quarta-feira, janeiro 26, 2005

Quem é do rock já sabe disso faz tempo

Amor à arte torna vida mais saudável, diz estudo.
Leiam aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u39079.shtml.

There must be some way outta here...

...disse o tolo para o ladrão.

CEBOLA manda avisar: Apesar do inferno da última sexta, provocado pela Sucom e nossa briosa polícia, o Calypso vai, heroicamente, abrigar a Tequilers e Koyotes para uma noite Rock no dia 28, às 23 hs. Vamos mostrar a esse bando de filhos da puta com quantas guitarras se faz uma resistência. KICK OUT THE JAMS MOTHERFUCKERRRSSSS!!!!!!!!!!!!!

E a despeito de já estarmos praticamente na porcaria do carnaval, tem mais shows bacanas na cidade, veja só: RETROFOGUETES amanhã (quinta), no XIII Festival de Música Instrumental da Bahia, no TCA, 19h40 (R$10, inteira).
NAÇÃO ZUMBI e uma banda de reggae (que saco, por que nunca colocam uma banda de rock, caralho?) domingo, na Concha Acústica do TCA, no Projeto MPB Petrobras (R$14, inteira). Imperdível, como sempre.
KATIA DOTTO, ex-guitarrista da Leela (RJ), toca nesta sexta, no Pega. O companheiro Mario Jorge (bateria) e outra ex-Penélope, Erica Nande (baixo) acompanham a cantora. Dei uma ouvida na casa de Mário no EP Do lado de dentro, e achei um tanto similar ao trabalho da própria Penélope. No bom sentido. A conferir.

QUEM DIRIA: BEZ, aquele largado que tocava maracas e dançava que nem um doente no Happy Mondays, venceu o Celebrity Big Brother na Inglaterra (é, lá tb tem Casa dos Autistas), e ganhou 72 mil euros. Vejam aqui a notícia em inglês no site da BBC e aqui a página do programa que anuncia seu vencedor.

ESSA É PRA COMEMORAR: quer dizer, quase. O Universo HQ, um dos melhores e mais confiáveis sites do gênero do Brasil ventilou um boato lançado pela Folha de SP dando conta que a Conrad, a editora que é hj o que a Brasiliense foi nos anos 80 (talvez até melhor), está para relançar a série Sandman, de Neil Gaiman, no Brasil. Melhor ainda: a série voltaria em forma de encadernados reunindo todas as sagas que povoaram seus 75 números. Para mim, que nunca consegui completar a coleção, vai ser uma mão na roda. Outra editora, a Brainstore, vinha republicando a série (bem como várias outras séries da Vertigo/DC), mas parece que esse barco já afundou (como costuma acontecer no Brasil), abrindo caminho para a Conrad, que por enquanto, não confirmou nada. Vamos torcer, inclusive para que a Brainstore tenha mesmo perdido os direitos de publicação também sobre Preacher e Os Invisíveis, duas das melhores séries em quadrinhos de todos os tempos, mas que nunca chegavam às bancas baianas por não termos nenhuma afiliada à um tal de HQ Club. Eu quero encontrar Sandman, Preacher e Os Invisíveis na banca da esquina, como deve ser, caralho! É pedir demais?

CANALHAS E FANTASMAS

Da primeira vez em que colaborou com este blog, o companheiro Franciel Cruz não gostou da denominação rockloquete honorário, por acha-la um tanto... efeminada. Sugeriu, desta forma, que utilizássemos o termo rockloquista. De minha parte, nada tenho contra a primeira, cunhada, senão me engano, pela companheira rockloquete efetiva Sora Maia. Rockloquete ou rockloquista, o importante é que Franciel, cabeça pensante do jornalismo baiano, nos brinda com mais um belo texto de sua autoria, a propósito de um fantasma que assombra a inteligentzia nacional: Glauber Rocha. (Me lembrei até de um texto, o autor eu não lembro, que comparava Glauber e Buñuel, o estrago que ambos haviam involuntariamente causado à intelectualidade de seus países após suas mortes.) Leiam e vcs vão entender.

CANALHAS E FANTASMAS

Um espectro ronda de forma indelével a inteligentzia tropical - o espectro de Glauber Rocha. Desde que Dona Lúcia o pariu em Vitória da Conquista há pouco mais de 65 anos, no 14 de março de 1939, ele não pára de assombrar. Mas, sua figura fantasmagórica tornou-se mesmo insuportável depois de 22 de agosto de 1981, quando ele bateu as botas em um hospital do Rio de Janeiro. Definitivamente, este é um dia que nunca termina. A partir de então, é só choro e ranger de dentes. Viúvas verdadeiras, falsas e outras maizomenos protagonizam uma ladainha sem fim. Agora mesmo o cineasta entrou novamente na roda pelas mãos de Silvio Tendler com Glauber O Filme, Labirinto do Brasil.

Tento até ser compreensivo, mas meu maltratado saco transborda quando se descamba para o inevitável: "O que Glauber faria se estivesse vivo diante de...?". Caralho! Mandaria às favas os problemas de consciência, os culhões de Cristo, estas indagações impertinentes e continuaria com sua trajetória de loucas profecias e incoerências, ora... ou não? Como diria a vedete santamarense. Por falar nela, outro dia, em uma de suas chatas, inúteis e intermináveis polêmicas, contou que Glauber lhe confessara: "Meu candidato a presidente é ACM". Eta carai de asa. Viva a macumba transcendental! Aliás, nos apaixonados debates sobre arte, polititica, revolução e outros bichos afins, tão comuns em sua época, o conquistense guiava-se pela máxima do lírico Mário Quintana: "Que fique mal explicado. Não faço força para ser entendido. Quem faz sentido é o soldado".

E já que estamos no campo dos devaneios, Terra em Transe. O filme é, com perdão da má palavra, um oxímoro. Nele, Glauber expõe todas as suas dores, contradições e esperanças a partir de uma representação atemporal dos desmantelos e (im) possibilidades de grandezas de Pindorama. À parte eu apreciar muito os gritos lancinantes das óperas místicas de literatura de cordel e faroeste que são Deus e o Diabo e o Santo Guerreiro, acho Terra em Transe superior. E nem vou entrar nesta polêmica específica. É apenas minha mísera opinião.

Aliás, nem era só de Glauber que eu queria tratar quando comecei a digitar estas mal traçadas. Desejava também falar sobre o retrato do artista quando (se transforma em) canalha. Não, cambada, não é Glauber, mas sim Fagner. E onde é que a Bahia faz fronteira com o Ceará? Seguinte. Outro dia um amigo me contou que o Raimundo, nome que serviria para a rima drumondiana, transava nas escadarias do hospital em que o filho de Dona Lúcia padecia. Pensei: taí um cabra que era, novamente com o perdão da má palavra, tão iconoclasta quanto o Dragão da Maldade. Um homem que botava pra fuder, literalmente. Estreou em LP já furtando Cecília Meireles.

Porém, para além do amor ao alheio, Manera Fru Fru, Manera ou o Último Pau-de-Arara é uma pequena obra-prima. Entre outras malcriações, cometeu Orós, um disco absurdamente inquietante, com o auxílio luxuoso do bruxo Hermeto; no intermezzo, ainda gravou o bolachão que contém o biscoito finíssimo Sinal Fechado; produziu e incentivou artistas novos; apoiou talentos; jogou bola com Chico Buarque e... comeu gente na escada de hospital. Enfim, fez misera. Depois, todo o mundo já sabe o processo de vergonhosa patifaria a que este se submeteu. Abstenho-me de comentar. Só uma surra de cansanção e urtiga neste moleque, que hoje é filiado ao PSDB do Ceará e faz canções mela-cueca.

Tá tudo bem, tudo muito certo, mas cadê a moral da história? Sim, porque toda a fábula tem que ter uma. Se todos assim o fazem, não seria eu que desta lei da natureza deveria ter isenção. Vamos lá.

FANTASMAS: Gênios que morrem antes do tempo, como convém aos de boa cepa, e ficam perturbando mentes, corações e provocando desmantelos nos intestinos.
CANALHAS: Nós outros, gênios ou imbecis, que permanecemos vivos.

Franciel Cruz, o canalhinha-camarada.

O Exilio Europeu dos Walkabouts

Uma banda de Seattle, contratada da Sub-Pop no final dos 80-inicio dos 90, faz que tipo de som, grunge, né? No caso dos Walkabouts(Andarilhos) a resposta é um redondo não. O som da banda é de dificil qualificação,uma "pallete" musical de Folk, Country, Rock, fortemente imersa no conceito de "Americana"(mitos da "America Profunda"), com tons e sonoridades soturnas e sombrias(quase gotico), mas vez por outra capazes de nos alegrar. Mas isso é apenas o inicio das idiossincrasias que conferem aos Walkabouts uma trajetoria peculiar. A banda foi formada em 1984, pelos irmãos Chris, Curt, e Grant Eckman que juntamente com a veterana da cena folk de Seattle, Carla Torgerson, gravaram uma fita k-7(auto-intitulado), um ep (22 Disasters de 85) até serem contratados pelo emergente selo local Sub-Pop, que relança(tinha sido lançado por conta propria), o fraco "See Beautiful Rattlesnake Garden" em 1988 . A banda passa com o tempo a girar em torno do nucleo Chris Eckman(compositor e cantor de voz grave) e Carla Torgerson(simplesmente uma das maiores cantoras do cenario), com musicos diversos variando de projeto a projeto, com alguma estabilidade em meados dos 90.Lançam mais 3 discos pela Sub-Pop-- Cataract(89), Rag & Bone(90), Scavenger(91) e são dispensados pela Sub-Pop. Aí o Sobrenatural de Almeida entra em campo, ao mesmo tempo que não fazem sucesso nos U.S.A. , o braço associado da Sub-Pop na Europa, o fantastico selo alemão Glitterhouse contrata os caras para suprir um crescente culto ao grupo na Europa como um todo, em particular na Alemanha, Tcheco-Eslovaquia e Polonia!!!?!!
A partir de 1993 os Walkabouts lançam, na Europa, uma sucessão de 5 discos antologicos, com poucos paralelos artisticos: o climatico New Motel West(1993) , o só covers (para muitos uma obra-prima) Satisfied Mind(1993), Setting the Woods on Fire(1994), o cultuado Devil's Road, e a obra-prima(para mim) Nighttown(1997). Pequeno grande detalhe, os titulos foram lançados só na Europa, e até hoje só são disponiveis nos U.S. como importados, com os Andarilhos cumprindo de forma torta e inesperada a promessa contida em seu nome . O mais estranho é que o culto a banda na Europa, principalmente na Alemanha, torna-se em adoração por seus produtores e fãs e depois do pico artistico de Satisfied Mind, uma seleção de covers tortos puxados pro country de artistas como Charlie Rich, Patti Smith, John Cale, Nick Cave e Carter Family, e do country-rock consistente do Setting the Woods..., a Virgin Schallplatten(Virgin alemã) contrata os caras e grava em Berlim o luxuoso Devil´s Road com a participação de nada mais nada menos que da Orquestra Filarmonica de Varsovia. O disco dá aos Walkabouts um hit alemão(quarto maior mercado do mundo), a belissima "The Lights Will Stay On", uma das canções mais belas já gravadas, do nivel de "Killing Moon". O resto do disco apesar do altissimo padrão artistico, ainda não é o disco dos caras.Isto aconteceria com Nighttown, gravado em Seattle, com a Nightown Orchestra, com musicos americanos, e uma obra-prima pela emoção das interpretações, apuro tecnico, letras entre o soturno e esperançoso(ali no "twilight"), e um equilibrio e dinamica que deixa o disco com o clima menos pesado que Devil´s Road.
Pra não alongar muito, são lançados ainda : Trail of Stars (2000), Train Leaves at Eight(2001),
Ended up a Stranger(2002), e a fantastica coletanea Drunken Soundtracks(2002). Tambem disponivel a coletanea Death Valley Days(19996), mais não me pergunte a gravadora.E tambem alguns projetos paralelos lançados por Eckman e Torgerson, com tiragens limitadas pelas gravadoras Cargo e Glitterhouse.Ano passado Eckman lançou o solo "The Black Field" pela ...Glitterhouse , e Carla(Great Dame) Torgerson o solo "Saint Stranger" pela.....Glitterhouse!!!! Mais info no site não oficial da banda-The Stopping-Off Place(www.thewalkabouts.com), que inclusive linka com a fundamental Glitterhouse.



terça-feira, janeiro 25, 2005

Vai Que Dia?

Olha só o email que os cara me mandam, e ai vai encarar?
----- Original Message -----
From: bigbross
To: Messias Guimarães Bandeira
Sent: Tuesday, January 25, 2005 2:52 AM
Subject: vai que dia??




Palco do Rock 2005Por Sandra de Cássia e Gabriel Amorim (Presidência ACCR)
Sábado ? 05/02
Domingo ? 06/02
Segunda ? 07/02
Terça ? 08/02
Lollyta
Anacê
Paladinos
Linha de Fogo Groove
Demoiselle
Pã
Canto dos Malditos na Terra do Nunca
Os Caverna
Mundo Tosco
Cobalto
Movidos a Álcool
Kbrunco (Serrinha)
Plexus
(Mut) Mutação (AL)
Ulo Selvagem
Slow
Malcom
Portal
Chipset Zero (SP)
Temporal
Animus Necandi
Haze
Cruzadas
Nação Alien
Os Algas
Desrroche
General Zorg (AL)
Lenora (Feira de Santana)
Custo Zero
Nebória
The Hughes
Who Am ?I (AL)
Modus Operandi
Os Nóides
Insantification
Charcot (Serrinha)
Blessed in Fire
Exórdia
Morbidreams
Keter

segunda-feira, janeiro 24, 2005

NIGHT DECK DISC: VALEU?

Sim, eu fui naquele festivalzinho mala no sábado e valeu a night. Negócio seguinte: acabei de sair de um tratamento de canal e tô me sentindo tão bem, que não reparem não, mas vou passar logo para uma breve resenha de cada apresentação da Noite Deck Disc.

LUDOV: A despeito dos esforços da carismática vocalista Vanessa Krongold, que corria para lá e para cá e se esgoelava para se fazer ouvir (o som estava bem baixo para as três primeiras atrações, ou foi impressão minha?) o Ludov só ensaiou levantar a galera com o hit da MTV, Princesa. O desconhecimento do repertório da banda pela imensa maioria do público, o som baixo e a enormidade do palco Arena Motomix prejudicaram o Ludov, que não empolgou nem aqueles que a vêem com bons olhos, como o papai aqui. Talvez eu esteja falando merda, mas acho que Vanessa e sua gangue fariam mais bonito tocando em um palco menor (como o Tapioca, daqui de SSa), e para o seu próprio público, não aquela coisa pulverizada de festival. Mas valeu para um primeiro contato. Esperemos o cd novo que sairá pela Deck e os próximos shows.

GRAM: Como já disse o bróder Luciano, o melhor show do festival. Com um repertório claramente superior ao da banda anterior, o Gram se mostrou uma banda afiadíssima e encantou até os incrédulos. Levantou a galera com Você pode ir na janela, e fez um show de gente grande, com execuções irrepreensíveis, no quilo, das músicas do seu primeiro disco. Teve até Across the universe, dos Beatles, linda. Nesse caso, deu vontade de vê-los na Concha. Danem-se os Los Hermanos. Esses meninos têm personalidade própria e ainda vão longe.

BLACK ALIEN: Respeito o trabalho desse cara, mas não tenho mais saco pra rap e hip hop. Pausa para ir ao banheiro, tomar (mais) umas cervas e para aquelas rodinhas amigas em locais mais tranqüilos.

MATANZA: grande show, multidão enlouquecida, seqüência de porradas na orelha. É uma banda de metal. Ao vivo, quase todas as músicas se resumem àquela batida páco-páco-páco-páco acelerada que a gente acha o máximo quando tem 16 anos. Isso, para mim, entedia um pouco. Mas curti uma boa parte do show, até por que já tava bebão, mesmo. Pé na porta, soco na cara foi ducaralho, assim como Bom é quando faz mal e uma ou outra que fugia daquela batida repetitiva. Agora, por que diabos eles não tocaram Maldito hippie sujo, uma das melhores músicas do seu repertório?

DEAD FISH: só prestei atenção na hora do hit Você, que de tanto ouvir na Brasil 2000, acabei gostando. O povão se amarrou o tempo todo e abriu enormes rodas de pogo (a exemplo do que já havia ocorrido no show do Matanza). Não gosto de hardcore melódico, apesar de admitir que essa banda é bem melhor que a insuportável CPM22. Mas àquela hora da night e bêbado que nem um gambá, não há quem agüente aquela choradeira. Desta forma, cedi aos apelos de minha paciente e esgotada companheira e se mandamos daquele hospício.

Saldo da noite: empatado em 2,5 a 2,5. Gram e Matanza marcando a favor, Ludov marcando meio ponto pra lá e pra cá e Black Alien e Dead Fish como bolas fora. Entenderam? Senão eu posso repetir.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

THERE AIN'T NO CURE FOR THE SUMMERTIME BLUES

FODA-SE O VERÃO. Sim, foda-se mesmo. Caguei para o festivalzinho da rede dona do pedaço, caguei para o skol spirit, para a ilha de caras, camarotes de carnaval que prometem o paraíso na terra e essa gentalha feliz que parece viver num desses comerciais de telefonia celular: todo mundo é lindo, sarado e só falta sair flutuando de tanta felicidade (e tudo por causa de um celular). Fala sério, é tudo muito nojento, fake até o cú fazer bico.

Por conta disso, resolvi fazer finalmente um post sobre uma das minhas bandas preferidas desde... desde sempre mesmo.

Se você, assim como eu, está cagando e andando para o verão e toda a sua forçada alegria, uma boa dica é se trancar em um quarto (de preferência com ar-condicionado, ou no mínimo um ventilador) para ouvir os Cowboy Junkies, a melancólica banda canadense que, pelo que sei, nunca gozou de muita popularidade na terra da alegria.

Também, pudera: seus discos costumam ser verdadeiros tratados sobre a tristeza, a solidão e os desencontros amorosos dos personagens de suas letras. O som, ouso arriscar, seria um feliz (opa) cruzamento de Velvet Underground com Neil Young. Um híbrido de rock alternativo com country rock e uma pitada de blues. Peraí! Mas isso não é o tal do alt-country, Franchico?

É, né? Fazer o quê? Os Vaqueiros Viciados já estavam em cima do lance desde 1984, quando o guitarrista Michael Timmins e o baixista Alan Anton fundaram a banda. Em 1985 entram em cena os irmãos de Michael, Peter e Margo Timmins, na bateria e vocais, respectivamente, fechando a formação que perdura até hoje, um caso raro no cenário do rock, tão afeito a vontades, chiliques e ataques de estrelismo.

Ah, quantos devaneios noturnos (e diurnos tb) a maravilhosa voz etérea da musa Margo já não embalaram, quantas vezes o som quase sempre limpo da guitarra perfeita de Michael já não nos transportou para a paisagem gelada das florestas de pinheiros canadenses, aquela imensidão, aquela solidão reconfortante, longe de toda essa podridão que nos cerca? Pois é, o som do Cowboy Junkies é capaz de tudo isso e muito mais. Por isso é que eu digo: Cowboy Junkies é O som do verão, pra mim.

Feita esta breve introdução, passemos agora a uma rápida discografia comentada, com links para a página de cada disco no site All Music, para quem quiser conferir.

Whites Off Earth Now!! (1986) - O primeiro disco do CJ é quase uma coletânea de covers (só uma faixa, Take me, é de autoria própria) muito bem escolhidos entre standards do blues e country rock. John Lee Hooker, Robert Johnson, Bruce Springsteen e Lightnin Hopkins dizem presente nessa coleção de canções que já mostrava a quê os Junkies vieram. Nunca lançado no Brasil, esse disco, um lançamento independente gravado com um único microfone, é um dos poucos que eu nunca ouvi, mas diz que Margo já canta maravilhosamente aqui.

The Trinity Session (1988) - Como definir a perfeição? Como tentar descrever o indescritível? Como passar para a tela do computador toda a extraordinária sensação narcótica provocada pela simples audição dessa obra de arte? Com The Trinity Session, o CJ atingiu um patamar de qualidade tão alto, que muita gente até hoje acha este o melhor disco do grupo. Eu gosto tanto da banda em sua plenitude que hesito muito em concordar com a tese de insuperabilidade (essa palavra existe?) desse álbum, mas se tivesse que escolher UM só na discografia para levar comigo para uma ilha deserta, muito provavelmente, seria esse mesmo. Gravado em uma única noite (e que noite mágica deve ter sido) em uma igreja abandonada em Toronto, a The Holy Trinity Church, e novamente com apenas um microfone e um gravador DAT, esse disco catapultou os Cowboys para a fama no circuito das college radios no Canadá e EUA. Lembro que na época, foi até lançado em vinil no Brasil, para gozo dos críticos da Bizz e um ou outro gato pingado que teve a felicidade de adquiri-lo na época, como o verme-mór Sérgio Cebola (exímio conhecedor da obra dos irmãos Timmins). É desse disco seu maior hit, ironicamente, um cover do Velvet, Sweet Jane, posteriormente popularizado pela trilha sonora do filme Assassinos por natureza, de Oliver Stone, que ainda teve a pachorra de incluir diálogos dos personagens no meio da música. Mala. Outra cover bem legal constante desse álbum é Blue Moon Revisited (Song for Elvis), a melhor e mais tocante homenagem ao Rei que eu já ouvi na vida. Voltando o disco em si, não tem essa de melhor ou pior faixa: trata-se de um álbum coeso, para ser ouvido em sua totalidade, do início ao fim sem pular uma faixinha sequer. Se vc nunca ouviu a banda e quer conhece-la, comece por este aqui, que não tem erro: é paixão na certa.

The Caution Horses (1990) - É natural: depois de um disco amplamente celebrado tanto pela crítica quanto pelo público, qualquer banda treme nas bases na hora de gravar seu sucessor. The Caution Horses se ressente exatamente dessa tensão: não é maravilhoso como seu antecessor, mas analisado isoladamente, revela-se uma bela coleção de canções delicadas, etéreas, perfeitas para serem ouvidas em uma tarde fria e cinzenta. Destaque para a cover da clássica Powderfinger, do pai Neil Young e as belíssimas Sun comes up its tueday morning e Escape is so simple.

Black Eyed Man (1992) - Esse foi o disco dos Junkies que me ganhou. Até então, já tinha ouvido falar da banda, mas nunca havia dado muita atenção, confesso. Até que, por volta de 1993, 94, me caiu nas mãos uma fita cassete com esse álbum gravado. E foi amor a primeira mordida. Os vocais por vezes narrados, por vezes cantados de Margo são um deleite para qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade, rocker ou não. Os arranjos, com uma roupagem ligeiramente (mesmo) mais pop deram o upgrade necessário no som da banda, para que não soassem tão sonolentos quanto no cd anterior. As primeiras seis músicas são perfeitas, devem ser sorvidas de uma talagada só, sem parar. O resto do disco mantém o nível, claro, mas com um tantinho menos de coesão quanto esse lado A. O dueto com o cantor John Prine (who?) na valsa If you were the woman and I was the man permanece ainda hoje como uma das mais românticas e sofisticadas canções de amor já registradas em vinil, coisa de fazer Cole Porter corar (ou chorar). Tudo o que o 10.000 Maniacs sempre quis fazer na vida, mas nunca teve talento bastante.

Pale Sun, Crescent Moon (1993) - Lançado ano seguinte, esse cd certamente não é tão brilhante quanto o Black eyed man, mas continua a trilha aberta por ele ao atualizar ainda mais o som do grupo, sem descaracteriza-lo. Ótimo de ouvir do início ao fim, Pale sun marca o fim do contrato do CJ com a gravadora RCA e traz ainda um cover do Dinosaur Jr, a faixa The post. A voz de Margo continua absolutamente sedutora e a execução instrumental, certamente inequívoca. Pode comprar de olhos fechados, que o meu eu já ganhei no meu aniversário em 1998, de quem? De quem? Ora, do reverendo Cebola, claro. Quem mais? Valeu, dodjão!

Lay It Down (1996) - Considerado o álbum mais rock dos Junkies, Lay it down foi o primeiro lançamento deles pela Geffen e mostrou como é que se muda o som de uma banda sem deixar que se perca o seu sabor característico e seu clima intimista. Aqui os acordes de guitarra estão mais sujos e mais altos e as levadas de bateria mais velozes e dinâmicas. Mas ainda assim, são os Junkies fazendo o que sabem fazer melhor: country rock melodioso, com claras influências do conterrâneo Neil Young.

Miles from Our Home (1998) - Ah, esse é um dos meus preferidos, junto com o Trinity session e o Black eyed man. Por que? Na época em que saiu (e eu comprei logo em seguida), eu não sabia, mas hoje, olhando em retrospecto, dá para arriscar que esse disco é um feliz cruzamento (onde foi que eu já li isso hoje?) entre as guitarras altas do Lay it down com as melodias matadoras do já citado Black eyed man. Diz que o crédito desse fato se deve à produção puta velha de John Leckie (que já havia a polido as gemas The Stone Roses, o primeiro da banda e The Bends do Radiohead). Mas na boa: pérolas como New dawn coming, The Summer of discontent e Darkling days, entre outras (o álbum é todo bom, sem brincadeira) já devem nascer prontas, lindas que só. Necessário, fundamental para quem quer conhecer o que essa banda fez de melhor.

Waltz Across América (2000) - Chutados da Geffen, o Junkies soltam de forma independente (pelo seu próprio selo, Latent Records) esse CD ao vivo, infelizmente nunca lançado no Brasil. Deve ser uma boa porta de entrada para neófitos, vide a feliz seleção de clássicos Junkies escolhida para entrar no álbum. Do lado de cá, só dá para imaginar que delícia que deve ser testemunhar um show dessa turma.

Open (2001) - Esse foi lançado aqui (uns dois anos depois) pela Sum. Trata-se de um álbum um tanto mais urbano dos Junkies, onde a faceta Velvet Underground sobressai mais claramente que a Neil Young. Beleza, não é brilhante, mas ainda contém seus momentos como Upon still waters (a curly blonde disaster...), I?m so open e algumas outras. Michael Timmins continua em excelente forma guitarrística.

One Soul Now (2004) - Recém-lançado lá fora, diz que é mais um bom disco da gangue dos Junkies. Esperemos que alguma boa alma se dê ao trabalho de lança-lo por aqui.

Além desses álbuns de carreira, o CJ têm algumas boas coletâneas que servem como introdução aos neófitos que preferem ouvir o som da banda em sua plenitude antes de mergulhar em suas obras mais específicas. Recomendados: Studio: Selected Studio Recordings 1986-1995 e Rarities, B-Sides and Slow, Sad Waltzes.

Por hoje é só. Stay Junky.

OKAY, MY GAY!

O cara achou legal Ivete na capa da Capricho usando uma camiseta Rock n' Roll High School dos Ramones (não esqueçamos o detalhe que o cara é editor da tal revista). Alguém aí gostou também? Se achou, faça o favor de se retirar do recinto agora e NÃÃÃÃÃO ME APAREÇA MAAAAAIS POR AQUI!! TÁ COMPREENDIDO?

Ah, puta que pariu!

O que é que tem a ver o cú com as calças? Por que ela não estava com uma camisa do Chiclete com Banana? Ou do genial Carlinhos Brown? Por que essa gentalha tem que querer posar de descolada pra cima da gente? Por que essa gentalha insiste em querer parecer cool, quando TODO MUNDO sabe que o trabalho delas não passa de um CÚ (sujo), mesmo?

Por que? Por que? Por que?

Eu realmente preciso de uma passagem (só de ida) para Glasgow.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

GOOD DAY, SUNSHINE

Em nome da equipe ROCK LOCO, desejamos toda a felicidade do mundo ao companheiro irmão Cláudio Esc Moreira e sua mulher Ana Cláudia pelo nascimento de Beatriz, a mais nova rocker soteropolitana, que chegou ao mundo por volta do meio dia de ontem. Muita saúde, amor e rock n roll pra quem for dessa família que mora em nossos corações. E Cláudio: não corra, papai, não corra!

terça-feira, janeiro 18, 2005

BALA JUQUINHA E SUPRA SUMO

OU: NOTAS ALEATÓRIAS E LIGEIRAS DE INTERESSE MÍNIMO

Vai um acústicuzinho aí? - Mês que vem, cinco bandas do prolífico (e sempre vale lembrar, auto-suficiente) cenário do rock gaúcho vão gravar um programa / cd / dvd acústico para a MTV. Pelo jeito, ainda não se sabe o nome do projeto (Acústico MTV Gauchada Insana?), mas é importante notar que o nosso herói Wander Wildner está incluído na empreitada. Além dele, participam tb as bandas Ultramen, Cachorro Grande e Bidê ou Balde. Bom, pelo menos ¾ do programa deverá ser assistível, por que esse Ultramen aí, pra mim não cheira nem fede (minto: qualquer banda que ainda recorra à surrada fórmula rap + rock pesado fede pra caralho). As gravações acontecerão em São Paulo, nos dias 26 e 27 de fevereiro. E com fé, não impedirão a já anunciada vinda de Wander à Salvador nesse mesmo mês. E tomara que seja bom pra carreira do bardo punk brega participar desse programa. Mais conhecido, pelo menos ele deve ficar, já que esses acústicos costumam vender que nem água. A pergunta que não quer calar, porém, é uma só: ALGUÉM AÍ PRECISA DE MAIS UM DISCO ACÚSTICO?

Vai um vinhozinho aí? - Quem se lembra do hit bacana No rain, do Blind Melon, banda cujo vocalista gostava de se apresentar de vestido e morreu de overdose de herô em meados da década de 90? A música, que fez bastante sucesso em 1993 (disputando as paradas com a insuportável Whats going on do 4Non Blondes), está na trilha do filme Sideways - Entre umas e outras, que devido ao enorme sucesso nos EUA teve sua estréia antecipada aqui no Brasil, para 4 de fevereiro. O filme é do diretor Alexander Payne, o mesmo dos ótimos As confissões de Schmidt e Eleição (essa pérola foi solenemente ignorada no Brasil e junta poeira nas prateleiras das locadoras), e conta a história de dois amigos que partem em uma viagem de degustação de vinhos (nada mal...). Diz que o filme é tão bacana que ganhou os Globos de Ouro de Melhor Filme Comédia ou Musical e Melhor Roteiro. Quer dizer, eu estou supondo que o filme é mesmo bom, a partir do antecedentes de seu diretor. A conferir, depois da folia momesca.

Vai um fumettizinho aí? - A gigante editora italiana de quadrinhos (fumetti, ma che!) Bonelli Editore sempre teve ótima penetração (opa) no Brasil. Tex, o corajoso ranger do velho oeste, era a leitura número um dos porteiros de edifício e vigias noturnos quando eu era menino pequeno (lá em Barbacena). Hoje, o preço dessas revistinhas já não é tão convidativo para essa parcela da população, mas a difusão da indústria dos quadrinhos italianos no Brasil continua de vento em popa com o monopólio da Mythos Editora, que publica vários títulos mensais daquela casa editorial. Para quem, assim como eu, não acompanha esse universo específico do mundo das hqs, mas nutre uma certa simpatia pela sua forma simples e eficiente de entretenimento, vale a pena esperar para conferir o almanaque Seleção Tex e os Aventureiros, que reúne em uma só revista, várias historinhas curtas de diversos personagens da editora, como o já citado Tex, Nathan Never, Zagor, Mister No, Martin Mystère, Dylan Dog e Nick Raider. Em fevereiro nas bancas, no formato original italiano (16 x 21 cm).

Vai um cadáverzinho aí? - Essa é demais. Rita Marley, viúva (ela e a torcida do Flamengo) do Bob, vai exumar o corpo do ídolo para enterrar de novo na Etiópia. Saca só a justificativa (pescada do Omelete) da senhora Marley (que não deve ter muito o que fazer no seu dia a dia): "toda a vida de Bob foi voltada à Africa, não à Jamaica. Como alguém pode trocar um continente por uma ilha? Ele tem o direito de ter seus restos mortais em um lugar onde gostaria. Essa foi sua missão e a Etiópia será seu local de descanso espiritual", afirmou. Hum, humm. Certo. Agora morda aqui o meu dedo pra ver se sai coca-cola, morda. É óbvio que deve ter algum interesse escuso na jogada. Só não sabemos ainda qual é. Fiquemos ligados.

Vai uma camisa preta aí? - Bandas decadentes de metal da década de 80 são sempre bem-vindas ao Terceiro Mundo. Vamos todos então ao show do Sodom e Nuclear Assault, que tocarão em fevereiro em Porto Alegre, BH, Brasília e SP. Só faltou o Rock in Rio Café Salvador. Ainda dá tempo, não duvide.

Vai uma balinha aí? - A bala Supra Sumo, um verdadeiro clássico das bombonieres brasileiras voltou ao mercado em grande estilo e nova versão, novos sabores e campanha milionária com astros de novela chupando (opa) e achando gostoso (tb com o cachê que eles devem ganhar pra um quase nada de trabalho, até eu). Agora só faltam as balas Juquinha e Apache. PS: Lembro inclusive que essas balas foram eternizadas pelo Casseta & Planeta em seu primeiro disco, o clássico Preto com um buraco no meio, em um punk rock que dizia assim (com sotaque de punk paulista): "sou um jovem adolescente / na sociedade de consumo / bala juquinha / e supra sumo". Isso era o que havia em 1988.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Ainda sobre Armando Oliveira

Nosso companheiro e rockloquete honorário Franciel Cruz, jornalista de fina cepa e grande amigo, me enviou um sensível e belo obituário sobre Armando (que não, não era do rock, mas e daí?) que reproduzo sem cortes a seguir:

Ar-man-do Oliveeeira!

Logo após esta chamada acima, quem gostava de futebol costumava se ajeitar na poltrona para ouvir "o comentário abalizado do número 1 do Brasil", que começava sempre com o indefectível "meus amigos". A partir de então (desculpem-me, mas o chavão é inevitável), iniciava-se mais uma aula sobre a arte futebolística.Apesar de extremamente lúcido, quase cartesiano, o heptacampeão da Bola de Ouro guiava-se pela sábia e emocional sentença de Peter Shankley, técnico e escritor escocês: "O futebol não é uma questão de vida ou morte; é muito mais importante que isso". Armando falava sempre com difícil simplicidade, como só o fazem os grandes conhecedores.

Nunca houve na história do rádio da Bahia, e quiçá do Brasil, alguém com tanta intimidade para tratar dos acontecimentos nas quatro linhas. Possuia os segredos da clarividência. Em pouco menos de 15 minutos, era capaz de elaborar raciocínios cristalinos e convicentes sobre este algo tão inexato que é uma peleja de futebol. Sabia ver o jogo como ninguém, pois conhecia as manhas e tretas dos jogadores e técnicos. E dava pitos com uma elegância incomum, principalmente nesta raça de gente ruim, que é a cartolagem.

Ao contrário dos cientistas da bola que, a cada quatro anos, em época de Copa do Mundo, escrevem tratados antropológicos sobre a paixão nacional, Armando gostava de se ater à dramática batalha dos 90 minutos e das prorrogações diariamente. Mesmo extremamente inteligente, não era dado a estas firulas pseudo-intelectuais. Assim, para além de filosofices, fazia-se entender por qualquer um que verdadeiramente gostasse do esporte bretão.Em que pese trabalhar neste mar de lama que é o futebol brasileiro, jamais deixou-se cooptar pelo vil metal. Por tratar o futebol sem mistérios ou firulas, nunca se envolveu nos negócios enigmáticos, que tanto encantam os coleguinhas de profissão. O único mistério do qual se aproximava, e desvendava, era aquele relativo à disputa em campo.

O ex-torcedor do Colo-Colo também escrevia com correção. É uma pena, porém, que não conseguisse traduzir para o papel sua verve do rádio. Paciência. Cada um é para o que nasce. E elenasceu para ensinar futebol através das ondas radiofônicas ou da televisão. Era um homem da palavra falada.

E de palavra. Vítima de um câncer, decidiu, depois de ser destroçado por sessões de quimioterapia, que não mais faria o tratamento. "Vai morrer com a mesma dignidade com que viveu", confidenciou-me uma amiga, que privava da intimidade de Armando.E assim foi. Armando Oliveira, que não deixou sucessores, saiu de cena dignamente. Partiu um tanto quanto constrangido e indignado com a patifaria reinante no futebol baiano.

Fim de jogo.

P.S Em meados do último Campeonato Brasileiro, o atacante Obina deu uma entrevista reclamando que não balançava mais as redes "por encosto, trabalho da vizinhança". Sílvio Mendes perguntou a Armando se não seria um caso para o "departamento psicológico do Vitória". O comentarista, com sua habitual sabedoria e sarcasmo, sentenciou: "Nada de psicólogo, Sílvio. Vai confundir ainda mais a cabeça do rapaz. Deixa do jeito que tá".

Amém.

ADEUS, ARMANDO

O velho jornalista, um dos últimos bastiões de integridade e ética na profissão, deu adeus ao futebol e seu uísquezinho ao cair da tarde. Ficam suas preciosas lições, espalhadas em inúmeras crônicas impressas em todos os jornais de Salvador e transmitidas pela Rádio Sociedade AM e pelo Cartão Verde Bahia da TVE (Oscar: aquele abraço, amigo).

Em um lugar e época de jornalista big bosta Brasil (que coisa podre, ridícula e lamentável), o exemplo de Armando Oliveira, com sua inteligência aguda, fala mansa, texto limpo e objetivo, servirá somente para aqueles que tem olhos para ler, ouvidos para ouvir e cérebro para pensar.

E aos estagiários que hj lotam as redações, um conselho: procurem saber quem foi Armando Oliveira pra ver se vcs tiram o pé da lama. (Ainda que eu duvide, visto que até a diferença óbvia e gritante entre hardcore melódico e rock de gente grande passa batida hj em dia).

Esse roqueloquete aqui lamenta muito o falecimento de Armando Oliveira, um amigo pessoal de minha família e tb meu. Lamenta ainda mais ter perdido contato com o mestre após o desaparecimento de sua mãe e avó (a quem ele visitava regularmente, para o já citado uísquinho no happy hour), e dessa forma, não ter podido absorver um pouco mais de sua presença agradabilíssima e lições inesquecíveis.

A Bahia fica menos inteligente e íntegra a partir de hoje.