

Após o lançamento do CD em Curitiba (18 de janeiro último), viabilizado pela Fundação Cultural municipal, o trio já levou o espetáculo para um dos centros da música erudita na Europa, os Tage für Neue Musik (Dias da Música Nova) em Darmstadt (Alemanha), realizados desde 1955, em 4 de fevereiro último.

“O concerto teve um público muito legal. Muitas pessoas que estavam lá eram pessoas que conheceram pessoalmente o John Cage, quando ele esteve  em Darmstadt. Eles vieram  nos procurar e foi uma experiência muito bonita”, relata.

“Agora queremos levar o concerto para outras cidades do Brasil –  salas, mas também universidades, já que estamos no seu centenário”, acrescenta.

Vera não esconde seu desejo de mostrar essa música tão diferente ao público baiano: “Salvador mesmo, nós adoraríamos ir. Só precisamos de um piano de cauda, nem precisa ser cauda inteira, pode ser um quarto. E sempre fazemos um bate-papo depois do recital. As pessoas podem se aproximar e conhecer o piano preparado”, sugere.

Cage, que era zen-budista, se inspirou nas orquestras de Gamelão (Indonésia) e nas nove rasas (estados emocionais da filosofia hindu), para criar estas peças, as quais Vera define como “fundamentais na história da literatura pianística mundial. Apesar de soar muito diferente, ele tinha um sistema de escrita genial, perfeitamente lógico e coerente”, conclui.

Preparado em Curitiba: John Cage - Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado / L. Nakahodo e G. Torres / MCK / R$ 32,90

Crédito fotos Vera di Domênico, Grace Torres e Lílian Nakahodo: Andressa Cor / Divulgação.

terça-feira, março 06, 2012

(HQ) EURO EM ALTA

Se a economia por lá vai mal e aqui (dizem), vai bem, é até natural que isso aconteça: os álbuns europeus de HQ estão voltando com tudo às prateleiras das livrarias brasileiras.

Não que eles tenham sumido, mas agora, parece que as editoras estão investindo com vontade e trazendo mais material inédito, incluindo alguns clássicos europeus nunca antes publicados por aqui.

Da última vez que isso aconteceu, meados dos anos 1980, foi numa conjuntura similar: era a eufórica época do Plano Cruzado, com a moeda nacional (o tal do Cruzado) artificialmente equiparada ao Dólar (ainda não existia Euro na época).

Isso possibilitou que editoras como L&PM, Martins Fontes, Brasiliense e outras inundassem as livrarias com álbuns de Milo Manara, Hugo Pratt, Moebius, Guido Crepax e muitos outros.

Agora, com o Euro em baixa, esses mesmos autores (acompanhados de outros, mais novos) voltam em grande estilo às livrarias, em edições até mais completas e bem cuidadas do que as dos anos 1980.

A ponta de lança do movimento parece ser o selo Nemo da Editora Autêntica, que está trazendo coleções em capa dura com material inédito de Moebius (já no segundo volume) e Corto Maltese, além do premiado Era a Guerra de Trincheiras, de Jacques Tardi.

E para 2012, além de continuar Moebius e Corto, o Nemo acaba de anunciar a  Trilogia Nikopol, do belga Enki Bilal.

Composta pelos álbuns A Feira dos Imortais, A Mulher Enigma e Frio Equador, somente os dois primeiros foram publicados no Brasil pela Martins Fontes, na época do Cruzado. Agora, finalmente, o leitor brasileiro poderá ler a saga completa, e em formato maior do que o anterior.

Incal Integral e mais

Outro material imperdível para os apreciadores / colecionadores que chega logo logo é o livrão Incal Integral (312 páginas, R$ 95) que a Devir está prestes a soltar, trazendo a cultuada trilogia O Incal, de Alejandro Jodorowsky e Moebius.

Correndo por fora, editoras como Conrad, Barba Negra, Tinta Negra (nenhuma ligação entre as duas últimas) e outras também tem caprichado com bons álbuns, veja abaixo.

Coordenador do selo Nemo, o mineiro Wellington Srbek conta que a recepção ao material europeu “tem sido muito legal”.

“Em termos de repercussão, foram muito elogiados e bem recebidos não só pelo ineditismo do Corto Maltese e Era a Guerra de Trincheiras,  mas também pela qualidade gráfica, que é  um diferencial imediato. As vendas também estão boas, então vamos ampliar”, conta.

 “Para 2012, já temos dez títulos  previstos, mas deve vir mais por aí”, avisa Wellington.

O Perfume do Invisível - Edição Completa / Milo Manara
O italiano Milo Manara desenha as mulheres mais lindas das HQs. Como argumentista, porém, é sofrível. Aqui, a história de um cientista que cria um produto que passado na pele, causa invisibilidade, gera todo tipo de desculpa para safadezas. É ruim, mas é bom, entende?  Conrad / 112 p. / R$ 39,90 / www.lojaconrad.com.br

Era a guerra de trincheiras / Jacques Tardi
Neto de veterano da 1ª Guerra, o francês Tardi (O Grito do Povo) conta, com base em depoimentos, filmes e extensa bibliografia, flashes de um dos conflitos mais brutais de todos os tempos. Denúncia sobre os horrores da guerra, o álbum é leitura pesada, porém necessária – além de espetacularmente ilustrada. Nemo / 128 p. / R$ 49

Pequeno Pirata / David B.
Conhecido no Brasil pelo álbum Epiléptico,  o francês David B. adapta aqui o conto Le Roi Rose (O Rei Rosa) de Pierre Mac Orlan, (1882-1970), sobre um bebê perdido que é adotado por um navio de piratas zumbis amaldiçoados. Colorido, terno e sombrio ao mesmo tempo. Barba Negra / 48 p. / R$ 29,90 / www.editorabarbanegra.com.br

 





Absoluten Calfeutrail & Outras Histórias / Moebius
O segundo volume de álbuns em formatão dedicados à obra do francês Moebius traz  a criatividade onírica do idolatrado desenhista em seu grau máximo de delírio. Estão aqui alguns clássicos de sua lavra setentista, como O Pau Doido, Rock City, Aproximação de Centauri e a HQ título. Nemo / 96 p. /  R$ 49

Quando Lá Tinha o Muro… Lembranças Daqui e de Lá / Flix
O álbum mais incomum desta leva é um belo caderno de memórias do tempo das duas Alemanhas. Contadas por gente comum, são pequenos resquícios e observações de um país dividido, sempre com humor, melancolia  e sensibilidade. Tinta Negra / 124 p. / R$ 41,90 / www.tintanegraeditorial.com.br

Corto Maltese: A Juventude / Hugo Pratt
Um dos maiores aventureiros dos quadrinhos, o marinheiro Corto Maltese tem parte de sua juventude contada aqui, neste álbum inédito no Brasil. Ambientado em 1905, na Guerra da Manchúria, mostra Corto com 17 anos, conhecendo Jack London e Rasputin. Nemo / 96 p. / R$ 45 / www.autenticaeditora.com.br/nemo

sexta-feira, março 02, 2012

APÓS CARREIRA METEÓRICA, CANTO DOS MALDITOS NA TERRA DA NUNCA RETORNA PARA SHOW ÚNICO NO GROOVE BAR

Quase cinco anos após anunciar sua separação, a banda baiana Canto dos Malditos na Terra do Nunca volta a ser reunir para um show único neste sábado.

A ocasião merece ser conferida pelos muitos fãs que a CMTN angariou em sua meteórica passagem pelo cenário local.

Para quem não se lembra, a banda ganhou a atenção do povo roqueiro  em 2005, quando deixou uma pá de veterano local chupando o dedo ao ser incluída na seletiva do concurso Claro Q é Rock.

Uma noite histórica na Concha Acústica, que terminou com vitória de Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta, um showzaço do Placebo e um afterparty bizarro no saudoso Miss Modular, com as estrelas gringas se confraternizando com os doidões locais.

Relembre essa ocasião - que na época causou polêmica no Rock Loco - aqui.

Mas ninguém esperava mesmo foi o que veio depois: de olho no potencial de comunicação com a garotada, a major Warner contratou a banda e lançou seu primeiro CD em 2006.

Olha Minha Cara virou hit na MTV e rádios pop Brasil afora e banda fez shows pelo País com nomes com Ira!, Nando Reis e os canadenses do Simple Plan.

Lista amiga bombando

Em 2007, porém, a banda anunciou sua separação. Como disse, carreira meteórica é isso aí.

“Andréa (Martins, vocal), optou por sair em carreira solo. Ela queria  fazer alguma coisa diferente, mudar o foco, outro som”, conta o guitarrista Danilo Castor.

“Tínhamos a opção de continuar com outra voz ou terminar, mas naquele momento da vida pessoal de todo mundo, entendemos que era melhor extinguir a banda”, acrescenta.

Agora, mais maduros e desencanados, Andréa, Danilo, Helinho Sampaio (guitarra), David Castor (baixo) e Leo Cebola (bateria) estão novamente reunidos – a princípio apenas para este show.

“Já tem um tempo que nos falamos sobre isso, vamos tocar e tal, mas a ideia sempre morria em alguma situação. Agora nos animamos de verdade e vai acontecer”.

“Mas não sabemos se (a banda) vai continuar. Vamos deixar (a decisão) para o dia seguinte, até por que não estamos preocupados. Será o que tem de ser. O mais importante agora é fazer o show e curtir”, anima-se.

“Até por que a  resposta do pessoal tem sido bem calorosa. A lista amiga do Groove Bar já tá bombando e  o boca a boca tá bom também”, aposta Danilo.

Canto dos Malditos na Terra do Nunca / Sábado, 22 horas / Groove Bar / R$ 35 (homem) / R$ 25 (Lista) / Mulher: R$ 25 (Bilheteria) / R$ 20 Lista: www.groovebar.com.br/lista

Crédito foto: Camilo Lobo.