terça-feira, janeiro 11, 2011

UM ANO DEPOIS, CASCADURA FAZ VOLTA ARRASADORA

Não deu para quem quis. O Largo Teresa Batista ficou pequeno para todos que foram conferir a volta da Cascadura após um ano longe dos palcos, período que passaram gravando o próximo álbum, Aleluia!.

Com a praça lotada até o limite da capacidade, os portões foram fechados e uma multidão ficou do lado de fora. O consolo é que, nas próximas três semanas, tem mais Cascadura.

Do lado de dentro, com a multidão animadíssima, a banda Dubstereo fez as honras da casa com um show competente de raggamufin, reggae e dub. Saíram consagrados e muito aplaudidos pela massa de doidões.

Por volta das 19h30, a atração principal subiu. Após uma abertura climática para atiçar o público, detonaram Caim, faixa do Bogary (2006).

E foi deste disco mesmo, o mais importante para o grupo (10 mil cópias vendidas) que veio a maior parte do repertório do show.

Em fase de transição e com uma formação provisória, é a hora da banda desenferrujar as articulações e testar algumas músicas novas com o público.

Foram tocadas umas cinco canções de Aleluia!, incluindo a faixa-título, e – primeira impressão – todas carregam o selo Cascadura de qualidade, com letras bacanas, melodias redondas e refrões para cantar junto.

Destaque para Aleluia!, com Fábio assumindo o baixo enquanto o produtor andré t., nos teclados, incorpora um Jon Lord (Deep Purple) tropical, quase devorando o instrumento, em grande performance.

Além de Fábio, o titular Thiago Trad na bateria e andré, completam a banda o veterano Jô Estrada (guitarra e vocais) e o novato Du Txai, também na guitarra e backing vocals.

A dupla de guitarristas, aliás, estreou muito bem, dividindo solos e cantando junto afinadinha.

Nas músicas mais pesadas, como Senhor das Moscas, Ele O Super-Herói e O Centro do Universo, a roda de pogo se acirrou e pode ter assustado um pouco a galera mais pacata.

Salvo engano, porém, ninguém se machucou. Era só ficar mais afastado da muvuca, que assistia-se ao show com tranquilidade.

O clima ficou mais leve na linda sequência de baladas de Bogary, todas cantadas a plenos pulmões pelo povo: Doze de Outubro, Juntos Somos Nós e Mesmo Eu Estando do Outro Lado.

A banda já está com o repertório tão incorporado pelo seu público que até uma quase obscura faixa-bônus do disco Vivendo em Grande Estilo (2004), a melodiosa Não Posso Julgar Ninguém, é levada nas costas pela galera.

Fábio, visivelmente emocionado, tirou o chapéu e abaixou a cabeça, em sinal de agradecimento.

Depois dessa, perguntou para o público: “Vamos fazer um negócio? Vamos transformar Salvador em uma cidade melhor? Mais limpa, mais justa? Foi pensando nisso que fizemos essa música”. E mandaram Sob o Sol, faixa gravada por Pitty, feita como uma (necessária) reflexão sobre a Soterópolis.

Depois de Wendy, rock ‘n’ soul estilo gospel, feita em homenagem à uma amiga que morreu cedo demais, a banda saiu. Logo depois, Fábio volta sozinho e canta Gigante, só na guitarra.

De repente, um gaiato senta na bateria e começa a acompanhar o cantor. Gaiato, nada: era Duda Machado, baterista de Pitty, ele mesmo um ex-Cascadura.

Depois de Jô dar aquela esmerilhada em Ele O Super-Herói, chega o gran finale com o hit Queda Livre. Praça enlouquecida, público feliz, fim de show. Até domingo que vem.

Sanguinho Novo: Cascadura / Dias 16 (com Vendo 147), 23 (com Velotroz) e 30 (c0m Maglore) / Largo Tereza Batista – Pelourinho / Gratuito

Foto: www.fotolog.com.br/drcascadura

quinta-feira, janeiro 06, 2011

AMY JÁ ESTÁ NO BRASIL - E ALGUMAS NOVAS CARAS DA SOUL MUSIC

Nesses primeiros dias de 2011, só se fala de duas mulheres no Brasil: Dilma e Amy Winehouse. A despeito da gigantesca diferença de perfis entre elas, a ironia é que a questão que cerca ambas as madames é basicamente a mesma: “Será que ela vai dar conta”?

Sobre a primeira, a resposta só poderá ser dada daqui a quatro anos. Já sobre a segunda, conhecida por inúmeros barracos e episódios de abuso de álcool e diversas outras substâncias não recomendadas pela Constituição, a resposta virá em poucos dias, quando se encerra sua primeira (e infelizmente, curta) turnê pelo Brasil.

A cantora britânica, de origem judia, já está no Brasil desde a manhã de ontem, hospedada em um hotel no bucólico bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, cidade que adotou como base durante sua temporada brasileira (na foto, ela já aparece na sacada do seu quarto de hotel. Foto por Gil Rodrigues da Photo Rio News).

Segundo o jornalista carioca que deu a notícia, Bruno Astuto (do jornal O Dia), ela está “amando o bairro”.

Figura fácil no jornalismo de celebridades, Amy se tornou, em muito pouco tempo após o estouro do hit Rehab (por volta de 2005), um prato cheio de escândalos para os ávidos tabloides britânicos.

No Brasil, espera-se que essa faceta bagaceira da artista fique em segundo plano, em benefício de grandes shows, que são a expectativa geral.

Para tranquilizar os apreensivos fãs brasileiros que compraram ingresso, um de seus músicos, Heshima Thompson, backing vocal da banda de acompanhamento, publicou, na última terça-feira, uma foto de Amy durante um ensaio em Londres.

“Tivemos um ótimo ensaio e sua voz estava malvada (tradução literal para wicked)”, escreveu o rapaz.

Em outro post, ele adiantou que a banda estava preparando “algumas surpresas para o repertório”. É bom se preparar para ouvir Garota de Ipanema em versão soul...

Em outras informações mais recentes, foram divulgadas as exigências da diva para os camarins, que vem a ser quatro tipos diferentes de bebidas alcoólicas: quatro garrafas de vinho tinto francês grand cru classé Pomerol, cervejas mexicanas, vodca russa e champanhe francês.

Haverá ainda água tônica, sucos de laranja e cranberry, refrigerantes e leite semidesnatado. Para forrar o estômago (e aguentar tanto álcool), ela solicitou batatas chips, iogurtes orgânicos e tortillas mexicanas.

Depois de animar a festa de reveillon de um bilionário russo (que pagou a Amy o equivalente a R$ 2,6 milhões), os shows no Brasil serão os primeiros da cantora desde 2008.

“Minha expectativa é de que seja um show com a empolgação característica da soul music”, espera o economista baiano Márcio Martinez, que viajará para ver o show de Recife. “Se for tão bom quanto ou melhor que o DVD ao vivo (I Told You I Was Trouble - Live in London), já valeu a viagem”, diz.

Apreciador de soul music clássica, Márcio acha que Amy “honra a tradição americana. Mas não gosto de comparar, até por que ela é branca”, ressalva.

Amy Winehouse no Brasil- Itinerário da turnê:


Florianópolis, dia 8: Atração principal do Summer Soul Festival, com abertura da cantora Janelle Monáe e do cantor Mayer Hawthorne, no Stage Music Park. Ingressos entre R$ 100 e R$ 600.

Rio de Janeiro, dias 10 e 11: Show solo, com abertura de Janelle Monáe, no HSBC Arena. Ingressos entre R$ 140 e R$ 700.

Recife, dia 13: Summer Soul Festival, com Janelle Monáe e Mayer Hawthorne, no Centro de Convenções. Ingressos entre R$ 100 e R$ 300.

São Paulo, dia 15: No Summer Soul Festival, com Janelle Monáe e Mayer Hawthorne, na Arena Anhembi. Ingressos entre R$ 200 e R$ 500.

Sucesso de Amy abriu caminho para (bem-vindo) renascimento soul

Quando Back to Black, o álbum que catapultou Amy Winehouse rumo à fama, foi lançado, em 2006, o clima de revival da soul music que ora parece estabelecido ainda não se havia configurado. Certo, Joss Stone já namorava abertamente com o gênero desde a estreia, no disco The Soul Sessions (2003).

Mas a abordagem de Stone, conterrânea de Amy, apesar de correta, ainda era (e é até hoje) açucarada, diluída demais. Foi só com a confessional Rehab, de Amy (“Tentaram me mandar para o tratamento / eu disse não, não, não”) que a ficha caiu.

Amy, depois de um primeiro álbum mais próximo do jazz (Frank, 2003), deu a guinada que mudou para sempre sua carreira (e sua vida) ao abraçar a cria mais festiva e, sim, comercial do blues: soul music.

O segredo está na fonte

O mentor da guinada de Amy rumo ao soul foi o badalado produtor e dândi Mark Ronson. Como os ingleses fazem desde a British Invasion, nos anos 1960, a dupla voltou-se à fonte original: os Estados Unidos, pegando “emprestada” da cantora negra norte-americana Sharon Jones, sua banda de apoio, a espetacular The Dap-Kings.

Esta reproduz com assombrosa exatidão o som padrão da soul music, estabelecido pelos selos Motown (Marvin Gaye, The Supremes) e Stax (Otis Redding, Isaac Hayes e outros).

O resultado, Back To Black, é tranquilamente um dos melhores álbuns da década passada.

Com o estouro de Winehouse, ficou mais fácil para artistas de soul dos dois lados do Atlântico se lançarem no mercado com chances de sucesso.

Do lado de lá, logo surgiu a luminosa figura da cantora galesa Duffy, que fez grande sucesso em 2008 com o hit Mercy e agora volta com novo álbum, Endlessly.

Mas ainda há outras cantoras soul de relativo sucesso na Europa, como a cheinha Adele e a longilínea Estelle, ambas com bons trabalhos.

Nos Estados Unidos, além da diva original Sharon Jones & The Dap-Kings, o selo deles, o Daptones, segue lançando artistas como o extraordinário Charles Bradley (visto ao lado) e outros.

Mas há muito mais. Os nomes mais quentes do momento são a multitalentosa Janelle Monáe (que abre os shows de Amy no Brasil) e o ex-cantor do Gnarls Barkley, o carecão Cee-Lo Green. Ambos acabam de lançar novos álbuns, aclamados pela crítica.

Aumente o som, get down!


POUCA TELHA, MUITO SOUL

Cee-Lo Green, o dono do vozeirão que ganhou o mundo em 2006 com o hit Crazy (do Gnarls Barkley, banda com o produtor Danger Mouse) está de volta em The Lady Killer, um álbum (com o perdão do trocadilho) matador, que deixaria Otis Redding (o deus supremo do soul) orgulhoso. Ortodoxo, mas nem tanto, o pouca-telha rasga o peito (e a garganta), mandando a ex para aquele lugar (na irresistível F**k You), traz o agudo angelical de Philip Bailey (Earth Wind and Fire) de volta em Fool For You, entre outras proezas. Bom do início ao fim, lindo. The Lady Killer / Cee-Lo Green / Warner Music / R$ 31,20



GRAÇA GALESA

Ela é lourinha de olhos verdes e sua voz sequer parece negra, mas desde o estouro do hit Mercy, em 2008, Duffy arrebanhou uma legião de fãs com sua abordagem classuda da soul music, na linha de suas conterrâneas (dos anos 60) Dusty Springfield e Petula Clark. Neste segundo álbum, produzido pelo midas Albert Hammond (pai do guitarrista dos Strokes), Duffy mantém sua chama acesa em faixas bacanas como My Boy, Keeping My Baby e Well Well Well. Garota esperta. Endlessly / Duffy / Universal / R$ 29,90



MENOS, JANELLE, MENOS


Ela canta como Diana Ross, dança como se fosse filha de James Brown com Fred Astaire e compõe como Marvin Gaye. Com tanto talento, o que pode dar errado? Resposta: pretensão demais as vezes atrapalha. Álbum conceitual, Archandroid, o segundo disco de Janelle Monáe, tem momentos sublimes, como Locked Inside (pista cheia na certa), Oh Maker e Come Alive. Mas também testa a paciência do ouvinte com faixas arrastadas e grandiloquentes, como 57821 e Sir Greendown. Mas vale pelas boas. The Archandroid / Janelle Monáe / Warner Music / R$ 24,90

terça-feira, janeiro 04, 2011

ENQUANTO AS CHUVAS NÃO VOLTAM, A THEATRO DE SERAPHIN DÁ ÚLTIMOS RETOQUES NO PRÓXIMO DISCO

Para este blogueiro, o melhor disco do rock baiano do ano de 2008 foi o primeiro CD da banda Theatro de Seraphin: o EP Tristes Trópicos. Ponto.


Agora, com o guitarrista original Cândido Nariga Soto Jr. (ex-Cascadura, Banda de Rock) de volta, após a saída de Cezar Vieira (brincando de deus), o quarteto dá os últimos retoques no seu 1º álbum cheio, a ser lançado por volta de abril, após o verão e o Carnaval.

“Estamos esperando o sol se recolher e as chuvas começarem para lançar o disco”, anuncia Marcos Rodrigues, baixista e idealizador da banda, ao lado do extraordinário cantor e poeta Artur Ribeiro (ex-Treblinka e Cravo Negro). Completa a Theatro o baterista José W. Dantas.

Produzido por Luís Fernando Apú Tude, o novo disco da Theatro é, ao lado do próximo CD da Cascadura (ainda em fase de gravação), um dos que geram maior expectativa entre os fãs e apreciadores do rock local.

Claro que boas surpresas podem – e deveriam – surgir da garotada. É o que se espera.

Ao vivo, no take one

“É chavão dizer isso, mas é um disco maduro de uma banda madura. Algumas pessoas que já ouviram disseram que é um pop sofisticado. E mais acessível do que o anterior”, descreve.

“Gravamos ao vivo no estúdio, o que foi uma sugestão de Apú”, conta Marcos. “Ele achou que teria uma pegada melhor, mais dinâmica. Como a banda já tem seis anos, ficamos bem tranquilos para tocar ao vivo”, diz.

“E foi bem rápido, até. Gravamos ao vivo no Estúdio WR e boa parte foi no take one (de primeira)”, descreve Marcos.

Apenas alguns solos de guitarra, as vozes definitivas e instrumentistas convidados foram gravados depois, como Fernanda Monteiro, do duo Dois Em Um, que trouxe seu violoncelo para uma das faixas. Promete.

Zona Autônoma das Terças

Enquanto o sol não se recolhe, Marcos demarca território no arredores de sua vizinhança, no charmoso bairro do Santo Antônio, no evento semanal TAZ - Tuesday Autonomous Zone, que rola todas as terças-feiras.

“A ideia é que seja o ponto de encontro para quem não tem aonde ouvir muito o som que a gente ouve lá: soul music, mod rock, pós punk”, define.

“É feito por um grupo de amigos (que se revezam como DJs), mas não é clube fechado. É aberto, pode chegar”, convida.

Cada semana o evento tem um tema diferente. Na próxima terça (dia 11), o tema é Melhores de 2010. “Cada DJ vai apresentar sua seleção das dez melhores músicas do ano passado”, conclui Marcos. ‘Bora?

TAZ – Tuesday Autonomous Zone / Toda Terça-feira (a partir do dia 11), 19 horas / Bar Ulisses / Rua Direita de Santo Antônio além do Carmo, Centro Histórico / Grátis

NUETAS....

Cascadura is back!

Após um longo e tenebroso inverno, eis que a Cascadura anuncia sua volta aos palcos. A partir do dia 9, todos os domingos de janeiro, Fábio & Cia se apresentam no Largo Tereza Batista (Pelourinho) com uma banda da geração mais recente do cenário local. Anota aí: dia 9: Dubstereo. Dia 16: Vendo 147. Dia 23: Velotroz. Dia 30: Maglore. Sempre às 17 horas. A banda vem com a mesma formação que está gravando o aguardado álbum Aleluia. Em breve, muito mais informação sobre tudo isso, aqui no RL!

Fridha com Pessoas

As bandas Fridha e Pessoas Invisíveis abrem o ano de lançamentos do rock baiano em 2011. A primeira, com o EP O Verso do Gatilho (Big Bross). E a segunda, com o álbum cheio Fora do Eixo (Big Bross / Atalho Discos). No dia 13 de janeiro, ambas lançam seus discos com um grande show na Praça Pedro Archanjo (Pelourinho). Completando a night, The Honkers. Em breve, mais informações por aqui sobre tudo isso.

Formidável retorno?

A Formidável Família Musical, uma das novidades mais promissoras da música independente baiana surgidas nos últimos anos (quando apareceu com o nome Zecacurydamm), infelizmente sumiu do mapa por um tempão. Agora anuncia show com a banda Sertanília. No Tom do Sabor, dia 22 de janeiro, às 22 horas.

terça-feira, dezembro 28, 2010

ESCALDANTE BANDA: TODO O GROOVE E O VENENO DOS GAROTAS SUECAS

Banda de rock brasileira, para fazer sucesso no exterior, tem que cantar em inglês. Esse mito, alimentado após o sucesso (mesmo que restrito a nichos) do Sepultura e Cansei de Ser Sexy, parece ter caído por terra com os paulistas da Garotas Suecas.

O grupo acaba de lançar, em LP de vinil e CD, seu primeiro álbum, Escaldante Banda, por um selo norte-americano.

E não só isso: o sexteto já realizou nada menos que quatro excursões à terra do Tio Sam, sempre com bom público e performances elogiadas em grandes veículos, como o vetusto jornal New York Times e as revistas Time Out Chicago e Spin.

Formado em 2005, o Garotas Suecas fez sua primeira incursão ao exterior em 2008, depois que um dos guitarristas, Sérgio Sayeg, foi morar com a família em Nova York. “Ele foi para lá em 2007. Ficamos tocando por aqui sem ele durante um ano”, conta Tomaz Paoliello, também guitarrista.

“Aí um dia ele nos convidou para passar férias. Aproveitou e marcou uns 5 ou 6 shows na cidade. Fomos na loucura total. Compramos passagens e ficamos todos no apê dele”, ri.

Foi aí que os Estados Unidos confirmaram sua vocação de “terra das oportunidades” para a banda. “Em um desses shows, tinha uma empresária de lá, que viu, gostou e a partir daí, ela foi marcando outras viagens. Aí a coisa foi crescendo. Foi uma combinação de trabalho duro com um pouco de coragem para se jogar”, diz Tomaz.

O som da banda, uma mistura muito harmoniosa de rock, funk (estilo James Brown), sambalanço (estilo Jorge Ben das antigas), psicodelia, tropicalismo e jovem guarda, vem ganhando plateias aonde quer que se apresentem, seja aqui ou nos EUA.

“O pessoal se identifica muito com o som. E embora (os americanos) não entendam, eles gostam da sonoridade da língua portuguesa – além de conhecerem sim, muita música brasileira: bossa, Caetano e principalmente Mutantes, que é a banda queles mais associam a gente”, analisa Tomaz.

Uma das prioridades dos Garotas Suecas no momento é tocar mais em seu próprio País: “Queremos fazer show aí em Salvador ainda no primeiro semestre de 2011. Isso é uma prioridade para gente. Salvador é a cidade mais bonita do Brasil”, derrete-se. Que venham logo.

Escaldante Banda / Garotas Suecas / American Dust Records / CD: R$ 15 / LP: R$ 40 / Download free: www.bandagarotassuecas.com.br

OS RATOS DE PORÃO, POR ELES MESMOS

O documentário Guidable - A Verdadeira História do Ratos de Porão sai em DVD. Precisa dizer que é imperdível?

Eles são, muito provavelmente, a representação mais significativa do punk rock brasileiro e um dos artífices, como outras bandas ao redor do mundo, do principal subgênero do punk: o hardcore. Ainda assim, são poucos aqueles que lhes atribuem a devida importância.

Lançado há pouco tempo no circuito alternativo de salas de cinema (não em Salvador) e recentemente em DVD, o documentário Guidable - A Verdadeira História do Ratos de Porão, vem oferecer, finalmente, a real dimensão da importância e representatividade da banda liderada pelo popular João Gordo.

“Desde que eu comprei minha primeira câmera, em 1995, eu filmava tudo do Ratos”, conta João, por telefone. “E há alguns anos eu queria fazer uma compilação desse material, mas ainda não tinha rolado”.

A oportunidade surgiu quando ele conheceu o cineasta de filmes de terror trash Fernando Rick. “Ele é tipo um jovem Zé do Caixão, faz umas coisas bem extremas. Em 2006, pedi para ele fazer um clipe para a gente, da música Covardia de Plantão, que tem cenas reais de um cara sendo linchado. A MTV se recusou a passar”, diverte-se.

Black Vomit

João, claro, gostou da pegada brutal do rapaz, que responde pela produtora de filmes trash Black Vomit. Daí para o convite de realizar um documentário sobre a banda, foi um pulo.

Ou melhor, um pogo (a dança típica dos punks rockers). A empreitada, duríssima e realizada com um orçamento ínfimo, logo contou com outro aliado a bordo: Marcelo Appezzato, como co-diretor, pesquisador e entrevistador.

O resultado foi um senhor documentário de 120 minutos, com entrevistas com todos os integrantes (ex e atuais) e muitas imagens de arquivo.

Em Guidable - A Verdadeira História do Ratos de Porão, não há censura, rodeios ou meias-palavras. Drogas, brigas, pirraças e loucuras são vistas e resgatadas de forma direta. “Guidable só passou em cinemas alternativos”, conta João Gordo. “Quem viu gostou, porque é super engraçado e não tem papas na língua”.

“Quem viu gostou, por que é super engraçado e não tem papas na língua. Eu cito como exemplo (do contrário disso) o documentário dos Titãs (A Vida Até Parece Uma Festa, 2008): os caras tudo bicudo e ninguém toca no assunto! O nosso, não: ficou uma coisa bem espontânea, para dar credibilidade”, diferencia.

E deu mesmo. Entre outras cenas mais ou menos “pouco enaltecedoras”, é possível ver João Gordo & Cia fumando crack, cheirando cocaína e xingando-se mutuamente.

O clima nos camarins era tão bagaceiro que, para os desavisados, há uma cena digna de Scarface (1983): diante de um pequeno Everest de pó, João surge cheio de más intenções com uma folha de papel ofício em forma de canudo.

Mas, pelo menos dessa vez, a cena não passa disso mesmo: “Aquele monte de coca é mentira, cara! A gente tava no País Basco (Espanha) e tinha um saco de cal no camarim, tava rolando uma reforma lá. A gente pegou e despejou. Se você reparar, não tem ninguém cheirando de fato. Zoeira pura”, diz.

“Nem era para te contar isso, para falar a verdade. Não que eu nunca tenha visto em quantidades iguais, mas ali foi brincadeira nossa”, acrescenta João, cioso da sua fama de mau.

Punk é amor, bicho


No filme, a história da banda é contada não apenas pelos seus integrantes, mas também por ícones do punk, contemporâneos dos Ratos, como Redson (Cólera), Clemente (Inocentes) e Fabião (Olho Seco). Marcam presença também grandes nomes do heavy metal, como o ex-Sepultura Iggor Cavalera, o atual Andreas Kisser, Pompeu e Dick Siebert (ambos Korzus).

Além de funcionar perfeitamente bem sozinho, o documentário é também o complemento perfeito para o já clássico documentário de Gastão Moreira sobre o surgimento do punk no Brasil, Botinada (2006).

“Com exceção do Olho Seco, todas aquelas bandas ainda existem. Só nego grisalho. Mas como elas duram tanto, você pergunta? Foi amor pelo bagulho (punk). Tudo era tão difícil na época, que é amor, mesmo. Por isso dura até hoje”, garante o hoje pai de família João Gordo. É como dizia o ancestral hit underground da banda Lixomania:

Os Punks Também Amam


Guidable é mesmo uma diversão dos diabos, mesmo para quem não é exatamente fã dos Ratos de Porão.

Sobram bagaceira (ex-membros dão entrevista de bermuda e sandália, na mesa do boteco), atitude (ninguém parece se importar em ser filmado enquanto se droga), revelações (os caras chegaram ao ponto de fabricar o próprio crack!) e até, pasmem, lições de vida (chega a ser tocante o depoimento do Gordo sobre sua quase-morte).

Mas claro, tudo isso está longe de ser o que realmente importa sobre o documentário.

Guidable deixa clara a dimensão e a importância da banda no contexto brasileiro e mundial. Adorada ao redor do mundo por punks de todas as gerações e até por headbangers (fãs de heavy metal, por definição, avessos ao punk rock), o Ratos é um exemplo de banda que soube transformar deficiências em qualidades, superando todos os obstáculos ao longo de três décadas.

Chega mesmo a ser emocionante ver aqueles garotos do subúrbio dividindo o palco com o ídolo Jello Biafra (Dead Kennedys) em uma execução alucinante do clássico Hollydays in Cambodja diante de uma plateia enlouquecida, em uma de várias cenas inesquecíveis.

“Trinta anos depois, vamos chegando aonde der”, comenta João. “Esse ano, lançamos esse doc, um split com uma banda da Espanha e ano que vem sai em DVD um show gravado no Circo Voador em 2006”, diz.

“Aqui no Brasil, nego não tá nem aí. Quando eu morrer, vou ser O Cara. Enquanto isso, somos adorados lá fora. Continuamos tocando no exterior, sempre com casa cheia”, conclui.

GUIDABLE – A Verdadeira História do Ratos de Porão / Black Vomit Filmes - Läjä Records - Ideal Records / R$ 26,50


terça-feira, dezembro 21, 2010

BLOG RESGATA A HISTÓRIA E O SOM DA DEAD EASY



No finalzinho dos anos 1980, quando a geração que surgiu a reboque do Camisa de Vênus entrou em recesso criativo, uma nova leva de bandas surgiu na cidade.

Entre a Úteros Em Fúria e Os Feios (embrião dos Dead Billies e Cascadura), estava um power trio de hard rock de primeiríssima categoria: Dead Easy. Só lembrada por quem viveu a época, a Dead Easy virou lenda.

Agora, seu baixista, Arthur Caria, hoje professor universitário, resolveu abrir seu baú para contar mais esse capítulo pouco conhecido do rock local em um blog (endereço abaixo).

Formada por Arthur, Jô Fonseca (guitarra e vocais) e Fernando Bubu Bueno (bateria), a Dead Easy era, de fato, impressionante – o colunista é testemunha.

Apesar de influenciados pelo chamado de hard farofa (Mötley Crüe, Cinderella etc), o som não era nada superficial.

Juntos, esses três cabeludos magrelas faziam um rock absurdo no palco: pesado, coeso, veloz, técnico – mas com muito feeling. Coisa de nerds estudiosos dos seus instrumentos.

“Jô era professor de guitarra, com influências de Steve Vai e Beatles. Já minha favorita, até hoje aliás, é Deep Purple. E Bubu ouvia muito Rush. E curtíamos Van Halen, Ozzy, Mötley, Dr. Sin, Sepultura”, lembra Arthur.

“A banda virou uma lendazinha”, avalia Jô, que hoje atende por Jô Estrada e é um dos produtores e músico da Cascadura. “Na época a gente dava o sangue, morria por aquela banda, nossa vida era aquilo ali. Só tenho lembrança boa”, conta.

De segunda a segunda

Após algum tempo, a banda se mudou para o Rio de Janeiro, aonde gravou um álbum cheio, que infelizmente, nunca foi lançado.

Foi o golpe fatal. O trio se desfez em 1994, mas persiste na memória de quem assistiu, invariavelmente boquiaberto, esses caras debulhando.

“Nossa vida parecia aquela música do Lobão: vivemos dez anos em dois. Foi uma explosão de musicalidade. Teve uma época, durante uns três meses, que a gente ensaiava de segunda a segunda. Bubu pedia a morte”, ri Arthur.

E mesmo com letras em inglês, a Bahia estava no sangue: “É engraçado. Eu copiava (o guitarrista) Yngwie Malmsteen, mas soava como Armandinho. Hoje, tenho maior orgulho disso” conclui Jô.

http://deadeasybr.blogspot.com



NUETAS:

Zona Autônoma hoje

“Cansado de pós-axé, batuques de Recife, guitarrinhas baianas, sambinhas de nerds? Seus problemas acabaram”! Com esse bem-vindo texto provocativo e irreverente, Marcos Rodrigues (Theatro de Seraphin) anuncia mais uma edição de sua festa / conspiração TAZ (Tuesday Autonomous Zone). Discotecagem: DJ Buenas. Hoje, 19 horas, no Ulisses (R. Direita do Santo Antônio, 541). Grátis!

Alumínio no Verde

E depois de toda a comilança do Natal, que tal um reggaezinho? Se é a sua, a dica é o show da figuraça Alumínio Roots & Carruagem de Fogo. Domingo, 26, às 18 horas, no Espaço Verde (Praça Calazans Neto, Itapuã).

segunda-feira, dezembro 20, 2010

LAMPIÃO 2.0

O baiano Flávio Luiz, quadrinista extraordinaire, lança nova e anárquica HQ para delírio dos admiradores


Depois de um cachorro boxeur (Jab), uma versão feminina de Arnold Schwarzenegger (Jayne Mastodonte) e um mini herói da capoeira (Aú), o premiado quadrinista baiano Flávio Luiz traz à luz aquela que talvez seja sua criação mais bombástica: O Cabra, um divertido e (violento pra cacete) cruzamento entre Lampião e Mad Max.

Recém-lançado em São Paulo, aonde atualmente Flávio reside, esse cangaceiro futurista chega bonitão em um álbum de formato gigante, pela sua própria editora independente: a Papel A2, que ele fundou em parceria com sua esposa e produtora, Lica de Souza.

A Papel A2, por sinal, vai muito bem, obrigado, mesmo com apenas dois lançamentos: Aú O Capoeirista (2008) e O Cabra.

O primeiro vendeu mais de sete mil cópias e foi adotado como material paradidático pelo Programa Sala de Leitura e pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas, órgãos ligados à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Já o segundo, que acaba de decolar em seu jegue motorizado voador rumo à fama, já recebeu elogios de gente importante, como Mike Deodato (o paraibano que há uns 15 anos é um dos principais desenhistas da Marvel Comics) e Sidney Gusman (editor-chefe do Universo HQ, principal site dedicado à cobertura da área no Brasil).

Em janeiro, Flávio viaja ao Rio de Janeiro e Salvador para fazer o lançamento d’O Cabra nas duas cidades.

“Há muito tempo eu tinha um desenho de um cangaceiro com uma cara meio Judge Dredd”, conta Flávio, referindo-se ao clássico personagem das HQs britânicas.

“Eu começo minhas histórias pela criação do personagem, e, enquanto eu desenho, vou pensando como é a vida dele, sua historia... Enfim, ficou com uma pegada meio pós-apocalíptica”, descreve o artista.

Coroné Gardens

Em um futuro não-determinado, quando a Terra se tornou um deserto e o bem mais valioso é a água potável, um guerreiro silencioso, Severino, luta sozinho contra os poderosos que dominam as cidades de Sanfônia, Forroboland, Capachia e Coroné Gardens, fortalezas em estilo medieval-futurista no meio da imensidão árida.

Entre traições inomináveis, mutantes, naves inspiradas em Guerra nas Estrelas, clones e outros clichês típicos da FC, Flávio costura uma história de ritmo super-ágil, com uma arte exuberante e cores belíssimas do experiente Artur Fujita.

A “Puliça” e os “capitartistas”

Além da narrativa galopante em si, Flávio cria um pano de fundo muito interessante para ambientar seus personagens: “Uma família poderosa de coroneis governa a cidade (de Sanfônia) do alto e é dona do seu bem mais precioso: a água. Nos níveis mais baixos, vivem os militares, a puliça, comerciantes e capitartistas, estes sim, os puxa-sacos dos coroneis. Do lado de fora, milhares de seres formam um cinturão de miséria absoluta”, escreve Flávio na HQ.

Qualquer semelhança com a realidade, claro, não deve passar de mera coincidência.

A HQ é um turbilhão de referências da cultura pop. Quem diria que Maria Bonita e a Princesa Leia (de novo, de Star Wars), um dia se fundiriam em um dos personagens mais interessantes da HQ brasileira contemporânea, como a ambígua Mary Beautiful?

Ou que o Odorico Paraguaçu de Paulo Gracindo ficaria tão bem em um cenário pós-apocalíptico?

“Começa a jorrar um monte de ideia na cabeça, e, por ter uma gama de referências pop, meu processo caótico de criação misturou Sá & Guarabira com Mad Max, Blade Runner com Gabriela, Romeu & Julieta com X-Men, Blacksad (HQ europeia), Lampião, Kill Bill, Alceu Valença, Ariano etc”, enumera o autor.

FLÁVIO: PLANOS, VISÕES ETC


Um dos mais importantes e criativos cartunistas baianos, Flávio Luiz, 46 anos, é um dos poucos que se pode colocar no mesmo nível de talento de veteranos que atuam na mesma área, como Antônio Cedraz (Xaxado), Lage (infelizmente, já morto) e Cau Gomez, entre outros.

Após um longo período trabalhando para o jornal Correio da Bahia, Flávio foi, há cerca de dois anos, morar em São Paulo, aonde trabalhou para a agência de publicidade África, de Nizan Guanaes, desenvolve suas HQs e mata uns frilas.

“Saí (de Salvador) porque sempre quis me mudar pra São Paulo. Sempre me identifiquei com esse stress alucinado daqui, com o ritmo da cidade, com as pessoas, as opções culturais... E o mercado para o profissional de HQ aqui é melhor, claro. Para um nerd de carteirinha como eu, São Paulo é um paraíso”, conta Flávio, da capital paulista.

Planos para a A2

Não é que ele se sentisse pouco valorizado por aqui – como costuma acontecer com quem não reza por certas cartilhas: ”A valorização existia em Salvador – do seu jeito – mas, em São Paulo, ela quintuplicou”, ri.

Com o sucesso de Aú, que superou suas expectativas, Flávio largou o emprego e agora, ao lado de sua esposa, se dedica integralmente a produzir suas HQs, além de viabilizar a publicação de diversos trabalhos (próprios e alheios) pela sua editora própria.

“Com a necessidade de me profissionalizar mais, decidimos abrir a Papel A2 para viabilizar meus projetos de HQ. Mas isso não impede de publicar outros títulos de outros quadrinistas (temos planos para isso em 2011) baianos ou não”, diz.

“Mas por sermos ainda uma editora pequena e estarmos envolvidos em paralelo com outras atividades, temos que ir devagar. Mas sempre mantendo a qualidade gráfica que tem nos destacado no mercado”, acrescenta Flávio.

Anti-bairrismo

De imediato, o artista adianta que O Cabra periga ganhar uma continuação em breve: “Se as vendas continuarem tão boas como nesses poucos dias (desde o lançamento em SP, no dia 10 último), acho que tenho pano pra muita manga”.

“A prioridade em 2011 é o numero 2 do Aú. Sem falar no livrão com as melhores tirinhas dos 3 anos da Rota 66 (série publicada pelo Correio da Bahia). Mas estou bastante feliz com a aceitação d’O Cabra. Com tempo e verba, ele tambem terá seu nº 2 em 2011”, promete.


Feliz com suas escolhas, Flávio hoje olha para a Bahia sem mágoas, mas também sem paixões: “Sou anti-bairrismo. A Bahia tem que ser respeitada e adorada tanto quanto a Amazônia, o Rio de Janeiro ou o Piauí. Tom Zé, Pitty e tantos outros moram aqui (em SP) ou no Rio e são o que temos de melhor enquanto produto cultural genuinamente baiano”, acredita.

O Cabra / Flávio Luiz / Editora Papel A2 Texto & Arte / 56 pgs. / R$ 38 / www.flavioluizcartum.fotoblog.uol.com.br

Veja um teaser em vídeo de O Cabra:

quarta-feira, dezembro 15, 2010

O 1º VOO INTERNACIONAL DOS RETROFOGUETES. DESTINO: ARGENTINA, COM ESCALA NO PELOURINHO, HOJE!


Nossos hermanos argentinos não perdem por esperar. Entre quinta-feira e sábado, os Retrofoguetes vão pousar nos palcos de três cidades do lado de lá da margem do Rio da Prata: Buenos Aires, Rosario e La Plata.

Horas antes de decolar, contudo, o trio desafivela os mini-jatos para sua última apresentação em solo baiano este ano, hoje, no Pelourinho.

Trata-se do seu já tradicional show anual natalino, O Maravilhoso Natal dos Retrofoguetes, baseado em um EP homônimo, lançado há poucos anos. No repertório, clássicos da temporada, como Bate o Sino, Boas festas, Noite Feliz e outras, sempre com músicos convidados.

“Na noite de hoje, teremos Letieres Leite (tocando saxofone e flauta), Enio (cantor), Gil Santiago (vibrafone) e Tadeu Mascarenhas (teclado)”, enumera o baterista Rex.

PENTACAMPEÃO!


A viagem para a Argentina era um plano antigo do grupo. “Estamos a fim de fazer isso há um bom tempo”, confirma Rex.

“Na verdade, queríamos muito tocar fora (do Brasil), fosse onde fosse. Calhou de ser na Argentina, até por que é perto e a gente pode começar a entender como funciona (o negócio de agendar shows no exterior) para tentar outras viagens, para outros lugares”, planeja.

O contato para os shows em terras platenses foi feito através da jornalista brasileira Sylvie Piccolotto, que mora em Buenos Aires e é casada com o dono de um selo independente local (Scatter Records), especializado em rock de garagem e surf music.

Como não poderia deixar de ser, o casal é fã dos baianos.

Em seu Twitter, Sylvie anuncia a passagem da banda pela Argentina com entusiasmo: “Retrofoguetes en Argentina. La legendaria banda de surf-music viene a rockear en 3 unicos shows por el país”, escreveu.

“Eles até queriam que a gente fosse depois do Reveillon, mas resolvemos adiantar”, conta.

Por lá, o grupo se apresenta com bandas locais consagradas (e do cast do Scatter), como Thes Siniestros (sic), The Tormentos e The Broken Toys.

“Isso é legal por que nos garante casa cheia, de certa forma”, espera Rex.

“E também por que são bandas que viajam no mesmo universo sonoro da gente, o que garante que vamos tocar para um público que já curte nosso tipo de som”, raciocina Rex.

Na volta, Rex, Morotó (guitarra) e CH (baixo) começam a preparar a edição 2011 do Retrofolia, seu show carnavalesco baseado no repertório de canções pré-axé music e guitarra baiana.

“Deve ser no Sesc Pelourinho, mas falta confirmar”, avisa Rex.

Em 2011, o trio espera decolar em novas jornadas internacionais, audaciosamente indo a lugares aonde nenhuma outra banda de rock local esteve.

O MARAVILHOSO NATAL DOS RETROFOGUETES / Com DJ Sankofa, Camarones Orquestra Guitarrística, Duduo Caribe e Da Ganja + Coletivo Visual Farm (SP) / Hoje, 21h30 / Praça das Artes, Pelourinho / Gratuito

Tour Argentina 2010

16/12, quinta-feira: Retrofoguetes, Hong Kong Club e Motorama
Salón Pueyrredon, Ciudad de Buenos Aires

17/12, sexta-feira: Retrofoguetes, The Broken Toys e Thes Siniestros
Club Imperial, Ciudad de Rosario

18/12, sábado: Retrofoguetes, The Tormentos e Thes Siniestros
Pura Vida, Ciudad de La Plata

terça-feira, dezembro 14, 2010

PROVOCAÇÕES, DISSONÂNCIAS, LARGAÇÃO: O ESTILO PAVEMENT

Lenda da cena alternativa norte-americana, a banda Pavement tem extensa coletânea lançada em versão nacional. Boa oportunidade para quem ainda não conhece



Quem foi ao último festival Planeta Terra, em São Paulo, há cerca de um mês, ficou na expectativa de um possível quebra-pau entre dois gigantes do rock alternativo norte-americano: Billy Corgan (Smashing Pumkins) e Stephen Malkmus, vocalista da banda Pavement. A rixa é antiga, mas a briga, felizmente, não houve.

Corgan, que cuspiu suas bravatas contra Malkmus no Twitter, poucos dias antes do show, tem o líder do Pavement entalado na garganta desde 1994, quando saiu o álbum Crooked Rain, Crooked Rain.

Na letra da faixa Range Life – por sinal, uma das mais legais da banda desde sempre – Malkmus falava sobre a vida na estrada, fazendo shows, tocando em festivais, encontrando outras bandas.

De passagem, ele citava a banda do careca sinistro: “Em turnê com os Smashing Pumpkins / Meninos naturebas / Eles não tem função / Eu não entendo o que eles querem dizer / E também não estou nem aí”. Pronto. Foi o bastante para enfurecer o genioso Corgan.

A faixa da discórdia, Range Life, é uma das 23 músicas da coletânea Quarantine The Past: Greatest Hits 1989-1999. Lançado no exterior no início do ano, o disco chega agora às lojas em versão brasileira, bonitinha e com preço mais em conta, pelo selo Lab 344.

A voz do Geddy Lee

O deboche com Corgan é parte do estilo largadão, ligeiramente surrealista e abertamente jocoso do Pavement. Claro que nem todos levam na boa uma gracinha vinda de outra banda.

Na mesma Range Life, Malkmus cita outro grupo, Stone Temple Pilots: “Solteiros elegantes / eles são gatinhos pra mim”, brinca Malkmus (ou não).

Outro caso famoso é a da faixa Stereo, em que brinca com o cantor do Rush: “E que tal a voz do Geddy Lee? / Como será que ela ficou tão aguda? / Será que ele fala como uma pessoa normal?”.

Nem por isso, os caras do Stone Temple Pilots ou do Rush saíram por aí dizendo que iam quebrar a cara de uns e outros.

Já na sensacional (e rara) faixa The Unseen Power of The Picket Fence ele faz uma homenagem ao REM, relembrando o primeiro show a que assistiu, em 1983: “Canções clássicas / meninos sulistas como você e eu, REM!”.

Por essas e outras (além do som meio experimental, influência do Velvet Underground), o Pavement ainda é uma das bandas mais queridas do indie rock.


Pavement / Quarantine The Past: Greatest Hits 1989-1999 / Matador Records / Lab 344 / R$ 24,90

terça-feira, dezembro 07, 2010

POPULAR, ERUDITO E VIRTUOSO: QUARTETO IMPRESSONS DE THOMAS SABOGA

Um diálogo fluente entre o erudito e o popular é a marca mais evidente na música de Thomas Saboga, excepcional violonista que recentemente lançou, com seu Quarteto Impressons, um álbum primoroso: O Desague (A Casa Discos).

Trata-se de uma obra superior, plenamente orgânica, daquelas para fechar os olhos e apreciar o movimento das marés ou a curvatura da Terra.

Aclamado por Guinga, um mestre do violão brasileiro, Saboga atua desde 2003 com seu Quarteto, formado por Larissa Goretkin (flauta), Matias Corrêa (contrabaixo), Renata Neves (violino) e o violonista.

No Rio de Janeiro, aonde o grupo se formou, o Quarteto Impressons é presença certa em recitais e eventos de música erudita e / ou de câmara, como a Mostra de Violão Fred Schneiter 2010, na Sala Baden Powell, ocorrida em setembro último.

Piazzolla na cabeça


Compositor prolífico, Saboga impressiona pela pureza que consegue destilar em suas composições, preservando características de choro, samba, música erudita, flamenco e tango nas faixas de O Desague.

E é de um mestre do tango que Saboga aponta vir a sua maior influência: “Por eu me identificar com a sua forma original de ver a música, de se aproximar dela e de manipulá-la, é Astor Piazzolla”, diz.

“Ele foi o compositor que levou mais longe o diálogo entre popular e erudito, além de ser compositor inspirado e um instrumentista excepcional. Mas Tom Jobim, Baden Powell, Chico Buarque, Guinga, entre muitos outros e vários clássicos, como Bach, Beethoven, Villa-Lobos, são referências preciosas para mim, claro”, enumera.

Na música brasileira, Saboga segue a trilha aberta por nomes como Radamés Gnatalli, Ernesto Nazareth e Guinga. “Eu busco essa região de tráfego entre a música erudita e popular. Procuro potencializar uma através da outra e vice-versa. Me parece um caminho criativo com bastante espaço para percorrer, muitas perspectivas, potenciais interessantes”, observa.

Claro que, em um País dominado pelo cinismo e pelo jabá como o Brasil, essa trilha é bem árdua. Para os eruditos, se não tem Bach ou Beethoven, eles tem dificuldade de aceitar. E no mercado popular... pior ainda.

“Na hora de vender, a segmentação do mercado, que funciona por exclusão, consegue deixar a minha música à margem desses dois nichos de mercado”, lamenta.

“Enfim, há sim, essa dificuldade em fazer o trabalho circular. O mercado de uma forma geral anda bem fechado para qualquer novidade. A música para ser ouvida e pensada não tem tido muito espaço”, nota.

Mesmo assim, Thomas, Larissa, Matias e Renata seguem na batalha. “A recepção do público é boa, mas é uma parcela muito pequena que se interessa por essa fatia do mercado. Tivemos um lançamento bem bacana na sala Baden Powell, em maio desse ano, com um bom público”, conta.

No momento, o Quarteto se dedica a divulgar o trabalho pelo Rio de Janeiro e nos veículos de comunicação Brasil afora. “Ainda não temos uma agenda para circular o País, mas espero que, em breve, possamos tocar aí na Bahia e lançar o disco em outras regiões”, faz fé.

Músico aplicado, íntegro, Thomas espera que sua música seja reconhecida pelo que é, e não pelo que as pessoas esperam que seja. “Busco preservar ao máximo a intenção original da composição, não importando para mim se o resultado é sisudo ou risonho. O importante é ser fiel ao que eu quero dizer e comunicar”, conclui.


OUÇA: www.myspace.com/quartetoimpressons

O Desague - A Música de Thomas Saboga / Quarteto Impressons / A Casa Discos / Preço não informado

sexta-feira, dezembro 03, 2010

FESTA DOS 10 ANOS DO SELO BIG BROSS E ZONA MUNDI SÃO OS ROCKS DESSA SEXTA

No filme clássico de Sessão da Tarde O Clube dos Cafajestes, (Animal House, 1979), o personagem John Bluto Blutarsky (vivido pelo inesquecível John Belushi) solta uma das frases que lhe garantiram a imortalidade: “Quando a luta é dura, os duros lutam”! Além da silhueta arrendondada, o produtor cultural Rogério Big Brother Brito partilha com Belushi dessa mesma filosofia combativa.

Não fosse por ela, dificilmente estaria comemorando na noite de hoje os dez anos de seu selo fonográfico independente, o Big Bross Records, com uma big festa (sem trocadilho), reunindo as bandas Theatro de Seraphin (na foto mais abaixo), Pastel de Miolos, Reverendo T & Os Discípulos Descrentes (foto ao lado) e The Baggios (SE).

“Só o fato de se manter vivo eu acho que a é a coisa mais importante no contexto atual, com pirataria, download e jabá. Conseguir manter um selo como este vivo, já é um saldo positivo para mim”, observa Rogério.


O mais incrível é quando se pergunta como ele conseguiu manter o selo respirando em um ambiente tão desfavorável: “É só botar a as banquinhas nos shows e festivais”, simplifica.

“Todas as bandas do selo venderam bem nos (festivais) Big Bands e no Coquetel Molotov, para citar dois recentes. É a estratégia que o sustenta. Quem gosta, compra mesmo, não é só a galera mais velha, como se teoriza. O cara se emocionou no show e o CD tá ali a venda, ele compra! Isso é muito gratificante”, afirma.

Lançamentos importantes

Desde o ano 2000, o selo Big Bross Records lançou mais de 25 CDs, entre EPs e álbuns cheios, incluindo aí trabalhos de nomes importantíssimos para a cena local, como Retrofoguetes, Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta, brincando de deus, Cascadura, The Honkers, Dever de Classe, Theatro de Seraphin e Pastel de Miolos.

“E vem aí em breve os novos CDs das bandas Pessoas Invisíveis e Fridha”, anuncia Big.

10 anos de Bigbross Records / Com Theatro de Séraphin, The Baggios (SE), Pastel de Miolos e Reverendo T & os Discípulos Descrentes / Hoje, 20 horas / Largo Pedro Archanjo, Pelourinho / Gratuito

ZONA MUNDI ENCERRA TEMPORADA 2010


Ponto de encontro da rapaziada antenada de Salvador, o evento mensal Zona Mundi encerra sua temporada 2010 hoje à noite, em grande estilo, com Baiana System, o coletivo multimídia Laborg (SP, na foto ao lado), o DJ Chico Corrêa (PB), o guitarrista paraense Pio Lobatto e o VJ baiano Gabiru.

Para o idealizador da Zona, o músico e produtor Vince de Mira, o saldo foi extremamente positivo: “Superou total as nossas expectativas“, comemora.

“É um evento de arte eletrônica fora dos padrões convencionais de trance e tal, que envolve música popular e a convergência com as artes visuais. E a resposta do público foi incrível, superando a média de mil pessoas por noite”, conclui.

Zona Mundi / Com Baiana System, Laborg (SP), Chico Corrêa (PB), Pio Lobatto & As Tecnoguitarradas (PA) e VJ Gabiru / Hoje, 20 horas / Museu de Arte Moderna da Bahia / R$ 4 e R$ 2

MICRO-RESENHAS: O RESTO DO TACHO DE 2010 (POR ENQUANTO)

Psicodelia prog-folk em sueco

Sexto álbum da banda sueca Dungen, Skit I Allt (Dane-se Tudo, em tradução bem comportada) é um prato cheio para apreciadores do som indefinível praticado pelo grupo de Gustav Ejstes. Na receita, doses generosas de folk, jazz rock, progressivo e muita, mas muita psicodelia. Diferente do que poderia ser, contudo, o resultado não “frita” o juízo do ouvinte, e sim, transporta-o para uma atmosfera suave e bucólica. Entre os destaques, pode-se citar a sedutora melodia vocal de Brallor, o drive folk da faixa-título e a flauta que domina a instrumental Vara Snabb. Um dos discos mais bonitos do ano, fácil. Dungen / Skit I Allt / Subliminal Sounds / Importado

Elegia exuberante para Vic

Uma das crias mais brilhantes do selo alternativo norte- americano Elephant 6, a banda Elf Power, de Athens, Georgia (lar dos gigantes REM e B52’s), chega ao seu 11º álbum, auto-intitulado. É um álbum de luto, em memória ao amigo e colaborador frequente Vic Chestnutt, cantor folk paraplégico, morto no Natal de 2009. A elegia, contudo, não foi a deixa para um disco tristonho e sim, exuberante em seu espírito indie / folk / psicodélico. As faixas Wander Through, The Concrete and The Walls, Goldmine in The Sun e Spidereggs brilham como diamantes lapidados em 1967. Elf Power / Elf Power / Orange Twin / Importado

Asimov off-robots

Um gênio da ficção científica, Isaac Asimov (1920-1992) é mais conhecido por suas obras referentes à robótica, como Eu, Robô e O Homem Bicentenário. Neste romance de 1972, porém, o tema é outro, e bem atual: crise energética. Uma reflexão importante, temperada com ação, humor e conceitos revolucionários. Os próprios deuses / Isaac Asimov / Aleph / 368 p. / R$46 / http://www.editoraaleph.com.br/



Colagem de sons é música?

O Girl Talk é o codinome do DJ e produtor Gregg Gillis, que lança seu quinto álbum, liberado de graça no endereço abaixo. Basicamente, todas as faixas são uma colagem de uma enorme variedade de músicas alheias. Pega-se uma batida aqui, um blá blá blá de rap ali, uma levada de baixo acolá e voilá: um som pronto para as pistas. Na confusão sonora, há de tudo, de Black Sabbath a Lady Gaga, sempre com alguém deitando falação hip hop por cima. Interessante até os primeiros cinco minutos, depois cansa. Fora que suscita a pergunta: isso é música? Girl Talk / All Day / Illegal Art / Download grátis: www.illegal-art.net/allday

Zé Pilintra enfrenta a Mulher de Branco

Zeladores, salvo engano, é uma das HQs nacionais mais originais lançadas este ano. Estrelada pelo malandro folclórico Zé Pilintra e seu parceiro Opala 78 – que não é um carro, e sim, um detetive paranormal – a dupla vive toda sorte de aventuras bizarras na metrópole São Paolo, enfrentando vilões como a Mulher de Branco, uma maligna banda funk e o Barba Ruiva. Destaque para a arte de Anderson “Mr. Guache” Almeida, com um estilo ágil e cartunesco, muito similar ao de desenhos bacanas como Samurai Jack. Zeladores / Nathan Cornes e Anderson Almeida / Devir Livraria / 64 páginas / R$ 33,50 / http://www.devir.com.br/


Carcamanos a beira de ataque de nervos

Divertida sátira aos imigrantes italianos da serra gaúcha, a tirinha Radicci, publicada em vários jornais da região Sul, chega a sua sétima coletânea em formato pocket com as habituais confusões dessa família de carcamanos (sem ofensa) para lá de amalucada. Ainda pouco conhecida fora dos domínios sulistas, a criação do cartunista Carlos Henrique Iotti diverte pelo total nonsense das situações. O Radicci pai, “enófilo” inveterado, bebe até amaciante de roupa como se fosse vinho moscato, “bem amarelinho”. Radicci 7 / Iotti / L&PM Editores / 128 páginas / R$ 11 / http://www.lpm.com.br/



Pequenos heróis, corações imensos

Roteirista da tira Os Passarinhos, Estevão Ribeiro resolveu homenagear os heróis da DC Comics de uma forma diferente, com HQs estreladas por crianças (quase) comuns. Inspiradas em personagens como Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde e outros, a gurizada protagoniza pequenos contos mudos (sem balões de fala) em que demonstram carregar tanto heroísmo e nobreza quanto seus heróis prediletos. O resultado é um álbum belíssimo, que toca o leitor pela fluência dos argumentos e a singeleza da arte, assinada por desenhistas de primeiro time. Pequenos Heróis / Estevão Ribeiro e Vários artistas / Devir Livraria /104 páginas / R$ 39,90 / http://www.devir.com.br/

Batman & Robin do hemisfério sul

Muita ação urbana em HQs curtas, ágeis e bem resolvidas é o que leitor encontra no 1º álbum dos personagens Fiapo e La Peña, do animador / quadrinista gaúcho Danilo Fonseca. Fiapo é um menino negro inspirado em Ébano, o ajudante do Spirit de Will Eisner. La Peña é o detetive argentino, estilo hard boiled. Essa dupla improvável, quase um Batman & Robin do hemisfério sul, resolve casos barra-pesada, como assassinatos de prostitutas, chacinas de sem-teto e sequestros. Tudo sem complicação, pá-pum. Fiapo e La Peña / Danilo Fonseca / Devir Livraria / 56 páginas/ R$ 19,90 / http://www.devir.com.br/



Imaginação sem limites

Carol é uma menina cheia de energia e uma imaginação para lá de fértil, criada pelo cartunista Laerte (Piratas do Tietê). Ora jogando bola com os meninos na rua, ora imaginando mundos perdidos, Carol simboliza um pouco da criatividade sem limites do seu autor – aqui, a serviço da criançada . Carol / Laerte / Editora Noovha América / 32 p. / R$ 29 / http://www.noovhaamerica.com.br/




Marcelo D2 sabe cantar!


Foi preciso a vontade de homenagear o amigo Bezerra da Silva para Marcelo D2 mostrar que sabe, sim, cantar de verdade – saindo da lenga lenga autocongratulatória que costuma ser a principal característica do hip hop mais comercial. Neste CD, só com sambas do repertório do eterno malandro Bezerra da Silva, D2 manda muito bem em pérolas do morro como Bicho Feroz (“Você com um revólvi na mão é um bicho feroz, feroz / Sem ele, anda rebolando / até muda de voz”), Pega Eu, Partideiro Sem Nó na Garganta e claro, a emblemática Malandragem Dá Um Tempo. Bacana. Marcelo D2 / Canta Bezerra da Silva / EMI / R$ 19,90


Literatura pop espanhola

A jovem escritora espanhola (de Bilbao) Aixa de La Cruz estreia em livro no Brasil com esta história, envolvendo um professor de piano e autista chamado Dylan, e uma garota, Julia, sua ex-aluna. Com diversas idas e vindas no tempo, o texto vigoroso costura diversas referências da cultura pop. De Música ligeira / Aixa de La Cruz / Tinta Negra / 208 p. / R$ 37 / http://www.tintanegraeditorial.com.br/






A salada musical de Julia

A trilha sonora do novo veículo para a manutenção da carreira de Julia Roberts como a namoradinha da América aposta em uma grande diversidade de gêneros. Há tango (The Last Tango in Paris, por Gato Barbieri), funk (Thank You, com Sly & The Family Stone e Got To Give It Up, com Marvin Gaye), folk rock (Heart of Gold e Harvest Moon, com Neil Young), canzione (Atraversiamo, com Dario Marianelli), bossa (Wave, com João Gilberto), neo bossa (Samba da Bênção, com Bebel Gilberto) e até alt.country (Flight Attendant, com Josh Rouse). Uma salada e tanto. Vários artistas / Comer Rezar Amar / Universal Music / R$ 29,90


Emoção à flor da pele

A canadense k. d. lang está em grande forma neste show em Londres, acompanhada de sua banda e da orquestra da BBC. Entre os destaques, boa composições próprias, como Constant Craving, Thread (com participação do guitarrista brasileiro Grecco Burato cantando em português) e I Dream of Spring. Mas ainda há ótimas versões para Helpless (Neil Young) e Hallelujah (Leonard Cohen). k. d. lang & The BBC Concert Orchestra / Live in London / Coqueiro Verde / Preço não informado


Estridência e exagero

Qualquer espectador de TV com bom senso sabe que a hora em que o (estridente, ainda que carismático) elenco da série de TV Glee começa a cantar, é hora de fazer uma de duas coisas. Se for na TV, é hora de dar uma zappeada por outros canais. Se for no DVD, é hora de apertar a tecla FF. Salvo raras exceções, as interpretações do elenco caem na vala comum do exagero, como se todos fossem calouros do Raul Gil ou alunos aplicados de Celine Dion. Neste Vol. 3, salvam-se The Lady is a Tramp (com o arranjo de big band adequado) e Dream On (Aerosmith). Glee Cast / Glee: The Music, Volume 3: Showstoppers / Sony BMG / R$ 24,80

Bate-estaca cafetão style

Sabe aqueles comerciais de TV com aqueles playboys branquelos tirados a rapper, pimp (cafetão) style, balançando jóias, posando em carrões, em meio a moças oferecidas de salto alto e baixa autoestima? A música do 3OH!3 (pronuncia-se Three Oh Three), é a trilha sonora ideal deste tipo de videoclipe: uma mistura barata de bate-estaca de boate com hip hop boçal. Vinda de Boulder, Colorado, cidade que em outros tempos, pariu o escritor John Fante, o 3OH!3 não está destinado à imortalidade do seu conterrâneo, mas ao esquecimento imediato. 3OH!3 / Streets of Gold / Warner Music / R$ 34,90

Bram Stoker off-Drácula

Na onda das adaptações literárias em HQ, de vez quando surge algo interessante, como esta coletânea de Bram Stoker, incluindo o clássico Drácula. Mas o melhor mesmo são contos bizarros e desconhecidos, como O covil do verme branco e A torre das torturas, com bons desenhistas. Drácula, O covil do verme branco e Outras Histórias / Bram Stoker e vários artistas / Rai / 144 p. / R$ 32 / http://www.raieditora.com.br/



Cogumelos, né? Sei.

Knox deseja se transformar em um poderoso guerreiro. Seu amigo, Arroba, quer mais é reverter o feitiço que o transformou em um menino-porco. Juntos, os dois garotos partem em busca dos lendários cogumelos mágicos, que transformam em realidade os desejos de quem os comer. Na sua jornada, muitos perigos e aventuras. Com bons desenhos de Jonatas Tobias, essa simpática salada de referências de mangás com O Senhor dos Anéis deverá agradar aos mais jovens. Cogumelos ao Entardecer / Jonatas Tobias / Devir / 112 p. / R$ 44 / http://www.devir.com.br/