Tem varios assuntos, já estamos em 2005 e o rock já tá rolando, mais pra alguns, menos pra outros , como sempre.Mas continua rolando.
- Terminei de ler Coração Envenenado, bio de Dee Dee(dDD, foi mal) Ramone, e o tragico relato da sua vida , não só como Ramone, mas principalmente, só faz confirmar convicções minhas sobre a genesis do punk-rock. O livro, um confuso relato da sua origem alemã(filho de militar americano) e o pessimo clima familiar no qual foi criado, a infancia e adolescencia disfuncional, o vicio em heroina desde muito cedo, e a vida sem perspectiva já em Queens,N.Y., faz ficar muito claro ele não tinha muitas opções a não ser se juntar com os outros vagabundos(punks) do bairro numa banda de rock que não sabia tocar. Era isso ou morrer muito cedo. Tá(quase) tudo ali , as eternas andanças no submundo atras de H com personagens do mais baixo nivel; dealers, putas, junkies, gays e musicos da cena glam/pre-punk de N.Y., uma cena nojenta com Sid Vicious, enfim o supra-sumo da lama e do esgoto. Tudo muito glamuroso em paginas de revistas musicais, mas deprimente quanto relatado pelo cara que viveu isto na real. Faltam seus relatos como rent-boy(puto), mas isso não é fundamental, já tem lama mais que suficiente. Mas o que me interessa mais são seus relatos da claustrofobica vida com os Brudders, os caras se agarravam uns aos outros pra não afundarem na lama, ao mesmo tempo se odiavam intensamente. Johnny- o control freak facista, e Dee Dee- o porra-louca, se enfrentam o tempo todo , e Joey, Tommy,e depois Marky não são menos escrotos. E fica claro, pra mim, que se os elementos que forjaram os punk rock estavam dispersos na cena nova-iorquina,tais como o estilo de vida decadente( Warhol, Reed e toda cena Factory), elementos glam(Ney York Dolls, fortemente influenciados pela cena londrina) o art -rock minimalista( Velvets, depois Pattti Smith, Television), a exclusão social(Ramones), o visual pre-fashion punk(Richard Hell), o back to basics musical, em punkês Do It Yourself (Ramones) , o fato é que todos esses elementos só foram catalizados no punk-rock inglês, até por que o movimento inglês tinha o discurso politico e a densidade social para dar razão de existir aos elementos citados acima. E estava tudo disperso em N.Y., não me venham com aquele relato bairrista do "Mate-me Por Favor", o punk rock só se tornou punk-rock a partir do movimento inglês, e ponto final.
-A teoria conspiratoria do momento envolve Brian Jones, e segundos relatos e reconstituições serias da cena da morte, varias incorreções no laudo de morte foram cometidas(não é piada), levantando a suspeita que ele pode ter sido assassinado e não cometido suicidio. Tem até filme saindo sobre o assunto(titulo provisorio-The Wild and Wicked World of Brian Jones), dirigido pelo debutante Stephen Wooley .E capa da Uncut de Fevereiro é sobre o assunto. O assunto vai dar muito o que falar. Como fala o cara da cerveja, será?
-Falando em filme e Ramones, "End of The Century" doc. sobre os Ramones, segundo relato de quem viu é absolutamente fantastico.
-Morrisey foi convidado pela T.V. inglesa para participar da Casa dos Artistas inglês, o Celebrity Big Brother, mas o notorio recluso recusou, mas em compensação autorizou a utilização de 20 musicas dos Smiths num musical londrino intitulado "Some Girls Are Bigger Than Others", que abre em Julho em Londres.
-E tem disco novo do Mercury Rev na praça, The Secret Migration, dizem que sem tantas cordas, mas com muitos teclados e igualmente climatico.
Blog (que, nos seus primórdios, entre 2004-05, foi de um programa de rádio) sobre rock e cultura pop. Hoje é o blog de Chico Castro Jr., jornalista formado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Atualmente, é repórter do Caderno 2+ do jornal A Tarde, no qual algumas das matérias vistas aqui foram anteriormente publicadas. Assina a coluna Coletânea, dedicada à música independente baiana. Nossa base é Salvador, Bahia, a cidade do axé, a cidade do terror.
domingo, janeiro 16, 2005
sexta-feira, janeiro 14, 2005
O DIA EM QUE ROUBARAM O CORPO DO GRAM PARSONS
"He is the patron saint of alternative country, a role model for a nation of Ryan Adamses"
Neil Strauss, the New York Times.
http://www.grandtheftmovie.com/
http://us.imdb.com/title/tt0338075/
Chegou na surdina, essa semana mesmo, em algumas locadoras de Salvador, o filme Parceiros até o fim. Mas que título ridículo, Franchico, que porra de filme é esse, catzo? Bom, se o título nacional não diz nada, o título original diz tudo: Grand theft Parsons, dirigido por David Caffrey (???), conta a história real do roubo do corpo do astro do country-rock Gram Parsons, morto aos 26 anos em 1973. Parsons, como diz o cara do NY Times aí em cima, foi um dos responsáveis pelo surgimento do estilo contry alternativo, antes mesmo que os malditos críticos e jornalistas inventassem mais esse rótulo.
Confesso que não conheço sua obra, mas já ouvi falar bastante da figura. Influenciou os Stones na fase Exile on Main Street, participou da fase Sweetheart of the rodeo dos Byrds e lançou alguns discos com sua banda The Flying Burrito Brothers, antes de se lançar em carreira solo.
O filme começa com o jovem astro morrendo de overdose de tequila e barbitúricos na cama. Entra em cena Johnny Knoxville (o Jackass himself) como Phil Kaufman, road manager e melhor amigo do músico. Cerca de dois meses antes, no enterro de um outro doidão, amigo comum, Phil e Gram fizeram um pacto: quando um de nós morrer, o outro vai levar o corpo para o deserto de Joshua Tree e crema-lo, para, desta forma, libertar o seu espírito.
E o filme é isso: Johnny Knoxville (em atuação bastante razoável), rouba o corpo do amigo no aeroporto de L.A. (de onde seria trasladado para Nova Orleans), e foge em um rabecão psicodélico, pintado de amarelo com flores na lataria, dirigido por um relutante hippie chapadão.
Na sua cola, o pai de Gram Parsons, a polícia, e ainda a amante de Gram e a esposa de Phil, temporariamente associadas. Curto (tem menos de 90 minutos), o filme é um road movie leve, que se assiste com prazer. Alternando momentos hilários com outros mais tocantes, é uma linda homenagem ao músico, praticamente desconhecido do grande público.
A trilha sonora, claro, é um primor e nos brinda ao longo do filme com maravilhosas canções de Bruce Springsteen, Primal Scream (a clássica Movin on up), Starsailor e, óbvio, Gram Parsons, entre outros.
Disponível nas menos piores locadoras da cidade.
Só é chato chegar na locadora e perguntar: tem aí Parceiros até o fim? Que título xarope da pega...
Neil Strauss, the New York Times.
http://www.grandtheftmovie.com/
http://us.imdb.com/title/tt0338075/
Chegou na surdina, essa semana mesmo, em algumas locadoras de Salvador, o filme Parceiros até o fim. Mas que título ridículo, Franchico, que porra de filme é esse, catzo? Bom, se o título nacional não diz nada, o título original diz tudo: Grand theft Parsons, dirigido por David Caffrey (???), conta a história real do roubo do corpo do astro do country-rock Gram Parsons, morto aos 26 anos em 1973. Parsons, como diz o cara do NY Times aí em cima, foi um dos responsáveis pelo surgimento do estilo contry alternativo, antes mesmo que os malditos críticos e jornalistas inventassem mais esse rótulo.
Confesso que não conheço sua obra, mas já ouvi falar bastante da figura. Influenciou os Stones na fase Exile on Main Street, participou da fase Sweetheart of the rodeo dos Byrds e lançou alguns discos com sua banda The Flying Burrito Brothers, antes de se lançar em carreira solo.
O filme começa com o jovem astro morrendo de overdose de tequila e barbitúricos na cama. Entra em cena Johnny Knoxville (o Jackass himself) como Phil Kaufman, road manager e melhor amigo do músico. Cerca de dois meses antes, no enterro de um outro doidão, amigo comum, Phil e Gram fizeram um pacto: quando um de nós morrer, o outro vai levar o corpo para o deserto de Joshua Tree e crema-lo, para, desta forma, libertar o seu espírito.
E o filme é isso: Johnny Knoxville (em atuação bastante razoável), rouba o corpo do amigo no aeroporto de L.A. (de onde seria trasladado para Nova Orleans), e foge em um rabecão psicodélico, pintado de amarelo com flores na lataria, dirigido por um relutante hippie chapadão.
Na sua cola, o pai de Gram Parsons, a polícia, e ainda a amante de Gram e a esposa de Phil, temporariamente associadas. Curto (tem menos de 90 minutos), o filme é um road movie leve, que se assiste com prazer. Alternando momentos hilários com outros mais tocantes, é uma linda homenagem ao músico, praticamente desconhecido do grande público.
A trilha sonora, claro, é um primor e nos brinda ao longo do filme com maravilhosas canções de Bruce Springsteen, Primal Scream (a clássica Movin on up), Starsailor e, óbvio, Gram Parsons, entre outros.
Disponível nas menos piores locadoras da cidade.
Só é chato chegar na locadora e perguntar: tem aí Parceiros até o fim? Que título xarope da pega...
quinta-feira, janeiro 13, 2005
DESSA SAGRADA COLINA: LEMBRANÇAS DO BONFIM HARD
Vou começar logo com a melhor lembrança que guardo da nossa celebração roqueira na maior e mais tradicional festa de largo da Bahia, a festa do Senhor do Bonfim:fim de tarde, aquele solzão, aquele calor, a cerveja gelada na mão, as luzes começando a se acender na igreja no alto da colina e Rogério Morotó Slim (Retrofoguetes), mais guitar hero do que nunca, debulhando (com todo o fervor de um fiel torcedor do Bahia) o hino do Senhor do Bonfim (eternizado na voz do mano Caê) da varanda de sua casa.
Passantes pasmos, velhos roqueiros com lágrimas nos olhos, todos maravilhados. Nunca me senti tão baiano. Armandinho (caso estivesse lá) certamente teria orgulho desse discípulo assumido. Só não lembro que ano foi isso. Mas ele toca o Hino todos os anos. Já é um momento tradicional da festa.
O Bonfim Hard, como hoje é conhecido, começou em 1997 (o mítico verão do Vicious,
Lembro que, Jandyra (mulher de Joe Tromondo, ex-Dead, ex-Retro, atual Pitty) e Dóris (mulher de Morotó), encheram um tonel de gelo e cerveja pra vender pra galera e, obviamente, no final, acabou faltando loura gelada pra quem queria.
Lembro dos Dead Billies executando sua lendária versão de Careless whispers, clássico mela cueca do George Michael (fase Wham!) para o povo que delirava em volta da banda.
Lembro da Inkoma de Pitty executando seu hit Pirigulino Babilake, aquele do refrão vote em galvããããão / e leve um morrão / vote em Galvão!. Lembro inclusive que eu, bebum, bebum, ainda achei um microfone (que não lembro se estava ligado ou mesmo plugado) pra fazer backing vocals (com uma galera, Apú, Mauro, sei lá) a plenos pulmões nessa hora.
Lembro de Joe, Morotó, Rex e Mosca (os Dead), mais os já citados Apú, Mauro, Pitty, Josane (então guitarrista da Penélope) e sei lá mais quem detonando o clássico uterino You just follow all the rules em uma jam histórica, todo mundo pulando, cerveja voando sobre nossas cabeças, aquela loucura.
Lembro de palhetar pra caralho, tanto para ir, quanto para voltar. Do Bonfim até o Comércio a pé é fodinha, companheiro. Mas como o trajeto já era feito meio bebum e trocando idéia com a galera, até que passava rápido.
A Dois Sapos e Meio, do doidivanas Peu Sousa, tocando seu histórico hit Segura meu caralho.
Bandas a dar com pau subindo e descendo do palco varanda: Lisergia, Dr. Cascadura, Dinky Dau, as já citadas Dead Billies, Inkoma, Dois Sapos e ainda músicos avulsos de diversas outras, como Ùteros em Fúria, brincando de deus, Penélope e sabe-se lá quem mais.
Churrasquinho de gato.
Pausa para aquelas rodinhas amigas na praia.
Um canto para mijar o excesso de cerveja.
O sol inclemente do verão baiano cozinhando nossos cérebros já imersos em banho-maria de cerveja quente.
Enfim, o Bonfim Hard (uma feroz contraposição ao asséptico e deprimente Bonfim Light dos lamentáveis colunáveis, playboys e wannabes) é uma experiência única, data já tradicional no calendário roqueiro baiano. Tomara que Morotó (e sua família) continuem essa tradição por muitos anos ainda, por que só quem foi lá é que sabe como é bom.
Dai-nos a graça divina, da justiça e da concórdia. Amém, Morotó.
(Eu não vou poder ir hj, mas quem for, please, conta pra gente como foi aqui nos comments, valeu?)
(Na foto acima, Leonardo "Lionman" Leão em show dos Mizeravão, no Bonfim Hard de 2007, clicado pelo companheiro Tiago Fernandes.)
quarta-feira, janeiro 12, 2005
A propósito do STEELY DAN, pegando uma carona no Clash City Rockers
Já vi que com o Clash City Rockers na praça, vou ter que correr para postar meus textículos aqui antes de vcs. :-) Tô brincando, é q, meses atrás, prometi no Rock Loco um texto sobre essa dupla genial e até hj, nada. Mas o de Marcos tá valendo.
Pode crer Marcão: em um dia de sol, com um dry martini na mão, nada melhor que a classe jazzística do pop sofisticado de Becker n Fagen para transformar o ambiente. Pena q tanta gente crie resistência ao Steely Dan exatamente por conta dessa herança jazzy. o q eles não entendem é que, aqui, o que impera é o bom gosto, a melodia, a harmonia. Nunca, jamais a árida punheta instrumental (até por que eles praticamente não têm faixas instrumentais), típica dos músicos de fusion (provavelmente o mais desprezível dos gêneros musicais. Prefiro ouvir arrocha).
Em um dia iluminado de 1996, entrei no sebo de livros do Tomás, na Rua Amazonas (Pituba) e vi que ele tinha acomodado alguns vinis avulsos em um canto. Prontamente, me pus a fuçar os empoeirados bolachões quando me deparei com uma cópia americana zerada de Pretzel logic. Eu nunca tinha ouvido aquele disco. Na verdade, tinha dado uma ouvida rápida na casa do velho Borel no Cant buy a thrill (o qual algum tempo depois, ele trocou comigo pelo Check your head do Beastie Boys, qdo enchi o saco de hip hop), que algum tempo antes fora dissecado na antológica sessão Discoteca Básica, da saudosa Bizz.
Para encurtar a história: por alguns trocados (4, 5 ou 6 reales), levei o dito Pretzel logic para o meu lar. E foi uma das compras no escuro mais felizes da minha vida. O disco já abre maravilhosamente bem com o hit Rikki dont lose that number (que solo de guitarra é aquele, me diz?), engata uma segunda acelerada com o funk de branco Night by night e enterra de vez uma faca no coração do ouvinte com Any major dude will tell you, linda balada country-soul, tudo o que o Lambchop queria fazer nessa vida. Aliás, essa mesma música foi regravada pelo fan-fave Wilco (já toquei no prog, inclusive) para a trilha sonora do hilário filme Eu, eu mesmo e Irene, dos Irmãos Farrely (que devem ser grandes fãs da dupla, já que o referido filme está recheado de músicas do Steely Dan).
A essa altura, o ouvinte (sim, ieu mess) já jazia no chão da sala, extasiado pela (detesto essa palavra, mas preciso usa-la) excelência sonora que enchia o ambiente. Barrytown (um abraço, velhinho!) abria caminho para um cover de East St Louis Toodle-oo, de Duke Ellington e fechava com chave do ouro o lado A.
No lado B, o nível continua nas alturas com pérolas imorredouras do quilate de Charlie Freak, Through with Buzz, a faixa título e mais outras que não lembro o nome agora, mas que perfazem um conjunto de canções irrepreensíveis, inequívocas, imprescindíveis para todos que querem saber como é que se faz música pop com sofisticação, classe e talento pra cacete, puta que pariu (desculpem a minha falta de classe)! Se quiserem conhecer o Steely Dan, meu conselho é: comecem pelo Pretzel Logic. Comigo deu certíssimo.
(E pensar que hj em dia, quando se fala em música pop, nego pensa em Detonautas, Britney Spears e Sandy Júnior. Deus! Não admira que a molecada de hoje só falta tirar as calças pela cabeça, de tão estúpida.)
Pode crer Marcão: em um dia de sol, com um dry martini na mão, nada melhor que a classe jazzística do pop sofisticado de Becker n Fagen para transformar o ambiente. Pena q tanta gente crie resistência ao Steely Dan exatamente por conta dessa herança jazzy. o q eles não entendem é que, aqui, o que impera é o bom gosto, a melodia, a harmonia. Nunca, jamais a árida punheta instrumental (até por que eles praticamente não têm faixas instrumentais), típica dos músicos de fusion (provavelmente o mais desprezível dos gêneros musicais. Prefiro ouvir arrocha).
Em um dia iluminado de 1996, entrei no sebo de livros do Tomás, na Rua Amazonas (Pituba) e vi que ele tinha acomodado alguns vinis avulsos em um canto. Prontamente, me pus a fuçar os empoeirados bolachões quando me deparei com uma cópia americana zerada de Pretzel logic. Eu nunca tinha ouvido aquele disco. Na verdade, tinha dado uma ouvida rápida na casa do velho Borel no Cant buy a thrill (o qual algum tempo depois, ele trocou comigo pelo Check your head do Beastie Boys, qdo enchi o saco de hip hop), que algum tempo antes fora dissecado na antológica sessão Discoteca Básica, da saudosa Bizz.
Para encurtar a história: por alguns trocados (4, 5 ou 6 reales), levei o dito Pretzel logic para o meu lar. E foi uma das compras no escuro mais felizes da minha vida. O disco já abre maravilhosamente bem com o hit Rikki dont lose that number (que solo de guitarra é aquele, me diz?), engata uma segunda acelerada com o funk de branco Night by night e enterra de vez uma faca no coração do ouvinte com Any major dude will tell you, linda balada country-soul, tudo o que o Lambchop queria fazer nessa vida. Aliás, essa mesma música foi regravada pelo fan-fave Wilco (já toquei no prog, inclusive) para a trilha sonora do hilário filme Eu, eu mesmo e Irene, dos Irmãos Farrely (que devem ser grandes fãs da dupla, já que o referido filme está recheado de músicas do Steely Dan).
A essa altura, o ouvinte (sim, ieu mess) já jazia no chão da sala, extasiado pela (detesto essa palavra, mas preciso usa-la) excelência sonora que enchia o ambiente. Barrytown (um abraço, velhinho!) abria caminho para um cover de East St Louis Toodle-oo, de Duke Ellington e fechava com chave do ouro o lado A.
No lado B, o nível continua nas alturas com pérolas imorredouras do quilate de Charlie Freak, Through with Buzz, a faixa título e mais outras que não lembro o nome agora, mas que perfazem um conjunto de canções irrepreensíveis, inequívocas, imprescindíveis para todos que querem saber como é que se faz música pop com sofisticação, classe e talento pra cacete, puta que pariu (desculpem a minha falta de classe)! Se quiserem conhecer o Steely Dan, meu conselho é: comecem pelo Pretzel Logic. Comigo deu certíssimo.
(E pensar que hj em dia, quando se fala em música pop, nego pensa em Detonautas, Britney Spears e Sandy Júnior. Deus! Não admira que a molecada de hoje só falta tirar as calças pela cabeça, de tão estúpida.)
segunda-feira, janeiro 10, 2005
HEIN?!?
Por falar em Cascadura, me deixou muito chateado ler no conceituado Caderno Dez! do jornal A Tarde de quinta-feira passada, um artigo assinado por um rapaz que, pelo jeito, começou a ouvir rock ontem. Na matéria, o jovem repórter associa o Cascadura ao hardcore melódico (!) e a bandas como Jota Quest (!!!!!!!), entre outras pedradas. Cair de páraquedas é isso aí. A despeito do apoio que o citado Caderno presta ao rock (baiano e de fora, inclusive com matéria e citações ao nosso Rock Loco, justiça seja feita) eu só acho muita desconsideração com uma banda como o velho Casca (e com Fábio, especificamente), que tá aí há mais de dez anos fazendo quase que exclusivamente o rock n roll setentista, lutando contra moinhos de vento e gritando contra o vendaval. Mas pelo jeito, ninguém ouviu. E se a gafe fosse com alguém como Daniela Mercury ou Ivete Sangalo? A cabeça de alguém ia rolar?
Por falar em gafe, a minha (de não ir pro show ontem) foi imperdoável. Mal aê. Domingão sucks.
Por falar em gafe, a minha (de não ir pro show ontem) foi imperdoável. Mal aê. Domingão sucks.
sábado, janeiro 08, 2005
Peu sai
O plantão do Rock Loco informa: Conforme o site Dynamite Online, confirmou-se o que se falava a boca miuda ( viu, o rock loco não é só dado a anglicismos), Peu, guitarrista extraordinaire, e um dos mentores do som de Pitty, está fora da banda. Especula-se que o substituto seria Martin, do Cascadura... Se não chega a ser surpresa, já que Peu já tinha pulado do barco uma vez, lamento profundamente que as diferenças entre Peu e Pitty não puderam ser contornadas, já que Pitty(cantora e banda) se tornou, queiram ou não, uma especie de estrela guia do rock baiano e de bandas alternativas em geral, já que alcançou o sucesso, ao meu ver, de forma digna. Tambem a conferir os reflexos desta historia toda no emergente ( em termos nacionais) Cascadura, que após anos e anos de batalha acabou de lançar disco por gravadora e começa a chamar atenção da midia brazuca. A saida de Martin neste momento , não seria uma boa pra banda.
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Plagio do Libertines
Fuçando coleções antigas(Nuggets 2) deu de cara ou melhor de ouvidos com uma musica de uma obscura banda australiana dos anos 60 chamada The Masters Apprentices, cujo single "War or The Hands of Time" chegou a ser Top 10 na Australia em 1967. A musica em questão , um libelo anti-belico, tem a melodia dos seus versos, alem da divisão das frases destes versos descaradamente surrupiados pelos hypados Libertines no seu(lá deles!) hit "Last Post in The Bugle". O coro e os lyrics são diferentes, mas o resto é igual, eu disse igual , descontando as obvias diferenças de andamento e produção entre uma banda das 60 e outra dos 00(he he, vi isso em algum lugar). Botei Bigs pra ouvir no Rock Loco de ontem e ele balançando a cabeça disse "é igual é igual". Não me lembro de ter lido sobre isto na imprensa musical, de nenhum lugar, mas a coisa é tão obvia que alguem já deve ter notado. Se alguem souber de algo que diga.
BATATA, VC ESTÁ FRITO: UM AVISO ABSOLUTAMENTE DESAGRADÁVEL
É com pesar e muito desgosto que comunico a todos que, hoje, quinta-feira, 6 de janeiro de 2005, minha caspenta pessoa estará discotecando a partir dumas 22:30, 23 horas no Miss Modular. Prometo proporcionar momentos absolutamente desagradáveis e constrangedores a todos os presentes com minha seleção musical totalmente desprezível e detestável. Como sempre, os pobres diabos presentes poderão pelo menos se divertir um pouco com minha óbvia inaptidão para lidar com aquela geringonça que toca música. Por favor, todos aqueles sem tendências ao masoquismo, mantenham distância daquela casa esta noite. Na verdade, se passarem por lá, meu conselho é: atravessem a rua para sequer pisar em sua calçada. A casa é um ótimo lugar, muito respeitável, mas precisa selecionar melhor os seus DJs.
Na sequência, o disc-jockey residente das quintas, o terrível e temível Batata, dará prosseguimento à sua sessão de tortura semanal aos ouvidos dos frequentadores daquele conceituado bar e restaurante.
A propósito, na próxima Quinta-feira (13 de janeiro) Sem Noção (que é um nome incrivelmente apropriado), o desagradável Mário Jorge tb fará um set de músicas horríveis, para absoluto desgosto dos incautos que por lá se aventurarem.
Vocês foram avisados, depois não reclamem. E NÃÃÃO ME APAREÇAM MAIS POR AQUI! TÁ COMPREENDIDO?
Na sequência, o disc-jockey residente das quintas, o terrível e temível Batata, dará prosseguimento à sua sessão de tortura semanal aos ouvidos dos frequentadores daquele conceituado bar e restaurante.
A propósito, na próxima Quinta-feira (13 de janeiro) Sem Noção (que é um nome incrivelmente apropriado), o desagradável Mário Jorge tb fará um set de músicas horríveis, para absoluto desgosto dos incautos que por lá se aventurarem.
Vocês foram avisados, depois não reclamem. E NÃÃÃO ME APAREÇAM MAIS POR AQUI! TÁ COMPREENDIDO?
quarta-feira, janeiro 05, 2005
PARA LER WILL EISNER (1917-2005)
http://www.willeisner.com/
Sim, o mestre se foi e isso, como diria Lobão, não tem nada demais. Afinal, foram 87 (!) anos de vida dedicados à arte, nos quais ele não apenas a produziu incessantemente e de forma inigualável, mas também estabeleceu parâmetros, criou formatos e mais importante, extrapolou seus limites, influenciando, além de outros quadrinistas, cineastas, músicos, dramaturgos, atores, designers e o que mais viesse. Isso é ser mais que um mero artista. E sinceramente, faltam-me até palavras para definir a importância do velho Eisner na cultura ocidental.
E como eu não tô aqui pra ensinar o Padre Nosso ao vigário, vamo deixar de punhetagem teórica e partir logo para uma listinha rapidamente comentada de alguns dos trabalhos mais significativos do homem que introduziu o termo graphic novel na literatura contemporânea e ajudou a levar os quadrinhos para dentro do (até então) sagrado território das livrarias e bibliotecas.
SPIRIT - Seu herói mais famoso não foi picado por um inseto radioativo nem era um alienígena que caiu do céu. Danny Colt, o Spirit, contava tão somente com seus punhos e sua esperteza para combate o crime em Central City. Criado ainda nos anos 30, o Spirit foi, por assim dizer, o laboratório de ensaio onde Eisner criou e testou todas as suas inovações gráficas e narrativas ao longo de duas décadas. Em sua última aventura, The outer space Spirit, Eisner o mandou para a Lua. Diversas edições do Spirit, de variados formatos, saíram no Brasil desde a década de 80, por editoras como LP&M, Abril Jovem e Sampa. E não é difícil encontra-las nos sebos.
O EDIFÍCIO - Em torno de um prédio de esquina, cuja arquitetura até lembra o nosso combalido e decadente Palace Hotel, na Rua Chile, diversos personagens circulam e vivem seus dramas cotidianos. Alguns trágicos, outros apenas melancólicos, outros ainda tristes de verdade, todos extremamente tocantes e belos, muito belos. É daqueles álbuns que se lê de uma sentada (como de resto, era praticamente toda a sua obra), para depois voltar ao início e começar de novo. Foi publicado em 1989 o Brasil pela Abril Jovem na coleção Graphic Novel. Se tiver em algum sebo, deve estar custando os olhos da cara. A menos que o dono do lugar não tenha idéia do valor artístico da obra, e aí, sorte sua.
O ÚLTIMO DIA NO VIETNAM - Seqüência de pequenos contos sobre essa guerra que eu não aguento mais ver em filmes idiotas, mas que nas suas mãos, rendem um punhado de testemunhos sinceros e desglamourizados sobre a estupidez humana, elemento em alta naqueles dias (e não apenas neles). Publicado pela Editora Devir, ainda é facilmente encontrável por aí.
UM CONTRATO COM DEUS - Ed Motta (sim, o sobrinho do Tim) gostou tanto dessa graphic que batizou seu segundo álbum de carreira, lançado em 1989, com esse mesmo nome. Considerado um de seus melhores trabalhos de todos os tempos, Um contrato(...) conta diversas histórias interligadas de vários personagens miseráveis dos guetos novaiorquinos. Se não me engano, foi aqui que ele criou o termo (e o formato editorial) graphic novel (romance gráfico), ao escrever um romance que não cabia em meras palavras, mas que dividia sua carga dramática com ilustrações primorosas. Um marco. Foi publicado ainda na década de 80 pela LP&M, e está fora de catálogo há muitos anos para desespero dos que nunca tiveram a oportunidade de lê-lo, como eu. Chuif.
O NOME DO JOGO - Lançado recentemente pela Devir, conta a saga de uma família judia nos EUA através das gerações, contando quase um século de história. Essa eu tb ainda não li, mas pretendo. Facilmente encontrável nas melhores casas do ramo.
SUNDIATA - Quadrinização de uma lenda africana, também recentemente lançado pela Devir.
NO CORAÇÃO DA TEMPESTADE - Outro de seus melhores trabalhos, em No coração (...) Eisner relembra sua juventude pobre na época da Segunda Guerra Mundial (na qual posteriormente serviu ao exército). Destaque para a denúncia de anti-semitismo que assolava também os EUA naquela época. Foi publicada em dois volumes pela Editora Abril em 1996. Se achar em algum sebo, não vacile: compre.
Muitos outros trabalhos do velho Eisner (que emprestou seu nome para a mais importante premiação dos quadrinhos americanos) foram lançados no Brasil, como Avenida Dropsie, Nova Iorque A Grande Cidade e Um sinal do espaço, mas se vc está realmente interessado(a), clica lá em cima no link para o site do homem, que tá tudo lá. Qualquer dúvida, deixe-a nos comments, que se eu puder, eu tiro. Senão, Cebola ou Márcio B.A. Martinez (os caras que me apresentaram Will Eisner em 1988) do blog Clash City Rockers, certamente saberão faze-lo.
Sim, o mestre se foi e isso, como diria Lobão, não tem nada demais. Afinal, foram 87 (!) anos de vida dedicados à arte, nos quais ele não apenas a produziu incessantemente e de forma inigualável, mas também estabeleceu parâmetros, criou formatos e mais importante, extrapolou seus limites, influenciando, além de outros quadrinistas, cineastas, músicos, dramaturgos, atores, designers e o que mais viesse. Isso é ser mais que um mero artista. E sinceramente, faltam-me até palavras para definir a importância do velho Eisner na cultura ocidental.
E como eu não tô aqui pra ensinar o Padre Nosso ao vigário, vamo deixar de punhetagem teórica e partir logo para uma listinha rapidamente comentada de alguns dos trabalhos mais significativos do homem que introduziu o termo graphic novel na literatura contemporânea e ajudou a levar os quadrinhos para dentro do (até então) sagrado território das livrarias e bibliotecas.
SPIRIT - Seu herói mais famoso não foi picado por um inseto radioativo nem era um alienígena que caiu do céu. Danny Colt, o Spirit, contava tão somente com seus punhos e sua esperteza para combate o crime em Central City. Criado ainda nos anos 30, o Spirit foi, por assim dizer, o laboratório de ensaio onde Eisner criou e testou todas as suas inovações gráficas e narrativas ao longo de duas décadas. Em sua última aventura, The outer space Spirit, Eisner o mandou para a Lua. Diversas edições do Spirit, de variados formatos, saíram no Brasil desde a década de 80, por editoras como LP&M, Abril Jovem e Sampa. E não é difícil encontra-las nos sebos.
O EDIFÍCIO - Em torno de um prédio de esquina, cuja arquitetura até lembra o nosso combalido e decadente Palace Hotel, na Rua Chile, diversos personagens circulam e vivem seus dramas cotidianos. Alguns trágicos, outros apenas melancólicos, outros ainda tristes de verdade, todos extremamente tocantes e belos, muito belos. É daqueles álbuns que se lê de uma sentada (como de resto, era praticamente toda a sua obra), para depois voltar ao início e começar de novo. Foi publicado em 1989 o Brasil pela Abril Jovem na coleção Graphic Novel. Se tiver em algum sebo, deve estar custando os olhos da cara. A menos que o dono do lugar não tenha idéia do valor artístico da obra, e aí, sorte sua.
O ÚLTIMO DIA NO VIETNAM - Seqüência de pequenos contos sobre essa guerra que eu não aguento mais ver em filmes idiotas, mas que nas suas mãos, rendem um punhado de testemunhos sinceros e desglamourizados sobre a estupidez humana, elemento em alta naqueles dias (e não apenas neles). Publicado pela Editora Devir, ainda é facilmente encontrável por aí.
UM CONTRATO COM DEUS - Ed Motta (sim, o sobrinho do Tim) gostou tanto dessa graphic que batizou seu segundo álbum de carreira, lançado em 1989, com esse mesmo nome. Considerado um de seus melhores trabalhos de todos os tempos, Um contrato(...) conta diversas histórias interligadas de vários personagens miseráveis dos guetos novaiorquinos. Se não me engano, foi aqui que ele criou o termo (e o formato editorial) graphic novel (romance gráfico), ao escrever um romance que não cabia em meras palavras, mas que dividia sua carga dramática com ilustrações primorosas. Um marco. Foi publicado ainda na década de 80 pela LP&M, e está fora de catálogo há muitos anos para desespero dos que nunca tiveram a oportunidade de lê-lo, como eu. Chuif.
O NOME DO JOGO - Lançado recentemente pela Devir, conta a saga de uma família judia nos EUA através das gerações, contando quase um século de história. Essa eu tb ainda não li, mas pretendo. Facilmente encontrável nas melhores casas do ramo.
SUNDIATA - Quadrinização de uma lenda africana, também recentemente lançado pela Devir.
NO CORAÇÃO DA TEMPESTADE - Outro de seus melhores trabalhos, em No coração (...) Eisner relembra sua juventude pobre na época da Segunda Guerra Mundial (na qual posteriormente serviu ao exército). Destaque para a denúncia de anti-semitismo que assolava também os EUA naquela época. Foi publicada em dois volumes pela Editora Abril em 1996. Se achar em algum sebo, não vacile: compre.
Muitos outros trabalhos do velho Eisner (que emprestou seu nome para a mais importante premiação dos quadrinhos americanos) foram lançados no Brasil, como Avenida Dropsie, Nova Iorque A Grande Cidade e Um sinal do espaço, mas se vc está realmente interessado(a), clica lá em cima no link para o site do homem, que tá tudo lá. Qualquer dúvida, deixe-a nos comments, que se eu puder, eu tiro. Senão, Cebola ou Márcio B.A. Martinez (os caras que me apresentaram Will Eisner em 1988) do blog Clash City Rockers, certamente saberão faze-lo.
terça-feira, janeiro 04, 2005
Tequilers e Lobo Guará no Calypso
A puteira do fim de semana começa no Calypso e termina no show do Cascadura e Astronautas no Tapioca, domingo. A seguir, o release q Cebola me mandou do show de sábado.
O Calypso entra 2005 em ritmo de rock'n'roll. No próximo sábado, 8 de janeiro, às 23h, tem show reunindo as bandas Tequilers e Lobo Guará. A idéia é comemorar os natalícios de Cebola e Simone, respectivamente, baixista/vocalista e cantora bissexta da Tequilers, ao som de duas bandas que têm em comum a tendência para o rock clássico, com raízes nos anos
60 e 70. Uma das novidades do rock baiano em 2004, a Tequilers apresenta repertório próprio, com influências de nomes como Deep Purple, Led Zeppelin, Rolling Stones, Lou Reed e Pixies, entre outros, além de covers dos Beatles. Com mais quilômetros rodados, a Lobo Guará possui repertório formado basicamente de covers de grupos como Creedence Clearwater Revival, Lynyrd Skynyrd e Rolling Stones, entre outros. Além da apresentação das duas bandas, vai rolar som mecânico nos intervalos. O couvert custa R$ 5. O Calypso fica na Travessa Prudente de Moraes, 59, Rio Vermelho, tel. 334-6030.
O Calypso entra 2005 em ritmo de rock'n'roll. No próximo sábado, 8 de janeiro, às 23h, tem show reunindo as bandas Tequilers e Lobo Guará. A idéia é comemorar os natalícios de Cebola e Simone, respectivamente, baixista/vocalista e cantora bissexta da Tequilers, ao som de duas bandas que têm em comum a tendência para o rock clássico, com raízes nos anos
60 e 70. Uma das novidades do rock baiano em 2004, a Tequilers apresenta repertório próprio, com influências de nomes como Deep Purple, Led Zeppelin, Rolling Stones, Lou Reed e Pixies, entre outros, além de covers dos Beatles. Com mais quilômetros rodados, a Lobo Guará possui repertório formado basicamente de covers de grupos como Creedence Clearwater Revival, Lynyrd Skynyrd e Rolling Stones, entre outros. Além da apresentação das duas bandas, vai rolar som mecânico nos intervalos. O couvert custa R$ 5. O Calypso fica na Travessa Prudente de Moraes, 59, Rio Vermelho, tel. 334-6030.
segunda-feira, janeiro 03, 2005
WHAT DO I CARE? e MARVEL MAX, THE BEST DO ÂNUS
Pra começar, hj em dia, acho um porre esse negócio de lista. Se todo mundo tem suas listas, que sentido tem em simplesmente fazer mais uma? Quem se importa? Who fookin cares? Com todo o respeito aos nossos amigos partidários de Nick Hornby que gostam, ainda se importam e se dão ao trabalho de elaborar listas sérias e sinceras, mas... na boa: esse ano eu num vi nada de Melhor em relação aos anos anteriores, não. Pra mim, continua tudo a lesma lerda. Então.
Filme do ano: Bob Esponja - O Filme. O senhor Calça Quadrada se supera (em relação aos episódios na TV) e nos oferece uma hora e meia de puro delírio - meio ingênuo, meio sacana -, para rachar o bico de tanto rir. Quando estréia o 2?
CD do ano: eu sei lá. Num ouvi quase nada dessas coisas que andam elegendo por aí, não. E tb num vou pagar o mico de dizer que o disco novo do Libertines é maravilhoso, por que NÃO É. Aqueles meninos tem que comer muito feijão, ainda.
The Killers, então?
Ah, tá.
Olha, eu sou de um tempo em que banda de rock que se dizia influenciada por Duran Duran tomava era MUQUETA NAS FUÇA. E Franz Ferdinand tb é chato pra caralho, tenha a santa paciência. Então, anota aí: disco do ano: Feitiço do Rio, de Agnaldo Timóteo. Quem sabe qdo eu ouvir esses tais Arcade Fire, The Shins e coisa e tal eu mudo de opinião.
Show: Teenage Fanclub em Recife. Agora eu tô falando sério. Tanto, que nem quero falar mais nada.
HQ do ano: América, de Robert Crumb. Desse aqui eu já falei. Clica aí do lado em Dezembro e dá uma fuçada nos meus posts.
HQ mensal do ano: Marvel Max, em qualquer banca por meros R$5,50. Agora eu cheguei aonde eu queria. A Marvel Max (da Panini Comics) é a revista que publica aqui no Brasil os títulos da atual divisão de hqs adultas da Marvel (nos anos 80 era a Epic Marvel, quem lembra do Dreadstar?), com palavrões, insinuações de sexo (hetero e homossexual) e drogas liberadas. A revista tem 76 páginas (o que comporta três títulos de 24 páginas por mês), e atualmente publica as séries Alias, Poder Supremo e Thor: Vikings.
A primeira, do ultra-hypado (no mundo dos quadrinhos) Brian Michael Bendis, apresenta as aventuras de Jessica Jones, uma detetive (com uma certa predileção por sexo anal) que já foi super, mas que abandonou as roupas colantes por que decidiu crescer. O destaque aqui são os diálogos ultra realistas e irônicos que Bendis coloca na boca dos personagens. Impossível não se identificar com os dramas vividos pela detetive e seus clientes em um mundo cheio de gente que, quando não é mutante, adquiriu super poderes por que foi picado por algum inseto radioativo. A série tem ritmo de seriado de TV, tipo um CSI da vida. Infelizmente, no caso de Alias, algum conhecimento prévio da mitologia dos personagens Marvel ajuda na compreensão das histórias, mas a série tb não chega a deixar o neófito boiando, não. Essa série é fixa, sendo encontrada todo mês na revista. O Bendis também anda botando pra fuder na atual série do Demolidor, considerada por muitos (eu aí incluído) o melhor momento do herói desde sua emblemática fase com Frank Miller.
Poder Supremo é escrita pelo roteirista de televisão Joseph Michael Straczinsky (Babylon 5) e apresenta uma nova versão para um antigo grupo de heróis da Marvel, o Esquadrão Supremo. O Esquadrão nada mais era que um plágio marveliano da Liga da Justiça (da DC Comics) para contracenar com os Vingadores (o super grupo da Marvel) em algumas histórias. Abandonados há mais de uma década, eles voltaram com um novo enfoque, ultra-realista. O que aconteceria se o Super Homem realmente caísse na terra? Será que o governo dos EUA passaria batido e deixaria o ser mais poderoso que já existiu ser criado por um casal de caipiras do Kansas, como aconteceu com o Super convencional? Pode apostar que não. Poder Supremo apresenta versões perversas (e ainda muito misteriosas) dos seus heróis preferidos da DC no traço extraordinário do artista Gary Frank. Essa série é o maior sucesso do selo e está deixando a comunidade nerd (americana e brasileira) de cabelos em pé com seu ritmo lento, porém enervante e constante, e a personalidade sinistra apresentada pelos seus personagens inspirados no Azulão, Batman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Flash e Aquaman. Se Alias tem ritmo de série de TV, essa aqui tem dava um puta blockbuster super produzido com milhares de efeitos especiais. Com a vantagem de ter um texto realmente bom e personagens igualmente bem desenvolvidos.
Já Thor: Vikings é uma mini-série em quatro edições escrita pelo irlandês mais porra louca do mundo dos quadrinhos, Garth Ennis, o homem que botou Deus pra correr em Preacher, uma das melhores séries dos anos 90 (fácil-fácil ao lado de Sandman de Neil Gaiman e Os Invisíveis de Grant Morrison. E olha que eu nem li até o fim, no número 65). Em Vikings, vemos Nova Iorque invadida por um bando feroz de bárbaros vikings mortos-vivos. Desculpa perfeita para o senhor Ennis e seu desenhista Glenn Fabry (o monstro capista de Preacher) nos brindarem com uma infinidade de crânios rachados por machadadas, corpos fatiados a golpes de espada e maxilares arrancados na base da maça. Lindo. Somente Thor, o Deus do Trovão (ai, santa!) poderá nos salvar. Esse cara (Ennis) odeia super-heróis. Uma vez, em uma história do Justiceiro, ele fez o baixo-astral do Frank Castle usar o Homem-Aranha de escudo e saco de pancada contra um mercenário russo vítima de experiências que o fizeram ficar super forte. O detalhe é que a experiência teve o efeito colateral de fazer crescerem seios enormes no tal mercenário. Já imaginou? O Homem Aranha apanhando que nem mala velha de um russo com seios maiores que os da Fafá de Belém? Com Garth Ennis, as coisas sempre descambam pro bizarro.
O único ponto negativo dessa revista é que, por ser tão boa, vc acaba de ler em 10, 15 minutos. Mas quando a coisa é boa, é assim mesmo.
Para felicidade dos nerds chegados em bizarria e violência gratuita, o selo Marvel Max já publicou e continua publicando diversas outras séries, ainda que a maioria nem chegue aqui no Brasil, infelizmente. Confira aqui ótima matéria do site Fanboy sobre a linha de hqs adultas da Marvel com uma descrição série a série.
É isso, toda essa diversão está logo ali na banca da esquina. E isso, pra mim, foi a melhor coisa do ano. Corre lá e depois me diz o que vc achou.
Filme do ano: Bob Esponja - O Filme. O senhor Calça Quadrada se supera (em relação aos episódios na TV) e nos oferece uma hora e meia de puro delírio - meio ingênuo, meio sacana -, para rachar o bico de tanto rir. Quando estréia o 2?
CD do ano: eu sei lá. Num ouvi quase nada dessas coisas que andam elegendo por aí, não. E tb num vou pagar o mico de dizer que o disco novo do Libertines é maravilhoso, por que NÃO É. Aqueles meninos tem que comer muito feijão, ainda.
The Killers, então?
Ah, tá.
Olha, eu sou de um tempo em que banda de rock que se dizia influenciada por Duran Duran tomava era MUQUETA NAS FUÇA. E Franz Ferdinand tb é chato pra caralho, tenha a santa paciência. Então, anota aí: disco do ano: Feitiço do Rio, de Agnaldo Timóteo. Quem sabe qdo eu ouvir esses tais Arcade Fire, The Shins e coisa e tal eu mudo de opinião.
Show: Teenage Fanclub em Recife. Agora eu tô falando sério. Tanto, que nem quero falar mais nada.
HQ do ano: América, de Robert Crumb. Desse aqui eu já falei. Clica aí do lado em Dezembro e dá uma fuçada nos meus posts.
HQ mensal do ano: Marvel Max, em qualquer banca por meros R$5,50. Agora eu cheguei aonde eu queria. A Marvel Max (da Panini Comics) é a revista que publica aqui no Brasil os títulos da atual divisão de hqs adultas da Marvel (nos anos 80 era a Epic Marvel, quem lembra do Dreadstar?), com palavrões, insinuações de sexo (hetero e homossexual) e drogas liberadas. A revista tem 76 páginas (o que comporta três títulos de 24 páginas por mês), e atualmente publica as séries Alias, Poder Supremo e Thor: Vikings.
A primeira, do ultra-hypado (no mundo dos quadrinhos) Brian Michael Bendis, apresenta as aventuras de Jessica Jones, uma detetive (com uma certa predileção por sexo anal) que já foi super, mas que abandonou as roupas colantes por que decidiu crescer. O destaque aqui são os diálogos ultra realistas e irônicos que Bendis coloca na boca dos personagens. Impossível não se identificar com os dramas vividos pela detetive e seus clientes em um mundo cheio de gente que, quando não é mutante, adquiriu super poderes por que foi picado por algum inseto radioativo. A série tem ritmo de seriado de TV, tipo um CSI da vida. Infelizmente, no caso de Alias, algum conhecimento prévio da mitologia dos personagens Marvel ajuda na compreensão das histórias, mas a série tb não chega a deixar o neófito boiando, não. Essa série é fixa, sendo encontrada todo mês na revista. O Bendis também anda botando pra fuder na atual série do Demolidor, considerada por muitos (eu aí incluído) o melhor momento do herói desde sua emblemática fase com Frank Miller.
Poder Supremo é escrita pelo roteirista de televisão Joseph Michael Straczinsky (Babylon 5) e apresenta uma nova versão para um antigo grupo de heróis da Marvel, o Esquadrão Supremo. O Esquadrão nada mais era que um plágio marveliano da Liga da Justiça (da DC Comics) para contracenar com os Vingadores (o super grupo da Marvel) em algumas histórias. Abandonados há mais de uma década, eles voltaram com um novo enfoque, ultra-realista. O que aconteceria se o Super Homem realmente caísse na terra? Será que o governo dos EUA passaria batido e deixaria o ser mais poderoso que já existiu ser criado por um casal de caipiras do Kansas, como aconteceu com o Super convencional? Pode apostar que não. Poder Supremo apresenta versões perversas (e ainda muito misteriosas) dos seus heróis preferidos da DC no traço extraordinário do artista Gary Frank. Essa série é o maior sucesso do selo e está deixando a comunidade nerd (americana e brasileira) de cabelos em pé com seu ritmo lento, porém enervante e constante, e a personalidade sinistra apresentada pelos seus personagens inspirados no Azulão, Batman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Flash e Aquaman. Se Alias tem ritmo de série de TV, essa aqui tem dava um puta blockbuster super produzido com milhares de efeitos especiais. Com a vantagem de ter um texto realmente bom e personagens igualmente bem desenvolvidos.
Já Thor: Vikings é uma mini-série em quatro edições escrita pelo irlandês mais porra louca do mundo dos quadrinhos, Garth Ennis, o homem que botou Deus pra correr em Preacher, uma das melhores séries dos anos 90 (fácil-fácil ao lado de Sandman de Neil Gaiman e Os Invisíveis de Grant Morrison. E olha que eu nem li até o fim, no número 65). Em Vikings, vemos Nova Iorque invadida por um bando feroz de bárbaros vikings mortos-vivos. Desculpa perfeita para o senhor Ennis e seu desenhista Glenn Fabry (o monstro capista de Preacher) nos brindarem com uma infinidade de crânios rachados por machadadas, corpos fatiados a golpes de espada e maxilares arrancados na base da maça. Lindo. Somente Thor, o Deus do Trovão (ai, santa!) poderá nos salvar. Esse cara (Ennis) odeia super-heróis. Uma vez, em uma história do Justiceiro, ele fez o baixo-astral do Frank Castle usar o Homem-Aranha de escudo e saco de pancada contra um mercenário russo vítima de experiências que o fizeram ficar super forte. O detalhe é que a experiência teve o efeito colateral de fazer crescerem seios enormes no tal mercenário. Já imaginou? O Homem Aranha apanhando que nem mala velha de um russo com seios maiores que os da Fafá de Belém? Com Garth Ennis, as coisas sempre descambam pro bizarro.
O único ponto negativo dessa revista é que, por ser tão boa, vc acaba de ler em 10, 15 minutos. Mas quando a coisa é boa, é assim mesmo.
Para felicidade dos nerds chegados em bizarria e violência gratuita, o selo Marvel Max já publicou e continua publicando diversas outras séries, ainda que a maioria nem chegue aqui no Brasil, infelizmente. Confira aqui ótima matéria do site Fanboy sobre a linha de hqs adultas da Marvel com uma descrição série a série.
É isso, toda essa diversão está logo ali na banca da esquina. E isso, pra mim, foi a melhor coisa do ano. Corre lá e depois me diz o que vc achou.
A BAIANIDADE NAGÔ FAZ MAIS UMA VÍTIMA
Em entrevista publicada na edição de ontem do jornal A Tarde, o cineasta baiano Edgard Navarro afirmou estar "despongando do cinema". O lendário agitador cultural, autor do histórico média-metragem O Superoutro (1988), se diz cansado de dar murro em ponta de faca para conseguir fazer cinema na Bahia, e por isso, está se retirando aos 50 e poucos anos de idade para "fazer coisas mais produtivas".
Atualmente tentando finalizar seu primeiro (e garante, único) longa, intitulado Eu me lembro, cujas filmagens se deram ainda em 2002, um desiludido Navarro diz não fazer parte de (estou citando de memória, é mais ou menos isso aí) "uma plêiade, uma elite dominante global que tem acesso ao meios de produção e que decide quem pode trabalhar ou não". "Essas pessoas não me convidam para suas festas, pois sabem que eu vou soltar um peido, um palavrão", completou. Ainda não há previsão de lançamento para Eu me lembro. Quem quiser ler essa entrevista para maiores detalhes, ela foi publicada ontem (domingo, 2 de janeiro) no Caderno 2 d'A Tarde.
Enquanto isso, uma campanha milionária (filmada em película) estrelada pelos nossos mais populares cantores das multidões (só faltou o Beto Bahia) convida todo o Brasil em alto e bom som: "vem pra Bahia, que a Bahia é uma boa". Pra quem, cara-pálida? Vai uma lobotomiazinha, aí?
O ROCK LOCO se solidariza com o desbocado cineasta e lhe deseja melhor sorte em futuros empreendimentos. E que Eu me lembro seja lançado logo pra gente poder ver e aplaudir.
E o Rock continua.
Atualmente tentando finalizar seu primeiro (e garante, único) longa, intitulado Eu me lembro, cujas filmagens se deram ainda em 2002, um desiludido Navarro diz não fazer parte de (estou citando de memória, é mais ou menos isso aí) "uma plêiade, uma elite dominante global que tem acesso ao meios de produção e que decide quem pode trabalhar ou não". "Essas pessoas não me convidam para suas festas, pois sabem que eu vou soltar um peido, um palavrão", completou. Ainda não há previsão de lançamento para Eu me lembro. Quem quiser ler essa entrevista para maiores detalhes, ela foi publicada ontem (domingo, 2 de janeiro) no Caderno 2 d'A Tarde.
Enquanto isso, uma campanha milionária (filmada em película) estrelada pelos nossos mais populares cantores das multidões (só faltou o Beto Bahia) convida todo o Brasil em alto e bom som: "vem pra Bahia, que a Bahia é uma boa". Pra quem, cara-pálida? Vai uma lobotomiazinha, aí?
O ROCK LOCO se solidariza com o desbocado cineasta e lhe deseja melhor sorte em futuros empreendimentos. E que Eu me lembro seja lançado logo pra gente poder ver e aplaudir.
E o Rock continua.
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